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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

26
Jun19

O mexerico desportivo


Pedro Azevedo

Há muito tempo que não via o "Mais Transferências" da TVI. Para quem nunca teve oportunidade de visionar, o "Mais Transferências" é uma espécie de Revista Maria do mexerico desportivo. Hoje dedicaram metade do programa (cerca de 30 minutos) a falar de Bruma. Fiquei a saber que, ao contrário da bruma de Lisboa que só levantou pela tarde, o Bruma levantou de noite num avião privado e assinou pelo PSV Eindhoven, deixando o FC Porto de mãos a abanar e Pinto da Costa certamente longe de "ficar nas nuvens". No estúdio, acompanhado por um pivô, um senhor que me lembra vagamente alguém que já tratou da nossa Comunicação especulava sobre os motivos que teriam levado o antigo ala leonino a deixar os portistas pendurados. A coisa foi prosseguindo ao ritmo do pivô e do convidado, ou simplesmente de um duplo-pivô - há que dar valor a estes fundistas da locução, que conseguem arengar sobre nada e coisa nenhuma durante aproximadamente 1 hora - até que o empresário de Bruma, um tal de Catió Baldé, entrou em directo. Foi o momento Consultório íntimo da Maria do "Mais Transferências". Só que em detrinento daquelas perguntas do arco-da-velha da Maria, do tipo "se tiver sémen nas mãos, posso engravidar?"(edição de 7 de Fevereiro de 2018 da referida Revista), o picantezinho que o pivô preparara para resposta do senhor Baldé era mais do tipo "se tiver dinheiro na mão, posso voar?". Mas em vez de atacar logo com uma pergunta fechada, andou à borda e optou por uma aberta, inquirindo porque é o Bruma se baldé, perdão, se baldou. Deixo aqui um pequeno excerto da entrevista (as palavras poderão não ter sido exactamente estas, mas o sentido sim):

- Então Catió, porque é que o Bruma foi para o PSV? 

- O Bruma queria muito jogar no estrangeiro, tal como a geração de ouro dos seus amigos da selecção que se encontra toda lá.

- Mas aqui há dias (NA: ontem?) o Catió assegurava que o Bruma queria muito jogar em Portugal... - , comentava com malícia o entrevistador.  

- O Bruma quer jogar em Portugal. Quando estiver perto do final da carreira - , respondeu o senhor Baldé como quem diz que sabe que toda a gente vai morrer, não sabe é quando.

- Mas o PSV vai pagar-lhe mais do que o Porto? - inquiria o jornalista, indo ao âmago da questão que havia debatido aturadamente com o convidado durante a meia-hora inicial.

- Não, não foi por dinheiro. Com a engenharia financeira do Porto, os valores eram semelhantes. (NA: o convidado em estúdio havia dito que Bruma ia ganhar 6 milhões brutos por ano.)

- Mas pode garantir que o Bruma não vai ganhar mais para a Holanda? - , desesperava o entrevistador.

- Só posso garantir que o Bruma não foi para o PSV por dinheiro.

Posteriormente, ao melhor estilo "encher chouriços" (para não ferir sensibilidades, peço que não conotem agora o conteúdo entre-aspas com a Revista Maria), repetiram, entrevistador e entrevistado vezes sem conta as perguntas/respostas, pelo que o sumo que se conseguiu tirar do programa foi que, futebolisticamente falando, a engenharia financeira no Norte anda pela hora da morte. Rima e é verdade.

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26
Jun19

Conhecer Pedro Rocha


Pedro Azevedo

Poucos o saberão mas, para além de DiStefano, o Sporting teve um treinador que no seu tempo de jogador foi considerado um dos melhores do mundo. O próprio Pelé (seu grande admirador) colocou-o no seu Top 5. Falo de Pedro Rocha, médio de ataque, o único uruguaio até hoje a disputar 4 Campeonatos do Mundo (1962, 66, 70, 74). Pelo Peñarol venceu dois Campeonatos do Mundo de clubes, ganhou por três vezes a Taça dos Libertadores da América e sete campeonatos do Uruguai. Mudou-se então para o São Paulo, clube onde adicionou ao seu palmarés mais três títulos: dois campeonatos paulistas e um campeonato brasileiro. Jogando sempre de cabeça levantada, dotado de excelente técnica e de um remate forte e colocado, Pedro Rocha notabilizava-se também pelo seu bom jogo de cabeça, técnica que dizia ter aprendido com Béla Guttmann, o ex-treinador do Benfica que liderou o Peñarol em 1962. No Brasil ganhou a alcunha de "Verdugo", dada a forma como castigava os adversários sem piedade com as suas fintas. No total da sua carreira marcou 213 golos, marca excelente para um médio atacante/segundo ponta de lança.

 

Como treinador, teve a infelicidade de chegar a Alvalade numa época conturbada dos leões durante o mandato de Jorge Gonçalves. Apesar das "unhas" que haviam chegado, as dificuldades de tesouraria do clube acabaram por afectar o ambiente do balneário e isso reflectir-se-ia nos resultados. Rocha acabaria assim por ser substituído no comando técnico por Manuel José (Damas interinamente). 

 

Pedro Rocha e uma faceta (a de jogador) talvez menos conhecida dos adeptos do Sporting. Da sua passagem por Alvalade relembro o tom calmo do seu discurso e a sua extrema educação. Um senhor! Infelizmente, deixou-nos em 2 de Dezembro de 2013, um dia antes de completar 71 anos de idade. 

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Entre Fernando Peres e Jorge Gonçalves, todos já desaparecidos.

26
Jun19

Dimensões cívicas e pilares do Sporting


Pedro Azevedo

O civismo tem essencialmente 3 dimensões: uma dimensão ética, em que o indivíduo se norteia por princípios; uma dimensão normativa, que visa o respeito por um conjunto de regras de convivência que se traduzem em leis; uma dimensão identitária, onde se procura um sentido colectivo que garanta a preservação da sociedade, bem como da sua história, memórias e património comum.

 

Portugal não é propriamente um país onde o civismo impere. Como tal, não seria de esperar que o Sporting fosse uma excepção. Não o é, infelizmente, por muito que queiramos afirmar que somos diferentes. E isso pode ser observado nas 3 dimensões que cito em cima.

