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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

17
Out19

A "Maçã" e a Laranja Mecânica


Pedro Azevedo

Rinus Michels revolucionou todo o conceito do futebol a partir da década de 60 do Século passado. Antigo professor de ginástica para crianças surdas, Michels chegou ao Ajax em 1965, impondo um estilo de jogo sem posições fixas – Futebol Total – onde a polivalência e a versatilidade sublimavam o talento colectivo, traduzindo-se tudo isto em tremenda eficácia.

 

Embora visionário e genial, Michels necessitava que os jogadores fossem inteligentes e soubessem interpretar em campo as suas ideias. Foi então que se deu um golpe de sorte: Johann Cruyff, praticamente nascido no Ajax – o seu pai vendia fruta ao clube – despontou em simultâneo com o mestre. Cruyff aportou velocidade, intuição, objectividade e inteligência ao belo jogo dos “lanceiros”. Esta última foi a arma derradeira que permitiu tornar-se no maestro que viria a conduzir a “orquestra” do clube e da selecção holandesa (“A Laranja Mecânica”) durante uma década.

Este exemplo inspirador do “mundo da bola” deve ajudar-nos a reflectir a realidade do mundo empresarial. As empresas de sucesso são aquelas que têm uma visão e depois artistas que são os artífices da implementação dessas ideias. Tal, requer energia e um plano, uma estratégia por parte de quem dirige, mas também inteligência, capacidade de trabalho, sacrifício e superação por parte de quem implementa.

 

Vejam o exemplo da APPLE: Steve Jobs foi o pensador, o “mastermind”, o homem inspirador capaz de uma visão “out-of-the-box” (como Michels). Os bons técnicos gostam de trabalhar com quem tem ideias (uma competência) e a capacidade de as pôr em prática (outra competência). Por isso, a Apple foi capaz de atrair talento criativo para si, distanciando-se da concorrência.

Um líder necessita de um conjunto de pessoas versáteis, polivalentes, com competências diversificadas, os quais devem constituir o seu “staff” próximo. A missão do primeiro deve ser “espremer todo o sumo” que os segundos podem dar. Estes últimos deverão saber interpretar as ideias e passá-las aos “solistas”, que se quer perfeccionistas de forma a executá-las da melhor maneira.

 

Analisando os casos de sucesso vemos denominadores comuns entre líderes. No entanto, alguns segredos residem na personalidade e carisma de cada um. Já dizia Crujff, “se eu quisesse que entendessem, explicar-vos-ia melhor”.

16
Out19

La revancha del Tango


Pedro Azevedo

O Tango nasceu no epílogo do Século XIX em Rio de La Plata, popularizando-se nas grandes cidades limítrofes de Buenos Aires (Argentina) e de Montevideu (Uruguai), em especial na zona portuária da grande capital argentina. Por ter essa raiz e inspiração “porteña”, o Tango foi exportado para a Europa e introduzido em Paris por marinheiros franceses. O instrumento principal do Tango é o Bandoneon (instrumento de fole). Trazido para Buenos Aires por emigrantes alemães, o Bandoneon emerge entre o piano, o violão, o violino e o contrabaixo, marcando as mudanças de ritmo tão características do Tango. Esta música é ilustrada pela dança, onde o drama, a agressividade, o engano, a paixão e o truque evoluem de uma forma binária, num compasso dois-por-quatro.

 

A pouco mais de 11000 km de Buenos Aires situa-se a “city” de Londres, uma pequena área de 2.6 km2. Adjacente a esta área, enquanto Centro financeiro, temos a zona de Canary Wharf, constituindo-se ambas como o coração do sistema financeiro britânico. Esta última é também uma antiga zona portuária, fechada para esse fim em 1980 e transformada numa importante área de negócios.

 

A “música” tocada pelos operadores de mercado em Londres assume também uma forma binária: os mercados sobem ou descem. Os principais “market-makers” tentam convencer os investidores da bondade do racional do seu posicionamento e os mercados vão evoluindo “ao som” dos indicadores económicos. Os fatos destes executantes, “marinheiros de mar e guerra” são diferentes, de melhor corte, criados pelos prestigiados alfaiates de Saville Row…

 

Um dos principais activos transaccionados é o de obrigações. Neste mercado os investidores compram títulos de dívida de diversos emitentes: Estados Soberanos, organismos supranacionais, Bancos Centrais, municípios, empresas, bancos, etc. O mercado obrigacionista é também um mercado de crédito. Quando se compra uma obrigação está a ponderar-se qual o nível de risco do emitente face ao "risk free". Na Europa, tomando o estado alemão como sem risco, todos os outros países terão taxas de juro superiores. A esta diferença de juros dá-se o nome de prémio de risco ou "spread" de crédito. Os spreads de crédito evoluem numa dança semelhante à do Tango. Aqueles movem-se como um fole, alargando ou estreitando, num compasso mais ou menos acelerado consoante o ritmo (de crescimento) da(s) economia(s). É o "efeito Bandoneon"!

