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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

01
Abr20

A contas com Mathieu


Pedro Azevedo

O Jogo diz que Varandas e Amorim queriam meia-dúzia de craques, mas o investimento deve encolher devido ao Coronavírus. Independentemente da ocorrência do Coronavírus, o facto de alguém ter pensado ser possível comprar 6 craques devia ser encarado como verdadeiramente perturbante, na medida em que demonstra total ausência de consciência da realidade das nossas contas. É preciso dizer a verdade aos Sportinguistas, e esta é que o Sporting precisará de vender quase todo o seu plantel se quiser ter um Resultado positivo no exercício de 2020/21, a não ser que da época desportiva resulte uma valorização exponencial perfeitamente inesperada de um jogador que desponte (a sua venda imediata para compôr as contas também seria demonstrativa de uma gestão por impulsos e longe daquilo que deveria ser uma política desportiva sustentável). Esta já era a situação antes do COVID-19 e não se vê como se pode alterar. E para contratarmos 1-2 jogadores de qualidade acima dos que cá estão, atletas na casa dos 10 milhões de euros, precisaremos primeiro de cortar cerca de 35/40 milhões de euros nos custos (25/30 milhões em custos com pessoal e 10 milhões em fornecimentos e serviços externos), o que significa que teremos de apostar na nossa Formação e nos jogadores que temos emprestados por aí se quisermos completar o plantel. Tudo o resto é fantasia. 

 

Depois da venda de Nani, Raphinha, Dost e Bruno Fernandes, obviamente que a qualidade média do plantel leonino decresceu. Para piorar a situação, as 15 contratações cirúrgicas tardam a demonstrar efectiva valia. São, como tal, no mínimo estranhas as notícias postas a circular em diversos orgãos de comunicação social que apontam para a saída de Jeremy Mathieu. O francês, conjuntamente com Marcos Acuña, compõe o dueto de melhores do Sporting, pelo que a sua perda enfraqueceria ainda mais a equipa. Além disso, não deve ser nos seus melhores jogadores que a SAD deverá cortar, mas sim em todos aqueles que não vão mostrando qualidade à altura dos pergaminhos desta enorme instituição. Mesmo a possibilidade de regresso de José Fonte faz pouco sentido: com que objectivo se trocaria um jogador de 36 anos por outro de 35 e menos rápido (independentemente da sua reconhecida qualidade), pagando ainda uma compensação aos franceses do Lille, clube que levou Rafael Leão sem nunca procurar um acordo com o Sporting? Eu gostaria muito de continuar a ver Mathieu a jogar por cá. E que no futuro pudesse integrar os nossos quadros técnicos ou dirigentes, também. Recupero, por isso, o conteúdo de um Post que escrevi em Novembro de 2019 sobre este gaulês:

 

"Na visão deste Sportinguista que Vos escreve o mundo divide-se em dois: a leste, a Muralha da China; a oeste, Monsieur Mathieu. 

 

Um incêndio numa sala de cinema? Ele já estaria lá fora. Um eléctrico com o freio desgovernado? Idém. Imperturbável, na maioria das situações Mathieu aproveita a sua experiência para antecipar os lances. Outras vezes especula descaradamente com o seu oponente directo: fazendo-se valer do seu ar de simpático ancião, convida o adversário a procurar a profundidade para no último momento mostrar-lhe uma velocidade incomum e desarmá-lo. Essa sua faceta hitchcockiana, de Mestre do Suspense, também pode ser vista quando avança resoluta e destemidamente pelo terreno, bola colada ao pé e face bem levantada. Aí torna-se um Mustang, um cavalo à solta, como se dentro dele ainda houvesse aquele menino traquina a impeli-lo a retornar à juventude. Só por isso já valeria o preço do bilhete (e os seus médios defensivos sempre aprendem alguma coisita). Un Grand Seigneur!"

