Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Ago19

Venham mais cinco!


Pedro Azevedo

Keizer afirmou hoje em conferência de imprensa que (contra o Benfica) a equipa sentiu especialmente dificuldades no lado direito, rematando que esse foi o principal problema. Poder-se-ia pensar que a estreia (em competições nacionais) de Thierry Correia, único jogador da nossa Formação presente nesse jogo e um dos melhores em campo para a maioria dos analistas, pudesse ter merecido uma palavra pública de incentivo do holandês. Ao invés, este optou por expôr o nosso jovem perante a opinião pública, envolvendo-o (e a Raphinha) directamente na debacle, mais uma vez dando força a uma narrativa que parece invadir toda a Estrutura e que descredibiliza os produtos provenientes de Alcochete. 

 

Na mesma entrevista, o treinador leonino disse coisas estranhas e incompreensíveis, tais como "a pressão de decidir(?) durante o jogo não foi suficiente", ou "é difícil dizer se somos candidatos ao título porque viemos de um jogo difícil, com um resultado difícil". Já sabíamos que o verbo não era propriamente a melhor qualidade do técnico holandês, que ainda não fala português e "arranha" um dialecto vagamente semelhante ao anglo-saxónico, o que vale é que o senhor, ao melhor estilo da escola do Ajax, não hesita em apostar nos miúdos. Ou não? 

 

Mas tudo está bem quando acaba bem: perante a actual conjuntura económico/financeira do clube, o importante é termos um treinador absolutamente alinhado com a sua Direcção. Venham mais 5 ("reforços"), como diria o Zeca Afonso.  

22
Jul19

Treinador bom vs treinador adequado


Pedro Azevedo

O Sporting é um clube que para ser sustentável tem de apostar na Formação. Ao contrário do nosso rival Benfica, a quem o negócio de compra/venda de jogadores parece assentar bem e ser muito glamoroso, a experiência do Sporting no mercado tem sido quase calamitosa. E digo quase, porque o clube não se tem dado mal recentemente num segmento um pouco mais elevado, tendo conseguido contratar jogadores como Coates, Mathieu, Wendel, Acuña, Dost ou, o nosso Rei Leão, Bruno Fernandes. É certo que também veio um tal de Alan Ruiz, mas quando comparamos com a saga dos Carlos Miguel, Kmet ou Gimenez de outro tempo, há que dizer que houve uma clara melhoria nesse aspecto. Infelizmente, é o conjunto de aquisições no chamado "middle market" que vai deixando as nossas finanças depauperadas, essencialmente pela quantidade de apostas mal sucedidas que temos protagonizado. Jogadores como Viviano, André Pinto, Petrovic, Misic, Bruno Gaspar ou Jefferson, a que se poderiam adicionar várias dezenas de outros só na última década, têm reduzido mercado e elevado ordenado, constituindo uma enorme dor de cabeça para quem gere as finanças do clube. 

 

Tomando a aposta na Formação como um factor crítico de sucesso, mais do que avaliar se o treinador a contratar é bom ou mau, importante é saber se é adequado à nossa política. E creio ser aqui que tem residido o busílis da questão. Por exemplo, Leonardo Jardim foi um treinador adequado para o Sporting, numa altura em que se reduziram os custos com pessoal na SAD de €42 milhões para €25 milhões. Este corte nos custos só se tornou possível pela aposta na Formação. Nesse sentido, William, um jogador que se encontrava desterrado na Bélgica (Cercle Brugge), foi chamado à primeira equipa, destronando um jogador bem querido de parte da massa associativa (Rinaudo). Um sinal de uma nova política que englobou também Adrien, Cedric, Wilson Eduardo, André Martins, Carlos Mané ou Eric Dier (para além de um já bem instalado Rui Patrício). Já Jorge Jesus, independentemente das suas competências, não terá sido o treinador adequado para o Sporting, na medida em que fez estagnar toda uma geração de jovens (hoje entre os 23 e os 25 anos), "obrigando" o clube a recorrer constantemente ao mercado, inclusivé na procura de uma quantidade de jogadores redundantes, visto apresentarem uma qualidade igual ou inferior ao que tínhamos na nossa Formação. É que quando se fala que urge baixar os custos com pessoal até aos 50 milhões de euros, é bom não esquecer que a diferença para o valor actual (€70 milhões) são essas "gorduras" de que falamos em cima, excedentários esses que ajudam a justificar o seguinte cenário: os 10 jogadores mais bem pagos custam 23 milhões de euros anuais; o restante plantel (total de mais de 80 jogadores) tem um custo equivalente ao dobro, com destaque para o bucket dos jogadores entre os 10 e os 30 mais bem pagos, que nos custam cerca de 20 milhões de euros (dados retirados da Auditoria que se tornou pública e referentes a 2018*). 

