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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Ago19

A Comunicação à volta de Bruno


Pedro Azevedo

Os jornais publicam hoje notícias dando conta que na Sexta-Feira, numa reunião em que alegadamente esteve presente conjuntamente com o seu empresário e a Estrutura leonina, Bruno Fernandes terá pedido para "não lhe cortarem as pernas". Não sei quem plantou tal notícia, se o empresário a fim de forçar a saída do seu representado, se o clube como forma de justificar aos seus sócios e adeptos a saída do seu melhor jogador, o que me parece claro é que mais uma vez o Sporting é que fica a perder, essencialmente por duas razões: primeiro, os putativos compradores saberão jogar com a pressão alegadamente exercida por Bruno, não oferecendo o valor justo pelo atleta; segundo, a 24 horas de um jogo importante para a Supertaça, este tipo de notícia assume um carácter desagregador e retira foco. Eu não sei o que a Comunicação do Sporting planeia fazer acerca disto, o que me parece óbvio é que devia dizer algo, por um lado para que o clube não dê parte de fraco perante o mercado, por outro a fim de salvaguardar Bruno Fernandes, o capitão da equipa, perante os colegas do balneário, sócios e adeptos, ele que até hoje tem sido digno de grande estima e consideração pela sua postura profissional irrepreensível.  

02
Ago19

A diferença entre valor e preço


Pedro Azevedo

Anda por aí muito boa gente que diz que o valor de um atleta é o preço que alguém paga por ele. Nada mais errado, pois se assim fosse, e meramente à laia de exemplo, os mercados financeiros não oscilariam diariamente na ausência de novas notícias ou indicadores de desempenho, porque estariam sempre certos. Se forem falar com lendários investidores como Warren Buffet ou Bill Miller (Legg Mason), este último mais desconhecido para o grande público mas sobejamente identificado nos mercados financeiros como alguém que bateu o desempenho do S&P500 (índice de acções americano) durante 15 anos consecutivos, eles dir-vos-ão isso. Por exemplo, o preço de uma garrafa de água é algo conhecido em média e varia com um desvio-padrão relativamente curto. Mas qual será o valor de uma garrafa de água no deserto durante um dia de tórrido calor? O valor tem a ver com o rendimento que aquele activo tem para nós (dividendo, se estivermos a falar em acções; desempenho desportivo, no futebol; sobrevivência, no caso da garrafa de água), o seu potencial de crescimento, a qualidade intrínseca ao seu desempenho e o custo de oportunidade da sua substituição.  

 

Por isso, os investidores em "valor" compram activos quando a sua avaliação dos mesmos é superior ao preço de mercado e vendem-nos quando ocorre o contrário, porque têm a consciência que os mercados tão depressa reagem exageradamente como também subestimam determinados activos, essencialmente devido a decisões emotivas e altamente especulativas. Não esquecer também que, no caso do futebol, o activo jogador está relacionado com o activo clube, no sentido do desempenho deste último, da sua visibilidade nos grandes palcos, da sua performance económico/financeiro, sua relação com empresários e política a este respeito, entre outros parâmetros de análise. Chegados aqui, o que importa à Administração da SAD do Sporting reter é se o valor do atleta Bruno Fernandes para eles é superior ou não ao preço que o mercado está disposto a pagar por ele. E, se o for, tomar a decisão de naturalmente não o vender. Havendo a consciência que a diferença de preço entre, por exemplo, João Felix e Bruno Fernandes, poderá pouco ter a ver com o valor intrínseco de cada um e dentro de algum tempo poderá inverter-se. Se dúvidas houver, atente-se na transferência de Renato Sanches para o Bayern, a qual com objectivos ascendia a cerca de 60 milhões de euros. Qual será hoje o preço do "bulo"? O mesmo é válido para João Mário.

27
Jul19

Omnipresente "ma non troppo"


Pedro Azevedo

Esta coisa de mudar Bruno Fernandes de posição, na esperança de acomodar com o mínimo de estragos o Vietto no "onze", faz-me muita confusão. Dirão alguns que resultou contra o Liverpool e não deixa de ser verdade, mas duvido que possa funcionar com equipas cuja principal preocupação seja condicionar o nosso jogo. Para estas, quão menos interior esteja Bruno, mais fácil se tornará controlá-lo, na medida em que o seu raio de acção estará diminuido.

 

Eu compreendo que Vietto não seja um ala, não entendo é que se contrate um jogador para uma posição (segundo avançado) que não existe no sistema táctico de Keizer (pelo menos no Plano A), e menos ainda atinjo que seja uma boa solução o deslocamento do melhor jogador da Liga 2018/19 para a esquerda. Bem sei que os laterais esquerdos leoninos (quaiquer que eles sejam) agradecerão não terem o argentino a "ajudar" (fechar na ala), mas por essa ordem de ideias ainda vamos ver Tiago Ilori a ponta de lança: pode não marcar golos, mas fica mais difícil oferecê-los aos adversários.

 

Bruno Fernandes é um médio ofensivo de grandes espaços. Dá ares de Zidane como criador de todo o jogo, lembra Platini na capacidade goleadora e definição na área, assemelha-se a Deco em solidariedade defensiva e compromisso com a equipa - Bruno é um 3 em 1. Nesse sentido, afastá-lo do centro das principais acções é um erro, como igualmente o seria retirar do nosso corpo os nociceptores (terminações nervosas que comunicam ao cérebro a dor) que dão o alerta de apendicite, em vez de simplesmente remover o apêndice. Não faria sentido, pois não? 

