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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Nov19

Optimizar o "Duetto"


Pedro Azevedo

Esta noite, no Canal 11, num programa que efectivamente fala sobre futebol (parabéns á nóvel estação), discutia-se qual a melhor posição para Vietto. Fiquei contente porque a globalidade dos comentadores defendeu o mesmo que eu venho aqui dizendo há muito tempo: a posição ideal de Vietto é como segundo avançado, por detrás do ponta de lança. Como tal, favorece-o o 4-4-2 (ou 4-2-4 consoante as dinâmicas) clássico. Nunca poderia ser o "10" de um 4-3-3 (ou o vértice mais ofensivo de um losango do 4-4-2), pois isso requereria pegar na bola em zonas mais recuadas e não lhe permitiria chegar à área com fulgor (é um jogador franzino e sem grande potência muscular), nem um ala no mesmo sistema ou, pior, no 4-4-2, na medida em que teria tendência para vir sempre para o centro e assim desequilibraria mais a sua equipa do que o adversário. O argentino ganha outra preponderância quando tem uma referência fixa na área, explorando a segunda bola, a sobra (ou, alternativamente, procurando combinar frontalmente com o ponta de lança). Para isso acontecer, é necessário que os alas procurem a profundidade e centrem para a área, o que justifica o sistema que preconizo para Vietto. Para ilustrar o que digo, recordo que foi de 2 cruzamentos junto à linha, de Bolasie, que resultaram duas bolas perdidas na área e os golos de Vietto contra a Belenenses SAD. Assim, Vietto poderia ser para este Sporting aquilo que Saviola representou para o Benfica de Jesus.

 

Resolvido o problema de Vietto, surge uma outra questão: onde colocar Bruno Fernandes? Bom, Bruno é o melhor jogador do Sporting e tem de jogar sempre. Aqui não estou tanto de acordo com o painel do programa "Futebol Total" do Canal 11, na medida em que estes preconizaram que Bruno seria mais um 2º avançado do que um "10". Ora, o período menos fulgurante de Bruno foi precisamente quando jogou muito distante dos restantes dois médios, durante o consulado de José Peseiro. E isso aconteceu porque o jogo passava-lhe um pouco ao lado, na medida em que jogava mais de costas para a baliza do que de frente para a mesma. Ao contrário de Vietto, o melhor sistema para o médio maiato é o 4-3-3, com 3 médios de perfil a definirem 3 linhas no meio campo, sendo ele o médio atacante. Para o conjugar no 4-4-2 ideal para Vietto, Bruno teria de ser o segundo médio. É possível, visto que o maiato não só sabe colocar-se no espaço do adversário e assim recuperar bolas como ao mesmo tempo possui a estamina de um queniano que lhe permite um constante vai-vem. No entanto, as estatísticas dizem-nos que é a "10" que marca mais golos e se torna mais influente. Não um "10" puramente organizador, de marcar tempos de jogo, como Aimar ou Rui Costa, mas um "10" dinamitador, explosivo, do tipo Isaías, mas ao mesmo tempo com capacidade de colocar a bola à distância com destreza ou fazer passes de ruptura frontais (como Deco). Assim sendo, parecendo certo que não é possível ambos os jogadores actuarem em simultâneo nas posições mais indicadas para si, a solução poderá passar por minorar os estragos, ponderar o que se ganha em equilíbrio próprio face ao que se perde em desequilíbrio do adversário, e, dado que face à escassez de jogadores de qualidade é importante jogarem os dois (não saindo Vietto, já que Bruno para mim é indiscutível), Bruno ser colocado como "8". Fica ainda assim a sensação de que o nosso capitão não terá tantas oportunidades de marcar os golos de que o Sporting precisa, na medida em que estará à partida mais longe da área, ele que tem bem mais golo que o argentino. Por outro lado, pensando no restante plantel, a inclusão de Bruno como "8" significaria no imediato a desvalorização de Wendel e a não imposição imediata de um jogador em quem vejo enorme potencial (Matheus Nunes) e que já justifica uma oportunidade.

 

É claro que poderia haver uma solução ideal. Essa, na minha opinião, passaria por um 3-5-2 (acabaria o pesadelo dos alas invertidos), mas para isso necessitaríamos de dois laterais capazes de se metamorfosearem em alas. E aqui temos outro problema: é que se as características de Acuña ajustam-se na perfeição à esquerda, Rosier (por questões físicas) e Ristovski (por questões técnicas) terão mais dificuldade de o fazer à direita. O ideal seria haver um atleta como César Prates, capaz de fazer todo o corredor. Camacho já disse não querer ser lateral, mas neste sistema poderia potenciar as suas qualidades (por algum motivo Klopp viu nele uma alternativa ao potente Alexander Arnold). É que, mesmo sendo ágil e rápido, não parece ser um jogador com uma gama de truques que o tornem decisivo no 1x1, mas embalado de trás e aprimorando os cruzamentos poderia ser muito útil. Nesse sentido, o melhor Sporting para mim teria Renan; Coates, Mathieu (sim, no meio) e Neto (se há posição onde Borja pode jogar é nesta, tenho pena que Gonçalo Inácio, central esquerdino que actuava no início da época com brilho nos sub23, apareça hoje em dia mais nos juniores, Quaresma será melhor central pela direita); Camacho, Battaglia (Doumbia enquanto "Batta" não regressar), Matheus Nunes (Wendel), Bruno e Acuña; Vietto e Pedro Mendes (Luíz Phellype). Silas tem aqui uma boa dor de cabeça, mas ao mesmo tempo um desafio à altura de um treinador ambicioso e com vontade de fazer uma boa carreira. É que o papel de um técnico é optimizar os recursos que tem à sua disposição e quando estes são escassos há que puxar pela cabeça e tentar reunir os melhores jogadores no "onze". 

 

Deixo ainda uma última nota referente aos jogos mais exigentes da época. Admito perfeitamente, quando jogarmos na Luz ou no Dragão, que se adopte o 4-3-3, com Bruno Fernandes como médio de ataque e Vietto como falso ponta de lança. 

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