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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

19
Jun19

O Sobrenatural de Almeida


Pedro Azevedo

O genial crónista brasileiro Nelson Rodrigues, fanático adepto do Fluminense, associava as derrotas do seu time à existência do sobrenatural. Dando "corpo" a esse sentimento, criou o personagem do Sobrenatural de Almeida, um fantasma, o responsável por todo o sofrimento do povo tricolor. Já depois da sua morte (Nelson Rodrigues faleceu em 1980), o Flu esteve 9 anos sem ganhar nada e a memória colectiva dos seus adeptos não esqueceu o Sobrenatural de Almeida. Até que, finalmente, o Flu venceu o campeonato carioca de 1995, batendo o Flamengo por 3-2 numa final disputada no Maracanã, nome pelo qual se tornou conhecido o Estádio Mário Filho, baptizado assim em memória do jornalista com o mesmo nome e irmão de... Nelson Rodrigues. O engraçado é que o título do "Pó de arroz", alcunha dada ao Fluminense em virtude de ter sido uma das primeiras equipas brasileiras a jogar com atletas negros - em tempos em que um condenável racismo era mais evidente e menos súbtil do que é hoje, os adversários, jocosamente (verdade ou não), garantiam que Carlos Alberto, jogador mulato, se maquilhava no balneário para não contrastar com os demais - , foi conseguido através de um golo de Renato Gaúcho (a 4 minutos do fim) marcado com a barriga. Místicos como poucos e com grande criatividade, logo os adeptos brasileiros do Fluminense atribuiram ao divino umbigo de Renato o desaparecimento do Sobrenatural de Almeida. 

 

Olhando para o Sporting, também dá vontade de erradicar o Sobrenatural de Almeida, aquele que carregou Ricardo dentro da pequena área, marcou com a mão pelo Paços, ou levantou a bola dos pés de Bryan Ruiz. Ainda tive esperança que tudo se resolvesse com a chegada de Teo Gutierrez, "o divino umbigo" do Sporting. A ele vi marcar com a bunda, anca, canela, ombro e até partes íntimas e protuberantes, para além de também com o umbigo, claro está. Mas nem a sua forma pouco convencional de fazer abanar as redes foi capaz de desfazer a assombração do Sobrenatural de Almeida. Pensando bem, o nosso fantasma não sei se será Almeida: ele é bem capaz de ter um ou dois primos a actuar(em) em Portugal, igualmente Sobrenatural pela parte da mãe, mas com outros apelidos por parte dos pais, cobrindo assim o país de Norte a Sul. Com uma ajudinha aqui e ali (macumba) vinda das nossas áfricas, que esta coisa de fazer passar a bola por cima da barra sem guarda-redes na baliza não lembra nem a um fantasma.

FANTASMA.jpg

3 comentários

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    Pedro Azevedo 19.06.2019

    Mau caro,

    não consegui confirmar essa informação de que o Bangu foi a primeira equipa brasileira com jogadores negros. Em todo o caso vou dá-la como boa, pelo que fiz uma ligeira emenda no texto. Um dos maiores vultos do futebol brasileiro, o Arthur Friedenreich, filho de mãe negra e pai alemão, começou a jogar em 1909 (Germânia, actual Esporte Pinheiros, São Paulo), pelo que talvez a data até seja anterior à sua. Em todo o caso, o Flu tinha o jogador Carlos Alberto. Não sei se é verdade que era obrigado a maquilhar-se, ou se tal deriva de o Flu ser visto como um clube das classes altas em oposição a um Flamengo de matriz mais popular (que resultou de uma cisão no Flu), pelo que os adversários também lhe poderiam ter posto o anátema. A confirmar-se, seria uma vergonha, está claro. Ninguém de bom fundo diferencia a qualidade de um Homem pela cor da sua pele.

    Amante de causas difíceis ("underdogs"), o meu clube no Brasil é o Fluminense, essencialmente devido a Rivelino (primeiro) e a Renato Portaluppi (chamado de Gaúcho), depois. Tal como sou do Man U desde quando este não ganhava nada. Essencialmente devido às histórias que tinha ouvido em pequenino sobre Best. Mas aí fui "umbigo divino" deles. Venceram finalmente o título (92-93) quando eu estava a trabalhar em Londres.

    Um abraço

    P.S. as entrelinhas...
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    RCL 19.06.2019

    Pedro : garanto que foi o Bangu que jogava na 2a ou 3a série, vem dos meus conhecimentos brasileiros. Engraçado, hoje muitos clubes brasileiros revindicam ser o primeiro a ter negros mas o Flu do Cachaça do Nelson não foi.
    O Fluminense teve DIDI, autor da folha seca, o Botafogo teve Garrincha o maior jogador carioca de todos os tempos, dos maiores do Brasil e do Mundo. Vi jogar Garrincha no Maracaña contra o Vasco da Gama. Tive pena de Coronel, o seu marcador.
    O Brasil teve os maiores jogadores do Mundo, e ainda tem, agora menos, o Pedro que é uma encicloppédia sabe mais do que eu.
    Nunca vi o degradante esperáculo João Félix, o meu conterraneo, os seus pais, ambos professores, tem que por um travão nisso. Ou será necasssário outro calduço do Bruno Fernandes.
    Bom dia de trabalho.
    SL
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