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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Abr19

Pequenas estórias da Champions


Pedro Azevedo

Mané, Firmino, Origi e Salah são os puros-sangue que dão tração à quadriga Ma-fi-o-sa do Liverpool, a qual se infiltra nas linhas atrasadas adversárias e lhes provoca grande dano. Mas os cavalos também se abatem e, tal como no célebre romance homónimo de Horace McCoy, o tango de Messi e Suarez pode testar ao extremo a resistência dos seus competidores.  

 

Os cavaleiros holandeses do Ajax são guerreiros armados de lanças bem afiadas. A esperança do Tottenham é que as esporas (Spurs, em inglês) nas suas botas possam constituir uma pedra no sapato. 

20
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - Ovos K


Pedro Azevedo

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou. Para o maliano, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivaleu à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa, com um cartão amarelo a Acuña, o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas deve ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

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19
Abr19

Eintracht!


Pedro Azevedo

Quem diria que a harmonia (Eintracht, em alemão) seria prejudicial ao Benfica? Pelos vistos, nem sempre um Petit passo para um Homem se pode tornar num grande passo para o Universo (benfiquista). Assim, não há Paciência...

18
Abr19

Liga dos Campeões, um hino ao futebol


Pedro Azevedo

Vamos ter umas meias-finais da Champions com vários aspectos de interesse. Os ingleses foram os únicos a conseguirem colocar duas equipas nesta fase da competição. Tal como a presença do Barcelona, este facto não se pode considerar surpreendente. Digno dos maiores encómios é o apuramento do Ajax, proveniente de uma Holanda com muito menor poder económico. O sorteio das semi-finais também teve os seus sortilégios. Assim, teremos um Tottenham vs Ajax e um Barcelona vs Liverpool.

Eis a minha análise do que se poderá esperar destes jogos:

 

Tottenham x Ajax - em confronto vão estar duas escolas de futebol. Se, por um lado, os holandeses, com o seu modelo mais do que consolidado, dispensam apresentação, os ingleses são quem melhor tem progredido no desenvolvimento da Formação nos últimos anos. Assim, a Veltman, De Ligt, De Jong, Van de Beek, Mazraoui, Dolberg ou Blind, o Tottenham contraporá Danny Rose, Kyle Walker-Peters, Oliver Skipp, Harry Winks, Dele Alli ou Harry Kane. Será também um duelo entre dois treinadores emergentes do futebol mundial: Erik Ten Hag, pelos "lanceiros", Mauricio Pochettino, pelos "Spurs". 

O prognóstico sobre esta eliminatória é bem mais difícil de fazer do que à primeira vista poderá parecer. Sendo certo que o Ajax deixou pelo caminho os poderosos Real Madrid e Juventus, também não deixa de ser verdade que teve maiores dificuldades em casa, quando teve de assumir o jogo. Ora, a minha dúvida é se o Tottenham quererá ter a iniciativa do jogo nos dois confrontos. A favor do argumento de o ter está o facto de ser uma equipa de um país cuja cultura futebolistica é a de impôr a sua forma de jogar. Contra, a presença no banco de um treinador sul-americano, que introduz algumas nuances tácticas ao habitual "association" britânico, nomeadamente alguma especulação que foge à tradição do país de sua majestade. Aliás, com jogadores supersónicos como Son ou Lucas, não seria de admirar que os "Spurs" jogassem na expectativa, aproveitando as transições rápidas iniciadas nos movimentos frontais de Alli e concluídas pela sagacidade goleadora de Kane. Assim sendo, os espaços com que o Ajax se sente confortável podem estar vedados, o que aliado à inexperiência dos holandeses lhes pode ser fatal.

Para mim, a eliminatória decidir-se-á no primeiro jogo, em Londres. Se o Tottenham ganhar essa partida (ou mesmo caso empate a zero), então muito dificilmente será eliminado, na medida em que aproveitará o balanceamento ofensivo dos "lanceiros" na partida de volta. Caso o Ajax repita as exibições de Madrid e de Turim e vença em Londres, então a eliminatória penderá para os holandeses. 

