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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

22
Fev20

Quiz45 - A primeira grande estrela


Pedro Azevedo

Proveniente do futebol profissional, foi a primeira grande estrela do futsal português num tempo em que a modalidade ainda era denominada de futebol de salão e tinha regras ligeiramente diferentes. Posteriormente, acompanhou a transição para o actual futsal. Todo ele era virtuosismo. Malabarista, fora de série, dada a sua rapidez, engenho e baixa estatura os mais chegados chamavam-lhe Topo Gigio, em alusão a um simpático e diligente  ratito que Rui Guedes introduziu na televisão portuguesa. De leão ao peito actuou durante 6 épocas de glória, muitas vezes conciliando-o com actuações nos EUA e Espanha. Nascido em Angola, viria a morrer cedo (aos 31 anos), devido a um enfarto de miocárdio ocorrido durante um jogo de futsal da sua equipa de então. Quem é?

26
Dez19

Os jogos da minha vida (VI)


Pedro Azevedo

5.11.1986  Sporting - Barcelona 2-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Virgílio (McDonald, aos 87 minutos), Venâncio, Duílio e Fernando Mendes; Oceano, Zinho, Negrete e Mário Jorge; Manuel Fernandes (Gabriel, aos 69 minutos) e Raphael Meade.

 

O Sporting ganhou o jogo, mas perdeu a eliminatória. Como tal, uma vitória à Pirro, "cortesia" de um golo tardio de Roberto, nome que ainda hoje me custa a pronunciar. A eliminação foi absolutamente injusta. A maior decepção (até aí) da minha vida desportiva, que combinada com o fim da idade da inocência me abriu os olhos e preparou para a resistência que seria necessário ter enquanto sócio e adepto do Sporting. 

 

A nossa equipa tinha uma das melhores alas esquerdas de que me recordo. O aniversariante Fernando Mendes, mais explosivo, e Mário Jorge, mais cerebral, formavam uma dupla de eméritos dribladores que punham a cabeça em água a qualquer adversário. Assim também ocorreu nessa noite de recepção aos catalães. Em particular Mendes, que endiabrado produziu as duas assistências para os golos do mexicano Negrete (1ª parte) e do inglês Meade (2º tempo). Por volta dos 70 minutos, o momento do jogo: o Sporting já vencia por dois golos sem resposta quando o lateral esquerdo leonino avançou por caminhos mais interiores até ser derrubado. Levantando-se antes que o árbitro pudesse apitar a falta, o jovem entrou na área isolado. A seu lado, sozinhos e em posição mais central, estavam Negrete e Meade, mas Mendes só teve olhos para a baliza, fitou Zubizarreta e tentou o chapéu. Os adeptos sustiveram a respiração enquanto a bola caía, caía, caía, mas não o suficiente para descer abaixo do travessão da baliza barcelonista, "optando" antes por se anichar, caprichosamente, no encordoamento exterior da malha superior. Ninguém presente no estádio o suporia, mas esse momento marcaria o canto do cisne dos leões. 

 

A 4 minutos do fim do encontro, a desilusão: o Sporting já dera a volta à eliminatória após uma derrota tangencial (1-0) em Barcelona e o jogo aproximava-se do seu termo. O resto foi o meu primeiro contacto com o fado leonino que vem moldando ao longo dos anos esta nossa estranha forma de ser. Dessa vez o agente do destino chamou-se Roberto. Poderia ter sido a estrela Lineker, o playmaker Marcos Alonso, ou o experiente internacional espanhol Júlio Alberto, mas, não, foi um Roberto, marionete de ocasião do Master Puppeteer que é o deus do futebol mundial. Erros próprios e má fortuna, a saga começava...

10
Dez19

Para mais tarde recordar(*)


Pedro Azevedo

Numa cadeira situada no A24, um homem contempla, ao fim da tarde, a silhueta dos seus consócios dispostos pela bancada poente oposta. 

Dada a hora, no relvado já se reflecte a sua sombra.

Muitos dos consócios, sentados em frente de si, brevemente irão partir. Ao amanhecer fartar-se-ão do maniqueísmo, do niilismo, das bravatas e da guerra e não voltarão. E a sombra, sua companheira de viagem, também irá com eles e com eles desaparecerá.

Mas ainda é fim da tarde. O homem busca um pedaço de papel e nele desenha o contorno da sombra.

Esses traços não irão partir.

Não festejarão em uníssono, e ele sabe-o. Mas não irão partir. 

 

(*) Adaptação livre do conto "A arte de desenhar-te", de Eduardo Galeano

31
Out19

Quiz 44 - Eterna saudade


Pedro Azevedo

Nascido em Lisboa mas com raízes galegas, jogou nos juniores e reservas do Sporting no auge da hegemonia dos leões no futebol nacional. Como dirigente começou nas camadas jovens, mais tarde avançando para o futebol profissional. Foi campeão logo no 1º ano em que assumiu a pasta de Director do Futebol, posteriormente afastando-se do cargo. Regresso triunfante viria a ter 20 anos depois, novamente coroado com o título de campeão nacional. Sempre na companhia do seu fiél amigo José Manuel Torcato, outro homem de grande dedicação ao nosso clube. Quem é?

