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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Fev19

Mercado de Inverno


Pedro Azevedo

Por muito boa vontade que possa haver, custa-me muito compreender a acção do Sporting no Mercado de Inverno. Isto é, eu entendo que o estrangulamento financeiro, aliado à muito previsível perda do maior objectivo da temporada para um clube grande (campeonato nacional), impele o clube a vender alguns dos jogadores que mais pesam na conta de exploração. (Não conheço os salários de ambos os jogadores, mas alguns "sites" indicam que Nani ganhava 4 milhões de euros brutos por ano.)

 

Percebo também que se tenha esticado o mais possível o prazo para a venda até ao final da última janela de transferências aberta, procurando assim não prejudicar o desempenho da equipa. Acontece que o plantel do Sporting não tem muitos jogadores de qualidade acima da média e a saída destes dois jogadores tem o potencial de ainda vir a reduzir mais a capacidade competitiva da equipa e a identificação do grupo com o clube (Nani era o capitão, produto da nossa Formação e leão assumido). Adicionalmente, transmite o sinal de que "deitámos a toalha ao chão", mesmo que a segunda mão dos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa (uma montra para o mundo onde podemos valorizar os nossos activos) ainda esteja por disputar, bem como a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. E menos ainda se compreende como gastámos, a fazer fé na imprensa dado que o clube não divulgou os dados oficiais, 12 milhões de euros em contratações (a que acrescem os salários) de 9 jogadores, onde se incluem o albanês Lico, os brasileiros Ronaldo (ex-Alverca), Matheus Nunes e Luíz Phellype, o marfinense Idrissa Doumbia, o colombiano Borja, o equatoriano Plata e os portugueses Ilori e Neto (este para a próxima época). Isto para além do regresso de Francisco Geraldes, que segundo li implicou uma compensação ao Eintracht Frankfurt pelos salários pagos desde o início do empréstimo (informação surgida na imprensa e que carece de confirmação oficial). Ora, o preocupante é termos gasto este dinheiro e na última quinta-feira nenhum destes jogadores ter sido utilizado como titular (apenas Luíz Phellype entrou na segunda parte). Mesmo olhando para os jogos anteriores, apenas Borja e Ilori têm sido aposta na equipa principal. 

 

Perante isto, o que me faz confusão é que estejamos a gastar dinheiro que não temos em jogadores que não fazem a diferença para depois vendermos alguns dos nossos (já poucos) melhores futebolistas. Eu sei que algumas das supracitadas contratações são para a equipa de Sub-23 e já dei a minha opinião sobre as qualidades que vejo em Matheus Nunes (vamos ver que oportunidades terá), mas não compreendo esta política na sua globalidade. Não havendo categoria superlativa nos jogadores adquiridos, o destino final será a criação de stocks. Entretanto, a qualidade vai definhando e neste momento restam-nos apenas Bruno Fernandes (até quando?), Acuña (apesar dos "apagões"), Mathieu (veterano) - estes três acima de todos outros - , Bas Dost (baixa de forma), Raphinha, Wendel ou Battaglia (lesionado) como jogadores de um patamar superior e com valor de mercado interessante. Ainda se isso significasse que se iria apostar nos jovens...

15
Fev19

Casa de doidos


Pedro Azevedo


  1. Montero, ausente já há bastante tempo e único ponto-de-lança capaz de combinar jogo atacante, chegou a acordo com o Sporting para rescindir o seu contrato. É anunciado nos Vancouver Whitecaps, da MLS. Relembro que para o seu lugar chegou um jogador proveniente da 2ªLiga, certamente aquilo que se entende como um "upgrade"...

  2. A Bola noticia que Nani está de saída.

  3. Luís Paixão Martins, fundador da LPM, empresa que segundo A Bola gere a comunicação do Sporting, divulgou no Twitter: "Peseiro foi um erro, a sua substituição permitiu vencer a Taça da Liga. Keizer é outro erro. Ainda vamos a tempo?"

  4. O Sporting não acompanhou o Ministério Público no recurso da decisão da juíza Ana Peres (Tribunal Central de Instrução Criminal), no âmbito do processo E-toupeira. 

15
Fev19

10 pensamentos inquietantes


Pedro Azevedo


  1. A expulsão de Acuña ontem não foi certamente o zenit(e) da sua passagem pelo Sporting, mas pode ter-lhe valido uma (A)cuña para uma passagem de avião até São Petersburgo.

  2. Keizer é cada vez menos Keizer e mais Hitchcock: nunca se sabe o que vai sair dali, pelo que o "suspense" é grande. Por vezes até vira drama, como na recepção aos "Pássaros". 

  3. Não sei quem foram os "Estudiantes de La Plata", mas certamente não ensinaram ao equatoriano o que é o Sporting.

  4. É só uma ideia, mas se calhar, em vez de "vendermos" aos novos recrutas a ideia de que formámos o Cristiano e o Figo, poderíamos explicar-lhes que o Manuel Fernandes e o Peyroteo jogaram 13 anos connosco.

  5. Para todos os que se incomodavam que o Sporting fosse quase sempre "Bruno Fernandes+10", ontem foi "Coates+9". Não foi melhor.

  6. Suspeito que em Alvalade anda a ler-se muito Nietzsche, nomeadamente aquela parte de que as convicções são inimigas da verdade bem mais perigosas que as mentiras.