 

Barcelona X Liverpool -  de um lado, a reinvenção do tiki-taka, por Ernesto Valverde, evitando demasiadas trocas de bola atrás e procurando a vertigem ofensiva com a incorporação dos laterais Sergi Roberto e Jordi Alba, compensada pelo equilíbrio que Sergio Busquets, Umtiti e Piqué (os dois últimos agora com menos liberdade para se aventurarem ofensivamente) dão à equipa. Quando a bola entra entrelinhas, o Barcelona torna-se particularmente letal, pois o virtuosismo e habilidade de Messi, a qualidade de passe de Rakitic, as penetrações frontais de Coutinho, a velocidade e qualidade técnica de Dembelé e as movimentações e remate de Suarez põem facilmente k.o. qualquer adversário nessas circunstâncias. Do outro lado, o trio dinâmico de Klopp - Mané, Firmino e Salah, por vezes reforçado com o belga Origi, o que o transforma numa quadrilha (ou quadriga, dada a explosão de cada um) MaFiOSa - , provavelmente o melhor terceto atacante da história do futebol, pela versatilidade de cada uma das peças que a integra e sua complementaridade em função da equipa, apoiado pela verticalidade dos laterais Robertson (escocês) e Alexander-Arnold (jovem revelação inglesa) e movimentos de aproximação do holandês Wijnaldum. Os equilíbrios são assegurados pelos veteranos Milner ou Henderson e pelo guineense Keita. Destacam-se ainda o guarda-redes Alisson, titular da canarinha e contratação mais cara (62,5M€) dos "reds" esta época, e o holandês Van Dijk, defesa muito rápido e fortíssimo na bola parada defensiva e ofensiva. 

O meu prognóstico é o de vitória na eliminatória para o Liverpool

 

Enfim, de uma forma geral as equipas que produziram um melhor futebol chegaram a esta fase (algo que nem sempre acontece), exceptuando talvez o caso do Manchester City, o grande ausente. Veremos o que irá acontecer, mas certamente teremos grandes jogos. E os nossos Leitores/Comentadores, quem esperam ver na final no (aziago para nós) Wanda Metropolitano? Aceitam-se prognósticos...

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18
Abr19

Feliz Páscoa!


Pedro Azevedo

Os meus votos de uma Páscoa feliz a todos os Leitores do "Castigo Máximo".

17
Abr19

Limpinho, limpinho como o Ajax!


Pedro Azevedo

O Ajax venceu a Juventus - previamente havia batido o Real Madrid, campeão em título - nos quartos-de-final da Champions com 6 jogadores da sua Formação no "onze" inicial que apresentou em Turim. 

 

Daley Blind (no clube desde os 8 anos de idade, foi posteriormente vendido ao Manchester United, tendo regressado esta época), Frankie de Jong (chegou com 18 anos, proveniente do Willem II), Matthijs de Ligt (desde os 10 anos), Noussair Mazzraoui, Donny Van de Beek (desde os 11 anos) e Joel Veltman (desde os 9 anos) fizeram toda a Formação ou completaram-na nos "lanceiros". Adicionalmente, o brasileiro David Neres (ex-São Paulo) e o camaronês André Onana (ex-Barcelona) chegaram ao clube de Amesterdão com 19 anos. Dos restantes 3 jogadores, o marroquino Hakim Ziyech foi formado no Heerenveen e comprado ao Twente quando tinha 23 anos, o dinamarquês Lasse Schone chegou proveniente do NEC Nijmegen aos 26 anos e o sérvio Dusan Tadic, após alguns anos na Eredivisie (com passagens por Groningen e Twente), foi comprado, já com 30 anos, esta época aos ingleses do Southampton. 

 

Nota-se a preocupação do clube em mesclar a juventude proveniente da sua Formação (e as jovens promessas que vai recrutando através do Scouting) com jogadores experientes. Assim, Schone (32 anos), Tadic (30 anos) e o recém-regressado Blind (29 anos) adicionam a maturidade necessária para o sucesso nos grandes palcos. No entanto, a rodagem já adquirida pelos jovens jogadores não deixa de ser surpreendente, como se pôde comprovar a noite passada em Turim. De facto, os novatos Van de Beek (20 anos) e de Ligt (19 anos) marcaram os golos que eliminaram a "Vecchia Signora", uma ironia só por si. Para além dos 3 jogadores já citados em cima, destaca-se ainda a experiência do sólido defesa Veltman (27 anos) e do endiabrado Ziyech (26 anos). Mazzroui e de Jong (21 anos), Neres (22) e Onana (23) completam o lote.

 

Longe do poder económico de outros grandes clubes europeus, situado num pequeno país do centro da Europa, o Ajax cedo definiu uma estratégia baseada na pesquisa e desenvolvimento de novos jogadores. A qual vai complementando com aquisições cirúrgicas que adicionam maturidade e/ou classe às esucessivas equipas do clube. Havendo inevitavelmente umas gerações melhores do que outras, não se pode dizer que o Ajax se tenha dado mal com esta estratégia, tal como o atestam 2 Campeonatos do Mundo de clubes, 4 Champions, 3 Supertaças europeias, 1 Taça das Taças, 1 Taça UEFA, e os 33 Campeonatos, 18 Taças e 8 Supertaças ganhos domesticamente. 

