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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Set19

Don't cry for me Sporting!


Pedro Azevedo

Deixo aqui a sugestão a todos os Sportinguistas para procurarem nas Gravações Automáticas da vossa "box" o programa a "A Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio" transmitido na madrugada de Sábado para este Domingo, pelas 01H50, na RTP3. Este programa, apresentado por Carlos Manuel Albuquerque e com os comentadores residentes Rui Manuel Tovar e João Nuno Coelho, contou desta vez com a participação especial, no estúdio, da viúva do nosso grande Hector Yazalde. Os mais saudosistas poderão recordar imagens de vários golos do Chirola, os mais novos e que nunca o viram jogar poderão conhecer melhor este fantástico jogador. Acresce que Carmen Yazalde conta várias histórias que atestam que, para além de grande goleador, o argentino foi um homem com um coração generoso e bom. Que tinha um grande amor ao Sporting. Emocionante, tocante, a não perder! Viva Yazalde (sempre na nossa memória), viva o Sporting!

 

P.S. Para saber mais sobre Yazalde, não perder as excelentes entrevistas de Rui Miguel Tovar a Carmen Yazalde sobre a vida do nosso ex-jogador (disponíveis na "net").

hector yazalde.jpg

11
Ago19

Os jogos da minha vida (V)


Pedro Azevedo

14.12.1986  Sporting - Benfica 7-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Gabriel, Venâncio, Virgílio e Fernando Mendes (Duílio, aos 79 min.); Oceano, Litos (Silvinho, aos 79 min.), Zinho e Mário Jorge; Raph Meade e Manuel Fernandes.  

 

O Sporting vs Benfica de 86 é o único jogo desta série que não presenciei ao vivo, facto do qual jamais me perdoarei. Por sortilégio, o que perdi "in loco" em emoção ganhei em explicação racional do que se passou em campo. É verdade, enquanto estudava para uma Frequência de Economia calendarizada para o dia seguinte, o jogo proporcionar-me-ia a aplicação prática das teorias do liberalismo, simbolizadas na expressão "laissez faire, laissez passer" com que a defesa encarnada pretendeu ilustrar os conhecimentos teóricos que eu ia adquirindo nos livros e cadernos de apoio.  

 

À cautela, deixara a aparelhagem sintonizada numa estação radiofónica que cobria o derby. Eu, no meu quarto, à secretária, a aparelhagem na Sala de Estar com o som baixinho. Cerca de 20 metros nos separavam, distância fulminantemente superada logo ao quarto de hora quando Mário Jorge inaugurou o marcador. Seguiu-se uma hora relativamente tranquila, sem grande volatilidade nos decibéis que vinham de outra divisão da casa, que me permitiu concentrar na matéria em atraso. Chegou então a catarse de uma meia hora final feita de constantes piscinas naquele corredor que separava a zona dos quartos das áreas comuns. Desse transe e até à rendição final distaram poucos minutos. A emoção acabaria por vencer a razão, o Sporting nocautearia de uma só penada Adam Smith, Locke, Burke, Bentham, Malthus e Marx. O som da aparelhagem já não estava baixinho e o vizinho de baixo, benfiquista convicto, fazia questão de o notar a toque de cabo de vassoura, anunciando sarilhos. Sarilhos, origem do nosso Manél, imparável nessa tarde. O jogo acabara e era hora de celebrar. Sózinho em casa, olhei para o meu Dual, gira-discos com uma base em madeira onde afinfara três pancadinhas de sorte antes do jogo começar. Em cima do tampo em vidro da geringonça havia um LP e um Single. Por uma vez o recém-importado "Love will tear us apart" dos Joy Division de Ian Curtis ficaria para trás, vergado pelo peso de Mr James Brown, o "Padrinho do soul". I feel good!... 

10
Ago19

113 anos de história, 13 glórias - o meu voto


Pedro Azevedo

O Sporting está a eleger, no seu sítio oficial (https://www.sporting.pt/gloriassporting), durante o mês de Agosto, 9 figuras do seu ecletismo que irão ser imortalizadas em espaço próprio no Pavilhão João Rocha. Os eleitos juntar-se-ão a outras 4 glórias - António Stromp, Mário Moniz Pereira, Reis Pinto e Salazar Carreira - previamente escolhidas pelo Conselho Directivo, perfazendo assim o número de 13 personalidades homenageadas. Os sócios que quiserem votar terão de escolher 5 atletas entre os 20 nomeados na categoria de desportos colectivos e outros 4 atletas entre os 20 nomeados na categoria de desportos individuais.

Eis o meu voto, entretanto já registado (por ordem de disposição no "site"): António Livramento, Bessone Basto, Carlos Silva, Chana, Manuel Brito, Alfredo Trindade, Carlos Lopes, Fernando Mamede e Joaquim Agostinho. 