 

Comecemos pela dimensão ética: o 25 de Abril foi há 45 anos, mas existe um défice de democraticidade que se traduz na forma como as pessoas hesitam em se expôr a si próprias e às suas ideias. Vigora a ditadura do politicamente correcto, como se todos fôssemos cândidos e cumpridores cidadãos. Se a isso juntarmos a projecção de nós próprios que transmitimos aos outros, então estaria tendente a acreditar que estávamos no Paraíso. Porém, a realidade de todos os dias mostra-me que estamos mais perto do purgatório e que a diferença entre a teoria e a prática denuncia tergiversações diversas. Peguemos no exemplo da putativa relação do Sporting com o empresário Jorge Mendes: durante anos, lemos dos sportinguistas alusões a "mendilhões" e falta de transparência na transferência de jogadores envolvendo Mendes, opiniões que ganharam outro fôlego após a divulgação pública do livro "Orgia do Poder", da autoria do jornalista, sociólogo e investigador italiano Pippo Russo. Concomitantemente, e sendo o Benfica um dos clubes apontados como tendo relações privilegiadas com o referido empresário, também o clube da Luz mereceu críticas dos mesmos sportinguistas. Acontece que recentemente, por motivo de necessidade, tacticismo ou estratégia (o tempo o dirá), houve aparentemente (porque nunca devidamente explicada) uma aproximação entre o Sporting e Jorge Mendes para além das negociações por Rui Patrício. Subitamente, presenciamos grandes golpes de rins de alguns sócios sportinguistas que confundem proselitismos com o Sporting Clube de Portugal. Agora, para estes, não se pode ignorar a dimensão do empresário e a sua influência, mesmo que desconfiem dos seus interesses e da sua participação na chamada economia política do futebol (o termo é de Pippo Russo, porém aconselho uma leitura do que o Rui Monteiro escreveu relacionado com as transferências). Ora, isto para mim é a prova provada de que a defesa de supostos princípios que nortearam as críticas iniciais de alguns desses sportinguistas não passou de uma manifestação (perdoe-se-me) hipócrita (classifica a atitude, não necessariamente a pessoa, sabe Deus quantas vezes ficamos aquém do desejado por nós próprios) que não resistiu ao choque com a realidade, ou partiu de um sentimento de inveja face ao rival e não tinha um senso ético a suportá-la. Para quem assim pense, só tenho uma coisa a dizer: os princípios são inalienáveis, não há aí flexibilidade possível, ou então não chamar-se-iam princípios e íamos logo para os meios...

De todo o modo, existem 3 possibilidades adaptáveis a este exemplo: ou a ideia dos poderes no futebol foi fruto da nossa imaginação e inveja e como tal fazemos um "mea culpa", ou aceitamos a alegada realidade do futebol actual e queremos, ainda assim, fazer parte dela, ou simplesmente a repudiamos e seguimos o nosso caminho. Um caminho que precisará de mais foco em nós próprios e menos preocupação com o quintal do vizinho, mais aposta na Formação e menos carroséis de transferências, custos controlados e geração de alpha em detrimento de mais risco na nossa conta de exploração. Ora, isto não é uma matéria de somenos importância. (Com isto não tenho de fazer qualquer juízo de valor sobre o referido empresário, este texto mostra apenas o quão somos pouco consistentes na afirmação prática dos princípios que resultam da nossa percepção, certa ou errada, das coisas, de muitas coisas.) 

 

A segunda dimensão é a normativa: o Sporting, como qualquer Organização, tem os seus próprios Estatutos. Houve uma alegada violação dos mesmos. Chamados a pronunciar-se, os sócios, soberanos, corroboraram e decidiram-se pela destituição do Conselho Directivo do clube numa Assembleia Geral aliás muito concorrida. Sob pena de não conseguirmos conviver entre nós, há que aceitar esse desfecho. Quem votou vencido tem de respeitar a maioria; quem viu as suas pretensões satisfeitas deve respeitar os que ainda pensam de forma diferente. Andarem franjas extremistas, de cada um dos lados do voto, permanentemente a atear o fogo é alimentar uma conflitualidade que não interessa ao clube, tal como no próximo ponto exporei.

 

Finalmente, falarei sobre a 3ª dimensão, a identitária: o radicalismo é sempre mau conselheiro. Gostaria de dizer que uma vasta maioria de sportinguistas não está interessada em alimentar quezílias. Quem ama o Sporting quer que sigamos em frente e põe o clube em primeiro lugar. Infelizmente, vejo, um ano passado após todos os traumatizantes eventos que nos marcaram, uma linguagem indigna nas redes sociais (e não só). E aqui não há inocentes. O radicalismo alimenta-se de polos opostos e ambos estão a prestar um mau serviço ao Sporting Clube de Portugal. Cada um que pense pela sua cabeça, mas pensem acima de tudo no clube, na sua história, na nossa memória colectiva e património comum. Se muitos de nós o fizermos, o ruído irá progressivamente diminuir. E focalizaremos então no essencial: o presente. Para que isso aconteça, e tenhamos um futuro, é importante que não se reduza a discussão sobre o clube. Não a discussão desordeira, mas sim a troca de ideias construtiva que emane da visão que cada um tem para o clube. O pior daquilo que está a acontecer é os sócios deixarem de fazer a sua leitura serena sobre os acontecimentos e sobre os actuais orgãos sociais em nome de uma redução da discussão a rótulos. Quem é independente, e quem ama o Sporting deve sê-lo pois tem de pôr o clube sempre acima de interesses ou simpatias pessoais, não pode admitir isso nem deixar que hipotéticos tacticismos comunicacionais mantenham o ambiente aceso como defesa para a crítica. Isso não seria unir, seria beneficiar da desunião para reinar. Pensar primeiro em si, depois no clube. Por tudo isto, sempre achei uma péssima ideia aquela coisa dos apodos de "sportingados" e "croquetes". Disse-o na altura própria e repito-o: o pior que se pode fazer a uma Cultura Corporativa é criar sub-culturas, sub-espécies. Isso só retira identidade e força ao clube. Como também critiquei o facto de Bruno de Carvalho ter vindo dizer que não precisava de conselhos dos sócios, que para isso tinha os seus pais - ele que antes dizia que o clube voltara a ser dos sócios e que no processo foi perdendo essa bandeira renascentista (admitindo que a tinha genuinamente) - , o "Manual para Burros" e outros dislates que me fizeram retirar-lhe o apoio por ter percepcionado que se colocou acima do clube e dos seus sócios. Mas isso disse-o na altura devida, não fui situacionista, mesmo que também nunca tenha negado ao anterior presidente os inegáveis méritos da sua gestão (opção por JJ e linha de comunicação à parte) e, depois, nunca tenha participado de ataques "ad-hominem" que não engrandecem a alma humana. Desta forma, também não creio que acrescente qualquer valor o apodo de "brunistas" a quem valorize mais o que a anterior gestão fez em detrimento do peso da ultrapassagem de uma linha que na minha opinião devia ser inviolável. Somos todos sportinguistas.

