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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

19
Fev19

Insustentável ingratidão


Pedro Azevedo

João Moutinho, em entrevista a um canal oficial da Premier League, disse que trocar o Sporting pelo Porto foi das melhores decisões da sua vida. Entretanto, em jeito de despedida aos adeptos leoninos, Luís "Nani" afirmou nunca ter pensado em sair do clube, complementando com um pungente "o Sporting significa tudo para mim".

 

Se Moutinho nunca mostrou saber respeitar o clube que o formou, já Nani foi sempre grato e reconhecido, mantendo em todas as suas declarações públicas a reverência para com o clube própria dos espíritos humildes e sãos.  

 

Por isso, magoa ver Nani tratado na imprensa e redes sociais como um "custo". E choca ainda mais, quando agora se liga a sua saída a uma menos boa convivência com Bruno Fernandes. Caramba, eu até sou suspeito - considero Bruno o melhor jogador deste plantel por uma milha de diferença -, mas trazer o nosso antigo capitão e grande leão para uma luta de galos é algo que ofende a minha identidade sportinguista. 

 

Pode não haver dinheiro e isso apressar um conjunto de decisões. Questionáveis, certamente, mas entendíveis. Mas despedirmo-nos de um dos maiores talentos produzidos em Alvalade - um jogador com mais de 100 internacionalizações pela selecção portuguesa - , com um singelo comunicado e uma saída pela porta pequena (sem sequer uma despedida condigna no estádio que o viu nascer), permitindo adicionalmente que cresça mais uma daquelas teorias da conspiração tão idiossincráticas do que tem sido o clube, não é digno de uma Cultura Sporting. Ou então é, e isso explica muito daquilo em que se tornou o clube nas últimas décadas. Quando tratamos assim os que nos respeitam... 

 

P.S. Tenho poucas dúvidas de que se Cristiano Ronaldo voltasse, logo haveriam alguns assobios nas bancadas e lhe seriam apontadas incompatibilidades no balneário, como se antes não tivesse sabido lidar com plantéis onde se destacavam jogadores como Kaká, Bale, Sérgio Ramos, Casillas ou Modric. Mas quando alguns adeptos (e não só?) olham para a qualidade e forte personalidade como um problema...

P.S.2 Parece que Luc Castaignos finalmente saiu. Esta sim, uma boa notícia.

P.S.3 Bruno Fernandes tem tudo para vir a ser um grande capitão do Sporting. Assim tenha tempo e uma equipa de nível à sua volta. 

P.S.4 Aquele final de jogo contra o Porto, na Taça da Liga, em que Nani e Bruno coabitaram no centro, coincidiu provavelmente com o melhor Sporting desta temporada.

nanisportingsetubal.jpg

4 comentários

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    Pedro Azevedo 19.02.2019

    Meu caro,

    creio que Bruno Fernandes tem características inatas de líder, o que não invalida que a saída de Nani não tenha sido consonante com o que deveria representar para o Sporting. Depois, surgem sempre rumores desprestigiastes para quem nos representou com brio...

    Outra coisa que nos vem caracterizando é a profusão de conclusões tiradas a partir de indicadores estatisticamente irrelevantes. Por exemplo, ganhámos 1 jogo em que Nani não está e já se prova que este é que fazia a equipa não ganhar, criava mau ambiente. É o tipo de sondagem com uma amostra de uma observação . O mesmo se passa quando um atleta emprestado marca um golo. Foi logo um erro o seu empréstimo. De uma forma geral, o que nos falta é consistência: nas nossas convicções de adeptos, da equipa no campo, dos dirigentes nos bastidores. Assim, continuando a não ganhar, vamos sempre apontar a bataria a alguém, procurando o culpado, o bode espiatório. Correndo o risco de sermos muitas vezes injustos. Melhor seria (digo eu) focarmo-nos nas soluções. No dia que adeptos, jogadores, treinadores e dirigentes estejam imbuídos desse espírito, em detrimento de planearem antecipadamente a desculpa para o fracasso, então estaremos mais perto daquilo a que se chama o sucesso.

