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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

17
Jul20

O amor acontece (Love Actually)


Pedro Azevedo

O filme começa (prólogo) com a voz do "primeiro ministro" narrando que cada vez que fica deprimido com o estado da nação (lampiânica) pensa no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa e no amor com que amigos e famílias recebem os seus entes queridos. Enquanto a realização nos dá a vêr excertos avulsos desses reencontros, a narração é entrecortada por "Wouldn`t it be nice" dos Beach Boys.  A fita evolui então para a "história de amor" entre Jorge e Luís.

 

O primeiro acto aborda a aposta arriscada que Luís fez em Jorge há 11 anos atrás, o "big break" da carreira do veterano treinador até aí sempre afastado dos grandes palcos. Preparando o novo enlace, a cena é acompanhada pela audição de "Christmas is all around", um "cover" canastrão de Love is all around dos Wet, Wet, Wet.

 

O segundo acto narra o "casamento" entre Jorge e Bruno e os ciúmes sentidos por Luís durante esse período. O divórcio esteve para ser litigioso, mas no fim um acordo acabou por ser selado. Um pungente "Bye bye baby (baby goodbye)", tocado pelos Bay City Rollers, acompanha o enredo.

 

O terceiro acto centra-se em Luís e Rui e como o primeiro voltou a ser feliz, apesar de um primeiro encontro que não pareceu muito prometedor. Dois anos de extrema alegria, esfusiantemente passados para o ecran ao som de "All you need is love". No entanto, ao terceiro ano a relação começa a ter os seus percalços e da ameaça de adultério ao divórcio foi um pequeno passo (ou luz). O realizador ilustra esse doloroso momento com o soberbo "Both sides now" de Joni Mitchell.

 

Epílogo: após breve quimera vivida com Bruno Lage, Vieira volta a aproximar-se de Jorge e... o amor acontece. Jorge Jesus regressa a Portugal, por entre anteriores juras de amor do tipo "o bom filho a casa torna", terminado o seu exílio forçado nas arábias e no Brasil, e tem um reencontro emotivo no Aeroporto de Lisboa com Luís Filipe Vieira. Ao longe, em ruído de fundo, os Beach Boys tocam "God only knows"... (Entretanto, em suas casas, os benfiquistas socorrem-se do sal para engolirem o sapo.)

 

P.S. Baseado num texto originalmente publicado pelo autor em "És a nossa Fé". Para melhor aproveitamento deste "filme", aconselha-se que a leitura de cada parágrafo seja acompanhada pela audição do(s) temas musical(ais) nele inserido(s). 

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24
Jun20

Milagre de Santa Clara


Pedro Azevedo

O Santa Clara venceu ontem o Benfica na Luz. Logicamente, a derrota dos encarnados marcará a actualidade noticiosa, mas seria injusto não reconhecer o mérito desta equipa açoriana que tem, à condição (Sporting e Braga, ambos com o dedo de Ruben Amorim, ainda podem superar essa marca nesta jornada), o segundo melhor registo em pontos da segunda volta do campeonato. Nesses 11 jogos (seis vitórias, três empates e duas derrotas), o Santa Clara fez 21 dos seus 38 pontos na Primeira Liga, o que dá uma média de 1,91 pontos/jogo. Acresce que em apenas 3 jogos actuou verdadeiramente na condição de visitado, no seu estádio, na medida em que os açorianos estão há 1 mês instalados no continente como providência, exemplar diga-se, de contenção da pandemia no arquipélago. Deste modo, tanto do ponto de vista da responsabilidade social como no plano desportivo está de parabéns o emblema açoriano, felicitações extensíveis aos seus dirigentes, jogadores e, naturalmente, ao seu treinador João Henriques. 

 

P.S. Desde que começou a segunda-volta, o Benfica perdeu 10 pontos para o FC Porto, 5 para o Santa Clara, 4 para Sporting e Braga (ambos com menos 1 jogo), 3 para o Rio Ave e tem os mesmos pontos que Boavista e Moreirense (menos 1 jogo). Belenenses SAD e Vitória de Guimarães (ambos com menos 1 jogo) fizeram apenas menos 1 ponto que os encarnados. 

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18
Jun20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Lampionato voltou!


