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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

21
Out19

As claques


Pedro Azevedo

Ponto prévio: a natureza da existência de uma claque é servir o propósito de apoiar as várias equipas, ou atletas, do Sporting Clube de Portugal, não ser um poder ou contra-poder dentro do clube. Aliás, terá sido de forma a consumarem esse objecto que recolheram até recentemente um conjunto de privilégios junto de sucessivas Direcções do clube. Evidentemente, em cada cidadão há um Homem-político, pelo que os membros de uma claque também o serão e legitimamente terão uma opinião sobre a liderança do clube. Não podem é, enquanto claque, manifestarem esse lado político no decorrer dos eventos desportivos, devendo cada um fazê-lo individualmente em espaço próprio como o de uma Assembleia Geral (ordinária ou extraordinária), tal como quaisquer outros sócios, observadas as regras comuns para todos de civilidade e respeito cívico pela Instituição Sporting e seus regulamentos. Isto parece-me básico! 

 

Existe um problema na sociedade portuguesa que consiste em bastas vezes olharmos para a árvore esquecendo a floresta. Falo nisto porque há situações que decorrem de transformações sociologicas verificadas nas últimas décadas no nosso país e que estão a montante do Sporting, tais como familias desestruturadas, desemprego, falência da escola como complemento educacional, a necessidade de muitos jovens de se sentirem parte de algo ou o papel das redes sociais e das ligações virtuais e como se estabelecem na formação de opinião. Concorrentemente a isso, as gerações mais jovens viveram muito menos glórias no futebol do que as gerações mais antigas e por isso, e pela irreverência própria da idade, são naturalmente mais impacientes. Tudo isso necessitaria de ser compreendido e antecipado dentro do Sporting, na medida em que influencia o dia-a-dia do clube. E influencia porquê? Essencialmente, porque a Cultura Sporting, a nossa identidade, encontra-se enfraquecida, pelo que os nossos dirigentes não conseguem filtrar nada do que vem de fora e que acaba por contaminar o que está cá dentro, ao contrário daquela ideia que antigamente existia de que o Sporting era um clube diferente para melhor e, como tal, onde se absorviam valores comportamentais importantes. Ora, aquando do último acto eleitoral escrevi aqui que o tema da Cultura, bem como o dos Princípios (ética), deveria ser tão urgente de ser endereçado como o da Sustentabilidade. Simplesmente, eu não tenho visto o nosso presidente dar o devido relevo a essa matéria de uma forma transversal ao clube, bastas vezes não se compreendendo as causas que o Sporting defende. Também não existe no actual elenco directivo uma pasta da juventude onde alguns dos problemas existentes pudessem ser estudados e analisados de uma forma séria e traçado um plano de acção, nem tão pouco uma Provedoria Geral onde se pudesse estabelecer uma comunicação que permitisse melhor compreender os ensejos dos sócios em geral e aproveitar o seu contributo. Se é claramente inadmissível que as pessoas não saibam manifestar as suas divergências (repito, legítimas) para com a Direcção ou Orgãos Sociais do clube com urbanidade, o que legitima esta tomada de posição da Direcção, também não me parece bem que o presidente se refira publicamente a sócios de forma insultuosa, classificando-os como irresponsáveis, esqueletos, cientistas, cães que ladram ou malucos, sejam eles criticos construtivos ou oportunistas, naquilo que me pareceu servir mais uma táctica de defesa do que o interesse do clube. É que o exemplo deve sempre vir de cima, essa linguagem é desadequada e o momento que o Sporting vive exige particular sensibilidade com esta matéria, pois, se da consequência dos esforços presidenciais não resultar união, pelo menos não deverá emergir ainda mais fragmentação. 

 

Finalizo, dizendo que estou efectivamente muito preocupado com esta realidade actual. Incomoda-me viver este ambiente que anteriormente nunca vi no clube, com tantos consócios, ou simplesmente adeptos, desavindos. Mais do que um clube de Sportinguistas, diz-se que o Sporting está dividido por supostos interesses diversos e perspectivas messiânicas, mais parecendo que a devoção devida ao clube se transferiu para "lobbies" e proseletismos de carne e osso. Não sei se será tanto assim, mas a verdade é que o último acto eleitoral teve uma disseminação de candidatos anormal neste tipo de plebiscitos do clube. Numa situação como a actual, dir-se-ia de emergência, exponenciada também pelo péssimo momento da equipa de futebol, expôe-se mais a necessidade de um estratégia de união e de uma liderança forte e efectiva, que deveria assentar numa visão prospectiva de futuro, estruturada e estruturante, que antecipasse os problemas em detrimento de ter de recorrer a soluções radicais, e nunca sujeita à ziguezagueante conjuntura. Simplesmente, e quem dirige o clube que me perdoe, não sinto nem acredito que Frederico Varandas seja o homem certo para esboçar e/ou pôr em prática algo de estratégico nessa matéria, porque o momento peculiar do clube exigiria, desde o início do seu mandato e especialmente agora, alguém com dotes de comunicação, sensibilidade, experiência e que soubesse apontar a um caminho e visão comuns que o presidente não mostrou até hoje ter na medida em que sempre se mostrou, nesta como noutras matérias, essencialmente reactivo, pelo meio permitindo o vazio. Deste modo, não vencendo o amor ao clube sobre o ódio e o ressentimento/ressabiamento, o Sporting permanecerá adiado, desenfocado e muito previsivelmente entretido com o fosso que inevitavelmente se irá cavar mais entre sócios comuns e claques. 

