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21
Out19

O rugby como exemplo dos valores no desporto


Pedro Azevedo

Há quem diga que o clima pesado que se vive no futebol português deve-se ao desporto-rei ter deixado de ser um espectáculo para passar a ser um negócio. Tal à primeira vista parece fazer sentido, mas este fim de semana deu-me algumas pistas em sentido contrário. 

 

Sábado e Domingo a SportTV trouxe até nossas casas a transmissão dos jogos dos quartos de final do Campeonato do Mundo de Rugby que se tem estado a disputar no Japão. O desporto da bola oval há muito deixou de ser amador, tempo em que os profissionais jogavam a variante de Rugby League (13 jogadores e sem "mêlées") enquanto o rugby do "Cinco Nações" que passava na RTP, narrado pelo saudoso "Cordeiro do Vale" (Serafim Marques) se denominava (e continua a denominar) de Rugby Union. Hoje em dia, o rugby de 15 profissionalizou-se e já há muito dinheiro envolvido, na Europa com campeonatos nacionais, como o francês (Top 14) ou o inglês (Premiership), muito competitivos e uma Heineken Cup (a Champions do rugby) que reune a elite das melhores equipas europeias, proveniente de Inglaterra, França, Gales, Irlanda, Escócia ou Itália (sem representante na última edição). Por outro lado, no hemisfério sul, existe o Super 15, competição que envolve equipas provenientes de 4 continentes diferentes (Argentina/América, África do Sul/África, Japão/Ásia e Austrália e Nova Zelândia/Oceania). Adicionalmente, existem torneios anuais de selecções que atraem também importantíssimos patrocinadores e que são verdadeiros campeonatos, como são os casos do Torneio das 6 Nações (o antigo "5 Nações" mais a Itália) ou o Rugby Championship (o antigo "Tri Nations", com as habituais selecções da Nova Zelândia, Austrália e África do Sul, desde 2012 reforçado com a Argentina).

 

Olhando para os jogos deste fim de semana, o que pude eu constatar? Desde logo, a preocupação com a verdade desportiva que levou o rugby a ser uma das primeiras modalidades com TMO (o VAR do rugby). Depois, sendo um desporto iminentemente viril, o fair-play existente entre os jogadores das diversas equipas. Digno de registo também é a actuação do árbitro, sobre a qual nunca incide qualquer suspeição, sempre disponível para ajudar os jogadores de uma forma preventiva e pedagógica e sem se querer tornar em protagonista do jogo por atitudes estridentes e repressivas. Finalmente, a festa que o publico faz nas bancadas, vivendo o espectáculo de uma forma sã e harmoniosa perdendo ou ganhando.

 

É também sobre isto que as entidades que supervisionam o futebol e a organização das competições em Portugal deveriam assentar o seu pensamento. Comecemos pelos árbitros: enquanto um árbitro de rugby é um facilitador do espectáculo, o seu homónimo do futebol é um punidor por natureza, trocando a prevenção pela repressão e até desrespeitando os atletas de forma insultuosa como em tempos não muito idos foi amplamente captado por microfones e câmaras de TV num jogo do Sporting B. Para além disso, no futebol português existe uma suspeição generalizada sobre os árbitros. De seguida, analisemos os melhoramentos em termos de verdade desportiva: os árbitros de rugby tiveram muito mais testes com o TMO (Television Match Official) antes das grandes competições e as comunicações entre árbitro e TMO durante um jogo podem ser ouvidas em todo o estádio e ecrãs de televisão, o que aumenta a transparência das decisões. Quanto aos jogadores, eles disputam todos os lances com vigor mas também com lealdade e, quando punidos, raramente sequer abrem a boca para argumentar seja o que for. Impera o respeito pelo árbitro e pelas suas decisões, bem como também entre os jogadores. Não há paragens por simulação de lesão (o árbitro pode parar o cronómetro) nem tentativas de enganar o árbitro, o que torna o jogo muito mais fluído. Para finalizar, como é triste a predisposição do adepto de futebol português face a um adepto de rugby. Antes de mais, nota-se uma grande ausência de cultura desportiva na mentalidade do adepto de futebol em Portugal. Essencialmente, as pessoas gostam do seu clube e nisso ficam barricadas, muitas vezes desprezando o próprio futebol, o jogo em si. Isso aliás é bem notório na disposição dos adeptos das 2 equipas nos estádios, com necessidade de separação entre eles. Assim, todo o ambiente prepara mais para uma guerra do que para uma festa, exactamente o contrário do que se observa no rugby.

 

No fim do dia, a melhor coisa do futebol ainda é a bola, bem redondinha e bem mais maneirinha do que o "melão" do rugby, porque tudo o resto não rola conforme o desejado. Reflictamos sobre isto, sejamos à mesma exigentes e peçamos profissionalismo e máximo empenho aos artistas e a quem os dirige ou enquadra, mas não deixemos que os valores do desporto-rei se percam ou que se confunda o amor ao jogo e a celebração da vida com ódio e conflitos bélicos.

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