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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Jan20

Falam, falam...


Pedro Azevedo

A vida de um sócio ou adepto do Sporting (e do próprio clube) é como aquele sketch do Gato Fedorento: está sempre a ser confrontado com certas e determinadas situações, enquanto ao mesmo tempo há gajos que andam por aí e fazem trinta por uma linha e passa tudo incólume. E quando vimos lá de baixo e dizem-nos não sei o quê, chegamos cá acima e parece que não. Logo nós que como clube nos damos bem com toda a gente. Se calhar, o melhor é irmos fazer a vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente a malta nos diz: - "Eh Pá, e tal, sim senhor!"

Falam, falam, falam, falam e eu não os vejo a fazer nada...

01
Jan20

A Liga


Pedro Azevedo

Começa um novo ano, e com tal efeméride lembramo-nos que em Portugal há uma competição denominada de Primeira Liga, o nosso campeonato nacional. Uma prova de regularidade em que a frequência de jogos nada tem de regular. Por exemplo, em Outubro quase não se jogou, em Novembro o campeonato parou 3 semanas e desde o dia 16 de Dezembro que não se joga. Curiosamente, desde que em Portugal foi declarada a trégua de Natal, em Inglaterra disputaram-se 4 jornadas da Premiership, o que tudo somado faz com que em terra de sua majestade a Raínha Isabel a principal competição já vá na 21ª jornada. Nós, por cá, vamos na 14ª... "Devagar, devagarinho se vai à Ribeira Grande", e não pode haver muitos jogos de seguida porque os treinadores portugueses começam logo a queixar-se da intensidade do calendário e que não têm tempo para treinar. É que treinar obriga a muito estudo. Por exemplo, não é fácil passar noites em claro à frente de um terminal da Carris a ver como os funcionários da empresa arrumam os autocarros, algo que 70% dos treinadores da 1ª Liga dedica-se a replicar num campo de futebol. Claro está que quando um dia regressar o campeonato as equipas perdedoras nessa efeméride queixar-se-ão de falta de ritmo de competição, o que também está bem. Afinal, se dar desculpas é o passatempo favorito dos portugueses, por que razão os nossos treinadores haveriam de ser diferentes? 

 

Dizem que o futebol deixou de ser um espectáculo para ser um negócio? Só se for no estrangeiro, em Portugal um negócio é que não é. Até porque um negócio implica consumidores, e a vontade de dirigir o foco para estes não faria um campeonato nacional parar tantas vezes ao ponto de nos esquecermos que essa competição existe. Em países como a Alemanha existe a paragem de Inverno por as condições climatéricas serem muito adversas à prática do futebol; em Portugal, país abençoado com um clima temperado, fazemos a pausa de Inverno e a de Outono. E como no Verão o campeonato já acabou, basicamente só não se pára na Primavera. Na verdade, o nosso campeonato é como a Prima Vera, aquela prima distante que vemos poucas vezes ao longo do ano. E quando os nossos emigrantes nos visitam no Natal não há campeonato. Não, imediatamente antes da paragem, preferimos fazer uns joguitos a contar para a Faca na Liga, perdão, Taça da Liga, que é assim uma coisa capaz de criar um entusiasmo semelhante a observar o salto de uma pulga. 

 

Os clubes, que aprovam regulamentos e elegem direcções da Liga, são os grandes culpados. Habitualmente há jogos onde nem 1000 espectadores estão presentes, não existe centralização na Liga dos direitos de TV, as assimetrias entre grandes e pequenos/médios são bárbaras devido à diferença de orçamentos, a intensidade dos jogos ressente-se disso, existe uma dependência notória dos clubes inferiores com tudo o que isso pode significar em termos de se desvirtuar o espírito da competição e a solução para tudo isto é o campeonato parar e não haver receitas. Uma e outra e outra vez. Um campeonato que, nos moldes actuais, também ele pouco sentido faz, com meia-dúzia de equipas que efectivamente joga para ganhar e todas as outras à procura de não perder. 

 

Mas há quem defenda isto. Inclusivé, apontado ao bom desempenho luso este ano na UEFA. É como ver o topo de uma montanha e ignorar o resto, ou elogiar o fraque do cavalheiro sem cuidar que está de tanga e descalço. Aliás, se continuarmos neste ritmo super-intenso no campeonato nacional, estou convencido que um clube português vencerá a Liga Europa. Pudera, todos fresquinhos enquanto os outros se andam a desgastar por essa Europa fora... E com muito tempo para treinar... o encanar a perna à rã.

 

UM ÓPTIMO ANO DE 2020 A TODOS OS LEITORES DE CASTIGO MÁXIMO E, EM ESPECIAL, A TODOS OS SPORTINGUISTAS!!!