  7. Gostava que me esclarecessem se temos olheiros ou olheiras (daquelas caríssimas, de ficar a ver jogos sul-americanos até às tantas).

  8. O Gudelj ontem não foi culpado da derrota.

  9. É agora que o Thierry vai ser promovido (lesão de Gaspar), ou vamos adaptar um "Petrovic"?

  10. Para alguns, Alvalade é o paraíso do niilismo: declínio, ressentimento, incapacidade de avançar, paralisia. E o Sporting? Pois, está bem...

15
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O amor em tempos de cólera


Pedro Azevedo

Pode ser lido como uma brisa de ar fresco na ambiente poluído do futebol português, ou o amor como mote em tempos de cólera, a verdade é que em dia de São Valentim, e com vários casais de namorados nas bancadas, o Sporting recebeu o Villareal em Alvalade.

 

O resultado não foi bom e julgo que é reflexo de uma falta de convicção generalizada que se nota no clube a todos os níveis, especialmente no que concerne à política desportiva, envolvendo Direcção, treinador, jogadores e adeptos. Mas ser destrutivo, ainda mais em cima de uma derrota, não é algo que me esteja no sangue, pelo que vou antes falar daquilo que me perpassou a alma enquanto via o jogo. 

 

Vivemos tempos de cólera. Os sportinguistas não andam contentes, procuram compensações. Os acontecimentos da última Primavera/Verão, as mudanças sucessivas de liderança a nível directivo e técnico, a sistemática tergiversão na forma como se vê a Formação, a ilusão de umas noites de Outono que deu lugar ao Inverno do nosso descontentamento, a distância para os primeiros classificados no campeonato nacional, tudo isso vem deixando os sportinguistas à beira de um ataque de nervos. Adicionalmente, creio que se perdeu o "timing" de transformar uma crise numa oportunidade e de se reconstruir o edifício do futebol. Em vez disso, na janela de Inverno chegaram 10 jogadores, só um deles regressado de um empréstimo, a mostrar à saciedade que a mudança deixou tudo na mesma. Mas esta derrota em dia de São Valentim tem de se revestir de um carácter alegórico para todos nós. Porque o nosso amor pelo clube tem de vencer. Não é Varandas, Keizer, ou mesmo os capitães de equipa que nos fazem ser do Sporting e andamos há tempo de mais a confundir as coisas. Eu não misturo quem conjunturalmente nos representa com a perenidade que desejo para o clube. No passado recente como hoje. Por isso, e se for caso disso apesar de A, B ou C, eu estarei sempre com o clube e erguerei com orgulho o facho que partilho com os meus filhos e que um dia eles comungarão com os seus. E espero (e desejo) que todos os que mais directamente têm responsabilidades no clube o façam também. Que ponham sempre o clube em primeiro lugar, à frente das suas ambições pessoais e acima das vaidades de cada um. E lutarei até que o meu clube consiga impor uma Cultura corporativa que vinque os seus valores e não se torne um constante receptáculo de maus costumes, más práticas e péssima educação trazidos de fora para dentro. Para isso, é necessário que se saiba o que se quer e como fazê-lo. E, caso não se saiba, recorrer a quem possa ajudar. Adicionalmente, urge saber transmitir aos associados o que se pretende fazer, de que forma e, o mais importante, por que é que esse tem de ser o caminho, este último o elo emocional, "a causa" que liga as pessoas à instituição. Sem isto...

 

É preciso reflectir. E o tempo é agora. O clube continua herméticamente fechado durante os mandatos presidenciais. As portas entreabrem-se em época eleitoral, na caça ao voto, para logo se semicerrarem até se fecharem definitivamente. Não é bom conselheiro pensarmos que tudo sabemos. Há que ser humilde e saber ouvir. Para um adepto, de que adiantará antecipar um acidente se não o conseguir evitar? Isso só se traduzirá em frustração e desconsolo, e com isso mais gente irá abandonar o barco, mais tempo de cicatrização de feridas vai ser perdido. O tempo no Sporting está sempre contra quem lá está. É assim em clube que não ganha. Por isso é que digo que se perdeu uma oportunidade de testar algo diferente. De que vale gastarmos dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, se depois não testarmos um medicamento (e mais tarde o vendermos)? Pois é exactamente isso que está a acontecer à nossa Formação. Que vai definhando, desmotivando, quando todos sabemos que é a única forma de sermos sustentáveis económicamente, logo financeiramente também. Simplesmente, o populismo e a fuga para a frente são mais fortes e acabamos por preferir morrer sem glória do que ousar vencer de outra forma e, na pior das hipóteses, cair de pé. Por isso digo que falta convicção. Há anos! E também bom senso, como o atesta a polémica da exclusão do título europeu de Goalball do nosso palmarés. Provavelmente, um acto perpetrado por quem menorizou a modalidade, quando na verdade o resultado da sua acção (e posteriores explicações), dir-se-ia, potencialmente discriminatória enxovalha o clube. Tudo feito num jeito meio envergonhado, sem convicção e que, no caso, se acabou por traduzir numa falta de respeito pelo esforço dos atletas em causa, pelo desporto adaptado em geral e pelos portadores de deficiência. Em contra-ciclo com a sociedade e o seu movimento em favor da integração e equiparação. 