Todos os momentos de exortação da Cultura Sporting e sua identidade merecem o meu aplauso, pelo que peço a todos os Leitores de Castigo Máximo que sejam sócios do Sporting Clube de Portugal para aderirem a esta iniciativa, votando. Participem! 

04
Ago19

Os jogos da minha vida (IV)


Pedro Azevedo

01.06.1980  Sporting - UD Leiria 3-0

 

A nossa equipa: Fidalgo (Vaz, aos 80 min.); José Eduardo, Eurico, Bastos e Barão; Meneses, Ademar e Fraguito; Manoel, Manuel Fernandes e Jordão. 

 

As imagens que retenho são as de um estádio cheio como nunca (ainda com o antigo peão), um ror de gente na recém-inaugurada pista de tartan (substituiu a de cinza) circundante ao relvado, um cordão policial a impedir que os adeptos ultrapassassem as linhas laterais, o golo de Manuel Fernandes que inaugurou o marcador e o mar verde-e-branco que engoliu Jordão após o terceiro golo. Lembro-me também que o Leiria tinha dois Dinis, o mais velho dos quais o "brinca-na-area", nossa antiga glória já em final de carreira. Recordo-me também da festa, a primeira que vivi "in-loco", da invasão de campo por adeptos eufóricos após o apito final, do ar de satisfação de meu pai e do alívio que senti pela concretização de algo que já se perspectivava no regresso daquela minha viagem no Comboio Verde a Guimarães.

 

Como demorara a passar essa semana. No fim de semana anterior, tinha ido com o meu pai à Cidade Berço. Estava atrás da baliza onde o Manaca fez o auto-golo, acto perfeitamente involuntário e cobardemente aproveitado pelo nosso adversário de ocasião. Na verdade, o nosso antigo jogador saltara entre dois leões e para sua desventura vira a bola tocar-lhe (creio que) na nuca e surpreendentemente anichar-se nas redes vimaranenses. Mas esse não foi o únco facto insólito desse jogo: a poucos minutos do fim, Fidalgo fez uma defesa "impossível", estirando-se para a sua esquerda e assim defendendo um remate com selo de golo do ex-leão Vítor Manuel, perdendo posteriormente os sentidos ao embater no poste e acabando o jogo com a cabeça toda entrapada. Ainda hoje estou convencido que esse momento de bravura do nosso guarda-redes garantiu-nos o campeonato. No comboio, de regresso a casa, recordo ainda o susto em Campanhã, com as carruagens a serem atacadas com pedras de calçada vindas da gare onde se encontravam adeptos portistas, uma forma singular de ver o desporto por parte de adeptos fanáticos que ainda hoje infelizmente pululam um pouco por todos os clubes.

 

Uma semana depois, éramos campeões! Um título que nunca esquecerei, porque teve um sabor especial. Comigo já neste mundo, o Sporting havia ganho o campeonato de 1970, façanha de que não guardo qualquer memória. Já do de 74 eu tenho uma recordação, mas para mim foi um campeonato radiofónico. Assim, o de 80 foi o "meu" campeonato, aquele que acompanhei nos estádios, em que vivi a gesta daquela dupla jornada final e pude sentir de perto as esperanças e ansiedades dos nossos adeptos até à consagração final.

 

Em 1980, o Sporting não tinha o melhor conjunto de jogadores. É certo que Manuel Fernandes e Jordão eram excelentes, Eurico um patrão na defesa e Fraguito um mago do passe, mas globalmente a qualidade do plantel era inferior à dos nosso rivais. Só que no final ganhámos nós, mérito certamente também dos treinadores Fernando Mendes e Rodrigues Dias (entretanto substituído) e do preparador físico Radisic. Não sei se isto poderá servir como motivação ou exemplo para um grupo - eu gostaria que sim - , mas se há ocasiões em que o todo é muito superior à soma das partes, então a gloriosa campanha de 80 é uma delas, provando que com esforço, dedicação e devoção não há impossíveis. Que hoje, no Algarve, a nossa equipa ponha os olhos nisto!

02
Ago19

Os jogos da minha vida (III)


Pedro Azevedo

07.09.1988  Sporting - Ajax 4-2

 

A nossa equipa: Rodolfo Rodriguez; João Luiz, Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Oceano, Carlos Manuel e Litos; Silas, Paulinho Cascavel (Rui Maside, aos 58 min.) e Forbs (Carlos Xavier, aos 82 min.).

 

A Holanda acabara de se sagrar campeã europeia. Nessa equipa, o Ajax tinha 4 elementos: o dúo Arnold Muhren/ Jan Wouters, títulares no miolo da Laranja Mecânica no Euro-88, o médio Aron Winter e o ala John Van`t Schip. Para além destes, os lanceiros tinham como destaque o guarda-redes Stanley Menzo - precursor no futebol mundial da ideia do guardião como líbero - , o defesa Frank Verlaat, os irmãos Witschge (Rob e Richard), o ponta de lança sueco Stefan Pettersson (eleito melhor jogador sueco em 87) e o craque que despontava, o genial Dennis Bergkamp.