20
Out19

Medo...


Pedro Azevedo

"Vamos estar atentos ao Mercado de Janeiro", diz Hugo Viana. Entre outras considerações, como "a época foi planeada com Keizer como treinador" (interessante fraseado) e a não inscrição de Pedro Mendes, que o Director para o Futebol recorda ter sido uma "decisão de Marcel Keizer". A coisa lembra-me vagamente um filmo americano, o "Blame it on the bellboy", temendo-se uma reprise de "O carteiro toca sempre duas vezes" após o Natal e Dia de Ano Novo.

18
Out19

Domingos Duarte dá vitória ao Granada, Dost marca na Alemanha


Pedro Azevedo

Com esta vitória (1-0), o Granada, recém-promovido, segue em segundo lugar na La Liga.

 

P.S. Na Alemanha, Bas Dost marcou o terceiro golo do Frankfurt (3-0 ao Leverkusen), igualmente o seu terceiro em 248 minutos de utilização (média de 1 golo a cada 83 minutos) esta época na Bundesliga. 

18
Out19

R.I.P. Rui Jordão


Pedro Azevedo

As minhas recordações do Rui Jordão são quase tantas quantos os golos que marcou de leão ao peito.

 

"Float like a butterfly, sting like a bee" - frase de Muhammad Ali que se aplica na perfeição ao jogo de cabeça de Jordão. Mas ele era muito mais do que isso. O Leonardo Ralha, no "És a nossa FÉ", classifica-o como um bailarino do Bolshoi, feliz definição que vai ao encontro dos movimentos graciosos que descrevia no relvado. Mas não nos equivoquemos, essa graciosidade escondia o felino que havia em si, veloz e com o instinto predador de um puma quando dentro da grande área. 

 

É impossível esquecer-me do seu primeiro título pelo Sporting e do jogo que tornou isso possível. Na última jornada desse campeonato, o Sporting recebia a União de Leiria do "brinca na areia" (Dinis) no José Alvalade e precisava de ganhar para se sagrar campeão. Nessa tarde de glória, Jordão marcou dois golos. Desapareceu, envolto num magote de gente posicionada atrás de uma baliza, após o terceiro golo, segundo da sua autoria. Reapareceria quase como veio ao mundo passado algum tempo, tendo de se reequipar para voltar ao campo. Recordo também os vários golos que marcou ao Rio Ave, em jogo da penúltima jornada do campeonato de 82, o seu último título de campeão por uns leões à data treinados por Malcolm Allison, o inglês que ele considerou ter sido o mais marcante da sua carreira dada a liderança que imprimia ao grupo. Haveria ainda de fazer a dobradinha na final do Jamor, num jogo em que o famoso trio de ataque leonino esteve particularmente afinado. 

 

Ao serviço da selecção, impossível esquecer a campanha do Euro 84 (estava atrás da baliza onde o Jordão marcou de penálti ao Dasaev o golo que nos qualificou para a fase final) e particularmente os dois golos que nos deram esperança na meia final contra a França. Bisou frente a Bats e quase contrariou os planos de vitória gauleses, salvos apenas pelo deus Platini. 

 

Também houve momentos infelizes, como aquele ano de 1978 em que lhe fracturaram a perna por duas vezes: primeiro em Fevereiro num choque com Alberto (Benfica), no célebre jogo do brinco de Vitor Baptista; depois, em Setembro, num despique com José Eduardo (Famalicão). 

 

Os dérbies decisivos contra o Benfica, as recepções europeias a Celtic e Feyenoord, o golo de calcanhar ao Porto, aquela tarde dos 8 a 1 ao Braga - indiscritível alarde de classe do trio que formou com Manuel Fernandes e Oliveira - são tudo memórias inesquecíveis para mim.

 

 Jordão deixou-nos hoje. Ao contrário daquele jogo contra o Leiria, para não voltar. Mas a memória dos seus feitos não se perderá no tempo. Que Deus o guarde em descanso!

jordão2.jpg

18
Out19

Tudo ao molho e fé em Deus - Perder tempo


Pedro Azevedo

Um dia, passeando por Natal, descobri uma loja de T-shirts com frases estampadas. De entre as multiplas camisolas com dizeres humorísticos, uma delas veio-me à memória ontem e narrava qualquer coisa como isto: "Comecei uma dieta e em duas semanas perdi quinze... dias". Enquanto tentava compreender a humilhação em Alverca, esta frase associou-se no meu pensamento para descrever aquilo que sinto que tem sido o constante desaproveitamento de tempo no Sporting.

 

Por paradoxo, o tempo não tem sido bom conselheiro da Estrutura de futebol do nosso clube. No arranque da temporada, Frederico Varandas garantiu aos sócios que o Sporting iria fazer melhor que na época anterior. O pressuposto fundamental para esse optimismo era o facto de a temporada há muito estar a ser preparada por uma Estrutura altamente profissional, assim associando-se o tempo à previsão de sucesso. Acontece que, sendo a libertação de  tempo algo importantíssimo na gestão, a sua constante má utilização pode mais facilmente conduzir ao desastre. O tempo só está do nosso lado se houver competência, caso contrário pode legitimar e exponenciar muita asneira. Ora, após 14 contratações desde Janeiro e vendas de Nani, Bas Dost e Raphinha, é fácil perceber que a equipa de futebol do Sporting não ganhou qualidade, pelo contrário perdeu-a. Ontem, em Alverca, na equipa inicial estavam 9 jogadores recrutados pelo Team Varandas, complementados por 2 elementos da nossa Formação. O resultado dessas apostas viu-se. Perante o quadro actual de jogadores, não haveria Jurgen Klopp, ou mesmo David Copperfield, que conseguisse com um passe de magia alterar instantaneamente o rumo das coisas.

