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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Jul20

Às voltas com a política desportiva


Pedro Azevedo

Um dos grandes problemas da gestão de Frederico Varandas tem sido a política desportiva perseguida, não só no sentido do não-aproveitamento de anteriores boas gerações de jogadores da Academia como também nas incursões no mercado que têm sido pouco menos que apocalípticas. 

 

Assim, nos últimos anos o Sporting desperdiçou em termos de rendimento desportivo jogadores como Demiral (saiu com Cintra e foi contratado posteriormente pela Juventus), Domingos Duarte (integrante do "Onze Revelação" da La Liga), Mama Baldé (melhor marcador do Dijon na Ligue 1), Daniel Bragança (melhor jogador do Estoril), Palhinha (imprescindível para Ruben Amorim no Braga), Matheus Pereira (Rei das Assistências no Championship), Ryan Gauld (melhor marcador do recém-promovido Farense) ou Gelson Dala (1 golo a cada 79 minutos de utilização no Rio Ave), mostrando assim à evidência o erro de análise (ou soberba) de Frederico Varandas quando decretou o "gap" da Formação. 

 

Adicionalmente, o Sporting contratou, sem qualquer rendimento desportivo significativo, jogadores como Valentin Rosier (5.3 milhões de euros mais o passe de Mama Baldé), Tiago Ilori (2,4 milhões mais comissões de manutenção por 60% do passe), Borja (3,5 milhões), Idrissa Doumbia (4,4 milhões), Rafael Camacho (5,6 milhões) ou Eduardo (3 milhões). Outros há que ficam a perder na relação como custo/benefício, como é o caso de Vietto (7,875 milhões por 50% do passe). Jesé (empréstimo de 2 milhões de euros), Fernando (conheceu melhor a enfermaria que os relvados) ou Bolasie foram empréstimos sem racional económico ou desportivo. Neto (850 mil euros) é apenas um bom suplente, o mesmo se passando com Luís Phellype (700 mil euros), jogador algo irregular e com propensão para ganhar peso. Restam Sporar, Plata e Matheus Nunes, sendo certo que para mim o brasileiro é o mais promissor e aquele que teve melhor rendimento global nos jogos com os grandes (pese embora o erro fatal que deu o segundo golo ao Benfica). E já nem estou a considerar para este efeito o custo anual em salários nada desprezível destes 15 jogadores.

 

O que verdadeiramente me preocupa no rol de contratações é não notar-se o dedo de um treinador ou Director Técnico, mas sim da Estrutura. Vou dar um exemplo: o esloveno Sporar é um jogador forte nas transições. Não sendo rápido, é inteligente, sabe explorar os espaços entre os defesas adversários e possui um remate forte e colocado (habitualmente raso, de difícil defesa para os guarda-redes). Simplesmente, o Sporting joga habitualmente contra equipas dispostas em bloco baixo e tem posses de bola compreendidas entre 70 e 80% com clubes do meio da tabela para baixo. Ora, embora Sporar dê apoios frontais, nessa situação precisamos essencialmente de um ponta de lança de área, com faro de golo, forte no jogo de cabeça e com sentido de antecipação, características que já se viu o esloveno não possuir. Causa assim alguma incredulidade este avançado ter sido a primeira opção (em jogos europeus e contra equipas mais fortes talvez se justificasse mais a sua utilização) no mercado, independentemente das qualidades que lhe apontei em cima, algo que não deveria ter passado despercebido ao olho clínico de um treinador. E é nesta falta de sentido de construção do plantel que vamos surfando na maionese, antevendo-se mais do mesmo na janela de Verão. Nesse sentido, muito mais do que a experiência anunciada por Frederico Varandas do que precisamos é de qualidade. Não se entende assim porque Acuña está de saída, ele que é a réstia de qualidade superlativa do actual plantel e um guerreiro. Só assim se entenderá a chegada de Antunes, embora não se compreenda muito bem a razão pela qual iremos adquirir um jogador presumivelmente de ordenado alto (o tal custo zero tão enganador) e que não joga há tanto tempo quando, em época de vacas magras, temos um lateral sob contrato e com muita propensão ofensiva (vantagem no sistema de Ruben Amorim) que acabou de fazer 23 jogos na exigente La Liga (Lumor). Tal parece-me um desperdício de recursos, mais a mais quando tudo indica que Nuno Mendes será titular indiscutível. Adicionalmente, não se entende porque se vai contratar Adán, guarda-redes que não virá nada barato e que não joga há muito tempo. Temos Max como primeira opção para valorizar e dar rendimento desportivo, se queremos um segundo guardião (porque não Renan que nos deu duas taças?) então talvez Beto fosse uma muito melhor opção. Enfim, poder-se-ia também abordar o estranho caso de Feddal, jogador sem carreira significativa e a anos-luz de Mathieu que vem protagonizando uma estranhíssima novela, mas o essencial está dito e denota uma falta de visão geral sobre o que é necessário, ou, pelo menos, uma visão profundamente deturpada e superficial do que urge ser feito. 

 

Cada vez mais parece fazer sentido a ideia de que Varandas não pretende ter no plantel jogadores contratados por terceiros, num pretenso desejo de afirmação que demonstra mais ego e soberba que inteligência. Tal está errado sob diferentes prismas e o Sporting é que mais uma vez "pagará as favas". Apostando tudo na sorte, uma vez mais.

 

Sorte? Sorte é quando a oportunidade encontra o nível de preparação adequado. Alguém acredita?varandasaeroporto1.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 30.07.2020

    O Sporting é um gigante que não pode estar aprisionado por lilliputeanos. Estes devem sim ter receio da "ameaça" que o tamanho do gigante representa para eles. Mas quando com orçamentos 3,5 vezes superiores ficamos atrás deles na classificação e não honramos os nossos compromissos (independentemente dos motivos de força maior, a verdade é que recebemos 27,5 milhões da venda de Bruno Fernandes e temos uma dívida total a fornecedores que já vao nos 71 milhões de euros), então não nos estamos a dar ao respeito perante eles e a nossa gloriosa história. O Sporting sempre foi ao longo da sua história - com pequenas excepções, muito curtas no tempo e rapidamente resolvidas pelos seus sócios - um clube cumpridor e de bem. Bem que nada tem a ver com benzoca, mas sim com os valores que fazem o bom nome de uma instituição sempre cumpridora com as suas responsabilidades. Não gosto de ver o que está a acontecer e não me revejo na opacidade geral da gestão. Ainda há pouco tempo saíram notícias nos jornais em que eram citadas fontes leoninas que apontavam para que só viéssemos a receber dinheiro por Bruno Fernandes em 2021. Lembro-me de alguns Sportinguistas, amigos, conhecidos e Leitores, na altura se agarrarem a isso como justificação plausível para não pagamento a outros clubes. Entretanto, saiu o R&C de Março e lá vinha na rúbrica de Clientes que o Man United já só nos devia metade do valor da transferência de Bruno (fora os extras). Enfim, é o que temos.

    O papel de qualquer presidente do Sporting Clube de Portugal é o de fazer cumprir o desígnio do nosso fundador. O Sporting é enorme, porém nas últimas décadas não tem sido enorme no futebol. O risco é o de quanto mais tempo "estivermos" menos sentido fazer "sermos". E aqui não pode haver dúvidas, urge não perdermos mais tempo no reencontro com a nossa história. Sou por natureza favorável ao cumprimento dos mandatos, mas não quero ser cúmplice da ideia que este mandato é para ir até ao fim... do Sporting.

    Saudações Leoninas, caro FV, e as minhas desculpas por só agora conseguir responder.
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