 

Keizer tem uma ideia positiva de futebol. Quando comete um erro de arranjo táctico da equipa, raramente o repete, notando-se que aprende (vidé jogos com Benfica). Os jogadores parece gostarem dele. Tudo isso são factores positivos. Simplesmente, tenho muitas dúvidas de que o holandês seja a pessoa indicada para rendibilizar a nossa Formação e assim estar de acordo com o modelo de sustentabilidade de que precisamos. Adicionalmente, também não me parece que lhe tenha sido entregue a gestão de todo o departamento de futebol (Formação incluída), pelo que não se afigura simples que as suas ideias de futebol venham a ter correspondência naquilo que se treina nos escalões jovens. É também esta falta de abordagem "top-down" que nos vem afastando, ano após ano, da glória. Só assim se compreende o desperdício de um talento como Daniel Bragança, um rapaz que merecia um modelo de jogo que privilegiasse a construção desde a posição "6", algo que vimos o ano passado com Gudelj não estar nos planos de Marcel Keizer. Não está, e dada a sua inflexibilidade na forma como pensa as dinâmicas (e o receio em lançar jovens) - mais do que a questão táctica, onde já se mostrou capaz de transformar o 4-3-3 num 3-5-2 - , não é de esperar que venha a estar. 

 

Por tudo isto, mais do que estar a dizer se alguém é bom ou mau, competente ou incompetente, é importante que se perceba se é adequado ao que pretendemos. E, já agora, dentro do que pretendemos, também será importante definirmos se queremos ter um modelo próprio de futebol treinado desde os escalões jovens, ou se queremos estar sempre a mudá-lo em função de cada novo treinador. A ascensão e sucesso na equipa principal dos mais jovens também passa muito por uma ideia de futebol que cumpre definir em cima. Ela seria como a Pedra Filosofal de todo o projecto, a alquimia que mais facilmente transformaria em ouro o produto do labor dos vários artesãos qualificados que ao longo dos anos temos tido em Alcochete.

 

(*) Os Custos com Pessoal em 2018 eram €5 milhões de euros superiores (€75 milhões), mas se descontarmos a diferença entre o ordenado de Jesus e os ordenados de Keizer e Peseiro (mais a indemnização deste último), então concluímos que o custo com o plantel ficou praticamente igual. 

21
Jul19

Contra-senso


Pedro Azevedo

Se o mercado, de uma maneira geral, valoriza tão mal os nossos jogadores (mesmo os de qualidade-extra) na hora da venda, por que razão continuamos a comprar em tanta quantidade? Para perder dinheiro no futuro?

20
Jul19

Princípio inalienável (2)


Pedro Azevedo

A compra de jogadores em parceria tem 2 problemas: geralmente quem paga o ordenado somos nós, na venda só ganhamos na proporção da % dos direitos económicos que estão na nossa posse.

 

Quando se tem um défice estrutural na SAD de cerca de 60 milhões de euros anuais (cerca 43 milhões de euros negativos nos 9 meses até 31 de Março de 2019) antes da venda de jogadores, talvez não fosse mal pensado reflectir sobre isto...

 

Há um velho ditado português que diz que quem não tem dinheiro, não tem vícios. A ideia do oásis e o financiamento fácil tiveram as consequências na sociedade portuguesa (e no mundo) conhecidas de todos após 2008. Por conseguinte, criemos primeiro as condições para sermos sustentáveis. E essas condicões criam-se comprando apenas qualidade e complementando com a Formação. Nesse sentido, Bruno Fernandes ou Acuña (10 milhões de euros cada) foram baratos e Petrovic (aquisição de baixo custo e ordenado anual superior a 2 milhões de euros, segundo a auditoria que se tornou pública), pese embora o apreço que lhe ganhei pelo sacrifício em campo na final da Taça da Liga, foi caro.

 

PS: os nossos Gastos Gerais administrativos, no Sporting denominado de "Gastos e perdas operacionais sem transações com jogadores" ( soma dos Custos com Pessoal com fornecimentos e serviços externos e outros pequenos itens) continuam acima dos 100 milhões de euros anuais (estavam em cerca de 80 milhões de euros nos nove meses terminados em 31 de Março de 2019), situação que já vinha do tempo de Bruno de Carvalho. Sem Champions, é preocupante assistir ao crescimento dos FSEs e à subida das amortizações, esta última consequência directa da compra de jogadores e da não aposta na Formação. Aguarda-se que pelo menos se consiga emagrecer a rubrica de Custos com Pessoal. 

20
Jul19

Princípio inalienável (1)


Pedro Azevedo

Qualquer jogador que venha para o Sporting tem de fazer a diferença. Caso contrário terá sempre de ser considerado um reforço falhado, na medida em que a sua contratação envolverá uma compra, comissões, ordenados e peso nas amortizações e Resultados da SAD. Não esquecer ainda o custo de oportunidade: nem sempre a nossa Academia produzirá Ronaldos, Figos ou Futres, ou mesmo Adriens, J. Mários, Williams ou Patrícios, mas se é para comporem o plantel como segundas opções e irem entrando (ganhando assim um maior valor de mercado), então os nossos jovens não deslustrarão face a quem não vem para ser titular. Para além da adopção desta política ter um efeito positivo nos Resultados da SAD, também se encontrará justificação para o investimento que anualmente fazemos nas camadas jovens. 

