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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

08
Set20

Análise ao R&C da Sporting SAD (19/20)


Pedro Azevedo

Demonstração de Resultados

  • A Sporting SAD apresentou um lucro do exercício anual findo a 30 de Junho de 2020 de 12.5M€.
  • Excluindo os rendimentos líquidos (já expurgados de comissões de 22.7M€) provenientes da venda de jogadores, o Resultado teria sido negativo em 71.7M€ (-70.2M€ se não considerarmos Perdas por Imparidade que podem estar relacionadas com alienação de direitos económicos), valor (recorde) em linha com aquilo que aqui tenho vindo a transmitir aos Sportinguistas.
  • O desequilíbrio entre Proveitos e Custos (ordinários) atingiu um valor recorde de -38.9M€.
  • Os juros pagos atingiram o valor de 15.4M€ (10.4M€ em 18/19).
  • Considerando apenas os últimos 3 meses do exercício, a SAD perdeu 18M€ nesse período (inclui venda de Matheus Pereira por um total líquido de 8.2M€).
  • Ao contrário do que havia sido divulgado aquando da divulgação da Estratégia PES (Pessoas, Estruturas e Software) e mais recentemente em editorial do Jornal Sporting, os custos com Pessoal não desceram 18M€ ao ano nem baixaram 18M€ nesta época. Houve sim um decréscimo de 9.6M€ em salários e encargos e menos 2.4M€ atribuídos a título de prémios de desempenho, mas esse valor foi em parte diluído por indemnizações de 7.1M€ (treinadores e jogadores), mais 5.5M€ que em 18/19. Relembro ainda que houve 3 meses de lay-offs que justificam parte significativa da queda dos custos, na medida em que foi anunciada uma redução de 40% dos ordenados durante 3 meses (com posterior redução a apenas 20% caso o campeonato se reiniciasse, valor que desconheço se já foi compensado ou entrou neste Relatório).
  • Ademais, os Gastos Gerais da sociedade subiram para 107.4M€, mais 2.5M€ que em 18/19. Em contraciclo, os Proveitos quedaram-se pelos 68.5M€, menos 7.3M€ que em 18/19. De referir a queda dos DireitosTV em cerca de 2.7M€ face a 18/19, bem como da Bilhética (efeito Covid) em cerca de 2.4M€.

Balanço

  • O Activo reduziu-se em 12.5M€, sendo que as principais descidas registaram-se a nível do Valor Bruto do plantel (-19.2M€) e da rúbrica de Clientes/valores a receber de clubes (-6.2M€, para 17.2M€). A contribuir para uma queda menos pronunciada do Activo esteve a rúbrica Outros Devedores, a qual subiu em 12.3M€, destacando-se aqui o crescimento da dívida de entidades relacionadas e em particular a do Sporting Clube de Portugal que é a 30 de Junho de 17.3M€. Neste Relatório foi possível observar que já não consta qualquer dívida do Manchester United à nossa SAD, sinal de que os 55 milhões de euros já estão integralmente pagos. (Recordo que em termos de Balanço o valor contabilístico dos formandos em Alcochete é próximo de zero, o que não reflecte o seu real valor de mercado, valor esse que cresceu intrinsecamente a partir do momento em que vários jovens foram postos a jogar na 1ª categoria.)
  • O Passivo baixou em 26.2M€, sendo que os Financiamentos desceram em cerca de 23M€ (Passivo bancário).
  • Em Clientes (17.2M€), o maior devedor é o WBA (9.1M€, o valor de venda de Matheus Pereira).
  • Por outro lado, a rúbrica de Fornecedores subiu face a período homólogo em 8M€, situando-se agora nos 55.9M€. Os Fornecedores não-correntes desceram em 4.6M€, estando agora nos 9.7M€ (Total de Fornecedores= 65.6M€). 
  • Após ter vendido, no final de Janeiro, Bruno Fernandes por 55M€ (integralmente pagos), a Sporting SAD tem a 30 de Junho cerca de 14M€ em Depósito à Ordem.  
  • A conta restrita para pagamento de VMOCs continua apenas com cerca de 600 mil euros (necessitamos de 40.5M€), dando a ideia que o acordo que reestruturação financeira que obriga a provisionar essa conta numa determinada proporção após vendas de jogadores ainda não está totalmente fechado. 
  • Os Capitais Próprios da SAD continuam negativos, agora em 9.9M€.
  • A SAD informou que 4 adjuntos do treinador Mihajlovic, invocando terem celebrado, em Junho de 2018, contratos de trabalho com a Sporting SAD, apresentaram uma acção junto do TAS em que peticionam a SAD a pagar-lhes o valor de 2.95M€. A SAD mais informa que não celebrou quaisquer contratos com os autores.