 

Para que a força de uma ideia vingue, os seus treinadores têm de se submeter ao modelo do clube. Caso contrário, não duram muito tempo. Assim, com uma estratégia clara e convicção por parte de dirigentes e treinadores, o clube vai fazendo mais com menos, em certas épocas conseguindo até bater o pé a colossos com muito maior poder económico, tal como o demonstra a final da Liga Europa de 2016/17, com Peter Bosz, ou as meias-finais da Champions atingidas esta temporada, com Erik Ten Hag ao leme.

 

Será assim tão difícil replicar um modelo de sucesso num clube que tem jogadores como Cristiano Ronaldo, Luís Figo ou Futre como cartão de visita da excelência da sua Formação?

 

P.S. No "onze" inicial apresentado em Turim, o Ajax teve seis jogadores Sub-23...

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17
Abr19

Podíamos ser nós...


Pedro Azevedo

... Ou como a derrota de um extraordinário e emblemático jogador da nossa Formação (Cristiano Ronaldo) é também uma vitória da aposta nas camadas jovens de um clube (Ajax) e um exemplo a seguir. 

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(Getty Images)

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(Lapresse)

17
Abr19

Fica Bruno!


Pedro Azevedo

Um jogador de futebol de uma equipa grande não é como um romancista, um "rocker" ou um actor. Enquanto estes podem viver toda uma vida de um êxito, a um futebolista de uma equipa de topo exige-se que ganhe o próximo jogo, o seguinte, e por aí fora até ser campeão nacional (e vencer outras competições) uma e outra vez. 

 

Poucas actividades existem em que o momento signifique tanto. No futebol, o passado é museu, a cultura dominante é a do presente. Por isso, os jogadores, como os clubes, estão sempre a renascer, a começar do zero, raramente acumulando créditos de anos anteriores. Nesse sentido, sendo certo que não é nada fácil atingir o zénite, o mais difícil para um jogador de futebol é permanecer lá em cima. 

 

Muito poucos o conseguiram e isso diz muito sobre as carreiras excepcionais de Cristiano Ronaldo e de Lionel Messi, que estão no topo há mais de uma década. Também começa a dizer algo sobre o desempenho de Bruno Fernandes ao serviço do Sporting. Depois de uma primeira época em que a todos convenceu, com 16 golos marcados, 18 assistências e 19 participações importantes em outros tantos golos, Bruno elevou ainda mais o seu patamar esta temporada, encantando os adeptos leoninos com números de sonho quando ainda faltam 6 jogos para umas retemperadoras férias. Assim, o capitão dos leões já leva 28 golos marcados, 15 assistências e 15 participações importantes em golos, mostrando a consistência de que se fazem os campeões.

 

Se o Sporting quiser voltar à ribalta nacional e internacional, não pode deixar sair um jogador como Bruno Fernandes sem ser pela cláusula de rescisão. O que o clube deverá fazer é construir uma equipa à volta do seu capitão que garanta títulos. Nesse sentido, é necessário manter não só Bruno mas também Acuña ou Mathieu, outros jogadores com muita qualidade (embora sem o brilhantismo de Bruno). É que se Bruno ganha jogos com a sua excelência, o argentino e o gaulês ganham campeonatos com a sua regularidade a alto nível.

 

A permanência de Bruno manterá o entusiasmo dos adeptos e dos próprios jogadores da equipa. Com Bruno, o Sporting parte para cada batalha sem temores nem complexos, fiél à sua história e aos seus pergaminhos. Sem ele, neste momento, seria uma equipa vulgar. Dir-se-á que vendendo Bruno conseguiremos dotar a equipa de outros talentos. Ora, eu refugio-me no adágio popular de que "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar" para sustentar a minha tese de que jogadores como Bruno são simplesmente insubstituíveis. Por outro lado, quantas promessas leoninas não fracassaram à luz do dia, quantos negócios não nos deixaram à beira da ruína financeira? Vamos trocar o certo pelo incerto outra vez? Por isso digo: ou pela cláusula ou nada.  

