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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

13
Fev20

Lost in translation


Pedro Azevedo

O George Sousa não viu um "elbow" em Famalicão. Por via disso, o Taarabt não foi "sent off". Enfim, coisas que acontecem a "foreign referees", perdão, a árbitros estrangeiros... Ó Stojkovic, anda cá traduzir isto por miúdos, se faz favor!

taarabt.jpg

31
Jan20

Ó "Evaristo", tens cá disto?


Pedro Azevedo

Matheus Nunes marcou este golo hoje em Coimbra. Na semana passada, no Estoril, fez a prodigiosa assistência que se pode observar no vídeo em anexo. É caso para perguntar: Silas, há melhor que o Matheus no plantel principal? O nosso treinador lá vai dizendo que Matheus está quase, quase, mas a hora parece nunca mais chegar a este "Pátio das Cantigas" (o Jesé que o diga, sem aspas)... 

10
Jan20

Gripe das aves


Pedro Azevedo

Histórico da gripe em Setúbal na última década

08/12/2018 Vitória - Benfica 0-1

07/04/2018 Vitória - Benfica 1-2

30/01/2017 Vitória - Benfica 1-0 (vacinas em dia?)

12/12/2015 Vitória - Benfica 2-4

12/09/2014 Vitória - Benfica 0-5

20/12/2013 Vitória - Benfica 0-2

26/08/2012 Vitória - Benfica 0-5

12/05/2012 Vitória - Benfica 1-3

06/02/2011 Vitória - Benfica 0-2

 

Confrontos entre Vitória FC e Benfica (Bonfim) nesta década a contar para a Liga - Saldo (Vitória FC): 9J, 1V, 0E, 8D 5GM-24GS 

 

O Castigo Máximo, não sendo empresa de representação de futebolistas, recomenda o seguinte catálogo de reforços de Inverno para o clube do Sado: o anglo-americano Brufen e os alemães Benuron e Griponal. Vão ver que será remédio santo...

 

N.A.: Brincadeiras à parte (as minhas sinceras melhoras a todo o plantel do Vitória, clube por quem tenho simpatia), Castigo Máximo tem vindo a apontar as incongruências do calendário da Primeira Liga. Pouco se jogou em Outubro e Novembro, e em Dezembro o campeonato parou durante 3 semanas. O nosso campeonato é o que está mais atrasado em termos dos Big6, razão pela qual agora terá de acelerar na quantidade de jogos. A isto o Sporting é alheio, descontando os votos que tem na Liga, os quais aliás são perfeitamente iguais aos dos sadinos. O apuramento do Sporting para a Final Four da Taça da Liga e a participação nas competições uefeiras rouba ainda mais espaço no futuro para a eventualidade de adiamento do jogo, para lá do que isso poderia consubstanciar de possível subversão da verdade desportiva (imagine-se que o jogo aconteceria na recta final do campeonato). Assim, por muito boa vontade que pudesse haver, o Sporting não pôde aceder ao pedido do Vitória, clube que a ter razão de queixa de alguém deveria ser da Liga e da sua excêntrica (para não dizer absurda e lesiva em termos de tesouraria para os clubes) calendarização. 

10
Jan20

Falam, falam...


Pedro Azevedo

A vida de um sócio ou adepto do Sporting (e do próprio clube) é como aquele sketch do Gato Fedorento: está sempre a ser confrontado com certas e determinadas situações, enquanto ao mesmo tempo há gajos que andam por aí e fazem trinta por uma linha e passa tudo incólume. E quando vimos lá de baixo e dizem-nos não sei o quê, chegamos cá acima e parece que não. Logo nós que como clube nos damos bem com toda a gente. Se calhar, o melhor é irmos fazer a vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente a malta nos diz: - "Eh Pá, e tal, sim senhor!"

Falam, falam, falam, falam e eu não os vejo a fazer nada...

10
Jan20

Mercados


Pedro Azevedo

Tendo em conta o ambiente de crispação no Sporting, temo que a novidade do Mercado de Inverno seja um médio... oriente. (NA: escandalosamente roubado a Rui Rocha @runroc no Twitter.)

10
Jan20

Pacientes


Pedro Azevedo

A polémica à volta do próximo Vitória x Sporting não deveria incidir sobre o "quando" mas sim sobre o "onde". É que embora se compreenda o desejo de que o desfecho de um jogo entre uma equipa com uma epidemos viral e um clube que segundo o seu presidente tem um cancro lá dentro deva ter um Bonfim, o Hospital da CUF poderia ser uma melhor opção. 

01
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - A Restauração


Pedro Azevedo

O Sporting vinha da melhor exibição da época e de uma vitória retumbante sobre o PSV Eindhoven. As condições estavam criadas para um desanuviamento. Mas isso é não conhecer o nosso clube. Um Tribunal Arbitral condenou o Sporting a pagar a título de indemnização o valor de 3 milhões de euros a Sinisa Mihajlovic e logo alguém vislumbrou a oportunidade de "matar" não 1, mas 2 ou 3 coelhos de uma só cajadada. É verdade, a procura de bodes expiatórios é uma actividade vista com muitos bons olhos no futebol, mas eu cá penso que a culpa é toda do tal tribunal. Então não foi o TAS que também nos condenou a comprar o Ilori, o Eduardo, o Camacho, o Rosier (mais o Mama Baldé) e a pedir emprestado o Jesé, o Bolasie e o Fernando?

 

Antes do jogo começar a Liga expôs uns painéis que pediam uma descida do IVA aplicado ao futebol. Nós, consumidores do espectáculo, estamos de acordo com os 6%. Agora só falta no Sporting reduzirem-se as contratações e as comissões pagas para essa mesma bitola...

 

Durante a tarde passei os olhos pela visita do Ajax a Enschede para defrontar o Twente. E reparei que os lanceiros estrearam mais um menino da sua Formação. Chama-se Noa Lang e fez um hat-trick. Fiquei a pensar que de todos os clubes que se intitulam formadores, o Sporting deverá ser o único onde existem mil e um impedimentos a lançar jovens jogadores. Por isso, o Pedro Mendes, o Matheus Nunes, o Daniel Bragança, o Matheus Pereira e outros desesperam por uma oportunidade facilmente concedível a uma estrela do raggaeton ou a um moço colombiano que aos 26 anos ainda está a aprender as regras do jogo, nomeadamente que se pode entrar na área do adversário no decurso de um jogo de futebol.