 

Em contraposição, no Sporting vivia-se o período das "unhas". Jorge Gonçalves ascendera à presidência e com ele trouxera o guarda-redes uruguaio Rodolfo Rodriguez, os brasileiros Douglas, Silas e Ricardo Rocha, o sueco Eskilsson e o português Carlos Manuel, o "herói de Estugarda". O treinador era o também uruguaio Pedro Rocha, um dos melhores jogadores de sempre da selecção celeste. o único que disputou 4 fases finais de campeonatos do mundo.

 

Vivia-se um tempo novo em Alvalade. Após uma presidência marcante de João Rocha, o seu vice, e sucessor, Amado de Freitas pouco tempo estivera no cargo. Seguiu-se-lhe Jorge Gonçalves, o "bigodes", e com ele uma onda de euforia que viria rapidamente a desfazer-se por entre um mar de problemas financeiros. Mas, à data deste jogo, o ambiente ainda era de esperança e entusiasmo...

 

Sporting e Ajax defrontavam-se pela primeira vez na sua história, em jogo a contar para a 1ª mão da primeira eliminatória da Taça UEFA. Para mim, uma ocasião especial, pois iria ver ao vivo uma equipa cujas camisolas míticas e escola de futebol total me impressionavam desde a década anterior, quando Krol, Haan, Neeskens, Piet Keizer (tio do nosso actual treinador), Rep e Cruijff brilhavam a grande altura. Logo de início, uma tabelinha entre Oceano e Silas permitiria ao primeiro inaugurar o marcador. Pouco tempo depois, Pettersson igualava, de cabeça. Novo ataque do Sporting e Forbs é derrubado na área. Na conversão da penalidade, Paulinho Cascavel volta a dar vantagem ao Sporting, no clássico guarda-redes para um lado, bola para o outro. Ainda antes da meia-hora, insistência de Silas pela direita, passe para João Luiz, e do cruzamento deste, deflectido pelas pernas de Verlaat, resultaria novo golo dos leões. Em cima do intervalo, José Manuel Forbs, completamente isolado na área, perde a oportunidade de dilatar o activo. No reatamento, Oceano desperdiça nova chance de golo. Até que Silas, isolado por Carlos Manuel, cava um penalty no frente-a-frente com Menzo. Na sequência, Litos amplia o resultado. Perto do fim, o sueco Pettersson bisaria na partida, devolvendo a esperança aos holandeses de virarem a eliminatória, algo que não se viria a confirmar, pois os leões, com mais uma exibição portentosa de Silas, ganhariam de novo em Amesterdão (2-1). 

 

O Sporting derrotava assim o vencedor da Taça das Taças de 1987, uma equipa que perdera Frank Rijkaard e Marco Van Basten mas onde a sua fábrica de talentos já produzira novos craques como Rob Witschge (mais tarde no Barcelona) e Bergkamp (Arsenal), que agora apareciam nos grandes palcos. Para além disso, contava com inúmeros internacionais holandeses, muitos deles presentes no Verão anterior na Alemanha, onde a Holanda conseguiu a única (até hoje) importante conquista do seu futebol a nível de selecções. Por tudo isto, a vitória do Sporting neste jogo (e na eliminatória) revestiu-se de um carácter histórico, algo que tive a felicidade de presenciar "in-loco" e aqui deixo em testemunho.  

30
Jul19

Os jogos da minha vida (II)


Pedro Azevedo

18.11.1984  Sporting - Sp. Braga 8-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Carlos Xavier, Venâncio, Zezinho e Mário Jorge; Oceano, Virgílio, Litos (Oliveira, aos 34 min.) e Sousa (Eldon, aos 74 min.); Manuel Fernandes e Jordão.

 

Antiga estrela do Liverpool, John Toshack chega em 84 ao Sporting proveniente dos galeses do Swansea, clube onde iniciara a carreira de treinador. Para seu adjunto o Sporting convida Pedro Gomes, ex-jogador e capitão do clube, membro da equipa que venceu a Taça dos Vencedores das Taças em 1964, ainda hoje o único troféu internacional do futebol do Sporting. Damas regressa, após alguns anos no Santander, Guimarães e Portimonense, e Sousa e Jaime Pacheco chegam a Alvalade. Em sentido contrário sai Futre. Ainda hoje me pergunto o que poderia ter sido essa temporada caso o menino do Montijo não tivesse rumado ao Porto. Para além disso, a lesão prolongada de Jaime Pacheco também constituiu um importante revés.

