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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

30
Set19

A importância do sujeito na comunicação


Pedro Azevedo

Na comunicação, o sujeito é mais importante que o objecto (assunto). Torna-se por isso importante saber viajar até ao filtro do(s) interlocutor(es). A cultura portuguesa é conflitual, não confronta no imediato. As coisas vão ficando por dizer até que há uma explosão. Da mesma forma (perdoe-se a imagem) que quem não espreme uma borbulha pode acabar com um furúnculo putrefacto, quem não ataca os problemas - e aqui houve um conflito inicial latente com certas franjas de Sportinguistas que passou a manifesto, independentemente da má vontade dessa oposição, pela forma inábil como Varandas foi pondo todas as responsabilidades na sua herança (nunca reconhecendo alguns méritos), em vez de encerrar o assunto (o passado não se pode mudar, o futuro sim) e caminhar para a frente - e passa a vida a queixar-se dos seus interlocutores (no caso, os sócios do Sporting) é especialista em criar conflitos, transformando assim um confronto de opiniões numa guerra. No caso concreto actual, vis-a-vis a desastrosa - não sou muito de adjectivos, mas as coisas são o que são - preparação desta época desportiva, o que Frederico Varandas deveria ter feito desde o início era mostrar que sabia escutar, procurando entender a mensagem e perceber o que lhe estavam a transmitir. Após isso, então sim, acusar a recepção do estado de espírito dos seus interlocutores, valorizando-os dessa forma, mostrando empaticamente que percebeu, tomou boa nota do que lhe transmitiram, aprendeu com os erros e vai procurar corrigir. 

 

Quando um presidente de um enorme clube decide comunicar à sua gente, deve fazê-lo com abertura e eficácia. Como tal, deve renunciar à necessidade quase doentia de mostrar que tem razão, a qual ontem se assemelhou a uma atitude infantil e birrenta, certamente não a forma ideal de procurar a absolvição junto dos Sportinguistas que o contestam, hoje em número bem maior do que aquele grupo mais ortodoxo de defesa do ex-presidente que durante algum tempo, curiosamente, lhe serviu de seguro de vida (estratégia de visão curta, interessante do ponto de vista da preservação pessoal mas lesiva para o clube) para manter os moderados do seu lado. Ao escolher esse caminho de defesa, a que adicionou um tom sempre recriminativo para com os Sportinguistas (facto que não ocorre pela primeira vez), Varandas mostrou que não os valoriza, e isso, mais do que um erro de comunicação, expôs um traço de personalidade que não augura nada de bom para o futuro. 

29
Set19

Don't cry for me Sporting!


Pedro Azevedo

Deixo aqui a sugestão a todos os Sportinguistas para procurarem nas Gravações Automáticas da vossa "box" o programa a "A Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio" transmitido na madrugada de Sábado para este Domingo, pelas 01H50, na RTP3. Este programa, apresentado por Carlos Manuel Albuquerque e com os comentadores residentes Rui Manuel Tovar e João Nuno Coelho, contou desta vez com a participação especial, no estúdio, da viúva do nosso grande Hector Yazalde. Os mais saudosistas poderão recordar imagens de vários golos do Chirola, os mais novos e que nunca o viram jogar poderão conhecer melhor este fantástico jogador. Acresce que Carmen Yazalde conta várias histórias que atestam que, para além de grande goleador, o argentino foi um homem com um coração generoso e bom. Que tinha um grande amor ao Sporting. Emocionante, tocante, a não perder! Viva Yazalde (sempre na nossa memória), viva o Sporting!

 

P.S. Para saber mais sobre Yazalde, não perder as excelentes entrevistas de Rui Miguel Tovar a Carmen Yazalde sobre a vida do nosso ex-jogador (disponíveis na "net").

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29
Set19

Outros "grandes malucos"


Pedro Azevedo

O Sporting ganhou a Taça Continental (antiga Supertaça Europeia) de hóquei em patins, arrecadando assim o único troféu europeu da modalidade que faltava nas vitrines do museu em Alvalade. Depois de vencer taças dos campeões/Liga Europa (2), taças dos vencedores das taças (3) e taças CERS (2), o Sporting bateu o FC Porto por 3-2 e conquistou assim a Taça Continental. Num jogo muito equilibrado, para os leões marcaram Gonzalo Romero (2) e Raul Marin (golo decisivo a 2 minutos do fim). Parabéns leões!!!

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29
Set19

Matheus Pereira!


Pedro Azevedo

Nos últimos 4 jogos pelo West Bromwich Albion, Matheus Pereira teve em cada um pelo menos uma acção decisiva nos golos da equipa de Birmingham. No início desta série, em casa frente ao Blackburn (3-2), Matheus fez duas assistências para golo. De seguida, de uma sua tentativa de canto directo, defendida como pôde pelo guardião adversário, resultou o golo do empate em Londres, contra o Fulham (1-1). Na semana passada, mais uma assistência para golo na vitória caseira sobre o Huddersfield (4-2). Finalmente, ontem marcou o golo que encerrou o marcador, na vitória em Londres, face ao Queens Park Rangers (2-0). O WBA lidera o Championship (2ª divisão inglesa), com 19 pontos em 9 jogos (sem derrotas).

29
Set19

"Grande maluco"


Pedro Azevedo

Aos 43 anos, João Vieira é vice-campeão do mundo dos 50km Marcha. O veteraníssimo atleta do Sporting conquistou esta madrugada a medalha de prata no Mundial de atletismo que tem estado a decorrer em Doha, no Qatar. Um "grande maluco", por certo.

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29
Set19

Ó Teresa!


Pedro Azevedo

Começando por dar a entender que Silas foi a enésima solução encontrada após terem falhado todas as de treinadores europeus e de treinadores portugueses com currículo europeu, Frederico Varandas de seguida usou a opinião de um desses técnicos abordados para dizer que a instituição a que preside é um clube de malucos, não esclarecendo se já o seria quando os sócios o elegeram ou se o fenómeno é recente e simultâneo à sua presidência. 

