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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

02
Abr20

Contos de um Leão Rampante - Hector Yazalde(*)


Pedro Azevedo

"Um anjo com cara de índio"

 

O menino permanecia imóvel, como que hipnotizado, diante do imponente Blaupunkt com gravador de bobines, gira-discos e, mais importante, rádio de válvulas onde se podia por exemplo ouvir a BBC. Nesse dia, 31 de Março de 1974, o rádio não estava sintonizado na popular estação britânica, mas sim na Emissora Nacional. A dupla Fernando e Romeu Correia relatava um Sporting-Benfica, o último derby antes da Revolução de Abril, e a vibração da sua narrativa exercia um magnetismo ímpar no menino.

Eram 15h08 e Portugal inteiro parou: os locutores tentavam descrever, ainda incredulos, o que haviam presenciado. Hector Yazalde, o anjo com cara de índio, desafiara o impossível, qual cavaleiro alado mergulhara em voo rasante entre os pés do monstro Humberto e do intratável Barros e, a vinte centímetros do solo, cabeceara (!) a bola na direcção da baliza. Golo!

O jogo continuaria, mas já não seria o mesmo. Naquele momento, ao minuto 8, os espectadores no Estádio sentiram-se recompensados por anos de "idas à bola". Yazalde ainda voltaria a marcar e o Benfica até acabaria por ganhar, mas o Jogo, esse, terminara há muito.

A última aparição pública de Marcelo Caetano (Abril estava mesmo ali), a ovação tremenda e, ver-se-ia, tão enganadora, foi simplesmente olvidada, menosprezada. O momento era de Yazalde, o corajoso e temerario Chirola, o Homem que nunca esquecera as suas origens humildes e que sempre que saía de um treino, presenteava todos os jovens desfavorecidos que o abordavam com tudo o que tinha nos bolsos, entretanto previamente provisionados; o colega que, uns meses depois, quando lhe atribuíram um Toyota, como prémio pela Bota de Ouro europeia, decidiu vender o automóvel e distribuir o dinheiro que daî resultou, equitativamente, por todos os colegas de equipa.

Nesse dia, todos queriam ser Yazalde, até os políticos e os capitães queriam ser Yazalde e Yazalde deixou de ser humano para se tornar um mito em Alvalade, génio impulsionado pela sua musa, a bela Carmén, a quem um dia Beckenbauer, no Lido de Paris após a cerimónia de entrega do Bota de Ouro, disse ser a mais bela de todas as mulheres de jogadores de futebol.

E, o menino? O menino imaginava aquele momento do golo, a ousadia do dianteiro, o espanto dos defesas, o desespero do guarda-redes José Henrique, o Zé Gato, que nesse transe perdera a última das suas sete vidas, sendo substituído ao intervalo por Manuel Galrinho Bento (esse mesmo). E o menino sonhava com isto tudo, estado que se prolongou por todo o Domingo.

No dia seguinte, vestiu a mítica camisola verde-e-branca, com o número 9 cosido nas costas (comprada na Casa Senna), bola na mão, e abalou a caminho da escola, confiante de que a partir daí, nada na sua vida seria impossível de alcançar. Aprendera com o melhor...

 

(*) Publicado originalmente neste blogue em Janeiro de 2019

29
Mar20

Heróis do povo(1)

A Hungria de 54


Pedro Azevedo

A história do futebol mundial tem vários exemplos de equipas que maravilharam os adeptos. Porém, na maioria dos casos, ao estilo faltou aliar a eficácia. Vejam o histórico dos Campeonatos do Mundo, por exemplo. A Hungria de 54, a Holanda de 74 e o Brasil de 82 terão sido conjuntamente com o Brasil de 70 as melhores selecções de sempre, todavia só a equipa de Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Gerson se sagrou campeã. 

 