 

Resposta: Manolo Vidal. Antigo futebolista (extremo esquerdo) das camadas jovens e reservas do Sporting, foi como dirigente, primeiro no futebol de Formação e depois no futebol profissional, que Manolo Vidal mais se destacou. Formando dupla com José Manuel Torcato, este homem de raízes familiares que o uniam à Galiza foi providencial na conquista do título de 80. Regressaria mais tarde ao clube, a convite de Luis Duque, e novamente sob bons auspícios, integrando o elenco campeão nacional em 2000 que interrompeu uma "seca" de 18 anos. Faleceu em 22 de Maio de 2012, aos 82 anos. 

 

Vencedor do Quiz: Luis Ferreira. Também acertaram os Leitores LA Ferro, LeãoSempre, João Santos e Alberto Miguel. Parabéns, e o meu agradecimento a todos! 

29
Set19

Don't cry for me Sporting!


Pedro Azevedo

Deixo aqui a sugestão a todos os Sportinguistas para procurarem nas Gravações Automáticas da vossa "box" o programa a "A Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio" transmitido na madrugada de Sábado para este Domingo, pelas 01H50, na RTP3. Este programa, apresentado por Carlos Manuel Albuquerque e com os comentadores residentes Rui Manuel Tovar e João Nuno Coelho, contou desta vez com a participação especial, no estúdio, da viúva do nosso grande Hector Yazalde. Os mais saudosistas poderão recordar imagens de vários golos do Chirola, os mais novos e que nunca o viram jogar poderão conhecer melhor este fantástico jogador. Acresce que Carmen Yazalde conta várias histórias que atestam que, para além de grande goleador, o argentino foi um homem com um coração generoso e bom. Que tinha um grande amor ao Sporting. Emocionante, tocante, a não perder! Viva Yazalde (sempre na nossa memória), viva o Sporting!

 

P.S. Para saber mais sobre Yazalde, não perder as excelentes entrevistas de Rui Miguel Tovar a Carmen Yazalde sobre a vida do nosso ex-jogador (disponíveis na "net").

hector yazalde.jpg

11
Ago19

Os jogos da minha vida (V)


Pedro Azevedo

14.12.1986  Sporting - Benfica 7-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Gabriel, Venâncio, Virgílio e Fernando Mendes (Duílio, aos 79 min.); Oceano, Litos (Silvinho, aos 79 min.), Zinho e Mário Jorge; Raph Meade e Manuel Fernandes.  

 

O Sporting vs Benfica de 86 é o único jogo desta série que não presenciei ao vivo, facto do qual jamais me perdoarei. Por sortilégio, o que perdi "in loco" em emoção ganhei em explicação racional do que se passou em campo. É verdade, enquanto estudava para uma Frequência de Economia calendarizada para o dia seguinte, o jogo proporcionar-me-ia a aplicação prática das teorias do liberalismo, simbolizadas na expressão "laissez faire, laissez passer" com que a defesa encarnada pretendeu ilustrar os conhecimentos teóricos que eu ia adquirindo nos livros e cadernos de apoio.  

 

À cautela, deixara a aparelhagem sintonizada numa estação radiofónica que cobria o derby. Eu, no meu quarto, à secretária, a aparelhagem na Sala de Estar com o som baixinho. Cerca de 20 metros nos separavam, distância fulminantemente superada logo ao quarto de hora quando Mário Jorge inaugurou o marcador. Seguiu-se uma hora relativamente tranquila, sem grande volatilidade nos decibéis que vinham de outra divisão da casa, que me permitiu concentrar na matéria em atraso. Chegou então a catarse de uma meia hora final feita de constantes piscinas naquele corredor que separava a zona dos quartos das áreas comuns. Desse transe e até à rendição final distaram poucos minutos. A emoção acabaria por vencer a razão, o Sporting nocautearia de uma só penada Adam Smith, Locke, Burke, Bentham, Malthus e Marx. O som da aparelhagem já não estava baixinho e o vizinho de baixo, benfiquista convicto, fazia questão de o notar a toque de cabo de vassoura, anunciando sarilhos. Sarilhos, origem do nosso Manél, imparável nessa tarde. O jogo acabara e era hora de celebrar. Sózinho em casa, olhei para o meu Dual, gira-discos com uma base em madeira onde afinfara três pancadinhas de sorte antes do jogo começar. Em cima do tampo em vidro da geringonça havia um LP e um Single. Por uma vez o recém-importado "Love will tear us apart" dos Joy Division de Ian Curtis ficaria para trás, vergado pelo peso de Mr James Brown, o "Padrinho do soul". I feel good!... 

10
Ago19

113 anos de história, 13 glórias - o meu voto


Pedro Azevedo

O Sporting está a eleger, no seu sítio oficial (https://www.sporting.pt/gloriassporting), durante o mês de Agosto, 9 figuras do seu ecletismo que irão ser imortalizadas em espaço próprio no Pavilhão João Rocha. Os eleitos juntar-se-ão a outras 4 glórias - António Stromp, Mário Moniz Pereira, Reis Pinto e Salazar Carreira - previamente escolhidas pelo Conselho Directivo, perfazendo assim o número de 13 personalidades homenageadas. Os sócios que quiserem votar terão de escolher 5 atletas entre os 20 nomeados na categoria de desportos colectivos e outros 4 atletas entre os 20 nomeados na categoria de desportos individuais.

Eis o meu voto, entretanto já registado (por ordem de disposição no "site"): António Livramento, Bessone Basto, Carlos Silva, Chana, Manuel Brito, Alfredo Trindade, Carlos Lopes, Fernando Mamede e Joaquim Agostinho. 