 

O meu desejo e maior sonho é que esta derrota traga resultados positivos no futuro. Que dela se tirem ilações, determinados procedimentos se corrijam e outra mobilização seja requerida. Há gente nesta Direcção com boas ideias e muita capacidade profissional. Para que consigam desenvolver as suas competências dentro do Mundo Sporting é fundamental que a política desportiva entre nos eixos. Igualmente, a Comunicação deve aproximar os sócios, não afastá-los por via do desconhecimento do que se passa. Há aqui demasiados equívocos e paradoxos na nossa actuação perante os sócios e adeptos do clube, que são também o alvo preferencial do consumo dos nossos produtos e serviços. 

 

Quanto ao jogo, vou ser curto: um futebol sem chama, onde não se viu ligação entre os jogadores nem o típico 1/2 toques do período inicial de Keizer. Creio que tal resultou da falta de condição física de vários jogadores e reflectiu-se tanto na menor disponibilidade nos movimentos de aproximação à bola como na pior qualidade do passe. Assim, em 90 minutos, tivemos apenas duas oportunidades de golo: um remate de Dost após boa jogada individual de Raphinha e um tiro de Coates ao poste na sequência de um canto marcado por Bruno Fernandes. Muito pouco. Admito, como atenuante, que a condição física seja uma condicionante ao futebol que Keizer quer implementar, mas também vejo o treinador um pouco à deriva. Houve uma tentativa de mexer nos conceitos de jogo que apresentou inicialmente, em função de uma suposta melhoria da transição defensiva, que penso não ter corrido bem. O nosso jogo é reflexo dessa encruzilhada em que Keizer se meteu. Ele próprio hoje é diferente do Keizer original, mostrando, também ele, a tal falta de convicção.

De igual modo, os jogadores parecem hoje menos convictos da qualidade dos princípios de jogo. Como se simultaneamente quisessem acelerar e travar. O jogo aventureiro transformou-se num jogo de medo e as recentes declarações de Bruno Fernandes, meio codificadas, de que a equipa se deixou de preocupar com ela própria para agir em função de outrém, deixou-me a pensar se os jogadores também não sentiram a mudança no paradigma de jogo. 

 

Vou terminar, pedindo desculpa a todos os Leitores por hoje a habitual ironia ou mordacidade não se ter revelado. É que sendo o futebol a coisa mais importante das coisas verdadeiramente não importantes, há momentos que nos tiram a vontade de brincar. (O humor e a sátira hão-de voltar, fica a promessa.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Seba Coates

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14
Fev19

(Sub-)Cultura Sporting


Pedro Azevedo

Acabado de ser descoberto no Equador, na mente do ala Gonzalo Plata está já deixar o Sporting. Na esteira da pescada, que antes de o ser já o era, parece que o equatoriano também "já era". Enquanto alguém não leva o menino numa visita ao Museu do Sporting, ou lhe mostra os valores do Sporting Clube de Portugal, deixo aqui duas citações do jovem jogador, com a cortesia do jornal Record: "assinei por 4 anos, mas se Deus quiser e se fizer bem as coisas poderei sair antes para um clube maior"; "creio que poderei sair rápido do Sporting, porque não me vou conformar em estar lá e sim em sair para equipas maiores". E assim se usa e abusa do Sporting, um clube ainda à procura de resgatar o seu orgulho e a sua Cultura, a qual foi perdida algures nos confins do tempo. Será, por isso, caso para se dizer, usando a parábola contada por Jesus Cristo a Lucas, que das 10 moedas de prata (contratações de Inverno) uma se perdeu.  

 

P.S. Considero todo este empolamento feito à volta de Plata um manifesto exagero. É um jovem habilidoso, sim, mas com fraco sentido do jogo colectivo e pouco desenvolvido fisicamente. Um "brinca-na-areia" e pouco mais, neste momento. Acho, por exemplo, o igualmente recém-contratado Matheus Nunes um projecto bem mais interessante em desenvolvimento. 

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14
Fev19

With a little help from my friends


Pedro Azevedo

"What would you think if I sang out of tune,
would you stand up and walk out on me?
lend me your ears and I'll sing you a song
and I'll try not to sing out of key.
Oh, I get by with a little help from my friends..." - With a little help from my friends (Beatles)

 

Sob o augúrio da visita do Submarino Amarelo a Lisboa, Keizer, provavelmente inspirado pelos Beatles, afirmou: "o Sporting não é Bruno Fernandes e mais 10". Tendo em conta as dificuldades sentidas por Gudelj em sair rapidamente da zona de pressão, dar fluidez ao jogo e ser um tampão efectivo às progressões adversárias eu estou tentado a concordar com a frase. De facto, o Sporting não é Bruno e mais 10, é talvez Bruno e mais 9...

 

P.S. Não dispensa a constatação de que Acuña é um grande jogador, que alia técnica e raça dignas de um campeão, o que lhe permite integrar o póquer de ases do baralho de Alvalade, na companhia de Bruno e dos já veteranos Nani e Mathieu.

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14
Fev19

Não deixar o Submarino Amarelo emergir


Pedro Azevedo

"In the town where I was born
Lived a man who sailed to sea
And he told us of his life
In the land of submarines
So we sailed up to the sun
Till we found a sea of green
And we lived beneath the waves
In our yellow submarine..." - Yellow Submarine, Beatles

 

Dificilmente se encontraria uma alegoria mais condizente com a realidade que pretendemos para logo à noite em Alvalade, na recepção ao Villareal. Por isso, faço votos para que o "Submarino Amarelo" permaneça debaixo das ondas (de choque) que o mar verde (de 40.000 leões) não deixará de criar.

