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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

28
Jul19

Os jogos da minha vida (I)


Pedro Azevedo

22.02.1976  Sporting - FC Porto 5-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas (capitão); Tomé, Laranjeira, José Mendes e Inácio; Nélson, Fraguito e Baltasar; Marinho (Libânio, aos 87 min.), Manuel Fernandes e Chico (Vítor Gomes, aos 63 min.).

 

Costuma dizer-se que não há amor como o primeiro, e este é provavelmente o jogo da minha vida. A minha estreia ao vivo no José Alvalade foi um baptismo de fogo, com um desafio entre o meu Sporting e o FC Porto. Tudo era novo para mim: a multidão concentrada nas bancadas, as luzes, os sons, as movimentações dos jogadores lá em baixo no relvado. Ainda por cima os ânimos andavam exaltados, consequência da Revolução ainda presente no espírito de todos. Para apimentar um pouco mais a coisa, Joaquim Dinis, o "Brinca na Areia", havia trocado à revelia os leões pelos portistas, explorando uma brecha criada pela nova lei das transferências, processo que não caíra bem aos dirigentes leoninos. Se bem me lembro, ainda estava a habituar-me ao cenário que viria a ser a minha segunda casa quando o Porto abriu o activo. Marcou o peruano Cubillas, aquisição milionária dos portistas que havia sido o terceiro melhor marcador do Mundial de 1970 (México) com 5 golos, um número que viria a repetir no Mundial de 1978 (Argentina), onde foi o segundo mais concretizador. Não passou 1 minuto sem que Chico - mais tarde dito Chico Faria para destrinçar de Chico Gordo, seu futuro parceiro de ataque no Braga - igualasse o placard. O grito de golo, o abraço ao meu pai, os sorrisos das pessoas à minha volta, tudo isso coincidiu para a minha primeira comunhão de sportinguismo no templo do leão. À meia-hora de jogo, nova explosão de alegria, com o repetente Chico a colocar-nos em vantagem.  

 

Juca era o treinador leonino (Monteiro da Costa, o portista), e Manuel Fernandes cumpria a sua 1ª temporada de leão, proveniente da CUF, tendo a seu cargo a difícil tarefa de fazer esquecer Yazalde, o anjo com cara de índio que no seu tempo enlouquecera de alegria as bancadas de Alvalade. O Manél de Sarilhos, por volta da hora de jogo, sentenciaria o destino do Porto, marcando o quarto golo do Sporting, culminando uma portentosa exibição. Antes, logo após o recomeço, Fraguito dera uma maior tranquilidade aos leões, obtendo o terceiro. Até ao fim do jogo, o voluntarioso Baltasar, melena loira ao vento, ainda dilataria mais o resultado. E muitos outros ainda ficariam por marcar, tanto quanto a memória ainda me permite relembrar. 

 

Vitória épica do Sporting, contra um Porto recheado de grandes jogadores e em tirocínio para um título de campeão nacional que não lhe escaparia durante muito mais tempo. Dessa equipa recordo Tibi, Gabriel, Simões, Rolando, Alhinho, Murça, Rodolfo, Octávio, Oliveira, Ademir, Seninho, Gomes, Cubillas e Dinis (não jogou em Alvalade), um plantel de luxo. Mas o meu olhar estava fixado em 3 dos 4 ídolos da minha juventude que eu conhecia pela rádio (a minha primeira memória é de um Sporting-Benfica de 1974, ainda com Yazalde, pouco tempo antes do 25 de Abril). E a verdade é que a elegância de Damas, o futebol sambado de Fraguito e a forma como o Manél colava a bola ao pé não me deixaram desiludido e amplamente superaram a tristeza de já não ter visto o "Chirola" ao vivo.

 

Assim começava um grande amor...

 

PS: Os Leitores recordam este jogo? Fica aberto o convite aos mais e menos jovens para relatarem aqui a sua primeira experiência de Sporting no estádio. E começa uma nova rúbrica do "Castigo Máximo": os jogos da minha vida. 

4 comentários

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    Pedro Azevedo 28.07.2019

    Eu sou do Manchester United por influência de uma história que o meu pai me contou sobre a exibição de Best na Luz. Foi na altura em que foi considerado o 5º Beatle e foi fotografado numa praia do Estoril com um sombrero mexicano.

    Eu tenho uma história particular com o Manchester United deveras curiosa: fui viver para Inglaterra em 92 e nessa temporada (concluída em 93), o Manchester finalmente foi campeão. O último título antes desse datava de 1967, ano do meu nascimento. Como vê, não é só este blogue que tem o "curioso" nome (como o meu caro bem-humoradamente diz) de "Castigo Máximo" , a minha história com o Man U também é fora do normal. Para além disso, conheci Best e Law numa almoço organizado por uma empresa que colaborava com a nossa. Eles foram lá animar o evento e contaram inúmeras histórias dos anos 60/70. Eram duas personagens fascinantes. Por tudo isto, em Inglaterra sou um incondicional do Man U. Para a vida.

    SL
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    Luís Ferreira 28.07.2019

    Este seu comentário recordou-me que há outros jogos da minha vida que não envolvem o Sporting e que vi em Inglaterra: um Chelsea (de Mourinho) 2 - Aston Villa 1, um Fulham (de Boa Morte) - Blackburn (a meio de dezembro, só me lembro do frio que passei nessa tarde) e, sobretudo, de um Man United 3 (de Ferguson, CR7, Rooney, Giggs) - Chelsea (de Scolari e Deco) 0, em Old Trafford, antecedido por almoço oferecido pelo amigo que me ofereceu o bilhete como presente de despedida da minha saída de Inglaterra.
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    Pedro Azevedo 28.07.2019

    Caro Luís, já me tinha apercebido noutros comentários seus que para além do Sporting tínhamos isso em comum. E, pelo que vejo, também o Luís tem recordações pessoais e profissionais muito positivas desse período, o que é um bom sinal.

    A propósito ainda do Manchester United, lembro-me que o Cantona chegou a Inglaterra em Janeiro de 92 para o Leeds. Estes, treinador por Howard Wilkinson, acabaram por ganhar o campeonato neck-a-neck com o Man U. O francês foi decisivo. Inglaterra foi uma pátria de acolhimento para ele, que vinha de um interregno devido a uma suspensão imposta pela Federação Francesa. Claro está que no final da época o Alex Ferguson foi buscá-lo a Leeds e a história do Man U mudou para sempre. À chegada a Inglaterra um jornalista de uma TV entrevistou Cantona. Um entrevista de vida. Entre as diversas perguntas, uma que proporcionou um momento insólito de humor: o jornalista inquire Cantona sobre a figura que mais o marcou na vida. Cantona responde-lhe, dizendo-lhe que foi Rimbaud. Contrapõe o jornalista: "o 1, 2 ou 3?". confundindo o Rimbaud com o Rambo. Priceless!
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