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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

02
Fev23

Tudo ao molho e fé em Deus

O Tsubasa, o Copperfield e o Button foram à bola


Pedro Azevedo

Os amantes do futebol associativo passaram uma semana de grande ansiedade após terem visto o seu ícone, Paulinho, desassociar-se do resto da equipa, deixá-la em campo em inferioridade numérica e ser suspenso. Foi como se lhes tirassem um dos seus últimos argumentos, uma das suas derradeiras linhas de defesa contra a falta de proficuidade goleadora do nosso avançado centro. Na verdade, o associativismo do Paulinho estava para o ponta de lança como o charme está para os homens - "Ah, e tal, não é bonito mas é um homem muito charmoso" - , uma característica que lhe dava patine, o tornava interessante e fazia esquecer tudo o resto. Mas, o drama, o horror, a tragédia, o Paulinho estava de fora do jogo com o Braga e os últimos resistentes da intrépida devoção ao "Citizen Kane" português - "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?" Há excessos assim que nos abrem os olhos para delirantes percepções da realidade... - rezavam secretamente para que Amorim lançasse o trio dinâmico na frente, com Trincão e sem ponta de lança. (Se não se puder provar que um seu eventual substituto é melhor, então é mais fácil de conceder que o Paulinho, ainda que não goleador e divergentemente associativo, tem de jogar.)

 

Acontece que o Amorim decidiu operar uma pequena revolução. E, qual Salgueiro Maia, avançar para o quartel que já foi do Carmo (agora no Porto) com o chaimite, ou Chermiti, ou lá o que é esse menino que deslumbra tanto a cada toque na bola como a cada movimentação sem ela, ora servindo apoios frontais, ora arrastando marcações, com a vantagem adicional de não se inibir no jogo aéreo e disputar com quantos adversários for preciso qualquer bola nas alturas. Não é fácil para um menino de 18 anos saber quando deve soltar a bola rapidamente e desmarcar-se ou simplesmente a reter e esperar pelo avanço dos colegas, mas nesse aspecto o Cherniti pareceu um veterano, um Benjamim Button desfilando de chuteiras. E quanto aos arrastamentos dos centrais, bom, basta dizer que os segundo e terceiro golos do Sporting resultaram dessas movimentações, com a cereja em cima do bolo de o segundo ainda ter tido uma assistência à Madjer do nosso puto a engalaná-lo. Além disso, o nosso novo ponta de lança mostrou bom jogo de cabeça, ora antecipando-se a todos ao primeiro poste, ora vencendo a oposição de 2 adversários numa bola dividida. É claro, porém, que o Chermiti não jogou sozinho. Houve muito Edwards na condução e transporte de bola, naquele seu estilo de prestidigitador, que habilmente mostra a bola ao defesa para o iludir e logo a esconde com um rápido movimento de pés. E tivemos também, e principalmente, um grande Morita, o nosso Tsubasa, gregário no meio do campo e letal na chegada à área. Um espectáculo este japonês que a todos encanta pela sua generosidade, humildade, simpatia e, é bom não esquecer, qualidade técnica ímpar. Depois destes, destaco ainda Pote, St Juste e Esgaio (e o grande golo de Matheus Reis e a iniciativa de Fatawu que deu um penálti). O primeiro de volta aos golos e sempre em movimento, o segundo ímpar nas acelerações e com passes sempre precisos e o terceiro rejuvenescido, como que liberto de uma sombra opressora tutelar que o esmagava e confrontava com a sua própria realidade. 

Uma vitória muito importante do Sporting, que culminou uma semana em que o Braga foi servindo de exemplo de gestão para nós. Dez-a-zero depois (pouparam a visita ao museu), com um mês de intervalo, eu diria que o Braga deve mesmo servir de exemplo. Para o Rio Ave, o Porto e os restantes desafios que temos pela frente. Porque o único salvador de que precisamos está dentro da nossa casa. E quando faz as coisas certas, é certo que estamos mais perto de ser felizes. Jogo a jogo, Amorim. 

PS: O único senão foi a voluntária exclusão de Coates para o jogo de Vila do Conde. Os melhores disponíveis devem sempre jogar o próximo jogo (de acordo com a narrativa de "jogo a jogo"), e a ausência do uruguaio vai obrigar-nos a reformular toda a defesa (Inácio para o meio, Reis à esquerda). Aprender com os erros faz parte da evolução humana, e a ausência de Pote (a que se seguiu a opção por não colocar Nuno Santos de início) já nos custou 3 pontos na Madeira à conta de poupanças para o jogo com o Benfica (que não ganhámos). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa "TSUBASA" Morita

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01
Fev23

Pinheiro de Leiria


Pedro Azevedo

Desde que Dom Dinis mandou florestar o pinhal de Leiria, dito Pinhal d'El Rei, que se sabe que o pinheiro é influente na região.  Por isso não surpreendeu que, no Sábado, o Pinheiro tivesse aparecido à hora do jantar. Também ninguém caiu da cadeira por constatar que o Pinheiro afinal era bravo e abanava mais para um lado do que para o outro. O que não deixa de pasmar é a surpresa sentida nas nossas hostes. É que é sabido que os pinheiros têm muita sede, tanto que muitas edificações sofrem com a extensão e profundidade das suas raízes, o que se traduz num problema de urbanismo, que não deve ser confundido com um de urbanidade (ou falta dela). Por isso, da próxima vez falem. Antecipadamente. Ou então, não, e fiquem à espera da rainha Santa Isabel e do milagre das rosas. Correndo o risco de, assim, ficarem sem pão. 

29
Jan23

Fábulas de Esopo

A divagar se vai ao longe


Pedro Azevedo

A lebre também era jovem, optimista e resistente (e muitíssimo chico-esperta), mas adormeceu à sombra da bananeira e quem ganhou a corrida foi a velha, realista e perseverante (e muitíssimo "sabidona") tartaruga. No enquadramento geral do futebol português, facilitar é a morte do artista, entenda-se por facilitar a ausência de tomada de posição em semana marcada pela revelação do depoimento de Edgar Costa ao MP,, ou o prematuro (auto)elogio às melhorias registadas na arbitragem. 