08
Out19

Reforma do futebol português


Pedro Azevedo

Não há causa pela qual um blogue, ou um conjunto de Sportinguistas, possa lutar se a Direcção do clube não der o mote nessa matéria. Por isso ficam aqui algumas perguntas: o Sporting considera ajustado o actual formato e modelo competitivo do campeonato nacional? Quais as propostas do clube em termos de prevenção de conflito de interesses, tráfico de influências ou promiscuidade? Qual é a posição do clube sobre a necessidade de divulgação pública dos relatórios de árbitros e delegados aos jogos? Considera o Sporting admissível, em sede de prevenção de conflito de interesses, que os vídeo-árbitros também possam arbitrar jogos, sabendo-se que da sua acção enquanto VAR poderá resultar prejuízo para a nota do seu colega árbitro principal? O Sporting tem alguma exigência no sentido da divulgação semanal da classificação de árbitros e vídeo-árbitros? O que é que o Sporting tem a dizer sobre a ausência de jogos de campeonato durante 1 mês? Constituindo a fiscalidade portuguesa um factor de diferenciação negativa, que propostas tem o Sporting no sentido de se atenuarem as desvantagens competitivas face aos seus pares europeus? Qual é a política de relacionamento com outros clubes que o Sporting preconiza? O que é que o Sporting tem a dizer em sede de escrutínio da constituição de sociedades anónimas desportivas e seus accionistas? Que medidas de defesa do futebolista português tem o Sporting em agenda? Enfim, gostaria de saber qual a posição do clube sobre estas e muitas outras matérias que visem uma maior transparência, competitividade e viabilidade económica do nosso futebol. 

07
Out19

Ainda a paragem do campeonato


Pedro Azevedo

Há 2 dias atrás, trouxe aqui a situação absurda de o campeonato português, ao contrário do que se passa um pouco por toda a Europa, parar durante 1 mês em Outubro. Bem sei que conjunturalmente, dado que durante este hiato iremos realizar a 3ª pré-época desta temporada, esta paragem poderá ser benéfica para o Sporting, mas a verdade é que não o é para o futebol português, o qual necessita de urgentes reformas. Pior, o Benfica tomou a liderança e hoje, através da sua newsletter diária, criticou a calendarização das provas nacionais que, no entendimento do clube da Luz, "não salvaguarda os interesses do futebol português". Ora, eu gostaria é que o meu clube fosse líder no que diz respeito à regeneração de que o futebol nacional necessita, o que no caso particular significaria não reduzir a intensidade a zero durante o mês de Outubro enquanto os campeonatos das potências europeias param apenas 15 dias.

06
Out19

Tempo útil de jogo


Pedro Azevedo

O Observatório do Futebol, fundado em 2005 por Raffaele Poli e Loic Ravanel, publica estatísticas sobre o desporto-rei baseadas na pesquisa desenvolvida por elementos do seu staff. Este Observatório, parte integrante do Centro Internacional de Estudos de Desporto (CIES), uma parceria entre a FIFA e a Universidade, cidade e estado de Neuchatel, publicou recentemente um estudo sobre o tempo útil de jogo em 37 competições europeias de futebol.

 

Nesse estudo, a liga sueca tem, em média, o jogo mais fluído da Europa, com 60,4% de tempo efectivo. Em segundo lugar está a Champions League, a principal prova de clubes da UEFA, com 60,2% de tempo útil. Por oposição, a 1ª Liga portuguesa encontra-se em último lugar, com meros 50,9%.

 

Entre as principais 5 ligas europeias, a Bundesliga alemã é a que tem o maior tempo útil de jogo, com 58,5%, enquanto a La Liga é a que tem mais paragens, com apenas 55.8% de fluidez de jogo. 

 

De entre os clubes, o sueco Sundsvall encabeça o lote daqueles (competições nacionais) em que nos seus jogos a bola está mais em jogo (63,7%), enquanto o Feirense (Portugal) está nos antípodas com apenas 45,7% (os jogos da Belenenses SAD têm 55,2% de tempo útil, ou seja, o valor mais elevado da 1ª Liga portuguesa). Considerando só os clubes presentes na última edição da Champions/Liga Europa, o Clube Brugge (Bélgica) é o mais fluído (66,2%), seguido de Borussia Monchengladbach (62,5%), Liverpool (62,2%), AC Milan (61,2%), Barcelona (60,3%) e Paris SG (60,1%).

 

A amostra para este estudo foi realizada entre 1 de Julho e 28 de Novembro de 2018. 