Em 1954, na Suiça, a Hungria era a grande favorita. Os magiares chegavam ao Campeonato do Mundo como campeões olímpicos (1952) e destruidores do mito de invencibilidade dos inventores do jogo, os ingleses. Em dois jogos contra a Inglaterra de Stanley Matthews - o primeiro, em Wembley (Novembro de 1953), perante 105 000 espectadores, passou à história como o "Match of the Century" (Jogo do Século) - os hungaros começaram por golear (6-3) e terminaram a massacrar (7-1) na desforra em Budapeste (Maio de 1954), algo que deixou a "Velha Albion", até aí confiante da sua superioridade, perplexa. A propósito do jogo em Wembley, uns anos depois, o nosso velho conhecido Bobby Robson disse o seguinte: "Nós vimos um estilo de jogo, um sistema de jogo que nunca tínhamos visto anteriormente. Nenhum destes jogadores nos dizia alguma coisa. Não conhecíamos Puskas. Todos estes fantásticos jogadores para nós até podiam ter vindo de Marte. Eles vinham a Londres, a Inglaterra nunca havia perdido em Wembley, a nossa expectativa era ganhar por 3-0, 4-0, talvez até uma demolição por 5-0 de uma equipa proveniente de um pequeno país. Mas, da forma que jogaram, com brilhantismo técnico e organização, destruíram o nosso sistema táctico (WM, 3-2-5) em 90 minutos de grande futebol. Nós pensávamos que eramos os mestres e eles os púpilos, afinal ficou à vista que era o oposto". Na verdade, a grande surpresa introduzida pelos hungaros foi o recúo de um dos avançados (Hidegkuti) para o meio-campo e de um dos médios para a defesa, jogando assim num 4-2-4 que frequentemente confundiu as marcações inglesas. Aliás, Hidegkuti, o homem que organizava o jogo vindo de trás e depois explorava qualquer um dos 3 corredores, acabou por ser o homem do jogo em Wembley, com um hat-trick, superiorizando-se até a Puskas (bisou), o "Major Galopante", avançado centro e estrela da equipa (saíria do Honved para o Real Madrid), dono de um pé esquerdo de sonho. Para lá de Puskas e de Hidegkuti, os magiares tinham outros jogadores de grande nível como Kocsis (ponta de lança) e Czibor (estremo esquerdo), mais tarde contratados pelo Barcelona, ou Bozsic (médio defensivo). O seu treinador era o revolucionário Gusztav Sebes. 

 

No Mundial, os magiares arrancaram com uma vitória em Zurique por 9-0 sobre a Coreia do Sul. No jogo seguinte, em Berna, bateram copiosamente a Alemanha Ocidental (RFA) por 8-3. Em apenas duas partidas, Kocsis acumulou 7 golos, Puskas 3. Apesar da vitória retumbante sobre o antigo aliado, o jogo deixou mazelas nos húngaros, pois Puskas sofreu uma lesão no tornozelo da qual nunca viria a recuperar. Apesar do contratempo, a Hungria continuou a somar vitórias, ambas por 4-2, contra Brasil (Berna) e Uruguai (Lausana), até chegar à final. Kocsis marcou por mais 4 vezes e Hidegkuti fez um bis. Chegou então o dia da final (Berna, 4 de Julho). Com Puskas a pé-coxinho, os húngaros ainda se adiantaram no marcador e por dois golos (Puskas e Czibor), mas a reacção alemã não se fez esperar e mais frescos (haviam poupado alguns titulares no jogo da fase de grupos) acabariam por dar a volta ao jogo com um bis de Rahn e um golo de Morlock. Assim, acabaria por ser Fritz Walter, e não Ferenc Puskas, a levantar a Taça Jules Rimet. Todavia, foram os húngaros que conquistaram o coração dos adeptos com o seu "Futebol Total", um sistema revolucionário que haveria de fazer escola e acabar com o WM. Infelizmente, este estilo futebol-champanhe, que exigia aveludada destreza técnica (Hidegkuti e Puskas protagonizavam diversos números de malabarismo, desde passar a bola por cima dos adversários até 'escavar túneis' entre as pernas dos seus oponentes) e muita versatilidade (trocas de posição constantes entre sectores) por parte dos seus executantes, não duraria muito mais. O esmagamento da Revolução Húngara de 56, que visava a libertação do regime soviético, acabou por ver alguns dos seus melhores jogadores pedirem asilo político a outros países, nomeadamente a Espanha. Mas a história jamais se esquecerá deles.

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27
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - E tudo o vento levou


Pedro Azevedo

Campeonato Nacional... check!, Taça de Portugal... check!, Taça da Liga... check!, Liga Europa... check! Tudo conferido, deve ser a melhor época dos últimos 114 anos. De quem jogue contra nós, bem entendido. Algo que promete piorar sem Bruno Fernandes. É caso para dizer que o nosso Brexit (venda de Bruno) em termos práticos se materializou numa saída da Europa ainda mais rápida que a dos ingleses. 

 

Nem os turcos acreditavam, pelo menos a julgar pelo aspecto despido das bancadas, mas o Sporting conseguiu ser eliminado por uma equipa onde constam vários jogadores que segundo datações realizadas com Carbono-14 ainda são do tempo do império bizantino. É verdade, sob chuva e vento, os leões deslocaram-se a um parque geriátrico de Istambul e cedo começaram a ceder a vantagem que traziam da primeira mão. A tal ponto que ao intervalo a eliminatória estava perdida, cortesia de um golo de cabeça de Skrtel na sequência de um canto e de um livre directo batido por Aleksic cuja trajectória foi mal calculada por Max. 

