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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - Póquer na Feira


Pedro Azevedo

Um Raphinha com um PH ácido começou logo a espalhar azia nuns fogaceiros sem Kompensan. Aos 4 minutos, numa brilhante jogada individual, o brasileiro adiantou o Sporting no marcador. Logo de seguida, Bas Dost foi decisivo atrás(!), salvando um golo certo do Feirense, após um momento bastante insonso de Salin, hoje com alguns momentos "Calamity James" (inicialmente dedicado ao antigo guardião da selecção inglesa, David James, famoso pelos seus falhanços comprometedores). Os papéis continuaram a inverter-se quando Coates fez de assistente para um golo de se levantar o chapéu de Bruno Fernandes. Com dois golos de vantagem parecia que o jogo estava decidido, mas Petrovic fez de elefante numa loja de porcelana e partiu a loiça toda. O árbitro sancionou os estragos causados aos da Feira e condenou os leões a um castigo máximo. Na conversão, Tiago Silva voltou a colocar o Feirense na partida, não permitindo a Salin colar os cacos. Até ao intervalo, Ruben Brígido foi aguentando o resultado, nomeadamente quando defendeu miraculosamente uma cabeçada cheia de malícia de Bruno Fernandes. O árbitro Rui Costa também contribuiu, fechando os olhos a uma falta cometida (expulsão óbvia) sobre Acuña que teve muito que se Diga. 

 

No segundo tempo, o Feirense podia ter empatado, mas Mathieu conseguiu evitar um lance de três para um na área leonina. Não marcaram os fogaceiros, fizeram-nos os leões após mais uma falta cometida por Philipe Sampaio, desta vez na sua área. Na conversão do "penalty" (59 minutos), o inevitável Bas dostou como de costume. Sete minutos depois, uma combinação entre Diaby e Miguel Luís deixou o médio da nossa Formação isolado perante o guarda-redes. O remate saiu prensado num defesa e acabou deflectido por um defensor feirense para a sua própria deserta baliza (4-1). Com larga vantagem no marcador, Acuña e Diga voltaram a encontrar-se, com o argentino desta vez a sair por cima após um bíblico (Êxodo 21:24) "olho por olho, dente por dente", consubstanciado num profano "Diga lá outra vez? Espera aí que já te afinfo uma cotovelada na boca...". Consta que Santa Maria (da Feira) terá fechado os olhos...

Até ao fim do jogo o Sporting foi costurando uma Man(i)ta muito comprida para os de Santa Maria da Feira, mas Diaby, o poste e Ruben Brígido evitaram a mão-cheia de golos. Aliás, o maliano foi especialmente perdulário, primeiro dominando mal a bola na área e desperdiçando a oportunidade, depois permitindo a defesa do guardião adversário, finalmente atirando por cima com a baliza escancarada, após excelente remate de Jovane Cabral (substituiu Raphinha) ao ferro. Caso suficiente para ficar toda a noite a praticar na barraquinha dos tiros lá da Feira...

Destaque ainda para uma oportunidade criada por Petrovic (grande defesa de Brígido) e para outra falhada por Bas Dost. De referir, também, a expulsão de Tiago Silva (palavras).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (muito bem a pautar o jogo, excelente no golo e irrepreensível como capitão, evitando o exaltamento de Raphinha e acalmando até Tiago Silva no momento da sua expulsão) 

taçadaligafeirensesporting.jpg

29
Dez18

Mitos da bola (1) - Bernabé Ferreyra


Pedro Azevedo

- "Então você é que é A Fera?" -, inquiriu-o um dia Carlos Gardel.

- "Não, maestro, o senhor é que é A Fera quando canta." -, respondeu ele.

 

Modesto, Barnabé Ferreyra, de cognome "La Fiera", "Morteiro de Rufino" ou "Rompe redes", foi um jogador argentino dos anos 30, ainda hoje recordado pela potência do seu remate. O seu pontapé de canhão tornou-se lendário ao serviço do River Plate, facto para o qual muito contribuíram episódios como o ocorrido com Fernando Bello, guarda-redes do Independiente, que ao defender um penalty seu partiu os dois pulsos, desmaiando de seguida. Noutra ocasião, no Superclássico contra o Boca Juniors, marcou o golo decisivo na recarga a um tiro tão potente que ao acertar no estômago do guardião "xeneize" (Arico Suárez) o deixou ko. Era tal a sua fama que antes e depois de cada jogo seu, e durante o intervalo, os altifalantes do estádio dos "Milionários" ecoavam um tango composto em homenagem a este artilheiro implacável.