 

Enfim, "food for thought", sendo certo que quando se fala na necessidade de reformas do futebol português e das suas competições tendo em vista uma maior competitividade este parâmetro de análise não deve ser olvidado. De realçar o bom desempenho à escala nacional da Belenenses SAD, mérito certamente do treinador Jorge Silas, o tal que não tem o 4º nível e cuja chamada para treinador do Sporting foi apelidada de "ridícula" pelo senhor José Pereira, o presidente de uma associação que certifica treinadores cujas equipas são as que mais param o jogo na Europa. Imagino que tal deva ser ensinado nos excelsos e importantíssimos cursos...

 

 

05
Out19

A intensidade das equipas portuguesas


Pedro Azevedo

Espanha, França, Itália, Inglaterra e Alemanha têm os seus campeonatos a decorrer. Em Portugal folga-se. E nem o facto de haver eleições justifica esta pausa, na medida em que se poderia jogar na Sexta, Sábado e até Domingo depois do fecho das urnas (admitindo que não se deveria jogar enquanto estas estão abertas). É também por aqui, mas longe de ser só por isso (clubes a mais, jogos "a doer" a menos, distribuição muito assimétrica das receitas televisivas, falta de uma visão que privilegie estrategicamente o futebol português como um todo em detrimento do interesse conjuntural do clube A, B ou C, necessidade de maior transparência...), que se nota a diferença de intensidade das equipas portuguesas face às suas congéneres europeias quando as defrontam nas provas da UEFA. Como é possível que, tendo actuado para o campeonato no dia 30 de Setembro, o Sporting só volte a jogar para a Liga no dia 27 de Outubro (recepção ao Guimarães)? O Campeonato 1 mês parado? Bem sei que vai haver uma paragem para as selecções, mas até por isso conviria aos clubes e seus jogadores não haver uma pausa tão grande. Ainda por cima, passados os compromissos internacionais de selecções, os campeonatos retomarão um pouco por toda a Europa no fim de semana de 19 e 20 de Outubro, mas em Portugal jogar-se-á...a Taça de Portugal. Uns génios, os senhores que organizam as competições em Portugal... 

16
Set19

Carnaval d' O VAR


Pedro Azevedo

No Portimonense-Porto, Vasco Santos viu uma mão. O azar dos pupilos de Folha foi serem de Porti...mão. Se fossem de Portipé...

A não uniformização dos critérios do VAR é uma brincadeira. Brincadeira é Carnaval. Carnaval d' OVAR, ou, no caso, de O VAR. Mas, como todos os carnavais, um dia acabam. Às quartas-feiras europeias. De cinzas, obviamente.  

13
Set19

Sustentabilidade do futebol português


Pedro Azevedo

O Sporting tem de estar estratégicamente na primeira linha em todas as transformações que o futebol português precisa, no sentido do reforço da sua competitividade e viabilidade económica, e necessita de ser mais persuasivo na mobilização dos restantes clubes para esta causa. Há que perceber o que é fundamental e o que é acessório e saber estabelecer os compromissos necessários para que as nossas ideias vinguem.

 

A descida portuguesa no ranking de clubes da UEFA obriga a reflectir sobre a competitividade do futebol nacional. Assim, o Sporting deveria inspirar uma alteração dos quadros competitivos: em cinco anos (se não se conseguir antes), campeonato com 12 equipas, disputado numa primeira fase a duas voltas; “play-off” (6 primeiros da primeira fase) e “play-out” (6 últimos da primeira fase) com 6 equipas cada, a duas voltas, total de 32 jogos; os pontos contam desde o início, descida de divisão para os dois últimos classificados do “play-out”, o que possibilitaria que a mesma receita fosse dividida por menos clubes. Igual modelo para a 2ªLiga e para a 3ªLiga (inovação). Criação da 4ª Divisão, nos moldes do actual Campeonato de Portugal, a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Desde logo, haveria mais jogos entre Sporting, Porto e Benfica e quem conseguisse chegar ao “Play-off” receberia duas vezes os “grandes”, uma grande motivação e aumento das receitas de bilheteira para todos. O vencedor do “Play-out” poderia ter um bónus da Liga (ou mesmo uma participação europeia garantida, por troca com os quintos/sextos classificados do “Play-off”), a fim de que os clubes estejam motivados. Julgo que com estas medidas, e assegurando que em 5 anos o modelo estaria implantado, teríamos, daqui a 10 anos, 3 clubes na Champions.

 

Deve ser revisto o modelo competitivo da Taça da Liga. O formato actual é aberrante, a sua calendarização e espaçamento temporal, idém. Ou existe um incentivo do tipo participação em competição europeia ou a competição não faz muito sentido. Pior ainda com a criação das competições de Sub23, que permitirão rodar jogadores mais jovens, retirando ainda mais interesse por parte dos clubes maiores a integrarem a Taça da Liga. Esta competição deveria idealmente ser disputada entre Dezembro e Janeiro, num formato de eliminatórias, com um pré-eliminatória que apure 32 equipas, seguido dos dezasseis-avos, oitavos e quartos de final (sempre jogados a uma única volta e em casa da equipa pior classificada no campeonato nacional do ano anterior). Seguir-se-ia o actual formato de Final-Four que me parece bem conseguido, com a atribuição ao clube anfitrião, prévia ao início da competição, da responsabilidade de organizar essa fase decisiva.  

