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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jun19

A vida no Planeta Leão


Pedro Azevedo

Tenho para mim que o Sporting se perdeu no caminho a partir do momento em que o futebol-espectáculo se transformou em futebol-negócio. Tal como todo o Universo, também o Sporting se move de ordem e organização para desordem e desorganização (2ª Lei da Termodinâmica e Princípio da Entropia), e assim sucessivamente. Nesse processo, a dado momento, de forma a progredir, a complexidade é tão grande que surge a vulnerabilidade, a fragilidade. No nosso caso, isso ocorreu com o advento das sociedades anónimas desportivas e os novos desafios daí decorrentes. 

 

A criação das SAD foi o Big Bang do futebol português. Sendo o clube a estrela, o Sol do sistema, o objectivo seria fazer da SAD o planeta onde se criariam as condições de sobrevivência do negócio. Acontece que a SAD foi gastando todos os recursos colocados à sua disposição, não cuidando da sementeira que os poderia repor no futuro. Assim, terrenos e edificações foram perdidos e colheitas "vintage" foram alienadas por tuta e meia, sem que durante muito tempo ninguém questionasse o modelo de sustentabilidade de tudo isto.   

 

Quando a desordem deu lugar ao caos, a sobrevivência do planeta SAD foi posta em causa. Surgiu então uma nova ordem, a qual propunha aproveitar os poucos recursos ainda existentes e voltar a apostar na sementeira. Isto foi acompanhado por uma eliminação dos desperdícios e pela aposta num modelo de desenvolvimento gradual e sustentado. Os sinais eram animadores, mas foi sol de pouca dura. Mal as condições melhoraram, a tentação de queimar etapas levou à aposta num mentor mais conhecido pela utilização intensiva de combustíveis fósseis do que pela adopção de formas alternativas de energia não poluente. A pressão criada pela nova estratégia levou a novos desequilíbrios e a Lei de Murphy entrou em acção. As estruturas voltaram a abanar, regressámos à desordem.

 

Numa situação destes, prudente teria sido voltar aos básicos. Não foi o que aconteceu e, infelizmente, o caminho parece estar cheio de equívocos pelo que o futuro é imprevisível. Adicionalmente, a complexidade é hoje em dia muito grande. Outra forma de vida que existe num sistema concorrente ao nosso adoptou o modelo de desenvolvimento que nós abandonámos, e com bons resultados. Os ecos dessa forma de vida propagam-se com uma velocidade de alguns anos-luz superior. É o que Einstein definia como fendas no espaço-tempo ("cracks") por onde a informação viaja super-rápido ao redor do Universo. Já nós, a uma realidade Supernova e infinitamente densa cumpre escapar. Caso contrário, entraremos num buraco negro... 

8 comentários

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    Pedro Azevedo 12.06.2019

    Obrigado Luís.

    é certo que o problema desportivo do Sporting já vinha de trás, mas eu referia-me ao problema financeiro. Esse decorreu de uma série de negócios que se destinavam a gerar lucros para alimentar o futebol e acabaram por se revelar ruinosos, para além de uma gestão do futebol que não correu nada bem. João Rocha não deixou Passivo e veja agora em que níveis ele está (adicione as VMOCs).
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    Luís Ferreira 12.06.2019

    Também existiram problemas financeiros graves no imediato pós-João Rocha, aliás tenho a ideia de que a criação da SAD (em que fomos pioneiros) anos depois também pretendeu ultrapassá-los.
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    Pedro Azevedo 12.06.2019

    Caro Luís, em 1995 o Sporting tinha um Passivo de 30 milhões de euros e activos imobiliários que valiam 70 milhões de euros. E falo de números consolidados, nada que se compare com a realidade actual..

    https://www.cmjornal.pt/desporto/detalhe/passivo-galopante
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    Luís Ferreira 13.06.2019

    E quais eram os passivos dos nossos maiores rivais em
    1995 e em 2010 ou agora? Não sei, estou mesmo a perguntar, caso saiba. O problema principal terá sido mesmo a criação da SAD? Admito que sim, mas tenho dúvidas.
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    Pedro Azevedo 13.06.2019