 

Pese embora as condicionantes, a incoerência no discurso de Silas não pode passar em claro. Ontem começou por dizer que não teve tempo para treinar com os internacionais o novo modelo de jogo, mas a verdade é que os colocou em campo. Ora, durante duas semanas, Silas treinou o tal modelo, apoiando-se para o facto em diversos miúdos da equipa de sub-23 conforme foi amplamente noticiado. Se na altura da convocatória deixou todos de fora foi porque colocou os nomes à frente daquilo que faria sentido. Não adianta pois vir falar em "heróis" como algo prejudicial ao grupo, como se já não lhe chegassem os problemas que existem no plantel e ainda quisesse ver um problema na nossa praticamente única solução, o Bruno Fernandes. A verdade é que perante a desvantagem no marcador logo recorreu ao "herói". Como também se socorreu de Acuña, só faltando Mathieu para completar a entrada em campo dos jogadores que efectivamente fazem alguma diferença neste Sporting. De quem Silas não prescindiu foi de Jesé, estranhando-se a titularidade do espanhol que teve uma atitude incorrecta perante o tal grupo que Silas quer legitimamente ver a resolver os problemas. Conclui-se assim que também Silas desperdiçou o tempo que teve disponível desde o último compromisso da equipa de futebol, laborando exactamente na mesma teia de equívocos dos seus predecessores. 

 

Aquilo a que se assistiu ontem deveria obrigar a uma profunda reflexão. E, já agora, a um plano de emergência. A uma política de contratações que privilegiou a quantidade em detrimento da qualidade somou-se o empréstimo de vários jogadores provenientes da Formação (alguns com cláusula de opção de compra do clube que os acolheu) e a venda ao desbarato de alguns dos melhores jogadores do plantel (Dost e Nani). Para além disso, a Estrutura nunca conseguiu dar estabilidade à liderança da equipa de futebol, definindo fins de ciclo ao fim de meses, quando não de dias, e indo já no seu 5º técnico num ano. Os efeitos nefastos da preparação desta época desportiva demorarão anos a dissipar-se. É preciso ter coragem de agir e inverter este rumo, antes que novas opções de mercado tornem o Sporting inviável. O que se viu ontem de Rosier, jogador que custou 5,3 milhões de euros mais o passe de um jogador (Mama Baldé) que havia marcado 10 golos na temporada transacta? Como explicar as dificuldades encontradas pela nossa dupla de centrais perante uma equipa da terceira divisão? A dado momento apeteceu-me perguntar a Doumbia se precisava de uma cadeirinha, tal a displicência do marfinense no lance do primeiro golo do Alverca, jogada em que Alex Apolinário teve tempo para rodar, ajeitar a bola e chutar sem ser incomodado por ninguém. Depois, Jesé foi a nulidade do costume, Borja tem melhorado com Silas mas não há milagres, Eduardo não se viu, Miguel Luís é menos talentoso que diversos jogadores dos sub-23 que não são aposta e Luíz Phellype não conseguiu uma única vez incomodar o seu sósia da baliza ribatejana. Salvaram-se Max, com uma defesa aparatosa, e Vietto, jogador com pormenores técnicos interessantes mas sem golo.

 

Humilhado na Supertaça, fora da Taça de Portugal, com a Taça da Liga muito comprometida e o campeonato irremediavelmente perdido em Outubro, para onde vai este Sporting? O que sobrou em tempo para o desconchavo, escasseia agora para que se reponha algum sentido nas coisas antes que o desastre seja total. Agora, ou isto é feito de uma forma ordenada, ou temo que o radicalismo tome conta do clube e que este se desfaça numa luta fratricida. Urge agir! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Vietto

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17
Out19

A "Maçã" e a Laranja Mecânica


Pedro Azevedo

Rinus Michels revolucionou todo o conceito do futebol a partir da década de 60 do Século passado. Antigo professor de ginástica para crianças surdas, Michels chegou ao Ajax em 1965, impondo um estilo de jogo sem posições fixas – Futebol Total – onde a polivalência e a versatilidade sublimavam o talento colectivo, traduzindo-se tudo isto em tremenda eficácia.

 

Embora visionário e genial, Michels necessitava que os jogadores fossem inteligentes e soubessem interpretar em campo as suas ideias. Foi então que se deu um golpe de sorte: Johann Cruyff, praticamente nascido no Ajax – o seu pai vendia fruta ao clube – despontou em simultâneo com o mestre. Cruyff aportou velocidade, intuição, objectividade e inteligência ao belo jogo dos “lanceiros”. Esta última foi a arma derradeira que permitiu tornar-se no maestro que viria a conduzir a “orquestra” do clube e da selecção holandesa (“A Laranja Mecânica”) durante uma década.

Este exemplo inspirador do “mundo da bola” deve ajudar-nos a reflectir a realidade do mundo empresarial. As empresas de sucesso são aquelas que têm uma visão e depois artistas que são os artífices da implementação dessas ideias. Tal, requer energia e um plano, uma estratégia por parte de quem dirige, mas também inteligência, capacidade de trabalho, sacrifício e superação por parte de quem implementa.

