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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Mar19

Observatório da Formação


Pedro Azevedo

Tento sempre ver as coisas exclusivamente pelos meus olhos e o que eles me dizem é que há talento na Formação e isso deve ser assumido sem tergiversações ou politiquices conjunturais. Por exemplo, da equipa que o ano passado venceu o campeonato nacional de iniciados, Joelson, Daniel Rodrigues, Tristan Hammond e Lucas Dias ("Luquinhas") são jogadores acima da média. Olhando para a geração acima, que está no segundo ano de juvenil, Bruno Tavares e Gonçalo Batalha também se destacam. Portanto, só neste lote já temos 6 jovens promissores, com um "box to box" ( Daniel), dois "10" ( Lucas e Gonçalo), dois alas (Joelson e Bruno) e um ponta de lança ( Tristan). O futuro destes miúdos dependerá muito da forma como se desenvolverem mental e fisicamente, pois a qualidade técnica está toda lá. Também será consequencia da existência (ou não) de um plano de carreira definido superiormente. Veja-se o caso dos dois médios de ataque que estão a despontar: se, no futuro, no escalão de juniores, formos buscar jogadores para essa posição estaremos a travar a progressão destes jovens e a tirar sentido à aposta que neles se fez desde tenra idade, a qual deve ser consistente e feita de forma convicta, o que deve ser entendido como um acto de gestão bem mais lato do que a assinatura de um contrato profissional. 

No actual escalão de iniciados temos também talento de sobra a despontar: o lateral esquerdo Martim Marques, os médios Tiago Octávio, Samuel Justo e Mateus Fernandes, o ala Isnaba Mané ou o avançado Tiago Sousa.  Aonde me parece que houve estagnação é no escalão de juniores. Não que não haja talento, pois Diogo Brás, Bernardo Sousa, Gonçalo Costa ou Felix Correia têm-no de sobra, mas porque nomeadamente os 3 primeiros estagnaram a sua progressao, eles que se destacaram na Academia por, conjuntamente com Tiago Djaló - saído recentemente para o Milan - terem vencido 3 campeonatos nacionais de forma consecutiva. Mas nestes casos estou em crer que a falta de perspectivas acima e a mudança de treinadores não os beneficiaram em nada, pois na minha opinião nenhum treinador recente do escalão tem as qualidades de artífice que se reconhecem num João Couto, Pedro Coelho, ou mesmo Pedro Pontes, todos eles técnicos com um ADN de formador, que privilegiam a evolução do jogador em detrimento da conquista a qualquer custo de títulos nacionais.

6 comentários

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    Pedro Azevedo 05.03.2019

    Tem toda a razão na análise que faz. Mac evitou uma derrota certa. O pior da descida de Feraldes e Miguel Luis foi o facto do recém-chegado Matheus Nunes, titular nos 2 jogos anteriores - em cada um deles jogou os 90 minutos - não ter jogado. Trava-se assim a progressão de um jogador para jogarem outros que já não deveriam vir a este escalão.

    Mas há muita qualidade na nossa Formação e ela é bem visível nos juvenis e iniciados. Ainda esta manhã batemos o Benfica, nos juvenis, jogo onde ficou bem patente a qualidade de alguns dos nossos miúdos. É preciso é saber trabalhá-los e termos técnicos como o professor João Couto a enquadrá-los, um homem preocupado em pacientemente lapidar o talento, mas sem olvidar que por trás do jogador está um miúdo que tb necessita de acompanhamento. Dito isto, numa opinião muito pessoal, creio que Tiago Fernandes não era propriamente um treinador interessado em fazer uma carreira na Formação, desconhecendo se teria perfil para isso. O que é um facto é que vários jogadores estagnaram com ele.

    SL
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    Luís Barros 05.03.2019