 

Este jogo veio recentemente à baila a propósito da vitória (época passada) por igual resultado do Sporting na deslocação ao Jamor, casa emprestada da Belenenses SAD. Trinta e cinco anos antes, eu estive no estádio com um primo direito meu, na época um dos meus habituais compinchas de bancada. Absolutamente irredutíveis, nada nos demovia. Nem mesmo uma chuva de granizo de proporções bíblicas acompanhada por um dilúvio do arco-da-velha, aquando de uma recepção ao Recreio de Águeda marcada pela estreia de um tal Rodger Wilde (na época havia 2/3 reforços apenas, o que aumentava a curiosidade sobre eles), em que toda a gente se abrigou no interior do estádio, enquanto nós optámos por fazer face à intempérie a fim de não perdermos a entrada em campo do inglês (já não me recordo quem terá substituído).   

 

Voltando atrás, este jogo com o Braga foi referente à 10ª jornada do campeonato. O Sporting somara 7 vitórias, 1 empate e 1 derrota nos nove jogos anteriores. Dir-se-ia estar bem lançado, já com duas vitórias concludentes por 3-0 (Guimarães e Varzim, em casa), outra por 5-2 (Vizela, fora) e ainda uma por 6-2 (Salgueiros, fora). Como senão, uma inesperada derrota por 2-0 em Penafiel, além de um empate sem golos em Portimão. Logo de entrada, uma triangulação entre Mário Jorge e Manuel Fernandes permitiria ao açoriano inaugurar o marcador. Ainda antes do intervalo, António Oliveira ampliaria o resultado, com um tiro à entrada da área. Já no segundo tempo, o Braga reduziu através de uma penalidade polémica convertida por Zinho, um jogador que no futuro viria a representar o Sporting e a ficar na história como um dos que pisaram o relvado no memorável 7-1 ao Benfica. [Neste tesourinho da RAI italiana que encontrei na internet, é possível ver Michel Platini (na época, jogador da Juventus) em estúdio a comentar o castigo máximo e a dizer "non c`è tanto".]

 

Recordo que o golo do Braga despertou um Sporting até aí um pouco adormecido, embalado por dois golos madrugadores. Nem deu tempo para nas bancadas se recrear aquela onda de pessimismo tão típicamente leonina ("we will never make it..."), porque o trio Manuel Fernandes, Oliveira e Jordão abriu o livro. Geralmente, um deles estando bem já era auspicioso. Se dois estivessem ao melhor nível, a vitória estava assegurada. Mas quando os três tenores afinavam a voz... era de qualquer um cair aos seus pés. Assim foi naquela tarde cinzenta de Novembro. Nos últimos 18 minutos, o Sporting marcou 6 golos, uma coisa do outro mundo. Primeiro foi o Manél, completando uma carambola na área bracarense. Depois, Oliveira, bisando no jogo com novo golo de fora da área. De seguida, calhou a vez a Manuel Fernandes de bisar. Na origem dos dois últimos golos, Rui Jordão (Platini, ainda mal recuperado do susto do Euro 84, farta-se de o elogiar). Cansado de assistir, Jordão, à meia-volta, põe o seu nome no marcador. Faltavam ainda 6 minutos para o fim do jogo e o ambiente nas bancadas era electrizante. Os adeptos reagiam entre a incredulidade e a euforia desmedida. Lembro-me de pensar que estava a ter um sonho. Eis então que o craque Fernandes da época faz o seu hat-trick. Mas Oliveira ainda tinha mais génio para soltar da sua lâmpada e inicia um ataque frontal concluído com uma primorosa assistência para o brasileiro Eldon completar o placard. E não foram mais porque a partida terminou aí. Ainda assim, finalizada a décima jornada, o Sporting já tinha marcado por 32 vezes.

 

Estes 18 minutos contra o Braga constituiram a maior demonstração do génio do trio da frente leonino. Outros momentos houve de puro fascínio, e conquistas até bem mais importantes foram por eles protagonizadas, com destaque para a dobradinha de 82, mas se tiver de destacar um momento em que o profano tocou o sagrado então este é o tal. Cortesia dos "deuses" Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão.

28
Jul19

Os jogos da minha vida (I)


Pedro Azevedo

22.02.1976  Sporting - FC Porto 5-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas (capitão); Tomé, Laranjeira, José Mendes e Inácio; Nélson, Fraguito e Baltasar; Marinho (Libânio, aos 87 min.), Manuel Fernandes e Chico (Vítor Gomes, aos 63 min.).