 

Vejam o exemplo da APPLE: Steve Jobs foi o pensador, o “mastermind”, o homem inspirador capaz de uma visão “out-of-the-box” (como Michels). Os bons técnicos gostam de trabalhar com quem tem ideias (uma competência) e a capacidade de as pôr em prática (outra competência). Por isso, a Apple foi capaz de atrair talento criativo para si, distanciando-se da concorrência.

Um líder necessita de um conjunto de pessoas versáteis, polivalentes, com competências diversificadas, os quais devem constituir o seu “staff” próximo. A missão do primeiro deve ser “espremer todo o sumo” que os segundos podem dar. Estes últimos deverão saber interpretar as ideias e passá-las aos “solistas”, que se quer perfeccionistas de forma a executá-las da melhor maneira.

 

Analisando os casos de sucesso vemos denominadores comuns entre líderes. No entanto, alguns segredos residem na personalidade e carisma de cada um. Já dizia Crujff, “se eu quisesse que entendessem, explicar-vos-ia melhor”.

16
Out19

La revancha del Tango


Pedro Azevedo

O Tango nasceu no epílogo do Século XIX em Rio de La Plata, popularizando-se nas grandes cidades limítrofes de Buenos Aires (Argentina) e de Montevideu (Uruguai), em especial na zona portuária da grande capital argentina. Por ter essa raiz e inspiração “porteña”, o Tango foi exportado para a Europa e introduzido em Paris por marinheiros franceses. O instrumento principal do Tango é o Bandoneon (instrumento de fole). Trazido para Buenos Aires por emigrantes alemães, o Bandoneon emerge entre o piano, o violão, o violino e o contrabaixo, marcando as mudanças de ritmo tão características do Tango. Esta música é ilustrada pela dança, onde o drama, a agressividade, o engano, a paixão e o truque evoluem de uma forma binária, num compasso dois-por-quatro.

 

A pouco mais de 11000 km de Buenos Aires situa-se a “city” de Londres, uma pequena área de 2.6 km2. Adjacente a esta área, enquanto Centro financeiro, temos a zona de Canary Wharf, constituindo-se ambas como o coração do sistema financeiro britânico. Esta última é também uma antiga zona portuária, fechada para esse fim em 1980 e transformada numa importante área de negócios.

 

A “música” tocada pelos operadores de mercado em Londres assume também uma forma binária: os mercados sobem ou descem. Os principais “market-makers” tentam convencer os investidores da bondade do racional do seu posicionamento e os mercados vão evoluindo “ao som” dos indicadores económicos. Os fatos destes executantes, “marinheiros de mar e guerra” são diferentes, de melhor corte, criados pelos prestigiados alfaiates de Saville Row…

 

Um dos principais activos transaccionados é o de obrigações. Neste mercado os investidores compram títulos de dívida de diversos emitentes: Estados Soberanos, organismos supranacionais, Bancos Centrais, municípios, empresas, bancos, etc. O mercado obrigacionista é também um mercado de crédito. Quando se compra uma obrigação está a ponderar-se qual o nível de risco do emitente face ao "risk free". Na Europa, tomando o estado alemão como sem risco, todos os outros países terão taxas de juro superiores. A esta diferença de juros dá-se o nome de prémio de risco ou "spread" de crédito. Os spreads de crédito evoluem numa dança semelhante à do Tango. Aqueles movem-se como um fole, alargando ou estreitando, num compasso mais ou menos acelerado consoante o ritmo (de crescimento) da(s) economia(s). É o "efeito Bandoneon"!

 

Um desses compassos mais acelerados aconteceu na Argentina no período entre 1998 e 2002, período temporal em que o prémio de risco do país subiu vertiginosamente. A depressão económica argentina começou no 3º trimestre de 1998 e durou até ao 2ºtrimestre de 2002, tendo sido causada pelas crises russa e brasileira, motivando um aumento significativo do desemprego e com ele, a queda do governo e motins generalizados. A dívida externa argentina entrou em “default” após exibir taxas de juro exponenciais e a indexação do peso ao dólar foi abandonada. A economia contraiu 28% neste período.

 

“Don`t cry for me, Argentina”, cantava Elaine Paige com música de Andrew Lloyd Webber, na peça Evita, a qual retratava a peronista Eva, curiosamente deposta pela Junta Militar chefiada pelo General Videla em 1976, a qual irónicamente viria a caír após a dolorosa derrota militar imposta pelos britânicos em 1982, nas Malvinas (Falkland). O concomitante regresso à democracia, trouxe uma nova alegria ao “país das Pampas”. No dia 22 de Junho de 1986, no Estádio Azteca da Cidade do México, um pequeno duende argentino, um deus do mundo da bola, Diego Armando Maradona, marcou primeiro de forma insolente e ignóbil um golo com a mão. Ficou conhecido como “a mão de Deus”, certamente uma blasfémia, mas entendível dada a recente humilhação do povo argentino. Mas, o segundo golo de El Pibe foi tango no seu estado puro: ginga, engano, truque, artifício, um-dois-três-quatro-cinco ingleses no solo (guarda-redes incluido) e goooooooooolo. Convido o leitor a ouvir o golo relatado pelo grande Victor Hugo Morales. A vitória do povo, “La Revancha del Tango”.