Bernabé Ferreyra marcou 232 golos em 228 jogos, para o campeonato argentino, pelo Tigre e River Plate (187 golos em 185 jogos), sendo até hoje um dos 3 únicos sul-americanos, conjuntamente com o peruano Valeriano López e o brasileiro Arthur Friedenreich, a conseguir uma média superior a 1 golo por jogo. Um Peyroteo do futebol argentino, embora longe da média estratosférica do insuperável ídolo leonino.

bernabé ferreyra.jpg

28
Dez18

Ensaio - Assimetrias relativas do futebol português


Pedro Azevedo

Olhando para os principais campeonatos europeus, existem pistas que explicam a razão pela qual o ranking uefeiro dos clubes portugueses não permite uma melhor classificação que o actual sétimo lugar. Neste ensaio, pretendo demonstrar que o número de golos marcados nas principais ligas europeias é um indicador relevante.

 

O primeiro quadro que apresento (Quadro 1) mostra um grande nivelamento entre o nº de golos marcados nas diferentes ligas, na temporada 2017/18:

 

Quadro1

Competição Jogos Golos Média golos/jogo
Ligue 1 380 1033 2,718
Primeira Liga 306 826 2,699
Premier League 380 1019 2,682
Serie A 380 1017 2,676
Bundesliga 306 815 2,663
La Liga 380 991 2,608

 

No entanto, se considerarmos apenas os golos marcados pelos 4 primeiros classificados da última temporada (Quadro 2), começa a ficar evidenciada a macrocefalia do nosso futebol, notando-se que os clubes portugueses mais poderosos marcam mais relativamente a outros campeonatos europeus:

 

Quadro 2

Competição Golos %total
Primeira Liga 299 36,2
Ligue 1 306 34,85
Bundesliga 380 33,74
Premier League 380 32,58
La Liga 306 31,89
Serie A 380 28,52

 

O Ranking da UEFA não depende só dos melhores classificados de cada campeonato. Os países com melhor ranking têm direito a fazer-se representar por 7 clubes e Portugal tem actualmente direito a apresentar-se com 5 clubes. Assim, procurei o contributo dos clubes classificados entre o quinto e o oitavo lugar nos respectivos campeonatos nacionais (Quadro 3), na temporada 2017/18:

 

 Quadro 3

Competição Golos %total
Serie A 256 25,17
Bundesliga 196 24,05
Premier League 217 21,30
La Liga 208 20,99
Ligue 1 203 19,65
Primeira Liga 158 19,13

 

Não só o campeonato italiano é aquele em que o contributo dos clubes classificados entre o 5º e o 8º lugares é mais expressivo como também é aquele em que existe menor diferença no item "golos marcados" face aos 4 primeiros classificados de cada campeonato. Os clubes portugueses nesta classificação apresentam o nº de golos marcados mais baixo dos campeonatos mencionados, um indicador de falta de nivelamento competitivo e das assimetrias que marcam o futebol nacional. Deste modo, não é de admirar o fraquíssimo comportamento relativo de clubes como Marítimo, Rio Ave, Paços de Ferreira, Nacional, etc, quando comparados com os seus congéneres dos 5 campeonatos mais competitivos da Europa.

23
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - Noves fora nada...


Pedro Azevedo

Lendo, ouvindo e vendo a imprensa, o Sporting, na era Keizer, chegava a Guimarães depois de só ter disputado jogos amigáveis, ainda que essas partidas envolvessem três jogos do Campeonato Nacional e dois a contar para a Liga Europa, para além de outros dois para a Taça de Portugal. Aparentemente, precisávamos de testes, mesmo que já tivéssemos ganho sem espinhas – cai sempre bem quando contra uma equipa proveniente de uma cidade piscatória - e por duas vezes ao Rio Ave, aquela equipa que ainda hoje foi um duro teste para o Porto, no Dragão. Aliás, não foi só a equipa vilacondense, as caneleiras de Carlos Vinícius também o foram, tantas as vezes que Filipe lhes acertou. Mas, pronto, para a Comunicação Social o Sporting ainda necessitava de um teste e esse seria em Guimarães, adversário bem mais difícil do que aquele que o Benfica hoje defrontou. É que os encarnados do Minho há 10 anos que nem arranham os da Luz…

Para o Sporting era a Prova dos Nove, uma vez que uma vitória sobre o Chaves ainda no tempo de Tiago Fernandes precedia as sete vitórias do consulado de Keizer. E a verdade é que de Guimarães saímos com nada, e de nada (para além das lesões) nos podemos queixar.