 

Na antevisão do jogo, Silas dizia que ia surpreender os turcos. A coisa soou-me apocalíptica. Confesso que este desejo do treinador leonino de espantar cada novo adversário sempre me assustou, principalmente porque quem geralmente acaba por ser surpreendido sou eu (e todos os adeptos leoninos). É que a continuar assim, de experimentalismo em experimentalismo, arriscamo-nos a experimentar ficar fora da Europa também em 2020/21, um tipo de Experiência Sporting que certamente não estaria nos planos de Miguel Cal quando aceitou juntar o seu projecto comercial ao projecto(?) desportivo desta Direcção. Todavia, sendo camaleónico, Silas tem pelo menos a vantagem de se poder confundir com o verde, camuflando-se aos olhos dos adeptos leoninos perante os enormes erros de preparação e gestão de temporada da Estrutura liderada por Frederico Varandas que dirige o futebol do clube. 

 

O Sporting começou com Jovane como médio deslocado sobre a esquerda e Vietto no lugar de ponta de lança. Sporar estranhamente posicionava-se na ala canhota, a recrear o que Silas já tinha feito com igual inêxito com Pedro Mendes na Áustria. Porém, alguém ter-se-á esquecido de dizer a Bolasie para fechar um corredor direito leonino que se tornou uma via verde de fácil acesso para os jogadores do Basaksehir. Nesse transe, Battaglia desgastava-se em compensações a Ristovski e faltava num miolo do terreno onde Wendel voltou a adoptar o modo de samba carnavalesco. O intervalo chegou sem que o resultado pudesse ser considerado surpreendente. No segundo tempo o Sporting surgiu mais organizado, trocando mais a bola no meio campo turco e explorando as óbvias debilidades defensivas da equipa de Istambul. Assim, após um excelente centro de Acuña, Vietto surgiu no centro da área e repôs o Sporting dentro da eliminatória. Os leões tiveram então um período em que poderiam ter sentenciado a qualificação para a próxima fase, mas a deficiente qualidade da definição manteve tudo em aberto. Entretanto, Silas abriu nova autoestrada, agora no nosso flanco esquerdo, movendo para aí um inadapado Vietto (estava a ser influente ao centro) e deixando desamparado Acuña. Até que, já em tempo de compensação, novamente na sequência de uma bola parada, um golo de Visca obrigaria o jogo a ir para prolongamento, uma velha sina leonina já vivida no passado contra o Rapid de Viena ou o Casino Salzburgo. Com o prolongamento, o jogo partiu-se definitivamente. Ainda assim o Sporting foi sempre mais perigoso, muitas vezes faltando qualidade técnica de passe (Battaglia), remate (Vietto, Plata e Doumbia) ou recepção (Eduardo) para tirar partido de uma condição física melhor que a da veterana equipa turca. Até que um erro infantil de Vietto acabou por deitar tudo a perder, pois Visca não desperdiçou, de penálti, a oportunidade de bisar na partida e sentenciar a eliminatória a favor dos turcos, conseguindo assim estes cumprir o pleno de quatro golos marcados através de bola parada. E assim Basaksehir tornou-se "Basakseguir". Já nós, ficámos (por aqui). Acabou a "digressão europeia". E tudo o vento levou...

 

Crónica difícil. Agora é tempo de fechar o computador rapidamente e ir dormir, não vá o Silas me surpreender por aí e pregar-me mais um susto. Por falar em susto, talvez não fosse mau que quem tem a incumbência de zelar pelo futebol nacional pensasse na competitividade do campeonato português, seu número de equipas e condições mínimas, organização da competição e seu (bizarro) calendário. É só uma ideia... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Acuña. Battaglia foi o segundo melhor (ou menos mau).

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26
Fev20

Futebol de autor ou futebol de cada treinador?(*)


Pedro Azevedo

Numa altura em que o Record pôs a circular o nome de um putativo futuro treinador do Sporting, não descurando que tal possa ser a lebre para o início da corrida de galgos, creio ser importante deixar aqui uma reflexão publicada neste blogue em 16 de Julho do ano passado sobre essa matéria: 

 

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de base e um conjunto de princípios que são incorporados desde a Formação. Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, formando os seus próprios treinadores ou indo ao mercado procurar treinadores que se adequem a essa filosofia, ou, em alternativa, se consideram que essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas?

 

(*) Publicado anteriormente pelo autor em Castigo Máximo

25
Fev20

O Xico


Pedro Azevedo

"Ó Xico, Ó Xico
Onde te foste meter?
Ó Xico, Ó Xico
Não me faças mais sofrer" - "Xico", Luísa Sobral

 

Tenho uma ténue recordação do dia em que nasceu. Vários de nós foram papás nessa época e o Sérgio, na época um jovem (como eu) sempre transbordando de alegria e sentido de humor, trabalhava a poucos metros de mim, na mesma empresa. Seguimos caminhos diferentes e só uns bons anos mais tarde me apercebi de que o Francisco que jogava nas camadas jovens do meu Sporting era filho do outrora meu colega. Obviamente, tal fez-me seguir com redobrado interesse o seu desenvolvimento enquanto futebolista. 