15
Out19

O areal de Alvalade


Pedro Azevedo

Então agora, que se pretende implementar um futebol com saída de bola de-pé-para-pé, de trás para a frente, temos um relvado que mais parece um areal? Neste estado de coisas, se calhar é melhor o Silas ir a Carcavelos observar o Madjer...

15
Out19

CR700!


Pedro Azevedo

"Another day, another dollar", como se costuma dizer nos mercados financeiros. Nada de novo, portanto. Podem máquinas poderosas de comunicação estabelecer as narrativas que quiserem, mas no fim do dia o rei é Ronaldo. E quando o proto-aspirante ao seu ceptro é o melhor defesa ucraniano, então está tudo dito quanto à "sucessão"... 

 

P.S. Não tenho qualquer simpatia pessoal por Rafael Leão desde que rescindiu com o Sporting, mas sou só eu que vejo que ele é o melhor avançado português depois de Ronaldo?

14
Out19

Cristiano Harshad


Pedro Azevedo

Quase a atingir o número em golos que o Rei Salomão conseguiu em esposas, Cristiano Ronaldo prepara-se para entrar no exclusivo clube de goleadores onde só cabem Pelé, Romário, Gerd Muller, Puskas e o austríaco naturalizado checo Josef Bican, este último simultaneamente o mais deconhecido e letal do lote.

 

Hoje, frente à Ucrânia, Ronaldo poderá atingir o golo 700 da sua carreira em jogos oficiais. Um número mágico, ou não fosse setecentos o resultado da soma de 4 números primos consecutivos (167+173+179+181) e também um "número de Harshad" (inteiro que pode ser divisível pela soma dos seus digitos e dar como resultado um outro inteiro), nome dado pelo matemático indiano Kaprekar a partir da contracção de duas palavras do sânscrito [harsa (alegria) e da (dar)]. Faz sentido!

cristianoportugal.jpg

12
Out19

Chapéus há muitos...


Pedro Azevedo

... mas como este não há nenhum! Ou não tivesse sido produzido pelo Melhor do Mundo. "Made in" Sporting, é bom não esquecer...

 

#unidospelaformacao

11
Out19

Este clube não é para democratas?


Pedro Azevedo

Quem troca o legítimo direito à crítica pelo permanente insulto, confundindo assim democracia com anarquia, não está a prestar um bom serviço ao Sporting. De assembleia em assembleia, de presidente em presidente, os Sportinguistas vão provando que não lidam bem com a democracia. Diga-se de passagem que não é só nas assembleias, a linguagem usada nas redes sociais é bastas vezes inqualificável, o mesmo se passando muitas vezes nas televisões. Há mais de 1 ano atrás alertei para o perigo de extremismo gerado aquando da destituição de Bruno de Carvalho. Tendo eu deixado de apoiar o antigo presidente após o tumulto ("exuberância irracional" como defini) que marcou os últimos 6 meses da sua presidência, não me pude no entanto rever na verdadeira caça ao homem superveniente nem no ambiente macarthista, de "caça às bruxas" (delito de opinião) que se lhe seguiu. Essencialmente, temi, e escrevi-o (para além de considerações de carácter humanista), que esse clima ainda extremasse mais a posição contrária, a dos defensores do anterior regime, e que tal recriasse o PREC no clube de Alvalade. Não estava errado e tudo o que tem vindo a acontecer desde aí prova-o. 

 

Devo dizer que o clima que se tem vivido em sucessivas assembleias gerais é inadmissível. Numa democracia, a contestação deve fazer-se através de argumentos, não de insultos. A situação actual é consequência da crise de Cultura do mundo Sporting, de uma identidade que está em risco e, como tal, vulnerável a tudo o que venha de fora. Ora, há questões que se prendem com a crise de valores da sociedade portuguesa, desenraizamento de vários jovens, falência da família e da escola como pilares de ADN educativo e cultural que estão a montante do Sporting, mas que são infiltradas dentro do Sporting à medida que se vai percepcionando o vazio, esses elementos por vezes (alegadamente) tacticamente recebendo acolhimento de quem dirige o clube (o que transmitia "Barbini" no áudio divulgado na campanha?), outras vezes sendo instrumentalizados ao serviço de outros interesses. Por outro lado, verifica-se uma impreparação ou falta de sensibilidade do actual poder executivo leonino no que respeita ao tratamento que se deve dar a esta questão da Cultura Sporting. Sejamos francos, têm havido erros a mais na gestão do futebol do clube, mas o principal problema do clube é a ausência de uma estratégia que vise a união. Na minha óptica, tem sido muito mais fácil à actual Direcção apontar o dedo à anterior do que reconhecer os seus próprios erros e, emendando-os, seguir em frente. Ora, isso denota maior preocupação com uma linha de defesa e de preservação pessoal do que com o progresso e a resolução dos problemas. Nesse sentido, todos aqueles que vêm recorrendo ao insulto sistemático para com os actuais Orgãos Sociais têm sido um seguro de vida para quem dirige, permitindo assim a vitimização que esconde as insuficiências que se sentem no seu mandato e que, elas sim, carecem de ser discutidas de uma forma séria por sócios de uma linha moderada. Acresce que, Frederico Varandas, inabilmente, criou desnecessariamente outras frentes de batalha num ambiente já de si explosivo. Mostrando falta de cultura democrática, ele próprio se virou contra outros sócios, começando em José de Sousa Cintra e continuando nos "esqueletos", "cientistas" e "cães que ladram", numa linguagem completamente fora daquilo que deve ser a solenidade de um presidente de uma instituição como o Sporting e que lembra o pior (da comunicação) de Bruno de Carvalho, infelizmente sem um conjunto de realizações que para alguns vagamente relembre o melhor do ex-presidente. Isso tem consequências.