18
Jul19

Another one bites the dust!


Pedro Azevedo

Depois de Francisco Geraldes (empréstimo) e Domingos Duarte, agora foi a vez de Iuri Medeiros sair. O próximo poderá ser Matheus Pereira, que não se encontra entre os convocados para o encontro contra o Club Brugge (não li nenhuma informação sobre uma hipotética lesão). Não me custa a crer que estes jogadores estejam num patamar inferior a João Mário, William ou Gelson, que se conseguiram afirmar na equipa principal do Sporting, o que não compreendo é que não tenham tido verdadeiras oportunidades ao longo dos últimos 5 anos, ao mesmo tempo que o José Alvalade viu chegar um Douglas, um Alan Ruiz, um Meli, um Misic, um Lazar Markovic, um Ruben Ribeiro ou um Campbell, e mais recentemente (desde Janeiro) alguns outros que o tempo se encarregará de demonstrar que não fazem a diferença face aos que formamos em nossa casa. Tudo isto com danos evidentes na nossa conta de exploração. Olhando para a lista de jogadores que vão à Bélgica, já não existem vestígios dessa geração de 23/24 anos (Ivanildo está lesionado, mas não se sabe se ficará) formada na Academia. Resta-nos a esperança que a geração de 20/21 anos, composta por Max, Thierry Correia, Abdu Conté, Miguel Luís, Daniel Bragança e Jovane (Demiral já cá não mora), venha a ter uma oportunidade real. Eles são "the last men standing". Nuno Mendes, Joelson e Plata (contratado por este CD/administração) estão fora disso, eles já não pertencem à geração maldita, mas sim à ínclita geração de Frederico Varandas. Pelo menos enquanto não chega mais um Borja, um Ilori, ou um Camacho, este último o rapaz que diz que veio para o Sporting porque não queria jogar a lateral...  

 

P.S. Jogadores do nível de um Bruno Fernandes, Acuña ou Mathieu, ou mesmo de um Wendel, Coates, Raphinha ou Dost são sempre bem-vindos. Preferia mil vezes todos os anos ver chegar um jogador da qualidade do nosso Top3 do que meia-dúzia dos outros, aqueles que se acumulam em stocks, destroem as esperanças e ambições dos nossos jovens e, todos juntos, deixam as nossas contas num caos. 

iuri medeiros.jpg

16
Jul19

Futebol de autor ou futebol de cada treinador?


Pedro Azevedo

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de base e um conjunto de princípios que são incorporados desde a Formação. Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, formando os seus próprios treinadores ou indo ao mercado procurar treinadores que se adequem a essa filosofia, ou, em alternativa, se consideram que essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas?

 

Aqui fica então o repto. 

16
Jul19

E depois do adeus...


Pedro Azevedo

Olhando para a realidade como ela é, e não para a percepção que se impõe dela - raramente limpa, como oposto do imaginado na citação de "Doors of Perception" de William Blake, e desejavelmente não quimicamente alterada, ao contrário do que propõe Aldous Huxley no livro homónimo - , há toda uma geração de jogadores que o Sporting perdeu porque teve treinadores principais que nunca olharam devidamente para eles. Ou se olharam, não viram, como diria o Dr Pôncio. Demiral, Domingos Duarte, Palhinha, Francisco Geraldes, Ryan Gauld ou Mama Baldé são apenas alguns exemplos. Quem não concorda com esta teoria geralmente apresenta um argumento: se esses jovens não jogaram com diversos treinadores, então é porque não têm categoria suficiente para a primeira equipa. Na minha opinião, esse argumento é frágil porque toma esses treinadores como os detentores da verdade absoluta. Porém, uma análise rápida permite concluir que falharam no passado nas avaliações que produziram. O caso mais flagrante será o que se passou com Bernardo Silva no Benfica quando Jorge Jesus era o seu treinador. Para além de não ter tido oportunidades, rezam as crónicas da época que JJ queria fazer dele um lateral esquerdo, uma invenção digna de mostra à Academia Real das Ciências. Outro caso é o de Demiral. O turco pode não ter convencido Jesus, ou mesmo Peseiro que o despachou de volta ao país de origem, mas não teve dificuldades em receber a aceitação de Allegri, que recomendou a sua contratação, ou de Sarri, que a ratificou por 18 milhões de euros quando chegou a Turim, dois treinadores de alto gabarito do futebol mundial. 