 

É claro que há razões ponderosas que justificam que Domingos Duarte ou Demiral nunca tenham feito 1 jogo para o campeonato. Não esquecer que tal é geralmente definido por dirigentes que percebem muito de futebol. Como tal, se algo correr mal só pode ser atribuído ao "azar". Como hoje em Barcelos. O Sporting teve "galo" e isso resultou da conjugação da impreparação com a oportunidade certa, leia-se o não se ter perdido o ensejo de contratar na janela de Inverno um Ilori vindo das profundezas da segunda divisão inglesa. Ilori que é um desastre à beira de acontecer no relvado e no coração dos adeptos. Não sei como isto acabará, mas estou desconfiado que será com uma ala inteira no Hospital de Santa Cruz reservada para adeptos Sportinguistas...  

 

Depois de sofrer um golo numa perda de bola de Ilori, o Sporting fez o seu primeiro remate no jogo aos 42 minutos(!). Seguiu-se uma perdida de Jesé após assistência de Bruno Fernandes e o golo do empate da autoria de Wendel (de novo Bruno no passe) com a cumplicidade involuntária do guardião gilista. No intervalo disto tudo o craque Vietto perdeu bolas sobre bolas, nunca lutando para as recuperar. Aliás, a mentalidade de alguns jogadores do Sporting deixa muito a desejar, o que aliado a um défice notório de qualidade acima da média do plantel não deixa qualquer margem para o sucesso. 

 

A etapa complementar foi ainda pior. O contraste entre os jogadores do Sporting tornou-se evidente. A título de exemplo observe-se o seguinte: Bruno lançou duas vezes a esquerda do nosso ataque com critério; em compensação, o Eduardo, nas duas primeiras posses de bola, fez dois passes para o apanha-bolas.

Doumbia e Wendel falharam a pressão sobre o portador da bola este pô-la nas costas da nossa defesa. Acuña tentou o corte em desespero e fez penalty. Na conversão, o Gil não perdoou e colocou-se em vantagem no marcador. Perto do fim poderia ter havido outro penalty. Depois de vistas as imagens, observou-se que havia um prévio fora-de-jogo. Pelo meio Doumbia havia recebido um segundo amarelo, o qual foi mais tarde despenalizado por intervenção do "árbitro" Bruno Fernandes que explicou ao "jogador" Hugo Miguel que o vídeo-árbitro não pode intervir em lances de cartão amarelo (protocolo), para além de que tinha havido uma infracção anterior. Confusos? É o futebol português no seu melhor. O Gil ainda haveria de voltar a marcar, mas por essa altura já o Sporting jogava num 3-3-4, ou 3-2-5, ou, se quiserem, num tudo ao molho e fé em Bruno... 

 

Do Céu ao Inferno em 72 horas, haveria melhor dia que o 1 de Dezembro para mostrar à saciedade que a restauração daquilo que tem sido o nosso status-quo desta época está em progresso? Venha pelo menos a aposta na Formação, a fórmula utilizada somente em desespero de causa para tapar o sol com a peneira... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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29
Nov19

Carapau na Europa


Pedro Azevedo

Carapau talvez não, provavelmente algo mais exclusivo como a petinga. Afinal, o empate em Leipzig foi chique. Ou Schick, mais concretamente...

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25
Nov19

Chama-se Tourette e escapou ao Scouting


Pedro Azevedo

O Sporting vive sob o Síndrome de Tourette, um francês que se terá infiltrado no nosso ADN aparentemente sem pedir licença ao Scouting e que explorando um ambiente niilista e maniqueísta produziu um transtorno em Alvalade caracterizado por incapacidade de autoregulação ou autocrítica, inadaptação a novos cenários, intolerância à pressão, ansiedade, libertação de impulsos primários de explosividade, comportamentos generalizadamente agressivos, falta de organização, entre outros. Tal como o Toyota de Salvador Caetano, o Tourette veio para ficar. Ele está presente na gestão do clube, mas também nas relações entre sócios, na comunicação que se estabelece entre presidente e associados e é perfeitamente reconhecível nas redes sociais, televisões, assembleias gerais do clube e em intervenções públicas de dirigentes, sendo verificável a cada borrão (protocolo de Rorschach). Não sei se para alguns isto é chinês (o Rorschach até era suiço), mas creio ser importante haver consciência da existência deste problema. Até porque no Sporting ele sofre uma mutação política, o que permite melhor compreender a razão pela qual um dia os sócios são esqueletos, papagaios, patetas e idiotas úteis e, num outro dia qualquer, quando se torna necessário seduzir um grupo de cinquentenários com votos que decidem eleições, alguém com quem se aprende muito. 

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15
Nov19

Prémio Stomp


Pedro Azevedo

À margem de um Congresso Leonino adiado por não ser a altura ideal para reflectir sobre o clube, Frederico Varandas receberá brevemente o Prémio Stomp. Recorrendo só aos altifalantes do estádio, à intrépida voz e a um copinho de leite meio vazio para obter uma (re)percussão na sua performance, o presidente leonino vê assim reconhecida a sua capacidade de martelar os tímpanos e o moral de sócios e adeptos Sportinguistas.  

28
Set19

Desacatos na AG do Benfica


Pedro Azevedo

Diz a TVI24 que Luis Filipe Vieira agarrou o pescoço de um sócio contestatário durante a AG do Benfica. Mas alguém ainda tem dúvidas de que LFV é perito no mata-leão? Só que em Alvalade, pátria dos leões, aplaudem e dão o Benfica como um exemplo...

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19
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Re(i)nan R(e)ibeiro


Pedro Azevedo

Durante a fase fulgurante de Marcel Keizer, Frederico Varandas atribuiu o mérito ao peso da sua Estrutura para o futebol profissional. E não há como não lhe dar razão. É verdade! Atentem neste fim de semana: enquanto o Porto, acossado pelo "fair-play" financeiro, teve de ir ao mercado buscar uns Luíses quaisquer para remendar a equipa, o Sporting, munido de um super scouting, apresentou-se esta noite com 4 reforços (no banco). Outro mérito indiscutível da Estrutura foi termos alinhado com 1 jogador formado em Alcochete (Thierry Correia), o "quinto metatarso" de uma folia de um pé direito enorme de laterais de raíz ou improvisados de que também fazem parte Ristovski, Bruno Gaspar, Ilori e Rosier, confirmando-se assim a prometida aposta na Formação. Se calhar já são loas a mais à nossa Direcção, mas como esquecer a venda de Dost (e o seu valor) - Keizer diz que leu umas notícias no início da semana e foi perguntar ao presidente(!?) - e as justificações que logo surgiram na CS? Estou totalmente de acordo, pois cada um dos 93 golos do holandês ficava muito caro. Assim, podemos sempre contratar um novo Castaignos ou um novo Barcos, na certeza de que os seus golos ficarão muito mais baratos. Ah, o quê? Não marcaram? Infinitamente caros, como tudo (>0) o que divida por zero o é? Bolas, este elegia estava a correr tão bem... 