PS: A trader de jogadores que alguns confundem com o Sporting continua a mostrar brilhantes resultados. Menos mal, no fim da época, já estou a ver milhares de Sportinguistas a invadirem o Marquês para comemorar o... Relatório&Contas. O Marquês até faz sentido, porque depois, sem Champions, vai ser preciso uma reconstrução do tipo daquela operada após o terramoto de 1755. Sim, porque enterrada a paixão, haverá ainda que cuidar dos vivos. 

27
Jan23

Será que entendi bem?


Pedro Azevedo

Este senhor Miguel Pinho, que a Sábado diz ter colaborado num alegado esquema com Luis Filipe Vieira que terá desviado 15M€ da formação sita no Seixal, acusado por Edgar Costa (capitão do Marítimo) de tentativa de suborno para perder com o Benfica, é o empresário que representa(va) Bruno Fernandes? O mesmo que, pós a infâme invasão a Alcochete e posterior rescisão unilateral do jogador baseada em alegada justa causa, lhe terá apresentado uma proposta para ingresso no clube da Luz, conforme foi amplamente noticiado? E que, tendo o jogador optado por regressar ao Sporting, celebrando para o efeito um novo contrato (comunicação à CMVM de 10 de Julho de 2018) que publicamente defendeu ser idêntico na remuneração ao anterior, não deixou de cobrar um valor de 1.6M€ alegadamente devidos pelo nosso clube à sua empresa (o R&C de 2017/18, na página 131, menciona apenas uma dívida de 450 mil euros à Positionumber)? É, mesmo, só para ver se entendi bem... 

25
Jan23

Tudo ao molho e fé em Deus

Paulão, o lado B de um leão


Pedro Azevedo

Muita controvérsia tem havido à volta de Paulinho. Psicólogos, sociólogos, tudólogos, diantólogos (nome que se dá aos estudiosos da ciência do ponta de lança) e adeptos em geral vêm-se debruçando ao longos dos últimos anos sobre a carreira deste homem um dia nascido em Barcelos (o que já em si é galo, como se sabe). Devido ao elevado preço da sua contratação (16M€ por "cabeça, membros e pernas", ou seja, cerca de 70% do seu corpo, mais os ordenados do Gozão de Higgs), o Paulinho tem sido visto em certos meios como um avençado centro, um tipo caro e que anda lá nos meio dos defesas adversários, que factura pouco em frente à baliza e assim quase não emite recibos verdes (o que faz com que o valor de cada um desses recibos seja uma exorbitância). Mas isso é no campeonato, porque na Taça da Liga o Paulinho é um valor seguro, ou não fosse a competição patrocinada pela Allianz. Entra então em cena o lado B do Paulinho, o Paulão. Com o Paulão, o Sporting não deixa só de ter um problema grave no ataque, deixa também de ter gravidade no seu ponta de lança. É como se as forças centrífugas que o puxam para o fundo (chão) se invertessem e se transformassem em forças centrípetas que lhe elevam o patamar competitivo, não parando de fazer golos. A continuar assim, o Fernando Peyroteo que se cuide, já só faltam 497 golos para superar o melhor goleador mundial de todos os tempos. 

 

A relação do Paulinho com a Taça da Liga é um "case-study". No Sporting, já tivemos avançados com um apetite especial para certos jogos ou competições. Por exemplo, o Lourenço, que marcava muito ao Benfica, ou o Tiuí, que resolveu uma Taça de Portugal porque o Vukcevic amuou, o Paulo Bento não gostou, e ele lá teve que entrar. Mas eram casos e situações pontuais. Porém, com o Paulinho há toda uma continuidade, como o provam os 20 golos já apontados na Allianz Cup. Espero assim que o seguro nunca morra de velho e a Taça da Liga nunca acabe, porque o Paulinho precisa dela e nós podemos sempre necessitar de salvar uma época. 

 

Grande primeira parte do Sporting, que merecia uma vantagem bem mais ampla no marcador. Ironia do destino, por pouco não chegávamos ao intervalo em desvantagem, cortesia de um golo de placa de Antony Alves Santos, que, fazendo jus ao seu homónimo saudoso radialista e comentador desportivo, fez um tento com grande pertinácia. Só que os deuses do VAR anularam-no por alegada infração anterior e do consequente livre o Sporting passou para a dianteira. Inesperadamente, na primeira metade do segundo tempo a nossa equipa aburguesou-se, deixou de pressionar alto e perdeu intensidade. A tal bipolaridade de que fala o nosso treinador. E sofremos um golo, de um palestino que rompeu a faixa de gaze colada a adesivos que é actualmente uma defesa com Matheus Reis (pôs em jogo o avançado arouquense nesse lance e, em outro imediatamente anterior, quase lhe oferecia um golo) e antecipou-se a Adán na pequena área, servido por um Alan Ruiz que recuperou a tradição de jogadores dispensados pelo Sporting se evidenciarem posteriormente contra nós, uma longa história que inclui protagonistas como Wender, João Alves (sem luvas, Braga), o próprio Manuel Fernandes e o inevitável Wilson Eduardo, entre outros. 

