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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

18
Jul19

Another one bites the dust!


Pedro Azevedo

Depois de Francisco Geraldes (empréstimo) e Domingos Duarte, agora foi a vez de Iuri Medeiros sair. O próximo poderá ser Matheus Pereira, que não se encontra entre os convocados para o encontro contra o Club Brugge (não li nenhuma informação sobre uma hipotética lesão). Não me custa a crer que estes jogadores estejam num patamar inferior a João Mário, William ou Gelson, que se conseguiram afirmar na equipa principal do Sporting, o que não compreendo é que não tenham tido verdadeiras oportunidades ao longo dos últimos 5 anos, ao mesmo tempo que o José Alvalade viu chegar um Douglas, um Alan Ruiz, um Meli, um Misic, um Lazar Markovic, um Ruben Ribeiro ou um Campbell, e mais recentemente (desde Janeiro) alguns outros que o tempo se encarregará de demonstrar que não fazem a diferença face aos que formamos em nossa casa. Tudo isto com danos evidentes na nossa conta de exploração. Olhando para a lista de jogadores que vão à Bélgica, já não existem vestígios dessa geração de 23/24 anos (Ivanildo está lesionado, mas não se sabe se ficará) formada na Academia. Resta-nos a esperança que a geração de 20/21 anos, composta por Max, Thierry Correia, Abdu Conté, Miguel Luís, Daniel Bragança e Jovane (Demiral já cá não mora), venha a ter uma oportunidade real. Eles são "the last men standing". Nuno Mendes, Joelson e Plata (contratado por este CD/administração) estão fora disso, eles já não pertencem à geração maldita, mas sim à ínclita geração de Frederico Varandas. Pelo menos enquanto não chega mais um Borja, um Ilori, ou um Camacho, este último o rapaz que diz que veio para o Sporting porque não queria jogar a lateral...  

 

P.S. Jogadores do nível de um Bruno Fernandes, Acuña ou Mathieu, ou mesmo de um Wendel, Coates, Raphinha ou Dost são sempre bem-vindos. Preferia mil vezes todos os anos ver chegar um jogador da qualidade do nosso Top3 do que meia-dúzia dos outros, aqueles que se acumulam em stocks, destroem as esperanças e ambições dos nossos jovens e, todos juntos, deixam as nossas contas num caos. 

iuri medeiros.jpg

18
Jul19

Não, ou a vã glória de mandar


Pedro Azevedo

A história do Sporting pós-25 de Abril de 74 compreende fatalidades várias, que vão desde a saida por doença de João Rocha, o epifenómeno das "unhas de leão", o despedimento de Bobby Robson, a parafernália de empresas criadas ao abrigo do projecto Roquette, a opção por construção de um novo estádio, o ciclo de 4 anos em que a SAD perdeu 160 milhões de euros e o sebastianismo metamorfoseado em cólera que marcou o mandato de Bruno Carvalho.

 

Há uns anos, em entrevista concedida ao Record, o ex-presidente João Rocha lavrou o seguinte balanço do final do seu último mandato: Passivo zero, jogadores contabilisticamente valorizados a zero, estádio valorizado a preço zero e 300 mil metros quadrados de terrenos com construção aprovada, que, no dizer do malogrado antigo dirigente, se tivessem sido correctamente administrados, valeriam na altura da entrevista cerca de 600 milhões de euros. Hoje, a realidade é bem diferente: O Passivo da SAD é de 328 milhões de euros, a que acrescem 128 milhões de euros em valores mobiliários obrigatóriamente convertíveis (VMOCs). O plantel está avaliado em cerca de 84 milhões de euros, o estádio (valor líquido do direito de superfície) em cerca de 138 milhões de euros. Apesar disso, os resultados acumulados (transitados e reservas) da SAD apresentam prejuízos que ascendem a 218 milhões de euros e os capitais próprios (mesmo com as VMOCs incorporadas) indicam falência técnica. 

 

Assim se vê quão vã pode ser a glória de mandar. Tudo isto aconteceu à nossa frente, no nosso "turno", perante a nossa indolência, o que prova o quão importante é, em todos os momentos, haver espírito crítico e ser vigilante. O Sporting tem de estar sempre acima de proselitismos vários e dos situacionismos do costume. Porque a este tipo de gestão que tem marcado os últimos 30 anos é preciso dizer não. Definitivamente não. Que quem dirige actualmente os destinos do clube/SAD tenha isso bem presente, porque a união também se constrói com uma adequada e boa gestão. 

17
Jul19

Renan, o homem talismã


Pedro Azevedo

Quando Renan fechou a baliza de tal forma que quatro bracarenses não o conseguiram desfeitear, o mundo leonino abriu a boca de espanto. Sabendo-se que do outro lado estava Marafona, um reputado especialista em defesa de grandes penalidades, as apostas pendiam para o favoritismo do Braga, mas o guarda-redes brasileiro foi o elemento de surpresa ao parar 3 remates (Ricardo Horta, Murilo e Ryller) e dissuadir outro (Paulinho, remate ao poste). O Sporting apurava-se assim para a final da Taça da Liga. No jogo decisivo, quis o sortilégio que novamente tudo se decidisse por penáltis. Sambando em cima da linha de golo, Renan parou o remate de Hernâni e desviou da baliza com o olhar os remates de Militão e Felipe. O Sporting vencia a Taça da Liga.

 

Quatro meses depois, Porto e Sporting voltavam a encontrar-se numa final. Desta vez o palco era o Jamor, cenário do desenlace da Taça de Portugal. Os leões estiveram quase a fazer a festa no prolongamento, mas um golo tardio de Felipe restabeleceu o equilíbrio no marcador. Tudo se decidiria da marca dos 11 metros. Bas Dost começaria por falhar, Pepe imitá-lo-ia. Eis então que Renan pára o remate de Fernando (excelente estirada para a sua esquerda), possibilitando assim a Luiz Phellype resolver a contenda. Mais um troféu para o museu leonino. Feito o balanço, Renan nesses 3 jogos contribuiu com 5 defesas e viu outros 4 remates não atingirem o alvo, num total de 9 tentativas fracassadas dos adversários em 17 oportunidades, um rácio de sucesso de 53% para o guardião do Sporting, algo pouco usual quando falamos de pontapés da marca de grande penalidade.