 

Bruno Fernandes parece sempre estar em todo o lado no relvado, nesse contexto ele é omnipresente. Mas também Deus o é (globalmente), e nem Ele consegue evitar muita desgraça que anda por aí... 

25
Jul19

Saudades de alguém ainda presente


Pedro Azevedo

Javier Marías, um grande vulto da literatura que nunca sentiu complexos em escrever sobre futebol e o seu Real Madrid, dizia que uma das piores coisas da vida era quase nunca se saber quando seria a última vez do que quer que seja. Não saber no momento próprio que aquele era o último romance de Bernhard, ou o último filme de Hitchcock, ou mesmo o último dia da nossa existência, pairando assim aquela sensação de que o que houve não chega, e de que não desfrutámos o que poderíamos se soubessemos que aquela seria a última vez.

 

Este trecho veio-me à cabeça a propósito da angústia que venho sentindo nesta pré-época de cada vez que vejo jogar Bruno Fernandes. Tenho a sensação de que algo que me entusiasma se encaminha para o fim, e já não consigo desfrutar da mesma forma do prazer que é ver jogar esse enorme craque sem que o meu pensamento seja tolhido pela melancolia de que essa possa ser a última vez. A cada novo golo, assistência ou malabarismo, um peso vai invadindo a minha consciência.  No fundo, sinto-me nostálgico por ter saudades de alguém ainda presente, um estado de alma que o Leitor poderá considerar um paradoxo, mas que não deixa de ser real. Nesse transe, como poderei eu festejar entusiasticamente como outrora cada lance de génio do Bruno, já sentindo tanto a sua (futura) ausência? Apre, que este mercado mais parece o purgatório do mundo sportinguista! 

 

PS: Se Bruno sempre foi o pensador, o homem que escreveu as páginas mais belas do Sporting destes últimos dois anos, Wendel é puro instinto. Ele é samba, ele é ritmo, ele é música. Uma lástima Jorge Jesus não ter compreendido que a música, ao contrário da letra, não precisa de tradução para mandarim...  

17
Jul19

Bruno, o craque "under pressure"


Pedro Azevedo

Líder, capitão, craque. Goleador, inspirador, melhor jogador. Influente, assistente, inteligente. Humilde, fiável, um "relógio suiço". Imune à pressão, sempre em alto rendimento, com compromisso e foco. Um jogador à Sporting!

 

#CraqueUnderPressure

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30
Jun19

Bruno Fernandes, a revolta do Fado


Pedro Azevedo

Quando observo Bruno Fernandes, eu vejo um menino a fugir ao seu destino. Os seus olhos tristes são reminiscências de um passado sem tempo para sorrir, por cedo ter trocado o ócio pelo ofício, convertendo o brinquedo-bola na arte da sua labuta diária; a sua impaciência, ou permanente insatisfação, ilustrativa de quem não quer chegar atrasado ao encontro com o futuro, pretende ganhar tempo ao tempo e assim vencer para sempre o fatalismo tão português.

 

Se Maradona foi "la revancha del tango", Bruno é a revolta do fado. Ao contrário de d10s, não chegou a Itália como um ídolo de multidões. Não foi ensinar nada aos italianos, mas sim aprender. A distância do pé para a bola, a alavanca da perna, o aproveitamento do peso do corpo, lições úteis da arte de bem rematar que estudou com os mestres transalpinos. Aí também entendeu melhor o jogo, as nuances tácticas, a ocupação do espaço, a intensidade na recuperação de bola. De Novara a Udine, até chegar a Génova, cidade de Colombo e ponto de partida para uma gesta gloriosa com uma primeira escala no porto de abrigo de Alvalade. 

 

Nestes dois anos de leão ao peito tenho-o visto muitas vezes carregar a equipa às costas, marcar 2 golos decisivos como na jornada dupla da Taça de Portugal com o Benfica: o primeiro para alimentar o sonho, o segundo para o tornar realidade, momentos paradigmáticos do jogador em quem as bancadas depositam a esperança em novos dias de glória. Focado como é, aquele ar zangado que permanentemente exibe não esconde a noção de que transporta o peso do mundo sportinguista aos seus ombros, as nossas ambições, os nossos anseios. Dele esperamos sempre o inesperado, o paradoxo do intangível, a fé que não se explica. Ao longo dos anos tivemos grandes jogadores, mas nenhum foi tanto uma equipa como Bruno Fernandes. Ele ataca, ele defende, ele adverte, ele comanda, ele nunca se rende. Marca livres, cantos, penalidades, é o dono da bola. À sua volta todos melhoram, todos ficam mais confiantes, inspirados por este operário-artista, tão capaz de tocar o bongo como de produzir música celestial.

 

Com ele em campo não há derrotas antecipadas, Adamastor e suas tormentas. Ele é a Boa Esperança, o trevo-de-quatro-folhas encontrado para lutar contra a impossibilidade, a desconfiança e a descrença. 

 

Bruno Fernandes, o melhor jogador da Primeira Liga para o autor de "Castigo Máximo"

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10
Jun19

Bruno Fernandes no Onze Ideal da Liga das Nações


Pedro Azevedo

Os observadores técnicos da UEFA presentes na fase final da Liga das Nações já escolheram o Onze Ideal da prova, e Bruno Fernandes consta nele.