 

A questão da defesa do futebolista português também deve ser abordada. Bem sei que, pós-Lei Boaman, para a UEFA vigora a livre circulação, mas há algumas medidas que se poderiam tomar. Por exemplo, a primeira regra de desempate de pontos nas competições nacionais poderia ser o nº de portugueses utilizados, critério que prevaleceria sobre a diferença de golos, o nº de golos marcados ou os resultados entre os clubes em causa.

 

centralização dos DireitosTV é algo que tem de ser conseguido no médio-prazo. Pode parecer negativo para os "grandes", mas a verdade é que actualmente Portugal só tem um participante garantido na Champions e isso deve-se, essencialmente, à má prestação dos clubes médios do futebol português nas provas da UEFA. Às vezes, é importante dar um passo atrás para se poderem dar dois à frente e uma maior competitividade da Liga beneficiará a todos no longo prazo.

 

A Liga enquanto regulador tem de fazer outro escrutínio na constituição de sociedades anónimas desportivas. O futebol, actualmente, é um paraíso para negócios pouco claros e é necessário tomar medidas para combater isto. O “match-fixing”, geralmente associado às apostas desportivas, é um flagelo que importa enfrentar. Não me parece também que haja suficiente “compliance” sobre os investidores de capital nas SAD e a Liga deveria adoptar os procedimentos actualmente em vigor no sistema financeiro sobre branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (BCFT). E depois, há modelos que funcionam porque apostam em criar raízes e na envolvência com as povoações, como é o caso do Aves, outros não contemplam essa realidade e acabam por criar um fosso com os sócios e adeptos do clube, servindo apenas como plataforma de interface de jogadores.

 

Código de Ética dos Agentes Desportivos: é fundamental a existência de um código de ética, de conduta, que abranja todos os agentes desportivos, com especial ênfase em regras, procedimentos de prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e corrupção. Nele estarão claramente definidas as penalizações em sede de justiça desportiva em que incorrerão os prevaricadores. A Liga e a Federação não se podem demitir da sua função reguladora e devem criar condições que previnam a adulteração da integridade das competições e o respeito pelos espectadores/consumidores do produto futebol. O Código deve constar em local bem visível na primeira página dos sites das entidades reguladoras. A justiça desportiva não pode nada fazer a montante e estar sempre à espera, a jusante, de investigações da PGR. O Ministério Público e a PJ deverão ter mais que fazer do que permanentemente ter de alocar recursos para estudar as diversas suspeitas que envolvem o fenómeno futebolistico em Portugal. Ou, Liga e FPF, mostram capacidade de se auto-regularem ou o Estado terá de intervir, criando regras que impeçam a continuação deste status-quo. Para além destas regras, Liga e FPF deveriam conceber durante toda a época um conjunto de iniciativas que visassem promover um futebol limpo, seja por via de acções nos estádios, seja através de acções de formação e sensibilização de todos os agentes. Estes deveriam ser obrigados a fazer um exame e a terem de mostrar ser conhecedores de todos os procedimentos constantes do Manual.

 

O futebol português possui desvantagens competitivas face a diversos países europeus (a diferença para Espanha é gritante) devido a uma fiscalidade mais exigente, que não discrimina positiva uma profissão de desgaste rápido (dos profissionais de futebol) e que muito penaliza os clubes. Promover consenso na Liga e constituir um grupo para sensibilizar o governo, no sentido de tentar aligeirar a carga fiscal dos profissionais de futebol, seria uma prioridade.

 

Um clube formador, como é o caso do Sporting, que abastece todo o futebol português, tem de ter outro peso perante os seus pares, não pode ser permanentemente desrespeitado, nem as suas posições serem sempre relegadas para segundo plano em nome de outros interesses instalados. Assim, o Sporting deve ter uma política de relacionamento com outros clubes, privilegiando aqueles que o respeitem.

 

O produto Futebol Português tem de ser vendido de uma forma totalmente diferente. Devem existir regras claras de transparência para que o consumidor acredite no produto, os artistas (jogadores) têm de ter liberdade concedida pelos clubes para abordarem diversos temas e estar disponíveis para acções com os fãs, a exportação do produto para os mercados americano e asiático pensada. É inconcebível que o futebol do país campeão europeu continue a despertar tão pouca procura e isso dever-se-á muito à inércia da Liga e sua incapacidade de promoção da imagem do nosso futebol. Também não é aproveitada da melhor maneira a passagem de alguns craques pela nossa liga. Jogadores como Schmeichel, Deco, Ramires, Aimar, entre outros (só falando deste milénio), poderiam ter contribuido para uma maior divulgação.  