 

Com excelentes reflexos entre os postes, a Renan faltará melhorar o jogo de pés e o preenchimento da zona entre a baliza e a linha defensiva, esta última na maioria das vezes disposta em bloco alto (deixando muito espaço nas costas que exige uma reacção do guarda-redes). Tal dever-se-á a já ter chegado tarde à Europa. No Brasil, devido ao calor, os jogos são disputados a um ritmo menos intenso. Em sintonia, a relva é deixada alta, de forma a que a bola não deslize muito rapidamente e se poupe no desgaste. Ora, este contexto não favorece a saída dos postes dos guarda-redes quando as bolas são metidas nas costas da defesa, pois a redondinha geralmente prende e eles podem ser surpreendidos a meio do caminho, ficando assim expostos a um chapéu ou uma finta.

 

De todo o modo, mesmo assumindo que ainda está longe da perfeição, creio que Renan merece continuar como titular das balizas leoninas. Não só por ser talismã nos mata-mata, mas também por dar pontos durante o campeonato. De facto, não foi por ele que perdemos a competição máxima do calendário português, mas foi muito por ele que conquistámos 2 títulos na época passada. E creio que, mais do que uma embirração muitas vezes motivada consciente ou insconscientemente por motivos políticos, Renan merece a gratidão de toda a nação sportinguista. Deve, por isso, iniciar a nova temporada como titular. Na certeza de que na sua rectaguarda se vai desenvolvendo o mais do que previsível futuro dono das redes leoninas: Luis Maximiano, mais conhecido por Max, a caminho de ser um SuperMax.

 

As nossas redes estão em boas mãos.

renanribeiro.jpg

17
Jul19

Bruno, o craque "under pressure"


Pedro Azevedo

Líder, capitão, craque. Goleador, inspirador, melhor jogador. Influente, assistente, inteligente. Humilde, fiável, um "relógio suiço". Imune à pressão, sempre em alto rendimento, com compromisso e foco. Um jogador à Sporting!

 

#CraqueUnderPressure

bruno benfica.jpg

16
Jul19

Futebol de autor ou futebol de cada treinador?


Pedro Azevedo

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de base e um conjunto de princípios que são incorporados desde a Formação. Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, formando os seus próprios treinadores ou indo ao mercado procurar treinadores que se adequem a essa filosofia, ou, em alternativa, se consideram que essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas?

 

Aqui fica então o repto. 

16
Jul19

Quiz43 - Imperador


Pedro Azevedo

Central considerado muito promissor no Brasil (jogou no Vasco da Gama), teve uma passagem pela Madeira antes de se afirmar no Sporting. De leão ao peito alinhou 5 épocas até partir para Itália, ganhando uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Foi sempre titular, e esse é o melhor elogio que se lhe pode fazer numa época em que o clube tinha defesas como Valckx, Naybet, Beto ou Quiroga. Para além de ter sentido o apreço constante dos adeptos, recebeu o Prémio Stromp na categoria de futebolista profissional. Quem é?

 

Resposta: Marco Aurélio foi titularíssimo do eixo da defesa leonina durante os cinco anos em que vestiu de verde e branco. Por isso, e devido ao seu homónimo antigo governante de Roma, herdou o cognome de "Imperador". Proveniente do Vasco da Gama, chegou a Portugal através do União da Madeira, clube onde cumpriu 4 temporadas. Saiu do Sporting rumo a Itália, mas o tempo dos Imperadores já tinha passado e teve de contentar-se com clubes de menor nomeada, como o Vicenza, Palermo, Cosenza, SPAL e Terramo, jogando apenas duas épocas na série A. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores RCL, A. Pereira e Alberto Miguel acertaram. Por ter sido o primeiro, RCL foi o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos pela participação.

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16
Jul19

E depois do adeus...


Pedro Azevedo

Olhando para a realidade como ela é, e não para a percepção que se impõe dela - raramente limpa, como oposto do imaginado na citação de "Doors of Perception" de William Blake, e desejavelmente não quimicamente alterada, ao contrário do que propõe Aldous Huxley no livro homónimo - , há toda uma geração de jogadores que o Sporting perdeu porque teve treinadores principais que nunca olharam devidamente para eles. Ou se olharam, não viram, como diria o Dr Pôncio. Demiral, Domingos Duarte, Palhinha, Francisco Geraldes, Ryan Gauld ou Mama Baldé são apenas alguns exemplos. Quem não concorda com esta teoria geralmente apresenta um argumento: se esses jovens não jogaram com diversos treinadores, então é porque não têm categoria suficiente para a primeira equipa. Na minha opinião, esse argumento é frágil porque toma esses treinadores como os detentores da verdade absoluta. Porém, uma análise rápida permite concluir que falharam no passado nas avaliações que produziram. O caso mais flagrante será o que se passou com Bernardo Silva no Benfica quando Jorge Jesus era o seu treinador. Para além de não ter tido oportunidades, rezam as crónicas da época que JJ queria fazer dele um lateral esquerdo, uma invenção digna de mostra à Academia Real das Ciências. Outro caso é o de Demiral. O turco pode não ter convencido Jesus, ou mesmo Peseiro que o despachou de volta ao país de origem, mas não teve dificuldades em receber a aceitação de Allegri, que recomendou a sua contratação, ou de Sarri, que a ratificou por 18 milhões de euros quando chegou a Turim, dois treinadores de alto gabarito do futebol mundial. 

 

Outro problema de erro de paralaxe é a avaliação da nossa Formação não contemplar muitas vezes o valor relativo das coisas. Sentencia-se negativamente o valor do jogador A ou B proveniente da Academia, mas esquecemo-nos de avaliá-los comparativamente com os jogadores que vamos contratando no mercado. Pegando só nos casos mais recentes, eu não tenho dúvidas de que Eduardo (24 anos) mostrou qualquer coisa de distintivo no Belenenses, mas isso não foi mais do que aquilo que Geraldes (tem a mesma idade) exibiu no Moreirense - para quem já se esqueceu, destruiu o Benfica numa semi-final da Taça da Liga - ou no Rio Ave (11 assistências em 17/18) quando era ainda mais novo. Outras comparações podem mesmo estabelecer-se no desempenho observado em Alvalade: Matheus Pereira na época 15/16, aos 19 anos de idade, fez 18 jogos pela equipa principal, nos quais marcou 5 golos e produziu duas assistências, números em média por jogo semelhantes aos obtidos a época passada por Diaby (27 anos), o qual custou 5,5 milhões de euros. Simplesmente, essa aposta não teve continuidade para lá de uns lançamentos fetiche em jogos contra o Porto. E isto para não falar em Misic, Alan Ruiz, Elias, Markovic, Campbell, todos certamente muito fluentes em mandarim, ou, mais recentemente, Ilori ou Borja, que todos juntos custaram muito dinheiro em transferências, comissões e ordenados e não mostra(ra)m ser superiores a produtos da nossa Formação que ficaram em fila-de-espera eventualmente por não terem o guião correcto. Nesse sentido, é bom não esquecer que muitos daqueles produtos da nossa Formação de cuja carga agora nos queremos aliviar foram chamados de volta a meio da temporada de 2016/17 para esconder aquilo que foi um despautério de péssimas aquisições que redundaram no facto de 1 ano depois só Bas Dost ser titular, erro que desejo ardentemente não se esteja a repetir pois os melhores jogadores da equipa continuam a ser aqueles comprados em 2017/18 (Bruno, Acuña, Mathieu, Wendel).