 

O Xico nasceu para o futebol numa época em que os "trequartisti", maestros de condução de todo o jogo, começavam a ser substituídos por instrumentistas versáteis quando não por tocadores de bombo. Olhando por esse prisma, dir-se-ia que falhou o encontro com a história, ao contrário, por exemplo, de Rui Costa, o último "10" puro do futebol português. O Príncipe de Florença ainda viveu um tempo de romantismo no futebol onde aos futebolistas da sua posição era essencialmente pedido que pensassem e construíssem as jogadas atacantes. Também que soubessem marcar o "tempo", acelerando ou abrandando a batuta consoante o que o jogo pedia. Deco já foi um jogador híbrido, de um tempo moderno, tão capaz de destruir como de construir, um dois em um, "8" e "10" ao mesmo tempo. Olhando para Bruno Fernandes já se nota uma diferença significativa. Menos cerebral (embora igualmente inteligente) do que os maestros de outro tempo e por isso não tão dado a temporizações, mas com uma qualidade de remate invulgar que alia a uma óptima técnica individual, adequado timing de passe e uma resistência incomum que lhe permite fazer várias "piscinas" durante um jogo, Bruno é essencialmente um agitador, dinamitador até, um excelente guerrilheiro, sempre pronto a agredir a trincheira onde se refugia o adversário e a defender a sua doe o que doer.

 

Ora, o Geraldes nunca será um Bruno, ele tem muito mais semelhanças com o tipo de jogador que foi Rui Costa. O Xico é um cerebral, que lê e pensa o jogo e ama o passe, especialmente o último, de ruptura. Vê-lo em campo evoca reminiscências de um tempo que já não volta do primado do cérebro sobre o músculo. Um tempo em que havia tempo para criar, onde os campos ainda não estavam cheios de minas, armadilhas e sapadores militarizados e não havia 5 jogadores dispostos a destruir por cada criativo que ia a jogo. Por isso, o sentimento que mais expressa a sensação que tenho quando vejo o Xico é o de nostalgia. Eu sei que esse tempo de outrora não volta para trás, mas com ele no relvado estabelece-se um "faz de conta" em que por momentos eu sonho que tal será possível. Afinal, não é o futebol uma forma de escape à realidade? 

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20
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Banho turco


Pedro Azevedo

Não sei se já Vos havia contado, na verdade na altura nem dei conta, mas devo ter sido um dos primeiros portugueses a conhecer este clube turco. E não foi em Istambul, não senhor. Aconteceu em Lisboa, no consultório do meu oftalmologista, enquanto olhava para uma parede iluminada onde constavam as letras B A S A K S E H I R que tive de soletrar. 

 

Se o meu diagnóstico foi 20/20 em cada olho, o Sporting também esteve próximo de fazer o pleno: bastaria que na primeira parte tivesse concretizado mais algumas das inúmeras oportunidades de golo criadas para que o resultado ao intervalo se pudesse ter cifrado num 5-0. Ainda assim, um tango envolvendo o argentino Acuña e o uruguaio Coates permitiu a primeira explosão de alegria no estádio e uma dança eslava de Dvorak (entre o macedónio Ristovski e o esloveno Sporar) devorou os turcos. Destaque ainda para um grande golo de Jovane, infelizmente anulado por fora de jogo anterior de Sporar.

 

O Basaksehir era curto para o Sporting e já se sabia que o  que é estreito em Istambul liga ao mar negro, pelo que ao intervalo o cenário para os turcos não era de todo auspicioso. E, de facto, apenas 6 minutos foram suficientes para que um refinado número de bailado de Jovane deixasse os otomanos de cara à banda e desse a possibilidade a Bolasie de isolar Vietto na esquerda para um golo de grande classe do argentino. A ganhar por 3 de diferença, os leões desaceleraram, permitindo que os visitantes assumissem as despesas do jogo. Daí acabaria por resultar um golo do Basaksehir marcado por Visca após penálti cometido por Neto sobre o ex-Chelsea Demba Bá, um banho de água fria depois do banho turco servido pelo Sporting à equipa de Istambul. Bolasie, em jogada individual, fez a bola estrelar-se na barra e nos descontos, já com Gonzalo Plata em campo - jogador mais de contra-ataque, podendo aí usar o seu drible mais largo e em progressão, entrou muito bem - , Vietto, após assistência do equatoriano, desperdiçou a derradeira oportunidade de dilatar o marcador e dar outra tranquilidade para a viagem à Turquia. 