 

P.S.1 O Henrique Monteiro escreveu um Post (no seguimento de uma crónica em A Bola) com umas medidas (em meia-dúzia de linhas) no meu entendimento relativamente mal-amanhadas e até possivelmente redutoras (10 clubes + 3 voltas = 27 jogos, terceira volta em campo neutro?) sobre o futebol português - mais uma previsão (para pena dele, segundo diz, e minha profunda decepção e tristeza se se concretizar) de que o Sporting será o primeiro dos 3 grandes a perder a maioria de capital na SAD (então, mas não acredita na nossa actual gestão?) - que logo tratou de apelidar de redentoras. Assim, produto de uma reflexão séria (que o passado e a actualidade obrigam), dedico-lhe estas linhas (há muitas mais se estiver efectivamente interessado em aprofundar o tema) já publicadas anteriormente no blogue "És a nossa Fé" (22 de Julho de 2018) e neste mesmo blogue (18 de Março de 2019). Sem a pretensão de serem redentoras, claro está. Até porque na minha vida esse papel está consagrado unicamente a Deus (ou a Cristo por Seu desígnio). 

P.S.2 Para mim, apodos como "sportingados" ou "IURB", que os Sportinguistas se entretêm a endereçar uns aos outros, são expressões de um maniqueísmo que nos afasta da união e que está nos antípodas de uma saudável identidade ou Cultura Sporting. Já o dizia antes, no tempo de Bruno de Carvalho, e reforçá-lo-ei sempre que tal se torne necessário. Não se pode é ter dois pesos e duas medidas, não é Henrique? E assim anda o Sporting (da "exuberância irracional" de Greenspan para o "new normal")...

01
Set19

"Na vida tudo é relativo, e esse é o único valor absoluto"


Pedro Azevedo

Três penáltis marcados contra o Sporting em Alvalade, expulsão de um jogador do Vitória no Dragão quando ainda nem estava decorrido 1 minuto de jogo (cartão vermelho que até confundiu o narrador da SportTV que anunciara um "amarelo")...

02
Jun19

Liga Ibérica


Pedro Azevedo

Não há muito tempo, trouxe aqui a ideia da criação de uma Liga Ibérica. Hoje, é A Bola que anuncia, citando a agência oficial de notícias belga, que os principais clubes holandeses (Ajax, PSV, Feyenoord, AZ, Vitesse e Utrecht) e belgas (Anderlecht, Club Brugge, Standard Liége e Genk) se reuniram para discutir a criação de um campeonato conjunto, estando em cima da mesa um formato com 18 equipas (10 holandesas e 8 belgas), que permita aumentar a competitividade e potenciar as receitas.

 

Enquanto cá nos vamos entrincheirando na inevitabilidade da nossa condição, com os Velhos do Restelo do costume a perorar sobre a impossibilidade de tudo e mais alguma coisa - uma ideia (e sua implementação) é uma ameaça, no país do penso, logo desisto - , lá fora dão-se passos seguros no sentido de reagir à ditadura dos poderosos novos-ricos do futebol mundial. 

31
Mai19

A Revolução


Pedro Azevedo

Portugal é aquele país em que tudo vai acontecendo naquele jeito de que se não for exactamente assim não há problema, que isto de engendrar o acaso deve obedecer a imenso planeamento, parecendo sempre que o importante para os decisores(?) é que pareça que algo mude para que tudo fique mais ou menos da mesma forma. De vez em quando, surge alguém que vem abanar o status-quo" vigente. Em Portugal, a alguém assim chamam-no de revolucionário, no resto do mundo é um simples empreendedor. Foi mais ou menos assim, contra este estado de coisas, que desceu à capital o capitão Salgueiro Maia, ele próprio um herói com perfil de anti-herói, naquele jeito semi-inconsciente de quem, à despedida, diz "vou ali abaixo fazer a revolução", levando para o efeito consigo o chaimite como quem vai fazer a rodagem ao Hummer, coisita "discreta" e mal disfarçada só por obedecer às cores dos semáforos. Já muito consciente foi o seu regresso, que revelou o homem por detrás do soldado, o sentido de honra e espírito de missão de alguém que soube sempre qual o seu lugar na história e qual a janela de protagonismo a que se obrigava. Por isso voltou, como se nada fora, ao seu quartel, como puro e bom homem das casernas, imune ao xico-espertismo dos aproveitamentos pós-revolucionários e ao lambe-botismo tão nacional das honrarias e das comendas. 

