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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Out19

R.I.P. Rui Jordão


Pedro Azevedo

As minhas recordações do Rui Jordão são quase tantas quantos os golos que marcou de leão ao peito.

 

"Float like a butterfly, sting like a bee" - frase de Muhammad Ali que se aplica na perfeição ao jogo de cabeça de Jordão. Mas ele era muito mais do que isso. O Leonardo Ralha, no "És a nossa FÉ", classifica-o como um bailarino do Bolshoi, feliz definição que vai ao encontro dos movimentos graciosos que descrevia no relvado. Mas não nos equivoquemos, essa graciosidade escondia o felino que havia em si, veloz e com o instinto predador de um puma quando dentro da grande área. 

 

É impossível esquecer-me do seu primeiro título pelo Sporting e do jogo que tornou isso possível. Na última jornada desse campeonato, o Sporting recebia a União de Leiria do "brinca na areia" (Dinis) no José Alvalade e precisava de ganhar para se sagrar campeão. Nessa tarde de glória, Jordão marcou dois golos. Desapareceu, envolto num magote de gente posicionada atrás de uma baliza, após o terceiro golo, segundo da sua autoria. Reapareceria quase como veio ao mundo passado algum tempo, tendo de se reequipar para voltar ao campo. Recordo também os vários golos que marcou ao Rio Ave, em jogo da penúltima jornada do campeonato de 82, o seu último título de campeão por uns leões à data treinados por Malcolm Allison, o inglês que ele considerou ter sido o mais marcante da sua carreira dada a liderança que imprimia ao grupo. Haveria ainda de fazer a dobradinha na final do Jamor, num jogo em que o famoso trio de ataque leonino esteve particularmente afinado. 

 

Ao serviço da selecção, impossível esquecer a campanha do Euro 84 (estava atrás da baliza onde o Jordão marcou de penálti ao Dasaev o golo que nos qualificou para a fase final) e particularmente os dois golos que nos deram esperança na meia final contra a França. Bisou frente a Bats e quase contrariou os planos de vitória gauleses, salvos apenas pelo deus Platini. 

 

Também houve momentos infelizes, como aquele ano de 1978 em que lhe fracturaram a perna por duas vezes: primeiro em Fevereiro num choque com Alberto (Benfica), no célebre jogo do brinco de Vitor Baptista; depois, em Setembro, num despique com José Eduardo (Famalicão). 

 

Os dérbies decisivos contra o Benfica, as recepções europeias a Celtic e Feyenoord, o golo de calcanhar ao Porto, aquela tarde dos 8 a 1 ao Braga - indiscritível alarde de classe do trio que formou com Manuel Fernandes e Oliveira - são tudo memórias inesquecíveis para mim.

 

 Jordão deixou-nos hoje. Ao contrário daquele jogo contra o Leiria, para não voltar. Mas a memória dos seus feitos não se perderá no tempo. Que Deus o guarde em descanso!

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