Todos os momentos de exortação da Cultura Sporting e sua identidade merecem o meu aplauso, pelo que peço a todos os Leitores de Castigo Máximo que sejam sócios do Sporting Clube de Portugal para aderirem a esta iniciativa, votando. Participem! 

04
Ago19

Os jogos da minha vida (IV)


Pedro Azevedo

01.06.1980  Sporting - UD Leiria 3-0

 

A nossa equipa: Fidalgo (Vaz, aos 80 min.); José Eduardo, Eurico, Bastos e Barão; Meneses, Ademar e Fraguito; Manoel, Manuel Fernandes e Jordão. 

 

As imagens que retenho são as de um estádio cheio como nunca (ainda com o antigo peão), um ror de gente na recém-inaugurada pista de tartan (substituiu a de cinza) circundante ao relvado, um cordão policial a impedir que os adeptos ultrapassassem as linhas laterais, o golo de Manuel Fernandes que inaugurou o marcador e o mar verde-e-branco que engoliu Jordão após o terceiro golo. Lembro-me também que o Leiria tinha dois Dinis, o mais velho dos quais o "brinca-na-area", nossa antiga glória já em final de carreira. Recordo-me também da festa, a primeira que vivi "in-loco", da invasão de campo por adeptos eufóricos após o apito final, do ar de satisfação de meu pai e do alívio que senti pela concretização de algo que já se perspectivava no regresso daquela minha viagem no Comboio Verde a Guimarães.

 

Como demorara a passar essa semana. No fim de semana anterior, tinha ido com o meu pai à Cidade Berço. Estava atrás da baliza onde o Manaca fez o auto-golo, acto perfeitamente involuntário e cobardemente aproveitado pelo nosso adversário de ocasião. Na verdade, o nosso antigo jogador saltara entre dois leões e para sua desventura vira a bola tocar-lhe (creio que) na nuca e surpreendentemente anichar-se nas redes vimaranenses. Mas esse não foi o únco facto insólito desse jogo: a poucos minutos do fim, Fidalgo fez uma defesa "impossível", estirando-se para a sua esquerda e assim defendendo um remate com selo de golo do ex-leão Vítor Manuel, perdendo posteriormente os sentidos ao embater no poste e acabando o jogo com a cabeça toda entrapada. Ainda hoje estou convencido que esse momento de bravura do nosso guarda-redes garantiu-nos o campeonato. No comboio, de regresso a casa, recordo ainda o susto em Campanhã, com as carruagens a serem atacadas com pedras de calçada vindas da gare onde se encontravam adeptos portistas, uma forma singular de ver o desporto por parte de adeptos fanáticos que ainda hoje infelizmente pululam um pouco por todos os clubes.

 

Uma semana depois, éramos campeões! Um título que nunca esquecerei, porque teve um sabor especial. Comigo já neste mundo, o Sporting havia ganho o campeonato de 1970, façanha de que não guardo qualquer memória. Já do de 74 eu tenho uma recordação, mas para mim foi um campeonato radiofónico. Assim, o de 80 foi o "meu" campeonato, aquele que acompanhei nos estádios, em que vivi a gesta daquela dupla jornada final e pude sentir de perto as esperanças e ansiedades dos nossos adeptos até à consagração final.

 

Em 1980, o Sporting não tinha o melhor conjunto de jogadores. É certo que Manuel Fernandes e Jordão eram excelentes, Eurico um patrão na defesa e Fraguito um mago do passe, mas globalmente a qualidade do plantel era inferior à dos nosso rivais. Só que no final ganhámos nós, mérito certamente também dos treinadores Fernando Mendes e Rodrigues Dias (entretanto substituído) e do preparador físico Radisic. Não sei se isto poderá servir como motivação ou exemplo para um grupo - eu gostaria que sim - , mas se há ocasiões em que o todo é muito superior à soma das partes, então a gloriosa campanha de 80 é uma delas, provando que com esforço, dedicação e devoção não há impossíveis. Que hoje, no Algarve, a nossa equipa ponha os olhos nisto!

02
Ago19

Os jogos da minha vida (III)


Pedro Azevedo

07.09.1988  Sporting - Ajax 4-2

 

A nossa equipa: Rodolfo Rodriguez; João Luiz, Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Oceano, Carlos Manuel e Litos; Silas, Paulinho Cascavel (Rui Maside, aos 58 min.) e Forbs (Carlos Xavier, aos 82 min.).

 

A Holanda acabara de se sagrar campeã europeia. Nessa equipa, o Ajax tinha 4 elementos: o dúo Arnold Muhren/ Jan Wouters, títulares no miolo da Laranja Mecânica no Euro-88, o médio Aron Winter e o ala John Van`t Schip. Para além destes, os lanceiros tinham como destaque o guarda-redes Stanley Menzo - precursor no futebol mundial da ideia do guardião como líbero - , o defesa Frank Verlaat, os irmãos Witschge (Rob e Richard), o ponta de lança sueco Stefan Pettersson (eleito melhor jogador sueco em 87) e o craque que despontava, o genial Dennis Bergkamp.

 

Em contraposição, no Sporting vivia-se o período das "unhas". Jorge Gonçalves ascendera à presidência e com ele trouxera o guarda-redes uruguaio Rodolfo Rodriguez, os brasileiros Douglas, Silas e Ricardo Rocha, o sueco Eskilsson e o português Carlos Manuel, o "herói de Estugarda". O treinador era o também uruguaio Pedro Rocha, um dos melhores jogadores de sempre da selecção celeste. o único que disputou 4 fases finais de campeonatos do mundo.