 

O jogo caminhava para o fim e para os penáltis, mas o espírito competitivo de Nuno Santos e a inusitada codícia goleadora de Paulinho combinariam para uma desmarcação no limite do fora de jogo e golo ao primeiro poste do nosso matador. Um golo à Fredy Montero, dir-se-ia. E assim o Sporting fugiu à lotaria das grandes penalidades e habilitou-se à sorte grande que será jogada contra o Porto, a não ser que Jorge Costa dê uma de Viriato e da revolta subsequente não haja Roma que valha ao Papa

 

Tenor "Tudo ao molho...": Paulinho

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23
Jan23

Ousar desafiar preconceitos


Pedro Azevedo

Não há soluções simples para problemas complexos. O problema do Sporting, à semelhança do dos outros 2 Grandes, é viver acima das suas possibilidades, com receitas ordinárias muito inferiores aos custos ordinários. Por isso, dizem-nos repetidamente, a tal ponto que esse conceito já está plenamente enraizado na nossa massa adepta, que todos os anos temos de vender alguns dos nossos melhores jogadores. Assim mesmo, de uma forma dogmática, logo não discutível, como se tal fosse uma inevitabilidade. Ora, do meu ponto de vista, isso concorre para o tipo de solução simples que não responde adequadamente ao problema complexo que é gerir um clube português em concorrência interna e com clubes internacionais de mercados muito maiores e, por conseguinte, mais endinheirados. É que, se por um lado, a venda de um ou dois jogadores por ano pode ajudar a resolver pontualmente um estrutural desequilíbrio de tesouraria e simultaneamente mostrar um resultado positivo de exploração, por outro geralmente enfraquece a equipa de futebol e torna mais difícil a obtenção de títulos e futuras receitas conexas que tenham a ver com o desempenho desportivo (Champions). Porque não é imaginável que todos os anos se acerte nas contratações e se consiga substituir sem um custo de oportunidade o recurso/activo que saiu por outro que entrou, e cada mercado mal conseguido irá gerar mais passivo, mais défice de tesouraria e menos receitas, tudo concorrendo para que se continue a vender até já não haver um mínimo de qualidade que assegure um rendimento desportivo condigno e uma salvaguarda de activos transaccionáveis capaz de fazer face à despesa, seja porque os melhores já saíram, seja porque entretanto a escassez de recursos financeiros nos levou a não comprar a totalidade dos direitos económicos dos bons jogadores que ainda restam. Assim sendo, este tipo de gestão deve ser encarado como precário, sendo que a factura será paga mais cedo ou mais tarde. É certo que por vezes acontecem pequenos milagres, conseguindo-se fazer mais com menos, como no ano do título. Mas a história diz-nos que tal é logo mitigado pelo aumento da despesa associado a um dito aumento das responsabilidades  inerentes às competições em que estamos envolvidos, e voltamos a entrar em roda livre, o que demonstra bem a debilidade do modelo económico que temos em prática. É que para as coisas funcionarem numa base regular teríamos que ter um scouting imaculado, e não o temos, uma política desportiva que conciliasse o curto (desempenho presente de jogadores já feitos) com o longo prazo (desenvolvimento de jogadores jovens), e há muitas intermitências nesse processo, uma Formação quase imaculada (e isso depende tanto ou mais dos recursos humanos que a enquadram, e sua interligação, do que propriamente das infraestruturas e equipamentos) e um treinador perfeitamente alinhado com a sua Direcção (o caso Matheus e os constantes recados de Amorim provam que já não é isso que acontece). Ora, o que o presente nos mostra é que temos um único ponta de lança, Paulinho, que representou, em termos de investimento, exactamente o mesmo valor que a soma paga pelo FC Porto quando comprou o trio formado por Taremi, Evanilson e Toni Martinez, ponta de lança esse que leva 2 golos marcados no campeonato face aos 18 facturados pela tróica portista. Um ponta de lança que é considerado associativo, mas tem apenas 3 assistências no campeonato, aquém por exemplo das 5 assistências do braguista Abel Ruiz (3 golos). Aliás, em termos do contributo dos seus pontas de lança para os golos marcados pelas suas equipas, o Sporting tem 2 golos, o Porto tem 18, o Braga 16 (Vitinha, 7; Banza, 6; Ruiz, 3) e o Benfica 15 (Gonçalo Ramos, 12; Musa, 3). Mesmo recorrendo aos golos marcados por interiores/extremos (Sporting, 20; Porto, 9; Braga, 15; Benfica, 12), o "associativismo" do seu ponta de lança não paga, como o demonstra os números finais de golos marcados por avançados (Sporting, 22; Porto, 27; Braga, 31; Benfica, 27). Mas isto é apenas um exemplo, não sendo a intenção deste artigo fulanizar demasiadamente as questões.

 

Como procurei em cima demonstrar, o trabalho de Sísifo que consiste em montar equipas para depois as desfazer não é sustentável. A sê-lo, exigiria uma atenção ao pormenor e uma regularidade excepcional de actuação no mercado que verdadeiramente não temos, nem é previsível que venhamos a ter. Além de que há demasiadas variáveis que não controlamos (árbitros, lesões, concorrência desleal, ...). Por isso, porventura deveríamos introduzir complexidade nas soluções propostas. Nesse sentido, a meu ver o Sporting terá de ser disruptivo no actual status-quo. Se o mercado português é escasso, e eu penso que é quase ridículo vangloriarmo-nos de crescimentos irrisórios em merchandising e bilhética, então teremos de estar na linha da frente na procura de alargar esse mercado. Fomentando a criação de uma Liga Ibérica, por exemplo, desafiando assim o conformismo e imobilismo, competição que potenciaria exponencialmente as nossas receitas no futuro. Criando um serviço de streaming do produto futebol (e não só) que vá muito para além da actual SportingTV, com um serviço gratuito para assinantes com publicidade paga pelos anunciantes e um serviço premium pago, com todos os conteúdos acessíveis e ao alcance de um clique no tablet ou telemóvel. E muitas mais ideias tenho na cabeça, estando disponível sempre para ajudar sem qualquer contrapartida que não seja o reforço da alma Sportinguista. E, como eu, estou crente que outros adeptos teriam garbo em ajudar o clube com os seus inputus, assim tívessemos o clube renascentista e verdadeiramente voltado para os seus com que um dia eu sonhei. Uma coisa é certa, o modelo económico actual está falido e quase se assemelha a um esquema de Ponzi, e não é seguro que o controlo accionista por entidades externas ao Sporting o fosse mudar (apenas entraria dinheiro no curto-prazo que depois seria gasto da mesma forma que aquando da criação da SAD), pelo que há que fazer algo. O que começará por uma revolução de mentalidades. Já dizia o Einstein que é mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito, mas se o Sporting quiser ir para a frente vai ter de procurar novas soluções para que no futuro não se tenha de deparar com os mesmos problemas. 