    SL

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    LMGM 19.02.2019

    Concordo que Bruno Fernandes reúne as características necessárias para ser líder, infelizmente, reúne igualmente um factor que para mim seria eliminatório, ter rescindido com o Sporting.

    Há factos que pela fractura que ocasionam não permitem regressar ao ponto de partida. Após a invasão da Academia o Sporting teria de ser ouvido em assembleia eleitoral e a necessidade de materializar o processo com o menor prejuízo possível ao Sporting devia ter sido cristalina para todos os envolvidos. Não foi, a realidade arrasou com qualquer imaginário de terror e deixou todos, principalmente o Sporting, muito pior.

    Não tenho qualquer problema com o regresso de Bruno Fernandes, mas capitão? Essa condição que ele hoje assume é uma boa ilustração das carências que o Sporting vive, até um capitão é difícil de encontrar, escolher e manter...

    Como bem diz, falta consistência e acrescento eu critério.

    P.S.- Critério in Dicionário Priberam
    cri·té·ri·o
    substantivo masculino
    1. Faculdade de distinguir o verdadeiro do falso, o bom do mau.
    2. Capacidade, autoridade para criticar.
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    Pedro Azevedo 19.02.2019

    Certamente ninguém mereceria o que aconteceu em Alcochete. Desde logo os adeptos (não confundir nunca com a meia centena de perpetradores), os que com renovada angústia ainda sofrem com este incidente. Os jogadores também não, obviamente, ninguém pode concordar com isso. De entre eles, Bruno era o que mais se destacava. Com números excelentes (16 golos+18 assistências+19 contribuições decisivas para goloa). A dado momento torna-se difícil não confundir o clube com o acto. Após algum tempo, Bruno voltou atrás. Não sei se isso lhe rendeu dinheiro (ele diz que não), mas sei que qualquer outro clube lhe pagaria muito mais. Os anteriores capitães, por exemplo, nunca voltaram, exceptuando Coates, o único não-formado no clube, que, aliás, nunca rescindiu.

    Às vezes não se trata de ter razão. Eu compreendo as suas palavras, as suas razões, as minhas também, mas creio que no superior interesse do clube temos de avançar. Há situações que ocorrem no clube que têm muito mais a ver com a falta de identidade, Cultura corporativa, que há décadas devia ter sido implementada, que se reflectem em adeptos e atletas, que faz com que coisas indesejáveis provenientes de fora entrem no clube, sem filtro. Numa crise eu vejo uma oportunidade. Neste caso, de começar de novo. Por isso, temos de limpar o passado recente, curar o ressabiamento e o revanchismo, procurar alcançar o coração e a alma das pessoas, da vasta maioria de moderados que amam o clube e que não se revêm nos polos opostos radicais que põem as suas razões acima do clube. Para isso, precisamos de uma liderança inspiradora. Que pode ser serena, mas tem obrigatoriamente de ter causas, de ser agregadora. Este é o desafio que se coloca a quem nos defende fora e dentro do campo. Em relação aos jogadores (até porque sobre Varandas, após um último Post, prometi não voltar), eu creio que Bruno é um líder no campo. Pela forma como ajuda a organizar a equipa, pela garra e comprometimento que mostra, pela qualidade, por jogar e fazer jogar, por nunca se render mesmo nos dias em que as coisas não lhe saem. Ele quer ganhar, e eu também! Por isso, se é um "fresh start", eu penso que Bruno Fernandes pode ser o capitão, braçadeira que estava muito bem entregue a Nani, campeão da Europa, vencedor da Champions e produto da nossa Formação, cuja saída constitui para mim um rombo na nossa identidade, algo que tem de estar a montante do desempenho desportivo. Aliás, acredito que quando tivermos uma identidade forte estaremos mais perto de ganhar tudo. É preciso consistência, é preciso convicção. E visão, para sabermos qual o caminho e saber partilhá-lo com os adeptos.

    SL



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