 

Pese embora a diferença pudesse ter sido maior, o Sporting realizou uma das melhores exibições colectivas da época e deu uma volta de 180º à imagem deixada em Vila do Conde apenas 5 dias antes. Os leões foram mesmo a única equipa portuguesa a vencer nesta ronda europeia, após o Benfica ter perdido em Kharkiv com o Shakhtar, o Porto sido derrotado em Leverkusen e o Braga permitido a reviravolta do Rangers. Para a melhoria da equipa leonina muito contribuiu  a adição de início de um Jovane que quebrou a percepção de que é melhor a sair do banco, realizando uma exibição de luxo principalmente durante o primeiro tempo. De destacar ainda os cruzamentos de Acuña, a estreia a marcar de Sporar (continua a fazer-me lembrar um Van Volfswinkel com menos jogo de cabeça) e a melhoria física e anímica patenteada por Battaglia. Agora resta estabilizar o carrossel de altos e baixos, manter o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) com alas verdadeiros - o sistema que melhores resultados tem dado - e acabar definitivamente com a posse estéril de bola que ameaçava esterilizar definitivamente a vontade dos adeptos de ir à bola. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Marcos Acuña e Jovane Cabral

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18
Fev20

Liga Europa - A hora de Jovane?


Pedro Azevedo

Absolutamente decisivo em 3 dos últimos 4 jogos do Sporting - um bracarense, em cima do risco de golo, evitou o pleno - , o que mais terá Jovane Cabral de fazer para merecer a titularidade? E não me refiro a 1 jogo para experimentar, mas sim a uma série que lhe proporcione a tranquilidade que tantas vezes tem sido dada a quem porventura não tem feito o suficiente para a merecer. Para que definitivamente não se enraíze a ideia de que Jovane só serve como arma secreta, algo que teria de ser visto como bizarro à luz da pólvora seca comummente usada como 1ª opção. 

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16
Jan20

O estranho caso de Matheus Nunes


Pedro Azevedo

Um dia (antevisão do jogo com o Santa Clara) Silas diz que com elevada probabilidade ele rapidamente será opção - nomeando-o como um dos que estão mais perto de jogar pela equipa principal, com quem aliás já treina continuadamente - , num outro dia é suplente dos sub-23 treinados por Leonel Pontes na recente deslocação a Santa Maria da Feira após não ter participado nos dois anteriores jogos da mesma equipa (que aliás não ganhámos). Este é o dia-a-dia de Matheus Nunes, um jogador de quem ainda recentemente os adeptos leoninos voltaram a ouvir falar pela boca do capitão Bruno Fernandes, que referiu ser o brasileiro o jovem com mais condições de entrar na equipa do Sporting. Simplesmente, não só continua a não ser opção para Silas como agora também não joga e ganha ritmo com Leonel. Visto de fora, penso que isto carece de uma explicação. Sob pena de, não havendo, ficarmos a pensar que a articulação entre equipa principal e a Formação não está a funcionar devidamente e que isso não só não facilita a integração dos jovens ao mais alto nível como também não serve ao Sporting e à sua sustentabilidade. 

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10
Jan20

Gripe das aves


Pedro Azevedo

Histórico da gripe em Setúbal na última década

08/12/2018 Vitória - Benfica 0-1

07/04/2018 Vitória - Benfica 1-2

30/01/2017 Vitória - Benfica 1-0 (vacinas em dia?)

12/12/2015 Vitória - Benfica 2-4

12/09/2014 Vitória - Benfica 0-5

20/12/2013 Vitória - Benfica 0-2

26/08/2012 Vitória - Benfica 0-5

12/05/2012 Vitória - Benfica 1-3

06/02/2011 Vitória - Benfica 0-2

 

Confrontos entre Vitória FC e Benfica (Bonfim) nesta década a contar para a Liga - Saldo (Vitória FC): 9J, 1V, 0E, 8D 5GM-24GS 

 

O Castigo Máximo, não sendo empresa de representação de futebolistas, recomenda o seguinte catálogo de reforços de Inverno para o clube do Sado: o anglo-americano Brufen e os alemães Benuron e Griponal. Vão ver que será remédio santo...

 

N.A.: Brincadeiras à parte (as minhas sinceras melhoras a todo o plantel do Vitória, clube por quem tenho simpatia), Castigo Máximo tem vindo a apontar as incongruências do calendário da Primeira Liga. Pouco se jogou em Outubro e Novembro, e em Dezembro o campeonato parou durante 3 semanas. O nosso campeonato é o que está mais atrasado em termos dos Big6, razão pela qual agora terá de acelerar na quantidade de jogos. A isto o Sporting é alheio, descontando os votos que tem na Liga, os quais aliás são perfeitamente iguais aos dos sadinos. O apuramento do Sporting para a Final Four da Taça da Liga e a participação nas competições uefeiras rouba ainda mais espaço no futuro para a eventualidade de adiamento do jogo, para lá do que isso poderia consubstanciar de possível subversão da verdade desportiva (imagine-se que o jogo aconteceria na recta final do campeonato). Assim, por muito boa vontade que pudesse haver, o Sporting não pôde aceder ao pedido do Vitória, clube que a ter razão de queixa de alguém deveria ser da Liga e da sua excêntrica (para não dizer absurda e lesiva em termos de tesouraria para os clubes) calendarização. 