 

Vivia-se um tempo novo em Alvalade. Após uma presidência marcante de João Rocha, o seu vice, e sucessor, Amado de Freitas pouco tempo estivera no cargo. Seguiu-se-lhe Jorge Gonçalves, o "bigodes", e com ele uma onda de euforia que viria rapidamente a desfazer-se por entre um mar de problemas financeiros. Mas, à data deste jogo, o ambiente ainda era de esperança e entusiasmo...

 

Sporting e Ajax defrontavam-se pela primeira vez na sua história, em jogo a contar para a 1ª mão da primeira eliminatória da Taça UEFA. Para mim, uma ocasião especial, pois iria ver ao vivo uma equipa cujas camisolas míticas e escola de futebol total me impressionavam desde a década anterior, quando Krol, Haan, Neeskens, Piet Keizer (tio do nosso actual treinador), Rep e Cruijff brilhavam a grande altura. Logo de início, uma tabelinha entre Oceano e Silas permitiria ao primeiro inaugurar o marcador. Pouco tempo depois, Pettersson igualava, de cabeça. Novo ataque do Sporting e Forbs é derrubado na área. Na conversão da penalidade, Paulinho Cascavel volta a dar vantagem ao Sporting, no clássico guarda-redes para um lado, bola para o outro. Ainda antes da meia-hora, insistência de Silas pela direita, passe para João Luiz, e do cruzamento deste, deflectido pelas pernas de Verlaat, resultaria novo golo dos leões. Em cima do intervalo, José Manuel Forbs, completamente isolado na área, perde a oportunidade de dilatar o activo. No reatamento, Oceano desperdiça nova chance de golo. Até que Silas, isolado por Carlos Manuel, cava um penalty no frente-a-frente com Menzo. Na sequência, Litos amplia o resultado. Perto do fim, o sueco Pettersson bisaria na partida, devolvendo a esperança aos holandeses de virarem a eliminatória, algo que não se viria a confirmar, pois os leões, com mais uma exibição portentosa de Silas, ganhariam de novo em Amesterdão (2-1). 

 

O Sporting derrotava assim o vencedor da Taça das Taças de 1987, uma equipa que perdera Frank Rijkaard e Marco Van Basten mas onde a sua fábrica de talentos já produzira novos craques como Rob Witschge (mais tarde no Barcelona) e Bergkamp (Arsenal), que agora apareciam nos grandes palcos. Para além disso, contava com inúmeros internacionais holandeses, muitos deles presentes no Verão anterior na Alemanha, onde a Holanda conseguiu a única (até hoje) importante conquista do seu futebol a nível de selecções. Por tudo isto, a vitória do Sporting neste jogo (e na eliminatória) revestiu-se de um carácter histórico, algo que tive a felicidade de presenciar "in-loco" e aqui deixo em testemunho.  

30
Jul19

Os jogos da minha vida (II)


Pedro Azevedo

18.11.1984  Sporting - Sp. Braga 8-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Carlos Xavier, Venâncio, Zezinho e Mário Jorge; Oceano, Virgílio, Litos (Oliveira, aos 34 min.) e Sousa (Eldon, aos 74 min.); Manuel Fernandes e Jordão.

 

Antiga estrela do Liverpool, John Toshack chega em 84 ao Sporting proveniente dos galeses do Swansea, clube onde iniciara a carreira de treinador. Para seu adjunto o Sporting convida Pedro Gomes, ex-jogador e capitão do clube, membro da equipa que venceu a Taça dos Vencedores das Taças em 1964, ainda hoje o único troféu internacional do futebol do Sporting. Damas regressa, após alguns anos no Santander, Guimarães e Portimonense, e Sousa e Jaime Pacheco chegam a Alvalade. Em sentido contrário sai Futre. Ainda hoje me pergunto o que poderia ter sido essa temporada caso o menino do Montijo não tivesse rumado ao Porto. Para além disso, a lesão prolongada de Jaime Pacheco também constituiu um importante revés.

 

Este jogo veio recentemente à baila a propósito da vitória (época passada) por igual resultado do Sporting na deslocação ao Jamor, casa emprestada da Belenenses SAD. Trinta e cinco anos antes, eu estive no estádio com um primo direito meu, na época um dos meus habituais compinchas de bancada. Absolutamente irredutíveis, nada nos demovia. Nem mesmo uma chuva de granizo de proporções bíblicas acompanhada por um dilúvio do arco-da-velha, aquando de uma recepção ao Recreio de Águeda marcada pela estreia de um tal Rodger Wilde (na época havia 2/3 reforços apenas, o que aumentava a curiosidade sobre eles), em que toda a gente se abrigou no interior do estádio, enquanto nós optámos por fazer face à intempérie a fim de não perdermos a entrada em campo do inglês (já não me recordo quem terá substituído).   