 

Renan defendeu tudo (5 bolas de golo), menos o remate que foi deflectido por um colega. Nos antípodas, Diaby estragou quase tudo aquilo em que tocou nos 90 minutos em que esteve em campo (incluindo o comando de televisão cá de casa que às tantas ousou desafiar a gravidade), tendo na primeira parte conseguido mesmo o pleno. No recomeço, Keizer ainda tentou apostar numa nova máxima leonina: depois do “keep it simple”, agora o “small is beautiful”, opondo Raphinha a um Rafa, numa lógica David contra Golias em que a fisga foi substituída por um penteado de fugir. Não resultou, embora o brasileiro tenha protagonizado as duas maiores ameaças à baliza de Douglas. Quem também não assustou ninguém foi “Jigsaw” Gudelj, incapaz de ligar o jogo ou de, pelo menos, aprisionar os adversários dentro de uma área controlada. “Muttley” Acuña também pouco subiu no terreno e Bruno Fernandes raramente teve a oportunidade de ter bola em terrenos adiantados, algo de que Bas Dost muito se ressentiu.

 

Enfim, não passemos do oitenta ao oito. Keizer faz o possível mas não é milagreiro. E se só Deus poderia dar sentido ao Diaby, creio que nem Ele poderia transformar Gudelj num Fejsa ou Bruno Gaspar num Maxi. Boas Festas para todos!

 

P.S. Ao vê-lo desejar a todos um Bom Natal, apercebi-me de que gosto mais da pronúncia de Marcel Keizer do que a da juíza Ana Peres... 

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Renan

renan guimaraes sporting.JPG

20
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O segredo do Mona Lisa


Pedro Azevedo

Mais um jogo e as redes a abanarem por mais sete vezes, algo que nem é estranho às gentes da cidade piscatória de onde o Rio Ave é natural. Este jogo de passe/desmarcação do Sporting parece futsal e tem resultados próprios do futsal. Um banquete para os sentidos! Os jogadores são os do início da época, os adeptos são os mesmos, então qual é o ingrediente secreto? O segredo é Keizer. Este treinador é como a Savora, com ele toda a “comida” melhora: Diaby, um jogador de classe média que não tinha marcado nos primeiros dezassete jogos, já leva seis golos nas últimas sete partidas, os outrora mal-amados Gudelj (hoje menos bem) e Petrovic cumprem alternadamente como trincos, Miguel Luís vai crescendo a olhos vistos (precisa de tentar o passe de ruptura), Wendel aprendeu mandarim numa semana, Acuña está feito um senhor lateral, Bruno Fernandes é hoje pouco menos do que omnipotente e até “Bis”(!) Dost marca (ainda) mais, com 10 golos (4 bis) nos 6 jogos que disputou nesta nova era, colocando sempre o seu nome nos goleadores de cada partida. E se Bruno Gaspar ou Jefferson ainda não denotam grandes progressos é porque, pese embora a época natalícia, Keizer é o homem do Renascimento mas não é Deus (embora ameace vir a converter-se num deus para os adeptos leoninos), nem faz milagres.

 

O jogo começou com Renan a tirar o pão da boca de Coentrão, para logo na resposta Acuña (isolado por Jovane) pôr a comida na mesa de Diaby, naquilo que se pode chamar uma entrada à leão. À meia-hora, uma combinação sul-americana (canto de Acuña, cabeçada de Coates) levou a bola a embater no poste da baliza vila-condense. Na recarga, Bas Dost marcou o segundo da noite. Por essa altura, a nossa jovem promessa Gelson Dala começava a evidenciar-se: numa diagonal rápida deixou Mathieu e Acuña presos ao solo e falhou na cara de Renan. Um golo marcado por um jogador sportinguista ao Sporting não seria natural (alô Peseiro), mas a verdade é que se confirmou quando o infeliz Rei Mago Gaspar foi portador de um presente de Natal para os rio-avistas, em cima do intervalo, deixando um suave odor (incenso) de incerteza no ar. Pouco antes houvera ópera, quando Bruno Fernandes com uma recepção perfeita a um centro tenso de “Muttley” Acuña e um pontapé violento alterara uma vez mais o placard, subindo mais uma oitava a sua produção de jogo.