10
Jan20

Falam, falam...


Pedro Azevedo

A vida de um sócio ou adepto do Sporting (e do próprio clube) é como aquele sketch do Gato Fedorento: está sempre a ser confrontado com certas e determinadas situações, enquanto ao mesmo tempo há gajos que andam por aí e fazem trinta por uma linha e passa tudo incólume. E quando vimos lá de baixo e dizem-nos não sei o quê, chegamos cá acima e parece que não. Logo nós que como clube nos damos bem com toda a gente. Se calhar, o melhor é irmos fazer a vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente a malta nos diz: - "Eh Pá, e tal, sim senhor!"

Falam, falam, falam, falam e eu não os vejo a fazer nada...

10
Jan20

Mercados


Pedro Azevedo

Tendo em conta o ambiente de crispação no Sporting, temo que a novidade do Mercado de Inverno seja um médio... oriente. (NA: escandalosamente roubado a Rui Rocha @runroc no Twitter.)

10
Jan20

Pacientes


Pedro Azevedo

A polémica à volta do próximo Vitória x Sporting não deveria incidir sobre o "quando" mas sim sobre o "onde". É que embora se compreenda o desejo de que o desfecho de um jogo entre uma equipa com uma epidemos viral e um clube que segundo o seu presidente tem um cancro lá dentro deva ter um Bonfim, o Hospital da CUF poderia ser uma melhor opção. 

09
Jan20

Golo Olímpico


Pedro Azevedo

Ontem, durante a primeira meia final da Supertaça espanhola, Real Madrid e Valência defrontaram-se no King Abdullah Sports City, na Arábia Saudita. O exotismo não se ficou só pelo local escolhido pelo encontro - obrigação decorrente do futebol ter deixado de ser um espectáculo para se tornar um negócio - , mas também pelo golo marcado de canto directo pelo alemão Toni Kroos. Essa forma de marcar um golo foi baptizada pelos sul-americanos como Golo Olímpico em homenagem (ou ironia) a um amistoso disputado em Buenos Aires no ano de 1924 onde a selecção argentina recebeu o Uruguai, esta última conhecida como Celeste Olímpica devido ao seu triunfo nos Jogos de Paris nesse mesmo ano. Nesse jogo, o extremo esquerdo argentino Cesáreo Onzari tornou-se o primeiro homem a marcar um golo directamente do quarto de círculo, algo que até ao fim da sua vida ele jurou não ter sido por acaso. É que os uruguaios haviam alegado que o vento tinha tido a sua influência.

 

P.S. Há um golo olímpico que por cá ficou conhecido como o "Cantinho de Morais' e que está associado a um dos grandes momentos da história do Sporting Clube de Portugal. 

(Fonte: YouTube)

(Fonte: YouTube)

08
Jan20

A peça que pode encaixar melhor no puzzle


Pedro Azevedo

Quando olho para Vietto vejo um jogador intermitente, de rotação média, com técnica apurada e boa visão de jogo mas sem pulmão para receber a bola muito atrás no campo. O argentino é muito mais um 9.5 que um 9, aquele tipo de jogador que ronda a área e precisa de uma referência de ponta de lança para sublimar o seu talento. O problema é que o Sporting não joga em 4-4-2 porque tem Bruno Fernandes e ele não pode ser o 2º avançado que certamente se ajustaria mais às suas características. Também, com ou sem Bruno Fernandes, nunca será verdadeiramente um 10, na medida em que lhe falta a intensidade de um médio, explosividade para chegar à área e potência de remate após deslocações longas. Assim, Silas vê-se obrigado a colocá-lo numa ala, de onde parte para descrever umas parábolas à volta da área. Nesse movimento serve muitas vezes de apoio frontal aos médios, o que retira protagonismo no jogo a Luiz Phellype, um jogador que não tem as características de finalizador de um Bas Dost mas cuja técnica razoável poderia ser útil à equipa no jogo interior. É curioso, pois quando espera por Luiz Phellype para fazer esse papel, e arranca então em diagonal, Vietto torna-se mais perigoso como o comprovam duas das três oportunidades que teve nos seus pés no pretérito Domingo. Simplesmente, a sua má definição à frente da baliza leva-o a perder muitos golos. 