 

Bruno não tem as feições de um Dani, ou a pose aristocrática de um Damas, mas nasceu para ser uma estrela. Herói sofrido, feito de trabalho árduo, há expressões na sua face que fazem lembrar personagens interpretadas por Humphrey Bogart. Tal como em Sam Spade, de "O Falcão de Malta", há indução à acção e diálogos rápidos e contundentes com colegas; como em Rick Blaine, de "Casablanca", frieza e capacidade de resistência firme à adversidade, qualidades que lhe permitiram, por exemplo, dar a volta a uma eliminatória da Taça de Portugal (contra o Benfica) antecipadamente perdida; assim como no Phillip Marlowe, de "À beira do abismo", ironias várias e tom de desprezo por quem não o respeita. 

 

O filme da história do Sporting será sempre um épico, pese embora a tragicomédia dos últimos 37 anos. E estou convencido que Bruno, ficando mais uns anos connosco, terá nele um papel de protagonista, ao lado de Peyroteo, Damas, Yazalde ou Manuel Fernandes. Fica Bruno!

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16
Abr19

Ouvindo Bruno


Pedro Azevedo

Estive a ver a entrevista a Bruno Fernandes na SportTV. E adorei! É que o Bruno fala tão bem no campo como fora dele. O que mais me agrada é o compromisso com a equipa que se nota nos mais variados detalhes: quando chama a atenção de que o potencial de Raphinha justifica um melhor desempenho, a sensibilidade e conhecimento sociológico que demonstra quando diz que se tirarmos o pior de Acuña provavelmente retiramos também o melhor dele, ou o vídeo que em tempo de merecido descanso decidiu enviar a Luíz Phellype para tentar provar um aspecto de movimentação de ponta-de-lança. 

 

A algumas pessoas poder-lhes-á incomodar a forma desassombrada como Bruno fala dos colegas, tendo em vista o espírito de grupo que deve nortear um plantel de futebol. Mas Bruno fá-lo de uma forma inteligente, adjacentemente mostrando apreço pelas suas qualidades, para além de uma vontade genuína em ajudar a equipa.

 

Finalmente, a forma como comenta o jogo propriamente dito, fugindo dos lugares comuns tão comuns a tantos jogadores e não se agarrando à clubite aguda, demonstra argúcia, bom senso, respeito pelos colegas de profissão e uma cultura táctica muito acima da média, o que não surpreende dado o que todas as semanas lhe vemos fazer em campo. 

 

Em suma, uma entrevista que reconcilia os adeptos com o jogo e que torna evidente que há que dar voz aos verdadeiros protagonistas, principalmente quando têm a substância que Bruno mostra à saciedade. Oxalá possamos continuar a ouvi-lo por cá, porque seria um sinal de que continuaria a equipar com o Leão Rampante ao peito.

15
Abr19

Futebol do Sporting: que futuro?


Pedro Azevedo

Parece que a questão de momento é se Keizer deve ou não continuar no próximo ano. Com a época a decorrer, não me parece curial abordar esse tema taxativamente de forma publica, e a verdade é que o treinador tem contrato por mais duas épocas. No entanto, há algo sobre o qual gostaria de reflectir em voz alta com os Sportinguistas e que tem a ver com o projecto desportivo do clube e resultados associados, mas também com a sustentação desse projecto através de um modelo de negócio que garanta a continuidade das operações. 

 

Sendo certo que os resultados são a fase visível do icebergue (chamemos-lhe assim...), analisar os resultados sem olhar ao processo pode ser muito enganador. A questão que se coloca é se os resultados, em tese académica, podem esconder um processo deficiente e a resposta é sim. O que geralmente acontece nesses casos é que mais tarde ou mais cedo as consequências desse processo menos consistente vêm ao de cima, tal como foi visível na banca portuguesa no pós 2008, onde as sociedades que geriam melhor o risco conseguiram mais rapidamente sair da crise e as outras afundaram-se. 

 

Não quero aqui discutir se o terceiro lugar no campeonato - quando Keizer chegou, com 10 jornadas cumpridas, o Sporting tinha mais dois pontos que o Benfica - , e consequente exclusão da prova milionária da UEFA pode ser ou não ser considerado um bom resultado quando a tal se juntar a conquista de uma Taça da Liga e de uma hipotética (mas muito possível) Taça de Portugal, limito-me a constatar que ter um bom desempenho é fundamental a um clube da dimensão do Sporting. Mas o mais importante para o futuro do clube é que não se repitam erros do passado, se faça crescer o valor intrínseco do plantel e não apenas de um ou outro jogador (Bruno Fernandes, Wendel, pouco mais...), se dê atenção à nossa Formação, se promova a rotatividade (Geraldes não joga, Miguel Luís e Jovane ofuscaram-se) de forma a que todo o plantel chegue em boa forma e motivado ao período de Inverno que tem sido fatal para as aspirações do clube e que exista consistentemente uma ideia positiva de futebol. 