 

O presente do Sporting está cheio de contradições na forma e no conteúdo, envolvendo nisso sócios e Direcção. E isto carece de análise. E de equilíbrio. É fundamental não se perder o sentido crítico, como também manter a urbanidade na discussão. Os sócios do Sporting são isso mesmo, sócios. Não são clientes, embora da natureza do seu amor e grau de satisfação decorra expressá-lo através da compra de produtos e serviços. Mas isso será exponenciado apenas e só quando se restabelecer o elo emocional com o clube. Para que tal aconteça precisamos de uma Comunicação centrada no Sporting, na sua identidade e no seu maior activo que são os sócios. Há muito tempo que defendo que o Sporting necessita de consolidar 3 pilares: Sustentabilidade, Cultura e Princípios (ética). No fundo, as siglas do nosso clube. É imperioso que se dê passos nesse sentido e que esses passos possam ser monitorizados pelos sócios. Se estes ficam à mercê da Comunicação Social gera-se o vazio, quando não a discórdia. Eu não acredito que se consiga a sustentabilidade sem uma aposta na Formação (apoiada num contingente de jogadores de qualidade) que preencha quase metade do plantel da equipa principal, porque olho para os números e vejo que gastamos mais de 25 milhões de euros por ano em jogadores importados que não se diferenciam daqueles que formamos, exceptuando no peso dos ordenados. Eu não acredito numa Cultura de clube que não passe pela afirmação inequívoca das suas modalidades, vistas correctamente por João Rocha como geradoras de influência social e política. Eu não acredito num clube que não coloque a ética como o patamar mais elevado e que não seja também absolutamente transparente com os seus sócios. Concluindo, se a actual Direcção do meu clube cumprir com estes 3 pilares e tal se possa verificar no decurso da sua acção, então terá o meu apoio incondicional. Caso contrário, que me desculpem as pessoas que a integram e que merecem o meu respeito (as que conheço ainda mais), me desculpem os caros consócios que confundem estabilidade com unicidade ou unanimismo, mas o meu sportinguismo falará mais alto e exercerei o direito à crítica. Sempre! 

 

P.S. A estabilidade conquista-se...

24
Jun19

Diaby a escaldar


Pedro Azevedo

Diaby, hoje capitão da sua selecção, marcou um golo - e que golo! - na vitória do Mali sobre a Mauritânia, em jogo a contar para a 1ª jornada do Campeonato Africano das Nações (CAN). No outro jogo do Grupo E, Angola e Tunísia empataram a um golo. Bruno Gaspar jogou os 90 minutos e Gelson Dala (vindo de lesão recente) entrou no recomeço (Angola perdia por 1-0). 

 

Com Acuña (Argentina) e Borja (Colômbia) já qualificados e Coates (Uruguai) a um pequeno passo de se apurar para os quartos-de-final da Copa América, também na CAN a sorte parece sorrir aos jogadores do Sporting. Boas notícias, pois certamente a sua cotação subirá.

23
Jun19

Leão de Ouro


Pedro Azevedo

Carlos Nascimento, do Sporting, foi o mais rápido na prova de 100 metros (atletismo) dos Jogos Europeus, conquistando assim a 1ª medalha de ouro para Portugal na competição que se está a disputar em Minsk (Bielorrússia).

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23
Jun19

Mama e Matheus, definitivamente


Pedro Azevedo

Uma ala Matheus Rosier seria certamente leve, fresca, jovem, aromática e perfeita para todos os gostos e ocasiões. Mas se é para estimular o consumo, Mama Matheus é bem mais apropriado. 

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23
Jun19

Menino do coro


Pedro Azevedo

Sobre Robertone, um jogador com nome de boneco do ventríloquo, "A Bola" diz que faltou aos treinos e será castigado, o "Record" observa que vai forçando a saída, "O Jogo" reporta que desertou. Tudo bons sinais, portanto. Claro está que no futuro, quando vestido de verde-e-branco, será um menino do coro. Ou há dúvidas?

22
Jun19

O menino que não bebia leite ao pequeno-almoço


Pedro Azevedo

Obrigado a "A Bola" pela preciosa informação. Pungente, sem dúvida. Agora já percebo a razão por que o João Felix não foi (jogar) para o "Calcio".

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22
Jun19

Quiz35 - Pulmão de leão


Pedro Azevedo

Natural da freguesia lisboeta de Alcântara, inicou a sua actividade no Atlético. Vencedor da Taça de Portugal pelo Boavista, foi no Belenenses que conseguiu a sua primeira (e única) internacionalização. E que internacionalização: em jogo contra a Espanha, marcou um golo de levantar o estádio, ao aplicar 3 túneis consecutivos aos adversários que lhe apareceram no caminho, o consagrado guarda-redes Arconada incluído. Chegou então ao Sporting. Jogador raçudo e com boa técnica, Allison viu nele o ponto de equilíbrio, a trave-mestra que suportava o génio de Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Quem é?

 

Resposta: Nogueira chegou ao Sporting na temporada de 81/82. Apesar de ter realizado uns impressionantes 68 jogos pelos leões, acabou dispensado no final da época seguinte. Destacava-se pelo grande pulmão e por uma boa técnica, características comuns a Ademar e a Marinho, que fizeram deles o batalhão de sapadores que contrabalançava a genialidade, mas também a de outra forma insustentável leveza, do trio atacante de luxo do Sporting desse tempo.

 

Vencedor do Quiz: os Leitores Leão do Quiosque, Luís Ferreira, Luís Barros, João Santos e JMA acertaram (entre outras respostas correctas que não vieram acompanhadas de identificação). Leão do Quiosque foi o vencedor, pois foi o primeiro a responder acertadamente.