 

Numa lista onde entram 5 jogadores portugueses, aqui ficam os nomes dos eleitos pela UEFA: Jordan Pickford; Nélson Semedo, Rúben Dias, Virgil Van Dijk e Daley Blind; Frankie de Jong, Giorginio Wijnaldum e Bruno Fernandes; Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Xherdan Shaqiri.

17
Mai19

Bruno e o paradigma do interesse comum


Pedro Azevedo

Antigamente, para um jogador, proveniente da Formação ou recrutado em outro clube, chegar à equipa principal do Sporting era o suprassumo de uma carreira. Esse tempo mudou, ao ponto de um ex-salgueirista, modesto defesa, na sua primeira conferência de imprensa no José Alvalade, ter dito que via o Sporting como um trampolim para o Inter de Milão. O tiro acabaria por lhe sair pela culatra e o coice da arma levá-lo-ia até Leiria para jogar no União, clube mais à escala (mas não Scala) do seu escasso talento futebolistico.

 

É perfeitamente natural que um jogador aspire a resolver rapidamente a sua situação financeira. A não-harmonização da carga fiscal a nível europeu provoca desigualdades que fazem com que mesmo clubes fora do primeiro mundo do futebol possam ser competitivos face aos portugueses, o que vem somar ao menor Produto da economia nacional face aos países europeus mais desenvolvidos. Por isso, os jogadores querem sair. Muitas vezes desordenadamente, sem cuidar de olhar para a sua carreira. Apenas os mais inteligentes são capazes de resistir ao primeiro impulso. Será o caso de Bruno Fernandes, que recentemente reconheceu ter tido dúvidas no ano passado se estaria preparado para uma grande equipa europeia. Por isso, preferiu ficar, ganhar mais maturidade, investir no seu currículo, consolidar as suas estatísticas de jogo, assumindo a batuta de uma equipa da qual é maestro incontestado. O prémio está aí a bater-lhe à porta.

 

Muitos outros não sabem esperar. Mesmo quando a isso obrigados por questões contratuais, desesperam. Querem sair e acabam por Investir menos na qualidade do seu jogo. Perdem valor. Terá sido o caso recente de William Carvalho, um jogador que, na minha opinião, não se voltou a exibir ao nível de 2013/14, a sua época de estreia numa equipa, há época, liderada por Leonardo Jardim. É certo que manter durante muito tempo um jogador contrariado também não é bom para o clube, mas acredito que todas as partes ganhariam se houvesse um plano conjunto de carreira, com objectivos claros para todos. William saiu para o modesto Bétis, emblema com história mas com um presente de clube periférico face à elite do futebol espanhol, actualmente 10º classificado da La Liga. 

 

A carreira de um jogador é curta e sujeita a muitos imponderáveis. A mudança de treinador, de modelo de jogo, uma lesão incapacitante de médio-longo prazo, a qualidade do plantel são tudo constrangimentos a pesar sobre o valor de um atleta. Isso, obviamente, gera ansiedade, que é preciso saber gerir com sobriedade e equilíbrio. Visando o essencial: o jogador querer continuar a melhorar todos os dias. Algo visível nos últimos anos no Sporting foi a incapacidade sentida em vários atletas, época após época, em darem um salto qualitativo. Tirando o caso de Rui Patrício, que foi acumulando a experiência essencial à sua posição no terreno, a maioria dos jogadores estabilizou ou regrediu. Para além de William, Gelson foi incapaz de encontrar o fim do labirinto de chicuelinas em que se tornou o seu futebol, Podence não melhorou a sua relação com o golo. Talvez por isso, apenas Adrien, Slimani ou João Mário encontraram por parte do clube comprador a recompensa devida para alegria de todas as partes. Essencialmente, porque elevaram o nível do seu futebol, à semelhança do que Bruno Fernandes (em todo o seu esplendor) e Wendel fizeram este ano.

 

A saída prematura de vários atletas muitas vezes constitui um tampão à progressão da sua carreira. Nem sempre a escolha de um clube grande europeu se revela compensadora, principalmente quando o jogador é muito jovem. Será o caso de Renato Sanches, o qual pouco jogou nos seus dois anos de Bayern. Outros há, como Bernardo Silva, que foram dando passos em crescendo, de um Mónaco para um Manchester City, e assim consolidando a sua carreira. Tendo a sorte de, pelo caminho, encontrar um Jardim ou um Guardiola, tal como Ronaldo teve em Ferguson um trampolim para o sucesso. Dos mais maduros, custa vêr Patrício num Wolves de ambições limitadas (pese embora o excelente trabalho de Nuno), ele que mereceria um clube mais à altura da sua qualidade. Apesar disso, pegou de estaca.

 

Este arrazoado serve para expressar a ideia de que muitas vezes a articulação entre os interesses do jogador e do clube é boa para o futebolista. Quando este pretende sobrepôr a sua vontade pessoal, embalado pelo canto das sereias (que na vida real tomam a forma de alguns empresários), e deixa de pôr o foco na progressão do seu jogo geralmente as coisas correm mal. Nesse sentido, o exemplo de Bruno Fernandes deveria ser utilizado pelo Sporting para demonstrar o caminho correcto. Que, lugares comuns à parte, se faz caminhando. Preferencialmente, no sentido certo. Caso contrário, de que serviria caminhar?

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07
Mai19

O Leitor como Gestor do Futebol


Pedro Azevedo

Cinco perguntas aos Leitor:

1) Venderia Bruno Fernandes este ano por um valor abaixo da cláusula de rescisão?