 

Falo de Salgueiro Maia, por quem tenho profundo apreço, porque o futebol português necessita como nunca de um homem como ele, disposto a tudo arriscar para vir até Lisboa fazer a revolução. Quem já foi a um estádio de futebol sabe que o assobio é uma arte bem nacional. Mas o adepto assobia, dirigindo o seu silvo para alguém que está à sua frente. É o chamado assobiador amador, uma singular forma de AA que exige reuniões semanais a fim de sublimar o vício em vez de o reprimir. No entanto, à medida que se vai subindo na pirâmide do poder, vamos vendo assobiadores cada vez mais profissionais. Curiosamente, a direcção dos assobios vai-se desviando cada vez mais para os lados. Tanto para os lados que os potenciais alvos deixam de os ouvir, por também não ser esse o propósito do emitente. Este só pretende desviar as atenções e lateralizar para os portugueses. Sim, porque lateralizar é uma arte que os portugueses vêm desenvolvendo de há muitos anos a esta parte. Enquanto os anglo-saxónicos apressam-se a chegar ao âmago da questão, aquilo que no futebol é expresso pelo jargão do futebol-directo, os lusitanos vão percorrendo o algoritmo do caminho crítico, escondendo sempre a sua verdadeira intenção até ao último momento, não vá o conjuntural alvo aperceber-se de que também queremos ser felizes. Por isso, engonhamos. Engonhamos e lateralizamos até à exaustão, até o oponente cansar-se e baixar as suas protecções, para, depois sim, desferirmos o golpe mortal. Ou não, porque às vezes o "inconseguimento" está tanto no nosso sangue que ficamos presos nos meios e esquecemos os fins. Não foi mais ou menos assim, após elaborado planeamento do acaso, que nos sagrámos campeões europeus? Ou como o melhor coisa que os nossos briosos jogadores um dia fizeram por Portugal pode, simultaneamente, ter sido a senha para a legitimação do pior do futebol português...

01
Mai19

Contigo, Iker!


Pedro Azevedo

Poucos jogadores já consagrados mundialmente chegam ao campeonato português. Cubillas, Yazalde ou Aimar, três futebolistas com uma carreira consolidade ao mais alto nível quando chegaram a Portugal, são, porventura, raras excepções de um futebol luso em que a regra é servir de montra para catapultar jovens jogadores, provenientes de diversos países e continentes, para a fama. Recentemente, Iker Casillas, guarda-redes campeão do mundo e da europa por Espanha e Real Madrid, chegou para o FC Porto e veio dar mais visibilidade à nossa Liga. 

 

Chega-nos agora a notícia de que Iker Casillas sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante o treino de hoje do FC Porto. Aparentemente, livre de perigo após rápida intervenção cirúrgica, terá feito a defesa da sua vida.

 

Aqui fica expresso o meu desejo de que Iker recupere e supere esta fase com celeridade. A saúde está primeiro e espera-se que os danos sejam reversíveis e que o Homem não venha a ter sequelas na sua vida. Se, adicionalmente, pudermos ver mais algum tempo Casillas nos relvados, então isso seria uma benção. Precisamos de mais desportistas e homens com esta noção de cidadania no futebol português e na vida. 

 

Força, Iker!

23
Abr19

Entre a Petit e a grande discussão


Pedro Azevedo

O futebol em Portugal é um jogo com imensas regras dentro do campo e poucas fora dele. Por isso, a controvérsia é uma constante, o que constitui um paraíso para a imprensa e para os blogues deste país. Sendo sempre mais fácil criticar comportamentos do que sugerir regras, passamos a vida a apontar o dedo a alguém, mas tudo continua precisamente igual. Deve ser a isso que se chama a função social do futebol, uma forma de libertação de frustrações diversas, de outra forma perigosamente reprimidas, e que se esgota nisso, sem quaisquer outras consequências práticas. Como sempre venho dizendo, o circo romano dos nossos dias. 

 

Acontece que o futebol hoje em dia é muito mais do que um jogo ou um espectáculo. É um negócio, onde há muito dinheiro a circular, e como qualquer outra actividade económica tem de ser regulado e supervisionado sem amadorismos, de forma profissional. Por isso, o problema não é Petit e a sua frontalidade - se ficasse calado teria actuado melhor? - , mas sim a impassividade dos organismos desportivos que supervisionam o futebol (Federação e Liga, esta última composta por clubes) e a sua incapacidade de criarem regulamentos e códigos de conduta que reprimam comportamentos pouco éticos. Desta forma, entregues a si próprios, os agentes desportivos vão sempre procurar o melhor para si, descurando o interesse global, apesar da obstinada resistência de um ou outro paladino da ética e da transparência, impotente(s) para virar o curso aos acontecimentos.  