 

Outro problema de erro de paralaxe é a avaliação da nossa Formação não contemplar muitas vezes o valor relativo das coisas. Sentencia-se negativamente o valor do jogador A ou B proveniente da Academia, mas esquecemo-nos de avaliá-los comparativamente com os jogadores que vamos contratando no mercado. Pegando só nos casos mais recentes, eu não tenho dúvidas de que Eduardo (24 anos) mostrou qualquer coisa de distintivo no Belenenses, mas isso não foi mais do que aquilo que Geraldes (tem a mesma idade) exibiu no Moreirense - para quem já se esqueceu, destruiu o Benfica numa semi-final da Taça da Liga - ou no Rio Ave (11 assistências em 17/18) quando era ainda mais novo. Outras comparações podem mesmo estabelecer-se no desempenho observado em Alvalade: Matheus Pereira na época 15/16, aos 19 anos de idade, fez 18 jogos pela equipa principal, nos quais marcou 5 golos e produziu duas assistências, números em média por jogo semelhantes aos obtidos a época passada por Diaby (27 anos), o qual custou 5,5 milhões de euros. Simplesmente, essa aposta não teve continuidade para lá de uns lançamentos fetiche em jogos contra o Porto. E isto para não falar em Misic, Alan Ruiz, Elias, Markovic, Campbell, todos certamente muito fluentes em mandarim, ou, mais recentemente, Ilori ou Borja, que todos juntos custaram muito dinheiro em transferências, comissões e ordenados e não mostra(ra)m ser superiores a produtos da nossa Formação que ficaram em fila-de-espera eventualmente por não terem o guião correcto. Nesse sentido, é bom não esquecer que muitos daqueles produtos da nossa Formação de cuja carga agora nos queremos aliviar foram chamados de volta a meio da temporada de 2016/17 para esconder aquilo que foi um despautério de péssimas aquisições que redundaram no facto de 1 ano depois só Bas Dost ser titular, erro que desejo ardentemente não se esteja a repetir pois os melhores jogadores da equipa continuam a ser aqueles comprados em 2017/18 (Bruno, Acuña, Mathieu, Wendel).

 

Por fim, há uma ideia que à superfície aparenta fazer sentido que consiste em que já não há muito valor a apurar em jogadores da nossa Formação com idades entre os 22/25 anos e que as apostas devem ser feitas, sim, em jovens entre os 17 e os 21 anos provenientes da Academia. No entanto, quando vemos entrar um ainda lesionado Rosier (5M€ + Mama Baldé), percebemos que Thierry Correia poucas hipóteses irá ter. O mesmo acontece com a aquisição de Rafael Camacho (5M€?), continuando Elves Baldé a rodar fora de Alvalade e persistindo a interrogação sobre o futuro de Jovane, numa altura em que o Sporting tem uma hiper-inflacção de alas, o que até seria uma boa dor de cabeça se todos os adquiridos fossem de nível "top". 

 

O presidente do Sporting, Dr Frederico Varandas, sentenciou que havia défice de qualidade na Academia entre os 17-23 anos. Ninguém lhe perguntou se tal percepção se devia à sua convicção pessoal, à de técnicos especializados, ou se derivava de outras motivações. Por isso, à primeira vista, o número de jogadores da nossa Formação que se encontra em estágio é incongruente com esse ponto-de-vista. Porém, se virmos à lupa, verificamos que dadas as aquisições para médio defensivo observadas desde Janeiro (Doumbia, Matheus Nunes, Eduardo) dificilmente Daniel Bragança terá uma oportunidade, ele que ainda nem se estreou no estágio. O mesmo se passará com as opções nas alas, analisando os investimentos em Camacho e Plata. Haveria, no entanto, aqui uma boa oportunidade para os defensores da rotação por "buckets" etários mais baixos: vendia-se Borja (26 anos), aquele jogador a quem a meio do caminho parece faltar corda e que agora dizem estar super-hiper valorizado pela ida à selecção colombiana, e dava-se uma oportunidade a Abdu Conté, ou Nuno Mendes, de aprender com Marcos Acuña. Igualmente, porque já tem 26 anos, fazia-se o "write-off" de Ilori e punha-se Eduardo Quaresma (17 anos) a crescer ao lado dos consagrados Mathieu, Coates e Neto, podendo jogar na Taça da Liga e em alguns jogos da Taça de Portugal.  

 

Uma última reflexão, que repete uma outra que publiquei no "És a nossa Fé" em 1/9/2018, com o título de "E depois do adeus": "nenhum clube tão assiduamente, e na praça pública, trata os seus atletas como activos como o Sporting. Não estamos a falar de acções nem de obrigações, nem sequer de sobreiros mas sim de um outro tipo de seres vivos, com pensamento e vontade própria. No dia em que pensarmos o clube não como um entreposto de compra/venda de jogadores, mas sim como um clube de futebol que quer manter os seus melhores jogadores, rendibilizando-os do ponto-de-vista desportivo, financeiro (via proveitos ganhos com conquistas desportivas) e económico (merchandising assente nos feitos dos jogadores) estaremos mais perto de uma cultura de clube vencedora e de um modelo de Organização onde impere o respeito entre todas as partes. No entretanto, continuaremos a dizer sim a défices de exploração constantes, proliferação de importação de jogadores para as mesmas posições e outros desvarios que nos levarão, em pouco tempo, a consumir os proveitos inerentes ao contrato com a NOS. Depois, acordar será tarde." 