22
Jun19

Autoridade da concorrência - "Belém" faz 100 anos


Pedro Azevedo

O Clube de Futebol "Os Belenenses" completa, em 23 de Setembro, 100 anos de existência. No âmbito dos festejos do centenário foi recentemente divulgado o vídeoclipe que assinala a data. Realizado por um grande "belém", o meu primo Telmo Churro - anos e anos de resistência em férias grandes na companhia de 5 primos fervorosos leões são uma marca da sua resiliência - , o vídeo tem a participação do ex-Heróis do Mar Rui Pregal da Cunha e de João Cabeleira (Xutos e Pontapés), entre outros. Os meus parabéns a todos os belenenses e o desejo sincero de que não falhem o reencontro com a sua história. O desporto português e o Sporting precisam de um Belenenses ao mais alto nível. 

22
Jun19

Castigos Bons - Revista 1906


Pedro Azevedo

Revista 1906, uma iniciativa digna de louvor. De sportinguistas para sportinguistas, o Sporting sempre em destaque. 

 

P.S. Permitam-me que congratule em particular a Marta Spínola, que tenho o prazer de conhecer, estendendo as minhas felicitações a todos os envolvidos no projecto. Os Homens sonham, a obra nasce. Que venha para ficar!

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21
Jun19

Fora da caixa


Pedro Azevedo

O vídeo anda a circular pela internet: um jovem havaiano a actuar num café está a interpretar "One day" quando chega Matisyahu e acompanha-o nos vocais. O momento é muito bonito e no fim cumprimentam-se. O jovem não reconhece o cantor e elogia-lhe a voz. "Matis" pergunta-lhe se sabe quem escreveu a canção e acaba por dizer-lhe que foi ele próprio. O jovem fica desconcertado, como que vivendo o melhor dia da sua vida. De seguida, Matisyahu oferece-lhe um passe vip para o espectáculo dessa noite e tudo acaba com o jovem, Clint Alama ("Kekoa"), subindo ao palco e interpretando ao vivo com a banda o tema que esteve na origem de tudo.

 

Esta história, inspiradora por certo, revela duas coisas: primeiro, que a vida é cheia de sortilégios e o sucesso está muitas vezes dependente de a preparação encontrar a oportunidade certa; segundo, o quão confortável Matisyahu está consigo próprio e com o mundo, o que se vê pela naturalidade com que age, a humildade com que interage, o respeito que tem pela música, no caso a sua música, e por quem a consome, divulga e partilha da mesma paixão.

 

Afinal, comunicar interesses comuns não tem necessariamente de ser algo temido ou sofrido e pode até ser bastante agregador. O exemplo de Matisyahu mostra que é fácil, fácil... 

20
Jun19

Venha viver uma experiência radical - Um estádio "às moscas"


Pedro Azevedo

A Lei da Procura diz-nos genericamente que o preço e a procura estão inversamente relacionados. Quando o preço de um bem ou serviço sobe, o poder de compra diminui e os consumidores mudam para bens ou serviços mais baratos (efeito de substituição). Considerando o rendimento limitado, essa realocação de bens e serviços dependerá de preferências, restrições orçamentais e de escolhas, podendo ainda se dar o caso de o consumidor deixar simplesmente de consumir o tipo de bem ou serviço, especialmente se não for de primeira necessidade. 

 

Olhando para a última estatística disponível no site da Liga, verificamos que o Sporting teve uma média de 33 691 espectadores nos seus jogos em casa durante a temporada de 2018/19, o que corresponde a uma taxa de ocupação de 66,73%. Ora, não deixando de considerar que vários portadores de gamebox não compareceram a todos os jogos e que a taxa de ocupação não reflecte, como tal, o que foi realizado economicamente (apesar das "borlas" poderem compensar este valor), não deixa de ser notório que, em média, 1/3 do estádio não teve ocupação, com consequências óbvias em termos económicos, de apoio à equipa de futebol, na Cultura corporativa, identidade do clube, peso institucional, patrocínios, etc. Perante este cenário, dever-se-iam criar condições para que se aumentasse rapidamente a taxa de ocupação do estádio até à sua máxima capacidade, de forma a que, então sim, quando a optimização fosse atingida, se pudesse começar a manusear para cima a variável preço. Porém, a realidade da Gamebox 2019/20 demonstra o contrário, com particular incidência no sacrifício que é pedido às Famílias, por via do aumento significativo registado no escalão sub-11 (a que se pode acrescentar a realidade dos dias de hoje, em que os jovens ficam até mais tarde em casa dos pais e deles são dependentes até pelo menos terminarem os estudos universitários - por volta dos 23 anos - e entrarem na força laboral, o que aumenta os encargos das Famílias). 

 

Antes de mais, e com o estádio ocupado a apenas 2/3, não faz sentido os preços aumentarem. Isso quanto muito poderia em teoria fazer sentido se a subida do preço viesse acompanhada de um aumento de produção de lugares - o que num estádio de futebol é impossível dado que a sua capacidade é limitada (a não ser que fosse proposto cobrir o fosso com mais espaço de bancada) - , ou uma melhoria de produção de eventos, do tipo de uma presença na Champions, algo que infelizmente também não acontecerá. Adicionalmente, do ponto-de-vista político, é uma medida impopular, inoportuna e imprudente, o que julgo não carecer de explicação. Finalmente, analisando pelo prisma da Cultura sportinguista, oferece-me dizer o seguinte: vários anos de ausência de títulos relevantes produziram uma diminuição da militância, mas, curiosamente, não causaram erosão sensível na base de apoio de simpatizantes, adeptos e sócios, tendo estes últimos, inclusivé, vindo a aumentar nos últimos anos. Tal deveu-se em boa parte a um factor distintivo dos sportinguistas: a capacidade que os pais têm tido de passar o amor ao clube aos seus filhos, de uma forma estóica e resiliente, o que tem permitido manter o impacto social do clube. Ora, em minha opinião, esta subida de preços mais sentida no escalão sub-11 é contraproducente a vários níveis, na medida em que em vez de estimular o reforço da presença do agregado familiar no estádio (com consequências positivas até no ambiente nas bancadas, recuperando tempos idos e diversificando o entusiasmo por diferentes sectores do estádio) acabará por o mitigar, porque obrigará em muitos casos a um "downgrade" de lugares com o impacto que isso tem em termos de curva de satisfação e experiência Sporting e, finalmente, porque nalguns casos pais e filhos trocarão o lugar na bancada por um lugar no sofá junto ao televisor, por a taxa marginal de substituição de satisfação do progenitor não pressupor a vantagem de ir à bola com o filho em detrimento de abrir mão de lugares de Categoria 1/2, por exemplo.

