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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Out19

As claques


Pedro Azevedo

Ponto prévio: a natureza da existência de uma claque é servir o propósito de apoiar as várias equipas, ou atletas, do Sporting Clube de Portugal, não ser um poder ou contra-poder dentro do clube. Aliás, terá sido de forma a consumarem esse objecto que recolheram até recentemente um conjunto de privilégios junto de sucessivas Direcções do clube. Evidentemente, em cada cidadão há um Homem-político, pelo que os membros de uma claque também o serão e legitimamente terão uma opinião sobre a liderança do clube. Não podem é, enquanto claque, manifestarem esse lado político no decorrer dos eventos desportivos, devendo cada um fazê-lo individualmente em espaço próprio como o de uma Assembleia Geral (ordinária ou extraordinária), tal como quaisquer outros sócios, observadas as regras comuns para todos de civilidade e respeito cívico pela Instituição Sporting e seus regulamentos. Isto parece-me básico! 

 

Existe um problema na sociedade portuguesa que consiste em bastas vezes olharmos para a árvore esquecendo a floresta. Falo nisto porque há situações que decorrem de transformações sociologicas verificadas nas últimas décadas no nosso país e que estão a montante do Sporting, tais como familias desestruturadas, desemprego, falência da escola como complemento educacional, a necessidade de muitos jovens de se sentirem parte de algo ou o papel das redes sociais e das ligações virtuais e como se estabelecem na formação de opinião. Concorrentemente a isso, as gerações mais jovens viveram muito menos glórias no futebol do que as gerações mais antigas e por isso, e pela irreverência própria da idade, são naturalmente mais impacientes. Tudo isso necessitaria de ser compreendido e antecipado dentro do Sporting, na medida em que influencia o dia-a-dia do clube. E influencia porquê? Essencialmente, porque a Cultura Sporting, a nossa identidade, encontra-se enfraquecida, pelo que os nossos dirigentes não conseguem filtrar nada do que vem de fora e que acaba por contaminar o que está cá dentro, ao contrário daquela ideia que antigamente existia de que o Sporting era um clube diferente para melhor e, como tal, onde se absorviam valores comportamentais importantes. Ora, aquando do último acto eleitoral escrevi aqui que o tema da Cultura, bem como o dos Princípios (ética), deveria ser tão urgente de ser endereçado como o da Sustentabilidade. Simplesmente, eu não tenho visto o nosso presidente dar o devido relevo a essa matéria de uma forma transversal ao clube, bastas vezes não se compreendendo as causas que o Sporting defende. Também não existe no actual elenco directivo uma pasta da juventude onde alguns dos problemas existentes pudessem ser estudados e analisados de uma forma séria e traçado um plano de acção, nem tão pouco uma Provedoria Geral onde se pudesse estabelecer uma comunicação que permitisse melhor compreender os ensejos dos sócios em geral e aproveitar o seu contributo. Se é claramente inadmissível que as pessoas não saibam manifestar as suas divergências (repito, legítimas) para com a Direcção ou Orgãos Sociais do clube com urbanidade, o que legitima esta tomada de posição da Direcção, também não me parece bem que o presidente se refira publicamente a sócios de forma insultuosa, classificando-os como irresponsáveis, esqueletos, cientistas, cães que ladram ou malucos, sejam eles criticos construtivos ou oportunistas, naquilo que me pareceu servir mais uma táctica de defesa do que o interesse do clube. É que o exemplo deve sempre vir de cima, essa linguagem é desadequada e o momento que o Sporting vive exige particular sensibilidade com esta matéria, pois, se da consequência dos esforços presidenciais não resultar união, pelo menos não deverá emergir ainda mais fragmentação. 

 

Finalizo, dizendo que estou efectivamente muito preocupado com esta realidade actual. Incomoda-me viver este ambiente que anteriormente nunca vi no clube, com tantos consócios, ou simplesmente adeptos, desavindos. Mais do que um clube de Sportinguistas, diz-se que o Sporting está dividido por supostos interesses diversos e perspectivas messiânicas, mais parecendo que a devoção devida ao clube se transferiu para "lobbies" e proseletismos de carne e osso. Não sei se será tanto assim, mas a verdade é que o último acto eleitoral teve uma disseminação de candidatos anormal neste tipo de plebiscitos do clube. Numa situação como a actual, dir-se-ia de emergência, exponenciada também pelo péssimo momento da equipa de futebol, expôe-se mais a necessidade de um estratégia de união e de uma liderança forte e efectiva, que deveria assentar numa visão prospectiva de futuro, estruturada e estruturante, que antecipasse os problemas em detrimento de ter de recorrer a soluções radicais, e nunca sujeita à ziguezagueante conjuntura. Simplesmente, e quem dirige o clube que me perdoe, não sinto nem acredito que Frederico Varandas seja o homem certo para esboçar e/ou pôr em prática algo de estratégico nessa matéria, porque o momento peculiar do clube exigiria, desde o início do seu mandato e especialmente agora, alguém com dotes de comunicação, sensibilidade, experiência e que soubesse apontar a um caminho e visão comuns que o presidente não mostrou até hoje ter na medida em que sempre se mostrou, nesta como noutras matérias, essencialmente reactivo, pelo meio permitindo o vazio. Deste modo, não vencendo o amor ao clube sobre o ódio e o ressentimento/ressabiamento, o Sporting permanecerá adiado, desenfocado e muito previsivelmente entretido com o fosso que inevitavelmente se irá cavar mais entre sócios comuns e claques. 

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