 

Obrigado pela Vossa atenção! 

21
Jan23

Tudo ao molho e fé em Deus

Um golo orfão de um ataque prometedor


Pedro Azevedo

Com o Paulinho, o ataque do Sporting é muito associativo, distributivo e cumulativo, qualidades que o fazem, pelo menos algebricamente, prometedor. Só que, como o futebol não é uma ciência exacta, durante a primeira volta do campeonato o Paulinho só fez golo um par de vezes, concluindo-se que se pode ser prometedor e ainda assim não se concretizarem as promessas. Em contraponto, o ataque do Vizela não é considerado prometedor. Pelo menos a atestar pelo comportamento do senhor Rui Costa. Contudo, faz golos ("E pur si muove", como diria o Galileu). Eu explico: depois de uma bola jogada por um vizelense lhe ter embatido na perna direita, não chegando assim ao seu destinatário natural (Gonçalo Inácio), o árbitro entendeu não interromper o jogo, não o recomeçando assim com uma bola ao ar. Motivo: não considerou o ataque dos minhotos prometedor. Resultado? Cinco segundos depois a bola entrou na baliza à guarda de Adán. (Não estamos a falar de futsal, onde 5 segundos podem ser uma eternidade.) Ora, recorrendo à lógica, sendo certo que um ataque promissor é uma condição necessária mas não suficiente na geração de um golo (é preciso ainda ser eficaz na hora do remate à baliza), um golo só pode acontecer se precedido de um ataque promissor. A não ser que seja um "charuto". Ou um auto-golo. E, mesmo assim, não um auto-golo qualquer, mas sim um daqueles dos apanhados da bola que a RTP costumava passar em jeito de balanço antes do concerto de ano-novo, um aperativo do Karajan (e da Filarmónica de Viena). Porém, não houve "charuto" ou auto-golo, nem músiquinha de encantar (quer dizer, se houve eu não a ouvi, porque o Vidigal arranhava tanto os meus já redundantes ouvidos com as suas redundâncias que agora preventivamente tiro sempre o som ao televisor), mas ainda assim para o senhor Rui Costa tratou-se de um golo orfão de um ataque prometedor. Conclusão: orfão também era o David Copperfield, do Dickens, mas esse não fazia magia... (E com o VAR é mais difícil, salvando-se o nosso segundo golo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Porro

rui costa árbitro.jpg

18
Jan23

Aposta na Formação


Pedro Azevedo

Na época de 81/82, Malcolm Allison pegou em jogadores essencialmente sub-23 formados no clube (1 central, 1 defesa esquerdo, 2 médios e 2 avançados), todos eles anteriormente emprestados, nunca antes utilizados ou com apenas esporádicas aparições na equipa principal, e o resultado foi este: um total de 187 jogos realizados e 17 golos apontados. (Ah, e fomos campeões, com Manuel Fernandes, Oliveira, Jordão, Eurico e Meszaros, mas também Marinho e Nogueira.) De notar que apenas Alberto tem um número de jogos nessa época inferior à dezena, mas isso tem uma justificação: o jogador foi chamado durante a temporada para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. Dados a reter quando se fala em aposta na Formação, a qual deve pressupor consistência na utilização dos jovens e não "fogachos". (Nenhum jogador deve ser promovido à equipa principal se não houver uma convicção razoável sobre a sua capacidade. E nenhum jogador após a sua promoção deve ser despromovido, aceitando-se porém o seu empréstimo.)

 

Nota: aos 15 anos, Paulo Futre já treinava com o plantel principal e Big Mal planeava lançá-lo na temporada seguinte (82/83). Venâncio era outro que estava na calha e Brandão só não foi aposta por ter tido uma lesão traumática na pré-época. Litos chegou ao clube na época seguinte, proveniente da Sanjoanense. Como teria sido o contributo destes jovens no Sporting, se Allison não tem sido despedido? Para mim, Allison foi, entre todos os treinadores que por cá passaram, quem verdadeiramente apostou na nossa Formação. E ganhou, apesar de (ou devido a) isso. 

 

allison jovens.png

17
Jan23

O Nunes certo para o Liverpool


Pedro Azevedo

 
 
Fabrizio Romano on Twitter
 
@FabrizioRomano
 
Liverpool are keen on signing Matheus Nunes for next season, he's part of the list - been told potential #LFC future move was already discussed ahead of his move to Wolves  #transfers
 
Nunes, not alternative to Jude Bellingham but one more option as Keita/Oxlade could leave.
 
Nota do autor - Pergunta para um queijinho: por que razão o Liverpool não o comprou no pretérito verão por €45M, sabendo-se que houve pelo menos sondagens, indo agora pagar mais por ele? Ou será que o comprou, com um prémio a ficar nos Wolves?
16
Jan23

Tudo ao molho e fé em Deus

Uma época em time-sharing


Pedro Azevedo

Se virmos o jogo de hoje por um jogo, um empate na Luz será sempre um resultado positivo. Contudo, se virmos o jogo por um campeonato, não ganhar no estádio do Benfica foi o canto do cisne, o adeus às armas, o fim da ilusão. Tudo, porque hoje jogávamos também pelos 15 jogos anteriores onde devíamos ter jogado mais e não jogámos sequer o suficiente. Por isso, jogávamos contra o tempo perdido no passado e a favor de ganharmos tempo no futuro, a fim de que a época não terminasse já no que ao título diz respeito. Nesse sentido, falhámos, pelo que, como prémio de consolação, restar-nos-á a luta pela Champions, também ela com contas muito complicadas, a 8 pontos do Braga e a 7 do Porto, respectivamente 2º e 3º classificado neste momento. Pela Champions jogaremos também para que a transferência de Matheus Nunes faça o mínimo sentido do ponto de vista financeiro, porque vender um jogador por um preço sensivelmente igual ao que eventualmente se deixará de arrecadar numa prestação decente na próxima edição da Liga Milionária não terá qualquer nexo. Financeiramente, porque desportivamente não restam dúvidas a quase ninguém de que o acto foi altamente lesivo e está a afectar sobremaneira a nossa prestação, e o palco da Luz, onde o luso-brasileiro pintou a manta na época passada, não me deixa mentir. Bem sei, o treinador que há em Varandas já veio dizer que "é uma patetice" correlacionar a saída de Matheus com a nossa prestação nesta temporada, mas, se perguntarem a Amorim, estou convencido de que a coisa para ele terá menos de patética do que de fatal. 