 

Costuma dizer-se que não há amor como o primeiro, e este é provavelmente o jogo da minha vida. A minha estreia ao vivo no José Alvalade foi um baptismo de fogo, com um desafio entre o meu Sporting e o FC Porto. Tudo era novo para mim: a multidão concentrada nas bancadas, as luzes, os sons, as movimentações dos jogadores lá em baixo no relvado. Ainda por cima os ânimos andavam exaltados, consequência da Revolução ainda presente no espírito de todos. Para apimentar um pouco mais a coisa, Joaquim Dinis, o "Brinca na Areia", havia trocado à revelia os leões pelos portistas, explorando uma brecha criada pela nova lei das transferências, processo que não caíra bem aos dirigentes leoninos. Se bem me lembro, ainda estava a habituar-me ao cenário que viria a ser a minha segunda casa quando o Porto abriu o activo. Marcou o peruano Cubillas, aquisição milionária dos portistas que havia sido o terceiro melhor marcador do Mundial de 1970 (México) com 5 golos, um número que viria a repetir no Mundial de 1978 (Argentina), onde foi o segundo mais concretizador. Não passou 1 minuto sem que Chico - mais tarde dito Chico Faria para destrinçar de Chico Gordo, seu futuro parceiro de ataque no Braga - igualasse o placard. O grito de golo, o abraço ao meu pai, os sorrisos das pessoas à minha volta, tudo isso coincidiu para a minha primeira comunhão de sportinguismo no templo do leão. À meia-hora de jogo, nova explosão de alegria, com o repetente Chico a colocar-nos em vantagem.  

 

Juca era o treinador leonino (Monteiro da Costa, o portista), e Manuel Fernandes cumpria a sua 1ª temporada de leão, proveniente da CUF, tendo a seu cargo a difícil tarefa de fazer esquecer Yazalde, o anjo com cara de índio que no seu tempo enlouquecera de alegria as bancadas de Alvalade. O Manél de Sarilhos, por volta da hora de jogo, sentenciaria o destino do Porto, marcando o quarto golo do Sporting, culminando uma portentosa exibição. Antes, logo após o recomeço, Fraguito dera uma maior tranquilidade aos leões, obtendo o terceiro. Até ao fim do jogo, o voluntarioso Baltasar, melena loira ao vento, ainda dilataria mais o resultado. E muitos outros ainda ficariam por marcar, tanto quanto a memória ainda me permite relembrar. 

 

Vitória épica do Sporting, contra um Porto recheado de grandes jogadores e em tirocínio para um título de campeão nacional que não lhe escaparia durante muito mais tempo. Dessa equipa recordo Tibi, Gabriel, Simões, Rolando, Alhinho, Murça, Rodolfo, Octávio, Oliveira, Ademir, Seninho, Gomes, Cubillas e Dinis (não jogou em Alvalade), um plantel de luxo. Mas o meu olhar estava fixado em 3 dos 4 ídolos da minha juventude que eu conhecia pela rádio (a minha primeira memória é de um Sporting-Benfica de 1974, ainda com Yazalde, pouco tempo antes do 25 de Abril). E a verdade é que a elegância de Damas, o futebol sambado de Fraguito e a forma como o Manél colava a bola ao pé não me deixaram desiludido e amplamente superaram a tristeza de já não ter visto o "Chirola" ao vivo.

 

Assim começava um grande amor...

 

PS: Os Leitores recordam este jogo? Fica aberto o convite aos mais e menos jovens para relatarem aqui a sua primeira experiência de Sporting no estádio. E começa uma nova rúbrica do "Castigo Máximo": os jogos da minha vida. 

16
Jul19

Quiz43 - Imperador


Pedro Azevedo

Central considerado muito promissor no Brasil (jogou no Vasco da Gama), teve uma passagem pela Madeira antes de se afirmar no Sporting. De leão ao peito alinhou 5 épocas até partir para Itália, ganhando uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Foi sempre titular, e esse é o melhor elogio que se lhe pode fazer numa época em que o clube tinha defesas como Valckx, Naybet, Beto ou Quiroga. Para além de ter sentido o apreço constante dos adeptos, recebeu o Prémio Stromp na categoria de futebolista profissional. Quem é?

 

Resposta: Marco Aurélio foi titularíssimo do eixo da defesa leonina durante os cinco anos em que vestiu de verde e branco. Por isso, e devido ao seu homónimo antigo governante de Roma, herdou o cognome de "Imperador". Proveniente do Vasco da Gama, chegou a Portugal através do União da Madeira, clube onde cumpriu 4 temporadas. Saiu do Sporting rumo a Itália, mas o tempo dos Imperadores já tinha passado e teve de contentar-se com clubes de menor nomeada, como o Vicenza, Palermo, Cosenza, SPAL e Terramo, jogando apenas duas épocas na série A. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores RCL, A. Pereira e Alberto Miguel acertaram. Por ter sido o primeiro, RCL foi o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos pela participação.

marco aurélio.jpg

15
Jul19

Quiz42 - Novo nome, nova ventura


Pedro Azevedo

Foi uma das contratações de valor mais elevado à época, tendo custado cerca de 1 milhão de contos (aproximadamente 5 milhões de euros) ao Sporting. Estávamos no final do século XX. Esquerdino desconcertante que alternava momentos de génio com falhas técnicas clamorosas, acabou por ser dispensado. Rumou então primeiro à Argentina, e depois a Espanha e México, onde recuperou um ciclo virtuoso para a sua carreira, então já com um outro apelido por influência de um reencontro familiar. Quem é?

