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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

01
Jan20

A Liga


Pedro Azevedo

Começa um novo ano, e com tal efeméride lembramo-nos que em Portugal há uma competição denominada de Primeira Liga, o nosso campeonato nacional. Uma prova de regularidade em que a frequência de jogos nada tem de regular. Por exemplo, em Outubro quase não se jogou, em Novembro o campeonato parou 3 semanas e desde o dia 16 de Dezembro que não se joga. Curiosamente, desde que em Portugal foi declarada a trégua de Natal, em Inglaterra disputaram-se 4 jornadas da Premiership, o que tudo somado faz com que em terra de sua majestade a Raínha Isabel a principal competição já vá na 21ª jornada. Nós, por cá, vamos na 14ª... "Devagar, devagarinho se vai à Ribeira Grande", e não pode haver muitos jogos de seguida porque os treinadores portugueses começam logo a queixar-se da intensidade do calendário e que não têm tempo para treinar. É que treinar obriga a muito estudo. Por exemplo, não é fácil passar noites em claro à frente de um terminal da Carris a ver como os funcionários da empresa arrumam os autocarros, algo que 70% dos treinadores da 1ª Liga dedica-se a replicar num campo de futebol. Claro está que quando um dia regressar o campeonato as equipas perdedoras nessa efeméride queixar-se-ão de falta de ritmo de competição, o que também está bem. Afinal, se dar desculpas é o passatempo favorito dos portugueses, por que razão os nossos treinadores haveriam de ser diferentes? 

 

Dizem que o futebol deixou de ser um espectáculo para ser um negócio? Só se for no estrangeiro, em Portugal um negócio é que não é. Até porque um negócio implica consumidores, e a vontade de dirigir o foco para estes não faria um campeonato nacional parar tantas vezes ao ponto de nos esquecermos que essa competição existe. Em países como a Alemanha existe a paragem de Inverno por as condições climatéricas serem muito adversas à prática do futebol; em Portugal, país abençoado com um clima temperado, fazemos a pausa de Inverno e a de Outono. E como no Verão o campeonato já acabou, basicamente só não se pára na Primavera. Na verdade, o nosso campeonato é como a Prima Vera, aquela prima distante que vemos poucas vezes ao longo do ano. E quando os nossos emigrantes nos visitam no Natal não há campeonato. Não, imediatamente antes da paragem, preferimos fazer uns joguitos a contar para a Faca na Liga, perdão, Taça da Liga, que é assim uma coisa capaz de criar um entusiasmo semelhante a observar o salto de uma pulga. 

 

Os clubes, que aprovam regulamentos e elegem direcções da Liga, são os grandes culpados. Habitualmente há jogos onde nem 1000 espectadores estão presentes, não existe centralização na Liga dos direitos de TV, as assimetrias entre grandes e pequenos/médios são bárbaras devido à diferença de orçamentos, a intensidade dos jogos ressente-se disso, existe uma dependência notória dos clubes inferiores com tudo o que isso pode significar em termos de se desvirtuar o espírito da competição e a solução para tudo isto é o campeonato parar e não haver receitas. Uma e outra e outra vez. Um campeonato que, nos moldes actuais, também ele pouco sentido faz, com meia-dúzia de equipas que efectivamente joga para ganhar e todas as outras à procura de não perder. 

 

Mas há quem defenda isto. Inclusivé, apontado ao bom desempenho luso este ano na UEFA. É como ver o topo de uma montanha e ignorar o resto, ou elogiar o fraque do cavalheiro sem cuidar que está de tanga e descalço. Aliás, se continuarmos neste ritmo super-intenso no campeonato nacional, estou convencido que um clube português vencerá a Liga Europa. Pudera, todos fresquinhos enquanto os outros se andam a desgastar por essa Europa fora... E com muito tempo para treinar... o encanar a perna à rã.

 

UM ÓPTIMO ANO DE 2020 A TODOS OS LEITORES DE CASTIGO MÁXIMO E, EM ESPECIAL, A TODOS OS SPORTINGUISTAS!!!