 

Alguns sócios do Sporting crêm que a melhor solução para o clube é estarem calados, outros entendem que há razões para criticar o rumo seguido (se é que existe). Pelo meio, entretêm-se, uns e outros, a julgarem-se entre si. Na verdade, a história mostra-nos que a atitude de um Sportinguista é perfeitamente indiferente. É assim há anos, mas o silêncio cúmplice tem ajudado à materialização de vários erros e a critica construtiva tem sido sempre desvalorizada e olhada com desprezo pelos sucessivos dirigentes do clube. Ora, eu penso que apoiar o clube é ser solidário com os seus Orgãos Sociais, desejando que o melhor para eles seja o melhor para o clube, repudiando acontecimentos como os de ontem. Mas uma coisa é ser solidário, outra bem diferente é ser cúmplice. Quando o rumo seguido nada tem a ver com o programa eleitoral, os sócios têm o direito de pedir explicações. Se nenhuma sociedade cotada no mundo inteiro deixa de ser escrutinada numa base diária, por que razão querem os administradores da SAD do Sporting carta branca dos sócios do maior accionista?  Convive-se mal com a democracia no clube e isso começa na sua Direcção. Várias medidas têm sido tomadas sem disso ter sido dado esclarecimento aos sócios. Algumas das mais recentes prendem-se com aquilo que foi submetido a votação na AG da SAD. No meu entendimento, fosse eu presidente da SAD, faria essas propostas descerem primeira à AG do clube, a fim de auscultar os sócios, ainda mais em matéria em que me dizia respeito e em que era parte interessada (independentemente da proposta ter partido da Comissão de Accionistas), regra que considero elementar de bom "governance", ou boas práticas de gestão, ou prevenção de conflitos de interesse. Pelo contrário, entendeu Frederico Varandas levar a reunião magna da SAD uma proposta de aumento salarial da sua administração e de cooptação de 2 novos administradores, outro acto não explicado aos sócios do clube. Mais, fê-lo em sentido contrário às poupanças que preconizou em termos de plantel e que provocaram o seu flagrante enfraquecimento, das quais se destacam as saídas de Nani e de Bas Dost, processos aliás muito nebulosos e que foram tratados sem a dignidade institucional merecida. Dado o ruído que a proposta de aumento de ordenados suscitou - segundo constou na CS, a proposta mereceu o voto contra de todos os accionistas que não o Sporting - o presidente não a retirou. Fê-la aprovar, usando o voto do Sporting no sentido favorável às suas pretensões, apenas indicando que durante um determinado período de tempo iria suspender a sua aplicação, uma forma subtil de mais tarde obter o que deseja e que revelou uma elementar falta de bom senso. 

 

Perante tudo isto, está bom de ver que o Sporting navega nas margens do caos. À falta de respeito que certos sócios manifestam pela Direcção e concomitantemente pelo clube - se querem marcar a sua posição, organizem-se e usem os mecanismos regulamentares existentes, não ofendam a ordem - responde o senhor presidente com um evidente desprezo pelas criticas e pelos criticos. No entretanto, a equipa de futebol vai mal, o défice de qualidade é agora mais evidente do que em qualquer momento nos últimos 7 anos, a propalada aposta na Formação não se traduz na prática em algo palpável, a situação de tesouraria é debilitada e o modelo estratégico para o futebol parece mais catastrófico a cada dia que passa. Perante isto, o que faz Varandas? Dispara em todas as direcções e não inverte o rumo. E a banda continua a tocar a mesma música, navegando à beira dos icebergues. Assim vai o Titanic leonino... 

10
Out19

A técnica


Pedro Azevedo

Em Portugal, há uma ideia que eu considero errada à volta do conceito de "técnica". Esta é muitas vezes confundida com habilidade, que não é exactamente a mesma coisa. Técnica é recepção, passe e remate, habilidade é finta, imprevisibilidade, malabarismo com bola. Durante muitos anos a selecção nacional foi considerada a campeã do futebol sem balizas, porque poucos jogadores portugueses mostravam qualidade na hora do remate. Um movimento que é natural para um futebolista italiano, alemão ou inglês, mas que não é assim tão comum no jogador criado em Portugal. Por exemplo, se olharmos para o panorama recente ou actual dos médios lusos, Maniche e Bruno Fernandes (vá lá, Pizzi) são um oásis num deserto de chutadores de fora da área, uma arma para contrariar defesas bem organizadas. Outra fraqueza que se nota, mesmo em jogadores internacionais, é na qualidade de recepção. A intensidade do futebol actual dá pouco tempo ao jogador, pelo que uma boa recepção é fundamental, especialmente se for orientada para o movimento seguinte que o atleta já tem pensado. Enquanto a recepção visa não perder tempo, o passe tem o objectivo de ganhar espaço, outra dificuldade dos tempos modernos. Nesse aspecto, há algo comum entre passe e finta, embora um bom passe geralmente dê menos hipótese a uma defesa de se recolocar no terreno, algo que só uma finta muito vertical iguala. 