 

Durante a entrevista, Varandas apelou algumas vezes à necessidade de ser dado tempo ao Conselho Directivo e à administração da SAD, tempo esse que os próprios vêm negando a sucessivos treinadores, tendo o clube já conhecido 5 técnicos num ano de trabalho deste elenco directivo. Deste modo, concluí que a noção que Varandas tem do seu tempo é diferente da que tem do tempo dos outros, o que para mim faz sentido na medida em que o presidente parece viver numa realidade alternativa.

 

Nessa realidade alternativa, não há dinheiro para contratar jogadores quando o Sporting investiu 40 milhões de euros em aquisições desde Janeiro, um treinador ganha dois títulos e posteriormente é que sente dificuldades em se adaptar, o grupo de trabalho sem Dost, Raphinha e Nani é mais valioso do que o do ano passado, não houve tempo para inscrever Pedro Mendes na Liga mas já o houve para um "road show" promocional de Bruno Fernandes no Mónaco e para inscrever 3 emprestados, não há uma varinha mágica para transformar um miúdo de 16 anos num de 21 mas já há para fazer desaparecer qualquer miúdo formado no clube com mais de 19 anos e um assunto que primeiro é considerado interno (Jovane) é no segundo seguinte tratado na praça pública (carta falsa). Posto tudo isto, fiquei só com a dúvida sobre que realidade estamos a falar quando Varandas diz que quem chegar a seguir vai apanhar um clube 10 vezes pior. 

 

Agora, já deitado, vou tentar dormir, algo que não tem sido fácil nos últimos tempos. Mas estou esperançoso numa noite retemperadora. É que Varandas deu-me um trunfo: em vez de contar carneirinhos para tentar adormecer, vou tentar repetir vezes sem conta "Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teres...Tere...Ter...Te...T...Zzzzzzzzzzz".

 

P.S.1 Com Varandas a colocar o "clube dos malucos" na agenda mediática desta forma, desconfio que Luis Filipe Vieira será quem irá dormir melhor depois dos desacatos na AG do seu clube... 

P.S.2 Não querer ver que um presidente não pode desvalorizar o seu clube (e os seus sócios) desta forma, é não ter a noção que o valor de uma marca passa muito pela percepção que se tem dela. Depois não se queixem de falta de patrocínios e dos prémios de risco que as instituições financeiras cobram...

28
Set19

Desacatos na AG do Benfica


Pedro Azevedo

Diz a TVI24 que Luis Filipe Vieira agarrou o pescoço de um sócio contestatário durante a AG do Benfica. Mas alguém ainda tem dúvidas de que LFV é perito no mata-leão? Só que em Alvalade, pátria dos leões, aplaudem e dão o Benfica como um exemplo...

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27
Set19

Silas


Pedro Azevedo

Silas foi hoje apresentado como novo treinador do Sporting. Conheci o Jorge estava eu no fim da minha adolescência. Um dia o meu pai anunciou a mim e ao meu irmão que iríamos levar no Domingo seguinte à bola um rapazinho filho de um senhor a quem o meu pai confiava o arranjo de alguns relógios antigos. Esse senhor, que mais tarde vim a perceber ser o padastro do Silas, creio que tinha trabalho nesse fim de semana e não se poderia deslocar a Alvalade pelo que o meu pai terá tomado a si a tarefa. Recordo-me como se fosse hoje do Jorge todo vestido à Sporting, com meias, calções e camisola do equipamento tradicional do Sporting como até aí sempre o conheceramos, que aquela descaracterização produto da submissão ao marketing só surgiria mais tarde e naquele tempo só muito pontualmente se vestia a Stromp ou o alternativo branco. Posso, por isso, afiançar a todos os Leitores de "Castigo Máximo" que o Jorge Silas era Sportinguista genuíno desde pequenino. 

 

Nunca mais vi ou falei com o Silas. O pequeno Jorge cresceu e um dia, num almoço de família, o meu pai, que continuara a manter o contacto com aquele senhor relojoeiro, alertou-me a mim e ao meu irmão que aquele rapazinho que um dia tínhamos levado a Alvalade estava a jogar no Atlético. A partir daí, segui a sua carreira com interesse, torci por ele, nomeadamente aquando das suas passagens como jogador por Leiria e Belenenses, clubes onde as suas qualidades técnicas terão sido mais sublimadas.

 

Quando assumiu as funções de treinador gostei de o vêr a pensar "à grande", apesar da menor qualidade técnica dos jogadores que tinha a seu cargo provavelmente aconselharem uma maior contenção. Mas a vida é dos audazes e o Silas escolheu viver assim e só por isso já mereceria o meu respeito. É que são as escolhas que fazemos que definem quem nós somos e o Jorge escolheu viver e morrer pelas suas próprias convicções independentemente do contexto, o que só lhe fica bem. 

 

Todos sabem que eu preferiria um outro modelo, em que houvesse um Director Técnico que se sobrepusesse à actual à actual Estrutura e onde um treinador jovem com ideias de um futebol positivo como o Silas até poderia encaixar com outro respaldo. Adicionalmente, a minha desilusão com quem comanda o Sporting é muito grande e já não consigo conter a falta de crença na "Estrutura", que temo não seja o melhor entorno para um ainda inexperiente, pese embora ambicioso, técnico. Dito isto, que não fiquem dúvidas de que quererei sempre o melhor para o "meu" Sporting. E também quererei sempre o melhor - nunca o sobrepondo ao Sporting, sempre o "bem maior" para mim - para aquele rapazinho, hoje homem crescido, que um dia levei à bola. Que sejas feliz, Jorge Silas! Os Sportinguistas ficar-te-iam eternamente gratos. 