 

Um desses compassos mais acelerados aconteceu na Argentina no período entre 1998 e 2002, período temporal em que o prémio de risco do país subiu vertiginosamente. A depressão económica argentina começou no 3º trimestre de 1998 e durou até ao 2ºtrimestre de 2002, tendo sido causada pelas crises russa e brasileira, motivando um aumento significativo do desemprego e com ele, a queda do governo e motins generalizados. A dívida externa argentina entrou em “default” após exibir taxas de juro exponenciais e a indexação do peso ao dólar foi abandonada. A economia contraiu 28% neste período.

 

“Don`t cry for me, Argentina”, cantava Elaine Paige com música de Andrew Lloyd Webber, na peça Evita, a qual retratava a peronista Eva, curiosamente deposta pela Junta Militar chefiada pelo General Videla em 1976, a qual irónicamente viria a caír após a dolorosa derrota militar imposta pelos britânicos em 1982, nas Malvinas (Falkland). O concomitante regresso à democracia, trouxe uma nova alegria ao “país das Pampas”. No dia 22 de Junho de 1986, no Estádio Azteca da Cidade do México, um pequeno duende argentino, um deus do mundo da bola, Diego Armando Maradona, marcou primeiro de forma insolente e ignóbil um golo com a mão. Ficou conhecido como “a mão de Deus”, certamente uma blasfémia, mas entendível dada a recente humilhação do povo argentino. Mas, o segundo golo de El Pibe foi tango no seu estado puro: ginga, engano, truque, artifício, um-dois-três-quatro-cinco ingleses no solo (guarda-redes incluido) e goooooooooolo. Convido o leitor a ouvir o golo relatado pelo grande Victor Hugo Morales. A vitória do povo, “La Revancha del Tango”.

10
Out19

A técnica


Pedro Azevedo

Em Portugal, há uma ideia que eu considero errada à volta do conceito de "técnica". Esta é muitas vezes confundida com habilidade, que não é exactamente a mesma coisa. Técnica é recepção, passe e remate, habilidade é finta, imprevisibilidade, malabarismo com bola. Durante muitos anos a selecção nacional foi considerada a campeã do futebol sem balizas, porque poucos jogadores portugueses mostravam qualidade na hora do remate. Um movimento que é natural para um futebolista italiano, alemão ou inglês, mas que não é assim tão comum no jogador criado em Portugal. Por exemplo, se olharmos para o panorama recente ou actual dos médios lusos, Maniche e Bruno Fernandes (vá lá, Pizzi) são um oásis num deserto de chutadores de fora da área, uma arma para contrariar defesas bem organizadas. Outra fraqueza que se nota, mesmo em jogadores internacionais, é na qualidade de recepção. A intensidade do futebol actual dá pouco tempo ao jogador, pelo que uma boa recepção é fundamental, especialmente se for orientada para o movimento seguinte que o atleta já tem pensado. Enquanto a recepção visa não perder tempo, o passe tem o objectivo de ganhar espaço, outra dificuldade dos tempos modernos. Nesse aspecto, há algo comum entre passe e finta, embora um bom passe geralmente dê menos hipótese a uma defesa de se recolocar no terreno, algo que só uma finta muito vertical iguala. 

 

Não se pense, no entanto, que há formas únicas de se atingir o sucesso. Olhando para os ícones históricos da nossa Formação verificamos que jogadores com perfil diferente tiveram sucesso. Por exemplo, Figo tinha passe, recepção imaculada e habilidade natural no 1x1, Futre possuia uma velocidade com bola que lhe permitia tornar letal a sua finta estonteante, Quaresma aliava qualidade de passe a partir das alas com muita inventividade e imprevisibilidade (gama de fintas e trivela), Nani tinha mais qualidade de remate que os restantes. De todos, Ronaldo é o "full package", o jogador que converteu habilidade natural em técnica útil, orientando o seu drible e passe (essencialmente curto) para uma acção decisiva, aliando-os a uma qualidade de recepção de bola e de remate fora do comum. 

 

De entre os mais recentes que têm passado pela Academia, Gelson será aquele em que se torna mais distintiva a diferença entre habilidade e técnica. Com algumas dificuldades na recepção e na orientação do seu drible, muitas das suas acções acabam por ser inconsequentes. Apesar de ter melhorado a verticalidade do seu jogo, estas fraquezas têm-no impedido de ascender a outro patamar. Já Matheus Pereira é um jogador diferente: menos explosivo no drible, orienta-o melhor para a acção que pretende executar a seguir, apoiado numa visão de jogo e recepção acima da média que lhe permitem exponenciar a sua qualidade de passe e de remate. Outro jogador que acompanho com interesse é Matheus Nunes, atleta que foi comprado ao Estoril em Janeiro. Faltar-lhe-ão mais acções perto da área contrária, produto de ter sido utilizado como "6" na temporada passada. Actualmente jogando como "8", Matheus tem podido mostrar qualidades na recepção e passe ímpares entre os jogadores da Formação. Quem tiver dúvidas vá ver a jogada decisiva na vitória sobre o Rio Ave (1-0) a contar para a Liga Revelação. 

