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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Mai19

A vida de Ryan


Pedro Azevedo

Após mais um empréstimo, Ryan Gauld está de regresso ao Sporting. Para fazer a pré-época? Não se sabe. O que é certo é que o escocês termina contrato em 30 de Junho de 2020. 

 

Há quem o considere um "flop" e quem veja nele muita qualidade, mas o que o seu caso revela é uma gestão desportiva desastrosa. Gauld nunca teve uma verdadeira oportunidade em Alvalade, andou de empréstimo em empréstimo com passagens pela equipa B pelo meio e quando, finalmente, encontrou um treinador que nele apostou e que o fez crescer a olhos vistos, a má relação entre clubes colocou a sua carreira de novo num limbo, remetendo-o para um circuito onde alguém achou que de Mota ganharia asas. Não ganhou, como seria fácil de perceber à priori, e nem uma passagem pela terra natal, marcada por inúmeras lesões, o fez renascer para o futebol.

 

Vivemos numa sociedade de consumo imediato, onde há muito pouca paciência para o erro e estrelas cintilantes de capa de jornal são de um dia para o outro estrelas cadentes de nota de rodapé. O povo gosta de novidades e todos os anos há um carrossel de entradas e saídas de jogadores. Isso anima os entusiastas do Football Manager e enche os bolsos aos empresários.

 

A Gauld nunca foram dadas reais oportunidades. Tivesse ele tido a possibilidade de jogar mais de 40 partidas como Gudelj e seria hoje um jogador diferente e muito útil ao Sporting. Quando olho para ele e para a forma como se liga ao jogo e o entende, percebo que há ali qualquer coisa que nunca veremos num Borja, por exemplo, esse misterioso projecto de jogador de futebol encontrado no México aos 26 anos de idade. Há quem diga que ao escocês falta intensidade, como se não fosse mais importante fazer correr a bola do que andar a correr, tipo barata tonta, com ela. Para infelicidade sua, por um ano perdeu a oportunidade de ser visto por Leonardo Jardim. Também nunca teve um Guardiola, treinador a quem nunca incomodou ter ao seu dispôr jogadores franzinos como Xavi, Iniesta ou a dupla de Silvas. No fundo, o seu problema foi ter encontrado uma equipa sem um modelo de jogo base enraizado, dependente daquilo que cada novo treinador pensa, algo dificilmente compaginável com uma política de aposta na Formação, desenvolvimento de jogadores.

 

Aos 23 anos, olhar para Gauld é vêr todo um paradigma de erros de gestão de carreira de jogadores do Sporting. Compreendemos isso quando vemos um capa de A Bola mencionando a intenção leonina de comprar um médio defensivo (Eduardo). Não sei se virá esse - indiscutivelmente bom jogador -, mas outro qualquer acabará por chegar e no final não se compreenderá por que é que no ano anterior se foi buscar Idrissa Doumbia e Matheus Nunes para a mesma posição, havendo ainda Daniel Bragança. É desta vida que não nos libertamos, é esta também a vida de Ryan. Por isso, talvez seja melhor deixarem-no sair e ir provar para outro lado o seu valor. Sem empréstimos sem cláusula de opção de compra, sem alugueres a treinadores de futebol de meia bola e força e canela até ao pescoço.

 

P.S. Não será coincidência que apenas Couceiro, Inácio e Luis Castro tenham desenvolvido jogadores made-in Sporting (emprestados) nos últimos anos. A eles deveremos agradecer a imposição de João Mário, Ruben Semedo, Podence, Geraldes ou Matheus Pereira. 

ryan gauld.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 21.05.2019

    Imagine que Xavi e Iniesta tinham apanhado um daqueles treinador de estereótipos, que só queria jogadores altos no meio campo. Teriam feito as carreiras que todos conhecemos? Com isto não digo que Gauld seja do mesmo nível, mas todos ouvimos falar de um certo treinador que queria fazer de Bernardo Silva um lateral esquerdo e se o rapaz por cá tem ficado se calhar agora jogava na 2ª Liga.

    O que resulta de tudo isto é a falta de um modelo de jogo de base que suporte a equipa A, onde a escolha do treinador obedeceria a esses parâmetros. Algo comum a Barcelona e Ajax. mas a anos-luz de acontecer em Alvalade. Os outros também se orgulham de formar jovens, mas porque depois os rendibilizam e usam no plantel principal. Nós levantamos a bandeira da Formação... para os outros.É que os melhores nem quase dão tempo que os conheçamos e os bons ficam a aquecer o banco. É todo um equívoco sobre o qual assenta todo o edifício futebolístico leonino. E promete assim continuar. Tão bom, um terceiro lugar, porque não?
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