Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

20
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Banho turco


Pedro Azevedo

Não sei se já Vos havia contado, na verdade na altura nem dei conta, mas devo ter sido um dos primeiros portugueses a conhecer este clube turco. E não foi em Istambul, não senhor. Aconteceu em Lisboa, no consultório do meu oftalmologista, enquanto olhava para uma parede iluminada onde constavam as letras B A S A K S E H I R que tive de soletrar. 

 

Se o meu diagnóstico foi 20/20 em cada olho, o Sporting também esteve próximo de fazer o pleno: bastaria que na primeira parte tivesse concretizado mais algumas das inúmeras oportunidades de golo criadas para que o resultado ao intervalo se pudesse ter cifrado num 5-0. Ainda assim, um tango envolvendo o argentino Acuña e o uruguaio Coates permitiu a primeira explosão de alegria no estádio e uma dança eslava de Dvorak (entre o macedónio Ristovski e o esloveno Sporar) devorou os turcos. Destaque ainda para um grande golo de Jovane, infelizmente anulado por fora de jogo anterior de Sporar.

 

O Basaksehir era curto para o Sporting e já se sabia que o  que é estreito em Istambul liga ao mar negro, pelo que ao intervalo o cenário para os turcos não era de todo auspicioso. E, de facto, apenas 6 minutos foram suficientes para que um refinado número de bailado de Jovane deixasse os otomanos de cara à banda e desse a possibilidade a Bolasie de isolar Vietto na esquerda para um golo de grande classe do argentino. A ganhar por 3 de diferença, os leões desaceleraram, permitindo que os visitantes assumissem as despesas do jogo. Daí acabaria por resultar um golo do Basaksehir marcado por Visca após penálti cometido por Neto sobre o ex-Chelsea Demba Bá, um banho de água fria depois do banho turco servido pelo Sporting à equipa de Istambul. Bolasie, em jogada individual, fez a bola estrelar-se na barra e nos descontos, já com Gonzalo Plata em campo - jogador mais de contra-ataque, podendo aí usar o seu drible mais largo e em progressão, entrou muito bem - , Vietto, após assistência do equatoriano, desperdiçou a derradeira oportunidade de dilatar o marcador e dar outra tranquilidade para a viagem à Turquia. 

 

Pese embora a diferença pudesse ter sido maior, o Sporting realizou uma das melhores exibições colectivas da época e deu uma volta de 180º à imagem deixada em Vila do Conde apenas 5 dias antes. Os leões foram mesmo a única equipa portuguesa a vencer nesta ronda europeia, após o Benfica ter perdido em Kharkiv com o Shakhtar, o Porto sido derrotado em Leverkusen e o Braga permitido a reviravolta do Rangers. Para a melhoria da equipa leonina muito contribuiu  a adição de início de um Jovane que quebrou a percepção de que é melhor a sair do banco, realizando uma exibição de luxo principalmente durante o primeiro tempo. De destacar ainda os cruzamentos de Acuña, a estreia a marcar de Sporar (continua a fazer-me lembrar um Van Volfswinkel com menos jogo de cabeça) e a melhoria física e anímica patenteada por Battaglia. Agora resta estabilizar o carrossel de altos e baixos, manter o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) com alas verdadeiros - o sistema que melhores resultados tem dado - e acabar definitivamente com a posse estéril de bola que ameaçava esterilizar definitivamente a vontade dos adeptos de ir à bola. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Marcos Acuña e Jovane Cabral

coates2022020ap.jpg

18
Fev20

Liga Europa - A hora de Jovane?


