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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Abr20

Sporting no fio da navalha


Pedro Azevedo

Anda muita gente a viver da ilusão de ajudas estatais a pessoas e empresas que se expressarão pela emissão de dívida. O problema é que se as economias europeias não crescerem rapidamente, de uma forma que permita absorver o valor da dívida emitida, então os impostos vão continuar a crescer (a alternativa é a inflacção e as altas taxas de juro), reduzindo assim o valor da poupança. A dificuldade de entendimento europeu quanto à emissão dos Coronabonds (Eurobonds europeus de rating AAA) também não ajuda, na medida em que não havendo entendimento cada país ficará por sua conta e risco, ou seja, entregue ao seu rating soberano. Nesse sentido, apesar das compras de dívida da zona euro protagonizadas até agora pelo BCE (71 mil milhões de euros), os juros da dívida portuguesa a 10 anos já subiram cerca de 0,8% desde que começou a pandemia, ficando à consideração do Leitor quais seriam os níveis actuais da mesma caso o banco central europeu não estivesse a intervir no mercado.

 

Ora, é perante este condicionante externa ao seu negócio que o Sporting terá de viver nos próximos tempos, sabendo que qualquer emissão de obrigações terá um prémio de risco muito elevado e que dada a conjuntura não é de todo de esperar qualquer alívio da carga fiscal que incide sobre as remunerações dos jogadores de futebol, carga essa que ao ser uma das mais elevadas da Europa constitui um factor de desvantagem competitiva face a clubes de outras ligas. Mais, o Sporting chega a esta crise sanitária numa situação já crítica, com um défice de exploração anual praticamente equivalente ao valor do seu plantel, um desequilíbrio negativo muito grande entre custos e proveitos e amortizações de direitos económicos e custos financeiros a subirem, tudo produto de uma política desportiva cheia de equívocos e preconceitos. Acresce que será mais difícil no actual cenário anteciparem-se receitas de direitos de transmissões televisivas, não só por não haver jogos como também pelo custo financeiro associado a essa operação de factoring. 

 

Perante este cenário, a um sócio cabem duas opções: ou continua a deixar-se embalar por aquilo que uma CS desportiva muito pouco rigorosa na análise dos números vai difundindo e que quase se confunde com propaganda, ou deve exigir acções que vão ao encontro da redução substancial de despesa que há mais de 1 ano venho aqui dando como um imperativo, o que no actual contexto acredito que tenha de passar por um corte de cerca de 40 milhões de euros, entre Custos com Pessoal (actualmente em 68,5M€), Fornecimentos e Serviços Externos (14,6M€ em apenas 1 semestre de 19/20, nível record), Amortizações (perto de 30 milhões de euros) e Custos Financeiros (menos pressão de antecipação de receitas deve ajudar a limitar um valor de 7,7 milhões em apenas 1 semestre) e por uma austeridade na janela de mercado que contraste fortemente com a absoluta inconsciência das 15 contratações (quem escolheu estes jogadores e com que critérios?) definidas como cirúrgicas executadas pelo actual executivo em apenas 1 ano. E deixemo-nos de politiquices, Bruno Carvalho está lá atrás no passado e por muito que ainda sonhe ser uma solução não deve ser chamado à colação por antis ou prós como forma de sabotar a discussão sobre o óbvio ululante da actual situação dramática do Sporting que é o que deve estar no nosso foco. É hora de pensarmos primeiramente no Sporting e de fazermos aquilo que tem de ser feito. Pelo Sporting! Só assim poderemos em 2 ou 3 anos estar de novo aptos a lutar com os nossos rivais. Caso contrário, será o caos para o qual há tanto tempo venho aqui alertando. E neste momento as "odds" estão mais a favor deste. Por isso, aqui fica o meu último alerta. 

O-fio-da-navalha.jpg

3 comentários

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    Pedro Azevedo 26.04.2020

    Caro RCL, quem é que não quer recuperar o espírito dos grandes ambientes em Alvalade? Todos nós queremos isso, não é verdade? Estreei-me em 75/76 e fiquei esmagado com o estádio. Nessa altura, o meu pai fazia-me sempre a surpresa de me levar aos jogos. Dizia-me para ir dar uma volta com ele e quando dava por mim estava a seguir aquele caminho que nos levava a Alvalade, caminho esse que ainda sei de cor. Escusado será dizer que assim que ganhava certeza do destino ser o que havia sonhado começava a sentir borboletas no estômago. Depois, vivi os Vapores do Rego, aqueles rapazes brasileiros de chapéu de palhinha que animavam a Superior Sul. Vivi grandes noites europeias, como as da eliminação do Atlético de Bilbau, Feijenoord ou Ajax, também desilusões, injustiças e lágrimas derramadas como contra o Barcelona. Atravessei presidentes como João Rocha, Amado de Freitas, Jorge Gonçalves, Sousa Cintra, Pedro Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt, Godinho Lopes, Bruno de Carvalho ou Frederico Varandas, mas sempre fui Sporting acima de qualquer outro proselitismo. Hoje em dia o Sporting está doente. O Sportinguismo também, de tanto que o têm dividido. Curiosamente, quando vou ao pavilhão sinto o antigo Sporting no seu esplendor e isso é reconfortante e dá esperança para o futuro. O Sporting será sempre aquilo que quem o dirige queira que seja. O exemplo vem sempre de cima. Eu fui muito feliz no Jamor em 2019, num dia muito bonito da minha vida, uma grande festa. Era Varandas o presidente, mas eu nunca deixaria que qualquer presidente me tirasse o amor que nutro pelo clube. A minha única preocupação ê que esse amor deixe de se poder expressar por inexistência do clube alvo desse sentimento. É a perenidade, senhores. A perenidade que está em causa. E cumpre assegurá-la. Após assegurada haverá unidade, que não unanimismo que é uma coisa que estreita as opiniões e não interessa a ninguém.


  • Sem imagem de perfil

    RCL 26.04.2020

    Pedro Azevedo
    Por vezes encontro-me a falar sozinho, já tenho esse direito. Os meus comentários não visam ensinar, muito menos, atacar Sportinguistas, como eu,são mais desabafos, tipo : isto está mau., o tempo esta uma droga Quando é que o Sporting volta a ser campeão!
    Pensando que o grande Liverpool esta há 30 anos sem ganhar o campeonato (espero que não lhe tirem o atual), também o Sporting com adeptos tão fieis como os do Liverpool possa brevemente reencontrar o caminho.
    Eu não abandonarei o Sporting, tenho a certeza que a maioria também não.

    Pedro faz um excelente trabalho, não comento alguns dos seus posts porque não tenho conhecimentos técnicos para isso.
    SL
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