28
Jan19

Faca na Liga


Pedro Azevedo

Na última semana, o futebol português teve a sua sede em Braga. A pretexto da Final Four da Taça da Liga, o presidente da Liga, Pedro Proença, convidou os clubes para uma reflexão sobre o futebol português. Interrogado por repórteres no final do jogo decisivo da Allianz Cup, Proença declarou, em jeito de balanço, que "tudo correu muito bem". Mas correu?

 

Comecemos pelos presidentes e pelo que deixaram transparecer: António Salvador disse de um árbitro o que Maomé não afirmou sobre o toucinho, Frederico Varandas classificou as três reacções à perda de um jogo no contexto do futebol português como de "dignidade, histeria e cobardia", e Luis Filipe Vieira pediu a cabeça do "varíssimo". Só Pinto da Costa manteve a boca fechada. Atenção, com esta resenha não estou a concentrar as criticas no que foi dito, muito menos no presidente do Sporting (expressou a realidade) que se não tem falado iria ouvir muitos reparos de adeptos e sócios sportinguistas (preso por ter cão, preso por não ter...), mas apenas sensibilizar no sentido em que isto traduz o actual ambiente à volta do jogo em Portugal, perante o qual não se deve assobiar para o ar.  

 

Dos treinadores também se ouviram os ecos: Abel Ferreira foi (a)bélico, de punho fechado contra a mesa, ar esgazeado, bramindo a voz contra a arbitragem do jogo do Braga. Sérgio Conceição reendereçou a medalha de finalista para as bancadas e tomou a iniciativa de retirar a sua equipa do relvado quando o Sporting se preparava para subir à Tribuna para receber a taça. Mesmo Bruno Lage disparou um timido "entre o é e o não é há uma diferença enorme". Apenas Marcel Keizer se conteve, ele que viu a sua equipa ser coroada como campeã de inverno.

 

Todos estes sinais demonstram à evidência que as coisas não estão bem e que dificilmente melhorarão se não forem tomadas medidas e/ou se as entidades competentes não agirem, sob pena de a violência verbal se continuar a alastrar aos adeptos até ao limite da insanidade e da violência física. Certos comportamentos em conferências de imprensa são absolutamente inadmissíveis e outros demonstram uma falta de "fair-play" que não se coaduna de forma alguma com o espírito das grandes competições.

 

Pegando no caso de Sérgio Conceição, alguém imagina as principais ligas europeias, ou a UEFA, contemporizarem com a ausência de uma das equipas na hora da entrega de um troféu? No futebol existem geralmente 3 resultados possíveis, numa final apenas dois. Quem não está preparado para perder, também não saberá ganhar. Há que perceber que, num determinado dia, uma equipa pode ser melhor do que a nossa ou, simplesmente, ter mais sorte. E isso deve ser aceite por todos, na medida em que, fazendo-o, se está a dignificar a própria competição. Sérgio, de alguma maneira, até o reconheceu na análise ao jogo, infelizmente não o fez pelos actos. Acresce que, ao dizer que o adversário não precisava da presença do Porto para levantar a Taça, Conceição nega o espírito que devia nortear as grandes competições, de honra aos vencidos, glória aos vencedores. Porque a vitória do Sporting tem outro mérito por haver outra equipa igualmente bem preparada, como é o caso do Porto, que poderia perfeitamente também ter triunfado. Nesse sentido, abandonar o relvado na hora da consagração do rival é sair sem honra nem glória. E é não saber valorizar o esforço da sua equipa para tentar atingir a glória e a própria competição. Maus sinais, portanto. Por isso, Sérgio Conceição, treinador com quem até simpatizo, desta vez esteve mal. Muito mal. É tempo de arrepiar caminho e todos, efectivamente, reflectirem - mais evidências e menos aparências - , pois o futebol português não pode estar sitiado por um conjunto de "bullyers" que condicionam a atitude dos adeptos - hoje mais mobilizados "politicamente" do que pelo amor ao belo jogo - e não deixam vir à ribalta os verdadeiros protagonistas: os jogadores.

sergio conceição.jpg

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