 

P.S. enquanto estas e outras questões do futebol português não se resolvem (desconheço qualquer proposta do meu clube nesta matéria específica), talvez não fosse má ideia olharmos para dentro da nossa casa. É que se o Benfica derrotou o Nacional da Madeira por 10-0, o Sporting teve pelo menos 10 oportunidades de golo na Choupana. Só Diaby deve ter perdido uma meia-dúzia de chances. E acabámos a defender o 1-0. Já dizia Bobby Robson: o Sporting não tem "killer instinct"...

10
Abr19

O VAR(Re)


Pedro Azevedo

O futebol português é tão engenhoso e cria tantos desafios novos e interessantes ao futebol europeu e mundial que um dia destes UEFA e FIFA irão criar o VAR(Re), um painel de especialistas que analisará as decisões do VAR em Portugal. Segundo fontes (sempre apropriado quando se fala em "meter água") bem informadas do processo, este novo sistema poderá vir a funcionar na Cidade do Futebol, passando o VAR a operar a partir do Hospital Júlio de Matos, instituição que aceitou recebê-lo por recear, caso não o fizesse, uma epidemia de casos de perturbação mental em espectadores de futebol, causada por decisões que deixam qualquer um "doido VARrido". Oportunamente daremos mais informações sobre este caso que está a agitar o meio desport...Ahn, o quê? Não?  

08
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - Um Domingo qualquer


Pedro Azevedo

Depois de uma semana negra para a arbitragem portuguesa, o Domingo começou com uma exibição do "VAR tudo" na Feira, uma daquelas situações em que metáfora e realidade se confundem. Em boa verdade (ou será VARdade?), todo o futebol português é uma feira. Senão vejamos: temos os elásticos, que puxam para cima, a barraca dos tirinhos (entre concorrentes), o carrossel das transferências, os carrinhos de choque do pobre do Ristovski, os espelhos que aumentam a dimensão dos craques (na Comunicação Social), as "canções pimba" do senhor Piscarreta, tudo isto enquadrado pelas roullotes das febras e dos couratos, petiscos diversos e cerveja a rodos, que o que é preciso é vender a bola aos pacóvios como uma festa...  

 

Se no Sábado, no Dragão, muitas dúvidas ficaram sobre o lance que permitiu ao Porto adiantar-se no marcador, ontem, em Santa Maria da Feira, houve três lances polémicos decididos sempre contra a equipa da casa. O primeiro, resultou na anulação daquilo que seria o 2-0 para o Feirense. O segundo, permitiu ao Benfica empatar a partida. Finalmente, o terceiro evitou que o Feirense voltasse a empatar o jogo. Enfim, um Domingo como outro qualquer, mas com o adepto anónimo, o "Al Patinho", como figurante, e um "actor" canastrão - penso, logo "un pasito mas" caio Pizzi - como protagonista de um filme Série B. 

 

Após o episódio Catão/Boaventura e a narrativa que vi montar à volta da expulsão de Ristovski, a minha vontade de continuar a ser um idiota útil a alimentar a feira do futebol português esmoreceu. Confúcio dizia que se um problema tivesse solução, então dever-nos-iamos concentrar nessa solução, mas se não tivesse solução, então deveríamos deixar de nos preocupar. Nesse sentido, se o peso dos actuais protagonistas esmaga a nossa leveza de espírito e já não há relativização de situações que nos garanta a tranquilidade, então o melhor é afastarmo-nos.

 

Nesse estado de espírito, ontem não fui a Alvalade. Ainda assim, não resisti a acompanhar na televisão. E se tranquilidade era o que procurava, o jogo deu-me uma noite muito descansada. Tudo começou quando o Felipe das Consoantes deu desenvolvimento a um rápido contra-ataque e abriu na esquerda para o Wendel, este lançou na frente no Acuña, que com um pequeno toque deu no Phellype, que chegou à bola após uma impressionante cavalgada e mostrou um PH ácido de mais para Leo Jardim, o homónimo do nosso antigo grande treinador que defende a baliza vilacondense. Inaugurado o marcador, o Sporting viria ainda a dilatar a vantagem na primeira parte, quando um Messias em crise de fé abalroou o Phellype, o qual acabara de cabecear uma bola endereçada por Bruno Fernandes. Chamado a converter a penalidade, Bruno marcou-a de forma irrepreensível, o que lhe permitiu igualar o record europeu de golos de um médio neste século, registo obtido por Frank Lampard na temporada de 2009/10, ao serviço de um Chelsea treinado pelo italiano Carlo Ancelotti.