 

Não podendo jogar no 4-4-2 que seria da sua predilecção, talvez Silas o pudesse encaixar num 3-5-2, em que Coates, Mathieu e Neto seriam os centrais, Camacho e Acuña fariam os corredores (o que compensaria a falta de qualidade-extra dos laterais de raiz do plantel), Battaglia, Wendel (Matheus Nunes) e Bruno o meio-campo e ele posicionar-se-ia por detrás do ponta de lança, assim a jeito de um Saviola. Dou o exemplo do "Conejo", ex-jogador do Benfica, porque não é fácil encontrar um antigo jogador do Sporting com características semelhantes a Vietto. Talvez João Pinto, apenas pelo ponto de partida, já que o "menino de ouro" era mais enérgico, driblador e não circunscrevia a sua acção a um T0 como o argentino.  

 

Deste modo, não está em causa a qualidade específica numa certa função de Vietto. O difícil é encaixá-lo num sistema de jogo no actual Sporting. A ala pode ser uma opção no campeonato português, mas duvido que pegue na Europa tendo em vista as tarefas defensivas que é imprescindível um ala cumprir a esse nível de competitividade. Mesmo sabendo-se que Acuña às vezes vale por dois (se o lateral for Borja a opção então é inimaginável), principalmente se o adversário privilegiar, como o Porto o fez, o ataque pelo flanco oposto (algo que duvido que o Benfica de Pizzi venha a fazer). A solução poderia ser o 3-5-2, a única forma possível de compatibilizar as melhores características dos mais importantes jogadores do Sporting (Mathieu, com a sua velocidade e leitura dos lances, no controlo da profundidade; Acuña, com a sua garra, no sobe-e-desce constante; Battaglia, se estiver apto, com 3 centrais nas costas, a potenciar a sua ambivalência entre "6" e "8"; Bruno, com a sua intensidade e explosividade, a criar jogo; Vietto, com o seu futebol de filigrana, a costurar em pequenos espaços frontais à área). Na minha opinião, claro, pois os sistemas devem adaptar-se no sentido de que os melhores possam ir a jogo e isso beneficie mais a equipa do que a prejudique. 

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03
Jan20

Santos da casa não fazem milagres


Pedro Azevedo

Manuel Jesualdo Ferreira vai treinar o Santos. O de São Paulo, pois os santos cá de casa não estão autorizados a fazer milagres por aqui. Estava à mão de semear e penso que teria dado um óptimo Director Técnico de todo o futebol do Sporting, interligando como ninguém o futebol profissional com a Formação e dando coerência ao projecto desportivo, no fundo aquilo que vem faltando ao clube. O Professor tinha/tem as características certas para implementar transversalmente um futebol de autor no clube e para melhorar o trabalho na última estação da linha de montagem da fábrica de Alcochete, ajudando a integrar e valorizar o que produzimos. Não sei se voltará a haver uma oportunidade destas, provavelmente até Jesualdo ainda não considerará encerrado o seu ciclo de treinador que privilegiará a uma função de gabinete, em todo o caso continuarei a ser um admirador da forma como ele entende e explica o jogo e não tenho dúvidas sobre a importância histórica que poderia ter para nós no actual contexto económico e desportivo do clube, alavancando as qualidades dos jogadores e complementando a formação dos jovens treinadores da Academia. Caro Jesualdo, ficarei a torcer por si! Oxalá a sorte o acompanhe em terras do Brasil.

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02
Jan20

Dia da Suécia em Itália


Pedro Azevedo

Ibrahimovic aos 39 anos regressa ao Milan, o jovem Kulusevski (19 anos) ingressa na Juventus. Duas gerações de jogadores suecos de muita categoria, curiosamente ambos com ascendência na antiga Jugoslávia - a família de Zlatan proveniente da Bósnia, a de Dejan oriunda da Macedónia - , a marcarem o dia do campeonato europeu onde menos se olha ao bilhete de identidade. Dos 19 aos 39, todos têm lugar. Basta para isso mostrarem qualidade. E se a carreira de Zlatan Ibrahimovic dispensa apresentação, o brilharete que Dejan Kulusevski tem vindo a fazer pelo Parma merece o devido destaque que podem observar em anexo. Divirtam-se! 