Pedro Azevedo

O futebol português é muito divertido. Por exemplo, na conferência de imprensa após o jogo em Vila do Conde, os jornalistas indagaram Bruno Lage sobre as razões da reviravolta benfiquista. O tom geral entusiástico das perguntas fez-me por um momento acreditar que estariam a interrogar um Prémio Nobel da Física sobre a descoberta da radiação cósmica de fundo e seu contributo para um melhor conhecimento da estrutura do Universo. Em resposta, não perdendo a compostura, o próprio treinador benfiquista pareceu personificar o papel de laureado, valorizando muito as virtudes da tal Estrutura e das opções de fundo que tomou. Curioso, fui ver as imagens do jogo. Devo dizer que fiquei um bocadinho decepcionado. É que se por um lado confirmei, e por duas vezes, a (ir)radiação de fundo, vermelha por sinal, por outro verifiquei que ela deveria ter sido atribuída a Luis Godinho e não a Lage. E ainda apanhei o Carvalhal a dizer que já conhecia muito bem o futebol português. Qualquer adepto do Sporting também. Como tal, nem estranhei que o treinador vilacondense, certamente com medo de um castigo, não tenha apontado o dedo a ninguém. O problema é que, se o braço estiver sempre encostado ao corpo (*), não só apontar o dedo se torna humanamente impossível como o contorcionismo e o ilusionismo irão continuar. E, para completar o circo, os palhaços também. Diz(em) que é da educação (física, não cívica)... 

 

(*) O braço encostado ao corpo não cauciona que um jogador o use ostensivamente para desviar a trajectória da bola dentro da área. Na minha opinião, ficou um penálti por marcar a favor do Rio Ave quando o jogo estava empatado e os vilacondenses tinham menos 2 jogadores em campo. 

07
Jun20

Pedras na engrenagem encarnada


Pedro Azevedo

A  semana do Benfica ficou marcada pela pedrada. Tudo começou na demissão do seu presidente da AG, uma pedrada no charco, ou melhor, um canhão de Nazaré, abrindo uma onda de contestação à Direcção que foi logo surfada por putativos candidatos à presidência do clube. Seguiu-se-lhe mais um episódio canalha de violência no futebol português novamente perpetrada contra os profissionais do chuto na bola. Da pedrada alegórica passou-se (o que "passou-se"?) para a literal, com um ataque ao autocarro do Benfica do qual resultou ferimentos em dois jogadores (Zivkovic e Weigl). Um momento de terror para os visados, pelo menos a atestar pelas declarações da mulher de Weigl, que se encontrava a falar telefonicamente com o marido quando o incidente ocorreu. Finalmente, o jornal Público denunciou alegados "acordos de dependência" entre o clube da Luz e o Desportivo das Aves que o Benfica classificou de "legais e normais no futebol e em outras sociedades comerciais", ficando a ideia que do ponto de vista estrictamente da ética as explicações se assemelharam a um 'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. 

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13
Fev20

Lost in translation


Pedro Azevedo

O George Sousa não viu um "elbow" em Famalicão. Por via disso, o Taarabt não foi "sent off". Enfim, coisas que acontecem a "foreign referees", perdão, a árbitros estrangeiros... Ó Stojkovic, anda cá traduzir isto por miúdos, se faz favor!

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18
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Apocalypse mau


Pedro Azevedo

É complicado um homem chegar a uma idade adulta e descobrir que foi enganado pelo seu progenitor durante uma vida. O mesmo que desde tenra idade me afiançou coisas que aliás de tão verosímeis à época tomei como absolutamente axiomáticas, do tipo de o Sporting ser um clube diferente para melhor, o nosso fundador ter sido José Alvalade, ou o verde ser a cor da esperança. Até que um dia um homem acorda, choca de frente com a realidade e, enquanto coloca o penso (logo existo) na cabeça e induz o método cartesiano, vê a verdade passar-lhe perturbantemente pelos olhos. E nesse processo vislumbra um clube de niilistas, provavelmente fundado por um tal de Nietzsche, onde impera o vale-tudo, não se acredita em nada e a única Esperança é a filha de um consócio vindo de Marte. 

