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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Fev19

Dia de Clássico


Pedro Azevedo

Hoje é dia de Clássico. Não de um clássico qualquer, mas sim d`O Clássico, o derby que transformou o profano jogo no objecto de uma adoração sagrada. Neste dia, Alvalade é um templo, um local divino de comunhão de uma religião sem ateístas, onde os deuses estão ali, de carne e osso, à nossa frente e para gáudio dos nossos sentidos. 

 

Para um adepto, o amanhecer do Clássico é diferente do de um outro dia qualquer. A garganta resseca, o coração lateja, a mão treme, enquanto o corpo se vai libertando progressivamente do entorpecimento matinal. Tudo num compasso mais acelerado do que o normal. A adrenalina vai crescendo à medida dos cenários que se vão construindo na mente e, até à hora do jogo, o adepto estará acometido de um transe que o transportará para múltiplas realidades virtuais. Nesse sentido, a contagem decrescente para o início da partida é, também ela, um jogo dentro do próprio jogo: mais comprido, sublime, genial, este jogo alternativo é todo ele feito de ilusões, quimeras ou fantasias que o jogo real, a maioria das vezes, se encarregará de desmentir.

 

Quando o Sporting e o Benfica se enfrentam há muito mais do que um jogo em disputa. Há uma rivalidade ancestral que faz desse confronto um campeonato à parte dentro do próprio campeonato. Muito mais do que os pontos em disputa, joga-se pelo orgulho e para alimentar a fé. Assim, cada golo, cada triunfo dos nossos, é celebrado como um ritual de sagrada comunhão em que os adeptos se cumprimentam e abraçam em perfeita sintonia, numa catarse que transforma o solitário "eu" num colectivo "nós". 

 

É esse desejo de ser parte de algo grandioso, maior do que nós, que inconscientemente faz o fervor de um adepto. Hoje, quando o jogo acabar, depois de luzes, cheiros, tactos, paladares e ruídos se desvanescerem, o adepto voltará à sua solidão e o Domingo readquirirá a sua típica melancolia. Ou, como diria Galeano, "será como Quarta-Feira de cinzas depois do fim do Carnaval"...

 

P.S. É importante, diria decisivo, criar condições para que um adepto nunca perca a fé, pois desmorecimento e apatia são inimigos da perenidade do clube tal como o conhecemos. Sporting sempre! Vamos!

sporting sempre.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 03.02.2019

    Uma bela história, caro RCL. Ainda não era nascido mas, segundo o relato que o meu pai me fez desse jogo, o póquer (quatro golos) de Lourenço foi conseguido com vários chapéus sobre o guardião benfiquista (Melo?), o qual viria depois a ser considerado réu pelos seus adeptos. Aparentemente, era baixinho...

    Cuidado com a carteira! Que os nossos jogadores não deixem que nos levem o que é nosso. Ainda mais, em nossa casa.
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