 

Por fim, há uma ideia que à superfície aparenta fazer sentido que consiste em que já não há muito valor a apurar em jogadores da nossa Formação com idades entre os 22/25 anos e que as apostas devem ser feitas, sim, em jovens entre os 17 e os 21 anos provenientes da Academia. No entanto, quando vemos entrar um ainda lesionado Rosier (5M€ + Mama Baldé), percebemos que Thierry Correia poucas hipóteses irá ter. O mesmo acontece com a aquisição de Rafael Camacho (5M€?), continuando Elves Baldé a rodar fora de Alvalade e persistindo a interrogação sobre o futuro de Jovane, numa altura em que o Sporting tem uma hiper-inflacção de alas, o que até seria uma boa dor de cabeça se todos os adquiridos fossem de nível "top". 

 

O presidente do Sporting, Dr Frederico Varandas, sentenciou que havia défice de qualidade na Academia entre os 17-23 anos. Ninguém lhe perguntou se tal percepção se devia à sua convicção pessoal, à de técnicos especializados, ou se derivava de outras motivações. Por isso, à primeira vista, o número de jogadores da nossa Formação que se encontra em estágio é incongruente com esse ponto-de-vista. Porém, se virmos à lupa, verificamos que dadas as aquisições para médio defensivo observadas desde Janeiro (Doumbia, Matheus Nunes, Eduardo) dificilmente Daniel Bragança terá uma oportunidade, ele que ainda nem se estreou no estágio. O mesmo se passará com as opções nas alas, analisando os investimentos em Camacho e Plata. Haveria, no entanto, aqui uma boa oportunidade para os defensores da rotação por "buckets" etários mais baixos: vendia-se Borja (26 anos), aquele jogador a quem a meio do caminho parece faltar corda e que agora dizem estar super-hiper valorizado pela ida à selecção colombiana, e dava-se uma oportunidade a Abdu Conté, ou Nuno Mendes, de aprender com Marcos Acuña. Igualmente, porque já tem 26 anos, fazia-se o "write-off" de Ilori e punha-se Eduardo Quaresma (17 anos) a crescer ao lado dos consagrados Mathieu, Coates e Neto, podendo jogar na Taça da Liga e em alguns jogos da Taça de Portugal.  

 

Uma última reflexão, que repete uma outra que publiquei no "És a nossa Fé" em 1/9/2018, com o título de "E depois do adeus": "nenhum clube tão assiduamente, e na praça pública, trata os seus atletas como activos como o Sporting. Não estamos a falar de acções nem de obrigações, nem sequer de sobreiros mas sim de um outro tipo de seres vivos, com pensamento e vontade própria. No dia em que pensarmos o clube não como um entreposto de compra/venda de jogadores, mas sim como um clube de futebol que quer manter os seus melhores jogadores, rendibilizando-os do ponto-de-vista desportivo, financeiro (via proveitos ganhos com conquistas desportivas) e económico (merchandising assente nos feitos dos jogadores) estaremos mais perto de uma cultura de clube vencedora e de um modelo de Organização onde impere o respeito entre todas as partes. No entretanto, continuaremos a dizer sim a défices de exploração constantes, proliferação de importação de jogadores para as mesmas posições e outros desvarios que nos levarão, em pouco tempo, a consumir os proveitos inerentes ao contrato com a NOS. Depois, acordar será tarde." 

 

Parece ainda estar actual, não é? Ora, de forma a podermos manter os nossos melhores jogadores, ou vendê-los apenas por preços irrecusáveis, não se podem desperdiçar recursos - escassos na economia - em compras na classe média/baixa do futebol mundial. Para isso, complementa-se o plantel com a Academia, onde investimos uns milhões de euros anuais em infra-estruturas, atletas e técnicos especializados que conhecemos bem. 

 

P.S. Se o Demiral tem ficado no Sporting, aceitando ir jogar para os sub-23 como foi noticiado que lhe foi proposto, não seria hoje também alvo da narrativa daqueles que não veem valor na nossa Formação? É bom lembrar que o turco foi preterido em função de Marcelo, um central que poucos meses depois foi dispensado. Um filme que se repete, em sessões contínuas, no "cinema" de Alvalade. Depois do fado (1ª arte) de 17 anos sem ganharmos o campeonato, a Tragédia Grega (2ª arte) desencadeada por aquela abominável peripécia de Alcochete, o quadro das nossas finanças (3ª arte), o Scouting que faz tábua-rasa da nossa Formação (escultura/4ª arte), o Estádio e suas "funcionalidades" (arquitectura/5ª arte) e as narrativas de criação de uma percepção sobre a Formação (literatura/6ª arte), eis a "Sétima Arte" leonina em todo o seu esplendor. Os sportinguistas têm mesmo de ser muito resistentes...

15
Jul19

Quiz42 - Novo nome, nova ventura


Pedro Azevedo

Foi uma das contratações de valor mais elevado à época, tendo custado cerca de 1 milhão de contos (aproximadamente 5 milhões de euros) ao Sporting. Estávamos no final do século XX. Esquerdino desconcertante que alternava momentos de génio com falhas técnicas clamorosas, acabou por ser dispensado. Rumou então primeiro à Argentina, e depois a Espanha e México, onde recuperou um ciclo virtuoso para a sua carreira, então já com um outro apelido por influência de um reencontro familiar. Quem é?