 

No actual estado de coisas, para muitos parece ponto assente que enquanto uma nave alienígena não aterrar em Alvalade, raptar parte dos ocupantes da Bancada Sul e levá-los para experiências numa galáxia distante que envolvam nuvens de poeira semelhantes a fuminhos, estrelinhas e outras cenas psicadélicas, Varandas continuará a presidir aos destinos do clube e estaremos condenados a (des)entendermo-nos. Imagine agora o Leitor que isso só acontecerá no ano 3000. Vai ser um fartote de famílias sportinguistas a fazerem a arvore geneológica à procura do último antepassado que viu o Sporting ganhar um campeonato. Ano 3000 em que se irão perfazer 998 anos sem ver o Sporting campeão. Pensem nisto apenas como uma ideia em construção, mas, se a única razão para manter Varandas, que curiosamente tal como Nitzsche é Frederico, é a repressão às claques, então talvez fosse melhor substitui-lo por algum sportinguista com as quotas em dia que actualmente integre o Comando Geral da Polícia de Segurança Pública. É que sendo certo que parte da Bancada Sul, com um comportamento que nos enche de vergonha, é hoje o seguro de vida de Frederico Varandas, importará saber o que será no futuro próximo o seguro de vida do Sporting. Desconfio que talvez passe pela fidelidade de sócios e adeptos ao clube e por um maior escrutínio aquando dos actos eleitorais. Só assim virá a bonança. 

 

O actual Mundo Sporting divide-se entre os que não aceitam opiniões diferentes sobre o que aconteceu no passado, os que não se entendem sobre o que está a acontecer no presente e os que discutem sobre o que virá a acontecer no futuro. Aparentemente, a única preocupação de sócios e adeptos é essa: divergir. E assim darem largas ao seu desporto favorito, o maniqueísmo, a grande marca do nosso ecletismo. Entretanto, numa realidade alternativa e sem grande relevância parece que o contador do Sporting-Benfica desta época está em 0-7. E estamos a 19 pontos do primeiro lugar no Lampeonato, ainda esta popular competição criada com o único propósito de glorificar o clube da Farmácia Franco vai a meio. Não que isto evidentemente cause qualquer tipo de preocupação, pelo contrário. Um sportinguista que se preze aguarda é pela abertura da London Stock Exchange para saber como estará a cotação do activo Bruno Fernandes. Lá está, tudo isso é um sinal de progresso: em tempos idos teria sido o LSD a nos fazer navegar para uma determinada percepção da realidade, agora é o LSE. Uma evolução, portanto, na linha de uma gestão de topo sempre à procura da inovação...

 

Se as claques são o seguro de vida de Frederico Varandas, teme-se que só Silas segure Tiago Ilori. Este - informação reputada de fidedigna que recolhi "à la carte" enquanto comia um bacalhau à braz numa tasca junto a um estúdio da TVI - , é um dos 4 Cavaleiros do Apocalipse que nos vem revelar no presente as coisas que acontecerão em breve à medida que se vai desenrolando o manuscrito já composto por sete selos vermelhos. 

 

Porém, estamos condenados a estar juntos. Podemos mudar de carro, de casa, de namorada ou namorado, de emprego, cidade, país, ou até de nacionalidade, mas a natureza do amor a um clube é incorruptível. Tão incorruptível que preferiremos sempre os sócios e adeptos moderados que nos criticam, porque nos corrigem, aos que nos elogiam, porque nos corrompem. Já o dizia Santo Agostinho e é bem verdade. Sporting sempre!

 

"Always look on the bright side of life"

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña

 

P.S. Apocalyse=revelação

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16
Jan20

Coates, Ruben e a dualidade de critérios


Pedro Azevedo

Coates coartado de jogar contra o Benfica, "Rambo" Dias limpo para defrontar o Sporting. Admito sem dificuldades que o uruguaio tenha merecido o amarelo, pese embora a sua movimentação tenha pretendido mais limitar a acção do seu adversário sadino do que propriamente tocar-lhe (não é claro sequer nas imagens televisivas que tenha tocado), já no caso do português torna-se difícil compreender como não foi visto dentro do campo o claro empurrão ao iraniano do Rio Ave (bem visível na TV). Do resultado prático disto tudo é que ninguém tem dúvidas: a falta de equidade no tratamento dos lances por parte de dois árbitros gerou uma situação clara de prejuízo do Sporting face ao rival Benfica a poucos dias do derby da capital. Num país onde a transparência fosse um pilar civilizacional, o Conselho de Arbitragem deveria dizer algo sobre o assunto, desde logo lamentando a dualidade de critérios e seu impacto imediato em prejuízo de um dos clubes e em benefício de outro, mas também dando nota de estar especialmente atento e tudo ir fazer para garantir uma maior uniformidade futura nas decisões dos seus colegiados. Mas isso seria num país onde a necessidade de transparência fosse um pilar civilizacional e um imperativo ético, por aqui achamos que uma polémicazinha à segunda-feira apimenta o interesse pelo jogo e não nos incomodamos que na opinião pública se crie a suspeição de que as assimetrias entre os clubes não existem só dentro do campo...  

