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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Ago20

Há vida para além do défice

Miguel Oliveira


Pedro Azevedo

Despertei para as corridas de motos quando as cilindradas mais potentes (a classe rainha) ainda eram de apenas 500 centímetros cúbicos (meio litro). Na época, o Randy Mamola era quem mais me fazia vibrar, especialmente quando o piso estava molhado e a sua destreza, que incluía autênticos números de rodeo em cima da máquina, permitia verdadeiras serenatas à chuva (Assen 1987) que colmatavam o facto de não possuir uma moto tão bem preparada quanto a dos seus concorrentes Fredie Spencer, Wayne Gardner ou Eddie Lawson. Fui também fã do Kevin Schwantz e mais tarde do Valentino Rossi. 

 

Quando o Miguel Oliveira começou a ganhar umas provas de 125 c.c. num campeonato espanhol marcado pelos intensos duelos com Maverick Viñales, percebi que pela primeira vez um português poderia ter uma palavra a dizer no Mundial de Motociclismo. E de facto assim tem sido. Após um início conturbado em Moto3, o Miguel encontrou na KTM um parceiro à altura das suas ambições. Com a marca austríaca foi progredindo, primeiro sagrando-se vice-campeão em Moto3, depois repetindo o feito em Moto2. Até que no ano passado chegou à MotoGP, não pela mão da equipa oficial, de fábrica, mas sim através da Tech 3, "team" francês que chegou aos Grandes Prémios de motociclismo em 1990 e à classe rainha em 2001. 

 

O primeiro ano de Miguel em MotoGP não foi fácil, com um acidente pelo meio que lhe condicionou parte da época. Mas sentia-se que a qualidade estava lá, o que lhe permitiu superiorizar-se na maioria das vezes ao seu colega de equipa. Este ano, dada a evolução geral das KTM, esperava-se melhor. E as expectativas cedo confirmaram-se. Logo na estreia, em Jerez, igualou a sua melhor posição em corrida, um oitavo lugar. Em Brno conseguiu a sua melhor classificação de sempre até aí (6º). E mais teria feito não fora dois abalroamentos provocados por colegas da equipa oficial na 2ª corrida em Jerez (Brad Binder) e na 1ª em Spielberg (Pol Espargaró). Até que no Domingo tudo bateu certo, conseguindo a sua 1ª vitória e pódio em MotoGP e dando a Portugal e à Tech 3, de Hervé Poncharal, o seu também 1º triunfo na prova máxima das duas rodas, feito nada desprezível se pensarmos no lote de talentosos pilotos que ao longo dos anos tripularam as motos da equipa gaulesa, onde se incluem nomes como os de Alex Barros, Marco Melandri, Carlos Checa, Colin Edwards, Cal Crutchlow, Andrea Dovizioso, Bradley Smith, Pol Espargaró ou Johann Zarco. 

 

A vitória épica de Miguel Oliveira na Estíria foi a confirmação não só da rapidez e talento natural do piloto português mas também da sua inteligência em corrida. Afinal, não é à toa que os próprios colegas o denominam de "Einstein da MotoGP". Assim, foi com enorme orgulho e ainda com grande emoção (tantas horas passadas sobre o imenso feito) que alinhavei estas humildes linhas. Muitos parabéns, Miguel Oliveira!

3 comentários

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    Pedro Azevedo 25.08.2020

    Caro José, na véspera vi o Viñales despedir-se da moto numa recta talvez a 300 Km/h. A Yamaha dele perdeu os travões e ele decidiu largar-se enquanto ainda havia alcatrão. Coisa de “cascadeur”, se calhar ao Eddie Knievel nem nunca ocorreu.

    O Miguel obteve um grande triunfo para ele, para o país e para a Tech 3. Há sempre uma hipótese de sucesso quando se é dedicado, trabalhador, observador e humilde. Sorte? Sorte é quando a preparação encontra a oportunidade certa, e o Miguel viu essa oportunidade na última curva. A preparação faz um campeão. Grande Miguel Oliveira!
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    Anónimo 26.08.2020

    Evel. Sorry.
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