13
Fev19

Killer instinct


Pedro Azevedo

Ouvi e li muita coisa na sequência da recepção do Benfica ao Nacional da Madeira do último fim de semana. Inclusivé, de alguns consócios sportinguistas que aludiam à falta de respeito dos encarnados pelos alvinegros. E, essencialmente, gostaria de retirar uma ilação para o meu próprio clube: há 25 anos atrás, Bobby Robson queixava-se da falta de "killer instinct" do Sporting. O que o treinador inglês pretendia dizer é que, quando tínhamos o adversário ali à mercê, perdoávamos e tirávamos o pé do acelerador. Ontem como hoje.

 

Um clube grande como o Sporting tem de incutir respeito nos seus competidores. E deve respeitar quem paga o bilhete, muitas vezes com grande sacrifício pessoal e familiar. Por isso, reajo com incredulidade à conversa sobre uma alegada falta de "fair-play" benfiquista na goleada, porque não há melhor maneira de respeitar o adversário e o público do que uma equipa e os seus jogadores gastarem todas as energias num campo de futebol. E tentarem marcar o máximo de golos, o objectivo do jogo. Tudo o resto que se diga sobre isto é tão simplesmente premiar a mediocridade e alinhar numa cultura de falta de exigência. Por isso, eu também teria gostado que o Sporting tivesse ganho por 10-0, da mesma forma que teria adorado ver os 14 golos sem resposta que os nossos leões deram ao Leça (com 9 golos de Peyroteo), ainda hoje record do campeonato nacional da 1ª Liga. Um tempo em que, em vez de conversa da treta, nos preparávamos para uma conversa de Tetra...

 

P.S. O Sporting possui todos os records de golos num jogo, tanto a nível nacional como europeu. Assim, para além da supracitada goleada no campeonato, batemos o União Micaelense por 21-0 na Taça de Portugal. O maior "score" até hoje nas competições europeias dura há 55 anos e foi obtido na caminhada para a conquista da extinta Taça dos Vencedores das Taças: na recepção aos cipriotas do Apoel Nicósia, os leões venceram por 16-1. E temos a maior vitória em derbies, o célebre 7-1 ao Benfica. Para que fique claro, embora eu prefira visitar o Museu do Sporting do que ler o Guinness Book, isto é um motivo de orgulho. Só faltava mesmo acusarem o "Manél" de falta de "fair-play" por ter enfiado 4 “batatas” nas redes do Silvino...

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13
Fev19

Calendas gregas


Pedro Azevedo

O futebol português é uma brincadeira em que um clube é punido por uma alegada reiterada infracção à lei cometida há 2 anos atrás, da queixa inicial que deu origem ao processo disciplinar permitem-se prescrições e a decisão (tomada hoje) só deverá produzir (ou não) efeitos daqui a dois anos, devido ao carácter suspensivo do(s) recurso(s). Num país decente, este estado de coisas da justiça desportiva, que lhe retira qualquer eficácia, deveria gerar indignação. Em Portugal, para bem da nossa sanidade mental, só pode despertar o bom humor, a (única) arma dos impotentes face ao status-quo vigente.

 

Serve o presente para ilustrar a minha ideia de sempre: o Sporting tem de olhar para si próprio, manter-se dentro da legalidade e da ética, ter uma cultura de excelência, focar-se naquilo que depende de si e da competência dos seus profissionais, proteger estes o mais possível e cuidar de não falhar em todo este processo (sem se pôr na dependência da acrimónia de terceiros), até porque uma mudança de paradigma no futebol português nunca se conseguirá com os actuais protagonistas e a falta de intervenção do governo.  

12
Fev19

10 noções sobre o tempo


Pedro Azevedo


  1. Numa Organização deficitária o tempo está sempre contra si;

  2. Não é atrasando os ponteiros do relógio que o tempo volta para trás. Esqueça o passado, não o pode mudar;

  3. Tempo não se pede, compra-se (ganha-se com actos de gestão). Não arranje desculpas, pois perderá tempo e foco;

  4. Se tiver ideias, um bom projecto e muita convicção na sua implementação não irá perder tempo;

  5. Não se pode parar o tempo, mas pode acelerar-se o ritmo de trabalho;

  6. Só os relógios é que parados podem estar certos duas vezes ao dia;

  7. Se precisa de recuperar o tempo perdido, não perca mais tempo;

  8. Assim como o tempo é bom conselheiro, um bom conselho fá-lo-á ganhar tempo;

  9. Se todos os dias comete o mesmo erro, dificilmente obterá resultados diferentes;

  10. Existem dois dias em que nada se pode fazer: um chama-se "ontem", o outro "amanhã". Por isso, concentre-se no dia de "hoje" [esta é do Dalai Lama].