2) Se sim, por que valor? Se não, indique as razões.

3) Consumada a transferência, que % da mesma gastaria em contratações?

4) Que posições reforçaria? 

5) Que jogadores contrataria para essas posições?

 

PS: Caso Bruno Fernandes não seja vendido, qual seria a sua estratégia (de vendas) para equilibrar o orçamento e, eventualmente, permitir uma aquisição cirúrgica?

07
Mai19

Bruno e a essência da paixão


Pedro Azevedo

Por algo que só mais tarde vim a compreender, a minha ligação ao Sporting nunca foi alimentado pela rivalidade com outros clubes. Na minha meninice, bem tentei odiar o Humberto Coelho ou o Chalana mas falhei por completo, não resistindo a admirar a liderança serena de um ou o génio exuberante do outro no terreno de jogo. Da mesma forma, aprendi a gostar da postura do treinador Toni, um homem sem fanatismos esdrúxulos e que, no meu entendimento, nunca fez mal ao futebol.

 

Não, não foi pelos piores motivos que alimentei o meu amor ao Sporting. A minha paixão pelo clube começou ao ouvir na telefonia os golos improváveis do Yazalde, as fintas desconcertantes do Dinis, as arrancadas do Marinho e as defesas impossíveis do Damas, e foi reforçada pelo sortilégio de pisar pela primeira vez o solo sagrado do antigo José de Alvalade. Aí, primeiro na Superior, depois na Bancada Nova, até me fixar na Bancada da Tribuna de Honra encostado ao varandim, fui tendo a minha vivência de Sporting. 

 

Ao longo dos anos vi passar grandes jogadores pelo nosso Sporting. Desde o Manuel Fernandes ao Oliveira, passando pelo Jordão, Fraguito ou Futre, do Figo ao Balakov, não ignorando o Paulo Sousa ou o Cherbakov, estes últimos, por motivos diferentes, em passagem meteórica pelo leão rampante. Mais tarde, vi nascer o Quaresma e o Ronaldo, e com eles a consolidação de mais uma bandeira da nossa Cultura, a aposta na Formação, que passámos orgulhosamente a ostentar de mão dada com o ecletismo.

 

Com o passar do tempo, o futebol-negócio foi tomando o lugar do futebol-espectáculo. A abertura das fronteiras europeias e o fim das restrições em certos países à aquisição de jogadores estrangeiros, tornou mais difícil a vida dos grandes clubes dos pequenos países periféricos e afectou a sua competitividade extramuros. Pensei, por isso, que não os formando em nossa casa, jamais conseguiríamos ter acesso a um desses craques do passado.

 

Eis então que vi pela primeira vez jogar Bruno Fernandes. E fiquei maravilhado. Quem me segue certamente não olvidará que sempre o considerei, por larga margem, o melhor jogador do Sporting. Mesmo quando sondagens de opinião entre adeptos não o colocavam entre os 3 melhores do plantel na época passada. Mas não é para mostrar razões que escrevo este texto, mas sim para partilhar uma reflexão que adiante desenvolverei.

 

É mentira que não haja jogadores insubstituíveis: Eusébio, Cruijff, Di Stefano, Pelé, Beckenbauer, Maradona, Messi ou Ronaldo foram ou são insubstituíveis. Pelo menos durante décadas, e mesmo assim nenhum adepto quer ter de esperar 50 anos para por fim vêr um Cristiano se equiparar ao outrora esplendor da "seta rúbia", Don Alfredo.

 

Enfrentemos a realidade: Bruno Fernandes é hoje insubstituível. Nenhum médio do Sporting conseguirá nos próximos tempos ter uma influência de cerca de 60% nos golos do clube. Uma barbaridade! Por outro lado, exibe uma liderança pelo exemplo que serve de inspiração a todo o plantel. Um jogador com esta relevância deveria sair com o título de campeão nacional. Por isso, dever-se-ia aumentá-lo e convencê-lo a ficar connosco mais uma temporada. Por ele e por nós. Assim, teria a motivação extra de deixar a sua marca para sempre no futebol do clube, vencendo o desígnio de outros craques como Balakov e Figo (para não falar de Futre)  que saíram de Alvalade sem coroa nem glória. E, aos 25 anos, ainda estará muito a tempo de deixar o seu nome gravado no futebol internacional. 

 

P.S. Se ninguém pagar a cláusula de opção, dêem-lhe os 5 milhões. Se um Kepa, guarda-redes, também ele não titular da sua selecção e oriundo do Atlético de Bilbau, vale 80 milhões para um Chelsea, porque é que nos havemos de contentar com pouco no que respeita a Bruno Fernandes, o médio mais goleador da Europa? Assim, repito o pedido/apelo que hoje Ristovski lhe formulou (a julgar pela imagem pode ser que esteja a ouvir): FICA!!!

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06
Mai19

Tudo ao molho e fé em Deus - Killer Instinct


Pedro Azevedo

Em Manhattan, as ruas não têm nomes mas sim números. No Jamor, a equipa da casa também não tem nome. E hoje o Sporting deixou-a feita num oito. É o que geralmente acontece no futebol quando, de um lado, se reúne uma equipa com tendências suicidas e, do outro, uma (finalmente!!!) com "killer instinct".