 

Antes do reinício, Bas Dost e Gelson Dala confraternizaram, como que preparando a parceria para 19/20. O jogo reatou-se e o Rio Ave voltou a ter a primeira oportunidade, mas Bruno Gaspar antecipou-se a Carlos Vinícius e salvou um golo iminente. Petrovic já entrara para o lugar de Gudelj, quando Bruno Fernandes tentou por duas vezes, à bomba, desfeitear o guardião vila-condense. Leo Jardim, todavia, já não conseguiu evitar um novo golo de Dost – jogada espectacular entre Acuña, Bruno Fernandes e Jovane, com cruzamento deste último – nem outro de Diaby, assistido por Bruno Fernandes. (Não deixa de ser irónico que, tendo sido o nosso antigo treinador Leonardo Jardim a recomendar Keizer, um seu homónimo já tenha encaixado oito golos com a brincadeira.) Pelo meio, uma enorme jogada de Gelson Dala, ingloriamente desperdiçada por Carlos Vinícius, e um remate de João Schmidt à barra haviam assustado os leões. Já perto do fim, num penálti duvidoso, Vinícius reduziu para 5-2, já André Pinto (contratação para o Ferrari de Jesus que se move à velocidade do carro dos Flinstones) e Ristovski (sério candidato ao prémio de trapalhão do ano) estavam em campo.

 

O Sporting continua imparável, com 30 golos em 7 jogos (média de 4,29) e está a dar-me algum gozo vêr que os comentadores desportivos, que nem sequer deram o benefício da dúvida a Keizer, já não sabem bem o que dizer sobre este fenómeno. Hoje, tivemos um Quinteto Fantástico absolutamente imparável: Bruno Fernandes, Bas Dost, Diaby, Marcus Acuña (o melhor na primeira parte) e Jovane Cabral.

No fim, quando questionado sobre o futebol “simples” do Sporting, Marcel Keizer foi lapidar: "simples é o mais difícil". Este futebol dos leões não é de “descansar com bola” como oiço por aí. Pelo contrário, exige movimentações constantes aos jogadores no sentido de serem criadas linhas de passe. Como tal, precisamos do mercado de Inverno para que se reforcem algumas posições, a fim de que a factura do desgaste não se venha a pagar mais tarde. Para já, a fadiga verga-se ao peso das vitórias, mesmo que hoje só tenham estado pouco mais de 12 mil a apoiar nas bancadas. E não há um sportinguista, jogadores incluídos, que queira acordar deste sonho de Outono, mesmo que Guimarães seja já no Inverno. É que ainda somos um clube desportivo e não um partido político…

 

"Venham mais cinco, de uma assentada que eu pago já..."

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

BF sportingrioave.jpg

18
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O que é Nacional é bom (mas Keizer é melhor)


Pedro Azevedo

O Nacional entrou em Alvalade a todo o gás e sem aviso quase marcava na primeira jogada, perante um Sporting pouco atento às alterações legislativas sobre os GPL. Os primeiros trinta minutos do jogo foram uma espécie de preâmbulo da Batalha de Little Bighorn, com as tropas de Marcel “Custer” Keizer a serem invadidas por todos os lados. Deste modo, não surpreendeu que tenha sido um indígena madeirense (João Camacho) a inaugurar o marcador. Outro ainda (Jota) congeminaria o segundo, assinado por Palocevic, numa jogada onde Jefferson aproveitou para dar mais um passeio no parque. Estavam decorridos 25 minutos de jogo e o Sporting perdia por duas bolas a zero e não mostrava reacção. Pelo meio, o VAR também não, ao que parece devido ao mau funcionamento de uma câmara, algo que não consta tenha sido reportado ao Tribunal de Contas. Assim, restou-nos à posteriori o Tribunal d`O Jogo e os conhecimentos desse ilustre painel em geometria e trigonometria. Com tudo isto, os madeirenses safaram-se à tangente de se verem empatados e o tempo de espera foi secante, acabando o Nacional por ser Coroado com a manutenção da vantagem no marcador. Em cima da meia-hora, a coisa esteve para tomar proporções bíblicas, não fora Renan ter efectuado a sua primeira grande defesa do jogo. Sentimos alívio na altura, mas com o que sabemos agora tal só evitou a sequela do Coreia do Norte-Portugal de 66, versão “remastered”. Subitamente, o Sporting pareceu acordar: do lado direito, Coates foi até à linha de fundo para tirar um centro jeitoso - até aí Bruno Gaspar nunca o conseguira, não obstante as cento e dezasseis vírgula cinco tentativas para o fazer, não se sabe se por falta de conta, de peso ou de medida – e, após uma carambola da bola entre Nani e um defensor madeirense, Bas Dost levou um toque de um nacionalista. Na conversão da penalidade, o holandês esperou pacientemente a queda do guardião adversário e atirou para o outro lado. “Business as usual”!