12
Fev19

Longe dos holofotes, enquanto a poeira não assenta


Pedro Azevedo

Não sei se é por ter nascido ao pé da Rua de São Félix e ali ter vivido muitos anos, mas o nome Félix já não me impressiona por aí além. E, se não o faz na sua versão sagrada, imagine-se na profana, pese embora todo o endeusamento que anda por essas bandas. Isto para dizer que, embora ache o João Félix um bom jogador e com elevadíssimo potencial, ainda é muito cedo para uma análise definitiva e para comparações que só o prejudicarão no futuro. A vida de um futebolista cruza talento com oportunidades, e estas, por vezes, não surgem nos momentos certos. No passado, e no mesmo clube, também Zé Gomes ou Nélson Oliveira, por exemplo, foram levados ao Olimpo, de onde posteriormente desceram sem glória, não confirmando todo o folclore montado à sua volta. Creio que o Benfica trabalha muito bem a promoção dos seus jogadores, embora me pareça que quando são muito jovens deve haver algum cuidado para que isso não lhes suba à cabeça e destrua as inerentes qualidades (mais do que evidentes neste caso) que possuem.

Entretanto, no meio de tanto frenesim mediático, quase ninguém reparou no fim-de-semana goleador de jovens made-in Alcochete (só para adequar a linguagem à nomenclatura do Seixal). Assim, Rafael Leão (Lille), Gélson Martins (Mónaco), Daniel Podence (Olympiacos) - eu sei, dói e muito, mas não põe em causa a Academia enquanto formadora de jogadores de excelente nível  - Cristiano Ronaldo (Juventus) e Mama Baldé (Aves) marcaram nos respectivos campeonatos. Uma "manita" com dedo de Aurélio Pereira!

 

P.S. Não foi formado em Alcochete, mas é nosso jogador. Já alguém reparou que Bruno Fernandes, um médio, leva duas dezenas de golos marcados? E ainda lhes associa 9 assistências e participação importante em 12 outros golos? É que o maiato esteve até à data em 52,6% dos golos da sua equipa...

 

P.S.2. Até hoje, nunca vi melhor jogador jovem do que o Paulo Futre com 17/18 anos...

12
Fev19

Caça ao Bruno


Pedro Azevedo

Parece que abriu anteontem a caça ao Bruno, num couto lá para os lados da Feira. Antes que se espalhe por outros coutos deste Portugal à beira-mar plantado e se transforme na atracção deste Inverno, talvez não fosse má ideia os vigilantes de apito na mão tomarem providências. É que o Bruno pertence a uma espécie rara, seleccionada, a nível nacional ou mundial, e, como tal deveria ser protegida(o). 

 

P.S. Rola, no defeso (permanente), não sei o que terá a dizer sobre isto. Ainda pia?

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11
Fev19

Guia Prático para um Leão ansioso


Pedro Azevedo


  1. O seu clube há anos que prega como Frei Tomás a propósito da Formação: aconselha-se uma massagem relaxante;

  2. Os jornais anunciam que o seu clube pretende vender um dos seus poucos jogadores de categoria extra por 20 milhões de euros: tente meditar, o yoga pode ajudá-lo;

  3. Do palmarés de títulos europeus desaparece o troféu do Goalball: procure dormir bem;

  4. O treinador insiste em ir a jogo sempre com os mesmos: faça uma boa gestão do seu tempo e procure organizar um conjunto de actividades a coincidir com os jogos;

  5. Gastamos 70 milhões de euros por época e estamos 7 pontos atrás de um Braga que tem um plantel que custa um quarto desse valor: aconselha-se apoio psiquiátrico;

  6. Tem um craque na equipa e há adeptos que o veem como um problema: comunique regularmente e eficazmente com os outros, tal ajudá-lo-á a diminuir a irritação;

  7. Um jogador da nossa equipa é expulso com um hematoma na cabeça e um adversário fica em campo depois de sem bola atacar o tornozelo do nosso melhor jogador. Perante tudo isto, o clube fica em silêncio: oiça música, ajuda a relaxar;

  8. Nani e Montero são referenciados na imprensa (sondagem de opinião?) como hipóteses para a MLS: comece a tomar uns anti-depressivos;

  9. Num dia acusas o presidente do Braga de histerismo, no outro ligas-lhe. Parece faltar convicção em tudo: complemente a sua medicação com uns ansiolíticos;

  10. Se nada disto resultar, tome uns Lexotan (ou Valium). Pior do que os jogadores do Nacional ontem na Luz não deverá ficar.