 

Hoje empatámos, mas podíamos até ter ganho. Só que nos voltou a faltar um golpe d´asa de Trincão no ataque e atrás falhámos em quase toda a linha. Coates à parte, bem entendido. Porque Inácio deu a frente a Ramos no primeiro golo e Reis, no segundo, deu a frente, as costas e o lado ao mesmo jogador, em suma, abriu uma autoestrada. Os outros avançados cumpriram, com Edwards a originar a abertura do marcador e Paulinho a cavar inteligentemente um penálti que só o Artur Soares Dias e o Guerra d´A Bola TV não viram. Os médios também estiveram bem, o Pote influente nos golos e o Ugarte a dar tração à frente. Pedro Porro esteve melhor do que Nuno Santos, mas também não foi por aí que não fomos além no resultado. 

 

O presidente que há em Amorim lançou Chermiti para o jogo. E jurou que não virá mais nenhum ponta de lança, caso o Youssef renove o seu contrato com o clube. Entretanto, quem já renovou foi o Rodrigo Ribeiro, que era para ser a primeira opção a Paulinho e continua a exibir-se em bom plano na bancada. E depois há ainda o caso daquele jogador que contratámos em time-sharing, o St Juste, com quem procuramos bater o record mundial de substituições de centrais durante os jogos de uma só época. O holandês, que joga sempre bem no pouco tempo que está em campo, dá-nos habitualmente 30 minutos, o resto do tempo cede o espaço.  E eu vou fazer o mesmo, cedendo este espaço aos Leitores. Boa semana! (Pensando bem, a nossa época toda tem vindo a ser realizada em time-sharing, com a nossa equipa cedendo o seu tempo e espaço aos super-Marítimos desta vida, que logo depois são goleados em Vizela, e o Amorim ocupando pontualmente a presidência da SAD do clube.)

 

"Mais que nada... o Bah, o Bah, o Bah" - Adaptação livre da canção do Sérgio Mendes

 

PS: Livre indirecto contra si próprio? Nunca tinha visto um árbitro obstruir um jogador (Ugarte) num lance de golo, mais uma originalidade da "apitagem" nacional. (A arbitragem portuguesa é um constante desafio às regras do International Board.) 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

BenficaSportingGolo1.jpg

12
Jan23

O estado da Formação


Pedro Azevedo

O Sporting teve uma boa geração de jogadores da sua Formação que aproveitou a conjugação entre os constrangimentos de tesouraria e a chegada de um técnico à época ousado e destemido (Rúben Amorim) para se impôr na equipa principal do clube. Desse lote destacaram-se essencialmente Gonçalo Inácio e Nuno Mendes, tendo Tiago Tomás igualmente uma presença relevante, sem esquecer Matheus Nunes, que veio completar a sua formação na equipa de sub-23 antes de chegar muito rapidamente ao topo da pirâmide, e Daniel Bragança, que finalmente teve a sua oportunidade. Entretanto, investimentos importantes em infraestruturas, recursos humanos e equipamentos de apoio ao desempenho foram ocorrendo na Academia. Acontece que os frutos desse investimento ainda não são visíveis, em parte porque as reestruturações levam o seu tempo a produzir resultados mas também por algumas incongruências do processo formativo. Nesse sentido, embora entenda ser interessante o conceito da Formação estar centrado no desenvolvimento individual de cada jogador, vejo com maus olhos que a aplicação prática disso não esteja a produzir jogadores altamente diferenciados do ponto de vista técnico, antes, sim, jogadores bastante formatados e que se poderiam encontrar em qualquer outro centro de formação de clube. Não há craques, isso parece-me claro, e eu não sei se isso terá a ver ou não com a capacidade dos formadores e a não-recriação dos fundamentos do futebol de rua (os relvados são perfeitos, mas os desníveis e buracos dos passeios e estradas que geram ressaltos inesperados moldaram a técnica de muitos jovens ao longo dos anos). O que vejo é aposta no desenvolvimento físico dos jogadores, mas talento puro não o sinto a emergir. Além de que há óbvias dificuldades na integração de jovens na equipa principal quando o sistema táctico induzido na Formação (o 4-3-3) não é depois reproduzido na equipa principal (vigora o 3-4-3), ocorrendo os maiores problemas de assimilação em jogadores que ocupam o centro nevrálgico do jogo, o meio-campo. É que o sistema de dois médios centro exige um tipo de jogador com uma morfologia específica, e por causa disso Bragança nunca foi uma aposta consistente de Rúben Amorim. No que diz respeito ao plano mental, uma dimensão do jogo que não deve ser dissociada da técnica, táctica ou física, compreendo que se estejam a estabelecer patamares de dificuldade que apelam à superação, subindo jogadores prematuramente para o escalão superior, mas isso tem de gerar mais tarde oportunidades na equipa principal. Se esta estiver fechada, a promoção antecipada de míudos entre os escalões poderá ser um factor de desmotivação. Nesse sentido, não é boa a percepção que se pode retirar da situação de Rodrigo Ribeiro. Ainda mais, quando Rúben Amorim defendeu durante a pré-época que não necessitaríamos de recrutar um segundo ponta de lança para fazer companhia a Paulinho, visto termos o Rodrigo, algo que só poderá ter sido encorajador para o próprio e seus companheiros das equipas jovens. Acontece que entre as palavras e a prática as coisas não vêm acontecendo exactamente assim, e quando Paulinho esteve lesionado o Rodrigo nunca foi opção. Poder-se-iam alegar constrangimentos ligados a questões contratuais por resolver, mas no Domingo, na Madeira, tendo a renovação já ocorrido, o Rodrigo ficou a ver o jogo na bancada. Um jogo que, curiosamente, o Sporting perdeu e em que não teve um ponta de lança no banco quando se tornou necessário ir a correr atrás do resultado. Como as dificuldades que são impostas aos jovens devem ter um objectivo e este deve ser percepcionado por todos, convém que os próprios jovens não o considerem como inatingível, para que com maior estímulo possam procurar contornar os obstáculos que se lhes apresentam (deve haver um equilíbrio, sabendo-se de antemão que a facilidade nunca é boa conselheira). Enfim, tinha aqui muitos outros pontos a levantar sobre a Formação, nomeadamente sobre como e por quem é avaliado o desempenho de Çelikkaya e de João Pereira, que estão nos escalões afluentes à equipa principal, mas para já vou ficar-me por aqui. 