 

Silas será, porventura, um treinador para equipa "grande", com guarda-redes, defesas e médios com qualidade técnica superior que garanta alta eficácia de passe perante o risco iminente. Numa equipa média, tal ambição assemelha-se a praticar trapézio sem rede e a queda pode ser bem dolorosa. Ainda assim, os azuis estão fora de perigo, no nono lugar da tabela classificativa, sinal de que a estratégia serviu para o nosso campeonato, facto digno de realce num clube (SAD?) com as dificuldades por todos conhecidas.

 

Num final de tarde triste para Muriel, acabou por ser Guilherme, o seu substituto, a "pagar as favas" (são verdes...). Tudo começou quando aos 4 minutos o guarda-redes brasileiro arriscou um passe para Eduardo, que estava pressionado por dois adversários. Da perda de bola subsequente resultou, primeiro, um remate de Raphinha que encontrou Luíz Phellype (deitado) no caminho da baliza e, depois, um chuto de Bruno Fernandes salvo sobre o risco por Cleylton. Em condições normais, tal seria considerado um aviso. Acontece que, 6 minutos depois, Muriel repetiu a gracinha e agora com consequências bem mais gravosas para a sua equipa: Raphinha interceptou a bola, iludiu um defensor contrário e rematou de pé direito para o primeiro golo do jogo. (Ou como uma ideia de sair a jogar se transforma em hara-kiri.) 

 

Se as coisas já não estavam a correr bem a Muriel, ainda viriam a piorar: Bruno Fernandes e Raphinha combinaram para aplicar na prática o enunciado da Lei de Murphy e o guarda-redes acabou expulso. Silas alterou o seu 3-5-2 para um 4-4-1, fazendo sair um dos centrais e baixando os alas para posições defensivas, a fim de que pudesse entrar alguém para a baliza. Em cima do intervalo, Bruno Fernandes, com um toque de magia (calcanhar), serviu Luíz Phellype para o segundo golo dos leões, o sétimo do brasileiro em seis jogos consecutivos a marcar.  

 

No início da etapa complementar, o Sporting abrandou um pouco o ritmo. Os azuis ameaçaram e à segunda tentativa reduziram o marcador. Mas estava escrito que o dia não seria bom para os pupilos de Silas e, para prová-lo, nada como Gudelj finalmente mostrar a sua lendária, dir-se-ia até hoje mitológica, meia distância, ainda que para tal tenha beneficiado de uma carambola digna do Mundial de Snooker que se está a disputar em Sheffield, Inglaterra. Com o golo sofrido, os azuis definitivamente baixaram os braços. Já desorientados, de uma bola perdida na sua área viria a resultar um penálti desnecessariamente cometido sobre Luíz Phellype. Na conversão, Bruno Fernandes marcou o seu primeiro da tarde. Com 20 minutos ainda para jogar, o Sporting manteve a pressão, revitalizando o miolo do terreno com a entrada de Idrissa Doumbia para o lugar de um pouco intenso Wendel. Bas Dost preparava-se para ir a jogo, mas o Felipe das Consoantes não abandonaria o campo sem deixar pela terceira vez a sua marca no jogo, interpondo-se entre um defesa e o guarda-redes adversário e servindo em bandeja de prata Bruno Fernandes para novo golo. Mal entrou, o holandês marcou: nova bola perdida pelos azuis no seu meio-campo e Bruno Fernandes a servir Dost, o qual marcou à segunda. Depois, Acuña centrou da esquerda e Bruno Fernandes, sem deixar a bola cair, completou o hat-trick, obtendo o seu 31º golo da época, um record europeu para um médio. A partida não terminaria sem que Doumbia se estreasse a marcar - aventurou-se em caminhos que para o colega sérvio seriam o Cabo das Tormentas -, após assistência de Diaby (e belíssima simulação de Dost), na sequência de um passe de ruptura de (quem mais?) Bruno Fernandes (31 golos, 18 assistências, participação importante em outros 16 golos, ou seja, influência em 59,6% dos golos do Sporting). Foi o 109º golo da temporada, marca que suplanta os 108 golos da última temporada de Jorge Jesus, quando ainda faltam 3 jogos para terminar esta época.

 

Em conclusão, na jornada em que deixou de ter hipóteses matemáticas de ganhar o campeonato, o Sporting registou a sua vitória mais robusta da época. O "killer instinct" tão arredio ao leão rampante - na década de 90 já Bobby Robson se queixava da sua ausência - acabou por se manifestar de forma exuberante, algo inimaginável num campo onde o mais que provável futuro campeão nacional perdeu por dois golos de diferença (na Luz, o Benfica também não bateu o Belenenses SAD). Uma pequena compensação e mais uma demonstração do sortilégio do futebol, a fazer-me lembrar um outro 8-1, ao Braga, que há 35 anos atrás presenciei no antigo José de Alvalade. Dia 25 voltaremos ao Estádio Nacional, na esperança de que desta vez não haja um (J)amor de perdição que tudo deite a perder. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes. Menções honrosas para Luíz Phellype e Raphinha. Destaque especial para o regresso de Bas Dost (1 golo). 