11
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - Echo da Feira


Pedro Azevedo

Só pude ver a primeira parte do jogo da Feira. Os Echo & The Bunnymen tocavam em Lisboa e o concerto era ainda longe do bairro onde moro, pelo que tive de sair de casa ao intervalo. Devo ter perdido a melhor parte, pois o que vi deixou-me à beira de uma ataque de nervos. Os jogadores do Feirense pareciam porcos-espinhos ("Porcupine") que os leões evitavam tocar, ganhando sucessivos duelos individuais e aproximando-se com perigo da nossa baliza. Nesse transe, os fogaceiros conquistavam alguns cantos a seu favor. De um deles resultou o golo feirense: Renan tinha Marco Soares à sua frente, não foi suficientemente efusivo a dar conta de ter sido estorvado na pequena área e a bola acabou por bater no "derrière" do cabo-verdiano e entrar. Porém, antes que eu pudesse esboçar uma sarcástica piada escatológica, o VAR interveio e aconselhou Manuel Mota a visionar o lance. Em sequência, o árbitro anulou o golo. Safámo-nos de boa, pensei eu, e logo troquei o sarcasmo pelo agradecimento a Deus ("Heaven up here"). Logo de seguida, novo canto e desta vez foi Renan, com uma defesa miraculosa, de puro instinto, a evitar que os de Santa Maria da Feira inaugurassem o marcador. Os feirenses, a precisarem de pontos, batiam em tudo o que vestisse de verde-e-branco e numa dessas jogadas Marco Soares mereceu ter ido a banhos mais cedo, após entrada fora de tempo ao tornozelo de Bruno Fernandes. Manuel Mota nem amarelo deu, enquanto Bruno se contorcia no chão com dores. A partida caminhava para o intervalo e a minha impaciência, sabendo que teria de sair, ia aumentando. Paralelamente, ia constatando que, mais do que falta daquele jargão futebolistico de "atitude", aos leões faltavam jogadores de qualidade extra para além de Bruno Fernandes e de Acuña (apesar de uma folha salarial de aproximadamente 70 milhões de euros por ano). Estava eu neste pensamento quando o maiato vê o argentino solto na meia-lua, endereça-lhe a bola e Acuña coloca a bola magistralmente nas costas da defesa feirense, onde apareceu Borja a centrar para um cabeceamento de Wendel que ainda tocou no braço de Briseño antes de encontrar o caminho da baliza de André Moreira. O Sporting desfazia o nulo no marcador em cima dos primeiros 45 minutos. 

 

O início da segunda parte ouvi-o já no carro. O locutor da Antena 1 dizia que agora o Feirense tinha mais posse de bola e comecei a temer o pior. De facto, os ecos que me chegavam de Santa Maria da Feira, via rádio, não eram de todo auspiciosos. Enquanto tentava imaginar o que se poderia fazer, o narrador recomendava a troca de Wendel por Idrissa, o qual estaria a aquecer. Subitamente, tudo se alterou: Diaby arrancou um centro da direita do nosso ataque e Bruno Fernandes foi fazer de Bas Dost e marcou de cabeça. Pouco depois, parei para apanhar uns amigos para o concerto no preciso momento em que Bruno se preparava para bater um livre. Perigoso, sugeria a minha companhia radiofónica. Bruno chutou e marcou e, de repente, tudo fez sentido na minha cabeça. É que este concerto dos Echo & The Bunnymen foi premonitório. Eu explico: o Echo inserido no nome da banda resultou do facto de inicialmente não terem um baterista, recorrendo assim a uma caixa de ritmos em sua substituição. Ora, quem marca o ritmo na equipa do Sporting é Bruno Fernandes, daí os ecos dos seus golos que me chegavam da Feira.

Os leões voltavam a ser leões, e não "Crocodiles" a arrastarem-se no terreno de jogo. Com o jogo resolvido, Bruno finalmente lá teve descanso e Xico pôde estrear-se. O Feirense ainda reduziria após uma displicência do brinca-na-areia Borja, mas isso já não importava, a nossa vitória já não fugiria. Lá entrei então para o concerto e o que é que estava no alinhamento? "The game"! Ah pois é, já dizia a Margarida Rebelo Pinto que não há coincidências... Obrigado Ian McCulloch. E, já agora, um pedido: não dá para virem a Lisboa todos os fins-de-semana? A malta do Sporting agradecia...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (menções honrosas para Acuña e Renan).

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(Imagem: O Jogo)

10
Fev19

Peres, o Pensador


Pedro Azevedo

Deixou-nos hoje Fernando Peres, jogador do Sporting entre 1965 e 1973. Médio interior esquerdino, dotado de grande visão de jogo e qualidade de finta, Peres foi campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal pelos leões, ambos os títulos conquistados por duas vezes. 

 

Embora não utilizado, foi um dos Magriços presentes na fase final do Campeonato do Mundo de 1966, onde Portugal conquistou um brilhante terceiro lugar, ainda hoje a nossa melhor classificação no certame. 

 

Em grande destaque esteve na Minicopa de 72, competição organizada pela então Confederação Brasileira dos Desportos (actual CBF) para celebrar os 150 anos da independência do Brasil, onde participaram 20 equipas e Portugal terminou em segundo lugar, apenas superado pelo país anfitrião e à frente de selecções como a Jugoslávia (3ª classificada), Argentina (4ª), União Soviética, Escócia, Uruguai, Checoslováquia ou França. Dessa equipa, treinada por José Augusto, ele e Dinis (Sporting) eram os únicos não benfiquistas no onze habitualmente titular.

 

A sua prestação nesse torneio valer-lhe-ia mais tarde o ingresso no Vasco da Gama, clube pelo qual se sagrou campeão brasileiro em 1975, título a que mais tarde adicionaria o de campeão pernambucano ao serviço do Sport Recife. 

 

Que descanse em paz!

(Video: Portal Sporting Memória)

10
Fev19

The Good, the Bad and the Ugly, um filme de Leão


Pedro Azevedo

O filme caracteriza-se pela permanente tensão que envolve os três treinadores: Jorge Jesus, o "Mau", José Peseiro, o "Feio", e Marcel Keizer, o "Bom". Todos perseguem o pote de ouro debaixo do arco-iris, a conquista do campeonato nacional, perante uma massa associativa sedenta de vitórias e um enquadramento desfavorável no futebol português.