 

Resposta: Bruno Gimenez chegou ao José Alvalade em 1997, proveniente do Estudiantes de La Plata. As expectativas em seu redor eram elevadas (o clube pagou por ele muito dinheiro para a época), mas acabaram por se gorar. Acabaria por sair 2 anos depois para o Independiente (empréstimo), sendo depois vendido ao Villareal. Em Espanha teve uma carreira interessante que passou também pelo Tenerife. Mas acabaria por ser na Argentina (de novo Independiente e Boca Juniors) e no México que a sua estrela viria a brilhar bastante, ganhando a Libertadores pelo Boca e o campeonato mexicano pelo Pumas. Neste último acumularia o título de campeão com o de melhor marcador do campeonato. Aí já mudara o nome (e a sorte) para Bruno Marioni, seguindo assim a orientação paterna (na viragem do milénio o pai conhecera finalmente o seu progenitor e decidira adoptar o seu apelido de familia, que como sabemos pela cultura hispânica vem antes do nome da mãe na certidão de nascimento).

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores João Santos, RCL, LMGM, Pedro Alexandre Dias e Pedro Alvaleide acertaram. Por ter sido o primeiro, João Santos é o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos os que participaram!

14
Jul19

Não ter valor, mas ter preço


Pedro Azevedo

Afinal a nossa Formação (acima dos 17 anos) não deve ser muito má. Demiral (3,5 M€), Tiago Djaló (0,5 M€), Félix Correia (7 M€) e Domingos Duarte (3 M€) renderam cerca de 14 M€ ao clube. Em comum têm o facto de nunca terem realizado um jogo oficial pela primeira equipa, com excepção do turco a quem foi concedida a "barbaridade" de 1 minuto de utilização num jogo a contar para a Taça de Portugal. Juntam-se assim aos habitués William (16 M€ por 75% do passe), Rui Patrício (12 M€) e Gelson (22.5 M€), e a João Mário que saiu por 40 M€. Já em relação a Jefferson (128) jogos pelo Sporting), André Pinto (41), Petrovic (39), Alan Ruiz (34), Bruno Gaspar (30), Misic (9) e Viviano (0), tudo jogadores pescados no mercado, aguardo ansiosamente pelo valor apurado das suas vendas, dado que o seu rendimento desportivo é de todos conhecido. O mesmo, um dia, em relação ao contingente comprado desde Janeiro (34 M€ investidos + Comissões de transferências do Mercado de Verão + ordenados) que demonstra que a nossa política desportiva não mudou assim tanto face a épocas anteriores, principalmente quando se insiste em comprar classe média. No fundo andamos a fazer Investigação Operacional: os miúdos da Formação vão para filas de espera; os contratados, para gestão de stocks ("n" alas, "n" médios defensivos). Afinal, nós somos mesmo bons é em matemáticas aplicadas. O que é pena é os nossos algoritmos e modelos de decisão não optimizarem o desempenho... 

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14
Jul19

Super Girão


Pedro Azevedo

Depois da tristeza que para mim representou a derrota de Federer em Wimbledon ("ich bin ein Federer-er"), principalmente da maneira como foi (2 match-points desperdiçados no seu serviço e três tie-breaks perdidos), nada como um Super Girão nas redes portuguesas para dar a todo o país a alegria de um tão ambicionado título de campeão do mundo de hóquei em patins, triunfo que nos fugia há 16 anos. Viva Girão, viva o Sporting, viva Portugal!

 

P.S. No fim do jogo, o hóquista João Rodrigues, um dos jogadores da Selecção Nacional presente neste Mundial, dizia que Girão merecia uma estátua. Um orgulho leonino, não vá algum jornalista se esquecer de o dizer. 

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14
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus(2) - Notas musicais


Pedro Azevedo

Inspirado em Fernando Santos, Keizer tentou a sua sorte ao mudar vários jogadores da sua posição natural. Esqueceu-se que está no clube onde já tudo foi tentado e inventado, e em que a Teoria do Caos iniciada no accionamento dos flaps de um avião numa viagem Salzburg/Lisboa teve como consequência a demissão de um grande treinador, a fatalidade que deixou paraplégico um dos nossos mais promissores jogadores e a perda do campeonato. Ainda assim, após Eduardo Quaresma ter actuado como lateral direito no primeiro jogo, coube agora a vez a Tiago Ilori, e Vietto e Matheus Pereira mantiveram-se a jogar em posições trocadas. Eis a análise individual aos leões:

 

Renan - Dia propício à utilização de adágios populares, com "cada tiro, cada melro" a rivalizar com "cada cavadela, cada minhoca".Trocando por miúdos, dois remates à baliza, dois tiros indefensáveis, dois golos. Há dias assim.

Nota: Mi

 

Luis Maximiano - No mesmo lance, primeiro foi capaz de identificar transferências e transformações de energia no movimento vertical de queda e ressalto da bola, depois, através da recta de regressão, soube calcular em fracções de segundo a altura do ressalto e o ponto óptimo de conexão com a bola. Não sei como será a sua carreira no Sporting, mas não tenho dúvidas sobre o seu futuro na física. Piada de Verão, de praia a pedir um gelado fresquinho: no meio de um ou outro perna-de-pau e de um Cornetto, ou Vietto, ou lá o que é, ele foi um Super Max. 

Nota: Si

 

Tiago Ilori - No centro ou na direita da defesa, o seu rendimento é sempre constante. Quer dizer, constantemente mau, bem entendido. 

Nota:

 

Thierry Correia - Se a invencibilidade está na defesa, a possibilidade de vitória está no ataque. Para já tem-se defendido bem dos ataques. Mais ousadia na frente e poderá ficar indefeso face ao... elogio. 

Nota: Sol

 

Neto - Santos da casa não fazem milagres e assim Neto safou-se por não haver VAR em St Gallen.

Nota:

 

Mathieu - Depois da sua, e da dos seus dois filhos, o francês vive agora a sua terceira infância ao lado do Neto. Está para durar.  

Nota:

 

Eduardo Quaresma - Quaresma implica alguns sacrifícios, tais como os suiços deixarem de marcar golos com ele em campo.

Nota:

 

Abdu Conté - Conté(m) com ele...

Nota:

 

Nuno Mendes - De que adianta ter o jovem perfeito, se quem nos agrada é aquele que não é bom (Borja)?

Nota: Sol

 

Eduardo - Na melhor nódoa caiu o pano do primeiro tempo. E com ele, o primeiro golo dos suiços.