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28
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - O Castro e o ferro


Pedro Azevedo

Durante um quarto de hora, o Sporting abdicou de se acercar das muralhas do Castelo de Guimarães. A tarde, soalheira, convidava mais à praia do que a batalhas castrenses e um Sporting invulgarmente contido preparava o engodo para adormecer os vimaranenses. Propositadamente, ou devido aos ajustamentos necessários à integração de um novo elemento (Doumbia) numa zona vital do terreno, a equipa mantinha-se na expectativa. Entretanto, o Vitória tinha a ilusão de que controlava o jogo e ia trocando a bola de pé em pé. Convencido de que a melhor defesa é o ataque, o líder vimaranense ordenara aos seus guerreiros para atacar o último reduto leonino e Davidson esteve à beira de causar danos profundos, não fora um mau domínio no momento decisivo quando já só tinha Renan pela frente. Sentindo o perigo, os leões iniciaram a exploração do espaço nas costas do adversário. Primeiro desastradamente através de Diaby, um homem lançado brilhantemente por Keizer para criar no adversário a utopia de que nada tinha a temer. Sem que os de Guimarães o pudessem sequer imaginar, em pouco tempo o Sporting transformaria o castelo em ruínas arqueológicas dignas de um Castro. Como sabem, um Castro é típico da idade do ferro e Raphinha, Bruno Fernandes e Phellype substituiram o Carbono-14 nos testes ao metal. Pressentindo que os vimaranenses estavam datados, os leões atingiram pela primeira vez o seu coração, contando para isso com a colaboração de um observador independente - não vislumbrou uma manobra irregular fora da sua área do argentino Acuña - e de um cavalo de tróia, o antigo vitoriano Raphinha (autor do 100º golo do Sporting na temporada). Antes de uma breve trégua retemperadora de 15 minutos, tempo ainda para Phellype realizar o quarto e último exame ao ferro.

 

Reatada a batalha, Bruno Fernandes voltou a ameaçar as muralhas de Guimarães. Seria o presságio para o que viria a seguir: Raphinha dançou à porta do castelo, iludindo dois vimaranenses que a protegiam, e permitiu a Phellype finalmente arrombar a casa da guarda, a sexta vez que o faz perante cinco oponentes consecutivos diferentes.

Os vitorianos não desistiram e Keizer voltou a ser brilhante, trocando o inoperante Diaby por um hesitante Borja, um colombiano que a cada arrancada de 10 metros pára a fim de se interrogar sobre a condição humana, regressando de seguida ao local de partida. (Ao contrário do maliano, que denota inteligência nas movimentações mas tem assim um género de produto cerâmico em forma de paralelepípedo, vulgo tijolos, nos pés, o lateral que veio de um clube mexicano tem boa relação com a bola mas, das duas uma, ou parte para as jogadas de ataque com 1906 possibilidades no seu cérebro, e depois baralha-se e entra em convulsões com tanta opção, ou não tem nenhuma ideia, parte à aventura, e depois logo vê o que pode ou não improvisar, sendo que, seja qual fôr a hipótese mais credível, o resultado tem sido, em regra, a inconsequência.)

Claro que tudo isto fez parte de uma estratégia de disuassão do técnico holandês, servida para dar ao adversário a ilusão de que teria os leões na mão. A verdade é que os vimaranenses voltaram a morder o isco, mas o cansaço de Wendel - com a tarde quente e os 30 minutos que esteve a aquecer, Miguel Luís já estava em ponto de ebulição quando entrou em campo - , Bruno e Raphinha impediu que não ficasse pedra sobre pedra no castelo do Guimarães. Na senda da oportunidade aos jovens da nossa Formação, ainda houve tempo para o salomónico Keizer dar também 1 minuto a Jovane, o que a julgar pelo que tem acontecido a Xico Geraldes deve ser entendido como um presságio de que o cabo-verdiano deve ficar fora dos convocados na próxima semana. No final, nona batalha consecutiva ganha pelos leões. Como em tempos pediam os madridistas: venha a décima!

Em resumo, uma tarde bem passada, e se muito aqui se falou do ferro, dado o sol que incidiu sobre as bancadas também o bronze se tornou inevitável. ( "O ferro e o bronze" porventura seria um título mais apropriado para esta crônica.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Raphinha. Menções honrosas para Bruno, Phellype e Doumbia.

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17
Abr19

Fica Bruno!


Pedro Azevedo

Um jogador de futebol de uma equipa grande não é como um romancista, um "rocker" ou um actor. Enquanto estes podem viver toda uma vida de um êxito, a um futebolista de uma equipa de topo exige-se que ganhe o próximo jogo, o seguinte, e por aí fora até ser campeão nacional (e vencer outras competições) uma e outra vez. 

 

Poucas actividades existem em que o momento signifique tanto. No futebol, o passado é museu, a cultura dominante é a do presente. Por isso, os jogadores, como os clubes, estão sempre a renascer, a começar do zero, raramente acumulando créditos de anos anteriores. Nesse sentido, sendo certo que não é nada fácil atingir o zénite, o mais difícil para um jogador de futebol é permanecer lá em cima. 

 

Muito poucos o conseguiram e isso diz muito sobre as carreiras excepcionais de Cristiano Ronaldo e de Lionel Messi, que estão no topo há mais de uma década. Também começa a dizer algo sobre o desempenho de Bruno Fernandes ao serviço do Sporting. Depois de uma primeira época em que a todos convenceu, com 16 golos marcados, 18 assistências e 19 participações importantes em outros tantos golos, Bruno elevou ainda mais o seu patamar esta temporada, encantando os adeptos leoninos com números de sonho quando ainda faltam 6 jogos para umas retemperadoras férias. Assim, o capitão dos leões já leva 28 golos marcados, 15 assistências e 15 participações importantes em golos, mostrando a consistência de que se fazem os campeões.

