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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

26
Fev20

Futebol de autor ou futebol de cada treinador?(*)


Pedro Azevedo

Numa altura em que o Record pôs a circular o nome de um putativo futuro treinador do Sporting, não descurando que tal possa ser a lebre para o início da corrida de galgos, creio ser importante deixar aqui uma reflexão publicada neste blogue em 16 de Julho do ano passado sobre essa matéria: 

 

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de base e um conjunto de princípios que são incorporados desde a Formação. Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, formando os seus próprios treinadores ou indo ao mercado procurar treinadores que se adequem a essa filosofia, ou, em alternativa, se consideram que essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas?

 

(*) Publicado anteriormente pelo autor em Castigo Máximo

4 comentários

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    Pedro Azevedo 26.02.2020

    Boa tarde, Luís. Eu estou em desacordo consigo. Não estou a falar de sistemas tácticos, mas sim de princípios de jogo transversais aos vários escalões. Para mim, a Formação deve jogar e formar jogadores em obediência ao que está estipulado para a equipa principal. Aliás, deveria só haver um futebol do clube. Na minha opinião, algo que mantenha a inconsistência actual só significa perda desnecessária de dinheiro e de talento. Fazendo com que o potencial dos jogadores provenientes da Formação não se optimize, em alguns casos tornando o trabalho na Formação um castigo de Sísifo. O Luís acha que faz algum sentido andar a formar um 6 para jogo posicional e depois querermos um armário nessa posição nos seniores? Ou, querer-se nos seniores pontas de lança que ataquem a saída de bola adversária desde trás e depois formarmos avançados que não pressionam a saída de bola por não terem essas características. Diga-se, aliás, que essa definição superior não seria só útul para a realação com a Formação, muito do "inconseguimento" das nossas idas ao mercado diminuiria se houvesse uma ideia comum a cada novo treinador do Sporting. Por vezes jogam com o que os contratou, "encostam" com o próximo. Porquê? Porque pouco nexo de proximidade de ideias existe entre esses diferentes treinadores. Por isso, para mim faz pouco sentido ter uma mina de diamantes e não fazer tudo para os lapidar de uma forma exemplar. O que acontece hoje em dia é que muitos se perdem como carbono/carvão.

    Um abraço
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    Luís Ferreira 26.02.2020

    Pedro,

    A sua visão é correta e é dificilmente atacável porque é alicerçada num modelo global do que deve ser o futebol do Sporting. Sou incapaz de dizer que discordo. A ver se me explico então.

    Pelos treinadores. Klopp, Guardiola ou Simeone são 3 treinadores com princípios de jogo muito diferentes e assumo que concorda comigo que são dos melhores entre os melhores. Se existisse a possibilidade de contratar Simeone e o nosso princípio de jogo fosse mais tipo Guardiola, mas esse não podíamos contratar, iríamos para um treinador menos competente que se adequasse à nossa forma de jogar? De forma mais realista isto pode ser pensado para treinadores a que efetivamente conseguíssemos chegar.

    Pelos jogadores. Palhinha e Bragança são dois 6 diferentes e qualquer deles com muita qualidade. Deveríamos durante a formação desses jogadores descartar um deles porque não se adequa ao que queremos para essa posição?

    A meu ver, não devemos limitar nem o tipo de treinador nem o tipo de jogador que queremos. Os critérios principais devem ser a qualidade e a adaptabilidade. Adaptabilidade dos jogadores aos treinador e do treinador aos jogadores. E nesta ideia os nossos jovens jogadores devem ser trabalhados para ter os princípios base que lhes permitam jogar de diferentes formas e em mais do que uma posição.

    Eu não defendo a anarquia, mas mais flexibilidade do que aparenta na sua ideia. Sendo que é muito melhor essa ideia do que ideia nenhuma ou mudanças de ano para ano, que é o tem acontecido.

    Um abraço

  • Imagem de perfil

    Pedro Azevedo 26.02.2020

    (Complementando)

    No fundo, não estaria em causa a competência e categoria de Simeone enquanto treinador, simplesmente não seria o treinador ideal ou adequado para uma equipa que quisesse ter os princípios de jogo da escola Guardiola. Um pouco o que sempre pensei sobre Jesus, mas por outros motivos, na medida em que nunca achei que fosse o treinador ideal para um projecto sustentado na Formação .
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