 

Parece ainda estar actual, não é? Ora, de forma a podermos manter os nossos melhores jogadores, ou vendê-los apenas por preços irrecusáveis, não se podem desperdiçar recursos - escassos na economia - em compras na classe média/baixa do futebol mundial. Para isso, complementa-se o plantel com a Academia, onde investimos uns milhões de euros anuais em infra-estruturas, atletas e técnicos especializados que conhecemos bem. 

 

P.S. Se o Demiral tem ficado no Sporting, aceitando ir jogar para os sub-23 como foi noticiado que lhe foi proposto, não seria hoje também alvo da narrativa daqueles que não veem valor na nossa Formação? É bom lembrar que o turco foi preterido em função de Marcelo, um central que poucos meses depois foi dispensado. Um filme que se repete, em sessões contínuas, no "cinema" de Alvalade. Depois do fado (1ª arte) de 17 anos sem ganharmos o campeonato, a Tragédia Grega (2ª arte) desencadeada por aquela abominável peripécia de Alcochete, o quadro das nossas finanças (3ª arte), o Scouting que faz tábua-rasa da nossa Formação (escultura/4ª arte), o Estádio e suas "funcionalidades" (arquitectura/5ª arte) e as narrativas de criação de uma percepção sobre a Formação (literatura/6ª arte), eis a "Sétima Arte" leonina em todo o seu esplendor. Os sportinguistas têm mesmo de ser muito resistentes...

14
Jul19

Não ter valor, mas ter preço


Pedro Azevedo

Afinal a nossa Formação (acima dos 17 anos) não deve ser muito má. Demiral (3,5 M€), Tiago Djaló (0,5 M€), Félix Correia (7 M€) e Domingos Duarte (3 M€) renderam cerca de 14 M€ ao clube. Em comum têm o facto de nunca terem realizado um jogo oficial pela primeira equipa, com excepção do turco a quem foi concedida a "barbaridade" de 1 minuto de utilização num jogo a contar para a Taça de Portugal. Juntam-se assim aos habitués William (16 M€ por 75% do passe), Rui Patrício (12 M€) e Gelson (22.5 M€), e a João Mário que saiu por 40 M€. Já em relação a Jefferson (128) jogos pelo Sporting), André Pinto (41), Petrovic (39), Alan Ruiz (34), Bruno Gaspar (30), Misic (9) e Viviano (0), tudo jogadores pescados no mercado, aguardo ansiosamente pelo valor apurado das suas vendas, dado que o seu rendimento desportivo é de todos conhecido. O mesmo, um dia, em relação ao contingente comprado desde Janeiro (34 M€ investidos + Comissões de transferências do Mercado de Verão + ordenados) que demonstra que a nossa política desportiva não mudou assim tanto face a épocas anteriores, principalmente quando se insiste em comprar classe média. No fundo andamos a fazer Investigação Operacional: os miúdos da Formação vão para filas de espera; os contratados, para gestão de stocks ("n" alas, "n" médios defensivos). Afinal, nós somos mesmo bons é em matemáticas aplicadas. O que é pena é os nossos algoritmos e modelos de decisão não optimizarem o desempenho... 

domingos duarte.jpg

07
Jul19

Dá-me um Demiral...


Pedro Azevedo

"Dá-me um Demiral, um imaginário...dá-me um irreal
Dá-me um Demiral, um imaginário...dá-me um irreal
Dá-me um academial, um ar ilusório...dá-me um ideal
Dá-me um academial, um ar ilusório...dá-me um ideal
Impopular, desvalorizar por aí
Impopular, surrealizar por aí
Impopular...
Não me dês moral...dá-me um Demiral academial social popular avançado

 

Dá-me um Demiral, um imaginário...dá-me um irreal
Dá-me um academial, um ar ilusório...dá-me um ideal

Impopular, desvalorizar por aí
Impopular, surrealizar por aí
Impopular...
Não me dês moral...dá-me um Demiral academial...
Impopular, desvalorizar por aí
Impopular, surrealizar por aí
Impopular...
Não me dês moral...dá-me um Demiral academial social popular avançado" - adaptação livre de "Irreal Social" dos BAN

demiral1.jpg

23
Jun19

Mama e Matheus, definitivamente


Pedro Azevedo

Uma ala Matheus Rosier seria certamente leve, fresca, jovem, aromática e perfeita para todos os gostos e ocasiões. Mas se é para estimular o consumo, Mama Matheus é bem mais apropriado. 

