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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Set19

Marcel Keizer


Pedro Azevedo

Comecei por estranhar a vinda de Marcel Keizer. As informações que tinha contrariavam a visão de que seria um treinador da escola do Ajax (andara por lá, mas...) e com especial vocação para apostar em jovens (havia sido Peter Bosz a lançar os jovens que o ano passado espantaram a Europa). Mas, se primeiro estranhei, ao fim de uma primeira série de jogos Keizer entranhou-se no meu afecto. Até que chegou o fatal jogo de Guimarães. Fatal não somente pela derrota, mas essencialmente por na cidade berço terem morrido parte das convicções iniciais de Keizer (a maioria das análises incidia sobre os golos sofridos, esquecendo que em 7 jogos havíamos marcado por 27 vezes). É certo que ainda ganhámos duas taças - algo que não é nada dispiciendo tendo em conta o histórico recente do nosso clube - , mas aquele futebol de vertigem que me encantou desapareceu. De facto, a qualidade do nosso futebol nunca mais foi a mesma, pese embora uma boa recuperação dos resultados na recta final tenha levado a generalidade dos analistas (sempre mais dispostos a valorizar os resultados em detrimento do processo) a apreciar a aculturização do holandês ao futebol português. Mas Keizer, abalados os seus princípios (apenas por uma derrota) - futebol a 1/2 toques, recuperação de bola em 5 segundos, procura do jogo pelo centro, movimentos constantes de aproximação à bola, dissuasão pelos corredores, entre outros - , já estava "ferido de morte". Como aliás se confirmou neste início de época. No final, dever-lhe-á ter ficado uma sensação amarga: é que se vamos "morrer" um dia, que tal ocorra pelas nossas convicções, não pelas convicções de outrém. Caro Senhor (literalmente!) Keizer: muito obrigado e felicidades pessoais e para a sua carreira! 

 

P.S. Não atribuo tanto a derrota em Guimarães à surpresa inicial (que foi o futebol de Keizer) se ter esgotado. Recordo que nesse jogo Diaby esteve particularmente desinspirado, estragando jogadas sem conta (e foi jovane que foi rendido ao intervalo...), e que a equipa deu alguns sinais de menor frescura física. Sim, o sistema de jogo de constantes aproximações à bola era especialmente exigente do ponto de vista físico e a equipa não estava suficientemente preparada para o suportar naquela fase mais intensa de jogos (Liga Europa e Taça da Liga a meio da semana, Campeonato aos fins de semana). Ainda quis acreditar que, fazendo a pré-temporada, Keizer pudesse resolver esse aspecto e voltar a implementar o seu sistema inicial. No entanto, para minha surpresa, o futebol praticado nada tinha a vêr com o inicial e a equipa arrastava-se em campo após os 60 minutos...

Marcel_Keizer sorriso.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 04.09.2019

    Caro Rui,

    é sempre um gosto lê-lo por aqui (ou por ali...).

    Ora bem, ontem ouvi na televisão o comentador Pedro Henriques, que até estimo, dizer que com Keizer jogávamos pior que com Peseiro. Só faltou falar em Paulo Sérgio. Eu que vou à bola há 44 anos já vi tanta coisa... O Vercauteren, o Waseige (que era um senhor, mas...), o Cantatore, as "cantigas do Agatão", enfim, não quero ser incorrecto com ninguém mas já vi muito pior. A única similaridade que se pode encontrar entre o Paulo Sérgio e o Marcel Keizer é o Pinheiro: um quis muito um pinheiro, outro jamais se esquecerá do Pinheiro que lhe saiu em rifa.

    Rui, temos de rever os nossos conceitos económicos: ontem, o presidente Varandas disse que terminou um ciclo. Ora bem, para um treinador de projecto convenhamos que um ciclo de 10 meses é obra. Nem um microciclo será, mas está bem...

    Tal como o Rui, eu gostei muito do Keizer inicial. Provavelmente, nunca saberemos o que se passou. O que vimos acontecer foi um empobrecimento gradual das suas convicções iniciais. Como decerto concordará, e eu sei que procura ler o jogo para além do óbvio, o Keizerbola final nada tinha a ver com o Keizerbol inicial.

    Compreendo a lógica do resultado. Eu sempre fui orientado para o resultado, mas digo-lhe com convicção que se não fosse permanentemente desconfiado e se não tentasse melhorar o que existe teria sido surpreendido mais vezes do que gostaria. Houve momentos em que o resultado positivo se associou a sorte pois o processo não era suficientemente forte ou maduro, e foi a preocupação com o processo e com as melhorias que deveriam ser feitas que me evitou grandes dissabores futuros.

    Às vezes compramos tempo e depois não sabemos o que fazer com ele. Num mundo em que a evolução tecnológica proporciona ganhos de produtividade crescentes, convém esse tempo ser alocado a novas tarefas. O que ainda não vi ser feito é projectar transversalmente uma ideia de futebol, um modelo de jogo, transversalmente da equipa principal até aos escalões jovens. Também ainda não vi algo credível que me sugira que a integração gradual dos jovens nos seniores seja uma realidade. Isso deixa-me pouco sossegado com o tema da sustentabilidade.

    O futebol de Keizer declinou daquele futebol a 1 ou 2 toques, recuperação em 5 segundos, dissuasão dos alas, procura sistemática do centro, movimentos de aproximação à bola em carrossel e penetrações entre lateral e central, para a Táctica do Quadrado, uma tentativa desesperada de enquadrar Vietto. No seu pior, poucas diferenças haviam entre a Táctica do Pudim Molotov (com um buraco no meio) de Peseiro e a Táctica do Quadrado, ambas davam jogo entrelinhas ao adversário. Nesse sentido, Keizer tornou-se um santo contestável. A ironia disto tudo é que no momento em que foi para casa e abandonou a Táctica do Quadrado, eis que chegou a Ala dos Namorados, um trio de aventureiros cavaleiros que se veio juntar a Jovane, Camacho, Plata, Acuña (se quiserem Borja) ou Vietto (where else?)

    Um abraço
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