 

P.S.1 Elucidativo: durante a apresentação oficial, Jorge Silas destacou (e bem) o orgulho que sentia em treinar o Sporting, elevando assim o Sporting. Já Frederico Varandas preferiu elogiar a... coragem do jovem técnico, na linha do discurso de que ninguém quer treinar o Sporting...

P.S.2 Com Silas, será de esperar um Sporting a jogar em 3-4-1-2, com 3 centrais, dois alas a fazerem todo o corredor, dois médios defensivos e um triângulo à frente, com Bruno Fernandes como vértice mais recuado e dois avançados. 

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27
Set19

Tudo ao molho e fé em Deus - Geometria de Murphy


Pedro Azevedo

O Porto campeão europeu de Mourinho jogava com 3 médios de perfil e ganhou tudo. O Sporting da primeira época de Keizer jogava com 3 médios de perfil e ganhou duas taças. Na segunda época, com a integração de Vietto, o holandês começou a recorrer à geometria. Primeiro pediu a Wendel que fechasse mais na interior esquerda, o que na prática motivou um triângulo a meio-campo de cariz defensivo. Insistindo no argentino - dado que a experiência anterior não correu bem na pré-época - , Keizer montou a Táctica do Quadrado, com Wendel e Doumbia em linha atrás e Bruno e Vietto em linha à frente, o que na prática se revelou tão mortífero para si quanto um suicídio assistido. Ex-treinador do Ajax despedido, chegou Leonel Pontes. E ao segundo jogo implementou o losango. Três derrotas consecutivas depois, os gregos que me desculpem, mas estou farto de geometria. Axiomático como Euclides, Leonel utilizou o método de exaustão de Arquimedes para desesperar os adeptos leoninos, o que não terá desagradado aos espíritos de Sófocles, Eurípedes ou Ésquilo esta noite presentes nas bancadas de Alvalade, que certamente terão recolhido bom material para uma tragédia grega.  (Ou quando o andar a brincar à geometria se associa à Lei de Murphy e cria o caos.)

 

O Sporting tem um plantel desequilibrado e escassos jogadores que façam a diferença. Apesar disso, tinha algumas rotinas no 4-3-3. Com pouquíssimo tempo de trabalho, Leonel ousou mudar isso. Correu-lhe muito mal. Curiosamente, em contraciclo com a hiper-inflação de alas que resultou de um Mercado de Verão perfeitamente caótico para o leão, responsabilidade primeira que tem de ser assacada a Frederico Varandas e à famosa Estrutura. De betão armado (em parvo, quer-me parecer). 

 

O Sporting perde na mesma época em casa duas vezes contra o "mighty" Rio Ave. Depois de também ter sido batido em Alvalade por outro "gigante" (o recém-promovido Famalicão), em jogo onde foi humilhado no segundo tempo tal como na Supertaça. Leonel diz que não pode fazer milagres, mas a própria sequência de resultados em si é miraculosa. Para os nossos adversários, obviamente.

 

Já fora da luta pelo campeonato, com o habitual brilharete na Taça da Liga comprometido e à beira do quinto treinador em apenas 1 ano (é obra!), Frederico Varandas tem sido um factor de instabilidade para a equipa de futebol do clube. Ao ponto de neste momento ter um prazo curto para realizar uma tarefa: desatar os nós que ele próprio criou. Tarefa essa que não se afigura fácil quando o mercado está fechado, Daniel Bragança, Francisco Geraldes e Matheus Pereira emprestados e Domingos Duarte vendido; em contrapartida, existe um claro excesso de alas, insuficiência de pontas de lança, jogadores longe do pico de carreira, equipa em défice de condição física alarmante e falta de qualidade geral (14 contratações e 40 milhões de euros investidos depois).  Salvam-se Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu, os de sempre. E pouco mais.

 

Esta noite, com uma equipa mista de titulares e de segundas linhas, o Sporting perdeu com as reservas do Rio Ave. Jogadores a chocar no campo uns com os outros, erros defensivos de principiante de Ilori e Rosier, "inconseguimento" total de compreensão do que é o jogo por parte de Borja, abaixamento de forma de Wendel, recidiva de lesão de um jogador recém-regressado de paragem prolongadíssima (Battaglia) que é obrigado a fazer dois jogos no espaço de 3 dias perante a complacência da "Unidade de Performance" são tudo motivos de preocupação. Some-se o ar de desespero de Bruno Fernandes, o homem que carrega o nosso céu nos ombros há tempo de mais, o qual se encontra visivelmente à beira de um esgotamento ou ataque de nervos, e será caso para declarar o estado de emergência na nação leonina. Digo eu, pois Varandas não sei se já estará preocupado. Até porque, ao fim de duas vitórias, dois empates e cinco derrotas em nove jogos, é certo que irá continuar a ouvir elogios e sentir pancadinhas nas costas dos dirigentes de clubes nossos rivais...

 

Sem resultados desportivos, aposta na Formação ou tesouraria, "quo vadis" Sporting?

 

Venha o Tiririca, pior que 'tá, não fica!

 

Tenor "Tudo ao molho...": os poucos adeptos (uns heróis!) que, acorrendo a Alvalade, se concentraram exclusivamente em apoiar a equipa de futebol do Sporting Clube de Portugal.

 

P.S. Independentemente dos resultados obtidos na equipa principal, espero sinceramente que se reunam as condições (e a motivação do próprio) para que Leonel Pontes possa continuar o bom e importante trabalho que estava a desenvolver nos Sub-23, o que não pode ser considerado menosprezante. O Sporting não pode continuar de costas voltadas para os escalões de formação e Leonel parece ser um homem talhado para artífice dessa última linha de produção da "Mina de Diamantes" de Alcochete.