 

Voltando atrás, este jogo com o Braga foi referente à 10ª jornada do campeonato. O Sporting somara 7 vitórias, 1 empate e 1 derrota nos nove jogos anteriores. Dir-se-ia estar bem lançado, já com duas vitórias concludentes por 3-0 (Guimarães e Varzim, em casa), outra por 5-2 (Vizela, fora) e ainda uma por 6-2 (Salgueiros, fora). Como senão, uma inesperada derrota por 2-0 em Penafiel, além de um empate sem golos em Portimão. Logo de entrada, uma triangulação entre Mário Jorge e Manuel Fernandes permitiria ao açoriano inaugurar o marcador. Ainda antes do intervalo, António Oliveira ampliaria o resultado, com um tiro à entrada da área. Já no segundo tempo, o Braga reduziu através de uma penalidade polémica convertida por Zinho, um jogador que no futuro viria a representar o Sporting e a ficar na história como um dos que pisaram o relvado no memorável 7-1 ao Benfica. [Neste tesourinho da RAI italiana que encontrei na internet, é possível ver Michel Platini (na época, jogador da Juventus) em estúdio a comentar o castigo máximo e a dizer "non c`è tanto".]

 

Recordo que o golo do Braga despertou um Sporting até aí um pouco adormecido, embalado por dois golos madrugadores. Nem deu tempo para nas bancadas se recrear aquela onda de pessimismo tão típicamente leonina ("we will never make it..."), porque o trio Manuel Fernandes, Oliveira e Jordão abriu o livro. Geralmente, um deles estando bem já era auspicioso. Se dois estivessem ao melhor nível, a vitória estava assegurada. Mas quando os três tenores afinavam a voz... era de qualquer um cair aos seus pés. Assim foi naquela tarde cinzenta de Novembro. Nos últimos 18 minutos, o Sporting marcou 6 golos, uma coisa do outro mundo. Primeiro foi o Manél, completando uma carambola na área bracarense. Depois, Oliveira, bisando no jogo com novo golo de fora da área. De seguida, calhou a vez a Manuel Fernandes de bisar. Na origem dos dois últimos golos, Rui Jordão (Platini, ainda mal recuperado do susto do Euro 84, farta-se de o elogiar). Cansado de assistir, Jordão, à meia-volta, põe o seu nome no marcador. Faltavam ainda 6 minutos para o fim do jogo e o ambiente nas bancadas era electrizante. Os adeptos reagiam entre a incredulidade e a euforia desmedida. Lembro-me de pensar que estava a ter um sonho. Eis então que o craque Fernandes da época faz o seu hat-trick. Mas Oliveira ainda tinha mais génio para soltar da sua lâmpada e inicia um ataque frontal concluído com uma primorosa assistência para o brasileiro Eldon completar o placard. E não foram mais porque a partida terminou aí. Ainda assim, finalizada a décima jornada, o Sporting já tinha marcado por 32 vezes.

 

Estes 18 minutos contra o Braga constituiram a maior demonstração do génio do trio da frente leonino. Outros momentos houve de puro fascínio, e conquistas até bem mais importantes foram por eles protagonizadas, com destaque para a dobradinha de 82, mas se tiver de destacar um momento em que o profano tocou o sagrado então este é o tal. Cortesia dos "deuses" Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão.

28
Jul19

Os jogos da minha vida (I)


Pedro Azevedo

22.02.1976  Sporting - FC Porto 5-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas (capitão); Tomé, Laranjeira, José Mendes e Inácio; Nélson, Fraguito e Baltasar; Marinho (Libânio, aos 87 min.), Manuel Fernandes e Chico (Vítor Gomes, aos 63 min.).

 

Costuma dizer-se que não há amor como o primeiro, e este é provavelmente o jogo da minha vida. A minha estreia ao vivo no José Alvalade foi um baptismo de fogo, com um desafio entre o meu Sporting e o FC Porto. Tudo era novo para mim: a multidão concentrada nas bancadas, as luzes, os sons, as movimentações dos jogadores lá em baixo no relvado. Ainda por cima os ânimos andavam exaltados, consequência da Revolução ainda presente no espírito de todos. Para apimentar um pouco mais a coisa, Joaquim Dinis, o "Brinca na Areia", havia trocado à revelia os leões pelos portistas, explorando uma brecha criada pela nova lei das transferências, processo que não caíra bem aos dirigentes leoninos. Se bem me lembro, ainda estava a habituar-me ao cenário que viria a ser a minha segunda casa quando o Porto abriu o activo. Marcou o peruano Cubillas, aquisição milionária dos portistas que havia sido o terceiro melhor marcador do Mundial de 1970 (México) com 5 golos, um número que viria a repetir no Mundial de 1978 (Argentina), onde foi o segundo mais concretizador. Não passou 1 minuto sem que Chico - mais tarde dito Chico Faria para destrinçar de Chico Gordo, seu futuro parceiro de ataque no Braga - igualasse o placard. O grito de golo, o abraço ao meu pai, os sorrisos das pessoas à minha volta, tudo isso coincidiu para a minha primeira comunhão de sportinguismo no templo do leão. À meia-hora de jogo, nova explosão de alegria, com o repetente Chico a colocar-nos em vantagem.  

 

Juca era o treinador leonino (Monteiro da Costa, o portista), e Manuel Fernandes cumpria a sua 1ª temporada de leão, proveniente da CUF, tendo a seu cargo a difícil tarefa de fazer esquecer Yazalde, o anjo com cara de índio que no seu tempo enlouquecera de alegria as bancadas de Alvalade. O Manél de Sarilhos, por volta da hora de jogo, sentenciaria o destino do Porto, marcando o quarto golo do Sporting, culminando uma portentosa exibição. Antes, logo após o recomeço, Fraguito dera uma maior tranquilidade aos leões, obtendo o terceiro. Até ao fim do jogo, o voluntarioso Baltasar, melena loira ao vento, ainda dilataria mais o resultado. E muitos outros ainda ficariam por marcar, tanto quanto a memória ainda me permite relembrar. 