11
Jan23

O Homem-Elástico


Pedro Azevedo

Ando aqui já há alguns dias para Vos dizer alguma coisa sobre o Meszaros. Li que morreu, mas sei que não pode ser verdade, que homens como ele são imortais, viverão para sempre na nossa memória. E quais são as minhas? Em primeiro lugar, as dos bravíssimos duelos com dois meus outros perpétuos amores, Maradona e Keegan, em representação da selecção húngara ou do Sporting. Aí destaco o Homem-Elástico, com o seu inumano golpe de rins e bigodaça à Gengis Khan (ou talvez à Mark Twain, que, lá está, dizia que as notícias da sua morte haviam sido manifestamente exageradas) - num Hungria vs Argentina, no Mundial de 82, d10s e Meszaros jogaram um jogo à parte, o melhor do argentino nesse torneio, em que o magiar sofre dois mas tira 3 golos feitos a El Pibe, um dos quais desafiando todos os conhecidos manuais de anatomia; numa deslocação do Sporting a Southampton, clube imbatido em casa (The Dell) há 13 meses, Meszaros assegura a vitória leonina com uma defesa da mesma estirpe a remate de Kevin Keegan, o astro inglês - , que são uma perfeita metáfora daquilo que foi como profissional, felino e aventureiro. Esse aventureirismo tornou-o um dos últimos românticos do futebol mundial. No obrigatório livro de Gonçalo Pereira Rosa sobre Allison e a saga de 82, Big Mal & Companhia, vem descrito um episódio que nos dá conta de que o húngaro entrava em campo com um cigarro aceso escondido nas luvas e dava uma última furtiva passa antes de o apagar contra um dos postes. Das minhas memórias pessoais destaco também o "entertainer", que defendia a bola com o seu "derrière" ou a uma só mão, ou que simulava lançar a bola para um lado antes de a enviar no sentido oposto com tanta força no braço que invariavelmente a fazia transpôr a linha de meio-campo. E, claro, o mortal à rectaguarda a sacudir a bola por cima da barra, a sua marca mais distintiva. Como não há Bela sem senão, foi mais uma das vítimas do processo auto-destrutivo do Sporting que levou também à saída de Malcolm Allison, Eurico, Inácio, Ademar ou Nogueira, de que o clube leonino tardou 18 anos a recompor-se, sendo susbtituído por um Katzirz que era grande mas não lhe chegava aos calcanhares. Rumou então para Faro, e daí para Setúbal, sempre com Allison, um grande apreciador das suas qualidades que já o tinha recomendado anteriormente a João Rocha, como seu treinador. Mas nunca esqueceu sentimentalmente o Sporting, regressando até profissionalmente como treinador de guarda-redes na era de Queirós ao comando técnico do clube. Nós também jamais o esqueceremos. RIP.

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09
Jan23

Tudo ao molho e fé em Deus

Poupar 3 pontos para o Benfica


Pedro Azevedo

Cada equipa presente no campeonato nacional disputa 102 pontos numa temporada. Cada jogo equivale a 3 pontos, não constando em nenhum livro de regras, pelo menos de algum que eu tenha conhecimento, que uma partida contra um rival para o título valha mais do que esses 3 pontos. Por isso, em cada jogo, cada equipa deve sempre apresentar o seu melhor Onze. E, quando digo melhor, não me refugio naquela semântica floreada a que certos treinadores recorrem quando se trata de poupar alguns craques, de que o Onze apresentado é o melhor por ser o que oferece mais condições ou garantias, et caetera e tal de prosápia encaracolada equivalente. Ora, assim sendo, não se entende por que razão o nosso jogador mais competitivo, aquele com mais fome de ganhar, o que não gosta de perder nem ao berlinde, o "ranhoso" (segundo o próprio Rúben), em suma, o Nuno Santos, tenha ficado de fora de início. Alegadamente por estar à bica de amarelos e isso poder vir a redundar num sinal vermelho à pretensão de o fazer alinhar contra o Benfica. Mas cada jogo não vale os mesmos 3 pontos? Agora percebo melhor a mentalidade que nos faz ano após ano ficar longe do título máximo doméstico. É que somando Benfica, Porto e Braga, já são 6 poupanças de véspera. Adicionem-se os jogos das provas europeias e, se calhar, só fazemos meio campeonato na máxima força. Repito, isto faz algum sentido? Principalmente quando é sabido que a rotação não é possível, por não termos 2 bons jogadores por posição, que no meio campo (após as vendas sucessivas de Palhinha e de Matheus) e centro de ataque nem sequer 1 à altura da dimensão das responsabilidades de um clube como o Sporting provavelmente teremos. E depois as sinistras substituições... Devemos querer entrar no Guiness como a equipa de futebol que mais troca de centrais durante os jogos num campeonato, só pode ser essa a justificação. Além de que a aposta na Formação não é tirar um miúdo que não estava a jogar pior que os outros (fez o passe para o penálti sobre Porro), como que o penalizando pela imprudência de uma penalidade anteriormente cometida. Não, a aposta na Formação sugere convicção. E assumpção de riscos. (Se é que era um risco ter Rodrigo Ribeiro, única alternativa ao ponta de lança por vontade de Amorim, no banco em vez de na bancada.) Trocar para quê e por quem? Por um jogador (Rochinha) que falha por metro e meio a baliza num cabeceamento frontal efectuado a 3 metros da linha de golo? Enfim, também é verdade, ou VARdade, que o Marítimo, ou VARítimo, beneficiou aos 50 minutos de um ataque de sono daquela equipa que vive numa roulotte na Cidade do Futebol (todavia, esta pode sempre refugiar-se na interpretação do árbitro, por ser um lance de ponderação da  tal intensidade imortalizada pelo Dr Pôncio Monteiro e, como tal, caber essencialmente à apreciação do chefe da equipa de arbitragem). Mas isso são outros poemas, de apitos e de inquéritos, aos quais anos e anos  de poupanças da melhor equipa deverão acrescentar algumas estrofes de justificação. Queremos respeito? Respeitemo-nos. Começando por aproveitar os pontos perdidos pelos rivais, não embandeirando em arco e concentrando o foco em nós e no adversário do dia. Infelizmente, até uma franja importante dos nossos adeptos parece retirar mais prazer da derrota dos nossos rivais do que das nossas vitórias. E isso é sinónimo de que algo está errado na nossa Cultura de clube. Os nossos adversários sabem-no. Há anos. Vamos mudar? Espero que sim. Se não, o nosso mundo continuará a ser do tamanho de uma ostra e haverá sempre uma pérola (do Atlântico) a "adornar" o percurso. 