 

Esta noite, em Alvalade, o Sporting recebeu o Braga. Após uns bons 15/20 minutos iniciais em que aproveitou para se adiantar no marcador de forma totalmente merecida, o Sporting entregou o controlo do jogo aos bracarenses. Nas bancadas, os adeptos assistiam. No banco, Keizer também. Enquanto nós e Keizer assistíamos, Renan resistia. Uma, duas, três vezes, com defesas assombrosas, lá foi impedindo o empate. Até que Bruno Fernandes tirou o génio da lâmpada e deu a Pablo (Neruda?) material para um poema em forma de golo. Um golo caro!? (Medo!)

 

Na etapa complementar, a toada manteve-se, sendo notórias as falhas de posicionamento de diversos jogadores do meio campo leonino aquando da nossa posse de bola, com Wendel (autor de um golo de classe na primeira parte) à cabeça. Muitas vezes apanhados longe do centro nevrálgico do campo, após a perda de bola os nossos jogadores permitiam ao Braga jogar entrelinhas nas imediações da nossa área, apesar do denodo de Doumbia (bons cortes e agilidade na saída de bola em construção) em dissuadi-lo. Acresce que Raphinha e Diaby, os alas leoninos, não fechavam, permitindo inúmeras situações de 2x1 nos flancos, obrigando Thierry e Acuña (em postura ofensiva, os melhores cruzamentos provenientes das alas) a atenção redobrada, Coates e Mathieu a darem o peito às balas e Renan a muita atenção. Quando já nada havia a fazer, os avançados bracarenses encarregavam-se sozinhos de falhar a baliza. Sem qualquer vigilância na sua zona de acção, André Horta ia organizando todo o jogo bracarense. Nas bancadas, os adeptos desesperavam, tentando marcar o mais novo dos irmãos Horta com os olhos. No banco, Keizer ia olhando os lírios do campo (mas o Veríssimo não estava lá, era o Godinho). Até que o Braga finalmente reduziu a desvantagem. Autor: Wilson Eduardo, ex-jogador da nossa Formação e já habitual carrasco do Sporting, um ala que se tivesse ADN do Mali (ou de qualquer outro recanto do mundo que não Alcochete) seria titular de caras dos leões esta noite.

 

Eis então que Keizer finalmente mexe, alterando o sistema para 3 centrais, mas com a nuance (positiva) de Mathieu desta vez ficar posicionado no eixo da defesa (Neto, recém-entrado, derivou para a esquerda), o que dá sempre jeito quando se pretende recuperação defensiva. (Eu não disse que Keizer nunca repete o mesmo erro?)

Ricardo Horta ainda podia ter empatado, mas a equipa pareceu ter ficado mais consistente, algo reforçado posteriormente com a entrada de Vietto (sacou duas faltas que fizeram "acelerar" o cronómetro) para o lugar de um inoperante Felipe das Consoantes, o qual se havia deixado antecipar frequentemente na área (não dá para pôr uns pedacinhos de picanha à entrada da pequena área, a ver se o homem lá vai como gato ao bofe?). Aliás, tanto Luíz Phellype como Raphinha foram dois jogadores com um PH claramente neutro, nada tendo feito de produtivo. Com Diaby formaram o terceto mais apagado dos leões.  

 

Quem andasse pelas imediações do Alvaláxia no final do jogo, e não soubesse o que se tinha passado, olhando para os rostos dos adeptos leoninos julgaria que estes estariam a sair de um dos filmes do Poltergeist, ou de uma qualquer saga do John Carpenter. É que se o golo é caro, a saúde ainda o é mais. E esta noite todos os que fomos a Alvalade perdemos uns anitos de vida. Os jogadores do Sporting também, pelo menos a avaliar pela forma como mal o jogo terminou se prostraram no relvado. Oxalá estes 3 preciosos pontinhos se venham a revelar de alto rendimento (decisivos), e assim façam valer a pena tanto sacrifício. 

 

Tenor "Tudo ao molho": Renan Ribeiro

 

P.S. No decorrer do jogo não pude deixar de pensar que Francisco Geraldes, actuando numa posição semelhante à que JJ reservou para João Mário, teria dado um jeitaço. É que nas alas houve correria a mais e discernimento a menos. Partindo da direita, ou da esquerda, Xico poderia ter pautado de outra forma os ritmos de jogo, adicionando inteligência ao processo. 

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14
Ago19

Dr House (with a porch) e o Ajax Limpa Tudo


Pedro Azevedo

Um elabora o diagnóstico, o outro executa. Exterminadores implacáveis da Formação, especialmente da que já não é teenager, não há germes, perdão genes (com ADN desenvolvido em Alcochete), que não sejam neutralizados no acesso à equipa principal. Espera-se que tudo não termine numa espécie de anatomia da grei leonina.  

11
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Planos D e E


Pedro Azevedo

Na pré-época, Frederico Varandas havia anunciado ter um Plano A, B ou C, consoante Bruno Fernandes ficasse ou não. Por contágio, Keizer e os jogadores também começaram a percorrer o abecedário. Assim, desde que a bola começou a rolar, a equipa já mostrou ter um Plano D, de derrota, e um Plano E, de empate. O Plano V, de vitória, é que nem vê-lo, esperando-se que não demore tanto a concretizar-se quanto a distância no alfabeto entre as letras "E" e "V".   

 

Neste defeso, o Sporting foi ao mercado adquirir cinco jogadores. Hoje só um alinhou de início (Eduardo) e apenas porque Doumbia estava impedido por castigo, visto que Matheus Nunes ou Daniel Bragança não contam para Keizer. (A propósito: para quem já se esqueceu ou tem saudades, o Gudelj estava lá naquele jogo em que o Benfica marcou 4 em Alvalade.) O sonho de uma noite de Verão do presidente Varandas (Vietto), contratação que se teme fazer parte de uma comédia shakespeariana, também foi a jogo, ainda que só na parte final. 