Nota: Mi

 

Doumbia - À beira de um ataque de nervos. Já que estamos na Suiça, um jogo contra o Neuchatel Xanax poderia ajudar a acalmá-lo. 

Nota: Mi

 

Wendel - E se de repente um "desconhecido" (irreconhecível em campo até aí) lhe oferecer "flores" (sob a forma de um grande golo), isso é impulso de um bom jogador na calha para o estrelato.

Nota: Sol

 

Miguel Luís - A confiança perdida é difícil de recuperar. Ela não cresce como as garras de um leão ou, no caso, actual, de um gatinho. 

Nota: Mi(au)

 

Bruno Fernandes - Como dizia Cassius Clay, um campeão é feito de um desejo, um sonho, uma visão. E depois, de talento, claro. Bruno Fernandes é um campeão!

Nota:

 

Matheus Pereira - Às vezes interrogo-me se quer ficar. Voltou a insistir naquele jogo de cabine telefónica que tem marcado este seu reencontro com os leões. 

Nota: Mi

 

Raphinha - Voltou a estar envolvido num lance de golo. Participativo.

Nota: Sol

 

Camacho - Discreto, passou ao lado do jogo.

Nota: Mi

 

Vietto - Não vi "etto"... Com Matheus Pereira isolado na direita, insistiu no drible e perdeu a bola... 

Nota: Mi

 

Plata - Os alas que nos agarram ao jogo seguram a bola como se tivessem uma tenaz. Não é o caso do equatoriano. A diferença entre ser tenaz ou ter tenaz.

Nota: Mi

 

Luíz Phellype - Mais em jogo que na partida anterior, ainda não é o Felipe das Consoantes a que nos habituou. À procura da melhor condição física.

Nota:

 

Bas Dost - "Cheguei, vi e não venci". Pouca bola.

Nota: Mi

 

13
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Super Max


Pedro Azevedo

O Sporting visitou a cidade de St Gallen, famosa por uma Abadia erigida (Século VIII) em memória de São Gall (ou Gallus) - discípulo irlandês de São Columbano em missão de pregação da palavra de Deus naquela zona nos séculos VI e VII depois de Cristo - onde certamente os leões terão tido uma boa oportunidade de pedir perdão pelo equipamento utilizado hoje, em especial o calção verde-chocante.

 

A penitência veio sob a forma de um jogo contra a equipa local que milita no 1º escalão do futebol suiço. E a verdade é que durante a primeira parte a equipa mostrou-se à altura da redenção. Alinhando de início com 6 titulares do encontro anterior (Renan, Neto, Mathieu, Wendel, Bruno Fernandes e Raphinha), o jogo não poderia ter começado melhor para os leões, que logo aos 2 minutos inauguraram o marcador. O autor do golo foi uma vez mais Bruno Fernandes, de recarga após um primeiro remate de Raphinha defendido pelo guardião helvético. Uma vez mais, maiato e brasileiro envolvidos num golo, eles que já haviam sido preponderantes contra o Rapperswil. Assinale-se que durante este período o Sporting mostrou boa dinâmica e trocas de bola com intenção, com destaque para as subidas constantes do lateral Abdu Conté, perdendo várias oportunidades de dilatar o marcador, desde um remate de Bruno Fernandes brilhantemente defendido pelo guardião helvético até uma perdida incrível de Ilori quando se encontrava praticamente encostado ao poste. O 2º golo acabaria pois por aparecer com naturalidade, com Wendel a disparar um míssil à entrada da área após um excelente passe de 30 metros de Bruno. Só que um erro de principiante de Eduardo na cabeça da área iria permitir aos suiços regressar ao jogo antes do intervalo. Deste primeiro tempo, menções honrosas para Bruno Fernandes ("who else"?), Neto, Mathieu, Conté, Wendel e Raphinha. Em sentido contrário, Camacho voltou a não deslumbrar, o mesmo se passando com Eduardo e Ilori, enquanto Luíz Phellype ainda se mostra sem ritmo, ele que é um jogador pesado e que precisa de estar na sua melhor forma física para ter o melhor rendimento.

 

A etapa complementar voltou a revelar a escassez de opções de qualidade da equipa do Sporting. Vietto passou ao lado do jogo, numa permanente indefinição entre a ala e a zona central do terreno, Doumbia não mostrou segurança na saída de bola, Matheus voltou a apresentar um futebol miudinho no centro para onde foi deslocado por hiper-inflacção de alas, Plata revelou-se trapalhão (não cola a bola ao pé), pelo que os melhores acabaram por ser 3 miúdos da nossa Formação: Thierry Correia (melhor a defender do que a atacar), Nuno Mendes (afoito pela banda esquerda) e Max. Este último foi providencial no empate obtido pelo clube de Alvalade, parando com enorme classe duas grandes oportunidades helvéticas.

 

À laia de conclusão, mais do que continuarmos a enterrar a cabeça na areia com a desculpa das cargas físicas e dos jogos-treino - diz-me como treinas, dir-te-ei como jogas - , o que fica claro é que falta qualidade para acompanhar Bruno, Mathieu, Acuña, Raphinha ou Wendel. Os reforços (12 desde o Inverno), com excepção de Neto, não sendo maus jogadores (gosto muito de Matheus Nunes que não foi para estágio, e Doumbia é daqueles jogadores que precisa de encontrar a sua forma física para ter rendimento), não acrescentam nada de especial às lacunas que já tínhamos, pelo que uma eventual saída de Bruno Fernandes, mesmo que colmatada com alguma nova aquisição, irá enfraquecer fortemente a nossa equipa. O contrário, só por milagre. E Almada City vir para Lisboa estou em crer não ser um milagre suficiente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Max

wendel suiça.jpg

12
Jul19

Uma leoa de saltos prateados


Pedro Azevedo

Evelise Veiga, atleta do Sporting, conquistou hoje a sua segunda medalha de prata nas Universíadas ao terminar em segundo lugar na disciplina de triplo-salto. Relembro que a outra medalha conquistada para Portugal pela promissora atleta leonina havia sido conseguida no salto em comprimento, competição também do programa do atletismo. Depois de uma excelente participação nos Jogos Europeus, Evelise continua a prometer uma extraordinária carreira. Pelo menos, a avaliar pelos seus recentes resultados, à vontade nas grandes competições não lhe parece faltar. Marca inequívoca de uma campeã. Do Sporting, pois claro.

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12
Jul19

É bom não esquecer...


