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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Out19

O Seis


Pedro Azevedo

De todas as posições do futebol actual, a provavelmente mais exigente é a "6". As grandes equipas do futebol mundial tiveram sempre jogadores muito influentes nessa zona do terreno. Consoante a sua filosofia de jogo, estas equipas tinham trincos intensos e repressivos que permitiam fazer brilhar os solistas do meio campo, ou refinados tecnicistas que davam início à construção do jogo e sabiam posicionar-se defensivamente. Por exemplo, no Real Madrid dos anos 90 existia um jogador da minha particular admiração. Tecnicista, canhoto, cabeça levantada e bola sempre colada ao pé, toque de artista, Fernando Redondo tinha um perfume de futebol cujo odor se espalhava por um perímetro significativo do rectângulo de jogo. Era ele que ligava na perfeição os sectores, como se tivesse um elástico que unia toda a equipa, alargando ou encurtando os espaços consoante a conveniência do momento. Jogador de características totalmente opostas, Makelele foi igualmente um jogador decisivo dos merengues ("Dream Team") no início do milénio. O seu pulmão inesgotável fazia dele um "all-in-one" no meio campo defensivo, recuperando a bola e libertando o génio de Figo, Zidane ou Beckham para tarefas exclusivamente ofensivas. Como se pode constatar, dois jogadores diferentes, duas filosofias de encarar o jogo distintas por parte dos treinadores, a mesma eficácia. 

 

No Sporting, o mais perto que tivemos de ter um Redondo foi quando Sousa Cintra foi buscar Paulo Sousa ao Benfica. Este, tal como o argentino dos merengues, sabia posicionar-se defensivamente e através do passe de primeira dava geometria a todo o jogo da equipa, simultaneamente tendo a capacidade de avançar com a bola e queimar linhas do adversário. Mais na linha do francês do Real Madrid houve Oceano, jogador de uma generosidade tremenda em campo que mais para o ocaso da carreira até brilhou em tarefas mais ofensivas. Actualmente, falta ao Sporting um destes dois biotipos de jogador. Battaglia será o que mais se assemelhará ao género Makelele na intensidade posta em cada lance, pese embora a sua tendência de arrancar com a bola em detrimento de logo a passar a um solista denunciar estarmos mais na presença de um "8" do que de um "6". Mas, se a filosofia de jogo fosse outra e a posição "6" concebida a partir de uma ideia de construção de jogo, Daniel Bragança poderia ser o nosso Redondo. Actualmente em grande plano no Estoril de Tiago Fernandes, Daniel tanto é capaz de produzir aquele futebol rendilhado, entrelinhas, que une a equipa como de esticar o jogo através de uma consciência muito apurada do timing ideal do passe de ruptura. Nesta última vertente ele seria um "6" a pensar como um "10", uma espécie de Pirlo, o "calciatore regista" do futebol italiano, ou Frenkie De Jong, o herdeiro da escola de jogo posicional que Michels e Kovacs impuseram no Ajax nos primeiros anos da década de 70. 

2 comentários

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    Pedro Azevedo 29.10.2019

    Bom dia Maria, na actual equipa de sub-23, a maior parte das rupturas são feitas pela classe de Matheus Nunes. Não me parece que o Rodrigo tenha características semelhantes às do Bragança, Redondo ou mesmo Paulo Sousa, como também não será um Makelele. Vejo-o mais com características híbridas, do tipo do William (aqui estou de acordo consigo), mais posicional (do tipo Palhinha). O William encantava-me essencialmente pelo passe vertical, entrelinhas, característica do seu jogo sublimada com Leonardo Jardim e que se foi perdendo aos poucos com outros treinadores.
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