Pedro Azevedo

Absolutamente decisivo em 3 dos últimos 4 jogos do Sporting - um bracarense, em cima do risco de golo, evitou o pleno - , o que mais terá Jovane Cabral de fazer para merecer a titularidade? E não me refiro a 1 jogo para experimentar, mas sim a uma série que lhe proporcione a tranquilidade que tantas vezes tem sido dada a quem porventura não tem feito o suficiente para a merecer. Para que definitivamente não se enraíze a ideia de que Jovane só serve como arma secreta, algo que teria de ser visto como bizarro à luz da pólvora seca comummente usada como 1ª opção. 

jovanesportingfeirense.jpg

 

16
Jan20

O estranho caso de Matheus Nunes


Pedro Azevedo

Um dia (antevisão do jogo com o Santa Clara) Silas diz que com elevada probabilidade ele rapidamente será opção - nomeando-o como um dos que estão mais perto de jogar pela equipa principal, com quem aliás já treina continuadamente - , num outro dia é suplente dos sub-23 treinados por Leonel Pontes na recente deslocação a Santa Maria da Feira após não ter participado nos dois anteriores jogos da mesma equipa (que aliás não ganhámos). Este é o dia-a-dia de Matheus Nunes, um jogador de quem ainda recentemente os adeptos leoninos voltaram a ouvir falar pela boca do capitão Bruno Fernandes, que referiu ser o brasileiro o jovem com mais condições de entrar na equipa do Sporting. Simplesmente, não só continua a não ser opção para Silas como agora também não joga e ganha ritmo com Leonel. Visto de fora, penso que isto carece de uma explicação. Sob pena de, não havendo, ficarmos a pensar que a articulação entre equipa principal e a Formação não está a funcionar devidamente e que isso não só não facilita a integração dos jovens ao mais alto nível como também não serve ao Sporting e à sua sustentabilidade. 

MatheusNunes.jpg

10
Jan20

Gripe das aves


Pedro Azevedo

Histórico da gripe em Setúbal na última década

08/12/2018 Vitória - Benfica 0-1

07/04/2018 Vitória - Benfica 1-2

30/01/2017 Vitória - Benfica 1-0 (vacinas em dia?)

12/12/2015 Vitória - Benfica 2-4

12/09/2014 Vitória - Benfica 0-5

20/12/2013 Vitória - Benfica 0-2

26/08/2012 Vitória - Benfica 0-5

12/05/2012 Vitória - Benfica 1-3

06/02/2011 Vitória - Benfica 0-2

 

Confrontos entre Vitória FC e Benfica (Bonfim) nesta década a contar para a Liga - Saldo (Vitória FC): 9J, 1V, 0E, 8D 5GM-24GS 

 

O Castigo Máximo, não sendo empresa de representação de futebolistas, recomenda o seguinte catálogo de reforços de Inverno para o clube do Sado: o anglo-americano Brufen e os alemães Benuron e Griponal. Vão ver que será remédio santo...

 

N.A.: Brincadeiras à parte (as minhas sinceras melhoras a todo o plantel do Vitória, clube por quem tenho simpatia), Castigo Máximo tem vindo a apontar as incongruências do calendário da Primeira Liga. Pouco se jogou em Outubro e Novembro, e em Dezembro o campeonato parou durante 3 semanas. O nosso campeonato é o que está mais atrasado em termos dos Big6, razão pela qual agora terá de acelerar na quantidade de jogos. A isto o Sporting é alheio, descontando os votos que tem na Liga, os quais aliás são perfeitamente iguais aos dos sadinos. O apuramento do Sporting para a Final Four da Taça da Liga e a participação nas competições uefeiras rouba ainda mais espaço no futuro para a eventualidade de adiamento do jogo, para lá do que isso poderia consubstanciar de possível subversão da verdade desportiva (imagine-se que o jogo aconteceria na recta final do campeonato). Assim, por muito boa vontade que pudesse haver, o Sporting não pôde aceder ao pedido do Vitória, clube que a ter razão de queixa de alguém deveria ser da Liga e da sua excêntrica (para não dizer absurda e lesiva em termos de tesouraria para os clubes) calendarização. 

10
Jan20

Falam, falam...


Pedro Azevedo

A vida de um sócio ou adepto do Sporting (e do próprio clube) é como aquele sketch do Gato Fedorento: está sempre a ser confrontado com certas e determinadas situações, enquanto ao mesmo tempo há gajos que andam por aí e fazem trinta por uma linha e passa tudo incólume. E quando vimos lá de baixo e dizem-nos não sei o quê, chegamos cá acima e parece que não. Logo nós que como clube nos damos bem com toda a gente. Se calhar, o melhor é irmos fazer a vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente a malta nos diz: - "Eh Pá, e tal, sim senhor!"