 

Vitória épica do Sporting, contra um Porto recheado de grandes jogadores e em tirocínio para um título de campeão nacional que não lhe escaparia durante muito mais tempo. Dessa equipa recordo Tibi, Gabriel, Simões, Rolando, Alhinho, Murça, Rodolfo, Octávio, Oliveira, Ademir, Seninho, Gomes, Cubillas e Dinis (não jogou em Alvalade), um plantel de luxo. Mas o meu olhar estava fixado em 3 dos 4 ídolos da minha juventude que eu conhecia pela rádio (a minha primeira memória é de um Sporting-Benfica de 1974, ainda com Yazalde, pouco tempo antes do 25 de Abril). E a verdade é que a elegância de Damas, o futebol sambado de Fraguito e a forma como o Manél colava a bola ao pé não me deixaram desiludido e amplamente superaram a tristeza de já não ter visto o "Chirola" ao vivo.

 

Assim começava um grande amor...

 

PS: Os Leitores recordam este jogo? Fica aberto o convite aos mais e menos jovens para relatarem aqui a sua primeira experiência de Sporting no estádio. E começa uma nova rúbrica do "Castigo Máximo": os jogos da minha vida. 

16
Jul19

Quiz43 - Imperador


Pedro Azevedo

Central considerado muito promissor no Brasil (jogou no Vasco da Gama), teve uma passagem pela Madeira antes de se afirmar no Sporting. De leão ao peito alinhou 5 épocas até partir para Itália, ganhando uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Foi sempre titular, e esse é o melhor elogio que se lhe pode fazer numa época em que o clube tinha defesas como Valckx, Naybet, Beto ou Quiroga. Para além de ter sentido o apreço constante dos adeptos, recebeu o Prémio Stromp na categoria de futebolista profissional. Quem é?

 

Resposta: Marco Aurélio foi titularíssimo do eixo da defesa leonina durante os cinco anos em que vestiu de verde e branco. Por isso, e devido ao seu homónimo antigo governante de Roma, herdou o cognome de "Imperador". Proveniente do Vasco da Gama, chegou a Portugal através do União da Madeira, clube onde cumpriu 4 temporadas. Saiu do Sporting rumo a Itália, mas o tempo dos Imperadores já tinha passado e teve de contentar-se com clubes de menor nomeada, como o Vicenza, Palermo, Cosenza, SPAL e Terramo, jogando apenas duas épocas na série A. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores RCL, A. Pereira e Alberto Miguel acertaram. Por ter sido o primeiro, RCL foi o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos pela participação.

marco aurélio.jpg

15
Jul19

Quiz42 - Novo nome, nova ventura


Pedro Azevedo

Foi uma das contratações de valor mais elevado à época, tendo custado cerca de 1 milhão de contos (aproximadamente 5 milhões de euros) ao Sporting. Estávamos no final do século XX. Esquerdino desconcertante que alternava momentos de génio com falhas técnicas clamorosas, acabou por ser dispensado. Rumou então primeiro à Argentina, e depois a Espanha e México, onde recuperou um ciclo virtuoso para a sua carreira, então já com um outro apelido por influência de um reencontro familiar. Quem é?

 

Resposta: Bruno Gimenez chegou ao José Alvalade em 1997, proveniente do Estudiantes de La Plata. As expectativas em seu redor eram elevadas (o clube pagou por ele muito dinheiro para a época), mas acabaram por se gorar. Acabaria por sair 2 anos depois para o Independiente (empréstimo), sendo depois vendido ao Villareal. Em Espanha teve uma carreira interessante que passou também pelo Tenerife. Mas acabaria por ser na Argentina (de novo Independiente e Boca Juniors) e no México que a sua estrela viria a brilhar bastante, ganhando a Libertadores pelo Boca e o campeonato mexicano pelo Pumas. Neste último acumularia o título de campeão com o de melhor marcador do campeonato. Aí já mudara o nome (e a sorte) para Bruno Marioni, seguindo assim a orientação paterna (na viragem do milénio o pai conhecera finalmente o seu progenitor e decidira adoptar o seu apelido de familia, que como sabemos pela cultura hispânica vem antes do nome da mãe na certidão de nascimento).

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores João Santos, RCL, LMGM, Pedro Alexandre Dias e Pedro Alvaleide acertaram. Por ter sido o primeiro, João Santos é o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos os que participaram!

12
Jul19

É bom não esquecer...


Pedro Azevedo

... Fernando Peyroteo, o maior goleador mundial de todos os tempos no rácio número de golos por jogos disputados. 

peyroteo.jpg

Para quando uma estátua de Peyroteo à entrada do José de Alvalade, de forma a assinalar inequivocamente a todos os sportinguistas (e desportistas em geral, inclusivé os milhares de visitantes estrangeiros anuais) o orgulho que temos na valia deste atleta que vestiu de leão ao peito durante doze anos?

 

PS: Cristiano Ronaldo e Figo, dois Bola de Ouro, têm um imenso significado para nós e para a afirmação da nossa Formação, mas Fernando Peyroteo foi enorme com a nossa camisola vestida. E isso faz toda a diferença.