 

Os campos tortuosos, a subir e a descer e cheios de irregularidades, do futebol de rua serviram durante anos como aprendizagem de recepção de bola. O Brasil foi o expoente máximo dessa base, ganhando durante anos com essa arma. Equipas como a de 70, ou mesmo a de 82, destacavam-se pela relação com bola ímpar da maioria dos seus jogadores. Como geralmente tinham sempre a bola, disfarçavam assim as insuficiências a nível físico, de intensidade e de posicionamento defensivo. No entanto, hoje em dia, salvo honrosas excepções, não é fácil notar diferenças entre jogadores brasileiros e europeus. O futebol globalizou-se e o Brasil começou a duvidar dos seus pontos fortes, procurando antes colmatar as suas lacunas, pelo que a maioria dos seus jogadores já não se destaca pela técnica especial que outrora se encontrava num Pelé, Tostão, Rivellino, Sócrates, Zico ou Falcão. Enfim, o futebol evoluiu, há cada vez maior uniformização táctica e menos diferenças entre as equipas, mais influência de treinadores e menos de jogadores, mas o que ainda vai produzindo a diferença é a capacidade invulgar de certos predestinados. E essa está sempre alicerçada em pensar e executar mais rápido, na velocidade e qualidade de execução, os dois factores essenciais no futebol moderno. 

02
Out19

Missão Impossível 3


Pedro Azevedo

O Bruno Fernandes já tinha dito que há jogadores que não sabem o que é o Sporting e de facto parece haver alguns que só vêm aos jogos para picar o ponto, quando a nós, adeptos, nos alegraria que "picassem" sempre os 3 pontos. Outros há que mais parecem prestadores de serviços, nestes se destacando um "avençado centro" espanhol com tiques de vedeta descoberto nas "rebajas" da feira de Monte Carlo. Neste cenário, a Silas é pedido que realize a "Missão Impossível 3" da temporada, contando apenas com 3 actores de créditos firmados (Bruno, Acuña e Mathieu), mais um "Travolta" (Vietto) à procura de um "Tarantino" que lhe recupere a fama perdida, um imponente uruguaio à espera de um exorcista e um ou outro jovem promissor (Wendel...) se bem que sem condição física para a exigência do papel que terá de desempenhar. Se tiver sucesso, não há licenciado da Escola Superior e Teatro e Cinema com argumentos para o pôr em causa. Enquanto não há filme, fiquemos com um pequeno "teaser", ou, como diria o Lauro António, "let's look at the trailer(!)". Vemo-nos amanhã em Alvalade! [A esta hora estar-se-ão a interrogar por que é que o Pulp Fiction aparece misturado com o Missão Impossível 3. Bom, poderia ser pelo enredo não-linear que marcou a preparação desta época, ou pelos  longos "diálogos" no campo que marcaram a estreia de Silas e que se deseja que venham progressivamente a ser mais elaborados, mas é essencialmente porque desejo uma reacção dos jogadores que ajude o Sporting e se assemelhe aos últimos versos de Ezequiel 25:17 reproduzidos no filme por Samuel L. Jackson: "And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers and you will know My name is the Lord when I lay my vengeance upon thee".] 

02
Out19

Devagar, devagarinho se vai à "Ribeira Grande"


Pedro Azevedo

Se fosse médico prescreveria uma toma de 12 em 12 horas, assim simplesmente recomendo a leitura de E pur si muove! , de Rui Monteiro, em "A insustentável leveza de Liedson. Quanto à reacção, siga o autor: espere um pouco, porque sempre acontece alguma coisa. De bónus, ainda leva para casa o neologismo "triqui-troca". A não perder!

25
Set19

Uma nova visão, um novo plano


Pedro Azevedo

Mais uma vez começa o desfile de treinadores na imprensa. No Sporting não se aprende com os erros, pelo contrário eles são repetidos num ciclo vicioso. Mais do que um treinador, o Sporting precisa de alguém que se sobreponha à famosa Estrutura e que possa agir transversalmente a todo o futebol do clube, incluindo a Formação e o futebol profissional dentro de uma mesma visão e estando em plano hierarquicamente superior a scouting e gestão de activos. 

 

No fundo, o Sporting precisa de um plano. De um novo plano, com novas pessoas. Um plano estruturante que vise o melhor aproveitamento dos escassos recursos do clube, potenciando a sua Formação e evitando os constantes desperdícios em contratações que não acrescentam valor. Um plano que previna os equívocos na montagem de um plantel, que dê sentido às coisas. 

 

Mais do que um treinador, o Sporting precisa de um pensador de todo o futebol do clube. Alguém que defina uma linha de futebol positivo que leve as pessoas ao estádio e capaz de esboçar um modelo e princípios de jogo adequados a esse propósito. Deve ser também um artífice, com capacidade para ir cosendo as pontas entre futebol profissional e Formação, implementando transversalmente uma visão.

 

Por tudo isto, o que eu defendo é que, mais do que um treinador, o Sporting necessita de um Director Técnico, alguém que só dependa hierarquicamente do presidente (mas que tenha autonomia) e que tenha capacidade para imaginar e desenvolver todo um conceito de futebol do clube, liberdade para definir um perfil de treinador que encaixe nesse conceito e que seja capaz de complementar o ensino de toda uma nova geração de treinadores "made in" Alcochete que um dia mais tarde emergirá na equipa principal. Às vezes as crises são oportunidades, não podemos é virar-lhes as costas. 