mama baldé.jpg

matheus pereira nurnberg.jpg

18
Jun19

O Felix e o Demiral


Pedro Azevedo

Os diários desportivos portugueses fazem hoje manchetes com a transferência de João Felix para o Atlético de Madrid. O valor pelo qual, alegadamente, o jogador irá sair, não sendo indiferente para ninguém, não nos deverá desestabilizar. Deve ser claro para todos que dentro de uma política de comunicação que pretende traduzir uma estratégia de hegemonia no futebol português, o jogador teria de sair pela cláusula de rescisão e constituir uma das maiores vendas de sempre a nível mundial. Não creio, no entanto, que não haja um conjunto de contrapartidas, que irão da compra de jogadores a preços relativamente inflacionados até às comissões pagas na totalidade desses negócios que não baixem significativamente o preço da transferência. Nada, aliás, que o próprio Sporting (com o mesmíssimo Atlético de Madrid) não tenha já feito no negócio Gelson/Vietto, pelo menos na avaliação que foi feita do jogador argentino (eventuais comissões não foram divulgadas). Logo veremos, o que não invalida que o Benfica vá certamente fazer um óptimo encaixe e que tal só tenha sido possível pelo indesmentível mérito de ter apostado num jovem na equipa principal. 

 

A mim, que incomoda tanto foco na casa do vizinho, interessa-me muito mais o que se passa na nossa casa. E, nesse sentido, dou mais relevância ao facto de o conceituado portal italiano Calciomercato andar há uma semana a divulgar que Demiral será jogador da Juventus, num negócio que rondará os 15 milhões de euros. Afinal, andamos há tanto tempo a desvalorizar a nossa Formação, a dizer que não há qualidade - nada disto invalida que se trabalhe mais, melhor e com outras condições nos escalões jovens -, e tínhamos aqui à mão um jogador super talentoso e que futuramente integrará, lado-a-lado com Cristiano Ronaldo, o plantel de um colosso como a "Vecchia Signora". O que me leva a outra interrogação: se Demiral tem ficado no Sporting, o que se diria dele hoje? O mais certo era não ser aposta e ser apontado como mais um daqueles a quem faltaria algo para se impôr no clube, razão pela qual seria dado primazia a um Marcelo ou um André Pinto, por exemplo. Assim sendo, que garantias temos nós, sportinguistas, que não haja mais "demirais" em Alcochete que conosco nunca jogarão? Mais do que o "barulho das luzes" com que os Illuminati do futebol português nos pretendem brindar, estas são as questões que a meu ver merecem reflexão. Até porque o passado não se pode mudar, mas o futuro dependerá de nós e das nossas convicções. Tal como a nossa sobrevivência, é bom não esquecer.

 

P.S. Aos 25 anos, Ilori foi avaliado em 4M€ (compra de 60% do passe por 2,4M€). Aos 20 anos, Demiral saiu por 3,5M€, valor ao qual ainda há que deduzir 300.000 euros pagos em comissões (conforme último R&C). Bem sei, diferentes administrações. O mesmo clube, no entanto...

P.S.2. Ou há um Gabinete Técnico, transversal a cada administração da SAD, que faz a pré-avaliação de cada jogador da Formação e as suas conclusões são letra de lei, significando que daí depende a ascenção dos jovens futebolistas à equipa principal, ou então a avaliação da Formação fica a cargo de cada nova administração da SAD, com todos os riscos políticos inerentes a tal. 

demiral1.jpg

09
Jun19

Campeões!!!


Pedro Azevedo

No futebol, o Sporting acaba de se sagrar campeão nacional de iniciados ao bater o Tondela por 5-0. Luis Gomes, Mateus Fernandes, David Moreira e Youssef Chermiti (2) marcaram os golos da vitória. O Sporting torna-se assim bicampeão do escalão, o segundo campeonato consecutivo conquistado pelo treinador Pedro Coelho. 

04
Jun19

Equipa B


Pedro Azevedo

Eu julgo ser importante haver uma Equipa B, tal como a existência dos Sub-23 e os empréstimos a clubes da Primeira/Segunda Liga ou do estrangeiro. Mas receio que estejamos a ver a coisa a jusante e não a montante. O pecado original é a não-aposta nos nossos jovens, venham eles da Alemanha, do Rio Ave, dos juniores, da Liga Revelação ou da Ledman LigaPro. E é isso que tem de mudar.

 

Olhemos para outra escola de Formação com créditos firmados, a do Ajax. Existe uma política de aposta na Formação, de desenvolvimento interno de jogadores, que não está dependente de haver melhores ou piores fornadas. Com mais ou menos talento, esses jogadores incorporam desde tenra idade a filosofia do clube e a sua forma de jogar. Chegam à equipa principal e, mesmo quando não são geniais, são competentes no que fazem. Como tal, com períodos de maior ou de menor brilhantismo na Europa, o Ajax anda sempre lá em cima no campeonato holandês e tem um modelo de negócio sustentável que lhe permite vender só quando o preço é irrecusável.

 

Portugal é um país que apostou muito no desenvolvimento de infraestruturas rodoviárias. Muitas delas sobrepuseram-se de uma maneira infernal, a expensas do contribuinte. A mim parece-me que a realidade do Sporting é semelhante: estamos muito preocupados em criar auto-estradas onde os jogadores possam ganhar rodagem, mas depois o acesso a casa é um caminho de cabras cheio de buracos, pelo que acabamos por não colher o que investimos.