 

 

08
Jul19

Quiz41 - Um quarto de século como atleta


Pedro Azevedo

Antes de se dedicar ao atletismo, iniciou-se na prática de ginástica. Eclético como o Sporting Clube de Portugal, praticou também natação e pólo aquático, andebol, ténis, râguebi e até tiro, mas a sua modalidade de eleição foi o atletismo. Sócio, chegou à presidência do clube ainda como recordista nacional dos 400m barreiras, especialidade onde venceu 3 Campeonatos de Portugal. Introdutor do râguebi no clube, a ele se deve o nosso actual equipamento listado horizontalmente verde e branco do futebol. Quem é? 

 

Resposta: Nascido em 1894, Salazar Carreira foi presidente do Sporting Clube de Portugal entre 19 de Fevereiro de 1925 e 23 de Fevereiro de 1926. Como atleta destacou-se pelo seu ecletismo, notabilizando-se no atletismo, nas especialidades de 400m barreiras (a sua favorita), 100m, 200m, 400m, 800m, 110m barreiras, estafeta 4x400m e pentatlo. Envergou a camisola do clube durante 25 anos (chegou a competir enquanto presidente) e foi o responsável pela introdução do voleibol, do andebol e do râguebi. As camisolas listadas que importou de França para a modalidade da bola oval acabariam por vir a fazer parte do equipamento oficial da equipa de futebol após terem por esta sido utilizadas pela primeira vez numa digressão ao Brasil. 

 

Vencedor do Quiz: os nossos Leitores KM e "8" acertaram. KM foi o mais rápido a fazer a quilómetragem de regresso ao passado e é o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos pela participação.

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07
Jul19

Quiz40 - Turbo nos pés


Pedro Azevedo

Avançado estrangeiro, baixo, mas com grande mobilidade e asas nos pés, constituiu uma dupla de respeito com um outro ponta-de-lança proveniente da Cidade Berço. Jogou apenas uma temporada em Alvalade, mas destacou-se essencialmente por ter marcado 4 golos na edição da Taça das Taças dessa época. Perdeu protagonismo após a saída do treinador seu compatriota e acabou sacrificado pelas "unhas de leão". Quem é?

 

Resposta: Formado no sul de Inglaterra, mais concretamente em Southampton, Tony Sealy chegou ao Sporting pela mão de Keith Burkinshaw no início da temporada de 1987/88, proveniente do Leicester (tinha estado emprestado ao Bournemouth). Decorria ainda o consulado de Amado de Freitas. Com a ascensão de Jorge Gonçalves a presidente, e concomitante entrada das "unhas de leão", perdeu espaço no plantel e acabaria dispensado ao Braga. Assim, jogou apenas uma época em Alvalade, tendo-se destacado pelos 3 golos apontados ao Swarovski Tirol e ao nosso futuro guardião Ivkovic, em eliminatória da Taça das Taças. Nessa competição ainda voltaria a marcar, desta vez aos suecos do Kalmar. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores Pedro Alexandre Dias, Luis Ferreira, João Santos e Luis Barros acertaram. Pedro Alexandre Dias foi o primeiro e é o vencedor deste Quiz. Parabéns, e obrigado a todos pela participação. 

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03
Jul19

Quiz39 - Bebé leão


Pedro Azevedo

Nunca tendo sido um indiscutível titular no Sporting, ainda assim construiu um palmarés invejável consubstanciado em 239 jogos realizados (8 épocas, 63 golos), dois campeonatos nacionais conquistados e 3 Taças de Portugal (marcou em duas dessas finais). Avançado, destacou-se pela sua versatilidade, a qual lhe permitia jogar em qualquer uma das três posições da frente. Foi internacional português. Quem é?

 

Resposta: Proveniente da famosa cantera (os "bebés de Matosinhos") do Leixões criada por Óscar Marques, Chico actuou no Sporting durante 8 temporadas. Nesse período foi 3 vezes internacional A. Mais tarde, já no Braga e conhecido como Chico Faria (para distinguir do outro avançado, Chico Gordo), ainda somaria a quarta internacionalização. Acaba por ficar na nossa história como um dos jogadores que mais partidas realizou de leão ao peito não sendo um óbvio titular.

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores RCL, João Santos, JMA e "8" acertaram. RCL foi o primeiro e é ele o vencedor deste quiz. Parabéns!

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02
Jul19

PetroMAX


Pedro Azevedo

Tem vindo a ser noticiado que Radosav Petrovic não fará parte do plantel do Sporting para o ataque à temporada de 2019/20. Tenho de dizer que concordo com essa decisão. No entanto, não gostaria de deixar passar a ocasião sem relembrar aquela noite de Braga em que o sérvio aceitou ficar em campo de nariz partido (já depois de André Pinto ter saído com o mesmo problema), para mais a jogar numa posição (defesa central) que não seria a mais confortável para si, sacrificando-se em prol da equipa e mostrando-se à altura do nosso lema de esforço, dedicação, devoção e glória. 