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29
Nov19

Carapau na Europa


Pedro Azevedo

Carapau talvez não, provavelmente algo mais exclusivo como a petinga. Afinal, o empate em Leipzig foi chique. Ou Schick, mais concretamente...

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02
Out19

A boa notícia é que De Tomas marcou...


Pedro Azevedo

Benfica derrotado por 3-1 em São Petersburgo, contra o Zenit. Encarnados em último lugar no grupo ao fim de 2 jornadas e ainda sem pontuar. Lideram a classificação (4 pontos) o Lyon e os russos que hoje bateram os pupilos de Bruno Lage.

28
Set19

Desacatos na AG do Benfica


Pedro Azevedo

Diz a TVI24 que Luis Filipe Vieira agarrou o pescoço de um sócio contestatário durante a AG do Benfica. Mas alguém ainda tem dúvidas de que LFV é perito no mata-leão? Só que em Alvalade, pátria dos leões, aplaudem e dão o Benfica como um exemplo...

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07
Set19

ANTIciclone suprime Benfica no andebol


Pedro Azevedo

Em dia muito quente, Sporting vence ‘derby’ na Luz por 30-28. Thierry Anti, nóvel treinador leonino, estreia-se nas altas pressões dos ‘derbies’ com uma vitória em jogo a contar para o Campeonato Nacional. 

05
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Crónica de uma derrota anunciada


Pedro Azevedo

Acabado de chegar do Estádio do Algarve, sinto que esta crónica deverá ser uma não crónica. Pelo menos, do tipo a que habituei os Leitores. Perguntar-me-ão o porquê. E eu respondo: no meu entendimento, o sentido de uma crítica deve ser ajudar a evitar algo de negativo que se antevê, de forma a que, mudando o que não está bem, os receios do seu emissor não se venham a concretizar de facto. Por isso, temendo o pior, nunca me coíbi de fundamentar aquilo que não me parecia bem, na esperança de poder despertar consciências em quem tem responsabilidades no clube. Depois de uma debacle como a sofrida esta noite, a crítica já não me parece ter um objectivo, na medida em que não poderá alterar nada e apenas servirá para expôr um determinado estado de alma, ou satisfazer uma vaidade individual. Ora, eu já disse aqui inúmeras vezes que preferirei sempre não ter razão e ela assistir ao meu clube, pelo que não será por isso que usarei este espaço usualmente satírico para achincalhar o clube da minha paixão.

 

Sejamos francos, o Sporting não perdeu esta noite devido ao sistema de 3 centrais que eu tinha antecipado aqui no "Castigo Máximo" poder ser a surpresa de Keizer. Pelo contrário, tal até baralhou o Benfica durante bastante tempo na primeira parte. O Sporting perdeu, porque o Benfica tem melhores jogadores, atletas com a qualidade-extra do meio campo para a frente que a nós nos falta (com a honrosa excepção de Bruno Fernandes). Por isso aqui tanto batalhei para que não se comprasse em quantidade e se apostasse na qualidade, nomeadamente procurando no mercado um ponta-de-lança com mobilidade, técnica para ligar o jogo da equipa e poder de concretização na área. É de jogadores com a capacidade de fazer a diferença que estamos necessitados, e por eles toda uma outra estratégia deveria ter sido implementada, apostando em jovens da nossa Academia como as tais segundas linhas para compôr o plantel em detrimento dos reforços(?) que fomos buscar ao mercado, de forma a conseguirmos manter os nossos melhores jogadores e poder acrescentar-lhes mais um elo vindo de fora que ajudasse a engrenagem a funcionar de forma mais oleada. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. 