Pedro Azevedo

... Fernando Peyroteo, o maior goleador mundial de todos os tempos no rácio número de golos por jogos disputados. 

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Para quando uma estátua de Peyroteo à entrada do José de Alvalade, de forma a assinalar inequivocamente a todos os sportinguistas (e desportistas em geral, inclusivé os milhares de visitantes estrangeiros anuais) o orgulho que temos na valia deste atleta que vestiu de leão ao peito durante doze anos?

 

PS: Cristiano Ronaldo e Figo, dois Bola de Ouro, têm um imenso significado para nós e para a afirmação da nossa Formação, mas Fernando Peyroteo foi enorme com a nossa camisola vestida. E isso faz toda a diferença.

 

 

12
Jul19

And now for something completely different - King Federer


Pedro Azevedo

Roger Federer está na final de singulares de Wimbledon após bater Rafael Nadal por 3-1 (7-6, 1-6, 6-3, 6-4), num jogo épico e de uma qualidade tremenda. Em especial, os dois últimos jogos de serviço do quarto set foram um hino ao ténis, com match-points para Federer e possibilidades de quebra de serviço de parte a parte. Fan-tás-ti-co!

 

PS: a menos de 1 mês de completar 38 anos, "Fed Express" vai agora defrontar o sérvio Novak Djokovic na final. Se vencer, será o 21º título de Grand Slam (singulares) da sua carreira.

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12
Jul19

Silly season (3)


Pedro Azevedo

No dia em que A Bola revela que o presidente da FIFA tem melhor opinião sobre a nossa academia do que certos sportinguistas, o Record apresenta um manifesto pró-Dantas (já cá não mora o Almada Negreiros...) e O Jogo mostra um Marcano arrependido após ter saído a custo zero (e voltado por três milhões de euros). 

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11
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus(1) - Notas musicais


Pedro Azevedo

De Dó Menor a Dó Maior:

 

Renan - À sombra (sempre entre os postes), nem precisou de protector solar.

Nota:

 

Max - Saiu queimado pelos infra-vermelhos (3º escalão) suiços.

Nota: Mi

 

Thierry Correia - Deu para ver que a marcha-atrás engrena bem, faltou observar como entram a quarta e quinta mudanças. Sendo o seu forte a Correia de transmissão, novos testes o aguardam a nível de embreagem e caixa de velocidades.

Nota: Sol

 

Eduardo Quaresma - A somar ao primeiro jogo pela equipa principal ainda o puseram a jogar fora da sua posição natural (central). Não se faz. Bem sei que o seu apelido é Quaresma, mas talvez não lhe devesse ter sido pedido tal sacrifício. Ainda assim, mostrou forte personalidade. Não é um prodígio de técnica, mas não se esconde do jogo e tenta adaptar-se da melhor forma às circunstâncias, algo que me leva a pensar que um dia chegará longe.

Nota: Mi

 

Neto - Delegado da segurança no trabalho, com a sua acção preveniu fogos e acidentes pessoais. Deu-lhe muito jeito ter ali ao lado o avô Mathieu para o ajudar...

Nota: Sol

 

Mathieu - O Ministro da Defesa foi imperial. Como (quase) sempre, diga-se.

Nota: Sol

 

Ilori - O buraco no ozono leonino por onde passaram os raios infra-vermelhos que atormentaram Max.

Nota: Ré(u)

 

Ivanildo - Estava ele a parar para provocar o fora de jogo quando Ilori também parou... o cérebro, um tipo de sincronia psicomotora que deve ter causado irritação a Keizer. Jogo ingrato.

Nota: Mi

 

Nuno Mendes - Sentiu dificuldades de posicionamento iniciais típicas de um miúdo de 17 anos, mas foi crescendo ao longo do jogo. 

Nota:

 

Abdu Conté - Parece menos arranca-e-pára que Borja.

Nota: Sol

 

Doumbia - Não deixou os suiços pôr o pé em ramo verde e mostrou critério na saída de bola.

Nota: Sol

 

Eduardo - A ele aplica-se na perfeição aquela música do António Variações do "só estou bem aonde não estou, só quero ir aonde não vou...". Foi um "6" a piscar o olho ao "8", acabando por não se dar bem com essas variações. Voltando a citar o cantor, vai continuar a procurar a sua forma e o seu lugar...

Nota: Mi

 

Wendel - O elo mais fraco na primeira parte. Refilão e desconcentrado, pode render muito mais.

Nota: Mi

 

Miguel Luís - Passou ao lado do jogo.

Nota: Mi

 

Bruno Fernandes - A revolta do fado leonino. Profissional a 100%, dá sempre o máximo que a condição física permite em cada momento. Apesar da carga de treinos, deixou no campo o perfume do seu futebol. O melhor em campo.

Nota:

 

Matheus Pereira - Fora da sua posição natural, tabelou até à exaustão, mas invariavelmente encontrou uma parede à sua frente. Numa das raras excepções isolou Luiz Phellype, mas o ex-pacense não estava nos seus dias.

Nota:

 

Raphinha - É capaz de pescar um robalo de 10Kg e depois devolvê-lo ao mar. Falta-lhe mais propósito no seu jogo, pois a qualidade está lá.

Nota: Sol

 

Vietto - Sentiu algumas dificuldades em se adaptar à ala esquerda, revelando um comportamento sobrevirador para a sua direita, permanentemente procurando espaços interiores. Um bom remate por cima da barra.

Nota:

 

Plata - Muito inventivo no 1x1, mostrou uma boa gama de fintas. Numa diagonal a jeito do seu pé esquerdo acertou na barra da baliza suiça. Muitas dificuldades nas combinações com os colegas, a revelar que tem muito trabalho técnico/táctico pela frente. Mas a qualidade está lá. Em bruto (habilidade).

Nota: Sol

 

Camacho - Pouco se viu na ala esquerda, talvez por estar mais habituado ao lado direito. Foi pouco influente e não desequilibrou, embora tácticamente e na compreensão do jogo se tivesse revelado mais maduro que Plata.

Nota: Mi

 

Bas Dost - Acertou no poste logo aos 9 minutos, mas mostrou estar longe da sua melhor condição física. Apesar disso, procurou combinar com os seus companheiros.

Nota:

 

Luiz Phellype - Um dos piores jogos que lhe vi fazer. Lento a reagir, perdeu uma boa oportunidade após assistência de Matheus Pereira.