PS: Antigamente a filosofia era jogo-a-jogo, agora é jogo-a-pensar-no-jogo-seguinte. Assim sendo, o próximo obstáculo será o Vizela. Já é concelho, eu sei, mas não aconselho (essa estratégia). 

PS2: O Sporting tem muito galo com o senhor Malheiro. Que o diga o Ristovski, expulso em Setúbal por reclamar a ausência da devida punição disciplinar para um adversário (depois de muito tempo caído no relvado com a complacência da inacção do árbitro), logo após uma agressão por si sofrida lhe ter provocado um hematoma na testa visível a partir da Lua. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos. Pedro Porro foi o melhor dos que entraram de início, secundado por Gonçalo Inácio. No plano oposto, o sumo que se extraiu da acção de Trincão foi nulo. Estranhamente, voltou a jogar os 90 minutos. (Eu entendo que o Edwards seja inconstante, mas do inglês ainda se espera um momento de brilhantismo que desafie o status-quo.)

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08
Jan23

Nota prévia


Pedro Azevedo

O (J)amor acontece, mas, se não tivermos sucesso na Pérola do Atlântico, é melhor partirmos para outra. Estamos entendidos? É que, para mau entendedor, às vezes duas partes não bastam...

 

 

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07
Jan23

RIP Gianluca, ciao Vialli


Pedro Azevedo

Morreu o Gianluca, um conquistador de corações. Ao contrário da maioria dos seus colegas de profissão, nasceu rico, filho de um abastado self-made man italiano. Tanto assim foi que viveu a infância e adolescência não num bairro de lata, mas sim num opulento castelo em Beligioioso, em Pavia, perto de Milão. Aos 16 anos deu a conhecer ao mundo o seu alter-ego, de seu nome Vialli. Foi em Cremona, ao serviço da Cremonese, uma sociedade que à época militava no terceiro escalão do futebol da pátria de Garibaldi, e por lá jogou 4 anos até rumar a Génova, à Sampdoria. Aí estabeleceu-se, contracenando com craques de dimensão mundial como Graeme Souness ou Toninho Cerezo e vendo chegar aquele com que viria a formar uma parceria lendária - "I Gemelli del Gol", assim foram apelidados - , o esteta Roberto Mancini. E quando a arte de Mancini se misturou com a raça de Vialli, o clube das camisolas bonitas saiu da obscuridade e tornou-se protagonista do futebol italiano. Ao ponto de ter ganho o Scudetto. Contra a Vecchia Signora (Juve), o Milão dos holandeses, o Inter dos alemães e o Nápoles do deus Maradona, título a que juntaria uma Taça dos Vencedores das Taças, três Copas de Itália e uma Supertaça doméstica. No seu último ano em Génova chegou mesmo à final da Taça dos Campeões Europeus, que perdeu no prolongamento contra o Barcelona. Do banco, já após ter sido substituído, assistiria, impotente, ao golo tardio, de livre directo, de Ronald Koeman. Essa edição da prova foi a derradeira no antigo formato,  e derradeira foi também a temporada de Vialli na Sampdoria, seguindo-se Turim e a Juventus no seu percurso. No gigante italiano viria a finalmente ganhar a prova máxima do futebol europeu de clubes, então já denominada como Champions. Ao seu lado, Paulo Sousa, craque português que viria a repetir o triunfo no ano seguinte por um outro clube (Dortmund), curiosamente numa final contra as Zebras de Turim. Vialli já migrara para Chelsea, onde começou por ser treinado por Ruud Gullit, foi treinador-jogador e finalmente apenas treinador. À Taça de Inglaterra que ganhou ainda apenas como jogador, juntaria a Taça da Liga inglesa e a Taça das Taças (jogador-treinador) e, mais tarde, a Supertaça europeia, outra Taça de Inglaterra e a Supertaça inglesa (treinador). Treinou ainda o Watford e depois desapareceu de circulação. Consta que passou pelos gabinetes da federação italiana, discretamente. A discrição seria aliás a característica de Gianluca ao longo da sua vida. Sentia-se bem longe dos holofotes, embora fosse uma pessoa expansiva e bem-disposta, que a todos marcou pela sua humildade e bonomia. Em 2017 foi-lhe diagnosticado cancro. Do pior, no pâncreas. Não lutou contra ele, por tal ser impossível contra adversário tão poderoso, segundo as suas próprias palavras. Preferiu acomodá-lo na sua viagem, como se de um passageiro indesejável se tratasse, na esperança de que se aborrecesse e morresse antes de ter tempo de o matar a ele. Em 2018, os médicos deram-no como curado. Mas, logo depois, surgiu uma recidiva. Gianluca continuou o seu percurso e em 2020 voltou a receber boas notícias da comunidade médica. Mesmo a tempo de poder apoiar o seu amigo e treinador da Azurra, Mancini. Foi um excelente e inspirador chefe de delegação dos italianos, respeitado por todos os jogadores, e viu a sua Itália ganhar o Campeonato da Europa no dia do seu aniversário. O sentido abraço que partilhou com Mancini logo após o jogo foi uma das imagens desse Europeu. Mas a maldita doença voltou e nos últimos tempos concentrou-se nas suas duas filhas, procurando ser para elas um bom exemplo. Sobre o assunto, comentou publicamente que lhes recomendara que ouvissem mais e falassem menos, e não pusessem ares de superioridade. Em seu tributo, Souness afirmou que Gianluca foi um ser-humano fantástico, uma alma grandiosa com um coração quente. Acredito que sim, lamentando não ter metido conversa com ele naquele dia em que o vi no Albero y Grana, na Sloane, a metro e meio de distância. Não conheci o homem, mas o jogador ficar-me-á na memória como um dos melhores dianteiros da história do futebol mundial, numa época em que o golo em Itália era muito caro, tão impregnado estava o catenaccio na mentalidade dos transalpinos. As cerimónias fúnebres de Gianluca ocorrerão em Londres, mas Vialli eu sempre associarei a Génova, à Samp, com Pagliuca, Vierchwood (o Czar), Cerezo, Lombardo, Dossena e, claro, Mancini. RIP Gianluca, ciao Vialli!