 

Onde eu questiono Keizer é no valor relativo que vê em jogadores como Diaby em detrimento de um Matheus Pereira ou de um Jovane (esta noite indisponível por lesão), exemplo de um exponencial de situações em que a nossa Formação é deixada para trás em função da integração de elementos que ninguém percebe muito bem como despertaram o interesse do nosso Scouting. O caso do maliano é disso sintomático, na medida em que se torna insuportável para a vista observar alguém vestido de verde e branco e com o leão rampante ao peito a abusar assim tanto da canela, facto que nem para a Fábrica dos Pastéis de Belém o aconselharia. Também me interrogo como é possível não se vêr evolução em Raphinha, um promissor jogador que continua a definir muito mal as jogadas. Estas coisas não são trabalhadas? O brasileiro esteve umas vinte vezes em situação 1x1 contra defesas do Benfica e em todas decidiu com pouco critério. Ora, quando do outro lado temos um Rafa, ou um Pizzi, com uma taxa de aproveitamento desse tipo de lances muito boa, o nosso destino está lançado.

 

Uma última menção a algo que eu havia aqui dito no Sábado: a Direcção do Sporting deveria ter reagido publicamente na sequência das notícias que davam conta do pedido alegadamente formulado por Bruno Fernandes para sair. Se o tivesse feito, Bruno e o grupo teriam sido defendidos e o foco no jogo mantido. Mais, não me parece bem que na ante-véspera de um jogo de capital importância, um momento que deveria ser de total concentração, a Direcção do clube aceite encontrar-se com emissários do Tottenham, o empresário do jogador e o próprio Bruno Fernandes que é bom não esquecer ainda é o capitão da equipa. Esse assunto deveria ter sido adiado para data posterior à Supertaça, evitando-se assim um foco de tensão para o jogador, balneário, sócios e adeptos, os quais deveriam sim estar todos agregados à volta da necessidade de vencer o Benfica. 

 

Nada mais tenho a dizer numa ocasião em que a frustração é muito grande e o sentimento de impotência ainda maior. Resta-me a confiança inabalável na melhor massa associativa do mundo, a única em Portugal capaz de permanecer resiliente perante seja qual for a adversidade, e a certeza que o Sporting se irá reerguer como o enorme clube que é. Aliás, derrotas destas não me fazem ser menos sportinguista, bem pelo contrário. É nestes momentos que gosto de tirar a camisola verde e branca do armário e mostrá-la sem vergonha, com todo o orgulho numa história feita de glória. Sim, porque nunca fui pessoa de esconder a cabeça na areia como a avestruz. Em todos os momentos. Tal como o Sporting. O Sporting, não o A, o B ou o C, a razão disto tudo. Amanhã será outro dia.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Idrissa Doumbia e Thierry Correia, os únicos a merecerem nota positiva. Renan evitou números mais pesados, Wendel perdeu o gás todo contra o vento, Mathieu (grande jogador) cometeu um erro de amador, Acuña provou ainda não estar em condições físicas, Bruno esteve nervoso e decidiu anormalmente mal, dos outros é melhor nem falar.

 

P.S. Ah, e quanto à super aposta na Formação em que alguns acreditam, cumpre dizer o seguinte: no início eram 15. Depois, Iuri não foi para estágio. E lá foram caindo, um após outro, de modo que nos 18 escalados para a Supertaça estavam dois, apenas dois (Thierry e Max). Alguns desaparecidos em combate, como Abdu Conté, após ter sido encarregado da missão suicida de ter de enfrentar sistematicamente dois adversários perante a complacência do recém-recruta Vietto, outros como Matheus Pereira desterrados para zonas densamente minadas. Ou é impressão minha, ou este enredo da Formação está cada vez mais parecido com ‘Os doze indomáveis patifes’. 

30
Jul19

Em 3-5-2 para a Supertaça?


Pedro Azevedo

Trago este tema à colação por me parecer relevante e ainda não o ter visto discutido em blogues ou jornais desportivos. Em 3 de Fevereiro deste ano, aquando da recepção ao Benfica para o campeonato, o Sporting apresentou-se no tradicional 4-3-3 e deu-se mal. Os movimentos frontais de Felix, em aproximação a Seferovic, criaram uma igualdade numérica em redor da grande área leonina que aliada aos movimentos em diagonal de Rafa provocou uma grande desestabilização do último reduto leonino. A tentativa de Keizer de o compensar acabou por se revelar uma emenda pior que o soneto, na medida em que o recúo de Gudelj abriu uma auto-estrada no meio do campo por onde Samaris e Gabriel circularam à vontade. É certo que Mathieu não jogou (lesionado) e sim André Pinto, mas a verdade é que o treinador leonino não terá ficado convencido de que toda a superioridade benfiquista - gritante nesse jogo - adviria dessa contrariedade e no jogo da Taça de Portugal contra o nosso rival de Lisboa arriscou jogar com 3 centrais. 