Falam, falam, falam, falam e eu não os vejo a fazer nada...

10
Jan20

Mercados


Pedro Azevedo

Tendo em conta o ambiente de crispação no Sporting, temo que a novidade do Mercado de Inverno seja um médio... oriente. (NA: escandalosamente roubado a Rui Rocha @runroc no Twitter.)

10
Jan20

Pacientes


Pedro Azevedo

A polémica à volta do próximo Vitória x Sporting não deveria incidir sobre o "quando" mas sim sobre o "onde". É que embora se compreenda o desejo de que o desfecho de um jogo entre uma equipa com uma epidemos viral e um clube que segundo o seu presidente tem um cancro lá dentro deva ter um Bonfim, o Hospital da CUF poderia ser uma melhor opção. 

09
Jan20

Golo Olímpico


Pedro Azevedo

Ontem, durante a primeira meia final da Supertaça espanhola, Real Madrid e Valência defrontaram-se no King Abdullah Sports City, na Arábia Saudita. O exotismo não se ficou só pelo local escolhido pelo encontro - obrigação decorrente do futebol ter deixado de ser um espectáculo para se tornar um negócio - , mas também pelo golo marcado de canto directo pelo alemão Toni Kroos. Essa forma de marcar um golo foi baptizada pelos sul-americanos como Golo Olímpico em homenagem (ou ironia) a um amistoso disputado em Buenos Aires no ano de 1924 onde a selecção argentina recebeu o Uruguai, esta última conhecida como Celeste Olímpica devido ao seu triunfo nos Jogos de Paris nesse mesmo ano. Nesse jogo, o extremo esquerdo argentino Cesáreo Onzari tornou-se o primeiro homem a marcar um golo directamente do quarto de círculo, algo que até ao fim da sua vida ele jurou não ter sido por acaso. É que os uruguaios haviam alegado que o vento tinha tido a sua influência.

 

P.S. Há um golo olímpico que por cá ficou conhecido como o "Cantinho de Morais' e que está associado a um dos grandes momentos da história do Sporting Clube de Portugal. 

(Fonte: YouTube)

(Fonte: YouTube)

08
Jan20

A peça que pode encaixar melhor no puzzle


Pedro Azevedo

Quando olho para Vietto vejo um jogador intermitente, de rotação média, com técnica apurada e boa visão de jogo mas sem pulmão para receber a bola muito atrás no campo. O argentino é muito mais um 9.5 que um 9, aquele tipo de jogador que ronda a área e precisa de uma referência de ponta de lança para sublimar o seu talento. O problema é que o Sporting não joga em 4-4-2 porque tem Bruno Fernandes e ele não pode ser o 2º avançado que certamente se ajustaria mais às suas características. Também, com ou sem Bruno Fernandes, nunca será verdadeiramente um 10, na medida em que lhe falta a intensidade de um médio, explosividade para chegar à área e potência de remate após deslocações longas. Assim, Silas vê-se obrigado a colocá-lo numa ala, de onde parte para descrever umas parábolas à volta da área. Nesse movimento serve muitas vezes de apoio frontal aos médios, o que retira protagonismo no jogo a Luiz Phellype, um jogador que não tem as características de finalizador de um Bas Dost mas cuja técnica razoável poderia ser útil à equipa no jogo interior. É curioso, pois quando espera por Luiz Phellype para fazer esse papel, e arranca então em diagonal, Vietto torna-se mais perigoso como o comprovam duas das três oportunidades que teve nos seus pés no pretérito Domingo. Simplesmente, a sua má definição à frente da baliza leva-o a perder muitos golos. 