 

Quem está mais perto do treinador será logicamente um avaliador mais abalizado do seu desempenho. Mas é importante que se diga que o Sporting não pode mais tergiversar na sua política desportiva, sob pena de voltar a ter de recorrer a operações de antecipação de receitas, pelo menos até existir algo que possa ser antecipado. Porque não serão os jogadores contratados neste Mercado de Inverno que nos darão o extra de qualidade de que precisamos para elevarmos o nosso patamar presente e futuro, exceptuando talvez os casos de Doumbia e de Matheus Nunes, pese embora apresentem um tipo de rendimento que não destoa. Não, a qualidade que existe em Bruno, Acuña ou Mathieu, e em menor escala em Coates, Dost ou Wendel, necessita de ser reforçada com duas contratações cirúrgicas e há jogadores promissores que precisam de um treinador que os desenvolva e aposte neles (Keizer terá ganho créditos com Wendel). Algo de que tenho dúvidas venha a acontecer com este treinador - pessoa que me transmite ser extremamente séria e com uma liderança que parece agradar ao plantel - , para quem, por exemplo, Gudelj é titular indiscutível (para não falar do Diaby).

 

Quando olho para o nosso rival da 2ª Circular e vejo os números de utilização de Florentino (639 min), Ferro (1136 min), João Felix (2283 min), Gedson (2637 min) ou Ruben Dias (4485 min), todos com menos de 22 anos, e comparo com os parcos 16 minutos concedidos a Francisco Geraldes esta época sinto que algo está mal. Por muito que certos alegados procedimentos nos deixem desconfortáveis em relação ao clube em questão, não há dúvidas de que isto estão a fazer bem, conseguindo conciliar em harmonia o desempenho desportivo com a sustentabilidade económico/financeira que advém do desenvolvimento dos jovens jogadores. E nós? 

14
Abr19

The eye of the Tiger


Pedro Azevedo

Tiger Woods venceu hoje o Masters de Augusta, um dos 4 Majors do golfe mundial, naquilo que foi um extraordinário retorno às vitórias num dos torneios mais importantes do mundo. Tiger atinge assim o seu quinto triunfo nesta competição (o anterior havia sido em 2005), ganhando assim o direito a vestir de novo o Casaco Verde (bom gosto!).

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P.S. Se Tiger foi capaz de voltar ao mais alto nível, superando uma delicada operação à coluna e diversos escândalos da sua vida pessoal, porque é que não podemos acreditar em voltar a ver o nosso Sporting ganhar a hegemonia do futebol nacional? Quem sabe se o Casaco Verde não foi premonitório...

14
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - The Big Day


Pedro Azevedo

"The Big Year" é um filme de 2011, em que 3 homens - personagens interpretadas por Owen Wilson, Jack Black e Steve Martin - em crise de identidade, mas com uma paixão comum por aves, decidem entrar numa competição que tem como objectivo identificar o maior número possível de espécies num ano. Esta fita veio-me à memória, porque foi mais ou menos isto que hoje foi proposto aos Sportinguistas. Mas com uma grande diferença: descobrir o máximo de Aves, sim, mas num só dia! Tudo começou às 3 da tarde, com o jogo dos sub-23 no Aurélio Pereira, e terminou "comme il faut", na própria Vila das Aves, no jogo dos séniores que é o objecto desta crónica. 

 

Logo aos 3 minutos, Mathieu e Renan foram umas andorinhas e deixaram uma águia - Luquinhas, jogador comprado pelo Benfica, embora nunca tenha jogado pelos encarnados -  interpor-se. Para evitar que atingisse o seu território, Renan fez falta e foi expulso, avistando-se logo corvos a pairarem sobre os leões.