 

Tendo em conta que correu bem, e independentemente desse sistema táctico não ter sido treinado na pré-época, não é de todo impossível na minha opinião que Marcel Keizer prepare essa surpresa para Domingo. Rafa e Seferovic continuam para os lados da Luz, Felix será rendido por Raul de Tomás, pelo que os "encarnados" não mudarão muito - dinâmicas à parte, pois o actual "colchonero" movimenta-se mais e tem outra criatividade - face à época passada. Nesse sentido, talvez não fosse mal pensado dar mais liberdade a Doumbia para ir à caça, colocando-o na mesma linha de Thierry Correia, Wendel e Acuña, com Bruno Fernandes um pouco mais à frente, Raphinha solto a partir do corredor direito (mas não preso aí) e Dost como ponta-de-lança. No fundo, mais do que um 3-5-3, um 3-4-1-2. Quanto aos 3 centrais, eles poderiam ser Coates, Neto e Mathieu, ou Coates, Mathieu ou Borja, ou até, para quem goste de sofrer, Ilori, Coates e Mathieu. 

 

Perante o arrazoado que aqui descrevi, peço aos Leitores a sua opinião, nomeadamente pretendendo saber se consideram razoável esta possibilidade, se a usariam mas com outros jogadores, ou se a afastam de todo.

18
Jun19

O Felix e o Demiral


Pedro Azevedo

Os diários desportivos portugueses fazem hoje manchetes com a transferência de João Felix para o Atlético de Madrid. O valor pelo qual, alegadamente, o jogador irá sair, não sendo indiferente para ninguém, não nos deverá desestabilizar. Deve ser claro para todos que dentro de uma política de comunicação que pretende traduzir uma estratégia de hegemonia no futebol português, o jogador teria de sair pela cláusula de rescisão e constituir uma das maiores vendas de sempre a nível mundial. Não creio, no entanto, que não haja um conjunto de contrapartidas, que irão da compra de jogadores a preços relativamente inflacionados até às comissões pagas na totalidade desses negócios que não baixem significativamente o preço da transferência. Nada, aliás, que o próprio Sporting (com o mesmíssimo Atlético de Madrid) não tenha já feito no negócio Gelson/Vietto, pelo menos na avaliação que foi feita do jogador argentino (eventuais comissões não foram divulgadas). Logo veremos, o que não invalida que o Benfica vá certamente fazer um óptimo encaixe e que tal só tenha sido possível pelo indesmentível mérito de ter apostado num jovem na equipa principal. 

 

A mim, que incomoda tanto foco na casa do vizinho, interessa-me muito mais o que se passa na nossa casa. E, nesse sentido, dou mais relevância ao facto de o conceituado portal italiano Calciomercato andar há uma semana a divulgar que Demiral será jogador da Juventus, num negócio que rondará os 15 milhões de euros. Afinal, andamos há tanto tempo a desvalorizar a nossa Formação, a dizer que não há qualidade - nada disto invalida que se trabalhe mais, melhor e com outras condições nos escalões jovens -, e tínhamos aqui à mão um jogador super talentoso e que futuramente integrará, lado-a-lado com Cristiano Ronaldo, o plantel de um colosso como a "Vecchia Signora". O que me leva a outra interrogação: se Demiral tem ficado no Sporting, o que se diria dele hoje? O mais certo era não ser aposta e ser apontado como mais um daqueles a quem faltaria algo para se impôr no clube, razão pela qual seria dado primazia a um Marcelo ou um André Pinto, por exemplo. Assim sendo, que garantias temos nós, sportinguistas, que não haja mais "demirais" em Alcochete que conosco nunca jogarão? Mais do que o "barulho das luzes" com que os Illuminati do futebol português nos pretendem brindar, estas são as questões que a meu ver merecem reflexão. Até porque o passado não se pode mudar, mas o futuro dependerá de nós e das nossas convicções. Tal como a nossa sobrevivência, é bom não esquecer.

 

P.S. Aos 25 anos, Ilori foi avaliado em 4M€ (compra de 60% do passe por 2,4M€). Aos 20 anos, Demiral saiu por 3,5M€, valor ao qual ainda há que deduzir 300.000 euros pagos em comissões (conforme último R&C). Bem sei, diferentes administrações. O mesmo clube, no entanto...