 

Não podendo jogar no 4-4-2 que seria da sua predilecção, talvez Silas o pudesse encaixar num 3-5-2, em que Coates, Mathieu e Neto seriam os centrais, Camacho e Acuña fariam os corredores (o que compensaria a falta de qualidade-extra dos laterais de raiz do plantel), Battaglia, Wendel (Matheus Nunes) e Bruno o meio-campo e ele posicionar-se-ia por detrás do ponta de lança, assim a jeito de um Saviola. Dou o exemplo do "Conejo", ex-jogador do Benfica, porque não é fácil encontrar um antigo jogador do Sporting com características semelhantes a Vietto. Talvez João Pinto, apenas pelo ponto de partida, já que o "menino de ouro" era mais enérgico, driblador e não circunscrevia a sua acção a um T0 como o argentino.  

 

Deste modo, não está em causa a qualidade específica numa certa função de Vietto. O difícil é encaixá-lo num sistema de jogo no actual Sporting. A ala pode ser uma opção no campeonato português, mas duvido que pegue na Europa tendo em vista as tarefas defensivas que é imprescindível um ala cumprir a esse nível de competitividade. Mesmo sabendo-se que Acuña às vezes vale por dois (se o lateral for Borja a opção então é inimaginável), principalmente se o adversário privilegiar, como o Porto o fez, o ataque pelo flanco oposto (algo que duvido que o Benfica de Pizzi venha a fazer). A solução poderia ser o 3-5-2, a única forma possível de compatibilizar as melhores características dos mais importantes jogadores do Sporting (Mathieu, com a sua velocidade e leitura dos lances, no controlo da profundidade; Acuña, com a sua garra, no sobe-e-desce constante; Battaglia, se estiver apto, com 3 centrais nas costas, a potenciar a sua ambivalência entre "6" e "8"; Bruno, com a sua intensidade e explosividade, a criar jogo; Vietto, com o seu futebol de filigrana, a costurar em pequenos espaços frontais à área). Na minha opinião, claro, pois os sistemas devem adaptar-se no sentido de que os melhores possam ir a jogo e isso beneficie mais a equipa do que a prejudique. 

vietto.jpg

03
Jan20

Santos da casa não fazem milagres


Pedro Azevedo

Manuel Jesualdo Ferreira vai treinar o Santos. O de São Paulo, pois os santos cá de casa não estão autorizados a fazer milagres por aqui. Estava à mão de semear e penso que teria dado um óptimo Director Técnico de todo o futebol do Sporting, interligando como ninguém o futebol profissional com a Formação e dando coerência ao projecto desportivo, no fundo aquilo que vem faltando ao clube. O Professor tinha/tem as características certas para implementar transversalmente um futebol de autor no clube e para melhorar o trabalho na última estação da linha de montagem da fábrica de Alcochete, ajudando a integrar e valorizar o que produzimos. Não sei se voltará a haver uma oportunidade destas, provavelmente até Jesualdo ainda não considerará encerrado o seu ciclo de treinador que privilegiará a uma função de gabinete, em todo o caso continuarei a ser um admirador da forma como ele entende e explica o jogo e não tenho dúvidas sobre a importância histórica que poderia ter para nós no actual contexto económico e desportivo do clube, alavancando as qualidades dos jogadores e complementando a formação dos jovens treinadores da Academia. Caro Jesualdo, ficarei a torcer por si! Oxalá a sorte o acompanhe em terras do Brasil.

jesualdo.jpg

02
Jan20

Dia da Suécia em Itália


Pedro Azevedo

Ibrahimovic aos 39 anos regressa ao Milan, o jovem Kulusevski (19 anos) ingressa na Juventus. Duas gerações de jogadores suecos de muita categoria, curiosamente ambos com ascendência na antiga Jugoslávia - a família de Zlatan proveniente da Bósnia, a de Dejan oriunda da Macedónia - , a marcarem o dia do campeonato europeu onde menos se olha ao bilhete de identidade. Dos 19 aos 39, todos têm lugar. Basta para isso mostrarem qualidade. E se a carreira de Zlatan Ibrahimovic dispensa apresentação, o brilharete que Dejan Kulusevski tem vindo a fazer pelo Parma merece o devido destaque que podem observar em anexo. Divirtam-se! 

suecos.jpg

 

(Fonte: YouTube)