 

Se o Sporting quiser voltar à ribalta nacional e internacional, não pode deixar sair um jogador como Bruno Fernandes sem ser pela cláusula de rescisão. O que o clube deverá fazer é construir uma equipa à volta do seu capitão que garanta títulos. Nesse sentido, é necessário manter não só Bruno mas também Acuña ou Mathieu, outros jogadores com muita qualidade (embora sem o brilhantismo de Bruno). É que se Bruno ganha jogos com a sua excelência, o argentino e o gaulês ganham campeonatos com a sua regularidade a alto nível.

 

A permanência de Bruno manterá o entusiasmo dos adeptos e dos próprios jogadores da equipa. Com Bruno, o Sporting parte para cada batalha sem temores nem complexos, fiél à sua história e aos seus pergaminhos. Sem ele, neste momento, seria uma equipa vulgar. Dir-se-á que vendendo Bruno conseguiremos dotar a equipa de outros talentos. Ora, eu refugio-me no adágio popular de que "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar" para sustentar a minha tese de que jogadores como Bruno são simplesmente insubstituíveis. Por outro lado, quantas promessas leoninas não fracassaram à luz do dia, quantos negócios não nos deixaram à beira da ruína financeira? Vamos trocar o certo pelo incerto outra vez? Por isso digo: ou pela cláusula ou nada.  

 

Bruno não tem as feições de um Dani, ou a pose aristocrática de um Damas, mas nasceu para ser uma estrela. Herói sofrido, feito de trabalho árduo, há expressões na sua face que fazem lembrar personagens interpretadas por Humphrey Bogart. Tal como em Sam Spade, de "O Falcão de Malta", há indução à acção e diálogos rápidos e contundentes com colegas; como em Rick Blaine, de "Casablanca", frieza e capacidade de resistência firme à adversidade, qualidades que lhe permitiram, por exemplo, dar a volta a uma eliminatória da Taça de Portugal (contra o Benfica) antecipadamente perdida; assim como no Phillip Marlowe, de "À beira do abismo", ironias várias e tom de desprezo por quem não o respeita. 

 

O filme da história do Sporting será sempre um épico, pese embora a tragicomédia dos últimos 37 anos. E estou convencido que Bruno, ficando mais uns anos connosco, terá nele um papel de protagonista, ao lado de Peyroteo, Damas, Yazalde ou Manuel Fernandes. Fica Bruno!

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16
Abr19

Ouvindo Bruno


Pedro Azevedo

Estive a ver a entrevista a Bruno Fernandes na SportTV. E adorei! É que o Bruno fala tão bem no campo como fora dele. O que mais me agrada é o compromisso com a equipa que se nota nos mais variados detalhes: quando chama a atenção de que o potencial de Raphinha justifica um melhor desempenho, a sensibilidade e conhecimento sociológico que demonstra quando diz que se tirarmos o pior de Acuña provavelmente retiramos também o melhor dele, ou o vídeo que em tempo de merecido descanso decidiu enviar a Luíz Phellype para tentar provar um aspecto de movimentação de ponta-de-lança. 

 

A algumas pessoas poder-lhes-á incomodar a forma desassombrada como Bruno fala dos colegas, tendo em vista o espírito de grupo que deve nortear um plantel de futebol. Mas Bruno fá-lo de uma forma inteligente, adjacentemente mostrando apreço pelas suas qualidades, para além de uma vontade genuína em ajudar a equipa.

 

Finalmente, a forma como comenta o jogo propriamente dito, fugindo dos lugares comuns tão comuns a tantos jogadores e não se agarrando à clubite aguda, demonstra argúcia, bom senso, respeito pelos colegas de profissão e uma cultura táctica muito acima da média, o que não surpreende dado o que todas as semanas lhe vemos fazer em campo. 

 

Em suma, uma entrevista que reconcilia os adeptos com o jogo e que torna evidente que há que dar voz aos verdadeiros protagonistas, principalmente quando têm a substância que Bruno mostra à saciedade. Oxalá possamos continuar a ouvi-lo por cá, porque seria um sinal de que continuaria a equipar com o Leão Rampante ao peito.

14
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - The Big Day


Pedro Azevedo

"The Big Year" é um filme de 2011, em que 3 homens - personagens interpretadas por Owen Wilson, Jack Black e Steve Martin - em crise de identidade, mas com uma paixão comum por aves, decidem entrar numa competição que tem como objectivo identificar o maior número possível de espécies num ano. Esta fita veio-me à memória, porque foi mais ou menos isto que hoje foi proposto aos Sportinguistas. Mas com uma grande diferença: descobrir o máximo de Aves, sim, mas num só dia! Tudo começou às 3 da tarde, com o jogo dos sub-23 no Aurélio Pereira, e terminou "comme il faut", na própria Vila das Aves, no jogo dos séniores que é o objecto desta crónica. 

 

Logo aos 3 minutos, Mathieu e Renan foram umas andorinhas e deixaram uma águia - Luquinhas, jogador comprado pelo Benfica, embora nunca tenha jogado pelos encarnados -  interpor-se. Para evitar que atingisse o seu território, Renan fez falta e foi expulso, avistando-se logo corvos a pairarem sobre os leões.