P.S.2. Ou há um Gabinete Técnico, transversal a cada administração da SAD, que faz a pré-avaliação de cada jogador da Formação e as suas conclusões são letra de lei, significando que daí depende a ascenção dos jovens futebolistas à equipa principal, ou então a avaliação da Formação fica a cargo de cada nova administração da SAD, com todos os riscos políticos inerentes a tal. 

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16
Jun19

Tudo ao molho e fé em Deus - Caiu para eles


Pedro Azevedo

Há Dias assim: Nuno Dias consegue fabricar equipas que são um orgulho para os sportinguistas. Ganhando ou perdendo, caímos sempre de pé, com honra, dando tudo, como aliás o treinador Joel Rocha, num assomo de "fair-play", teve a dignidade de reconhecer ("um grandíssimo Sporting").

 

Antes do jogo, Nuno Dias pedia solidariedade e Joel Rocha apelava à inspiração dos jogadores. Nenhum falou de sorte, mas um verdadeiro "chouriço" (é aproveitarem a dica e pedirem um patrocínio à Nobre) acabaria por se revelar decisivo na atribuição do título de campeão.

 

O jogo iniciou-se diante de um cachecol benfiquista, estratégicamente colocado na projecção do centro do ringue, onde se podia ler "o braço armado das modalidades". Que o Estádio da Luz seja de betão armado é lá com eles, mas um grupo de adeptos armados em parvos já é coisa que mexe com todos nós. Bem sei que IRA parece ser a característica comum a adeptos radicais de vários clubes, porém não se compreende como estas coisas não são banidas dos recintos desportivos. (Este tipo de mensagens bélicas que se podem observar em estádios e pavilhões ainda nos vão custar caro a todos.)

 

O Benfica começou melhor e rapidamente ganhou uma vantagem de dois golos, ambos marcados por Raul Campos. O Sporting reduziu por Cardinal, mas a sequência do lance merece um asterisco: as imagens mostraram única e exclusivamente Roncaglio, o guarda-redes benfiquista, a espetar o seu punho nas costelas do pivô leonino. Um dos comentadores da RTP traduziu tudo para os contribuintes com um "Roncaglio mostra as marcas". Os árbitros resolveram a coisa com um cartão amarelo para cada um...

 

Com o golo, o Sporting cresceu. O jogo ficou mais dividido e Roncaglio (remate de Cavinato) e Guitta (Campos) brilharam. Até que na conversão de um livre marcado após falta sobre Cardinal (até aí o melhor jogador do Sporting), Leo rematou com muita força e empatou a contenda. O factor sorte entrou então em jogo: primeiro, uma defesa de Guitta a remate de Bruno Coelho foi parar outra vez aos pés do jogador do Benfica sem que o guardião, já desenquadrado com a baliza, pudesse fazer algo para evitar o golo; depois, momento surreal do jogo, um pontapé de Erick encontrou o corpo de Campos pelo caminho e a bola caprichosamente anichou-se nas nossas redes. De novo a perder por dois golos de diferença, o Sporting parecia desorientado, mas uma pausa técnica curiosamente pedida por Joel Rocha permitiu à equipa leonina recuperar o sangue frio. Ainda antes do intervalo, e na sequência novamente de uma falta sobre Cardinal e de um livre executado por Leo, Rocha reduziu com um belo golo à Rabah Madjer.

 

A etapa complementar iniciou-se com dois lances polémicos. No primeiro, Robinho após um alívio estendeu o seu pé mais do que o movimento natural e acertou em Cardinal; de seguida, Pany Varela isolou-se para a baliza, mas os árbitros pararam o lance por, recorro novamente aos comentadores da RTP, "Cardinal estar em perigo". Benefício da dúvida neste lance (Cardinal esteve a pôr gelo no pescoço), que não no primeiro. Leo, sozinho, esteve muito perto do empate, mas rematou por cima. Na sequência, Robinho quase marcava. Com Merlim desinspirado, Rocha era agora o elemento mais desequilibrador do Sporting. No Benfica, Chaguinha criva perigo pelos corredores. A precisar de dar a volta ao marcador, a 4 minutos do final, Nuno Dias arrisca no 5 para 4, com Merlim como guarda-redes avançado. Privilegiando a segurança na posse de bola, os lances eram mastigados o suficiente para dar tempo à organização defensiva benfiquista de se reposicionar. Já em desespero, Rocha ganha dois livres, o último dos quais a meia dúzia de segundos do fim. Jogada estudada, toque de Merlim para Cavinato e a bola só parou no ferro da baliza do Benfica. Não havia tempo para muito mais, até porque a bola saiu do ringue e a reposição pertencia ao Benfica, pelo que se pode dizer que o sonho do tetracampeonato ficou ali, a 4 segundos do fim, naquele poste do Pavilhão da Luz.