 

Não se pense, no entanto, que há formas únicas de se atingir o sucesso. Olhando para os ícones históricos da nossa Formação verificamos que jogadores com perfil diferente tiveram sucesso. Por exemplo, Figo tinha passe, recepção imaculada e habilidade natural no 1x1, Futre possuia uma velocidade com bola que lhe permitia tornar letal a sua finta estonteante, Quaresma aliava qualidade de passe a partir das alas com muita inventividade e imprevisibilidade (gama de fintas e trivela), Nani tinha mais qualidade de remate que os restantes. De todos, Ronaldo é o "full package", o jogador que converteu habilidade natural em técnica útil, orientando o seu drible e passe (essencialmente curto) para uma acção decisiva, aliando-os a uma qualidade de recepção de bola e de remate fora do comum. 

 

De entre os mais recentes que têm passado pela Academia, Gelson será aquele em que se torna mais distintiva a diferença entre habilidade e técnica. Com algumas dificuldades na recepção e na orientação do seu drible, muitas das suas acções acabam por ser inconsequentes. Apesar de ter melhorado a verticalidade do seu jogo, estas fraquezas têm-no impedido de ascender a outro patamar. Já Matheus Pereira é um jogador diferente: menos explosivo no drible, orienta-o melhor para a acção que pretende executar a seguir, apoiado numa visão de jogo e recepção acima da média que lhe permitem exponenciar a sua qualidade de passe e de remate. Outro jogador que acompanho com interesse é Matheus Nunes, atleta que foi comprado ao Estoril em Janeiro. Faltar-lhe-ão mais acções perto da área contrária, produto de ter sido utilizado como "6" na temporada passada. Actualmente jogando como "8", Matheus tem podido mostrar qualidades na recepção e passe ímpares entre os jogadores da Formação. Quem tiver dúvidas vá ver a jogada decisiva na vitória sobre o Rio Ave (1-0) a contar para a Liga Revelação. 

 

Os campos tortuosos, a subir e a descer e cheios de irregularidades, do futebol de rua serviram durante anos como aprendizagem de recepção de bola. O Brasil foi o expoente máximo dessa base, ganhando durante anos com essa arma. Equipas como a de 70, ou mesmo a de 82, destacavam-se pela relação com bola ímpar da maioria dos seus jogadores. Como geralmente tinham sempre a bola, disfarçavam assim as insuficiências a nível físico, de intensidade e de posicionamento defensivo. No entanto, hoje em dia, salvo honrosas excepções, não é fácil notar diferenças entre jogadores brasileiros e europeus. O futebol globalizou-se e o Brasil começou a duvidar dos seus pontos fortes, procurando antes colmatar as suas lacunas, pelo que a maioria dos seus jogadores já não se destaca pela técnica especial que outrora se encontrava num Pelé, Tostão, Rivellino, Sócrates, Zico ou Falcão. Enfim, o futebol evoluiu, há cada vez maior uniformização táctica e menos diferenças entre as equipas, mais influência de treinadores e menos de jogadores, mas o que ainda vai produzindo a diferença é a capacidade invulgar de certos predestinados. E essa está sempre alicerçada em pensar e executar mais rápido, na velocidade e qualidade de execução, os dois factores essenciais no futebol moderno. 

10
Out19

Uma nota sobre a Reestruturação Financeira


Pedro Azevedo

A Reestruturação Financeira que se aguarda implica também um "hair-cut" da dívida por parte da banca e a recompra e titularização dessa dívida por parte de uma entidade financeira que será credora da Sporting SAD, traduzindo-se isso na prática em menor Passivo e prazos de pagamento mais espaçados no tempo. Aquilo que foi ontem anunciado é uma parte da RE e prende-se com a recompra de VMOCs e com um novo acordo de condições de reembolso obrigatório (excesso ou mais-valias da venda de Direitos Desportivos de jogadores) e de reforço das contas de Reserva (para pagamento das VMOCs), ambos mais flexíveis dos que vigoravam anteriormente. Em Abril de 2018, havia sido anunciado por Bruno de Carvalho ao DN (e posteriormente confirmado em esclarecimento prestado pelo ex-CFO) que bastariam 17,5M€ para o controlo ficar garantido, sendo que a recompra de 40,5M€ garantiria o controlo de cerca de 90% da SAD (em vez da recompra das VMOCs a 1 euro, esta passar-se-ia a fazer a 30 cêntimos, uma economia de 94,5M€). Simplesmente tal nunca foi devidamente formalizado e o que agora consta de comunicação à CMVM implica a obrigatoriedade de compra da totalidade das VMOCs (a 0,30€ por título tal como anunciado em Abril de 2018) à data do vencimento das VMOCs e não apenas de uma parte, o que implica um investimento maior, ficando sem se perceber se houve alguma inexactidão de comunicação do pretenso acordo no passado, se os termos foram alterados desde aí, ou se há a hipótese de ir parcelarmente exercendo a opção antes da maturidade, esclarecimentos que só Francisco Salgado Zenha (acordo actual) e Carlos Vieira (putativo acordo anterior) poderão dar. [Bem sei que as VMOCs implicam que os valores mobiliários sejam obrigatoriamente convertíveis em acções, a questão é que não depreendo pelo enunciado que a Sporting SAD possa comprar apenas a parte que a fará continuar a ser maioritária.] Fica a faltar a parte da reestruturação do passivo, a qual ao não ter sido anunciada parece indicar ainda não estar finalizada. 