28
Dez19

"Os Violinos" de 2019 para Castigo Máximo(2)


Pedro Azevedo

FUTEBOL

 

Jogador do ano - Bruno Fernandes: Começou o ano civil com a conquista da Taça da Liga. No final de Janeiro assumiu a braçadeira de capitão, reforçando uma liderança natural alicerçada no exemplo deixado no campo e nos incomuns dotes de comunicador mostrados fora dele. Bruno foi o Atlas que segurou sobre os ombros o futebol do clube, o farol que impediu o naufrágio, a revolta contra o habitual fado leonino e a nossa estranha forma de ser, qualidades que foram decisivas na reviravolta de uma eliminatória da Taça de Portugal contra o Benfica que parecia já perdida. Em Maio, juntaria a prova raínha do calendário nacional ao rol de títulos conquistados. Durante a época 18/19 marcou 32 golos e assistiu por 18 vezes. Reportando-nos só ao ano civil, pelo Sporting Bruno fez 31 golos e produziu 22 assistências, números que provam a sua regularidade num altíssimo nível. Por tudo isto, mais tudo aquilo que não pode ser traduzido por números - já dizia William Bruce Cameron que "nem tudo o que conta pode ser contado" - , Bruno Fernandes é, indiscutivelmente, o jogador do ano de 2019 para "Castigo Máximo".

bruno fernandes.jpg

Treinador do ano - Pedro Coelho (Formação/iniciados e juniores): Treinador do único (iniciados) dos 5 escalões competitivos do futebol do Sporting que foi campeão em 2019, Pedro Coelho voltou a mostrar a qualidade do seu trabalho (já havia ganho o título em 2017), algo que lhe viria a valer a promoção para os juniores na temporada de 19/20. Passo ante passo, Pedro vai cumprindo um caminho sustentável de progressão na carreira. Mais do que Paulo Bento ou Sá Pinto, renomados ex-internacionais do futebol português que cumpriram um curto trajecto nas camadas jovens leoninas antes de subirem ao futebol sénior, ele poderá um dia vir a ser o primeiro treinador do Sporting, na era moderna, verdadeiramente criado nos escalões de Formação. A continuar a acompanhar durante 2020.  

pedro coelho.jpg

23
Dez19

Conto de um Natal a verde-e-branco


Pedro Azevedo

Era uma vez um clube. Mais do que um clube, uma nação. Uma nação com vários clãs. Clãs que divergiam em quase tudo: dos grupos etários à influência na sociedade, sem esquecer a doutrina ideológica social e política que incluía conservadores, renovadores moderados e extremistas revolucionários. Há anos que os clãs se vinham degladiando numa luta fratricida pelo poder. Por via disso mesmo e da má gestão do bem comum, a glória acumulada por anos pretéritos de conquistas foi mirrando. Mas os clãs continuavam a batalhar, por vezes conseguindo obter o ceptro para logo repetirem os erros dos seus antecessores. Já pouco mais havia para partilhar do que o orgulho. Bom, havia o afrodisíaco poder, e esse era fruto apetecível para motivar quem estava empossado e quem cobiçava o trono. Preservá-lo, de um lado, ou conquistá-lo, do outro, tornou-se o objectivo principal das facções em compita. Ambas dividindo, beneficiando do radicalismo, para mais facilmente poderem concretizar os seus propósitos. 

 

Estavamos neste impasse quando no Natal se produziu o sortilégio. Ele não surgiu de uma trégua entre os chefes dos clãs, tão assoberbados se encontravam com os seus próprios egos, nem por iniciativa do povo adepto. Não, como que para nos recordar a origem de tudo, o melhor exemplo veio dos artistas contratados pela nação Sportinguista, os jogadores de futebol. Logo eles que haviam sofrido recentemente um choque, que tantas vezes no presente e passado tinham servido de escudo perante a opinião pública para tapar a incompetência de dirigentes, haveriam em Portimão de nos dar uma lição e finalmente deslocar a nossa atenção daquilo que nos divide para aquilo que nos aproxima, nos une, é denominador comum. E assim, contra todas as probabilidades, em inferioridade numérica, em desvantagem no marcador, perante uma arbitragem que objectivamente (n)os prejudicou, conseguir dar a volta por cima e ousar vencer, metaforicamente relembrando a todos nós a razão de ainda cá estarmos, o antes quebrar que torcer, o nosso paradigma comum, a fonte da nossa "leoninidade": a resiliência. Nunca desistiremos! 