 

O pior que pode acontecer nestas coisas é, a quente, questionar tudo. Perdemos o campeonato nacional, mas ganhámos, pela primeira vez na nossa história, a Champions. Se é certo que um detalhe nos impediu de chegar a um inédito tetra, não é menos verdadeiro dizer que esta equipa de futsal do Sporting, e o seu treinador, merecem todos os encómios. Não se pode ganhar sempre, mas pode perder-se com honra como hoje aconteceu. Como adeptos, não podemos exigir mais do que isso. Resumindo o que se passou na quadra, no fim do jogo o capitão benfiquista Bruno Coelho disse tudo: "caiu para nós". Parabéns ao Benfica! Há dias assim, mas não há muitos Dias assim. Dias como o Nuno, há poucos. Voltaremos!

13
Jun19

Duros como Rocha


Pedro Azevedo

Jogo certamente criado por uma pessoa sem coração, o futsal é uma modalidade imprópria para cardíacos. Bola cá, bola lá, o sobressalto é constante, pelo que assistir a um jogo destes é como fazer um electrocardiograma com prova de esforço. Um exame.

 

Para não fugir à regra, hoje, no Pavilhão João Rocha, tivemos mais um jogo muito emotivo entre as duas melhores equipas portuguesas da actualidade. Começou melhor o Sporting, respondeu o Benfica, mas ainda durante a primeira parte tivemos a possibilidade de "matar" a partida. Infelizmente, o desperdício de 3 livres directos, fez com que chegassemos ao intervalo apenas com a vantagem mínima.

 

No segundo tempo, o Benfica, mais frio e nada tendo a perder, deu a volta ao marcador. Tudo parecia perdido. Mas a nossa equipa é dura como Rocha e a 30 segundos do fim chegou ao empate. Accionados os desfibriladores, preparámo-nos para o prolongamento. No tempo extra, a nossa superioridade nos minutos iniciais foi gritante. E desta vez a eficácia esteve lá: Rocha e Pany Varela marcaram os golos da vitória. No final, vitória por 5-3, golos de Leo, Merlim, Rocha(2) e Pany Varela. Domingo há mais, no Pavilhão da Luz. Jogo do título, em que os nervos já estarão mais repartidos. 

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P.S. Ganhar ou perder será sempre aceitável. Desistir é que nunca o será. Ganhando ou perdendo, temos como certo que esta equipa, superiormente liderada por Nuno Dias, nunca desistirá de tentar ganhar e honrará sempre o clube. E isso é aquilo que devemos pedir a quem defende as nossas cores. 

01
Jun19

Benfica perde factor casa


Pedro Azevedo

Assim a modos como ganhar no xadrez jogando com as pretas, o Sporting visitou o Pavilhão da Luz e venceu o Benfica por 5-4, após prolongamento (3-3 no final do tempo regulamentar), colocando-se em vantagem na final do campeonato nacional de futsal. Destaque para os dois primeiros golos da noite, da autoria do guarda-redes Guitta. E ainda há quem diga que não há Guit(t)a no Sporting...

guitta2.jpg

13
Mai19

Cenas eventualmente chocantes


Pedro Azevedo

coentrão rio ave benfica.jpg

Destas e doutras cenas eventualmente chocantes se fez a deslocação do Benfica a Vila do Conde, onde um equívoco ou desconhecimento profundo das regras da arbitragem, por parte de Hugo Miguel (e do VAR), ficou ainda mais a nu (em cima do intervalo, validação do golo de Felix) do que o Samaris. Assim vai o pouco recomendável futebol português. 

 

P.S. Fora das minudências do futebol português, o Sporting obteve ontem o seu 35º troféu europeu, consolidando-se como a maior potência desportiva nacional, isso sim uma "cena" digna de registo. 

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