 

A nossa filosofia de vida é que deve determinar as nossas opções do dia-a-dia. Caso contrário, tudo revelar-se-á infrutífero, porque os meios são apenas isso, meios, não fins. Gostaria muito que se pensasse serenamente nisto.   

01
Jun19

O polivalente


Pedro Azevedo

Eu já sabia que o Diaby era um jogador de futebol mauzote. Fiquei agora a saber que também é polivalente. (Um polivalente mauzote.) Quem o diz é o Keizer, que em entrevista recente ao Record afirmou ter visto nele (e em Geraldes) um possível substituto de Bruno Fernandes, caso o maiato se tivesse lesionado. O que o senhor não deve ter dado a volta ao miolo perante o dramático, apocalíptico cenário de não ter mais ninguém, para além do Xico, para fazer a posição. E pensou em Diaby, pois claro, porque todos sabemos que com um bocadinho de canela toda a assistência fica mais bela. E dizemos nós que os portugueses são imaginativos... Nesse capítulo, este holandês tem nota muito alta. Dez (10), para ser preciso. 

15
Mai19

A nossa Formação lá por fora


Pedro Azevedo

Matheus Pereira, jovem emprestado pelo Sporting aos alemães do Nuremberga, foi eleito o "Melhor Jovem do mês de Abril", na Bundesliga, troféu patrocinado pela Tag Heuer e que tem como patrono a antiga glória Lothar Matthaus. Pode lêr mais informação aqui . 

matheus pereira nurnberg.jpg

08
Mai19

Formar... para os outros


Pedro Azevedo

Pedro Mendes (Montpellier) e José Fonte (Lille), dois defesas centrais formados no Sporting Clube de Portugal, constam da lista de nomeados para o "onze ideal" da Ligue 1, o principal campeonato francês, segundo avança "O Jogo".

 

Pelo Sporting, Mendes jogou só 224 minutos na 1ª Liga, Fonte nunca actuou. Acabaram por sair sem qualquer ganho financeiro para o clube: Mendes andou de empréstimo em empréstimo - Real Massamá, Servette, Castilla - até que quando deram por ele o contrato estava a terminar e foi para o Parma a custo zero, Fonte foi dispensado a custo zero para o... Felgueiras. Trago isto à colação porque quando subiram à primeira equipa muita gente, treinadores e adeptos, duvidou que tivessem a qualidade suficiente para jogarem de leão rampante ao peito. Enfim, mentalidades. (Relembro que Fonte é campeão europeu e 36 vezes internacional pela selecção das quinas.) 

pedro mendes montpellier.jpg

josé fonte lille.JPG

04
Mai19

O melhor jogador produzido pela Formação de sempre


Pedro Azevedo

Elencados aqueles que mais brilharam de verde-e-branco vestidos, cumpre agora destacar os que, trabalhados nos nossos escalões de Formação, tiveram uma grande carreira, seja ao serviço do Sporting ou de clubes nacionais ou internacionais. Assim, pretende-se apurar o melhor jogador de sempre produzido no Sporting.

Os nomeados, por ordem cronológica, são:

1) Jorge Mendonça (Sporting, Deportivo Coruña, Atlético Madrid, Barcelona, Mallorca);

2) Vítor Damas (Sporting, Santander, Guimarães, Portimonense);

3) Paulo Futre (Sporting, Porto, Atlético Madrid, Benfica, Milan);

4) Luís Figo (Sporting, Barcelona, Real Madrid, Inter);

5) Simão Sabrosa (Sporting, Barcelona, Atlético Madrid, Benfica);

6) Cristiano Ronaldo (Sporting, Manchester United, Real Madrid, Juventus);

7) Nani (Sporting, Manchester United, Fenerbahçe, Valência, Lazio).

 

Participem! Adicionalmente, pedia que ordenassem decrescentemente, do melhor para o menos bom, os sete jogadores nomeados. Agradecia apenas que, conjuntamente com o voto, indicassem o nome ou pseudónimo com que habitualmente aqui assinam. Então, está aberto o inquérito (até às 23h59 de hoje). O resultado será apresentado às primeiras horas de amanhã. Muito obrigado e viva o Sporting!

 

P.S. Amanhã o desafio para os Leitores será escolher o "Melhor Treinador de sempre". Estamos sempre a aprender e, como tal, vou promover aqui uma inovação e sugerir aos nossos Leitores que nomeiem durante o dia de hoje, conjuntamente com a votação da Formação, o nome de um treinador que não conste da minha lista e que gostassem de ver incluído na lista que irá a votação. O nome mais votado constará da lista final de nomeados, amanhã. As minhas nomeações, por ordem cronológica, são: Szabo, Galloway, Anselmo Fernandez, Fernando Vaz, Mário Lino, Malcolm Allison e Inácio. As escolhas tiveram a ver não só com o número de títulos, mas também com o carácter simbólico de algumas dessas conquistas e com a importância de certos treinadores no desenvolvimento de ideias positivas de ver o jogo, aposta na formação de jogadores, etc. Fico então à Vossa espera para obtermos o 8º nomeado.