 

Uma equipa grande tem de ter laterais ofensivos. Hoje, o Sporting não os teve: Thierry ainda arrancou um ou outro centro bem medido, Borja nem isso, sempre a fugir da grande área adversária como o diabo da cruz. Por vezes, mesmo com o caminho todo desbravado, hesita e regressa à base, um movimento tão incompreensível quanto teria sido o de Bartolomeu Dias se após passar o Cabo das Tormentas tivesse voltado para trás, negando assim a Boa Esperança.

 

Uma equipa com os pergaminhos do Sporting também tem de ter uma boa defesa. Na Madeira, Thierry esteve ao nível de um Ilori, o que não o recomenda propriamente, pese a boa vontade deste autor. Mas também quando se tem um treinador que o intranquiliza a 24 horas de um jogo ao dizer que o maior problema com o Benfica foi o lado direito... Coates não apareceu na fotografia do golo insular e ligou o complicómetro no quarto de hora final. Em postura atacante, obteve um golo que valeu um ponto. Mathieu, apesar da infinita classe, deu uma fífia que podia ter sido fatal e Borja, bem Borja, foi como se nem estivesse lá, permitindo todo o tipo de cruzamentos na sua área de jurisdição. 

 

Quem quer ganhar campeonatos também tem de ter pontas-de-lança que entendam o jogo da equipa, saibam ligar jogo e sejam letais na área. Nada disso parece caracterizar o Felipe das Consoantes, um avançado que se deixou antecipar na área umas quatro vezes em lances que podiam ter mudado a história do jogo. Quanto a Bas Dost, mostrou viver o mesmo sem-vontade com que recentemente recusou sair de Alvalade a caminho da China ou de outro desses paraísos de reforma do futebol mundial. O holandês dá todos os sinais de não se estar a sentir confortável. O que se estará a passar com Dost? 

 

Perante todos os factos elencados, a que se pode acrescentar um Raphinha novamente a decidir pessimamente, a equipa acaba por estar muito dependente de Bruno Fernandes (sempre ele), Wendel e Acuña, o que simplesmente se vem revelando insuficiente. O mais dramático disto tudo é que já se percebeu com um grau de certeza razoável que a abordagem ao mercado não resultou bem, continuando a escassear jogadores que façam a diferença. E quando se vê que a solução de desespero é Diaby, então é caso para dizer que o desespero está instalado. 

 

Keizer, tal como Abraracourcix, parece estar sempre à espera que Bruno Fernandes impeça que o céu lhe caia em cima da cabeça, o grande receio da sua existência enquanto chefe do plantel dos leões (onde está aquele treinador ousado que pôs a equipa a jogar de pé para pé e que privilegiava as suas ideias e não adaptações a adversários e ao futebol português?). "Por Toutatis", o médio é actualmente uma mistura entre Atlas - um titã condenado a sustentar o céu nos seus ombros - e Asterix, um cruzamento entre a mitologia grega e a aventura epopeica de Uderzo que homenageia o lendário Vercingetórix. Ele é o celebérrimo "plano de jogo" de Keizer, a sua poção mágica. O problema é que isso acaba por o desgastar em demasia, física e emocionalmente, havendo jogos em que, mesmo sem estar mal, fica aquém do seu potencial. E quando não temos o melhor Bruno Fernandes...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

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29
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Violinos por Rabecas


Pedro Azevedo

Desloquei-me ao José Alvalade para ver o troféu que homenageia os 5 Violinos, mas em tempo de vacas magras tive de me contentar com 5 Rabecas, uma versão mais tosca e com menos padrão de qualidade que o Sporting de Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. O departamento de marketing do clube deveria fazer algo sobre isto, pois a presença em campo hoje de Borja, Vietto, Ilori, Diaby e Eduardo tem de ser vista como publicidade enganosa. Deste modo, terminámos este ciclo antes das competições oficiais sem vitórias, o que não sendo dramático nem me impedindo de sonhar em ganhar a Supertaça, transformou o antigo dirigente Carlos Barbosa num visionário. É que no seu tempo ele previu que Benfica e Porto deixariam de ser oposição para nós, passando o Real Madrid a sê-lo. Atendendo à pré-época de cada clube, dir-se-ia que o objectivo foi amplamente conseguido. Porém, não dramatizemos, o defeso é uma época de experiências e Keizer provou ser um cientista convicto disso mesmo, pelo que o importante é a equipa aparecer em campo sem equívocos no próximo Domingo.

 

Olhando para a prestação dos jogadores quando a equipa tem a bola, muitos Leitores não concordarão com o meu destaque pela negativa dado a Vietto e a Eduardo. Compreendo-o. O argentino, após uma primeira parte apagada, teve um belo passe de ruptura a isolar Raphinha na área e uma vistosa abertura a solicitar a esquerda do ataque leonino. Igualmente, o brasileiro foi capaz de transportar a bola com critério até às imediações da área valenciana nalgumas ocasiões. No entanto, a influência de ambos na dinâmica ofensiva da equipa está a anos-luz da observada pela dupla Bruno/Wendel quando joga nas suas posições naturais. E sem bola, tanto Vietto como Eduardo simplesmente não existem, e logo num sector nevrálgico do terreno onde é importante saber defender. Para além disso, como eu já previra num texto anterior, a passagem de Bruno Fernandes para a esquerda acabaria por ajudar os adversários a controlá-lo, bastando para isso não se exporem tanto no ataque quanto o Liverpool. Ora, atendendo a que a grande maioria das equipas da primeira liga praticamente só defende, circunscrever Bruno, o melhor jogador da Liga 2018/19, a uma banda é reduzir a criatividade do Sporting, auto-condicionando a nossa equipa. E para quê? Para tentar fazer caber um jogador que adivinho ser um nove e meio, mas que com 50% de certeza apenas sabemos ser um sete e meio... milhões de euros? Com tudo isto, só espero que esta passagem de Bruno pela ala não venha a ser um sinal de... ala que se faz tarde!