Feliz Natal para todos os Leitores de Castigo Máximo! 

scp.png

20
Dez19

Quarteto Brega contra a Quadriga Mafiosa


Pedro Azevedo

Amanhã, pelas 17h30, em Doha, no Qatar, Flamengo e Liverpool defrontar-se-ão para apurar o campeão mundial de clubes. Jesus confia na sua principal arma, o quarteto formado por Bruno Henrique, Evandro Ribeiro, Gabigol e Arrascaeta; Klopp aposta nos puro-sangue da frente do ataque: Mané, Firmino, Origi (suplente que faz muitos golos) e Salah. Quarteto BR-E-G-A contra Quadriga MA-FI-O-SA, no fim quem será mais intratável (ou mostrará piores "maneiras")?  

liverpoolflamengo.jpg

(Montagem: alma-lusa.blogs.sapo.pt)

20
Dez19

Acuña Matata!


Pedro Azevedo

Marcos Acuña, argentino de 28 anos, é um daqueles jogadores que todas as equipas que ambicionam ser campeãs necessitam de ter na devida proporção no seu plantel. Aliás, se algo temos a lamentar não é o facto de termos um Acuña, mas sim o não haver mais uns quantos assim (Bruno Fernandes, que alia classe e raça, excluído). Bem sei, por vezes excede-se e há adeptos que não lhe perdoam tanta impetuosidade. Esquecem-se que geralmente as nossas maiores virtudes estão muito perto de serem os nossos maiores defeitos. Mudar o argentino, na esperança de que passasse a ser um menino do coro em termos disciplinares, iria provavelmente inibir as suas melhores qualidades: a raça e entrega ao jogo que coloca em cada movimento no relvado, como se a sua vida estivesse dependente do desenlace de cada lance que disputa. Essas características exercem um mimetismo em todos aqueles saudosos do Sporting dos nossos egrégios avós. Ele estimula-nos a memória e faz-nos recuar aos tempos de glória e amor à camisola. Nada como recorrer ao poeta Régio para transmitir a sensação que tenho quando Acuña está em campo: com ele, o Sporting é "um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou". Ecce homo: Marcos Acuña, "Acuña" Matata, o Rei Leão!

 

P.S. Embora sem a técnica do argentino, o macedónio Ristovski é outro jogador que me encanta pela disponibilidade posta em campo.

acuña.jpg

18
Dez19

Melhorar a Organização Ofensiva


Pedro Azevedo

Olhando para o Sporting da era Silas, e independentemente dos múltiplos sistemas tácticos utilizados, nota-se um predomínio de oportunidades de golo criadas a partir da transição defensiva e até de bola parada. Foi aliás de uma recuperação de bola de Bruno Fernandes, seguida de um passe de Acuña, que Vietto se isolou pela esquerda e proporcionou a Luiz Phellype o golo inaugural nos Açores. De forma semelhante desbloqueou o Sporting o jogo contra o Vitória de Guimarães. Adicionalmente, os cantos de Bruno Fernandes têm proporcionado recentemente golos, contra o PSV ou Santa Clara. Na organização ofensiva a equipa encontra mais dificuldades, recorrendo mais a cruzamentos provenientes da ala do que a envolvimentos a partir de apoios frontais, sendo que Mathieu substitui muitas vezes Wendel e Doumbia no passe de ruptura a solicitar as alas, tal como foi evidenciado na abertura para Borja da qual resultou um golo anulado contra o Moreirense, ou no passe de 50 metros de onde surgiu o segundo golo dos leões na deslocação a São Miguel. Foi também dos pés do gaulês, mas nesse caso num estilo mais de jogo directo, que se materializou o único golo do Sporting na recepção à equipa de Moreira de Cónegos. O jogo interior é mais incipiente, não recorrendo tanto a equipa a Luiz Phellype, muitas vezes deslocando-se Vietto para o centro a fim de dar o apoio frontal. O risco é de a equipa de desposicionar aquando da transição ofensiva, com os alas por dentro e os laterais muito subidos, algo que por exemplo proporcionou uma grande oportunidade de golo ao Moreirense no final da primeira parte do jogo em Alvalade. Creio que a solução para que o Sporting seja mais forte nesse importante momento de jogo da organização ofensiva passa por uma melhor utilização do pivô atacante (Luiz Phellype) e pelas aproximações dos médios a essa referência. É que a tabela com LP arrastará marcações adversárias que assim abrirão espaço para o último passe de qualidade (essencialmente de Bruno Fernandes) a solicitar as diagonais interiores de Bolasie e Vietto, não desposicionando tão prematuramente a nossa equipa e não estereotipando tanto o ataque, criando assim maior incerteza no adversário. 