 

Há quem use o argumento de que alguns sócios compravam gamebox em nome dos filhos e iam eles aos jogos. Krugman e Wells levantaram a questão de se saber se os indivíduos na busca do seu interesse próprio contribuiriam para o interesse da sociedade no seu conjunto e o caso referido parece indicar que não, mas isso são questões que se deverão resolver com regulação (no caso, fiscalização à entrada através de cores de cartões diferenciadas).

 

Gostaria de terminar, com um reparo ao folheto de promoção do Cartão Gamebox que me chegou às mãos ontem. Nele está contida uma relação explícita entre o amor ao clube e os números que marcam a relação, como se tudo o que conta pudesse ser contado. Há mesmo uma alusão à "dimensão do teu amor". Eu acho triste esta mensagem que poderá não ser muito bem recebida por quem seja sócio há pouco tempo, tenha gamebox há poucos anos, ou seja simplesmente um simpatizante, pois há aspectos que vão desde a distância geográfica, idade, doença, disponibidade profissional, situação financeira, entre outras, que são condicionantes mas em nada prejudicam o amor ao clube. Até estou perfeitamente à vontade dada a minha ligação longa de sócio e portador de gamebox, mas deixo aqui uma nota em jeito de conselho para quem queira ouvir: os sócios são o maior activo do clube. Estes são movidos pela paixão, independentemente das suas circustâncias pessoais. Pensem nisso, no que esses sócios podem dar ao clube e, em primeiro lugar, envolvam-nos no dia-a-dia através de uma Comunicação sóbria, elucidativa, inspiradora e virada para dentro. Depois, sim, um sócio feliz, o elo emocional, a compra por impulso trará o cliente, o qual mais facilmente visitará a Loja Verde se for ao estádio (e menos resistirá ao consumo perante um pedido expresso de uma criança). Ver as coisas ao contrário, no momento débil em que nos encontramos, em que precisamos de nos focar no que nos aproxima e não no que nos afasta, não é muito auspicioso.  

 

P.S. Seja como for, podendo haver quem legitimamente conteste o arrazoado que aqui deixo, creio que numa coisa estamos todos de acordo: este tipo de alteração de preços nunca deveria ter acontecido sem a explicação do seu "porquê". Infelizmente, no Século XXI, continuamos a ter empresas a comunicar o que fazem, como fazem, esquecendo-se da razão das coisas. É que o porquê das coisas é que cria a ligação emocional no sócio, quiçá cliente. No caso concreto, esta subida de preços deveria ter sido acompanhada de um discurso galvanizador do tipo do de Kennedy nas portas de Brandenburg, mas que simultaneamente mostrasse consciência (acusasse a recepção) do sacrifício que se está a pedir às pessoas.

P.S.1. O título deste texto é obviamente provocativo, única e exclusivamente com o propósito de fazer reflectir quem tem responsabilidades no clube. A minha renovação de gamebox será feita como habitualmente. E estou certo que a maioria dos portadores de gamebox tentará, consoante as suas possibilidades, se adaptar.

P.S.2. Um sub-23 (sub-11 também) que compre um lugar de época junto às claques (Categoria 6) gastará cerca de metade do que se acompanhar o seu pai num lugar de Categoria 1/2. Depois admirem-se. Dado todo o histórico recente, não deveríamos ter um Pelouro da Juventude que estudasse estas questões, que aumentasse a oferta aos nossos jovens em vez de a tornar mais redutora, mais própria de um "guetto"? O momento que o clube viveu muito recentemente não nos deveria prestar particular atenção ao segmento mais jovem?

P.S.3. Paralelamente, e atendendo às alterações demográficas em Lisboa, que trabalho está a ser desenvolvido para seduzir os milhares de residentes não-habituais (gamebox) e de turistas (bilhética jogo-a-jogo) com que esbarramos diariamente? Não faria sentido uma campanha de charme junto de embaixadas, consulados, câmaras do comércio, hóteis, etc? 

 

19
Jun19

O Sobrenatural de Almeida


Pedro Azevedo

O genial crónista brasileiro Nelson Rodrigues, fanático adepto do Fluminense, associava as derrotas do seu time à existência do sobrenatural. Dando "corpo" a esse sentimento, criou o personagem do Sobrenatural de Almeida, um fantasma, o responsável por todo o sofrimento do povo tricolor. Já depois da sua morte (Nelson Rodrigues faleceu em 1980), o Flu esteve 9 anos sem ganhar nada e a memória colectiva dos seus adeptos não esqueceu o Sobrenatural de Almeida. Até que, finalmente, o Flu venceu o campeonato carioca de 1995, batendo o Flamengo por 3-2 numa final disputada no Maracanã, nome pelo qual se tornou conhecido o Estádio Mário Filho, baptizado assim em memória do jornalista com o mesmo nome e irmão de... Nelson Rodrigues. O engraçado é que o título do "Pó de arroz", alcunha dada ao Fluminense em virtude de ter sido uma das primeiras equipas brasileiras a jogar com atletas negros - em tempos em que um condenável racismo era mais evidente e menos súbtil do que é hoje, os adversários, jocosamente (verdade ou não), garantiam que Carlos Alberto, jogador mulato, se maquilhava no balneário para não contrastar com os demais - , foi conseguido através de um golo de Renato Gaúcho (a 4 minutos do fim) marcado com a barriga. Místicos como poucos e com grande criatividade, logo os adeptos brasileiros do Fluminense atribuiram ao divino umbigo de Renato o desaparecimento do Sobrenatural de Almeida. 

 

Olhando para o Sporting, também dá vontade de erradicar o Sobrenatural de Almeida, aquele que carregou Ricardo dentro da pequena área, marcou com a mão pelo Paços, ou levantou a bola dos pés de Bryan Ruiz. Ainda tive esperança que tudo se resolvesse com a chegada de Teo Gutierrez, "o divino umbigo" do Sporting. A ele vi marcar com a bunda, anca, canela, ombro e até partes íntimas e protuberantes, para além de também com o umbigo, claro está. Mas nem a sua forma pouco convencional de fazer abanar as redes foi capaz de desfazer a assombração do Sobrenatural de Almeida. Pensando bem, o nosso fantasma não sei se será Almeida: ele é bem capaz de ter um ou dois primos a actuar(em) em Portugal, igualmente Sobrenatural pela parte da mãe, mas com outros apelidos por parte dos pais, cobrindo assim o país de Norte a Sul. Com uma ajudinha aqui e ali (macumba) vinda das nossas áfricas, que esta coisa de fazer passar a bola por cima da barra sem guarda-redes na baliza não lembra nem a um fantasma.

