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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

06
Fev19

A ilógica olímpica


Pedro Azevedo

Causa estranheza o Sporting ter deixado de contabilizar no seu palmarés a vitória obtida na Taça dos Campeões Europeus de Goalball. Tal omissão é visível no site, na SportingTV e na inscrição alusiva ao número de títulos europeus colocada na bancada norte do estádio. 

 

As gestões do clube têm sido o que sabemos e a última até nos deixou a todos particularmente traumatizados, mas se há marca de que nos poderemos orgulhar é a do seu legado do Gabinete Paralímpico e o que significa em termos de consciencialização e redução do preconceito com deficientes e sua inclusão social. Integram-no atletas de alto rendimento que mostram à evidência que, mesmo com algumas diferenças ou adaptações, todos somos iguais.

 

É, por isso, incompreensível a omissão do título europeu de Goalball. Durante muito tempo não houve uma informação oficial sobre o facto, mas recentemente Miguel Afonso, membro do Conselho Directivo com o pelouro das modalidades, forneceu explicações em entrevista ao jornal do clube. Nesse contexto, aludiu à separação entre a logica olímpica e a paralímpica para excluir o Goalball do número global de títulos europeus, não deixando de referir que para o Sporting todas as modalidades (desporto adaptado incluído) têm a mesma relevância e grandeza. 

 

Ora, se todas as modalidades significam o mesmo para o clube, estranha-se que no estádio, na SportingTV ou no site não seja dado o merecido destaque à vitória paralímpica. Além disso, esta segmentação incorre num erro crasso, pois o corta-mato não é integrante do programa olímpico do atletismo e o hóquei em patins não é sequer uma modalidade olímpica, embora tenha aparecido como demonstração nos Jogos de Barcelona. Assim sendo, e adopando a lógica de Miguel Afonso, o Sporting teria apenas 7 títulos europeus, a que se haveriam de adicionar 1 no desporto adaptado e 22 em modalidades não-olímpicas. 

 

Podendo continuar a reescrever-se a história, poderia passar-se também a só se contabilizar os títulos de campeão europeu, deixando as Taças das Taças ou as equivalentes à UEFA, noutras modalidades (CERS, Challenge), de fora. Desta forma, restar-nos-iam 21 títulos europeus (16 no corta-mato, 3 no atletismo de pista, 1 no judo e 1 no hóquei), para além do Goalball, sendo que apenas 4 seriam olímpicos.

 

A sensação que tenho é que tudo isto é uma forma subtil de discriminação, algo que subverte a lógica de criação do Gabinete Paralímpico. Como se este fosse um filho de um Deus menor dentro do clube. Nunca saberemos, mas seguindo a mesma lógica de discriminação, quiçá há alguns anos atrás subtrar-se-iam os 3 títulos conquistados pelas Senhoras. Que teriam "a mesma relevância e grandeza", mas figurariam em lado nenhum... 

 

Deixo, por isso, aqui o meu apelo à Direcção de Frederico Varandas e às pessoas de bom senso que sei que a compõem para que terminem imediatamente com este triste sinal de menoridade intelectual que o clube está a dar ao país. O Sporting sempre foi um exemplo de como o desporto pode lutar contra o preconceito e ser inclusivo, mesmo no tempo em que as leis do país discriminavam o género e socialmente se ponderava diferentemente a raça.

goalball.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 06.02.2019

    Meu caro, esses lugares para invisuais creio que resultaram mais de um mau planeamento do estádio. Depois, alguém se lembrou dessa (triste) tirada.

    Enfim, também não quero que este seja um espaço de maledicência. Este blogue será fiel ao enunciado "seremos Sporting sempre", pelo que será sempre pró-Sporting, não pró ou a favor de ninguém. E quando aqui são deixadas críticas é no sentido de se poder emendar os erros.
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