Nota: Mi

10
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Entrada de cordeiro


Pedro Azevedo

O Sporting estreou-se contra o Rapperswil, a melhor equipa... do Lago Oberer, e "meteu água". Pertencente ao terceiro escalão suiço, o Rapperswil, treinado pelo português Pedro da Silva, não incomodou na primeira parte, período em que o Sporting actuou com o teóricamente melhor "onze" entre os jogadores que estão em estágio. Com Bruno Fernandes a jogar na sua posição habitual do 4-3-3, Luciano Vietto foi desviado para a esquerda (eu já tinha antecipado que isto iria acontecer), adicionando mais um elemento à hiper-inflacção de alas (8) - parece que ainda queremos mais um, para além de Jovane, Diaby e Acuña (espero que seja lateral) que não actuaram hoje - do plantel leonino. Ainda assim, o primeiro tempo foi agradável, com Doumbia a dar saída de bola com critério e rapidez, Thierry Correia (seria necessário Rosier?) a destacar-se pela velocidade na recuperação, Neto e Mathieu a oferecerem segurança, Raphinha a causar perigo em diagonais e Bruno a fazer a diferença no passe de ruptura. Assim, após uma primeira oportunidade desperdiçada por Dost (remate ao poste), o melhor jogador da Liga 2018/19 facturou de penálti. Raphinha e o próprio Bruno tiveram acção preponderante nos dois lances. Até ao intervalo, o Sporting continuou a dominar, ficando a dever a si próprio dois golos que estiveram nos pés de Raphinha.

 

Para a etapa complementar, Keizer rodou os 11 jogadores. Os sintomas de hiper-inflacção de alas foram evidentes quando Matheus Pereira foi desviado para o meio, tal a abundância nos extremos. Plata foi para a ala direita e Camacho para a esquerda. Diga-se que o equatoriano esteve bem melhor do que o ex-Liverpool no 1x1, embora tenha denotado muitas dificuldades em combinar com a restante equipa. Como sabemos da economia, quando se continua a fazer compras como se tivessemos uma rotativa de impressão de moeda (não há dinheiro), fomenta-se a hiper-inflação. Associada a ela, acontece a recessão e concomitante desvalorização dos activos com risco. O activo(?) Ilori chegou-se logo à frente, aprestando-se a confirmar a teoria em dois lances decisivos que deram a vitória aos helvéticos, mostrando que o valor pago pela sua aquisição dificilmente será recuperado. À frente da defesa, Eduardo foi demasiado macio, nomeadamente no primeiro golo dos suiços onde o médio portador da bola teve todo o tempo do mundo para solicitar o seu avançado. Talvez não fosse mal pensado deslocar o brasileiro para a posição "8", onde me parece que Miguel Luis está sem confiança e Wendel pode dar mais. O problema é que "oitos" há muitos, mas o melhor é Bruno Fernandes, o qual é absolutamente necessário como "10" (agora que já não há Geraldes), a não ser que Keizer o faça recuar e ponha Vietto a jogar na posição no terreno condizente com o número da sua camisola, solução que não me parece plausível em muitos jogos. Portanto, este primeiro ensaio mostrou-nos que temos quantidade de sobra em várias posições, mas também continua a faltar aquela qualidade que faça a diferença, mesmo jogando contra uma equipa de terceira linha.   

 

Pese os desequilíbrios evidentes no plantel, uma equipa começa a desenhar-se de trás para a frente. Com a integração de Coates e de Acuña, a categoria de Mathieu e o reforço de Neto não me parece que tenhamos problemas por aí. Mas a maioria dos jogos em Portugal ganham-se com jogadores que façam a diferença do meio campo para a frente. É certo que é muito cedo para tirar conclusões definitivas, mas temo que sem Bruno esta equipa vá perder ainda mais qualidade. Nesse sentido, com ou sem ele, sacrificaria muitos alas e médios defensivos do plantel - Matheus Nunes, bom jogador contratado em Janeiro, nem convocado para o estágio foi, e ainda há Battaglia e Bragança, para além dos utilizados Doumbia e Eduardo - por um ponta de lança, que pudesse simultaneamente ser decisivo na área e ter mobilidade, e um "oito" com mais golo e chegada à área que Wendel. É que há uma outra regra de economia que nos diz que os recursos são escassos. Como tal, deverão ser utilizados (aplicados) de uma forma eficiente.  

 

Tenor "Tudo ao molho": Bruno Fernandes

 

P.S. Desde Janeiro, o Sporting contratou 1 defesa direito, 2 centrais, 1 defesa esquerdo, 3 médios defensivos, 1 ponta de lança e 3 alas. Para as posições "8" e "10" não contratámos ninguém (Vietto será um "mezzapunta" e não um "10", e jogará numa ala se Bruno ficar).

P.S.2 Vem o Eduardo, que desvaloriza o Doumbia, que por sua vez desvaloriza o Matheus Nunes (últimas 3 contratações para a posição), que desvaloriza o Bragança. Quando voltar, o Battaglia desvaloriza todos os outros. Nas alas é ainda pior: o Vietto, recambiado para lá e fora da sua posição natural, desvaloriza o Camacho, que por sua vez desvaloriza o Plata (últimas contratações), que desvaloriza quem já lá estava (Jovane). E ainda há o Raphinha, o Diaby e o Matheus Pereira. Para não falar do Acuña, que o melhor que tem a fazer é recuar para lateral esquerdo a fim de que o Borja não desvalorize... a equipa. 

P.S.3 Se Bruno ficar, é possível que Keizer seja tentado a jogar num 3-5-2, de forma a tentar compatibilizar Bruno com Vietto. Imaginem uma equipa com Renan; Coates, Mathieu, Neto(Borja); Ristovski, Doumbia, Wendel, Bruno e Acuña; Vietto e Dost. Nesse cenário, não haveria lugar para qualquer um dos alas. Quantos temos? 

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10
Jul19

Silly season (2)


Pedro Azevedo

A Bola inova com uma primeira página totalmente dedicada a publicidade e O Jogo diz que o Sporting quer Brekalo (não seria melhor acelerá-lo?).