 

Jesus aparece em Alvalade como o treinador mais caro da história do clube e por larga margem, o homem que encerraria em si conhecimentos que, supostamente, o tornariam mais valioso do que uma Estrutura. Sempre hábil a chamar para si os louros nos momentos das vitórias no clube rival, logo no seu primeiro ano no novo clube (que viria a revelar-se a sua melhor época) duplica o orçamento que Leonardo Jardim e Marco Silva tiverem disponível. Não ficaria por aqui, pois no seu terceiro e último ano a conta de exploração chegaria a apresentar o triplo dos custos (com pessoal) face aos seus predecessores. "Pistoleiro" sempre pronto a esvaziar o carregador, vai exaurindo os cofres do clube com as suas renovadas exigencias, obrigando a sucessivas contratações de jogadores, muitos deles rapidamente abandonados pelo treinador e caídos em desgraça. Enquanto isso, a aposta em novos jogadores da Formação é praticamente abandonada, registando-se apenas o lançamento de Gelson Martins e de Ruben Semedo (Leonardo dera oportunidade consistente a Adrien, William, Cedric, Mané, Wilson Eduardo e André Martins, Marco reforçara-a no que respeita aos 3 primeiros e apostara convictamente em João Mário). A sua amizade com o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, incomoda, mas é a ausência de títulos e a extrema tensão superveniente que acaba por o empurrar para a porta de saída. Com ele, e embora o clube tenha aumentado os seus proveitos ordinários - fruto essencialmente do crescimento da bilhética, das receitas da Champions e do contrato de DireitosTV celebrado com a NOS - , o Sporting torna-se novamente dependente da venda de jogadores (a seu favor, as maiores vendas da história do clube) para cobrir o défice operacional, algo que inverte dramaticamente a estratégia seguida nos dois primeiros anos da gestão do então presidente Bruno Carvalho.

 

Envolto num clima de forte tensão política no clube, eis que chega Peseiro. Treinador mal-amado em Alvalade, devido ao campeonato e Liga Europa ingloriamente perdidos na temporada 2004/05, o coruchense procura redimir-se junto da massa associativa leonina. Desde os primeiros tempos, é notório que a proposta de futebol positivo da sua primeira passagem evoluiu agora para um cinismo mais próprio da escola italiana. O jogo agora é feio e chega a contemplar a figura dos três tristes trincos no meio-campo. Apesar disso, a equipa mantém-se próxima dos lugares da frente. No entanto, tudo se desmorona após uma inesperada derrota caseira contra um clube dos escalões secundários, a contar para a Taça da Liga. Sob pressão dos associados, o treinador não resiste e é despedido.   

 

Eis que chega então Marcel Keizer. Sem currículo apreciável - destaca-se apenas uma passagem de meia dúzia de meses pela equipa principal do Ajax - o treinador começa por conquistar os exigentes adeptos dos leões. Sete vitórias em outros tantos jogos e um saldo de golos favorável de 22 (30 golos marcados e 8 sofridos) encantam o povo, subitamente desperto para uma radical mudança de paradigma. Keizer afirma-se aos olhos dos adeptos como o "Bom", um produto de uma escola idealista de futebol positivo, que vai vencendo barreiras levemente xenófobas e conquistando os sportinguistas e os amantes de futebol em geral. Neste período, o treinador holandês acaba com o excesso de trincos e promove um jogo posicional assente em trocas de bola a 1/2 toques, movimentos constantes de aproximação à bola, início de construção pelos centrais, laterais simultaneamente subidos, movimentos interiores dos alas e recuperação de bola em 5 segundos. Tudo isto num sistema táctico de 4x3x3. Para além disso, parece apostar em jovens. Num jogo a contar para a Liga Europa lança Thierry Correia. No seguinte, de uma assentada reforça a confiança no lateral direito e dá também oportunidades a Bruno Paz e a Pedro Marques. Os adeptos leoninos estão em delírio. 

 

Chega então o fatídico jogo de Guimarães. Começa a sentir-se o cansaço em certos jogadores nucleares, os movimentos perdem a fluidez original. Para além disso, há erros individuais que impedem a equipa de carburar. O treinador mantém Diaby em campo os 90 minutos, ele que faz um jogo desastrado, tanto na ligação com os colegas como no momento da concretização. Exibição que viria a repetir em Tondela, novamente com consequências desastrosas. Paira agora a dúvida. Alguns dos iniciais resistentes ao treinador, que já se preparavam para meter a viola no saco, ganham um suplemento de alma. Regressa o discurso da desadaptação de Keizer, da fraqueza da sua transição defensiva, da sua exposição aos ardilosos treinadores tugas. Keizer passa num instante a ser o "Mau" e as suas convicções parecem estar a ceder perante a necessidade imediata de resultados.

 

Aproxima-se a Final Four da Taça da Liga e Keizer é agora um treinador mais pragmático. O Sporting sobrevive quase miraculosamente a um jogo em que foi inferior (Braga) e está na final contra o todo-poderoso Porto. No jogo decisivo, a equipa faz uma bela primeira parte, mas circunstâncias diversas adversas acabam por a empurrar para um pragmatismo assente na resiliência face a sucessivas vagas do adversário. Quando finalmente em desvantagem, consegue voltar ao jogo e acaba por vencer a competição. Keizer é agora o "Feio" - comparações são imediatamente feitas com Peseiro - , mas consegue levar para Alvalade o troféu. 