 

As pessoas gostam sempre de nomes. Para mim, mais importante que os nomes é o racional por trás de uma escolha. Ainda assim não vou fugir à questão. Perante o que enumerei, tendo em conta as características que enunciei, sabendo-se que Boloni ou Luis Castro estão a contrato, a minha escolha natural seria o professor Jesualdo Ferreira. Nele confiaria como arquitecto do projecto - e não como treinador, pese embora erroneamente ainda lhe seja apontado o estigma de 2012/13, ele que chegou com a equipa em 12º lugar (é bom não esquecer) - , sendo definido à partida que em nenhuma circunstância poderia interromper o seu trabalho para assumir funções de liderança no terreno da equipa principal de futebol do clube. 

14
Set19

Aposta na (de)formação de uma narrativa


Pedro Azevedo

Se há coisa que é absolutamente desmotivadora para um jogador oriundo da nossa Formação é o facto, de não havendo jogadores disponíveis para a sua posição na equipa principal, o treinador recorrer a adaptações em detrimento de dar uma oportunidade a esse jovem.

Falo-vos de Pedro Mendes, ponta de lança da nossa equipa de sub-23 que já leva 7 golos marcados (em 6 jogos) nesta edição da Liga Revelação, isto após ter obtido a bonita marca de 18 golos, na mesma competição, ao longo da temporada de 2018/19.

Dizem-me que o jogador não está inscrito na Primeira Liga, algo que não tenho como verificar e sobre o qual não existe qualquer informação/comunicação do meu clube (algum Leitor ainda ficará surpreendido?). Aquilo que sei é que apenas temos um ponta de lança de raíz, por muito que Vietto possa disfarçar e o nosso presidente diga que Jesé é um avançado centro. 

Entretanto, a imprensa desportiva de hoje diz que Luiz Phellype (esse ponta de lança de raíz), condicionado, não treinou e apenas realizou tratamentos e que Vietto apresentou queixas musculares. Também diz que Leonel Pontes aposta num ataque dinâmico (pudera!). O que não se compreende de todo é a razão pela qual Pedro Mendes não pode ser incluído no plantel principal, ele que hoje obteve um hat-trick na recepção ao Portimonense. Só espero que tal não se deva à narrativa de que a Formação entre os 18 e os 24 anos não tem qualidade...  

Leonel Pontes será o menos culpado de toda a situação e merece o nosso apoio no desafio que tem em mãos. Mas, em relação à celebérrima Estrutura (assim mesmo com "E" grande), chega de nos tentarem convencer que está em curso uma aposta na Formação. Não nos tomem por tontos. Pode ser? Caso contrário, ainda sou tentado a pensar que, no Sporting, a formação entre os 30 e os 40 anos também está em crise...

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08
Set19

Brothers in arms


Pedro Azevedo

Fraguito (68) e Bruno Fernandes (25) são aniversariantes hoje. Separa-os 43 anos, une-os a visão de jogo, a disponibilidade física (até ser impiedosamente marcado por lesões, Fraguito era um médio infatigável), a imensa qualidade técnica e, evidentemente, o Sporting. Muitos Parabéns aos dois!

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06
Set19

Interino


Pedro Azevedo

Leonel Pontes foi apresentado como interino, em comunicação para o efeito prestada à CMVM. Bom, na verdade, há interinos e "interinos": no último ano, José Peseiro, Tiago Fernandes e Marcel Keizer foram "interinos" na equipa principal, assim como José Lima, Alexandre Santos ou Leonel Pontes o foram na equipa de sub-23. (Acho que é a isso que se chama um "projecto".) Como tal, quem sabe se o verdadeiro interino não será o único permanente? Façamos votos de que sim! Para já, até começou bem, pois não nos enganámos no seu nome - ao contrário do "Keiser" - aquando do comunicado à entidade reguladora. É que até cheguei a temer que aparecesse uma coisa do tipo "Leonel Fontes", e que assim o nóvel técnico pudesse ser injustamente confundido com o conhecido "bitaiteiro" televisivo que antecipou o comunicado do clube sobre Dost e que garante que Bruno Fernandes já está vendido, fonte alegadamente sempre bem informada sobre o que se passa em Alvalade. 

05
Set19

Pontes de Madison County


Pedro Azevedo

Na vida devemos procurar fazer o possível para sermos felizes. O meu desejo é que o regresso de Leonel Pontes ao comando técnico da equipa principal dos leões signifique a aposta definitiva na Formação e que o nóvel treinador leonino possa ser a ponte entre Alcochete e Alvalade, entre a sustentabilidade e os resultados desportivos. Oxalá exista qualidade nas "contratações cirúrgicas" e que tal permita enquadrar da melhor maneira a juventude que desponta nos sub-23, porque Bruno Fernandes e os seus fiéis escudeiros Acuña e Mathieu, quais Atlas, não podem continuar sozinhos a sustentar nos ombros o céu das nossas ambições, e o racional da necessária aposta na Formação não deve ser comprometido por uma conjuntura onde se note demasiadamente a ausência de algumas das "pedras" (Dost, principalmente) outrora importantes do nosso plantel que mais facilmente sustentariam o crescimento desses miúdos, os quais em circunstância alguma poderão ser usados como bodes expiatórios pelos sócios para algum menos bom desempenho global da equipa. Boa sorte, Leonel!