 

Resultados - "Melhor jogador produzido pela Formação": Cristiano Ronaldo (132 pontos). Completam o pódio Figo (88) e Vítor Damas (63).

cristiano ronaldo sporting.jpg

Cristiano Ronaldo, o melhor jogador formado pelo Sporting para os leitores de "Castigo Máximo"

22
Abr19

João Couto e a Formação


Pedro Azevedo

Imprescindível leitura em Tribuna Expresso

joão couto.jpg

Confirmando que é um valor seguro da nossa Academia, João Couto disserta sobre temas tão diversos quanto a influência de empresários e pais na carreira dos miúdos, Cristiano Ronaldo vs Fábio Paim, ganhar campeonatos juvenis vs formar jogadores, modelo de jogo vs criatividade, entre vários opiniões que merece a pena lêr.  

17
Abr19

Limpinho, limpinho como o Ajax!


Pedro Azevedo

O Ajax venceu a Juventus - previamente havia batido o Real Madrid, campeão em título - nos quartos-de-final da Champions com 6 jogadores da sua Formação no "onze" inicial que apresentou em Turim. 

 

Daley Blind (no clube desde os 8 anos de idade, foi posteriormente vendido ao Manchester United, tendo regressado esta época), Frankie de Jong (chegou com 18 anos, proveniente do Willem II), Matthijs de Ligt (desde os 10 anos), Noussair Mazzraoui, Donny Van de Beek (desde os 11 anos) e Joel Veltman (desde os 9 anos) fizeram toda a Formação ou completaram-na nos "lanceiros". Adicionalmente, o brasileiro David Neres (ex-São Paulo) e o camaronês André Onana (ex-Barcelona) chegaram ao clube de Amesterdão com 19 anos. Dos restantes 3 jogadores, o marroquino Hakim Ziyech foi formado no Heerenveen e comprado ao Twente quando tinha 23 anos, o dinamarquês Lasse Schone chegou proveniente do NEC Nijmegen aos 26 anos e o sérvio Dusan Tadic, após alguns anos na Eredivisie (com passagens por Groningen e Twente), foi comprado, já com 30 anos, esta época aos ingleses do Southampton. 

 

Nota-se a preocupação do clube em mesclar a juventude proveniente da sua Formação (e as jovens promessas que vai recrutando através do Scouting) com jogadores experientes. Assim, Schone (32 anos), Tadic (30 anos) e o recém-regressado Blind (29 anos) adicionam a maturidade necessária para o sucesso nos grandes palcos. No entanto, a rodagem já adquirida pelos jovens jogadores não deixa de ser surpreendente, como se pôde comprovar a noite passada em Turim. De facto, os novatos Van de Beek (20 anos) e de Ligt (19 anos) marcaram os golos que eliminaram a "Vecchia Signora", uma ironia só por si. Para além dos 3 jogadores já citados em cima, destaca-se ainda a experiência do sólido defesa Veltman (27 anos) e do endiabrado Ziyech (26 anos). Mazzroui e de Jong (21 anos), Neres (22) e Onana (23) completam o lote.

 

Longe do poder económico de outros grandes clubes europeus, situado num pequeno país do centro da Europa, o Ajax cedo definiu uma estratégia baseada na pesquisa e desenvolvimento de novos jogadores. A qual vai complementando com aquisições cirúrgicas que adicionam maturidade e/ou classe às esucessivas equipas do clube. Havendo inevitavelmente umas gerações melhores do que outras, não se pode dizer que o Ajax se tenha dado mal com esta estratégia, tal como o atestam 2 Campeonatos do Mundo de clubes, 4 Champions, 3 Supertaças europeias, 1 Taça das Taças, 1 Taça UEFA, e os 33 Campeonatos, 18 Taças e 8 Supertaças ganhos domesticamente. 

 

Para que a força de uma ideia vingue, os seus treinadores têm de se submeter ao modelo do clube. Caso contrário, não duram muito tempo. Assim, com uma estratégia clara e convicção por parte de dirigentes e treinadores, o clube vai fazendo mais com menos, em certas épocas conseguindo até bater o pé a colossos com muito maior poder económico, tal como o demonstra a final da Liga Europa de 2016/17, com Peter Bosz, ou as meias-finais da Champions atingidas esta temporada, com Erik Ten Hag ao leme.

 

Será assim tão difícil replicar um modelo de sucesso num clube que tem jogadores como Cristiano Ronaldo, Luís Figo ou Futre como cartão de visita da excelência da sua Formação?

 

P.S. No "onze" inicial apresentado em Turim, o Ajax teve seis jogadores Sub-23...

001708062-3236f3b5-759d-491e-9288-8380e9a8d6bb.jpg

 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.