    Luís, honestamente não sei. Posso procurar e tentar responder-lhe. Julgo que é humano esse desejo de nos compararmos. O próprio pai do Humanismo (lá vou eu citá-lo outra vez), o Auguste Comte, dizia que tudo na vida era relativo, e que esse era o único valor absoluto. Mas há coisas que são valores absolutos. A título meramente de exemplo, a integridade. Não se é mais ou menos sério. Talvez se deva procurar mais o valor absoluto das coisas. Eu relembro a crise do "subprime": a concorrência entre bancos levou-os a correr riscos desmesurados. Alguns correram menos riscos, mas ainda assim mais do que deveriam. E porquê? Pela quota de mercado, por pressões accionistas, etc. É tão fácil ir com a corrente, difícil é apontarmos o nosso próprio caminho, aquele em que acreditamos mais do que tudo, aquele que sentimos ser o certo. Não será uma questão de SADs, mas será certamente uma questão de gestão das SADs.

    Sendo Y=a+bx, a ideia de que se pusermos mais beta(b), ou seja risco, vamos ter um melhor resultado tem-se provado falível. Talvez a solução seja gerar mais alpha(a). No futebol, o beta é formar jogadores para os vender com lucro, é usar uma base instalada para com engenho aumentar as vendas, o nr de sócios, etc. É sobre isso que temos de trabalhar, na minha opinião. A vantagem de trabalhar sobre alpha é que nos torna melhores gestores. Se eu ganho mais porque estou a pôr mais risco no processo, corro o risco de falir quando não ganhar. Exemplos do passado? Godinho Lopes duplicou o orçamento de Filipe Soares Franco. Este fez 4 segundos lugares, Godinho ficou em sétimo e o Sporting falido. Outro exemplo: os dois primeiros anos de Bruno Carvalho foram muito positivos, houve uma redução para cerca de metade do orçamento de Godinho Lopes. Conseguimos um segundo e um terceiro lugar, uma Taça de Portugal e financeiramente melhorámos significativamente. Entretanto, contratámos JJ. Nos 3 anos seguintes triplicou-se os custos com pessoal. Resultados desportivos? Uma Supertaça (quando duplicámos) e uma Taça da Liga (quando triplicámos). Financeiramente? Ficámos dependentes de uma ida à Champions ou, alternativamente, à venda dos 2/3 melhores jogadores. Em cima do arame, qualquer coisa que saísse fora do previsto poderia ter resultados devastadores. Surgiu Alcochete e o resto é conhecido.

    Por isso, tenho pena que continuemos a não fazer o que deve ser feito. O meu papel de sportinguista está feito. Não se pode estar sempre a bater na mesma tecla. As pessoas só acordam quando já não houver nada. Reagem às derrotas e, sinceramente, esse filme eu não quero ver. Primeiro porque não gosto de perder, por mim, porque me afecta, pelos meus consócios, por toda uma história que une bisavós, avós, pais, filhos, netos; segundo, porque será tarde demais.
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    Luís Ferreira 13.06.2019

    Fico quase sem palavras...este seu comentário ao meu comentário devia ser post. Mas julgo que é isso, a gestão das SADs e não as SADs em si mesmas. E na sua descrição relembro que a criação da SAD, os excessos na presidência de Godinho Lopes (que já vinha de Bettencourt - como se chamava aquele avançado francês?) e depois o esbanjamento de Bruno de Carvalho e JJ derivam do desejo de ganhar o título. Os segundos lugares, as idas à Champions e as taças não são suficientes para os adeptos. Mas não sou pessimista, acredito que com paciência e perseverança podemos virar de vez o tabuleiro para o nosso lado.
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    Pedro Azevedo 13.06.2019

    Prometeram-nos o Cinema Paraíso e veio o Sinama-Pongolle, Luís.

    A paciência e a perseverança só nos servem se estivermos no trilho certo. Caso contrário serão só complacência e teimosia.

    Mas eu tb tenho esperança num futuro melhor. Acredito que um dia alguém vai acordar para a realidade e fazer o que deve ser feito.
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