 

Resposta: Bruno Gimenez chegou ao José Alvalade em 1997, proveniente do Estudiantes de La Plata. As expectativas em seu redor eram elevadas (o clube pagou por ele muito dinheiro para a época), mas acabaram por se gorar. Acabaria por sair 2 anos depois para o Independiente (empréstimo), sendo depois vendido ao Villareal. Em Espanha teve uma carreira interessante que passou também pelo Tenerife. Mas acabaria por ser na Argentina (de novo Independiente e Boca Juniors) e no México que a sua estrela viria a brilhar bastante, ganhando a Libertadores pelo Boca e o campeonato mexicano pelo Pumas. Neste último acumularia o título de campeão com o de melhor marcador do campeonato. Aí já mudara o nome (e a sorte) para Bruno Marioni, seguindo assim a orientação paterna (na viragem do milénio o pai conhecera finalmente o seu progenitor e decidira adoptar o seu apelido de familia, que como sabemos pela cultura hispânica vem antes do nome da mãe na certidão de nascimento).

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores João Santos, RCL, LMGM, Pedro Alexandre Dias e Pedro Alvaleide acertaram. Por ter sido o primeiro, João Santos é o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos os que participaram!

12
Jul19

É bom não esquecer...


Pedro Azevedo

... Fernando Peyroteo, o maior goleador mundial de todos os tempos no rácio número de golos por jogos disputados. 

peyroteo.jpg

Para quando uma estátua de Peyroteo à entrada do José de Alvalade, de forma a assinalar inequivocamente a todos os sportinguistas (e desportistas em geral, inclusivé os milhares de visitantes estrangeiros anuais) o orgulho que temos na valia deste atleta que vestiu de leão ao peito durante doze anos?

 

PS: Cristiano Ronaldo e Figo, dois Bola de Ouro, têm um imenso significado para nós e para a afirmação da nossa Formação, mas Fernando Peyroteo foi enorme com a nossa camisola vestida. E isso faz toda a diferença.

 

 

08
Jul19

Quiz41 - Um quarto de século como atleta


Pedro Azevedo

Antes de se dedicar ao atletismo, iniciou-se na prática de ginástica. Eclético como o Sporting Clube de Portugal, praticou também natação e pólo aquático, andebol, ténis, râguebi e até tiro, mas a sua modalidade de eleição foi o atletismo. Sócio, chegou à presidência do clube ainda como recordista nacional dos 400m barreiras, especialidade onde venceu 3 Campeonatos de Portugal. Introdutor do râguebi no clube, a ele se deve o nosso actual equipamento listado horizontalmente verde e branco do futebol. Quem é? 

 

Resposta: Nascido em 1894, Salazar Carreira foi presidente do Sporting Clube de Portugal entre 19 de Fevereiro de 1925 e 23 de Fevereiro de 1926. Como atleta destacou-se pelo seu ecletismo, notabilizando-se no atletismo, nas especialidades de 400m barreiras (a sua favorita), 100m, 200m, 400m, 800m, 110m barreiras, estafeta 4x400m e pentatlo. Envergou a camisola do clube durante 25 anos (chegou a competir enquanto presidente) e foi o responsável pela introdução do voleibol, do andebol e do râguebi. As camisolas listadas que importou de França para a modalidade da bola oval acabariam por vir a fazer parte do equipamento oficial da equipa de futebol após terem por esta sido utilizadas pela primeira vez numa digressão ao Brasil. 

 

Vencedor do Quiz: os nossos Leitores KM e "8" acertaram. KM foi o mais rápido a fazer a quilómetragem de regresso ao passado e é o vencedor. Parabéns, e obrigado a todos pela participação.

salazar carreira.jpg

07
Jul19

Quiz40 - Turbo nos pés


Pedro Azevedo

Avançado estrangeiro, baixo, mas com grande mobilidade e asas nos pés, constituiu uma dupla de respeito com um outro ponta-de-lança proveniente da Cidade Berço. Jogou apenas uma temporada em Alvalade, mas destacou-se essencialmente por ter marcado 4 golos na edição da Taça das Taças dessa época. Perdeu protagonismo após a saída do treinador seu compatriota e acabou sacrificado pelas "unhas de leão". Quem é?