 

Segue-se uma partida em Setúbal que faz a equipa desgastar-se em demasia, obrigada a superar-se em desvantagem numérica e no marcador. É a antecâmara da recepção ao Benfica. Entre lesões, castigos e impedimentos vários, o Sporting é batido sem apelo nem agravo. Mais do que a derrota, a imagem que fica é de uma total impotência face ao seu adversário. Uma humilhação! O ciclo ainda não terminou e há ainda uma partida para disputar na Luz, a contar para a Taça de Portugal. Teme-se nova debacle, as circunstâncias do jogo não ajudam, mas a equipa não cede, mostra que está com o treinador, e consegue voltar ao jogo e à eliminatória. 

 

O próximo ciclo de jogos permitirá perceber melhor quem é Keizer. O treinador dos 7 primeiros jogos, a que acrescentarei os dois na Feira para as taças e a primeira parte da final da Taça da Liga com o Porto, é o "Bom". Gosto da sua ideia de futebol positivo, da fleuma com que atura jornalistas e as circunstâncias nem sempre favoráveis em que está envolta a sua profissão. Recorrendo por vezes ao sentido de humor e evitando a desculpabilização tão própria dos seus antecessores. Pode ser que este novo ciclo permita uma maior rotatividade ao plantel, que Geraldes e Idrissa possam ser convenientemente testados, que Acuña, Miguel Luís ou Montero estejam totalmente disponíveis, que jovens como Thierry possam ter finalmente uma oportunidade consistente. Está tudo nas mãos de Keizer e na sua fidelidade às suas ideias e convicções. (Ou, pelo menos, espero que não haja restrições de cima que o impeçam de escolher os melhores.) E eu espero que estas vençam. Um treinador que criou tão grande ilusão entre os sportinguistas não pode sair pela porta pequena. 

keizer6.jpg

10
Fev19

Liga Revelação


Pedro Azevedo

Ontem vi o jogo dos Sub-23 em Fão, concelho de Esposende, distrito de Braga. Defrontámos o Sporting de Braga numa partida disputada em bom ritmo, intensa, tecnicamente bem jogada, com bons futebolistas em ambas as equipas. A dado momento dei por mim a pensar se este campeonato não seria até mais apropriado para os nossos jovens do que a Segunda Liga ou o Campeonato de Portugal. É certo que os escalões secundários são mais agressivos, duros, manhosos, com jogadores mais velhos, experientes, ardilosos, mas por outro lado o tipo de futebol pouco ou nada tem a ver com uma Primeira Liga e acaba por descaracterizar um pouco os jogadores, forçados a desenvolverem truques que mais tarde não lhes servirão, apenas para sobreviverem às agruras da competição. Enfim, não sou um "expert" no tema, muito menos dogmático, pelo que apenas partilho aqui a minha reflexão.

 

Voltando ao jogo, o Sporting dominou a primeira parte e eu gostei muito da estreia de Matheus Nunes, um jogador contratado ao Estoril no Mercado de Inverno. Actuando como pivô à frente da defesa, mas com direito a aventurar-se em terrenos mais adiantados por troca com Bruno Paz (igualmente em bom plano), o último herdeiro da Casa dos Mateus (em todas as suas variantes) - "griffe" que já contava com o gaulês Mathieu e os brasileiros Matheus Pereira e Mattheus Oliveira - notabilizou-se pela boa técnica e aceleração com bola. Ganhou mais duelos individuais do que os que perdeu e, embora no segundo tempo tenha tido menos bola e sido menos solicitado pelos colegas, o jogo do Sporting teve sempre mais critério quando a bola lhe passou pelos pés. Confirmou assim os bons pormenores que lhe tinha visto no Estoril e deixou-me interessado em acompanhar os seus próximos jogos. 

 

E assim termino esta crónica de um jogo em que o Sporting bateu o seu congénere bracarense por uma bola a zero, golo marcado de "penalty" por Pedro Mendes. Esta foi a última partida dos leõezinhos na primeira fase da Liga Revelação, a qual terminámos em terceiro lugar, atrás de Rio Ave (primeiro) e de Estoril, e à frente de Aves, Benfica e o anfitrião de ontem, o Braga, todos apurados para a fase decisiva da competição. Um campeonato que se espera continuar a ser muito renhido como se prova pela escassa diferença (7 pontos) entre primeiro e sexto classificados após concluídas as 26 jornadas da 1ª fase. 

liga revelação.jpg

(Imagem: Record.pt)

09
Fev19

A hora do Xico!?


Pedro Azevedo

A convocatória para a nossa deslocação a Santa Maria da Feira trouxe duas surpresas: Francisco Geraldes e Abdu Conté. Produtos da nossa Formação, no mínimo estarão no banco, dado que a lista integra apenas 19 jogadores e três deles são guarda-redes. De destacar também a presença de Idrissa Doumbia, um dos cinco jogadores que integram a convocatória que rumaram a Alvalade em Janeiro. Numa nota negativa, o lamento pela não presença de Miguel Luís e de Montero. A ausência de Jovane justifica-se devido à sua menor prestação na Luz, pese embora goste daquele seu estilo de partir para cima dos defesas. 

Feirense - Sporting Liga NOS.jpg

 

09
Fev19

Ironia fina em holandês


Pedro Azevedo

"Nos últimos 5 jogos, ganhámos uma meia-final e uma final. Quer dizer, a Taça estava no autocarro, por isso creio que a ganhámos..." - Marcel Keizer, hoje, em conferência de imprensa

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