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25
Set19

Uma nova visão, um novo plano


Pedro Azevedo

Mais uma vez começa o desfile de treinadores na imprensa. No Sporting não se aprende com os erros, pelo contrário eles são repetidos num ciclo vicioso. Mais do que um treinador, o Sporting precisa de alguém que se sobreponha à famosa Estrutura e que possa agir transversalmente a todo o futebol do clube, incluindo a Formação e o futebol profissional dentro de uma mesma visão e estando em plano hierarquicamente superior a scouting e gestão de activos. 

 

No fundo, o Sporting precisa de um plano. De um novo plano, com novas pessoas. Um plano estruturante que vise o melhor aproveitamento dos escassos recursos do clube, potenciando a sua Formação e evitando os constantes desperdícios em contratações que não acrescentam valor. Um plano que previna os equívocos na montagem de um plantel, que dê sentido às coisas. 

 

Mais do que um treinador, o Sporting precisa de um pensador de todo o futebol do clube. Alguém que defina uma linha de futebol positivo que leve as pessoas ao estádio e capaz de esboçar um modelo e princípios de jogo adequados a esse propósito. Deve ser também um artífice, com capacidade para ir cosendo as pontas entre futebol profissional e Formação, implementando transversalmente uma visão.

 

Por tudo isto, o que eu defendo é que, mais do que um treinador, o Sporting necessita de um Director Técnico, alguém que só dependa hierarquicamente do presidente (mas que tenha autonomia) e que tenha capacidade para imaginar e desenvolver todo um conceito de futebol do clube, liberdade para definir um perfil de treinador que encaixe nesse conceito e que seja capaz de complementar o ensino de toda uma nova geração de treinadores "made in" Alcochete que um dia mais tarde emergirá na equipa principal. Às vezes as crises são oportunidades, não podemos é virar-lhes as costas. 

 

As pessoas gostam sempre de nomes. Para mim, mais importante que os nomes é o racional por trás de uma escolha. Ainda assim não vou fugir à questão. Perante o que enumerei, tendo em conta as características que enunciei, sabendo-se que Boloni ou Luis Castro estão a contrato, a minha escolha natural seria o professor Jesualdo Ferreira. Nele confiaria como arquitecto do projecto - e não como treinador, pese embora erroneamente ainda lhe seja apontado o estigma de 2012/13, ele que chegou com a equipa em 12º lugar (é bom não esquecer) - , sendo definido à partida que em nenhuma circunstância poderia interromper o seu trabalho para assumir funções de liderança no terreno da equipa principal de futebol do clube. 

24
Set19

Pergunta a José Eduardo


Pedro Azevedo

Diz José Eduardo que a única solução para ultrapassar as dificuldades financeiras e desportivas é a SAD abrir mão da maioria de capital a um investidor. Ora, como capital nunca nos faltou e a Sporting SAD está na situação que sabemos, se pudesse fazer uma pergunta a José Eduardo seria esta: não é verdade que a única solução para o Sporting é haver uma boa gestão? E, já agora, uma segunda: em que medida é que um investidor maioritário me garante uma boa (ou, pelo menos, melhor) gestão? É que não faltam exemplos por essa Europa fora de clubes detidos por investidores que nem sequer cumprem com o "fair-play" da UEFA e têm contas profundamente negativas. O que me levaria a uma terceira pergunta: que escrutínio haveria sobre esse investidor e suas intenções ao entrar na SAD? 

 

Num futebol como o português, não é por eu ter mais capital que fico mais perto de ser campeão. Pelo contrário, a história mostra-nos que tal só aumenta o risco de insolvência a prazo. É que o capital é rapidamente investido e da qualidade desse investimento é que dependerá o futuro, por via dos resultados transitados anuais. Se for mal investido como tem sido um hábito, se não houver um modelo económico (e não financeiro) de sustentabilidade do negócio futebol, então esperar-nos-á a ruína, pois rapidamente os capitais próprios voltarão a ficar negativos. No cenário actual, mais do que capital e investir mais do que os concorrentes (criar Beta), eu gostaria de ouvir falar em geração de Alpha, isto é, fazer mais com menos ou, pelo menos, com o que se tem actualmente, rendibilizando a mina de diamantes de Alcochete, lapidando os diamantes com artesãos especializados na última estação de produção e indo ao mercado apenas para adquirir qualidade (2/3 contratações por ano) que faça efectivamente a diferença. 

 

P.S.1 A perda de maioria na SAD seria um atestado de incompetência a todos os sócios do Sporting Clube de Portugal.

P.S.2 Para quem creia que a entrada de um investidor e concomitante perda de maioria na SAD nos resolveria os problemas como por varinha mágica, aconselho o estudo do caso Racing de Avellaneda. Adicionalmente, clubes de matriz eclética como o Barcelona e Real Madrid não são sequer sociedades anónimas. Na Alemanha existe a "regra 50+1", significando que nenhum clube pode ser dominado por uma pessoa ou empresa, com as excepções do Bayer Leverkusen e Wolfsburg, que como foram fundados antes da adopção dessa regra permanecem controlados, respectivamente, por funcionários da Bayer e accionistas da Volkswagen. Entretanto, existe uma polémica à volta do Red Bull Leipzig, pois os 51% pertencem a sócios do clube que são accionistas da empresa. O curioso é que na época passada, o Red Bull Leipzig esteve quase a encontrar o Red Bull Salzburg nas meias finais da Liga Europa, o que poderia ter criado um problema à UEFA (questões de prevenção de conflito de interesses), mas o sorteio acabou por os afastar. 

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24
Set19

Tudo ao molho e fé em Deus - Plano D


Pedro Azevedo

(Estive para não escrever, até porque hoje não há ironia que me valha.)