 

A jogar com menos um, Keizer encostou Bruno Fernandes à esquerda e teve de mandar sair Jovane a fim de que Salin ocupasse o lugar deixado vago pelo infortunado guarda-redes leonino. Com estas trocas, o Sporting não ficou desasado, e de uma combinação entre Bruno e Acuña na esquerda resultou um centro consoante as intenções de Phellype, um patinho feio que está progressivamente a transformar-se num belo cisne, embora ainda lhe falte a segunda velocidade. O Sporting colocava-se em vantagem, mas Gudelj ficou a observar as Aves e Luquinhas aproveitou para acelerar, buscar o apoio e entrar vertiginosamente na área leonina. Salin chegou tarde e fez penálti. Na conversão, o olho de Falcão avistou o objectivo e não perdoou perante carne fresca mesmo ali à frente. Os leões não desarmaram e Bruno esteve prestes a desfazer a igualdade na jogada seguinte. Até que na sequência de um livre, o capitão leonino preparava-se para rematar quando um pardalito avense - um Felipe com menos consoantes - foi procurar um poste onde descansar, proporcionando a 3 jogadores leoninos observá-lo de perto dentro das regras. Vendo que a ideia das Aves trazia água no bico, Bruno optou por colocar a bola na área, onde Coates a amorteceu, Wendel a maltratou, aparecendo Mathieu a desviá-la para a baliza, redimindo-se assim da falha conjunta no lance em que Renan foi expulso.  

 

A etapa complementar iniciou-se com uma combinação entre Bruno e Acuña terminada com um remate do argentino que Beunardeau defendeu com os pés. O jogo estava bom e, logo de seguida, um avense fez Fariña sobre Coates, mas Ristovski levou a coisa a peito e evitou males maiores. Wendel recuperou uma bola a meio-campo, foi por ali fora e à entrada da área serviu Raphinha que voltou a encontrar as pernas do guarda-redes avense. O jogo estava electrizante, um pouco partido, uma boa propaganda para o futebol. Na esperança de que os espectadores não vejam a InácioTV, a SportTV não se cansava de mostrar Inácio na TV. O Aves atacava, mas numa transição Acuña preparava-se para passar um Galo quando este se interpôs. Já estava amarelado e deveria ter ido para cativeiro, mas Soares Dias armou-se aos cucos e mostrou o amarelo, isso sim, ao argentino, por protestos. A habitual cena da arbitragem em Portugal. De seguida, Diaby (rendeu Phellype), desmarcado por Doumbia (entrado para o lugar de Gudelj), foi um maçarico na área. O Sporting procurava o golo da tranquilidade e viria a obtê-lo: Bruno Fernandes (28º da época), de cabeça, mostrou perceber os pássaros e voar como o Jardel sobre os centrais, respondendo a um centro do macedónio Ristovski. O Aves ainda voltaria ao jogo, num lance de outra águia (Derley), na minha opinião incorrectamente invalidado, pois Coates está a agarrar o braço do brasileiro e este, ao tentar libertar-se, acerta-lhe. Mas confesso que não ouvi os "especialistas" do costume, pois já tinha desligado o som do televisor para poupar os tímpanos à gralha do comentador.

 

E assim terminaria uma noite chuvosa na Vila das Aves, onde no fim quem mais trinou foi o verdilhão. Quem diria que a observação das Aves podia ser uma actividade tão excitante? Pelo menos, quando comparada com aquela aula de técnicas de normalização de documentos de que se revestira o nosso jogo anterior.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Acuña. Menções honrosas para o incontornável Bruno Fernandes e para Ristovski, o qual foi intransponível na defesa e assistiu Bruno para o terceiro da noite.

 

Aves avistadas neste dia: andorinhas, águias, corvos, pato, cisne, falcão, pardal, galo, cucos, maçarico, gralha, verdilhão e passarinhos diversos. 

 

P.S. Vejam o jogo do menino Matheus Nunes, nos sub-23. Velocidade, técnica e muita facilidade na saída de pressão, passe com a parte de dentro ou de fora de qualquer um dos pés... Um craque em potência!

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(Imagem: A Bola)

13
Abr19

Quiz27 - A mais eclética


Pedro Azevedo

Oriunda de Moçambique e proveniente de uma familia que gerou vários atletas do Sporting, terá sido a mais eclética da história do atletismo do clube. Por via disso, ganhou os Campeonatos de Portugal ao ar livre em 7 disciplinas diferentes, a maioria por diversas vezes (num total de 14 títulos), batendo os recordes nacionais (em várias ocasiões) em 5 dessas disciplinas. Com tantas vitórias no seu palmarés, e uma grande dedicação ap clube, não é de admirar que tenha ganho o Prémio Stromp, bem como o "Rugidos do Leão". Quem é?

 

Resposta: Conceição Alves foi uma grande campeã. A ela, o lema olímpico de Citius, Altius, Fortius (mais rápido, mais alto, mais forte) pecava por escasso, devendo-se-lhe ainda acrescentar Longus (mais longe). Assim, venceu títulos nacionais nos 110m barreiras (4), estafeta 4x100m (2), salto em altura (3), peso (1), salto em comprimento (2), pentatlo e heptatlo, obtendo ainda sucessivos recordes nacionais nas disciplinas de salto em altura, 110m barreiras, salto em comprimento, pentatlo e heptatlo. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores Miguel Correia, João Santos, JMA e RCL (por esta ordem) acertaram. Sendo o mais rápido, Miguel "Citius" Correia foi o vencedor. Parabéns! (Obrigado a todos pela participação.)