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03
Set19

Marcel Keizer


Pedro Azevedo

Comecei por estranhar a vinda de Marcel Keizer. As informações que tinha contrariavam a visão de que seria um treinador da escola do Ajax (andara por lá, mas...) e com especial vocação para apostar em jovens (havia sido Peter Bosz a lançar os jovens que o ano passado espantaram a Europa). Mas, se primeiro estranhei, ao fim de uma primeira série de jogos Keizer entranhou-se no meu afecto. Até que chegou o fatal jogo de Guimarães. Fatal não somente pela derrota, mas essencialmente por na cidade berço terem morrido parte das convicções iniciais de Keizer (a maioria das análises incidia sobre os golos sofridos, esquecendo que em 7 jogos havíamos marcado por 27 vezes). É certo que ainda ganhámos duas taças - algo que não é nada dispiciendo tendo em conta o histórico recente do nosso clube - , mas aquele futebol de vertigem que me encantou desapareceu. De facto, a qualidade do nosso futebol nunca mais foi a mesma, pese embora uma boa recuperação dos resultados na recta final tenha levado a generalidade dos analistas (sempre mais dispostos a valorizar os resultados em detrimento do processo) a apreciar a aculturização do holandês ao futebol português. Mas Keizer, abalados os seus princípios (apenas por uma derrota) - futebol a 1/2 toques, recuperação de bola em 5 segundos, procura do jogo pelo centro, movimentos constantes de aproximação à bola, dissuasão pelos corredores, entre outros - , já estava "ferido de morte". Como aliás se confirmou neste início de época. No final, dever-lhe-á ter ficado uma sensação amarga: é que se vamos "morrer" um dia, que tal ocorra pelas nossas convicções, não pelas convicções de outrém. Caro Senhor (literalmente!) Keizer: muito obrigado e felicidades pessoais e para a sua carreira! 

 

P.S. Não atribuo tanto a derrota em Guimarães à surpresa inicial (que foi o futebol de Keizer) se ter esgotado. Recordo que nesse jogo Diaby esteve particularmente desinspirado, estragando jogadas sem conta (e foi jovane que foi rendido ao intervalo...), e que a equipa deu alguns sinais de menor frescura física. Sim, o sistema de jogo de constantes aproximações à bola era especialmente exigente do ponto de vista físico e a equipa não estava suficientemente preparada para o suportar naquela fase mais intensa de jogos (Liga Europa e Taça da Liga a meio da semana, Campeonato aos fins de semana). Ainda quis acreditar que, fazendo a pré-temporada, Keizer pudesse resolver esse aspecto e voltar a implementar o seu sistema inicial. No entanto, para minha surpresa, o futebol praticado nada tinha a vêr com o inicial e a equipa arrastava-se em campo após os 60 minutos...

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01
Set19

Raphinha


Pedro Azevedo

A confirmar-se, a venda de Raphinha por um valor superior a 20 milhões de euros pagos de imediato será um bom negócio do ponto de vista económico/financeiro, assumindo que se tratam de valores liquidos para o clube. É Varandas a fazer de Brad Pitt em Moneyball, puxando pelas suas contratações Plata e Camacho. Mas é também um risco, na medida em que no curto-prazo enfraquece ainda mais a equipa do Sporting (e tem o potencial de criar problemas no balneário com jogadores que teriam a expectativa de sair e que a ficarem quererão ver uma equipa forte que lhes alimente as ambições), pese embora o momento de decisão do brasileiro estar longe de ser totalmente satisfatório. Varandas, à medida que vai vendendo o melhor do que herdou, ficará cada vez mais exposto ao que contratou (a sua prova dos nove). Pior cenário ainda será o de Keizer trocar as voltas a Varandas e continuar a colocar Diaby no "onze" em vez de Camacho ou Plata. Pelo sim, pelo não, não será melhor vender já Diaby?

 

P.S. O jeito que agora daria Matheus Pereira, ou mesmo uma solução ("à João Mário") de Francisco Geraldes a partir de uma ala para dentro...

01
Set19

Um não seria o jogador certo, outro marcava golos caros


Pedro Azevedo

Bas Dost marca na estreia pelo Eintracht Frankfurt, na vitória da equipa da capital financeira da Alemanha sobre o Fortuna Dusseldorf (2-1).

 

Slimani marca por duas vezes na visita do Mónaco ao terreno do Strasbourg (2-2), somando três golos em dois jogos pela equipa monegasca. 

 

Golos decisivos, está claro. Por isso são jogadores caros... Ou será que no fim acabam por ser baratos?