 

P.S. Luiz Phellype não é uma fera na área como o eram Dost ou Jardel nem tem o rácio de concretização destes à frente da baliza, mas possui outras características importantes para a equipa, nomeadamente, fruto de uma técnica razoável, a capacidade de segurar a bola em zonas próximas da área. Pode e deve, na minha opinião, ser melhor rendibilizado com vantagens para toda a equipa, seja por via de um melhor posicionamento global dos jogadores aquando da perda de bola, ou por uma maior imprevisibilidade dos movimentos ofensivos.  

14
Dez19

O reforço


Pedro Azevedo

Os nossos rivais perderam alguns dos seus melhores jogadores e nós reforçámos o plantel, disse a nossa Direcção. Confuso, tive o cuidado de ir consultar o Dicionário Priberam. E não é que vem lá dito que reforçar é tornar mais forte ou resistente, mais intenso, mais numeroso? Atente-se ao pormenor de "numeroso". Na verdade a Direcção não nos enganou. Isto é, pode precisar de internamento urgente numa ala de oftalmologia, mas 9 derrotas em 23 jogos depois não nos podemos queixar de números baixos. Além disso, não podemos olvidar que desde Janeiro contratámos 14 jogadores, o que é um número significativo. Intenso também é um termo apropriado. Eu, por exemplo, fico sempre "in" tenso quando vejo Ilori, Rosier, Borja, Eduardo ou Jesé em campo. E quanto a resistente nem há dúvidas: não há plantel como este, sempre resiliente face aos erros constantes de sócios e adeptos. O Bruno, Acuña, Mathieu e Coates é que parece destoarem bastante, razão mais do que suficiente para os tentarmos rifar o mais breve possível.

 

Temos, por isso, que dizer que a Direcção fez um bom trabalho no que diz respeito ao reforço do plantel. Estou em crer até que apenas 7.5 biliões de habitantes do planeta Terra seriam capazes de fazer melhor. Ah!, e também uma sequoia centenária que há aqui em Santos e que já viu muita coisa a passar-se à flor da relva. Fora isso, mais ninguém. Como tal, os meus parabéns à Estrutura do futebol, ao finíssimo Scouting responsável pelo fim dos "olheiros" e das (nossas) olheiras e ao Alto (enorme?) Rendimento. E, já sabem, se algo porventura correr ligeiramente abaixo das altíssimas expectativas criadas no início da temporada - afinal, o que são dois digitos de diferença quando pouco mais de um terço do campeonato está disputado? - , tal dever-se-á à Formação, esses malandros que andam há anos a sugar-nos o porquinho mealheiro e a inibir-nos de contratar cirurgicamente. 

 

P.S. Na segunda-feira, se tudo correr como o esperado, estaremos num magnífico terceiro lugar. Tomem lá(!), seus criticos...

13
Dez19

Vem mesmo a calhar...


Pedro Azevedo

Dada a pobreza franciscana do nosso futebol, Santa Clara vem mesmo a calhar...