 

O Borja continua a fazer lembrar aquele caçador que chega ao couto e repara que se esqueceu da arma em casa, voltando para trás. Se a Assunção Esteves quisesse adaptar o (seu) "inconseguimento" ao futebol, a postura atacante do colombiano seria disso paradigmática, sendo o episódio da ida ao couto uma alegoria para o caminho até à grande-área adversária. Diz-se que é certinho defensivamente, mas até isso parece estar a mudar: se contra o Liverpool já tinha sido ultrapassado um sem número de vezes, hoje foi vencido em antecipação no lance de bola parada de que resultou o empate dos valencianos. O Ilori, atendendo ao padrão-Ilori, nem jogou mal, desconhecendo-se ainda a esta hora o que isso significa. Às tantas lá mandou uma biqueirada que supostamente pretendia ser um passe para Thierry Correia, uma paragem cerebral menor face aos AVCs a que estamos habituados. Quanto ao Diaby, mostrou a trapalhice que era suposto só muitos treinos ajudarem a desenvolver, sinal que a preparação está a correr bem e decorre a ritmo acelerado.

 

No meio de tanta experiência, os destaques pela positiva foram Doumbia, Thierry Correia e Renan. Foi tão estranho ver Renan defender um penálti quanto o foi o marfinense fazer esquecer Gudelj, ou o português não oferecer nenhum golo ao adversário e ainda salvar alguns. Ausência notada foi a de Jovane, mas a presença de Diaby está a cortar-lhe as pernas desde o primeiro dia, impedindo-o assim certamente de usar a canela da mesma forma que o maliano. Riscados parecem ter ficado definitivamente Matheus Pereira e Gelson Dala. O brasileiro presumivelmente devido à hiper-inflacção de alas, o angolano porque está bom de ver que o sistema de jogo de Keizer não contempla um avançado que saiba ligar o jogo com a restante equipa, razão pela qual, mais do que um CAN, teria precisado de um CAN-CAN para se mostrar aos olhos dos adeptos. 

 

Saúde-se o regresso de Dost aos golos (grande golo!), numa altura em que o Felipe das Consoantes ainda está a digerir o piano que comeu nas férias, o que a julgar pela sua movimentação em campo terá sido mais um Steinway do que um churrasquinho de porco. 

 

Para finalizar, uma palavra de louvor à aposta na Formação, consubstanciada na magnanimidade de todos uns cinco minutos que foram concedidos a Daniel Bragança, Eduardo Quaresma e Miguel Luís. Adicionalmente, Thierry parece ter agarrado o lugar, após ter sobrevivido a um teste de fogo, na lateral oposta, contra o campeão europeu.

 

Não se iludam os amigos benfiquistas. Todo esta pré-época leonina consiste num plano maquiavelicamente urdido e exemplarmente implementado para os enganar. Dia 4, no Algarve, é que vão ver como elas vos doem! Sporting!

 

P.S. 5 jogos, 0 vitórias, 2 derrotas e 3 empates, 10 golos sofridos (2 em cada jogo) e 8 golos marcados, com Bruno (4 golos, 3 assistências e 1 passe para Raphinha que deu o golo hoje) a estar em todos os golos obtidos pelos leões.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Idrissa Doumbia

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25
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Os deuses devem estar loucos


Pedro Azevedo

O Sporting via nesta digressão aos "states" uma oportunidade de divulgar a marca. Mas começou logo por não divulgar a sua marcha, já que depois do "Star-Spangled Banner" (hino nacional americano) e do "You will never walk alone" terem tocado na instalação sonora, o CD com a canção da Maria José Valério não saiu da gaveta. Nem mesmo o mais recente hino entoou no estádio... Enfim, ficámos a perceber que o mundo não sabe que... (Por falar em oportunidades, costuma dizer-se que não há uma 2ª oportunidade para causar uma 1ª boa impressão. Tal é verdadeiro, a não ser que se chame Vietto. Nesse caso haverá uma terceira, quarta...)

 

Os leões entraram em campo com um equipamento alternativo, o que é sempre uma boa forma de mostrar ao mundo a sua marca, ou melhor, a sua Macron. O guarda-redes do Liverpool também quis deixar a sua marca e serviu um frango que nos soube a Fillet Mignolet. Tanta desconversa sobre o nosso Renan (o Salvador) e afinal, depois de Karius, o campeão da europa volta a mostrar não ter ninguém minimamente à altura de substituir o bom do Alisson, também ele brasileiro por acaso. O Sporting assim adiantava-se no marcador, golo de Bruno Fernandes (who else?).

 

Na tentativa desesperada de encaixar Vietto na equipa, Keizer mandou Bruno Fernandes para a esquerda, provavelmente a fim de evitar ter de ceder também Borja ao Moreirense. Renan provava porque é o titular das balizas, defendendo tudo menos uma recarga de Origi, o único sobrevivente da linha avançada ma-fi-o-sa (Mané, Firmino e Salah ainda não regressaram) do Liverpool. Entretanto, Bruno Fernandes voltava a assustar os de merseyside: primeiro, serviu Luíz Phellype, mas o peso das consoantes do brasileiro evitou que recepcionasse a bola à frente do guarda-redes; depois, um alívio de um cruzamento seu encontrou Wendel e o poste; finalmente, ofereceu um golo cantado a Ilori, mas este mostrou ter mau ouvido (o menor dos seus problemas). Diga-se de passagem que os laterais leoninos estavam a ser os piores em campo, com Borja permanentemente ultrapassado na esquerda e Ilori a solicitar demasiadas vezes o apoio dos bombeiros voluntários do socorro, tendo Bruno, numa das ocasiões, acorrido como 112 (só lhe falta substituir Renan). Até que, num minuto, algumas coisas que aqui vamos perorando se materializaram: Vietto, por duas vezes, mostrou não ser um finalizador; Ilori teve mais um AVC, e os "reds" adiantavam-se no marcador em cima do intervalo.

 

Na reatamento, Thierry Correia substituiu Borja na esquerda. Apesar de não ser a sua posição natural, a verdade é que o lateral leonino logo se destacou com um vistoso passe de trivela (para disfarçar não ter pé esquerdo) a isolar Wendel na esquerda. Logo de seguida, de um outro passe seu para Wendel se iniciou uma triangulação que também envolveu Bruno Fernandes, seguida de uma devolução do maiato ao brasileiro da qual resultaria o golo do empate (e que golo, lindo!). E ainda foi arrancar posteriormente um cruzamento venenoso para a área! O Sporting trocava bem a bola, com mudanças de posição entre jogadores e Doumbia muito atento sempre a compensar perdas de bola e a dobrar os defesas em caso de necessidade. Mas com o tempo, o jogo acabou por ir perdendo qualidade, essencialmente porque não foi possível acompanhar o ritmo elevado a que se jogou a primeira parte e, também, devido à quebra do ritmo de jogo provocada pelas inúmeras substituições operadas por ambos os treinadores. Mas ainda houve oportunidade para Thierry voltar a brilhar em missão defensiva, agora à direita, e para os miúdos Nuno Mendes e Quaresma confirmarem que têm nervo e qualidade. 