 

Frederico Varandas dizia ter tudo controlado. Para além do Plano A, ainda havia o Plano B e até o Plano C. Ao fim de 8 jogos oficiais - vamos esquecer a pior pré-época da história do clube, concluída sem uma única vitória em seis jogos - descobre-se que também existia um Plano D. D de Derrota, mas também de David (Copperfield), que deverá ser o senhor que se segue como treinador. É que só por magia é que se põe esta manta de retalhos, a que se convencionou chamar plantel, a jogar bom futebol, tantos foram os equívocos da preparação da época. Não sei se era este o benchmark - 25% de vitórias, 25% de empates e 50% de derrotas - a que Francisco Salgado Zenha aludia enquanto esgrimia argumentos a favor do aumento do seu salário e dos salários dos restantes administradores da SAD, mas, se era, então tenho de dizer que também está ao alcance da minha filha de 8 anos, a quem tenho tentado mostrar que este inicio da época não é Experiência Sporting que se recomende ou que faça justiça à nossa história. 

 

Os resultados desportivos da equipa de futebol são só a ponta do icebergue à espera do Titanic, o tal que tinha fama de inafundavel até ao dia que naufragou para sempre. É o que geralmente acontece quando circunstancialmente o desempenho não nos deixa ver os erros no processo. Quando finalmente o desempenho desaparece ficamos sem nada por onde pegar - o estado actual das coisas. Os equívocos no processo eram mais do que evidentes: um presidente que não acredita em várias gerações provenientes da Academia contrata um treinador com fama de apostar em jovens. Esse treinador, que no Ajax se limitou a prosseguir a aposta conduzida por Peter Bosz numa equipa que havia chegado à final da Liga Europa, vai aceitando que se vão emprestando ou vendendo todos os jovens da Formação em idade sênior, ao mesmo tempo que intrigantemente perde as suas convicções iniciais de princípios de jogo, algo logo unanimemente aplaudido por uma CS desejosa de que o Sporting não saia do próprio labirinto que criou. Entretanto, primeiro Nani depois Dost, jogadores de qualidade saem do Sporting. Em contrapartida, desde Janeiro chegam 14 novos jogadores a Alvalade, algo que o presidente define como "contratações cirúrgicas", sem que se torne evidente um aumento de qualidade da equipa. A ida ao mercado traz mais problemas do que soluções ao ainda treinador leonino, o qual a fim de por a jogar Vietto acaba por alterar a sua ideia inicial de 3 jogadores de perfil no meio campo para um quadrado. Os que transitam da época anterior (des)esperam  até ao último dia sem saberem se ficam ou não. Qualquer um pode ser vendido a todo o momento, o que não contribui para a estabilização de um grupo de trabalho. A equipa vacila e Keizer é trocado por Leonel Pontes. Raphinha e Thierry saem no último dia do mercado. Em vez de irmos buscar um ponta de lança, a SAD promove uma ainda maior hiper-inflação de alas. Paradoxalmente, Leonel Pontes, que adoptara com sucesso o 4-3-3 na equipa de Sub-23 e estava perfeitamente consciente da abundância de alas, define um sistema de jogo que não contempla... alas. Entretanto, o único ponta de lança do plantel principal lesiona-se e o seu homólogo dos Sub-23 não é inscrito. Simultaneamente, o presidente diz ter contratado um "avançado centro" e o administrador Zenha declara que o Sporting se reforçou enquanto os seus rivais perderam jogadores, ao mesmo tempo que explana os seus argumentos para o aumento dos ordenados dos administradores da SAD em contra-ciclo com a narrativa ao mercado de "alívio salarial" em jogadores como Dost e Nani. No meio da alienação colectiva, da qual só Bruno Fernandes se parece salvar, um central experiente e muitas vezes internacional como Coates, de cabeça totalmente perdida, desata a conceder grandes penalidades e auto-golos aos adversários, num total de cinco acções desastrosas nos seus últimos 3 jogos. Confusos? De tão mau até parece ser de propósito, mas isto é somente o Sporting no seu pior. 

 

Ironia do destino: uma equipa desenhada pelo agente Mendes vai a Alvalade e dá o golpe fatal às aspirações Sportinguistas neste campeonato. Quem foi à espera do show de Jesé acabou a presenciar o Fama(licão) Show. O presidente? Depois de ter dito que só apareceria nos momentos maus, permaneceu em silêncio. Por certo agarrado à "casa das máquinas". Do Titanic...

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Bruno Fernandes, o ausente omnipresente, ou o "omniausente"

 

21
Set19

Às vezes ao Sábado há Domingos assim...


Pedro Azevedo

Domingos Duarte esteve absolutamente imperial na vitória do Granada sobre o poderoso Barcelona (2-0). Contra uma equipa barcelonista onde no ataque pontificaram Messi, Suarez, Griezmann e a nova estrela Fati, Domingos mostrou grande personalidade e autoridade na cobertura do seu espaço defensivo. Como cereja no topo do bolo ainda esteve no lance donde resultou o penálti que fechou o marcador, pois Vidal, ao evitar que a bola chegasse ao português (estava sozinho à boca da baliza), meteu a mão à bola. Os andaluzes, recém-promovidos e grande surpresa da competição até ao momento, lideram à condição o campeonato espanhol com uma série consecutiva de 3 jogos sem sofrer golos.  

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21
Set19

Leão soma e segue


Pedro Azevedo

Na recepção ao Tatran Presov, em jogo a contar para a 2ª jornada da Champions de andebol, o Sporting ganhou por concludentes 32-24 (17-14 ao intervalo), mantendo-se assim 100% vitorioso na competição. De destacar a extraordinária exibição do guarda-redes Cudic, um muro muito difícil de transpôr para os eslovacos. Carlos Ruesga e Frade também estiveram a excelente nível, com o pivô a fazer um excelente trabalho quer ofensiva quer defensivamente. Aliás, o segredo da vitória esteve na defesa, aspecto onde também se destacou a prestação do reforço Mladenovic. 