 

P.S. Se apostassemos na Formação, poderíamos complementá-la com 11 jogadores de qualidade indiscutível e ainda assim termos um orçamento de custos com pessoal inferior a €50 milhões (devemos ter fechado 18/19 com custos com pessoal de cerca de 70 milhões de euros). Assim, continuando a gastar muito dinheiro em Iloris e Borjas, acabaremos por ter de vender toda a qualidade existente. 

27
Jul19

Omnipresente "ma non troppo"


Pedro Azevedo

Esta coisa de mudar Bruno Fernandes de posição, na esperança de acomodar com o mínimo de estragos o Vietto no "onze", faz-me muita confusão. Dirão alguns que resultou contra o Liverpool e não deixa de ser verdade, mas duvido que possa funcionar com equipas cuja principal preocupação seja condicionar o nosso jogo. Para estas, quão menos interior esteja Bruno, mais fácil se tornará controlá-lo, na medida em que o seu raio de acção estará diminuido.

 

Eu compreendo que Vietto não seja um ala, não entendo é que se contrate um jogador para uma posição (segundo avançado) que não existe no sistema táctico de Keizer (pelo menos no Plano A), e menos ainda atinjo que seja uma boa solução o deslocamento do melhor jogador da Liga 2018/19 para a esquerda. Bem sei que os laterais esquerdos leoninos (quaiquer que eles sejam) agradecerão não terem o argentino a "ajudar" (fechar na ala), mas por essa ordem de ideias ainda vamos ver Tiago Ilori a ponta de lança: pode não marcar golos, mas fica mais difícil oferecê-los aos adversários.

 

Bruno Fernandes é um médio ofensivo de grandes espaços. Dá ares de Zidane como criador de todo o jogo, lembra Platini na capacidade goleadora e definição na área, assemelha-se a Deco em solidariedade defensiva e compromisso com a equipa - Bruno é um 3 em 1. Nesse sentido, afastá-lo do centro das principais acções é um erro, como igualmente o seria retirar do nosso corpo os nociceptores (terminações nervosas que comunicam ao cérebro a dor) que dão o alerta de apendicite, em vez de simplesmente remover o apêndice. Não faria sentido, pois não? 

 

Bruno Fernandes parece sempre estar em todo o lado no relvado, nesse contexto ele é omnipresente. Mas também Deus o é (globalmente), e nem Ele consegue evitar muita desgraça que anda por aí... 

08
Mai19

Sinais encorajadores


Pedro Azevedo

1) A possível final Liverpool X Ajax seria uma vitória, um grito de revolta dos clubes com história, patine, alma ("you will never walk alone") face à ditadura dos milhões do novo-riquismo do actual futebol mundial. Mais no caso dos "lanceiros" do que nos "reds", embora seja digna de admiração a forma como o clube de Liverpool passou a integrar um conglomerado de investimentos - Fenway Sports Group, grupo americano também proprietário dos Boston Red Sox e com interesses na Nascar - sem perder a sua identidade, aliás bem visível na forma como os seus adeptos cantam a plenos pulmões durante todo o jogo.

 

2) A homenagem prestada pelo Sporting ao Dr Domingos Gomes traz à evidência uma salutar forma de entender o desporto e a rivalidade entre clubes.

 

3) Acontecimentos aparentemente desconexos, acabam por ter em comum o regresso dos valores antigos.

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22
Abr19

Pequenas estórias da Champions


Pedro Azevedo

Mané, Firmino, Origi e Salah são os puros-sangue que dão tração à quadriga Ma-fi-o-sa do Liverpool, a qual se infiltra nas linhas atrasadas adversárias e lhes provoca grande dano. Mas os cavalos também se abatem e, tal como no célebre romance homónimo de Horace McCoy, o tango de Messi e Suarez pode testar ao extremo a resistência dos seus competidores.  

 

Os cavaleiros holandeses do Ajax são guerreiros armados de lanças bem afiadas. A esperança do Tottenham é que as esporas (Spurs, em inglês) nas suas botas possam constituir uma pedra no sapato. 

18
Abr19

Liga dos Campeões, um hino ao futebol


Pedro Azevedo

Vamos ter umas meias-finais da Champions com vários aspectos de interesse. Os ingleses foram os únicos a conseguirem colocar duas equipas nesta fase da competição. Tal como a presença do Barcelona, este facto não se pode considerar surpreendente. Digno dos maiores encómios é o apuramento do Ajax, proveniente de uma Holanda com muito menor poder económico. O sorteio das semi-finais também teve os seus sortilégios. Assim, teremos um Tottenham vs Ajax e um Barcelona vs Liverpool.

Eis a minha análise do que se poderá esperar destes jogos:

 

Tottenham x Ajax - em confronto vão estar duas escolas de futebol. Se, por um lado, os holandeses, com o seu modelo mais do que consolidado, dispensam apresentação, os ingleses são quem melhor tem progredido no desenvolvimento da Formação nos últimos anos. Assim, a Veltman, De Ligt, De Jong, Van de Beek, Mazraoui, Dolberg ou Blind, o Tottenham contraporá Danny Rose, Kyle Walker-Peters, Oliver Skipp, Harry Winks, Dele Alli ou Harry Kane. Será também um duelo entre dois treinadores emergentes do futebol mundial: Erik Ten Hag, pelos "lanceiros", Mauricio Pochettino, pelos "Spurs". 