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09
Jul19

O Sporting com que eu sonho


Pedro Azevedo

Sonhar é bom. Provavelmente, será a única coisa que nos permitirá contrariar a velha máxima de Ortega Y Gasset e não nos adaptarmos a circunstâncias que belisquem com a ética, a preocupação com o nosso semelhante e o sentido colectivo da humanidade. A ética é estarmos à altura daquilo que nos acontece. Abro então aqui um parêntesis para falar daquilo que nos aconteceu: Bruno de Carvalho teve um primeiro mandato bom. Devolveu a esperança aos sportinguistas, de uma penada só foi capaz de cortar mais de 20 milhões de euros em custos com pessoal, recuperou percentagens importantes de direitos económicos de jogadores, fez crescer as assistências em Alvalade, aumentou exponencialmente o número de sócios. Como não há bela sem senão, o excesso de adjectivação do seu discurso - o presente indica que infelizmente fez escola em diferentes franjas de sportinguistas - e a contratação de Jesus, a qual no meu entendimento precipitou indirectamente o seu canto do cisne. Tendo o seu segundo mandato, para o qual foi eleito com cerca de 90% dos votos (sinal inequívoco do reconhecimento dos sportinguistas)  começado de forma auspiciosa com a inauguração do Pavilhão João Rocha, a pressão inerente à conquista do título nacional de futebol e alguns tiques da sua personalidade deitaram tudo a perder. O discurso guerreiro para o exterior passou a ser canalizado para dentro, numa espécie de caça às bruxas que a dado momento ganhou uma forma de descontrolo total. Sendo certo que lhe são imputadas diversas violações dos Estatutos do clube - os Tribunais sentenciaram contra si, mas é preciso não esquecer que o CD tinha um parecer favorável de um professor como Menezes Cordeiro - , foi essencialmente a falta de bom senso mostrada numa frente aberta com os jogadores (e não só), Alcochete e as rescisões de contrato de vários profissionais que viraram os sportinguistas contra si. Nesse sentido, eu próprio senti que ele já não era uma solução, mas sim um problema, e decidi em conformidade em matéria de destituição. Até aí Bruno de Carvalho só poderia queixar-se de si próprio, inclusivé do facto de ter sido destituído. O que se viria a passar a seguir foi mau de mais. Em parte, também devido a ele, à radicalização do discurso que trouxe para dentro do clube, que permitiu que a troca de opiniões entre sportinguistas se tenha extremado. Mas não foi só, tudo o que aconteceu posteriormente significou para mim a perda de ilusão de que somos diferentes. Essa foi, no essencial, a razão pela qual não alinhei no espectáculo grotesco que alguns sportinguistas têm vindo a dar ao país. Ataques ad-hominem, revanchismo, de um lado, ressabiamento e perturbação da ordem, de outro, não são só formas erradas de viver o sportinguismo, são formas desumanas de viver em sociedade. E o pior de tudo é a forma como isso tem sido industriado por putativos fazedores de opinião sportinguistas, os quais certamente lavam posteriormente as mãos como Pilatos, sem rebate de consciência e indiferentes às consequências das suas palavras. Na vida não vale tudo. Nomeadamente, não vale assassinar socialmente alguém, por muito que por todos os actos do próprio se possa melhor falar em suicídio assistido. Fechado o parêntisis BdC, interessa agora pensar como evoluiremos daqui.

 

É preciso estarmos à altura daquilo que nos acontece. Um líder não deve conduzir os destinos dos seus permitindo ques estes estejam envoltos na raiva ou ira. Se o fizer, estará a escudar-se a si próprio, salvaguardando-se, e não a cumprir o objectivo da sua liderança, o qual deve ser colectivo. Essa posição (reactiva) não pode nem deve ser permanente, se é que sequer tem cabimento nalgum momento. Já passou demasiado tempo. É preciso manobrar para ganhar liberdade de acção, reduzir vulnerabilidades, ser activo. Lideranças que se aproveitem da divisão nunca são duradouras, e dividir para reinar nada tem a ver com a união. Numa familia sempre haverá opiniões dissonantes, isso é bom, sinónimo de vitalidade. O que não deve existir é divisão, nem nos devemos permitir que pequenos grupos opostos de extremistas, que se alimentam entre si, tomem o papel central num clube onde a maioria dos sócios, adeptos e simpatizantes são moderados e não se revêm em radicalismos e linguagem e gestos primários. O que fazer então? É importante que se canalize as gentes, todas as gentes, para um sonho comum. Mobilizando-as, inspirando-as, envolvendo-as, resgatando-as uma a uma, sempre pela positiva e vendo as suas ideias como uma força e não como uma ameaça. Ideias geram conectividade, a sua ausência, mera separação. Não evoluiremos enquanto houver um sentimento anti no Sporting. As causas importantes provêm do coração, do amor, não do ódio. Traumatizados, cansados, exauridos digamos não ao maniqueísmo, não ao preto e branco, abramos uma janela de esperança. É importante que se comunique o porquê de sermos Sporting, o que nos traz aqui, aquilo em que acreditamos e a razão de nos levantarmos de manhã. Esforço, dedicação e devoção são o tijolo, mas é preciso o cimento que lhe dê consistência colectiva. Não podemos cair no vale do desespero, sem esperança e a viver as dificuldades de ontem, hoje e amanhã. Temos de nos reerguer e construir um clube onde não existam estigmas e apenas orgulho do carácter de cada membro. Um clube integrador, interclassista, que valorize a contribuição de cada um, a sua voz, para além do aspecto monetário. É que nem tudo o que conta pode ser contado: qual o valor da paixão, do amor? Ao contrário do que se tentou propagar, não resolveremos isto numa Assembleia, num dia, em cem dias. Mas que isso não seja a razão para que não começamos a colar as peças. Como um dia Kennedy proferiu nas Portas de Brandenburg, não perguntem o que o Sporting pode fazer por Vós, mas sim o que cada um pode fazer pelo clube, de forma a que se cumpra o desígnio do nosso fundador. 

 

Eu sonho com um clube renascentista, onde se estimule a criação e floresça a capacidade de realização. Um clube disruptivo, que desafie o actual status-quo do futebol português com inteligência. Um clube inovador, criativo, imaginativo, inclusivo, onde os sócios, adeptos e simpatizantes não sejam catalogados em sub-espécies. Portanto, adaptando os Lusíadas, que cesse tudo o que musas antigas cantam, que valor mais alto se alevanta. A partir de agora só há uma missão, um objectivo, um desígnio: todos poderem dizer em uníssono "Eu sou um Sportinguista". Tem a palavra a Direcção. 

 

PS: João Rocha cumpre hoje 89 anos. Ele vive (dentro de nós). 

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