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(Fonte: YouTube)

28
Dez19

"Os Violinos" de 2019 para Castigo Máximo(2)


Pedro Azevedo

FUTEBOL

 

Jogador do ano - Bruno Fernandes: Começou o ano civil com a conquista da Taça da Liga. No final de Janeiro assumiu a braçadeira de capitão, reforçando uma liderança natural alicerçada no exemplo deixado no campo e nos incomuns dotes de comunicador mostrados fora dele. Bruno foi o Atlas que segurou sobre os ombros o futebol do clube, o farol que impediu o naufrágio, a revolta contra o habitual fado leonino e a nossa estranha forma de ser, qualidades que foram decisivas na reviravolta de uma eliminatória da Taça de Portugal contra o Benfica que parecia já perdida. Em Maio, juntaria a prova raínha do calendário nacional ao rol de títulos conquistados. Durante a época 18/19 marcou 32 golos e assistiu por 18 vezes. Reportando-nos só ao ano civil, pelo Sporting Bruno fez 31 golos e produziu 22 assistências, números que provam a sua regularidade num altíssimo nível. Por tudo isto, mais tudo aquilo que não pode ser traduzido por números - já dizia William Bruce Cameron que "nem tudo o que conta pode ser contado" - , Bruno Fernandes é, indiscutivelmente, o jogador do ano de 2019 para "Castigo Máximo".

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Treinador do ano - Pedro Coelho (Formação/iniciados e juniores): Treinador do único (iniciados) dos 5 escalões competitivos do futebol do Sporting que foi campeão em 2019, Pedro Coelho voltou a mostrar a qualidade do seu trabalho (já havia ganho o título em 2017), algo que lhe viria a valer a promoção para os juniores na temporada de 19/20. Passo ante passo, Pedro vai cumprindo um caminho sustentável de progressão na carreira. Mais do que Paulo Bento ou Sá Pinto, renomados ex-internacionais do futebol português que cumpriram um curto trajecto nas camadas jovens leoninas antes de subirem ao futebol sénior, ele poderá um dia vir a ser o primeiro treinador do Sporting, na era moderna, verdadeiramente criado nos escalões de Formação. A continuar a acompanhar durante 2020.  

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23
Dez19

Conto de um Natal a verde-e-branco


Pedro Azevedo

Era uma vez um clube. Mais do que um clube, uma nação. Uma nação com vários clãs. Clãs que divergiam em quase tudo: dos grupos etários à influência na sociedade, sem esquecer a doutrina ideológica social e política que incluía conservadores, renovadores moderados e extremistas revolucionários. Há anos que os clãs se vinham degladiando numa luta fratricida pelo poder. Por via disso mesmo e da má gestão do bem comum, a glória acumulada por anos pretéritos de conquistas foi mirrando. Mas os clãs continuavam a batalhar, por vezes conseguindo obter o ceptro para logo repetirem os erros dos seus antecessores. Já pouco mais havia para partilhar do que o orgulho. Bom, havia o afrodisíaco poder, e esse era fruto apetecível para motivar quem estava empossado e quem cobiçava o trono. Preservá-lo, de um lado, ou conquistá-lo, do outro, tornou-se o objectivo principal das facções em compita. Ambas dividindo, beneficiando do radicalismo, para mais facilmente poderem concretizar os seus propósitos. 

 

Estavamos neste impasse quando no Natal se produziu o sortilégio. Ele não surgiu de uma trégua entre os chefes dos clãs, tão assoberbados se encontravam com os seus próprios egos, nem por iniciativa do povo adepto. Não, como que para nos recordar a origem de tudo, o melhor exemplo veio dos artistas contratados pela nação Sportinguista, os jogadores de futebol. Logo eles que haviam sofrido recentemente um choque, que tantas vezes no presente e passado tinham servido de escudo perante a opinião pública para tapar a incompetência de dirigentes, haveriam em Portimão de nos dar uma lição e finalmente deslocar a nossa atenção daquilo que nos divide para aquilo que nos aproxima, nos une, é denominador comum. E assim, contra todas as probabilidades, em inferioridade numérica, em desvantagem no marcador, perante uma arbitragem que objectivamente (n)os prejudicou, conseguir dar a volta por cima e ousar vencer, metaforicamente relembrando a todos nós a razão de ainda cá estarmos, o antes quebrar que torcer, o nosso paradigma comum, a fonte da nossa "leoninidade": a resiliência. Nunca desistiremos! 

Feliz Natal para todos os Leitores de Castigo Máximo! 

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20
Dez19

Quarteto Brega contra a Quadriga Mafiosa


Pedro Azevedo

Amanhã, pelas 17h30, em Doha, no Qatar, Flamengo e Liverpool defrontar-se-ão para apurar o campeão mundial de clubes. Jesus confia na sua principal arma, o quarteto formado por Bruno Henrique, Evandro Ribeiro, Gabigol e Arrascaeta; Klopp aposta nos puro-sangue da frente do ataque: Mané, Firmino, Origi (suplente que faz muitos golos) e Salah. Quarteto BR-E-G-A contra Quadriga MA-FI-O-SA, no fim quem será mais intratável (ou mostrará piores "maneiras")?  

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(Montagem: alma-lusa.blogs.sapo.pt)

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