O prognóstico sobre esta eliminatória é bem mais difícil de fazer do que à primeira vista poderá parecer. Sendo certo que o Ajax deixou pelo caminho os poderosos Real Madrid e Juventus, também não deixa de ser verdade que teve maiores dificuldades em casa, quando teve de assumir o jogo. Ora, a minha dúvida é se o Tottenham quererá ter a iniciativa do jogo nos dois confrontos. A favor do argumento de o ter está o facto de ser uma equipa de um país cuja cultura futebolistica é a de impôr a sua forma de jogar. Contra, a presença no banco de um treinador sul-americano, que introduz algumas nuances tácticas ao habitual "association" britânico, nomeadamente alguma especulação que foge à tradição do país de sua majestade. Aliás, com jogadores supersónicos como Son ou Lucas, não seria de admirar que os "Spurs" jogassem na expectativa, aproveitando as transições rápidas iniciadas nos movimentos frontais de Alli e concluídas pela sagacidade goleadora de Kane. Assim sendo, os espaços com que o Ajax se sente confortável podem estar vedados, o que aliado à inexperiência dos holandeses lhes pode ser fatal.

Para mim, a eliminatória decidir-se-á no primeiro jogo, em Londres. Se o Tottenham ganhar essa partida (ou mesmo caso empate a zero), então muito dificilmente será eliminado, na medida em que aproveitará o balanceamento ofensivo dos "lanceiros" na partida de volta. Caso o Ajax repita as exibições de Madrid e de Turim e vença em Londres, então a eliminatória penderá para os holandeses. 

 

Barcelona X Liverpool -  de um lado, a reinvenção do tiki-taka, por Ernesto Valverde, evitando demasiadas trocas de bola atrás e procurando a vertigem ofensiva com a incorporação dos laterais Sergi Roberto e Jordi Alba, compensada pelo equilíbrio que Sergio Busquets, Umtiti e Piqué (os dois últimos agora com menos liberdade para se aventurarem ofensivamente) dão à equipa. Quando a bola entra entrelinhas, o Barcelona torna-se particularmente letal, pois o virtuosismo e habilidade de Messi, a qualidade de passe de Rakitic, as penetrações frontais de Coutinho, a velocidade e qualidade técnica de Dembelé e as movimentações e remate de Suarez põem facilmente k.o. qualquer adversário nessas circunstâncias. Do outro lado, o trio dinâmico de Klopp - Mané, Firmino e Salah, por vezes reforçado com o belga Origi, o que o transforma numa quadrilha (ou quadriga, dada a explosão de cada um) MaFiOSa - , provavelmente o melhor terceto atacante da história do futebol, pela versatilidade de cada uma das peças que a integra e sua complementaridade em função da equipa, apoiado pela verticalidade dos laterais Robertson (escocês) e Alexander-Arnold (jovem revelação inglesa) e movimentos de aproximação do holandês Wijnaldum. Os equilíbrios são assegurados pelos veteranos Milner ou Henderson e pelo guineense Keita. Destacam-se ainda o guarda-redes Alisson, titular da canarinha e contratação mais cara (62,5M€) dos "reds" esta época, e o holandês Van Dijk, defesa muito rápido e fortíssimo na bola parada defensiva e ofensiva. 

O meu prognóstico é o de vitória na eliminatória para o Liverpool

 

Enfim, de uma forma geral as equipas que produziram um melhor futebol chegaram a esta fase (algo que nem sempre acontece), exceptuando talvez o caso do Manchester City, o grande ausente. Veremos o que irá acontecer, mas certamente teremos grandes jogos. E os nossos Leitores/Comentadores, quem esperam ver na final no (aziago para nós) Wanda Metropolitano? Aceitam-se prognósticos...

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16
Abr19

Ouvindo Bruno


Pedro Azevedo

Estive a ver a entrevista a Bruno Fernandes na SportTV. E adorei! É que o Bruno fala tão bem no campo como fora dele. O que mais me agrada é o compromisso com a equipa que se nota nos mais variados detalhes: quando chama a atenção de que o potencial de Raphinha justifica um melhor desempenho, a sensibilidade e conhecimento sociológico que demonstra quando diz que se tirarmos o pior de Acuña provavelmente retiramos também o melhor dele, ou o vídeo que em tempo de merecido descanso decidiu enviar a Luíz Phellype para tentar provar um aspecto de movimentação de ponta-de-lança. 

 

A algumas pessoas poder-lhes-á incomodar a forma desassombrada como Bruno fala dos colegas, tendo em vista o espírito de grupo que deve nortear um plantel de futebol. Mas Bruno fá-lo de uma forma inteligente, adjacentemente mostrando apreço pelas suas qualidades, para além de uma vontade genuína em ajudar a equipa.