21
Set19

Estar em negação sai caro


Pedro Azevedo

À conta de uma visão pessimista sobre um determinado intervalo etário de jogadores da Formação, que contagia Direcção, Sócios e adeptos, continuamos a vêr as nossas contas a deteriorarem-se. Por mais que se tente explicar que não basta decretar que os jogadores formados em casa não têm qualidade, é preciso demonstrar que quem vem de fora é melhor, os sócios e adeptos continuam a alinhar num caminho que progressivamente nos vai afastando da sustentabilidade tão desejada. Auguste Comte, um dos pais do Humanismo, dizia que na vida tudo era relativo, sendo esse o único valor absoluto. Ora, eu não sei se Matheus Pereira, Mama Baldé ou Wilson Eduardo serão em absoluto jogadores à Sporting - pelo menos de um outro Sporting, um clube com ambições e que faça justiça à sua história - , o que tenho como adquirido é que são melhores do que Diaby ou Rafael Camacho (este último, até ver), jogadores por quem pagámos um agregado de 11,2 milhões de euros só em transferências. Da mesma forma, Demiral (contratado por 18 milhões de euros pela Juventus) ou Domingos Duarte (titular do Granada, equipa da La Liga) são melhores jogadores do que Tiago Ilori e (actualmente) Neto, e até Abdu Conté pedirá meças a Borja, na medida em que chega à linha e cruza mais vezes durante um jogo do que o colombiano numa época inteira. Ora, só nestes 2/3 jogadores teríamos poupado quase 7 milhões de euros em transferências. Também não me parece que Luciano Vietto seja mais jogador neste momento do que Francisco Geraldes, ou que Eduardo traga algo mais do que Daniel Bragança poderia dar à equipa, pelo que se teriam poupado mais 11 milhões de euros. E podíamos continuar este exercício, recuando até outros presidentes e outros treinadores mais as suas exigências, mas a esta hora o Leitor já percebeu aonde eu quero chegar. Se aos mais de 29 milhões de euros absolutamente dispensáveis juntarmos os ordenados mais elevados desses jogadores face aos da nossa Formação, então concluiremos que só num ano poderíamos ter poupado cerca de 40 milhões de euros. Quando se olha para um R&C isso não se torna tão evidente, na medida em que as compras são registadas em pró-rata, pelo número de anos de contrato, na rúbrica de Amortizações. Adicionalmente, os custos destes jogadores contratados vão incorporar um "bolo", pelo que acabam por se diluir na percepção do sócio e adepto. Mas se alguém um dia se der ao trabalho de ir, contratação a contratação, verificar o seu custo efectivo para a SAD não deixará de chegar à mesma conclusão que eu: investimos demasiadamente em vulgaridade quando temos em casa quem dê mais garantias, não implique investimento e não nos custe tanto mensalmente. Além disso, dada a ausência de resultados, nomeadamente o não apuramento para a Champions, tudo isto fica mais exposto, tudo isto exige uma análise muito mais rigorosa. Quo-vadis, Sporting? 

 

P.S. Se o libertar de custos implica criarmos outros custos semelhantes, então não posso aplaudir. O Ilori, o Borja, e outros, são a reencarnação dos Misic, Alan Ruiz, etc. A consequência é óbvia: pega-se na história de parte da antecipação de receitas da NOS ter servido para pagar a Fornecedores e depois verificamos que a rúbrica Fornecedores (Passivo corrente) estava em Junho nos €48 milhões (€44 milhões em Junho de 2018, quando isso significava alarme social), ou que o saldo da conta DO se reduziu de 30 milhões de euros para 3 milhões de euros em apenas 3 meses, sem que a conta de VMOCs tenha sido positivamente afectada. Assim vai o Sporting...

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21
Set19

Outros mundos - Mundial de Rugby


Pedro Azevedo

Começou ontem o Mundial de 2019 em rugby. No jogo inaugural, disputado no Tokyo Stadium, o anfitrião Japão venceu a Rússia por 30-10 (12-7 ao intervalo). Os nipónicos, que estiveram à beira de se qualificarem para os quartos de final do Mundial de 2015 após terem feito história ao bateram a África do Sul por 34-32, não se mostraram à altura do salto qualitativo que se esperava deles nesta edição, revelando dificuldades inesperadas contra a frágil formação do leste europeu. Ainda assim, colocados no Grupo A, aguardam-se com expectativa os seus confrontos com as duas equipas das ilhas britânicas, Escócia e Irlanda, as quais reunem favoritismo a entrar na fase a eliminar (são apurados os dois primeiros de cada grupo). Completa o grupo a Samoa, país do Pacífico Sul com muita tradição no rugby e com jogadores de grande compleição física, velocidade e habilidade, mas a quem falta a organização de jogo neozelandesa.  

 

No Grupo B é extremamente improvável virem a acontecer surpresas. A Nova Zelândia, país recordista de vitórias (3 em 8 edições) em mundiais de rugby, é naturalmente a maior favorita a ganhar a Taça Webb Ellis, pelo que não terá dificuldades em passar a fase de grupos, no que será acompanhada pela África do Sul, a grande potência africana da modalidade e uma das favoritas a ganhar o título, que tem no "três-quartos" De Klerk velocidade e um jogo de pés inovativo. A curiosidade maior será o imperdível embate entre estas duas selecções, o qual está agendado para hoje (10H45 SportTV). Já sem dois dos seus mais influentes campeões de 2015, os míticos Dan Carter (médio de abertura) e Richie McCaw (capitão e terceira linha), ainda assim os neozelandeses apresentar-se-ão fortes e, na ausência de Carter, com dois "playmakers": o seu novo médio de abertura Richie Mo'unga e o "arrière" Beauden Barrett. Itália, Canadá e Namíbia completam o grupo, mas apesar da evolução dos dois primeiros não é crível que se constituam como um verdadeiro obstáculo às pretensões de duas das maiores selecções mundiais.  