 

Petrovic nunca conseguiu exibir fora de casa o esplendor dos seus primeiros tempos no Partizan de Belgrado. Ainda assim foi mantendo alguma regularidade exibicional no Blackburn Rovers e naquele clube turco de nome impronunciável que um dia causou escândalo em Alvalade (Gençlerbirligi). Até essa fase da sua carreira acumulou 44 internacionalizações pela selecção principal sérvia. Não mais viria a representá-la, datando a sua última presença de 2015. Uma passagem mal conseguida pela Ucrânia, onde representou o Dinamo de Kiev, tirou-lhe ritmo e, aparentemente, confiança. Durante 1 ano apenas realizou 7 jogos e foi nessas circunstâncias que rumou a Alvalade. Jogador com bom passe, mas sem intensidade e com pouco perímetro de acção, nunca foi o "6" que a equipa precisava. Para além disso, a concorrência de William Carvalho não lhe deu qualquer hipótese. 

 

Ainda assim, foi sempre um profissional honesto. Merece, como tal, que lhe agradeçamos e lhe desejemos as maiores felicidades para o futuro. E fica uma certeza: dando razão à máxima estafada de que uma imagem vale mais do que mil palavras, jamais esqueceremos a forma abnegada, dir-se-ia decisiva, à leão, como preferiu ficar em campo (pedindo só que lhe trocassem rapidamente a camisola cheia de sangue) e assim participou na conquista da Taça da Liga. Nesse dia deixou de ser um Petromax, como em tempos jocosamente lhe chamei - aludindo ao facto de ser muito alto e demasiado posicional (um "candeeiro") - , para passar a ser um PetroMAX, por ter com a sua atitude iluminado toda a equipa. Por isso, Radosav, serás sempre bem-vindo de visita a Alvalade. 

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29
Jun19

Quiz38 - Ala endiabrado


Pedro Azevedo

Tinha um nome que recordava um actor famoso e muita ginga no seu pé direito. Veloz e com um bom remate, ficou aquém das melhores expectativas no Sporting. Reluziria no Bessa, onde Manuel José conseguiu extrair todo o seu potencial. Aí venceria uma Taça de Portugal e uma Supertaça, para além de ter sido preponderante no feito histórico que consistiu na eliminação do Inter de Milão. Era o regresso do Boavistão, o clube das camisolas esquisitas que impressionava a Europa. Infelizmente para nós todos, ele que foi um dos destaques do campeonato pernambucano e muito influente no Boavista, não conseguiu atingir o mesmo sucesso no Sporting, clube onde efectuou 69 jogos e marcou 9 golos. Quem é?  

 

Resposta: Marlon Brandão chegou ao Sporting na temporada 1986/87, proveniente da equipa brasileira do Santa Cruz. As expectativas eram grandes à sua volta, ele que havia sido o carrasco dos grandes rivais do Santa Cruz (Náutico e Sport Recife) no campeonato pernambucano, mas não conseguiu confirmá-las totalmente de leão rampante ao peito, tendo saído ao fim de 4 temporadas (empréstimo de 1 ano ao Estrela da Amadora pelo meio) para o Boavista. Ironia do destino, de uma combinação com outro ex-leão (Fernando Mendes) marcou o primeiro golo da vitória caseira sobre o Inter de Milão, triunfo que posteriormente, após empate sem golos no Giuseppe Meazza, permitiria à equipa das "camisolas esquisitas" (termo usado pelos italianos para a descrever) ultrapassar o colosso italiano. E não foram dois, porque o árbitro da partida no Bessa lhe anulou (pretenso "off-side") um golo limpo. Brilharia também com golos nas vitórias na Taça de Portugal contra o Porto e Supertaça contra o Benfica. Infelizmente para nós, sportinguistas, Marlon foi mais um daqueles jogadores com muito talento que não deu certo em Alvalade. Como curiosidade, em entrevista recente destacava a honra que tinha tido em jogar com Manuel Fernandes e Fernando Gomes. Sobre este último, dizia que quando a equipa não sabia o que fazer metia a bola na área que ele resolvia. 

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores Luís Barros, JG, RCL, JMA e João Santos acertaram. Luís Barros, por ter sido o primeiro, é o vencedor. Parabéns a todos pela participação, e o meu muito obrigado. 

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28
Jun19

Quiz37 - Em Coimbra licenciou-se em golos


Pedro Azevedo

Oriundo do Vasco da Gama, este avançado brasileiro chegou a Portugal para jogar pela Académica. Dotado de um invejável jogo de cabeça, no clube de Coimbra foi muito feliz, tendo realizado 5 épocas, com destaque particular para a última em que obteve 41 golos no campeonato da 2ª divisão. Tanta proficiência em frente às balizas valer-lhe-ia um passaporte para Guimarães e, mais tarde, para Alvalade. No Sporting não teve concorrência fácil. Era o tempo de Manuel Fernandes e de Jordão, a que se juntariam mais tarde o argentino Saucedo e o inglês Raphael Meade. Ainda assim, jogou 40 partidas de leão ao peito e facturou 12 golos. Quem é?

 

Resposta: Eldon chegou ao Sporting na temporada de 84/85. Dada a forte concorrência no ataque, não foi muito utilizado. Destacava-se pelo bom jogo de cabeça e pelo instinto matador. Ainda jogou em 85/86, acabando por ser cedido ao Marítimo no início da época seguinte, terminando a carreira na sua Académica. Faleceu precocemente em 2017, aos 59 anos de idade.

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores Luís Ferreira, RCL, LMGM e Leão do Quioque, por esta ordem, acertaram na resposta correcta. Por ter sido o primeiro, Luís Ferreira (on-fire!!) foi o vencedor. Parabéns a ele, e obrigado a todos os que participaram!

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(Imagem: gloriasdopassado.blogspot.com)

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