 

Finalmente, a forma como comenta o jogo propriamente dito, fugindo dos lugares comuns tão comuns a tantos jogadores e não se agarrando à clubite aguda, demonstra argúcia, bom senso, respeito pelos colegas de profissão e uma cultura táctica muito acima da média, o que não surpreende dado o que todas as semanas lhe vemos fazer em campo. 

 

Em suma, uma entrevista que reconcilia os adeptos com o jogo e que torna evidente que há que dar voz aos verdadeiros protagonistas, principalmente quando têm a substância que Bruno mostra à saciedade. Oxalá possamos continuar a ouvi-lo por cá, porque seria um sinal de que continuaria a equipar com o Leão Rampante ao peito.

15
Abr19

Futebol do Sporting: que futuro?


Pedro Azevedo

Parece que a questão de momento é se Keizer deve ou não continuar no próximo ano. Com a época a decorrer, não me parece curial abordar esse tema taxativamente de forma publica, e a verdade é que o treinador tem contrato por mais duas épocas. No entanto, há algo sobre o qual gostaria de reflectir em voz alta com os Sportinguistas e que tem a ver com o projecto desportivo do clube e resultados associados, mas também com a sustentação desse projecto através de um modelo de negócio que garanta a continuidade das operações. 

 

Sendo certo que os resultados são a fase visível do icebergue (chamemos-lhe assim...), analisar os resultados sem olhar ao processo pode ser muito enganador. A questão que se coloca é se os resultados, em tese académica, podem esconder um processo deficiente e a resposta é sim. O que geralmente acontece nesses casos é que mais tarde ou mais cedo as consequências desse processo menos consistente vêm ao de cima, tal como foi visível na banca portuguesa no pós 2008, onde as sociedades que geriam melhor o risco conseguiram mais rapidamente sair da crise e as outras afundaram-se. 

 

Não quero aqui discutir se o terceiro lugar no campeonato - quando Keizer chegou, com 10 jornadas cumpridas, o Sporting tinha mais dois pontos que o Benfica - , e consequente exclusão da prova milionária da UEFA pode ser ou não ser considerado um bom resultado quando a tal se juntar a conquista de uma Taça da Liga e de uma hipotética (mas muito possível) Taça de Portugal, limito-me a constatar que ter um bom desempenho é fundamental a um clube da dimensão do Sporting. Mas o mais importante para o futuro do clube é que não se repitam erros do passado, se faça crescer o valor intrínseco do plantel e não apenas de um ou outro jogador (Bruno Fernandes, Wendel, pouco mais...), se dê atenção à nossa Formação, se promova a rotatividade (Geraldes não joga, Miguel Luís e Jovane ofuscaram-se) de forma a que todo o plantel chegue em boa forma e motivado ao período de Inverno que tem sido fatal para as aspirações do clube e que exista consistentemente uma ideia positiva de futebol. 

 

Quem está mais perto do treinador será logicamente um avaliador mais abalizado do seu desempenho. Mas é importante que se diga que o Sporting não pode mais tergiversar na sua política desportiva, sob pena de voltar a ter de recorrer a operações de antecipação de receitas, pelo menos até existir algo que possa ser antecipado. Porque não serão os jogadores contratados neste Mercado de Inverno que nos darão o extra de qualidade de que precisamos para elevarmos o nosso patamar presente e futuro, exceptuando talvez os casos de Doumbia e de Matheus Nunes, pese embora apresentem um tipo de rendimento que não destoa. Não, a qualidade que existe em Bruno, Acuña ou Mathieu, e em menor escala em Coates, Dost ou Wendel, necessita de ser reforçada com duas contratações cirúrgicas e há jogadores promissores que precisam de um treinador que os desenvolva e aposte neles (Keizer terá ganho créditos com Wendel). Algo de que tenho dúvidas venha a acontecer com este treinador - pessoa que me transmite ser extremamente séria e com uma liderança que parece agradar ao plantel - , para quem, por exemplo, Gudelj é titular indiscutível (para não falar do Diaby).

 

Quando olho para o nosso rival da 2ª Circular e vejo os números de utilização de Florentino (639 min), Ferro (1136 min), João Felix (2283 min), Gedson (2637 min) ou Ruben Dias (4485 min), todos com menos de 22 anos, e comparo com os parcos 16 minutos concedidos a Francisco Geraldes esta época sinto que algo está mal. Por muito que certos alegados procedimentos nos deixem desconfortáveis em relação ao clube em questão, não há dúvidas de que isto estão a fazer bem, conseguindo conciliar em harmonia o desempenho desportivo com a sustentabilidade económico/financeira que advém do desenvolvimento dos jovens jogadores. E nós? 

12
Abr19

"Hat-trick"


Pedro Azevedo

Todo o mérito ao "hat-trick" de João Félix (parabéns!) ontem na Luz, mas em matéria de tirar coelhos da cartola eu prefiro Bruno Fernandes. Os três golos marcados esta época ao Benfica e, muito principalmente, os dois que garantiram a presença no Jamor, assim o demonstram. Importante relembrá-lo quando se aproxima a Páscoa, época de esperança e de renovação de vida, que, curiosamente, tem o coelho como um dos seus símbolos.  

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