 

O Grupo C é claramente o "grupo da morte" deste Mundial, com Argentina, França e Inglaterra a disputarem dois lugares de qualificação, enquanto Estados Unidos e Tonga pouco mais poderão fazer do que mostrar a evolução do seu rugby, mais evidente por parte dos americanos. De entre os favoritos a passar esta fase os gauleses são quem mais vezes conseguiu atingir as meias finais da competição, tendo lá chegado por seis vezes, feito apenas batido pela Nova Zelândia (7). Apesar disso, nunca venceram um mundial, tendo perdido 3 finais. Adicionalmente, as suas prestações nos últimos "Seis Nações", torneio que é um verdadeiro campeonato europeu da modalidade, não têm deslumbrado pelo que não será de admirar que os franceses fiquem de fora. Em relação aos restantes, a Inglaterra é a única selecção europeia a ter vencido um Mundial (2003), mas há muito tempo que não chega a umas meias finais (2007), com os seus "XV" a não conseguirem reeditar o nível de jogo daquela mítica equipa superiormente comandada por Sir Clive Woodward (treinador) e pelo médio de abertura e temível chutador Jonny Wilkinson. A Argentina tem vindo a beneficiar de participar desde 2012 no Rugby Championship, uma espécie de campeonato do hemisfério sul, que reune anualmente Nova Zelândia, África do Sul, Austrália e os "Pumas", o que lhe vem conferindo uma maior competitividade. 

 

O Grupo D tem a Austrália e o País de Gales como claros favoritos. A Geórgia, que tem vindo a evoluir bastante nos últimos anos, é uma forte candidata ao terceiro lugar no grupo enquanto Uruguai e Fiji deverão discutir a quarta posição. Os galeses, recém vencedores do "Torneio das Seis Nações", serão pela última vez treinados pelo neozelandês Warran Gatland, que certamente não quererá abandonar sem conquistar a mais importante competição do mundo do rugby, evento em que o País de Gales, ao contrário do seu riquíssimo histórico no "Seis Nações", não tem sido feliz, com apenas um terceiro e um quarto lugar nas 8 edições da prova. Os galeses depositam todas as suas esperanças numa geração de grandes jogadores que tem neste Mundial provavelmente a sua última hipótese de fazer história, pelo que será de esperar que o capitão Alun Wyn Jones, o abertura Dan Biggar, o centro Jonathan Davies, os pontas George North e Liam Williams (também "arrière") e o mítico "arriére" Leigh Halfpenny não deixem os seus créditos por mãos alheias. Quanto aos "wallabies", já venceram por duas vezes o torneio, pelo que serão sempre uma selecção a considerar como candidata ao título. 

 

De assinalar que os árbitros deste Mundial têm instruções muito claras no sentido de tolerância zero face a placagens perigosas, as quais serão punidas com o cartão vermelho (o cartão amarelo implica a saída - passagem pelo "sin-bin" - por 10 minutos do jogador infractor). De resto haverá vídeo-árbitro neste campeonato, ou não fosse o rugby uma modalidade precursora no que à verdade desportiva diz respeito, algo que não se mede só pela arbitragem mas também pela postura leal da esmagadora maioria dos jogadores em campo, pese embora a combatividade e a agressividade natural sempre presentes no jogo. 

 

Não percam este Mundial!

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19
Set19

Tudo ao molho e fé em Deus - O cisne negro


Pedro Azevedo

Há uns tempos atrás, em entrevista à SportingTV, o presidente chamou "cientistas da bola" a um grupo indeterminado de adeptos. Na medida em que um cientista é uma pessoa que sistematicamente procura o conhecimento, enquanto adepto acabei por tomar o "mimo" como um elogio. De seguida, imaginei um empírico. Um empírico só valoriza a experiência e como tal sofre do problema da indução. A indução consiste na generalização sobre as propriedades de uma classe com base em algumas observações. Se, por exemplo, um empírico só viu cisnes brancos na vida, imediatamente conclui que todos os cisnes são brancos. O problema é que existem cisnes negros (citando o Dr Pôncio, também se pode ter dado o caso de o empírico ter olhado para o cisne negro e não o ter visto). Um dos cisnes negros do futebol da Formação chama-se Pedro Mendes, um jogador que vem contrariar a tese (decreto?) de que os jovens da nossa Formação com idades compreendidas (actualmente) entre os 18 e os 24 anos não têm qualidade. Quando Leonel Pontes foi apresentado como treinador principal, o prazo para as inscrições na Liga já estava ultrapassado, o que implica que o jovem não possa jogar no campeonato e Taça da Liga. Enquanto o treinador não tem um prazo e sim uma tarefa, Pedro Mendes tinha um prazo que alguém que tinha a tarefa de o inscrever deixou caducar. Ainda assim, Leonel não permitiu que se esgotasse também o prazo na Liga Europa e sugeriu que fosse inscrito a tempo na competição. Hoje, em Eindhoven, Pontes deu a Pedro Mendes um prazo de 10 minutos e a tarefa de marcar golos. Ao fim de 1 minuto, o jovem já tinha cumprido a tarefa. Fossem todos assim no Sporting... 

 

Na antevisão do jogo tínhamos alertado para as motas do ataque holandês e a necesidade de não deixar espaço livre nas costas da nossa defesa. Conclusão: em duas situações em que o permitimos, durante a primeira parte, o PSV marcou. Mais uma vez Coates ficou mal na fotografia, estando desposicionado no primeiro golo e infeliz no segundo. Ainda assim melhorou face ao jogo com o Rio Ave, de bicicleta e não de triciclo. 