Conclusão

  • A Sporting SAD tem hoje pela frente um cenário de um quadrado com 4 faces iguais, todas elas a mirrarem e a necessitarem da maior atenção dos Sportinguistas. Cada face corresponde a um problema de dimensão idêntica. Os problemas são sociais, económicos, financeiros e desportivos, todos de alguma forma se interligam (e interagem) e merecem uma resposta de todos os Sportinguistas que amam o clube e o colocam acima de quaisquer proselitismos. Do ponto de vista social, eu fico chocado com o nível de discussão que se estabelece entre todos, desde ataques pessoais até aos proverbiais processos de intenção sempre colocados a quem não partilhe exactamente da nossa opinião. Eu penso que isso é indecente, não está de todo de acordo com os pergaminhos deste grande clube e com os valores que propagandeamos e tem de acabar, sob pena de o clube acabar primeiro para futuro desespero de todos os que se consideram actualmente cheios de uma razão que passará a ser inútil. Se evitar este tipo de coisas é o que cada Sportinguista pode fazer pelo clube, à Direcção caberá informar correctamente os sócios sobre a actividade do clube. Não vejo isso. De todo. Seja na forma como meias-verdades (passe o eufemismo) são plantadas para satisfação de uma certa narrativa, seja pela ausência de comunicação oficial sobre dispensas, jogos, etc. No prisma económico, o clube continua a laborar num paradoxo, mantendo custos com pessoal altíssimos e promovendo elevadíssimo número de contratações todos os anos (21 para a equipa principal desde que Frederico Varandas lidera o clube). O problema já vem de trás, mas a falta de acerto na maioria das contratações na época passada agudizou-o, levando a mais venda de qualidade e concomitante enfraquecimento do plantel. Financeiramente, o clube tem inúmeros problemas de tesouraria, deve 65 milhões a Fornecedores, renegoceia pagamento ao Braga, tem umas VMOCs integralmente por pagar e não tem novos meios de financiamento que não sejam a antecipação de receitas da NOS. O problema são os altos juros da operação (8,25% segundo foi dito por um dos participantes do "Rumo Certo"). Estamos a pagar 15 milhões de euros só em juros, anualmente, ou seja, entramos em cada novo exercício já a perder esse valor. Desportivamente é o que se vê, quarto lugar no campeonato, eliminados pelo Alverca na Taça e pelo Basaksehir na Liga Europa. Como sair disto? Cortando em gorduras desnecessárias, diminuindo peso adiposo e compensando-o com músculo proveniente de fibras jovens e 2-3 craques que peguem de estaca na equipa. Aproveitar a boa base da Formação (e não desperdiçar ingloriamente gerações como as de Demiral, Domingos Duarte, Matheus Pereira, Mama Baldé e afins) e complementá-la, ano a ano, com qualidade indiscutível. Ter uma política que privilegie os sócios, os aproxime do clube. Ter um discurso de verdade, que arregimente, evitando desculpas do passado que criam ainda maior afastamento entre consócios. É preciso acabar também com lendas e narrativas e a forma como se vertem em documentos estratégicos do clube ou nos seus meios. Só trabalhando bem todas estas faces do problema poderemos vir a ter uma solução. Evidentemente, um Sportinguista que se preze quer sempre que o Sporting ganhe, chame-se o presidente Varandas, Carvalho, Godinho ou Bettencourt. O fundamental é conseguir-se transformar esta massa imensa actualmente amorfa num mecanismo oleado onde todos caminham para o mesmo lado, juntos naquilo que a todos deve unir: o amor ao Sporting. Por isso, precisamos de doutrina como necessitamos de boas práticas de gestão e de bom entendimento do que deve ser uma política desportiva. E por aqui me fico presentemente, independentemente de asegurar a minha presença na AG ainda sem data marcada, que o campeonato começa dentro de dias e quero ficar focado no apoio (mesmo que no sofá) ao Sporting que para mim sempre foi mais relevante, aquele que todas as semanas vai a campo. Estes são e sempre foram os meus princípios. Ao contrário do que alegava Groucho Marx, peço desculpa mas não tenho outros. 

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