 

Resposta: Formado no sul de Inglaterra, mais concretamente em Southampton, Tony Sealy chegou ao Sporting pela mão de Keith Burkinshaw no início da temporada de 1987/88, proveniente do Leicester (tinha estado emprestado ao Bournemouth). Decorria ainda o consulado de Amado de Freitas. Com a ascensão de Jorge Gonçalves a presidente, e concomitante entrada das "unhas de leão", perdeu espaço no plantel e acabaria dispensado ao Braga. Assim, jogou apenas uma época em Alvalade, tendo-se destacado pelos 3 golos apontados ao Swarovski Tirol e ao nosso futuro guardião Ivkovic, em eliminatória da Taça das Taças. Nessa competição ainda voltaria a marcar, desta vez aos suecos do Kalmar. 

 

Vencedor do Quiz: os Leitores Pedro Alexandre Dias, Luis Ferreira, João Santos e Luis Barros acertaram. Pedro Alexandre Dias foi o primeiro e é o vencedor deste Quiz. Parabéns, e obrigado a todos pela participação. 

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03
Jul19

Quiz39 - Bebé leão


Pedro Azevedo

Nunca tendo sido um indiscutível titular no Sporting, ainda assim construiu um palmarés invejável consubstanciado em 239 jogos realizados (8 épocas, 63 golos), dois campeonatos nacionais conquistados e 3 Taças de Portugal (marcou em duas dessas finais). Avançado, destacou-se pela sua versatilidade, a qual lhe permitia jogar em qualquer uma das três posições da frente. Foi internacional português. Quem é?

 

Resposta: Proveniente da famosa cantera (os "bebés de Matosinhos") do Leixões criada por Óscar Marques, Chico actuou no Sporting durante 8 temporadas. Nesse período foi 3 vezes internacional A. Mais tarde, já no Braga e conhecido como Chico Faria (para distinguir do outro avançado, Chico Gordo), ainda somaria a quarta internacionalização. Acaba por ficar na nossa história como um dos jogadores que mais partidas realizou de leão ao peito não sendo um óbvio titular.

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores RCL, João Santos, JMA e "8" acertaram. RCL foi o primeiro e é ele o vencedor deste quiz. Parabéns!

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02
Jul19

PetroMAX


Pedro Azevedo

Tem vindo a ser noticiado que Radosav Petrovic não fará parte do plantel do Sporting para o ataque à temporada de 2019/20. Tenho de dizer que concordo com essa decisão. No entanto, não gostaria de deixar passar a ocasião sem relembrar aquela noite de Braga em que o sérvio aceitou ficar em campo de nariz partido (já depois de André Pinto ter saído com o mesmo problema), para mais a jogar numa posição (defesa central) que não seria a mais confortável para si, sacrificando-se em prol da equipa e mostrando-se à altura do nosso lema de esforço, dedicação, devoção e glória. 

 

Petrovic nunca conseguiu exibir fora de casa o esplendor dos seus primeiros tempos no Partizan de Belgrado. Ainda assim foi mantendo alguma regularidade exibicional no Blackburn Rovers e naquele clube turco de nome impronunciável que um dia causou escândalo em Alvalade (Gençlerbirligi). Até essa fase da sua carreira acumulou 44 internacionalizações pela selecção principal sérvia. Não mais viria a representá-la, datando a sua última presença de 2015. Uma passagem mal conseguida pela Ucrânia, onde representou o Dinamo de Kiev, tirou-lhe ritmo e, aparentemente, confiança. Durante 1 ano apenas realizou 7 jogos e foi nessas circunstâncias que rumou a Alvalade. Jogador com bom passe, mas sem intensidade e com pouco perímetro de acção, nunca foi o "6" que a equipa precisava. Para além disso, a concorrência de William Carvalho não lhe deu qualquer hipótese. 

 

Ainda assim, foi sempre um profissional honesto. Merece, como tal, que lhe agradeçamos e lhe desejemos as maiores felicidades para o futuro. E fica uma certeza: dando razão à máxima estafada de que uma imagem vale mais do que mil palavras, jamais esqueceremos a forma abnegada, dir-se-ia decisiva, à leão, como preferiu ficar em campo (pedindo só que lhe trocassem rapidamente a camisola cheia de sangue) e assim participou na conquista da Taça da Liga. Nesse dia deixou de ser um Petromax, como em tempos jocosamente lhe chamei - aludindo ao facto de ser muito alto e demasiado posicional (um "candeeiro") - , para passar a ser um PetroMAX, por ter com a sua atitude iluminado toda a equipa. Por isso, Radosav, serás sempre bem-vindo de visita a Alvalade. 

petrovic1.jpg

29
Jun19

Quiz38 - Ala endiabrado


Pedro Azevedo

Tinha um nome que recordava um actor famoso e muita ginga no seu pé direito. Veloz e com um bom remate, ficou aquém das melhores expectativas no Sporting. Reluziria no Bessa, onde Manuel José conseguiu extrair todo o seu potencial. Aí venceria uma Taça de Portugal e uma Supertaça, para além de ter sido preponderante no feito histórico que consistiu na eliminação do Inter de Milão. Era o regresso do Boavistão, o clube das camisolas esquisitas que impressionava a Europa. Infelizmente para nós todos, ele que foi um dos destaques do campeonato pernambucano e muito influente no Boavista, não conseguiu atingir o mesmo sucesso no Sporting, clube onde efectuou 69 jogos e marcou 9 golos. Quem é?  