 

Ao quarto jogo da pré-época, o Sporting realizou a sua melhor exibição. A equipa continua a crescer, com Renan a oferecer segurança, Mathieu (sempre no sítio certo) a confirmar-se como patrão e Wendel (muito bom jogo) e Bruno Fernandes a serem indispensáveis à manobra colectiva. Estes 4 têm sido a espinha dorsal da equipa, a qual bem se deveria poupar a sustos provocados por equívocos como a colocação de Ilori à direita (ou em qualquer lugar fora da bancada), ou a tentativa de fazer de Vietto um organizador de jogo, seja a partir da ala ou do meio, ele que é um segundo avançado. (Ou como um sonho de Varandas ameaça dar pesadelos a Keizer.)

 

O Sporting continua a sofrer golos aos pares. Dois de cada vez, oito em 4 jogos. Em sentido contrário, já marcámos em sete ocasiões, tendo Bruno Fernandes feito 4 golos e eferecido outros 3. Mais palavras para quê? Mais do que hiper-inflacção de alas, o nosso mal é a hiper-dependência do maiato. Os reforços (desde Janeiro) pouco se vão vendo, com excepção de Doumbia, que confirmou as boas indicações do ano passado. O marfinense, tal como Luíz Phellype (este ainda a precisar de mais treinos), dada a sua massa corporal é um jogador que precisa de estar muito bem fisicamente para ter rendimento.

 

No Sporting, pensamos sempre que estamos a ser injustos com as primeiras impressões que alguns reforços nos deixam. A prudência leva-nos a contemporizar, transigir, condescender, 90 minutos após 90 minutos, até ao dia em que a realidade choca de frente connosco e temos de nos ver livres deles. Mas como a natureza tem horror ao vazio, e a bilis precisa de actuar, sentimo-nos no direito de ser taxativos com a nossa Formação. Com eles, decretamos: não prestam. Nem que para isso nos bastem 10 minutos de observação. E parece que toda a gente queda satisfeita assim, ficando amplamente justificado o investimento em quem vem do exterior. (Ainda me lembro das caixas de comentários quando eu escrevia que o Alan Ruiz jogava de saltos altos.) Claro que quando os nossos jogadores vão lá para fora, percebemos que outros povos pensam de uma outra forma. Por isso, os Renato Sanches e os João Mário jogam menos tempo, pois o que interessa é o rendimento demonstrado em campo. Também é certo que quando olhamos para as nossas contas sentimos que algo está errado... Como não gosto da nossa abordagem, e penso que deve existir, isso sim, uma maior exigência com quem vem de fora (porque tem um custo de aquisição e tem de provar ser melhor do que os que formamos), considero da mais elementar justiça destacar aqui a exibição de Thierry Correia, que teve um duplo lançamento de fogo, contra o campeão europeu e a jogar a maior parte do tempo fora da sua posição, e mesmo assim deu boa conta do recado, deixando muito boa gente a pensar no racional do investimento de 7,5 milhões de euros (€5 milhões+ Mama Baldé) em Rosier. (Para não falar no dinheiro investido noutros jogadores, numa altura em que continuamos a não colocar os excedentários que pesam mais na conta de exploração e todos os recursos deveriam ter sido canalizados para tentar segurar Bruno Fernandes e, se possível, na aquisição de um ponta de lança com maior mobilidade fora da área que os actuais e igual eficácia dentro dela.) 

 

Para finalizar, há que dar o mérito ao plano de jogo de Keizer, pela forma como fomos conseguindo tirar a bola da zona de pressão, evitando assim as cargas inglesas, e mudando de flanco para os desorganizar. É que não é todos os dias que nos batemos de igual para igual com um campeão europeu, pese embora o luxo que é ter um Bruno Fernandes. Lamento, no entanto, que o treinador holandês seja sempre tão renitente em dar oportunidades reais aos jovens da nossa Academia, como hoje mais uma vez se provou com a teimosia de aposta em Ilori para lateral direito. Já chega de justificar uma contratação. Não correu bem, ponto. Final. (Espero que Vietto ainda venha a provar a sua utilidade, pois não estou a ver Keizer tirá-lo da equipa.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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21
Jul19

Interlúdio publicitário - Expressões da Língua Portuguesa


Pedro Azevedo

"Deus DANONE a quem não tem dentes" - Sporting vs aproveitamento de Bas Dost

"FIAT na Virgem e não corras" - Sporting vs Merih Demiral (família Agnelli) e Formação

"Quem sabe, SAAB" - Sporting vs Bruno Fernandes (Fica Bruno!)

"Meter o ROSSIO na Rua da Betesga" - Sporting vs Luciano Vietto (patrocínio CML)

"Quem vê CARAS, não vê corações" - Sporting vs empresários do futebol

"Nunca mais é SÁBADO!" - Sporting vs jejum no campeonato nacional

19
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Juventude inquieta


Pedro Azevedo

A pré-época é pródiga em experiências. Essas experiências normalmente transmitem sinais. Se temos um lateral direito de raíz no banco (Thierry) e adaptamos um central (Ilori) à posição, então não é preciso ser-se o (Detective) Correia para compreender o que se irá passar no futuro. 

 

A primeira parte foi muito má. Na ala, Vietto não desequilibrou nada à frente e também não equilibrou atrás, pelo que a continuar assim promete só fazer a diferença nas contas. Sobrou para Abdu Conté, que muitas vezes apanhou com 2 adversários pela frente, um dos quais um diabrete com nome de Dennis (o Pimentinha?) e enganador apelido de Bonaventura. A custo, Neto e Mathieu lá foram colando os cacos, contando também com a falta de pontaria dos avançados do Brugge. Numa jogada de insistência, os belgas adiantaram-se no marcador, com um jogador deixado completamente solto na área, por a defesa dos leões o ter tentado pôr em fora de jogo esquecendo-se que Abdu Conté tinha ficado para trás na tentativa de um corte de carrinho. Em cima do intervalo, e contra a corrente do jogo, de mais uma combinação entre Bruno Fernandes e Raphinha resultou novo golo leonino nesta pré-época, o terceiro com a assinatura exclusiva desta parceria. 