 

A segunda parte teve menos motivos de interesse. O Rio Ave rendeu-se cedo e ao Sporting interessava fazer alguma gestão de esforço e poupança de jogadores, razão pela qual Acuña (pequeno toque) e Mathieu sairam mais cedo, acompanhando assim Borja, o qual havia sido substituido (por Jovane) ao intervalo devido a lesão num joelho. Com estas prioridades na cabeça, Keizer acabou por voltar a não dar oportunidade a Geraldes ou Pedro Marques, colocando Gaspar e André Pinto. Antes, Wendel apontara o golo da noite, respondendo a uma solicitação de Bruno Fernandes com um remate colocado de fora da área. Com os jogadores não substituidos a descansarem no campo, o Sporting foi controlando tranquilamente o jogo, perante uns vilacondenses que só criaram suspense por Tarantino, perdão Tarantini, num lance em que Renan conseguiu puxar a fita atrás e evitar males maiores.   

 

E assim terminou uma noite tão, tão tranquila que os nossos nem cartões viram. Um jogo que mais parecia um amigável, onde até a falta de intensidade de Gudelj ficou disfarçada pelo baixo ritmo dos restantes.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel. Destaque ainda para Bruno Fernandes (alternativa para o melhor em campo) , Luíz Phellype, Mathieu e Acuña.  

wendel rio ave.jpg

P.S. Os meus sentimentos à familia e amigos do nosso ex-jogador Luis Páez. O paraguaio faleceu ontem, aos 29 anos, num acidente de viação. Um dia triste também para toda a nação sportinguista, a mostrar-nos que há coisas para serem levadas bem mais a sério que o futebol. 

 

03
Abr19

Mota & Companhia


Pedro Azevedo

Ontem à noite, em Braga, mais um recital de Manuel Mota e do VAR. Infalível, como a morte e os impostos, Piscarreta também não faltou à festa: a mão de Manafá foi "sem intenção", porque até estava de olhos fechados(!?); o não-vermelho a Wilson Eduardo, por entrada à perna de Corona ("foi de raspão"), sem tocar sequer na bola, foi "correcto". E assim vai o mundo do ludopédio. Ludo, de divertimento, pois claro. Com o futebol jogado? Não.

 

P.S. Ristovski foi castigado com 1 jogo pelo Conselho de Disciplina...

27
Mar19

Excrecências medonhas


Pedro Azevedo

"Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
e sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
 
Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
 
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo" - A gente vai continuar (Jorge Palma)

 

Poderá haver quem goste deste tipo de coisas. Alguns até chamarão à colação a velha teoria de que a polémica é necessária e alimenta os seguidores do fenómeno futebolistico. Mas sejamos sérios: Vitor Catão e César Boaventura são a ponta do icebergue do estado em que mergulhou o futebol português. Sinais que parecem não incomodar as autoridades deste país, desde quem nos governa, passando pelo poder judiciário, até quem gere o nosso futebol. 

 

Só há uma forma de parar isto: os amantes do futebol fazerem boicote aos jogos, não comparecendo nos estádios e não vendo as transmissões televisivas. Se o dinheiro à volta do futebol começar a minguar, os agentes envolvidos vão sentir o solo a fugir-lhes dos pés e serão obrigados a definir regras, cumpri-las e regenerarem-se. A alternativa é continuarmos a fingir que nada se passa, à espera de umas quantas vitórias à Pirro, o que nos tornará cúmplices de toda a situação. A dependência é uma besta, como diria o Jorge Palma, mas se esta é a "droga" que nos servem, então eu prefiro a "metadona" das modalidades ou a "ressaca" de uma cura de desintoxicação. 

 

13
Fev19

Calendas gregas


Pedro Azevedo

O futebol português é uma brincadeira em que um clube é punido por uma alegada reiterada infracção à lei cometida há 2 anos atrás, da queixa inicial que deu origem ao processo disciplinar permitem-se prescrições e a decisão (tomada hoje) só deverá produzir (ou não) efeitos daqui a dois anos, devido ao carácter suspensivo do(s) recurso(s). Num país decente, este estado de coisas da justiça desportiva, que lhe retira qualquer eficácia, deveria gerar indignação. Em Portugal, para bem da nossa sanidade mental, só pode despertar o bom humor, a (única) arma dos impotentes face ao status-quo vigente.

 

Serve o presente para ilustrar a minha ideia de sempre: o Sporting tem de olhar para si próprio, manter-se dentro da legalidade e da ética, ter uma cultura de excelência, focar-se naquilo que depende de si e da competência dos seus profissionais, proteger estes o mais possível e cuidar de não falhar em todo este processo (sem se pôr na dependência da acrimónia de terceiros), até porque uma mudança de paradigma no futebol português nunca se conseguirá com os actuais protagonistas e a falta de intervenção do governo.  

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