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05
Jan23

A justiça tarda, mas não falha


Pedro Azevedo

João Palhinha, um dos ex-Sportinguistas que Fernando Santos praticamente não utilizou durante o Mundial do Qatar, é um dos oito nomeados para o prémio de melhor jogador dos meses de Novembro e Dezembro da Premier League. É caso para dizer que a justiça tarda, mas não falha. Já o ex-seleccionador, falhou e bem. Em toda a linha, ficando até hoje sem se saber o que teria a dizer de sua justiça(?) sobre o não-aproveitamento na "Equipa de todos nós" do superlativo momento de forma de um dos melhores médios defensivos do mundo.

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04
Jan23

Personalidades


Pedro Azevedo

Desde que o excelso medidor de personalidades do jornal A Bola atribuiu a Rui Costa o galardão de Homem do Ano, o Benfica foi goleado em Braga e a personalidade jovem do último Mundial foi passear até à Argentina e faltou a dois treinos. Em consequência, Castigo Máximo disponibiliza-se desde já a entregar ao Maestro o prémio de Personalidades ao Quadrado do Ano. [Com a vantagem adicional de, sendo as personalidades exponenciais (ao contrário do homem, pois qualquer potência de base 1 será sempre uma unidade), haver sempre uma que possa alegar tudo desconhecer em relação ao passado recente que envolveu o clube.] Nesse sentido, propõe que a data da cerimónia seja o próximo dia 15, coincidindo com a recepção do Sporting ao Benfica. Se tudo correr em conformidade, agendar-se-ão futuras honrarias ao dirigente, até ao enésimo expoente.

01
Jan23

The Goat (resultados)


Pedro Azevedo

Os Leitores de Castigo Máximo votaram e os resultados foram os seguintes:

 

10º Marco van Basten

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9º Luís Figo

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8º Zinedine Zidane

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7º Ronaldo "Fenómeno"

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6º Eusébio da Silva Ferreira

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5º Johan Cruijff

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4º Edson Arantes do Nascimento "Pelé"

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3º Lionel Messi

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2º Cristiano Ronaldo

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1º Diego Armando Maradona ("GOAT")

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R.I.P. Rei Pelé! (Os Grandes sabem reconhecer-se uns aos outros.)

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Um Bom Ano para todos!

25
Dez22

The Goat


Pedro Azevedo

Lanço hoje o desafio aos Leitores de Castigo Máximo de indicarem, por ordem decrescente (do melhor para o menos bom), os 5 melhores jogadores de futebol de sempre ("Greatest of all time" - "GOAT"). Para tal, Castigo Máximo produziu uma primeira Selecção, a saber (a ordem é arbitrária): 

 

1) Alfredo Di Stefano

2) Pelé

3) Mané Garrincha

4) George Best

5) Eusébio 

6) Franz Beckenbauer

7) Johan Cruijff

8) Michel Platini

9) Zinedine Zidane

10) Luis Figo

11) Romário 

12) Ronaldo

13) Lionel Messi

14) Cristiano Ronaldo 

15) Puskas

16) Marco van Basten

17) Ronaldinho Gaúcho 

18) Diego Maradona

19) Iniesta 

20) Bobby Charlton

21) Zico

22) Sócrates 

23) Rivellino 

24) Luca Modric

25) Ruud Gullit

26) Franco Baresi

27) Rivaldo

28) Francesco Totti

29) Gerd Muller

30) Hristo Stoichkov

31) Mbappé 

 

A votação decorrerá até às 23:59 de dia 31. Os resultados serão apresentados no dia de Ano Novo. Nota: Não serão aceites votos de anónimos. 

 

Votacao: cada Leitor indicará os seus 5 jogadores preferidos de todos os tempos. Ao primeiro classificado serão atribuídos 6 pontos, ao segundo 4, ao terceiro 3, ao quarto 2 e ao quinto colocado será dado 1 ponto. O vencedor será aquele que no acumulado das votações individuais mais pontos conseguir obter. Em caso de igualdade,, ganhará o jogador que mais citações para primeiro lugar tiver. Obrigado e boas escolhas! 

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