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18
Jun19

O Felix e o Demiral


Pedro Azevedo

Os diários desportivos portugueses fazem hoje manchetes com a transferência de João Felix para o Atlético de Madrid. O valor pelo qual, alegadamente, o jogador irá sair, não sendo indiferente para ninguém, não nos deverá desestabilizar. Deve ser claro para todos que dentro de uma política de comunicação que pretende traduzir uma estratégia de hegemonia no futebol português, o jogador teria de sair pela cláusula de rescisão e constituir uma das maiores vendas de sempre a nível mundial. Não creio, no entanto, que não haja um conjunto de contrapartidas, que irão da compra de jogadores a preços relativamente inflacionados até às comissões pagas na totalidade desses negócios que não baixem significativamente o preço da transferência. Nada, aliás, que o próprio Sporting (com o mesmíssimo Atlético de Madrid) não tenha já feito no negócio Gelson/Vietto, pelo menos na avaliação que foi feita do jogador argentino (eventuais comissões não foram divulgadas). Logo veremos, o que não invalida que o Benfica vá certamente fazer um óptimo encaixe e que tal só tenha sido possível pelo indesmentível mérito de ter apostado num jovem na equipa principal. 

 

A mim, que incomoda tanto foco na casa do vizinho, interessa-me muito mais o que se passa na nossa casa. E, nesse sentido, dou mais relevância ao facto de o conceituado portal italiano Calciomercato andar há uma semana a divulgar que Demiral será jogador da Juventus, num negócio que rondará os 15 milhões de euros. Afinal, andamos há tanto tempo a desvalorizar a nossa Formação, a dizer que não há qualidade - nada disto invalida que se trabalhe mais, melhor e com outras condições nos escalões jovens -, e tínhamos aqui à mão um jogador super talentoso e que futuramente integrará, lado-a-lado com Cristiano Ronaldo, o plantel de um colosso como a "Vecchia Signora". O que me leva a outra interrogação: se Demiral tem ficado no Sporting, o que se diria dele hoje? O mais certo era não ser aposta e ser apontado como mais um daqueles a quem faltaria algo para se impôr no clube, razão pela qual seria dado primazia a um Marcelo ou um André Pinto, por exemplo. Assim sendo, que garantias temos nós, sportinguistas, que não haja mais "demirais" em Alcochete que conosco nunca jogarão? Mais do que o "barulho das luzes" com que os Illuminati do futebol português nos pretendem brindar, estas são as questões que a meu ver merecem reflexão. Até porque o passado não se pode mudar, mas o futuro dependerá de nós e das nossas convicções. Tal como a nossa sobrevivência, é bom não esquecer.

 

P.S. Aos 25 anos, Ilori foi avaliado em 4M€ (compra de 60% do passe por 2,4M€). Aos 20 anos, Demiral saiu por 3,5M€, valor ao qual ainda há que deduzir 300.000 euros pagos em comissões (conforme último R&C). Bem sei, diferentes administrações. O mesmo clube, no entanto...

P.S.2. Ou há um Gabinete Técnico, transversal a cada administração da SAD, que faz a pré-avaliação de cada jogador da Formação e as suas conclusões são letra de lei, significando que daí depende a ascenção dos jovens futebolistas à equipa principal, ou então a avaliação da Formação fica a cargo de cada nova administração da SAD, com todos os riscos políticos inerentes a tal. 

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16
Jun19

Tudo ao molho e fé em Deus - Caiu para eles


Pedro Azevedo

Há Dias assim: Nuno Dias consegue fabricar equipas que são um orgulho para os sportinguistas. Ganhando ou perdendo, caímos sempre de pé, com honra, dando tudo, como aliás o treinador Joel Rocha, num assomo de "fair-play", teve a dignidade de reconhecer ("um grandíssimo Sporting").

 

Antes do jogo, Nuno Dias pedia solidariedade e Joel Rocha apelava à inspiração dos jogadores. Nenhum falou de sorte, mas um verdadeiro "chouriço" (é aproveitarem a dica e pedirem um patrocínio à Nobre) acabaria por se revelar decisivo na atribuição do título de campeão.

 

O jogo iniciou-se diante de um cachecol benfiquista, estratégicamente colocado na projecção do centro do ringue, onde se podia ler "o braço armado das modalidades". Que o Estádio da Luz seja de betão armado é lá com eles, mas um grupo de adeptos armados em parvos já é coisa que mexe com todos nós. Bem sei que IRA parece ser a característica comum a adeptos radicais de vários clubes, porém não se compreende como estas coisas não são banidas dos recintos desportivos. (Este tipo de mensagens bélicas que se podem observar em estádios e pavilhões ainda nos vão custar caro a todos.)

 

O Benfica começou melhor e rapidamente ganhou uma vantagem de dois golos, ambos marcados por Raul Campos. O Sporting reduziu por Cardinal, mas a sequência do lance merece um asterisco: as imagens mostraram única e exclusivamente Roncaglio, o guarda-redes benfiquista, a espetar o seu punho nas costelas do pivô leonino. Um dos comentadores da RTP traduziu tudo para os contribuintes com um "Roncaglio mostra as marcas". Os árbitros resolveram a coisa com um cartão amarelo para cada um...

 

Com o golo, o Sporting cresceu. O jogo ficou mais dividido e Roncaglio (remate de Cavinato) e Guitta (Campos) brilharam. Até que na conversão de um livre marcado após falta sobre Cardinal (até aí o melhor jogador do Sporting), Leo rematou com muita força e empatou a contenda. O factor sorte entrou então em jogo: primeiro, uma defesa de Guitta a remate de Bruno Coelho foi parar outra vez aos pés do jogador do Benfica sem que o guardião, já desenquadrado com a baliza, pudesse fazer algo para evitar o golo; depois, momento surreal do jogo, um pontapé de Erick encontrou o corpo de Campos pelo caminho e a bola caprichosamente anichou-se nas nossas redes. De novo a perder por dois golos de diferença, o Sporting parecia desorientado, mas uma pausa técnica curiosamente pedida por Joel Rocha permitiu à equipa leonina recuperar o sangue frio. Ainda antes do intervalo, e na sequência novamente de uma falta sobre Cardinal e de um livre executado por Leo, Rocha reduziu com um belo golo à Rabah Madjer.