 

Para o segundo tempo, Vietto e Dost ficaram de fora. O argentino, que passou a primeira parte toda a sobrevirar para a direita (procurando o centro do terreno, sua posição natural, ele que é um segundo ponta de lança e portanto nunca recuará para pegar na bola onde Bruno Fernandes muitas vezes inicia a contrução), recebeu ordem para sobrevirar para a esquerda, que é como quem diz para sair do campo, porventura tornando-se assim mais útil à equipa. Entraram Jovane e o Felipe das Consoantes. Ter um ala que vai para cima deles (defesas) faz sempre alguma diferença, e o miúdo começou logo a dar nas vistas: primeiro, serviu Luíz Phellype para um remate venenoso, depois marcou o segundo dos leões. Na origem da jogada estiveram mais uma vez Raphinha e Bruno Fernandes (assistência). O cabo-verdiano deverá, no entanto, refrear os ânimos quando na sua área, evitando assim penalidades escusadas como a que resultou no golo do empate dos belgas. Renan mostrou mais uma vez porque não merece ser um patinho feio, pese embora Max seja muito promissor. O brasileiro salvou por duas vezes na mesma jogada o golo dos belgas. À terceira, Ilori mandou para canto. A partir daí massificaram-se as substituições. Bruno ainda teve um remate que quase ia dando golo e depois ficaram quase só miúdos em campo. E a verdade é que se mostraram mais à altura do que muitos dos reforços, em especial o Daniel Bragança, hoje a jogar como médio de ataque e a dar sempre ritmo ao jogo, o Nuno Mendes, que mostrou segurança, e o Plata, desta vez menos trapalhão e a libertar a bola na altura certa. Tempo ainda para Luíz Phellype encenar a fábula da lebre e da tartaruga. desta vez com uma conclusão bem mais lógica. (O brasileiro é daqueles jogadores que não estando em forma física é um a menos quando o Sporting tem a bola.)

 

Ao terceiro jogo da pré-época a sensação que fica é que estamos no mesmo patamar do fim da época passada. Não se consegue neste momento determinar se os reforços justificam o nome, para além de Neto (provável suplente de Coates e Mathieu) que promete vir a ser útil (Eduardo tem potencial, mas ainda é cedo para perceber até onde pode chegar). Os outros não tem feito a diferença, não havendo ninguém que se perspective um titular indiscutível. Em sentido contrário, Jovane mostrou que se tem de apostar mais nele, não só pelo que fez no ataque mas também pela cobertura que deu a Abdu Conté e que não existiu no primeiro tempo, e Daniel Bragança deixou água na boca, ficando à espera de o ver jogar com Wendel e Bruno Fernandes. Doumbia esteve mais solto e Eduardo Quaresma, que está connosco há oito anos, continua a deslumbrar pela personalidade que demonstra jogo após jogo, tendo hoje mostrado estar completamente à vontade contra uma equipa formada por jogadores experientes e de bom nível. O que parece óbvio é que nos falta um ponta de lança que tenha mobilidade e simultaneamente seja decisivo na área. Uma pecha não colmatada desde a saída de Slimani, embora um jogador com um pouco de mais tecnica, que combinasse melhor com a equipa, na linha de um Liedson, igualmente capaz de pressionar a saída de bola adversária, fosse uma grande contratação. O problema é que essa deveria ter sido uma prioridade antes da contratação dos 5 jogadores do Mercado de Verão.

 

Para terminar, nos desequilíbrios atacantes a equipa parece totalmente dependente de Bruno Fernandes e de Raphinha: tendo o Sporting até agora marcado 5 golos nestes 3 jogos, Bruno marcou 3 e produziu duas assistências; já Raphinha participou até agora em 4 golos. Como tal, não é preciso ser "Brugge" (nem Ristovski) para adivinhar o que seria esta equipa sem o Bruno. 

 

P.S. Os meus sentimentos pelo falecimento do nosso antigo treinador Robert Waseige, por quem hoje foi respeitado um minuto de silêncio antes do início do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

brugge.jpg

14
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus(2) - Notas musicais


Pedro Azevedo

Inspirado em Fernando Santos, Keizer tentou a sua sorte ao mudar vários jogadores da sua posição natural. Esqueceu-se que está no clube onde já tudo foi tentado e inventado, e em que a Teoria do Caos iniciada no accionamento dos flaps de um avião numa viagem Salzburg/Lisboa teve como consequência a demissão de um grande treinador, a fatalidade que deixou paraplégico um dos nossos mais promissores jogadores e a perda do campeonato. Ainda assim, após Eduardo Quaresma ter actuado como lateral direito no primeiro jogo, coube agora a vez a Tiago Ilori, e Vietto e Matheus Pereira mantiveram-se a jogar em posições trocadas. Eis a análise individual aos leões:

 

Renan - Dia propício à utilização de adágios populares, com "cada tiro, cada melro" a rivalizar com "cada cavadela, cada minhoca".Trocando por miúdos, dois remates à baliza, dois tiros indefensáveis, dois golos. Há dias assim.

Nota: Mi

 

Luis Maximiano - No mesmo lance, primeiro foi capaz de identificar transferências e transformações de energia no movimento vertical de queda e ressalto da bola, depois, através da recta de regressão, soube calcular em fracções de segundo a altura do ressalto e o ponto óptimo de conexão com a bola. Não sei como será a sua carreira no Sporting, mas não tenho dúvidas sobre o seu futuro na física. Piada de Verão, de praia a pedir um gelado fresquinho: no meio de um ou outro perna-de-pau e de um Cornetto, ou Vietto, ou lá o que é, ele foi um Super Max. 

Nota: Si

 

Tiago Ilori - No centro ou na direita da defesa, o seu rendimento é sempre constante. Quer dizer, constantemente mau, bem entendido. 

Nota:

 

Thierry Correia - Se a invencibilidade está na defesa, a possibilidade de vitória está no ataque. Para já tem-se defendido bem dos ataques. Mais ousadia na frente e poderá ficar indefeso face ao... elogio. 

Nota: Sol

 

Neto - Santos da casa não fazem milagres e assim Neto safou-se por não haver VAR em St Gallen.

