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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

04
Ago19

Os jogos da minha vida (IV)


Pedro Azevedo

01.06.1980  Sporting - UD Leiria 3-0

 

A nossa equipa: Fidalgo (Vaz, aos 80 min.); José Eduardo, Eurico, Bastos e Barão; Meneses, Ademar e Fraguito; Manoel, Manuel Fernandes e Jordão. 

 

As imagens que retenho são as de um estádio cheio como nunca (ainda com o antigo peão), um ror de gente na recém-inaugurada pista de tartan (substituiu a de cinza) circundante ao relvado, um cordão policial a impedir que os adeptos ultrapassassem as linhas laterais, o golo de Manuel Fernandes que inaugurou o marcador e o mar verde-e-branco que engoliu Jordão após o terceiro golo. Lembro-me também que o Leiria tinha dois Dinis, o mais velho dos quais o "brinca-na-area", nossa antiga glória já em final de carreira. Recordo-me também da festa, a primeira que vivi "in-loco", da invasão de campo por adeptos eufóricos após o apito final, do ar de satisfação de meu pai e do alívio que senti pela concretização de algo que já se perspectivava no regresso daquela minha viagem no Comboio Verde a Guimarães.

 

Como demorara a passar essa semana. No fim de semana anterior, tinha ido com o meu pai à Cidade Berço. Estava atrás da baliza onde o Manaca fez o auto-golo, acto perfeitamente involuntário e cobardemente aproveitado pelo nosso adversário de ocasião. Na verdade, o nosso antigo jogador saltara entre dois leões e para sua desventura vira a bola tocar-lhe (creio que) na nuca e surpreendentemente anichar-se nas redes vimaranenses. Mas esse não foi o únco facto insólito desse jogo: a poucos minutos do fim, Fidalgo fez uma defesa "impossível", estirando-se para a sua esquerda e assim defendendo um remate com selo de golo do ex-leão Vítor Manuel, perdendo posteriormente os sentidos ao embater no poste e acabando o jogo com a cabeça toda entrapada. Ainda hoje estou convencido que esse momento de bravura do nosso guarda-redes garantiu-nos o campeonato. No comboio, de regresso a casa, recordo ainda o susto em Campanhã, com as carruagens a serem atacadas com pedras de calçada vindas da gare onde se encontravam adeptos portistas, uma forma singular de ver o desporto por parte de adeptos fanáticos que ainda hoje infelizmente pululam um pouco por todos os clubes.

 

Uma semana depois, éramos campeões! Um título que nunca esquecerei, porque teve um sabor especial. Comigo já neste mundo, o Sporting havia ganho o campeonato de 1970, façanha de que não guardo qualquer memória. Já do de 74 eu tenho uma recordação, mas para mim foi um campeonato radiofónico. Assim, o de 80 foi o "meu" campeonato, aquele que acompanhei nos estádios, em que vivi a gesta daquela dupla jornada final e pude sentir de perto as esperanças e ansiedades dos nossos adeptos até à consagração final.

 

Em 1980, o Sporting não tinha o melhor conjunto de jogadores. É certo que Manuel Fernandes e Jordão eram excelentes, Eurico um patrão na defesa e Fraguito um mago do passe, mas globalmente a qualidade do plantel era inferior à dos nosso rivais. Só que no final ganhámos nós, mérito certamente também dos treinadores Fernando Mendes e Rodrigues Dias (entretanto substituído) e do preparador físico Radisic. Não sei se isto poderá servir como motivação ou exemplo para um grupo - eu gostaria que sim - , mas se há ocasiões em que o todo é muito superior à soma das partes, então a gloriosa campanha de 80 é uma delas, provando que com esforço, dedicação e devoção não há impossíveis. Que hoje, no Algarve, a nossa equipa ponha os olhos nisto!

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