 

P.S. Santa Clara, ou Clara de Assis, foi seguidora de São Francisco de Assis

12
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - A Valsa dos Milhões


Pedro Azevedo

O Sporting jogou esta tarde em Linz. Ali, mesmo ao lado, na antiga Checoslováquia, Milan Kundera editara A Valsa do Adeus, a sua última obra escrita na terra natal. O livro é um romance onde os personagens abordam questões graves com uma inusitada leveza, fazendo-nos entender que o mundo contemporâneo nos roubou o sentido do trágico. (Não sei se isso Vos faz relembrar algo.)

 

Eliminado da Taça de Portugal, com a Taça da Liga comprometida e a 9 pontos da qualificação para a pré-eliminatória da prova raínha da UEFA, Silas decidiu não dar prioridade a um jogo europeu onde, em caso de sucesso total ou relativo (o empate servia), evitaríamos os tubarões provenientes da Champions nos dezasseis-avos-de-final. Nota-se que o Sporting actual não tem noção do ridículo quando uma partida nos Açores contra o Santa Clara assume prioridade sobre a presença europeia e obriga a poupar quase uma equipa inteira. Mas enfim, já nada nos surpreende, deve ser a isso que se chama valorização da marca. 

 

O Sporting entrou em campo ao som d`A Valsa dos Milhões, género musical ternário cultivado por Varandas, Viana e Beto, os melómanos que levaram os dlim-dlins do mercado aos salões austríacos. Disponíveis para a dançar estiveram Rosier, Ilori, Borja, Eduardo, Camacho e Jesé. Mais tarde, apareceriam ainda Doumbia e Luíz Phellype a dar um pezinho e a mostrarem-nos a todos por onde escoou o dinheiro disponível para transferências. 

 

O Linz marcou cedo, num canto que foi simultaneamente o canto do cisne: Ilori saltou como nunca e falhou como sempre, Rodrigo e Rosier não tiraram os pés do chão e Trauner inaugurou o marcador para os austríacos. De seguida, Rosier não apareceu no enquadramento e Renan não ousou sair da pequena área e meteu um presente no sapatinho do "Santa" Klauss. Reagindo tarde, acabou expulso enquanto via o Lask ampliar o marcador.

 

Com menos 1, o segundo tempo foi penoso para o Sporting. Em tempo natalício, Coates e Max evitaram que saíssemos da Áustria com um cabaz. O uruguaio  limpou tudo o que pôde, inclusivé usando o calcanhar para parar um atraso suicida de Ilori, e Maximiano salvou o resto. Ainda assim, já nos descontos, o Linz marcaria o terceiro.

 

No fim do jogo Silas trouxe a habitual musiquinha. Apelou tanto ao coração que, por momentos, julguei mesmo ter ouvido o coro dos pequenos cantores da família Von Trapp. Em resumo, a culpa foi do risco inerente à aposta na Formação e os adeptos não se podem queixar. Mesmo que Rodrigo tenha saído logo aos 35 minutos, o que é uma estranha forma de encarar a promoção de jovens, ou que Max tenha sido um dos poucos heróis leoninos esta noite na Áustria, ou ainda que das insistências de Pedro Mendes tenham resultado as únicas duas oportunidades de golo do Sporting em 90 minutos. Já quanto à prestação das contratações cirúrgicas dos dois mercados da era Varandas, Silas não emitiu uma palavra. Fiquei elucidado!   

 

Levámos um banho de bola...

 

P.S. O que estragou os planos foi não termos vendido Bruno Fernandes? Haja paciência!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates. Notas positivas ainda para Max e Pedro Mendes.

lask linz sporting.jpg

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • Pedro Azevedo

    Acredito que possa ser um jogo para Battaglia e Ac...

  • Pedro Azevedo

    Já não é o Lito 😃. Actualmente é o Daniel Ramos o ...

  • Allfacinha

    Amigo, temo o pior.A amplitude das exibições da no...

  • Pedro Azevedo

    Isso mesmo! Da maneira que vejo o onze de ontem, ...

  • JG

    Essa relação entre Acuna e a profundidade está m...