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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

09
Fev19

(Re)aggiornamento


Pedro Azevedo

Há uns meses atrás, os sócios do Sporting pronunciaram-se essencialmente sobre o que não queriam. Recuperando as palavras do poeta (Régio), mais do que por onde ir, ou para onde ir, os sportinguistas mostraram não querer ir por um certo caminho.

 

Ora, existe uma diferença substancial entre saber-se o que não se quer e saber-se o que se quer, e o Sporting está neste momento nessa encruzilhada. Se a primeira uniu um grupo considerável de sócios, o caminho a seguir oferece dúvidas e divide as pessoas. Desde logo, porque os princípios estratégicos não são claros ou não são totalmente visíveis na prática.

 

Não obstante ainda haver pequenas bolsas de resistência em alguns sectores saudosos de um antigo regime, estou convencido de que é a falta de convicção que se nota em algumas decisões dos actuais corpos dirigentes aquilo que vai impedindo uma participação mais efusiva dos sócios. Urge, portanto, desfazer equívocos e alinhar as pessoas em torno de um ideário comum. A participação dos sócios é essencial para que o clube possa recuperar a sua vitalidade, seja por via da militância nos estádios, pavilhões e pistas, seja por uma maior adesão às acções de marketing que o clube deseja desenvolver.

 

Nesse sentido, reveste-se de capital importância o papel da Comunicação. Esta deverá promover o que de bom se faz internamente, nomeadamente a excelência dos nossos atletas e dos seus resultados, o importantíssimo contributo em termos de responsabilidade social e de integração dado pela criação da secção de desporto adaptado, o gabinete olímpico e melhoria das condições de alto rendimento/performance, a promoção do nosso know-how desportivo, social, educativo e organizativo expresso na Academia de Alcochete, a divulgação de verdadeiros Dias do Sporting, com horários dos jogos no Pavilhão João Rocha conjugados com os do futebol profissional no estádio de Alvalade, permitindo maiores afluências de adeptos, de familias, às amadoras e um reforço do espírito leonino, a homenagem sentida e com lugar de destaque a todos os antigos atletas - a cada mês do calendário poderia corresponder o nome de um antigo atleta, englobando um conjunto vasto de iniciativas que permitisse aos sócios e adeptos conhecer melhor a história do clube, o seu ecletismo, com a participação da Sporting TV e do nosso jornal, com eventos no estádio, pavilhão e academia que visássem a adesão dos jovens, mas também de adultos - que com o seu esforço, a sua dedicação e a sua devoção contribuiram para a glória desta incontornável instituição chamada Sporting Clube de Portugal.

 

Por todos os motivos, temos de ser melhores naquilo que depende de nós. (Quando vejo o Benfica a promover qualquer nado-vivo recém saído da incubadora do Seixal e não noto de quem manda no meu clube o empenho em valorizar e defender atletas do calibre de um Bruno Fernandes ou de um Acuña, eu penso nisso. Da mesma forma que me incomoda ver sonegado ao nosso rol de títulos a taça europeia conquistada no Goalball, sem uma explicação credível ou, pelo menos, sem uma aplicação prática à altura das palavras enunciadas. "Parole, parole"...)

 

Não nos devemos esquecer do nosso próprio caminho, das nossas referências, da nossa identidade. Ter um discurso positivo, estimulante, inclusivo, entusiasmante. Estratégico, mas também táctico. Visando o longo prazo, não desprezando o dia seguinte. Que inspire sócios e adeptos. É isso que temos de esperar de uma Direcção do clube, até porque quem corre por fora tem de necessariamente impor um ritmo mais forte e é preciso comprar tempo, qualidade que distingue um bom de um mau gestor.

 

Fomentemos a vida leonina entre os adeptos, adaptando-a às necessidades dos tempos correntes, promovamos tudo o que possa conduzir à nossa união, fortaleçamos tudo o que possa contribuir para maior adesão aos estádios, pavilhões e ao seio da nossa familia: o "aggiornamento". Viva o Sporting Clube de Portugal!!!  

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2 comentários

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    Pedro Azevedo 09.02.2019

    Já dizia William Blake que uma coisa é a realidade, outra a sua percepção. Mas eu também creio que há demasiadas teorias da conspiração no Sporting. Pode sentir-se que faltam convicções ao presidente, que no mínimo vai precisar de tempo para marcar terreno, que há dúvidas de que o consiga, etc, e não termos logo que lhe imputar processos de intenção, algo sempre muito desagradável, do qual duvido e que mata a discussão serena.

    Para além disso, embora momentaneamente se confundam, há que separar o Sporting das pessoas que circunstancialmente o servem. O clube pretendemos que seja perene, um ser humano não o é, muito menos o é a titularidade de um cargo. Por isso, penso sempre que devo estar com o clube, independentemente de quem o sirva.

    Em relação à Comunicação do Sporting e à forma como os sportinguistas são informados sobre o andamento do clube já o disse noutros postais que estou em total desacordo. Não gostei da forma subreptícia como o título do Goalball foi sonegado ao nosso palmarés, nem das explicações que se lhe seguiram. Também não gostei da ausência de Acuña em Setúbal e em Alvalade contra o Benfica, sem que tivesse havido uma explicação credível sobre o assunto. Lamento que se considerem os sócios em períodos eleitorais e que depois os ignorem. Principalmente, não estou a gostar nada da falta de convicção que noto em tudo.

    É preciso agarrar o eleitorado moderado, caso contrário vamos dar azo ao radicalismo. E atenção que este radicalismo não está só concentrado num lado. As pessoas são o que são e há muitos ex-adeptos de BdC que agora estão do outro lado da barricada e que são do mais feroz que há como que buscando a redenção. Eu nesses radicalismos pró e contra Bruno não me revejo. Em tempos votei nele, aquando da destituição votei a favor da sua saída. e foi tudo. Perseguir alguém ou andar aqui a buscar coisas da sua vida particular não fazem parte da minha maneira de ser. Não gosto nem de ressabiamentos nem de revanchismos e penso que os sócios deveriam sempre pôr o Sporting à frente dos seus interesses ou impulsos. E, de uma vez por todas, temos de pensar no futuro e na responsabilidade do legado que recebemos de pais e avós, que para mim são como um facho que já passei aos meus 3 filhos e que quero um dia ver ser passado aos meus futuros netos. É essa "guerra" pela perenidade do clube que me interessa passar. E sim, gostaria que o clube fosse sempre dos sócios e que estes estivessem em igualdade de circunstâncias aquando das candidaturas eleitorais, algo que gostaria fosse garantido pelo Regulamento Eleitoral (gastos de campanha assimétricos produzem resultados assimétricos, obviamente).

    Obrigado pela sua participação, caro Leão Sempre
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