 

A etapa complementar iniciou-se com dois lances polémicos. No primeiro, Robinho após um alívio estendeu o seu pé mais do que o movimento natural e acertou em Cardinal; de seguida, Pany Varela isolou-se para a baliza, mas os árbitros pararam o lance por, recorro novamente aos comentadores da RTP, "Cardinal estar em perigo". Benefício da dúvida neste lance (Cardinal esteve a pôr gelo no pescoço), que não no primeiro. Leo, sozinho, esteve muito perto do empate, mas rematou por cima. Na sequência, Robinho quase marcava. Com Merlim desinspirado, Rocha era agora o elemento mais desequilibrador do Sporting. No Benfica, Chaguinha criva perigo pelos corredores. A precisar de dar a volta ao marcador, a 4 minutos do final, Nuno Dias arrisca no 5 para 4, com Merlim como guarda-redes avançado. Privilegiando a segurança na posse de bola, os lances eram mastigados o suficiente para dar tempo à organização defensiva benfiquista de se reposicionar. Já em desespero, Rocha ganha dois livres, o último dos quais a meia dúzia de segundos do fim. Jogada estudada, toque de Merlim para Cavinato e a bola só parou no ferro da baliza do Benfica. Não havia tempo para muito mais, até porque a bola saiu do ringue e a reposição pertencia ao Benfica, pelo que se pode dizer que o sonho do tetracampeonato ficou ali, a 4 segundos do fim, naquele poste do Pavilhão da Luz.

 

O pior que pode acontecer nestas coisas é, a quente, questionar tudo. Perdemos o campeonato nacional, mas ganhámos, pela primeira vez na nossa história, a Champions. Se é certo que um detalhe nos impediu de chegar a um inédito tetra, não é menos verdadeiro dizer que esta equipa de futsal do Sporting, e o seu treinador, merecem todos os encómios. Não se pode ganhar sempre, mas pode perder-se com honra como hoje aconteceu. Como adeptos, não podemos exigir mais do que isso. Resumindo o que se passou na quadra, no fim do jogo o capitão benfiquista Bruno Coelho disse tudo: "caiu para nós". Parabéns ao Benfica! Há dias assim, mas não há muitos Dias assim. Dias como o Nuno, há poucos. Voltaremos!

16
Jun19

Queiroz derrota Messi


Pedro Azevedo

A Argentina de Messi perdeu hoje por 2-0 com a Colômbia, na 1ª jornada da Copa América. Numa competição culturalmente tão enriquecedora quanto o Festival da Eurovisão - aprendemos que o Qatar é na América como já tínhamos sido educados que a Austrália é na Europa - , o treinador português Carlos Queiroz, sempre tão estigmatizado pela sua passagem pelo nosso clube (talvez mais por ter substituído Bobby Robson, que estava a fazer um bom trabalho) e por aquela célebre substituição de Paulo Torres, desta vez acertou em cheio em todas as mudanças operadas na equipa: saídos do banco, Roger Martinez (America, México) e Zapata (Atalanta, Itália) marcaram os golos dos "cafeteros", Lerma, outro substituto, fez a assistência para o segundo. 

 

Queiroz não foi a única ligação a Portugal e ao Sporting, pois também estiveram presentes Oceano (treinador adjunto de Queiroz, antigo capitão leonino) e Borja, pela Colômbia, e Acuña (Argentina), embora os nossos 2 jogadores não tenham chegado a entrar em campo. De destacar ainda que, uma vez mais, Lionel Messi entra com o pé esquerdo numa grande competição por países. Embora ainda tenha tempo de se redimir e de ganhar o seu primeiro certame internacional pela Argentina, começa a ser cada vez mais visível o contraste de rendimento com o astro português Cristiano Ronaldo e com o seu compatriota, o genial Maradona, a nível de selecções.  

 

Parabéns a Carlos Queiroz!

15
Jun19

A causa das coisas


Pedro Azevedo

Como se depreende do título de um livro escrito por Miguel Esteves Cardoso que marcou a minha geração, nada acontece por acaso. Existem sempre causas que explicam as coisas. No caso do Sporting, a situação até é mais complexa: existem causas e coisas (como no livro do MEC), e é o não sermos fiéis às nossas causas que em parte justifica as coisas que nos acontecem. Confusos? Vou tentar explicar adiante. 

 

Contextualizando, irei recorrer ao antigo presidente João Rocha. No seu tempo, a nossa causa era compreendida por todos. Era não só visível em teoria, mas também na prática. Falamos da aposta na Cidade Desportiva, no ecletismo do clube como forma de influência social e de prestígio nacional e internacional. Nesse tempo, só se gastava o que havia. O que não havia era Passivo, pelo que a maior ou menor qualidade da equipa de futebol reflectia o dinheiro disponível no início de cada época. Se era necessário reforçar outras modalidades, construir uma nova bancada onde anteriormente havia o peão, ou criar um novo pavilhão (Nave, por baixo da Bancada Nova) em virtude do desaparecimento do antigo (devido ao interface do metro), então já sabíamos que iríamos perder competitividade no futebol, pois as nossas fontes de financiamento eram essencialmente as quotizações dos sócios e os milhares de praticantes/pagantes de ginástica e natação. Ainda assim, num período (13 anos) que coincidiu com a afirmação do Sporting como maior potência desportiva nacional - creio que em 1980, o jornal A Bola atribuiu um prémio (Taça Stromp) ao clube mais eclético do país, baseado nas classificações obtidas por cada clube nas diferentes modalidades, que o Sporting venceu com mais pontos do que todos os outros clubes juntos - o Sporting ganhou 3 títulos de campeão nacional de futebol, a que juntou outras tantas Taças de Portugal e duas Supertaças, num total de 8 troféus conquistados no desporto-rei.