Nota:

 

Mathieu - Depois da sua, e da dos seus dois filhos, o francês vive agora a sua terceira infância ao lado do Neto. Está para durar.  

Nota:

 

Eduardo Quaresma - Quaresma implica alguns sacrifícios, tais como os suiços deixarem de marcar golos com ele em campo.

Nota:

 

Abdu Conté - Conté(m) com ele...

Nota:

 

Nuno Mendes - De que adianta ter o jovem perfeito, se quem nos agrada é aquele que não é bom (Borja)?

Nota: Sol

 

Eduardo - Na melhor nódoa caiu o pano do primeiro tempo. E com ele, o primeiro golo dos suiços.

Nota: Mi

 

Doumbia - À beira de um ataque de nervos. Já que estamos na Suiça, um jogo contra o Neuchatel Xanax poderia ajudar a acalmá-lo. 

Nota: Mi

 

Wendel - E se de repente um "desconhecido" (irreconhecível em campo até aí) lhe oferecer "flores" (sob a forma de um grande golo), isso é impulso de um bom jogador na calha para o estrelato.

Nota: Sol

 

Miguel Luís - A confiança perdida é difícil de recuperar. Ela não cresce como as garras de um leão ou, no caso, actual, de um gatinho. 

Nota: Mi(au)

 

Bruno Fernandes - Como dizia Cassius Clay, um campeão é feito de um desejo, um sonho, uma visão. E depois, de talento, claro. Bruno Fernandes é um campeão!

Nota:

 

Matheus Pereira - Às vezes interrogo-me se quer ficar. Voltou a insistir naquele jogo de cabine telefónica que tem marcado este seu reencontro com os leões. 

Nota: Mi

 

Raphinha - Voltou a estar envolvido num lance de golo. Participativo.

Nota: Sol

 

Camacho - Discreto, passou ao lado do jogo.

Nota: Mi

 

Vietto - Não vi "etto"... Com Matheus Pereira isolado na direita, insistiu no drible e perdeu a bola... 

Nota: Mi

 

Plata - Os alas que nos agarram ao jogo seguram a bola como se tivessem uma tenaz. Não é o caso do equatoriano. A diferença entre ser tenaz ou ter tenaz.

Nota: Mi

 

Luíz Phellype - Mais em jogo que na partida anterior, ainda não é o Felipe das Consoantes a que nos habituou. À procura da melhor condição física.

Nota:

 

Bas Dost - "Cheguei, vi e não venci". Pouca bola.

Nota: Mi

 

13
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Super Max


Pedro Azevedo

O Sporting visitou a cidade de St Gallen, famosa por uma Abadia erigida (Século VIII) em memória de São Gall (ou Gallus) - discípulo irlandês de São Columbano em missão de pregação da palavra de Deus naquela zona nos séculos VI e VII depois de Cristo - onde certamente os leões terão tido uma boa oportunidade de pedir perdão pelo equipamento utilizado hoje, em especial o calção verde-chocante.

 

A penitência veio sob a forma de um jogo contra a equipa local que milita no 1º escalão do futebol suiço. E a verdade é que durante a primeira parte a equipa mostrou-se à altura da redenção. Alinhando de início com 6 titulares do encontro anterior (Renan, Neto, Mathieu, Wendel, Bruno Fernandes e Raphinha), o jogo não poderia ter começado melhor para os leões, que logo aos 2 minutos inauguraram o marcador. O autor do golo foi uma vez mais Bruno Fernandes, de recarga após um primeiro remate de Raphinha defendido pelo guardião helvético. Uma vez mais, maiato e brasileiro envolvidos num golo, eles que já haviam sido preponderantes contra o Rapperswil. Assinale-se que durante este período o Sporting mostrou boa dinâmica e trocas de bola com intenção, com destaque para as subidas constantes do lateral Abdu Conté, perdendo várias oportunidades de dilatar o marcador, desde um remate de Bruno Fernandes brilhantemente defendido pelo guardião helvético até uma perdida incrível de Ilori quando se encontrava praticamente encostado ao poste. O 2º golo acabaria pois por aparecer com naturalidade, com Wendel a disparar um míssil à entrada da área após um excelente passe de 30 metros de Bruno. Só que um erro de principiante de Eduardo na cabeça da área iria permitir aos suiços regressar ao jogo antes do intervalo. Deste primeiro tempo, menções honrosas para Bruno Fernandes ("who else"?), Neto, Mathieu, Conté, Wendel e Raphinha. Em sentido contrário, Camacho voltou a não deslumbrar, o mesmo se passando com Eduardo e Ilori, enquanto Luíz Phellype ainda se mostra sem ritmo, ele que é um jogador pesado e que precisa de estar na sua melhor forma física para ter o melhor rendimento.

 

A etapa complementar voltou a revelar a escassez de opções de qualidade da equipa do Sporting. Vietto passou ao lado do jogo, numa permanente indefinição entre a ala e a zona central do terreno, Doumbia não mostrou segurança na saída de bola, Matheus voltou a apresentar um futebol miudinho no centro para onde foi deslocado por hiper-inflacção de alas, Plata revelou-se trapalhão (não cola a bola ao pé), pelo que os melhores acabaram por ser 3 miúdos da nossa Formação: Thierry Correia (melhor a defender do que a atacar), Nuno Mendes (afoito pela banda esquerda) e Max. Este último foi providencial no empate obtido pelo clube de Alvalade, parando com enorme classe duas grandes oportunidades helvéticas.

 

À laia de conclusão, mais do que continuarmos a enterrar a cabeça na areia com a desculpa das cargas físicas e dos jogos-treino - diz-me como treinas, dir-te-ei como jogas - , o que fica claro é que falta qualidade para acompanhar Bruno, Mathieu, Acuña, Raphinha ou Wendel. Os reforços (12 desde o Inverno), com excepção de Neto, não sendo maus jogadores (gosto muito de Matheus Nunes que não foi para estágio, e Doumbia é daqueles jogadores que precisa de encontrar a sua forma física para ter rendimento), não acrescentam nada de especial às lacunas que já tínhamos, pelo que uma eventual saída de Bruno Fernandes, mesmo que colmatada com alguma nova aquisição, irá enfraquecer fortemente a nossa equipa. O contrário, só por milagre. E Almada City vir para Lisboa estou em crer não ser um milagre suficiente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Max

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