13
Abr19

Matheus Pereira "on fire"


Pedro Azevedo

Após ter marcado nos últimos dois jogos, hoje, na recepção do Nurnberg ao Schalke, Matheus Pereira voltou a estar em destaque: aos 45+2 foi carregado em falta na área pelo guarda-redes dos de Gelsenkirchen. Infelizmente, o seu colega Behrens falhou a conversão da penalidade. Mas Matheus não se resignou, e aos 83 minutos assistiu primorosamente o japonês Kubo para o golo do Nurnberg. Oh Diaby, querem ver que temos homem?

 

Nota: Link para os melhores momentos do jogo

 

12
Abr19

"Hat-trick"


Pedro Azevedo

Todo o mérito ao "hat-trick" de João Félix (parabéns!) ontem na Luz, mas em matéria de tirar coelhos da cartola eu prefiro Bruno Fernandes. Os três golos marcados esta época ao Benfica e, muito principalmente, os dois que garantiram a presença no Jamor, assim o demonstram. Importante relembrá-lo quando se aproxima a Páscoa, época de esperança e de renovação de vida, que, curiosamente, tem o coelho como um dos seus símbolos.  

12
Abr19

Andebol com mão quente


Pedro Azevedo

Num grupo de qualificação para o Campeonato da Europa de 2020 (Suécia, Noruega e Áustria), onde, para além da Lituânia, Portugal enfrenta a hexa-campeã mundial França (cinco títulos neste século) e a tetra-campeã Roménia, a equipa lusa ficou a um pequeno passo de fazer história depois de ter batido ontem os gauleses, de forma concludente, por 33-27, em partida realizada no Pavilhão Multiusos de Guimarães. António Areia (seis golos), Gilberto Duarte (5) e o ex-leão Pedro Portela (4) foram os melhores marcadores nacionais. Destaque particular para os pivots do Sporting, Tiago Rocha (2) e Luís Frade (1), que também ajudaram à vitória. Portugal lidera agora o Grupo 6 de qualificação, com 3 triunfos em igual número de jogos. 

 

11
Abr19

Quiz26 - Vencedores da Taça


Pedro Azevedo

Esta equipa venceu uma Taça de Portugal. É capaz de legendar a fotografia publicada em baixo?

 

Resposta: A fotografia refere-se à época de 1977/78. Assim, temos, da esquerda para a direita: (em cima), Laranjeira, Inácio, Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho; (em baixo) Manuel Fernandes, Jordão, Barão, Artur e Fraguito. O Sporting viria a vencer a Taça de Portugal, após uma finalíssima contra o FC Porto (1-1 no primeiro jogo, 2-1 no segundo). Paulo Meneses marcou o golo solitário (leonino) do primeiro encontro, Vítor Gomes e Manuel Fernandes foram decisivos no segundo.

 

Vencedor do Quiz: o Leitor João Santos. Parabéns! Obrigado a todos pela participação.

 

 

equipa_SCP_1977-78 (1).jpg

11
Abr19

Auditoria "forense"


Pedro Azevedo

Relativamente a elementos provenientes da Formação leonina, encontrou-se a seguinte situação anómala:

 

1) Melhor marcador da Champions com 128 golos (o segundo tem 108);

2) Melhor marcador da fase a eliminar da Champions com 67 golos;

3) 5 Ligas dos Campeões;

4) 4 Campeonatos do Mundo de clubes;

5) 2 Supertaças europeias;

6) 3 campeonatos ingleses;

7) 2 campeonatos espanhóis;

8) 1 Taça de Inglaterra;

9) 2 Taças do Rei. em Espanha

10) 2 Taças da Liga inglesa;

11) 5 Supertaças nacionais: 1 em Portugal, 1 em Inglaterra, 2 em Espanha, 1 em Itália;

12) 1 Campeonato da Europa de selecções;

13) 5 Bolas de Ouro;

14) 4 Botas de Ouro.

 

Conclui-se que os números apresentados por Ronaldo não estão razoavelmente alinhados com as práticas de mercado, nem existe uma explicação suficientemente convincente que sustente esse racional. Ou existe? 

 

VIVA O SPORTING!!!