 

A jogar com menos um, Keizer encostou Bruno Fernandes à esquerda e teve de mandar sair Jovane a fim de que Salin ocupasse o lugar deixado vago pelo infortunado guarda-redes leonino. Com estas trocas, o Sporting não ficou desasado, e de uma combinação entre Bruno e Acuña na esquerda resultou um centro consoante as intenções de Phellype, um patinho feio que está progressivamente a transformar-se num belo cisne, embora ainda lhe falte a segunda velocidade. O Sporting colocava-se em vantagem, mas Gudelj ficou a observar as Aves e Luquinhas aproveitou para acelerar, buscar o apoio e entrar vertiginosamente na área leonina. Salin chegou tarde e fez penálti. Na conversão, o olho de Falcão avistou o objectivo e não perdoou perante carne fresca mesmo ali à frente. Os leões não desarmaram e Bruno esteve prestes a desfazer a igualdade na jogada seguinte. Até que na sequência de um livre, o capitão leonino preparava-se para rematar quando um pardalito avense - um Felipe com menos consoantes - foi procurar um poste onde descansar, proporcionando a 3 jogadores leoninos observá-lo de perto dentro das regras. Vendo que a ideia das Aves trazia água no bico, Bruno optou por colocar a bola na área, onde Coates a amorteceu, Wendel a maltratou, aparecendo Mathieu a desviá-la para a baliza, redimindo-se assim da falha conjunta no lance em que Renan foi expulso.  

 

A etapa complementar iniciou-se com uma combinação entre Bruno e Acuña terminada com um remate do argentino que Beunardeau defendeu com os pés. O jogo estava bom e, logo de seguida, um avense fez Fariña sobre Coates, mas Ristovski levou a coisa a peito e evitou males maiores. Wendel recuperou uma bola a meio-campo, foi por ali fora e à entrada da área serviu Raphinha que voltou a encontrar as pernas do guarda-redes avense. O jogo estava electrizante, um pouco partido, uma boa propaganda para o futebol. Na esperança de que os espectadores não vejam a InácioTV, a SportTV não se cansava de mostrar Inácio na TV. O Aves atacava, mas numa transição Acuña preparava-se para passar um Galo quando este se interpôs. Já estava amarelado e deveria ter ido para cativeiro, mas Soares Dias armou-se aos cucos e mostrou o amarelo, isso sim, ao argentino, por protestos. A habitual cena da arbitragem em Portugal. De seguida, Diaby (rendeu Phellype), desmarcado por Doumbia (entrado para o lugar de Gudelj), foi um maçarico na área. O Sporting procurava o golo da tranquilidade e viria a obtê-lo: Bruno Fernandes (28º da época), de cabeça, mostrou perceber os pássaros e voar como o Jardel sobre os centrais, respondendo a um centro do macedónio Ristovski. O Aves ainda voltaria ao jogo, num lance de outra águia (Derley), na minha opinião incorrectamente invalidado, pois Coates está a agarrar o braço do brasileiro e este, ao tentar libertar-se, acerta-lhe. Mas confesso que não ouvi os "especialistas" do costume, pois já tinha desligado o som do televisor para poupar os tímpanos à gralha do comentador.

 

E assim terminaria uma noite chuvosa na Vila das Aves, onde no fim quem mais trinou foi o verdilhão. Quem diria que a observação das Aves podia ser uma actividade tão excitante? Pelo menos, quando comparada com aquela aula de técnicas de normalização de documentos de que se revestira o nosso jogo anterior.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Acuña. Menções honrosas para o incontornável Bruno Fernandes e para Ristovski, o qual foi intransponível na defesa e assistiu Bruno para o terceiro da noite.

 

Aves avistadas neste dia: andorinhas, águias, corvos, pato, cisne, falcão, pardal, galo, cucos, maçarico, gralha, verdilhão e passarinhos diversos. 

 

P.S. Vejam o jogo do menino Matheus Nunes, nos sub-23. Velocidade, técnica e muita facilidade na saída de pressão, passe com a parte de dentro ou de fora de qualquer um dos pés... Um craque em potência!

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(Imagem: A Bola)

12
Abr19

"Hat-trick"


Pedro Azevedo

Todo o mérito ao "hat-trick" de João Félix (parabéns!) ontem na Luz, mas em matéria de tirar coelhos da cartola eu prefiro Bruno Fernandes. Os três golos marcados esta época ao Benfica e, muito principalmente, os dois que garantiram a presença no Jamor, assim o demonstram. Importante relembrá-lo quando se aproxima a Páscoa, época de esperança e de renovação de vida, que, curiosamente, tem o coelho como um dos seus símbolos.  

05
Abr19

O Capitão Europa


Pedro Azevedo

Depois da ida do nosso Capitão América para Orlando, Bruno Fernandes pegou nas rédeas da equipa, dando o exemplo com este registo pessoal superlativo: sete jogos de campeonato, seis vitórias e um empate, 6 golos e 4 assistências; um jogo da Liga Europa, um empate, 1 golo; um jogo de Taça de Portugal, uma vitória, 1 golo. No total, em 9 jogos, marcou 8 golos e produziu 4 assistências. E o Sporting ganhou 7 vezes e empatou apenas duas, consolidando assim as suas possibilidades de apuramento directo para a fase de grupos da Liga Europa. Com um olhinho ainda a espreitar a Champions, por muito que tal possa parecer uma miragem.

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05
Abr19

À bomba


Pedro Azevedo

O golo de ontem de Bruno Fernandes trouxe-me à memória este outro de Balakov. Provavelmente, porque desde o búlgaro não via um jogador com tanta classe em Alvalade.

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