 

P.S. Não se use agora o horrível drama do COVID-19 como desculpa para um gestão de casino. Olhando para o último R&C da SAD é perfeitamente identificável que o valor do plantel (Activos intangíveis) está ao nível do défice de exploração anual. Assim sendo...

mathieu4.jpg

4 comentários

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    Pedro Azevedo 02.04.2020

    Caro Miguel,

    um dia se o destino nos fizer cruzar nesta caminhada de aprendizagem e redenção explicar-lhe-ei como e porquê tive várias vezes razão antes do tempo e o quão frustrante por vezes isso pode ser. Há quem diga que isso é uma bênção, para mim é uma maldição. Ademais, nada me entristecerá mais do que a constatação generalizada de que tenho razão fora do seu tempo correcto. E o tempo correcto é este, em que pelo menos a sua paragem ou suspensão nos deveria fazer reflectir. A razão do Sporting estará umbilicalmente ligada às emoções que o discurso da verdade conseguir despertar. Já não se trata de ter razão, trata-se de convencer os outros da urgência do que é preciso fazer. Eu sei, agora leio, porque dá jeito fazer soar isso, que a estratégia passará por lançar jovens e jogadores emprestados, que só se deve investir em qualidade e tem de haver dinheiro para esse tipo de investimento (e não para confundir investimento com gastos, vulgo "contratações cirúrgicas), tudo coisas que venho escrevendo ao longo do tempo. Mas alguém acredita que isso vai ser feito?

    O Sporting tem de ter um discurso de verdade. Precisamos de equilibrar as contas, de cortar na despesa nos moldes que enunciei. E de comprar 2 jogadores que façam a diferença. E a cada novo ano, mais 2 jogadores que produzam essa diferença. Então, sim, no terceiro ano, estaremos em condições de lutar olhos nos olhos com os nossos adversários. Só que fá-lo-emos com equilíbrio nas contas e não com números de trapezismo sem rede. Já não há quase nada para vender. Os sócios do Sporting têm de encarar a realidade e de perceber o que aí vem. Mais autismo? Não é possível gastar o que se gasta com os resultados que se obtêm. Há sistemático investimento que não é produtivo e que vem acompanhado de custos anuais incomportáveis para o clube/SAD. "It's sad", e essa é se calhar a melhor definição que se pode dar a uma sociedade anónima desportiva com tem esta política desportiva. Jamais nos levantaremos desta forma. Por isso, bem podem criar cortinas de fumo, vender ilusões, que eu não vou na conversa. A gestão não pode ser confundida com a "roulote" do Melquíades. Não há mezinhas miraculosas que nos permitam ir enganando a realidade, o que é preciso é enfrentá-la. Só a aceitação da presente realidade será um bom indicador, um sinal de que a recuperação estará mais perto. A situação presente do Sporting nada tem a ver com a COVID-19 (que só apressará o "hard landing" porque não temos margem, mas não será decisiva para tal). Há um claro excesso de "leverage" e uma enorme resistência em percebê-lo. Como consequência já perdemos quase todos os anéis, enquanto vamos comprando aos rodos bijuteria barata que sai cara. Em breve Mathieu ou Acuña estarão na porta de saída. E depois ficará o adeus. E depois do adeus? O vazio.

    Um abraço,Miguel, e muita saúde para si e para os seus
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    Anónimo 02.04.2020

    Boa noite Pedro:


    Por falar em maldição, Cassandra era uma semi deusa Troiana cujas previsões, sempre certeiras, não colhiam crédito junto dos seus; com isso Tróia perdeu-se.

    Espero sinceramente que a nossa Tróia renasça, ajudada pelo seu diagnóstico e previsões certeiras, também não somos Gregos nem Troianos, nem tão pouco o Pedro será Cassandra.

    Só peço por isso, que estes que lá estão tenham tino e não estraguem mais, depois alguém, quem sabe o Pedro mais uns quantos, colem os cacos.


    Um abraço:

    Miguel Correia
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    Pedro Azevedo 02.04.2020

    É isso! Não estragar mais. Nós também temos a nossa ‘Guerra’ de Tróia, na península de Setúbal, onde o Seixal tem escoamento e Alcochete está adiado em termos de equipa principal. Eu não sou Cassandra, e Apolo só conheci o Apolo 70, só queria é que na nossa casa não houvesse cavalos de Tróia a atentar (mesmo que inconscientemente) contra a nossa sustentabilidade. É que, se não reconhecermos urgentemente o nosso estado, vamos ver-nos gregos para dar a volta a isto.

    Um abraço
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