P.S. atendendo ao conteúdo do documento que anda a circular livremente pelas redes sociais e jornais deste país (refiro-me à exibição exaustiva dos ordenados de funcionários/atletas e prestações de serviços, por exemplo), os sócios serem informados das condições da securitização dos créditos da NOS seria uma coisa de somenos...

10
Abr19

Quiz25 - Fez dupla com Roberto Dinamite no Vasco


Pedro Azevedo

Com uma carreira onde passou por dois dos maiores clubes do Rio de Janeiro, sagrando-se por um deles campeão brasileiro e carioca, este avançado esteve dois anos no Sporting, tempo suficiente para ganhar um campeonato e uma Taça de Portugal e destacar-se pela sua mobilidade. Quem é? 

 

Resposta: Dé, o "Aranha" como o radialista Washington Rodrigues o apelidou, foi um avançado com cartel no Brasil. Aos 19 anos estreou-se no Bangu, numa vitória feliz sobre o Fluminense por 2-0. Nélson Rodrigues, famoso crónista e adepto do Flu (irmão do jornalista Mário Filho que deu nome ao "Maracanã"), usou este jogo para uma crónica onde pela primeira vez apareceu o seu personagem Sobrenatural de Almeida, numa alusão à falta de sorte do "Pó de arroz", que enviou 7 bolas à trave da baliza do Bangu. Trinta e quatro golos depois, aos 22 anos foi contratado pelo Vasco da Gama, onde formou uma dupla atacante temível com Roberto Dinamite (foto1), vencendo o campeonato brasileiro de 74. Antes, em 71, foi considerado jogador do ano do Vasco. Rumou então ao Sporting conseguindo a proeza de vencer dois campeonatos em continentes diferentes no mesmo ano. Ainda lhe adicionaria uma Taça de Portugal conquistada frente ao Benfica. Na época seguinte continuaria em Alvalade, seguindo-se depois o regresso ao Brasil, onde voltaria a vestir a camisola do Vasco e a sagrar-se campeão carioca em 76. Mudou-se então para o Botafogo, clube pelo qual realizou 3 temporadas, sendo que na primeira foi eleito para o "onze" ideal do futebol carioca (foto2).  Como curiosidade, enquanto treinador, viria também a conseguir treinar estes 3 clubes cariocas. 

O nome de Dé fica também ligado à obtenção de dois golos dignos de um qualquer anedotário, aquando da sua passagem pelo Bangu. Mais do que golos, momentos folclóricos, digamos assim, do futebol brasileiro: o primeiro, que ficou baptizado como "gol de gelo", apontou-o contra o Flamengo, após ter projectado um bloco de gelo contra a bola que estava na posse do defesa Reyes, partindo depois isolado para a baliza rubro-negra; o segundo, o "gol de areia", marcou-o contra o Vasco, projectando areia para os olhos do guardião Andrada (aquele que ficou na história por ter sofrido o milésimo golo de Pelé), aquando da marcação de um livre por parte de um colega. Ambos os golos e outros feitos constam do site oficial do Bangu, clube onde ainda hoje é celebrado como um dos melhores de sempre. 

 

Vencedor do Quiz: Os nossos Leitores Carlos Ribeiro, RCL e João Santos acertaram. Carlos Ribeiro foi mais rápido e, por isso, é o vencedor. Parabéns a ele, e o meu obrigado a todos pela participação.dé e dinamite.jpg

(Roberto Dinamite e Dé)

dé 11 ideal.jpg

(Onze ideal futebol carioca 78 - da esquerda para a direita: (em pé) Cláudio Coutinho, Toninho, Leão, Abel, Alex, Júnior, Paulo César Carpegiani, (agachados) Dé, Adílio, Mendonça, Zico e Guina.)

10
Abr19

O VAR(Re)


Pedro Azevedo

O futebol português é tão engenhoso e cria tantos desafios novos e interessantes ao futebol europeu e mundial que um dia destes UEFA e FIFA irão criar o VAR(Re), um painel de especialistas que analisará as decisões do VAR em Portugal. Segundo fontes (sempre apropriado quando se fala em "meter água") bem informadas do processo, este novo sistema poderá vir a funcionar na Cidade do Futebol, passando o VAR a operar a partir do Hospital Júlio de Matos, instituição que aceitou recebê-lo por recear, caso não o fizesse, uma epidemia de casos de perturbação mental em espectadores de futebol, causada por decisões que deixam qualquer um "doido VARrido". Oportunamente daremos mais informações sobre este caso que está a agitar o meio desport...Ahn, o quê? Não?  

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