08
Out19

Reforma do futebol português


Pedro Azevedo

Não há causa pela qual um blogue, ou um conjunto de Sportinguistas, possa lutar se a Direcção do clube não der o mote nessa matéria. Por isso ficam aqui algumas perguntas: o Sporting considera ajustado o actual formato e modelo competitivo do campeonato nacional? Quais as propostas do clube em termos de prevenção de conflito de interesses, tráfico de influências ou promiscuidade? Qual é a posição do clube sobre a necessidade de divulgação pública dos relatórios de árbitros e delegados aos jogos? Considera o Sporting admissível, em sede de prevenção de conflito de interesses, que os vídeo-árbitros também possam arbitrar jogos, sabendo-se que da sua acção enquanto VAR poderá resultar prejuízo para a nota do seu colega árbitro principal? O Sporting tem alguma exigência no sentido da divulgação semanal da classificação de árbitros e vídeo-árbitros? O que é que o Sporting tem a dizer sobre a ausência de jogos de campeonato durante 1 mês? Constituindo a fiscalidade portuguesa um factor de diferenciação negativa, que propostas tem o Sporting no sentido de se atenuarem as desvantagens competitivas face aos seus pares europeus? Qual é a política de relacionamento com outros clubes que o Sporting preconiza? O que é que o Sporting tem a dizer em sede de escrutínio da constituição de sociedades anónimas desportivas e seus accionistas? Que medidas de defesa do futebolista português tem o Sporting em agenda? Enfim, gostaria de saber qual a posição do clube sobre estas e muitas outras matérias que visem uma maior transparência, competitividade e viabilidade económica do nosso futebol. 

07
Out19

Silas chama jogadores da Formação


Pedro Azevedo

Com 10 internacionais de fora, Silas aproveitou esta pausa das competições e chamou 9 jovens da nossa Formação ao treino de segunda-feira. Os escolhidos foram Matheus Nunes, Tomás Silva, Gonçalo Costa, Diogo Brás, João Silva, João Oliveira, Bernardo Sousa ("Benny"), Loide Augusto e Gilberto, este último um jovem dos sub-17. Tendo tido oportunidade de ver "in-loco", em jogo da Liga Revelação, outros promissores jogadores como Nuno Mendes, Pedro Mendes ou Rodrigo, Silas dá mais um sinal de estar atento à Formação. Oxalá estes sinais se tranformem em certezas, pois creio que temos 3/4 jovens prontos para serem lançados e a nossa sustentabilidade passa muito por apostar naquilo que se forma em Alcochete.

 

Quando se olha para o PSV e se vê um tridente atacante formado por jovens de 17, 20 e 21 anos, um Ajax, um Barcelona que lança um miúdo de 16 anos, ou um Chelsea que aposta em Mason Mount, percebemos que não se pode perder tempo a olhar para o cartão de cidadão. 

07
Out19

Ainda a paragem do campeonato


Pedro Azevedo

Há 2 dias atrás, trouxe aqui a situação absurda de o campeonato português, ao contrário do que se passa um pouco por toda a Europa, parar durante 1 mês em Outubro. Bem sei que conjunturalmente, dado que durante este hiato iremos realizar a 3ª pré-época desta temporada, esta paragem poderá ser benéfica para o Sporting, mas a verdade é que não o é para o futebol português, o qual necessita de urgentes reformas. Pior, o Benfica tomou a liderança e hoje, através da sua newsletter diária, criticou a calendarização das provas nacionais que, no entendimento do clube da Luz, "não salvaguarda os interesses do futebol português". Ora, eu gostaria é que o meu clube fosse líder no que diz respeito à regeneração de que o futebol nacional necessita, o que no caso particular significaria não reduzir a intensidade a zero durante o mês de Outubro enquanto os campeonatos das potências europeias param apenas 15 dias.

07
Out19

X Congresso do Sporting


Pedro Azevedo

Realizar-se-á em Beja, nos dias 16 e 17 de Novembro, o 10º Congresso Leonino. Para que um sócio possa ter elegibilidade como delegado, e assim assistir, votar ou participar através de recomendações no dito Congresso, necessita de reunir 20 votos. 

 

O Congresso será uma oportunidade de cada delegado expôr junto dos seus consócios a sua visão para o clube em 4 diferentes temáticas: 1) Clube, os sócios e adeptos; 2) Futebol - modelo estratégico; 3) Modalidades - modelo estratégico; 4) Sustentabilidade financeira e marca.

 

As inscrições para o Congresso deverão ser feitas mediante formulário próprio para o efeito disponível em http://sportingevents.pt/congressoleonino/home , até ao próximo dia 18.

 

A comunicação e/ou recomendações de delegados ao Congresso está prevista no Regulamento e carece também de inscrição, devendo ser indicadas em "Ficha de Comunicação/Recomendação" as secções onde o delegado pretende participar. Para esta inscrição específica, a data limite é o dia 25 de Outubro.

 

Embora tivesse preferido que os temas pudessem ser discutidos de uma forma transversal e não estanque, tendo em conta estarem interligados entre si - não se pode falar de sustentabilidade financeira sem abordar o modelo estratégico para o futebol, nem mencionar a marca sem ter em conta os sócios e adeptos do clube - , não poderia deixar de marcar presença num evento que espero possa decorrer com a máxima abertura de espírito e sem filtros ou preconceitos de qualquer ordem, integrar novas ideias e visões e contribuir para a afirmação do Sporting e do Sportinguismo. 

 

Espero por si!

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