 

O Sporting entrou com um meio campo em losango, forma geométrica essa que já se sabe está fora de moda desde os loucos anos 80 (as camisolas de "Les Diables Rouges"). Doumbia jogava no vértice recuado, Bruno no vértice ofensivo e Wendel e Miguel Luís entre eles. Nada rotinada no sistema e com um novo jogador no miolo, a equipa não revelava eficácia nem ofensiva nem defensivamente, apanhando-se a perder por dois golos de diferença em duas rápidas transições ofensivas holandesas. Do meio campo para a frente as coisas também não estavam melhores, com Vietto como "capacete azul" da ONU, privilegiadamente observando o jogo de perto sem ter de pagar o bilhete. Perante este quadro de miséria, restavam os de sempre: Acuña, Bolasie e Bruno Fernandes (Mathieu, o mais rápido dos nossos defesas, desta vez não foi convocado). Da sua acção, aliás, resultaria o nosso único golo do primeiro tempo: o argentino serviu com precisão o congolês e este ganhou a penalidade que Bruno converteu sem paradinha. 

 

A etapa complementar iniciou-se com um golo sofrido pela formação de infantis do Sporting. Um canto rasteiro, inadmissível a este nível. Sem ponta de lança, com Vietto e Miguel Luís em sub-rendimento, Leonel Pontes pecou por demorar a agir a partir do banco. Assim, a equipa viveu essencialmente dos rasgos de Bruno Fernandes, o qual semeou o pânico no último reduto holandês por três vezes, enviando uma bola ao poste e disparando dois remates dificilmente defendidos por Zoet, estes dois últimos com Jovane já em campo (saiu Vietto). Até que Pedro Mendes entrou e marcou instantaneamente, provando que merecia a oportunidade de ser titular no próximo jogo contra o líder da Primeira Liga. Só que não está inscrito. Bruno está inscrito, mas não irá a jogo depois de ter sido expulso no Bessa, cortesia do critério disciplinar de Jorge Sousa. Até dá vontade de dar um pontapé numa porta, não é? Futebol? Fácil, fácil... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes. Para além de Bruno, gostei de Acuña, Bolasie, Pedro Mendes (grande golo), Renan e Jovane Cabral. Os outros estiveram em plano negativo. 

 

P.S. Uma palavra de mérito a Leonel Pontes por ter compreendido que não poderia desperdiçar o momento de forma de Pedro Mendes e por ter tido a coragem de o lançar. São estes detalhes que evitam a desmotivação de toda uma geração de jovens, dão sentido ao futebol de Formação do Sporting e encaminham o clube na direcção da sustentabilidade. Ainda assim, gostaria de ter visto a equipa desde o início com um ponta de lança. 

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18
Set19

Ambição na Europa


Pedro Azevedo

Com a viagem a Eindhoven, inicia-se um novo ciclo europeu. Algo que tem caracterizado a última década leonina é a falta de ambição nas provas uefeiras. A única vez que estivemos perto de celebrar foi com Moet&Xandão (o Polga moía-me a paciência...), decorria o ano de 2012. Mas se os santos da casa parecem não fazer milagres no clube, San Mamés também não se mostrou disponível e o Sporting acabou eliminado pelo Atlético de Bilbau nas meias-finais da Liga Europa. 

 

A participação nas provas da UEFA é essencial na valorização da marca Sporting e é também uma montra para exibir os nossos melhores jogadores, cuja cotação se ressente da falta de visibilidade nos grandes palcos. Oxalá saibamos compreender isto e ter uma participação condigna com os pergaminhos do Sporting Clube de Portugal e com o desígnio - "tão grande como os maiores da Europa" - ditado pelo nosso fundador. A começar já em Eindhoven.

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18
Set19

Entre a Bruma da memória


Pedro Azevedo

Em 2013, Bruma tentou rescindir com justa causa com o Sporting alegando rapto. O curioso é que, seis anos depois, o dirigente holandês John de Jong confessou que a transferência de Bruma foi a mais difícil da sua vida, tendo sido obrigado a arrastar Bruma até ao avião para que este não ingressasse no Porto. Ao que parece, Bruma não ficou incomodado. Uma espécie de Síndrome de Estocolmo que se manifestou só em Eindhoven, o que não deve intrigar visto o euro valer bem mais do que a coroa sueca. Por isso, oxalá, amanhã, a nossa linha defensiva o mantenha bem "sequestrado" durante os 90 minutos. Pode ser que assim ele se mostre simpático e rescinda os seus intentos de causar ainda mais dano ao nosso clube. 

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18
Set19

Velocidade furiosa


Pedro Azevedo

Desfalcado de Jeremy Mathieu, o seu central mais rápido, o Sporting vai defrontar um PSV que faz da velocidade do seu trio atacante a sua maior arma. É que Donyell Malen (20 anos), Bruma (24) e Steve Bergwijn (21) são três puros-sangue apontados às redes adversárias. Malen, o ponta de lança, costuma recuar no terreno para organizar jogadas de ataque, momento em que o novato Mohammed Ihattaren, um jovem (17 anos) médio descendente de marroquinos, aproveita para procurar a profundidade e o espaço entre os defesas contrários. Essencial será os nossos laterais fecharem bem por dentro e os médios não permitirem espaço entrelinhas. Provavelmente, jogaremos com um bloco mais baixo do que o habitual, tentando assim não deixar espaços nas costas. O inconveniente poderá ser ter a equipa muito recuada aquando da transição ofensiva e assim não aproveitarmos a maior debilidade dos holandeses: o imenso espaço que deixam livre entre as linhas defensiva e média. Recorreremos a um jogo mais directo, a pedir sacrifício aos nossos 3 da frente? Bolasie já mostrou não regatear esforço e Pedro Mendes faz do dinamismo uma das suas principais armas. Se conseguirem ganhar bolas entre os defesas do PSV, então depois Vietto poderá ser o homem capaz de meter para dentro e explorar o tal espaço livre em alternância com Bruno. Como irá Leonel Pontes resolver este dilema?

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