 

Sendo que o ecletismo era a bandeira de João Rocha, a Formação no futebol não era descurada. Pese as péssimas condições em termos de infra-estruturas (um campo pelado, face a 6/7 relvados que o benfica tinha junto ao estádio da Luz), o Sporting começou a produzir bons jogadores com alguma regularidade, essencialmente devido a um conjunto de treinadores/oheiros de eleição onde se destacavam Aurélio Pereira, César Nascimento e Osvaldo Silva. Foi assim que mais jogadores provenientes dos juniores começaram a aparecer na equipa principal. A uma primeira fornada composta por Freire, Ademar, Virgílio, Carlos Xavier, Mário Jorge e Pedro Venâncio, seguiu-se uma outra que incluía Paulo Futre, Litos e Fernando Mendes. 

 

Durante os anos que medearam entre a saída de João Rocha e o projecto Roquette, o Sporting foi progressivamente perdendo a sua hegemonia nas modalidades. Primeiro no basquetebol, que já vinha em queda desde os tempos de Rocha (secção suspensa em 82 e reactivada na 3ª divisão em 84), depois nas restantes. Em sentido contrário, a Formação de jogadores foi ganhando outra preponderância, surgindo uma nova geração de talentos composta por Figo, Peixe, Paulo Toreres, Poejo e Porfírio. Com a Nova Ordem, várias modalidades terminaram e a nossa causa passou a ser quase exclusivamente o futebol. Apenas andebol e atletismo se mantiveram, o primeiro por decisão dos sócios em referendo, o segundo devido ao prestígio do Professor Moniz Pereira, o qual ainda assim não foi suficiente para que o novo estádio contemplasse uma pista de atletismo. Não houve pista, mas houve fosso entre adeptos e equipa, literal e metafóricamente falando, algo que já se vinha agudizando desde a criação da sociedade anónima desportiva. A influência dos sócios foi trocada pela dos accionistas e os orçamentos começaram incrementalmente a contemplar capitais alheios provenientes de financiamentos bancários. 

 

A perda de protagonismo do ecletismo foi compensada pelo investimento na Formação. Mais especificamente na criação de infraestruturas que pudessem complementar o trabalho competente realizado por profissionais qualificados nos escalões mais jovens. Surgiu assim a Academia de Alcochete, obra de que Quaresma, Hugo Viana ou Ronaldo já praticamente não usufruiram. Nessa época, o Sporting procurava ter treinadores principais com um cunho formador, de forma a que melhor pudessem ser rendibilizados os talentos da Formação. Mirko Jozic e Lazlo Boloni são exemplos disso. 

 

Não deixa de ser curioso que as únicas duas vezes, em 40 anos, que o Sporting fez a dobradinha no futebol tenham ocorrido quando teve treinadores (Allison e Boloni) que apostavam na Formação. Pelo contrário, quando se tornou um interposto de jogadores trazidos por um Scouting duvidoso e se colocou nas mãos de empresários, o clube bateu no fundo. 

 

O primeiro mandato de Bruno Carvalho teve o mérito de ressuscitar a bandeira do ecletismo e de voltar a mobilizar os sócios. Compreendendo que a distância era um factor não difusor do sportinguismo, o pavilhão das modalidades foi construído. Durante um determinado período, os sócios foram vistos (correctamente!!) como o maior activo do clube e este foi reerguendo-se. Infelizmente, aos poucos, os contributos dos sócios começaram a ser vistos com desconfiança e a crítica construtiva vista como se partisse de uma oposição organizada, pelo que a liderança, até aí inspiradora, foi tornando-se mais e mais musculada. Até acontecer o que todos sabemos.

 

Todo este arrazoado serve para concluir que nem sempre fomos fiéis às nossas causas. Na minha opinião, a fidelidade a essas causas será determinante para o futuro do clube. Se o ecletismo gera influência social (uma forma de poder), associativismo e cultura de vitória, a Formação é essencial ao modelo de sustentabilidade. Como tal, qualquer tipo de tergiversão afastar-nos-á definitivamente do bom caminho. Por outro lado, o Sporting é um clube de sócios que tem de ser para os sócios. O presidente do clube existe para fazer felizes os sócios e para criar condições de perenidade do clube. Se não, qual seria o propósito da existência de um presidente e de um Conselho Directivo? Temos de ser claros e determinados na defesa das nossas causas, porque elas são os meios necessários à nossa prosperidade desportiva e financeira e à nossa força social. Por isso, temos de adequar a prática à teoria. Não basta dizer que se aposta na Formação, há que criar condições para que isso se materialize na equipa principal. E há que ter convicções: se a Formação nos últimos anos não foi boa, por que razão continuamos a renovar contratos com jogadores de 23/24 anos que nunca tiveram oportunidades? Se esses jogadores cumpriram um trajecto na extinta equipa B e ainda assim nunca tiveram hipóteses na equipa principal, por que razão defendemos tanto a existência dessa equipa? Se os actuais juniores não têm qualidade, porquê renovar-lhes o contrato? Se o treinador principal não aposta na Formação, qual a razão porque dizemos que o contratámos pelo seu perfil de formador? E qual a razão, perante cofres minguados, para continuarmos a comprar tantos jogadores que não façam a diferença? Um clube para os sócios não deve confundi-los. Deve, isso sim, ter uma mensagem clara e que faça sentido para todos. Uma mensagem que deve ser desprovida de politiquices e que elucide os sócios. Quanto aos sócios, estes devem colocar o clube acima de tudo. Às vezes olho para o Sporting e parece-me um partido político, cheio de prosélitos deste e daquele. Não se pode construir nada polarizando pela negativa, como também não se pode governar muito tempo escorado no anti-qualquer coisa, mas sim pela força de um projecto. As ideias, e sua implementação, têm de se traduzir no dia-a-dia do clube. O meio-caminho não é um caminho. Na vida, os atalhos saem sempre caros. A nossa história, recente e menos recente, assim o diz. Mas há uma vantagem muito grande em falhar: a aprendizagem que se recolhe. O erro é fundamental na vida. Por razões de insegurança, os portugueses repudiam o erro. Por isso, em Portugal, a culpa morre sempre solteira. Mas errar é bom (ao contrário da inacção, que é radical), nomeadamente se se traduzir em aprendizagem para o futuro. Agora, sermos autistas, não lermos os sinais, não analisarmos o processo é ficarmos à espera que um dia os resultados nos mostrem como estávamos profundamente ilusionados. Porque, tal como ensina Kundera (adaptando à nossa realidade), é desta insustentável leveza do ser sportinguista que se faz o peso da nossa existência de muitos anos sem campeonatos e sem sustentabilidade. 

 

 

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