 

Para o segundo tempo, o Professor Marcel fez entrar Miguel Luís no lugar de um abúlico Bruno César e o Sporting começou a ganhar os duelos no meio-campo. Bruno Fernandes jogava agora como o mais avançado das 3 linhas do meio-campo e a equipa leonina começou a impor o seu passe-desmarcação-aproximação à bola e a montar o já famoso carrossel de Keizer. Após solicitação de Jovane (entrara para o lugar do lesionado e pouco inspirado Nani), Bas Dost correu isolado para a baliza com Bruno Fernandes ao lado, a descrever uma paralela. O holandês pareceu adiantar de mais a bola, mas ainda conseguiu dar um ligeiro toque para a sua esquerda imediatamente antes do choque com o guardião adversário, onde apareceu Bruno completamente solto a restabelecer a igualdade. Faltavam 20 minutos para o jogo terminar, mas a vantagem anímica passara para os de Alvalade. Eis então que Gudelj decide fazer a sua melhor acção do jogo e sozinho foi galgando metros, escapando às emboscadas rivais até ser atingido pela bota de um nacionalista na cabeça, algo que tristemente não deve constituir novidade para um cidadão das balcãs. O árbitro assinalou livre directo a cerca de 10 metros da grande área e em vez de consultar um neurologista foi procurar no VAR respostas para a agressão que o sérvio tinha sofrido. Já se sabe que este é menino para duvidar da intensidade do knock-out que um dia Muhammad Ali aplicou a George Foreman e mandou seguir para a marcação da falta. Reza a história que Bruno Fernandes terá segredado a Jeremy Mathieu que era muito importante ser golo. O gaulês aplicou a versão futebolística do enunciado de Arquimedes e com um pé de apoio (direito) bem firme na relva alavancou a bola com o outro pé (esquerdo), de forma a estabelecer a proporção certa entre força aplicada e distância da baliza. Pelo meio ainda aproveitou o satélite francês mais perto (Asterix?) para estabelecer a rota certa e encontrar a “poção” mágica que lhe permitiu marcar um grande golo. Delírio em Alvalade com muitos espectadores a lembrarem-se das agora proféticas palavras de Marcel Keizer de que preferiria ganhar por 3-2 do que por 1-0 (dá mais gozo, sim, mas deve ser coisa para, um a um, ir arrancando os cabelos de um treinador, não é Mister?). Finalmente, via-se um sorriso no rosto do nosso Mona Lisa e jogadores (suplentes incluídos) e treinadores caiam nos braços uns dos outros, sinal de que o espírito de equipa está fortalecido. Muito provavelmente, no passado teria entrado um defesa ou um trinco para segurar o resultado, mas Keizer manteve a pressão sobre a defesa nacionalista e viria a recolher frutos dessa ousadia ao marcar mais dois golos, um de penálti por Dost, outro após insistência à pedrada de Bruno Fernandes. Antes, porém, Renan foi lá onde a coruja dorme evitar o empate.

 

No fim do jogo, Costinha apresentou-se em conferência de imprensa valorizando os méritos da sua equipa e reconhecendo a superioridade dos leões. É sempre refrescante quando um treinador nacionalista discursa em Alvalade sem indignações, revoltas interiores ou preocupações com o estado do futebol português e o fim do espectáculo após colocar dois autocarros Gran Artic (os mais compridos do mundo) importados do Brasil à frente da sua baliza. Pelo contrário, com um discurso escorreito, embora pelo acima descrito não necessitando de recorrer à escola do manuel-machadês, o treinador da equipa madeirense traduziu a excelente atitude que a sua equipa desenvolveu, jogando no campo todo e colocando inúmeras dificuldades ao Sporting.

 

Seis jogos, seis vitórias e vinte e cinco golos marcados (média de 4,17 por jogo) depois, não me apetece acordar deste sonho. Dá para prolongar? Bem sei que ainda há gente à espera da inevitável escorregadela para voltar a ressuscitar a ideia de que com Peseiro (catorze jogos, nove vitórias, um empate, quatro derrotas e vinte e quatro golos marcados) é que era, mas já ninguém nos tira este Outono do nosso contentamento e o prazer que tem sido ver bom futebol e golos.

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

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