    Carissimo, se a nível dos iniciados e dos juvenis a formação têm se mostrado competente, realmente, é nos escalões mais próximos de acesso à equipa principal que temos mostrado desde há várias épocas grandes lacunas. Por exemplo, nos juniores, não vejo José Lima com grandes aptidões para criar uma equipa competitiva e vencedora, tal como estava a acontecer nos Sub-23, que melhoraram com a entrada Alexandre Santos.
    Há pouco tempo fiz uma visita histórica às últimas épocas em que fomos campeões nos juniores e nos proveitos desportivos e financeiros que trouxeram ao Clube e há factos interessantes.
    Na última época que fomos campeões em 2016/2017, perdemos Rafael Leão, Demiral e Tiago Djálo entre outros. Entre os que mantivemos, Max, Diogo Sousa, Jovane, Bruno Paz, Thierry, Empis, Abdu, João Oliveira, João Silva, Ricciuli, Bubacar, Miguel Luis, Tomás Silva, Pedro Marques, Nuno Moreira, Elves (emprestado) e Daniel Bragança (emprestado). Agora uma pergunta. Daqueles que ainda ficaram, quais são realmente os que conseguirão evoluir para um nível superior? Sinceramente não sei, mas daquilo que tenho visto só uns 3 ou 4.
    Na época 2011/2012, sob os comandos de Sá Pinto e Abel Ferreira o Sporting foi campeão e dessa equipa estavam jogadores como Tobias Figueiredo, Edgar Ié, Ricardo Esgaio, Rúben Semedo, Tiago Ilori, João Mário, Agostinho Cá, Iuri Medeiros, Bruma, Carlos Mané, Betinho ou Alexandre Guedes. Destes 12 quantos foram verdadeiras mais-valias desportivas e financeiras ao Clube? João Mário, definitivamente, de seguida aparecem Bruma, Esgaio, Ilori e Carlos Mané, uns mais a nível financeiro(mas pouco) e os outros em termos desportivos (também com um contributo diminuto). Alguns perderam-se (Betinho), outros dispensámos de forma completamente ridícula, Caso do Esgaio (Braga) e o Alexandre Guedes (hoje em Guimarães).
    Em 2009/2010 com José Lima a dirigir a equipa, só dois jogadores foram realmente mais-valias. William Carvalho e Cédric Soares, os outros desapareceram quase por completo.
    Em 2008/2009, novamente com José Lima, contamos apenas com Cédric, André Martins e Wilson Eduardo.
    Em 2007/2008, continuando com José Lima, contamos apenas com André Martins e Wilson Eduardo.
    Em 2005/2006, com Paulo Bento tivemos jogadores campeões como Rui Patricio, Adrien Silva, André Carriço ou Bruno Pereirinha.
    Em 2004/2005, o Sporting é a primeira vez campeão com uma equipa formada na academia de Alcochete ainda com Paulo Bento. Miguel Veloso, Nani e Yannick Djaló foram os nomes maiores dessa formação.
    É curioso que em 15 anos e em centenas de jogadores que passaram e foram campeões pelos juniores, apenas pouco mais de uma dezena foram realmente mais-valias financeira e desportivas, salientando-se Nani, Miguel Veloso, Adrien Silva, William Carvalho, Rui Patricio, Cedric Soares e João Mário. Noto também que em média, numa equipa de campeões, apenas 3/4 conseguem atingir um nível superior de notoriedade e qualidade, sendo que a grande maioria se perde em competições menores ou até mesmo para a competição.
    Em minha opinião, aliando à componente técnica e desportiva seria muito importante um acompanhamento de formação psicológica e pedagógica para que o aproveitamento desportivo de muitos jovens fosse total.

    S. L.
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    Pedro Azevedo 05.03.2019

    Interessantíssima reflexão que aqui deixa, Luís .

    Nem todos os produtos da nossa Formação poderão ser Robaldis, Figos ou Futres, ou mesmo, Nanis, Simaos ou Hugos Vianas.

    Mas anualmente produzimos jogadores bons, sem serem de top. Mas bons, que não ficam atrás de Akan Ruiz, Petrovic ou Gudelj. Pergunto: tendo pouco dinheiro fez sentido ir buscar Borja quando tínhamos Abdu Conté, Ilori quando Domingos pode regressar, Phellype quando Pedro Mendes ou Pedro Marques sai de nível semelhante? Assim se gasta muito dinheiro e se desperdiça o que se investe em Alcochete. À época 16/17, por exemplo, foi um sorvedouro de dinheiro, em que só um jogador verdadeiramente se aproveitou ( Dost). Esta época vamos pelo mesmo. Não temos igual ou melhor que Gudelj e Diaby? E agora gastámos dinheiro naqueles que constituem a minha única esperança do mercado de Invetno ( Idrissa e Matheus) e o Gudelj continua de pedra e cal, defendendo mal e não trazendo nada ao ataque? Assim, para além de não termos rendimento desportivo, comprometemos a sustentabilidade financeira.

    SL
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    Luís Barros 05.03.2019

    Há também um facto constante na falência de parte da nossa formação (penso que também é um problema nacional) a falta de formação de avançados / ponta de lanças.
    O Sporting têm tido a propensão de formar muitos médios, extremos e alguns guarda-redes, mas ponta de lança, não.
    Nestes 15 anos, Rafael Leão poderá vir a ser do melhor desde Cristiano Ronaldo. Tenho pena que um jogador como o Alexandre Guedes tenha sido "despachado" sem ter tido uma hipótese em Alvalade, até porque apresenta números interessantes (https://www.zerozero.pt/jogador.php?id=74342&search=1&search_string=alexandre+guedes&searchdb=1) para o mercado nacional. Por acaso questiono se em vez do Diaby, estivesse o Dala e em vez do Luiz Phellype jogasse o Alexandre Guedes não estaríamos melhor.
    Penso que foi dispensado por Abel Ferreira.
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    Pedro Azevedo 05.03.2019

    O Dala é muito mais completo que o Phellype e poderia complementar melhor o Dost, num plano B, ou até ser ele o plano A nalguns jogos. Tem técnica, é rápido, tem finta, remate colocado... O Guedes é provavelmente o jogador em Portugal cujas características se assemelham mais às de Bas Dost.

    SL
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