 

Resposta: Marlon Brandão chegou ao Sporting na temporada 1986/87, proveniente da equipa brasileira do Santa Cruz. As expectativas eram grandes à sua volta, ele que havia sido o carrasco dos grandes rivais do Santa Cruz (Náutico e Sport Recife) no campeonato pernambucano, mas não conseguiu confirmá-las totalmente de leão rampante ao peito, tendo saído ao fim de 4 temporadas (empréstimo de 1 ano ao Estrela da Amadora pelo meio) para o Boavista. Ironia do destino, de uma combinação com outro ex-leão (Fernando Mendes) marcou o primeiro golo da vitória caseira sobre o Inter de Milão, triunfo que posteriormente, após empate sem golos no Giuseppe Meazza, permitiria à equipa das "camisolas esquisitas" (termo usado pelos italianos para a descrever) ultrapassar o colosso italiano. E não foram dois, porque o árbitro da partida no Bessa lhe anulou (pretenso "off-side") um golo limpo. Brilharia também com golos nas vitórias na Taça de Portugal contra o Porto e Supertaça contra o Benfica. Infelizmente para nós, sportinguistas, Marlon foi mais um daqueles jogadores com muito talento que não deu certo em Alvalade. Como curiosidade, em entrevista recente destacava a honra que tinha tido em jogar com Manuel Fernandes e Fernando Gomes. Sobre este último, dizia que quando a equipa não sabia o que fazer metia a bola na área que ele resolvia. 

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores Luís Barros, JG, RCL, JMA e João Santos acertaram. Luís Barros, por ter sido o primeiro, é o vencedor. Parabéns a todos pela participação, e o meu muito obrigado. 

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28
Jun19

Quiz37 - Em Coimbra licenciou-se em golos


Pedro Azevedo

Oriundo do Vasco da Gama, este avançado brasileiro chegou a Portugal para jogar pela Académica. Dotado de um invejável jogo de cabeça, no clube de Coimbra foi muito feliz, tendo realizado 5 épocas, com destaque particular para a última em que obteve 41 golos no campeonato da 2ª divisão. Tanta proficiência em frente às balizas valer-lhe-ia um passaporte para Guimarães e, mais tarde, para Alvalade. No Sporting não teve concorrência fácil. Era o tempo de Manuel Fernandes e de Jordão, a que se juntariam mais tarde o argentino Saucedo e o inglês Raphael Meade. Ainda assim, jogou 40 partidas de leão ao peito e facturou 12 golos. Quem é?

 

Resposta: Eldon chegou ao Sporting na temporada de 84/85. Dada a forte concorrência no ataque, não foi muito utilizado. Destacava-se pelo bom jogo de cabeça e pelo instinto matador. Ainda jogou em 85/86, acabando por ser cedido ao Marítimo no início da época seguinte, terminando a carreira na sua Académica. Faleceu precocemente em 2017, aos 59 anos de idade.

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores Luís Ferreira, RCL, LMGM e Leão do Quioque, por esta ordem, acertaram na resposta correcta. Por ter sido o primeiro, Luís Ferreira (on-fire!!) foi o vencedor. Parabéns a ele, e obrigado a todos os que participaram!

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(Imagem: gloriasdopassado.blogspot.com)

27
Jun19

Quiz36 - O Desejado


Pedro Azevedo

Chamado por Diego Armando Maradona à selecção argentina, ganhou a sua primeira internacionalização contra o Panamá. Já como jogador do Sporting voltaria a vestir a camisola albiceleste. Médio defensivo muito voluntarioso e um dos favoritos das bancadas, uma incomodativa lesão num tornozelo roubou-lhe protagonismo. A ascensão de William Carvalho fez o resto. Do Sporting partiu para a Sicília, onde voltaria a ser um dos ídolos do público. Terminada a experiência italiana, regressou ao seu clube de origem (Gimnasia de La Plata). Actualmente, representa um clube apelidado na Argentina como "Los Canallas" (Os Canalhas), um grande rival de um dos clubes ("Os Leprosos") por onde d10s, o homem que lhe deu a primeira oportunidade na selecção, passou como jogador. Quem é? 

 

Resposta: Fito, o Desejado, ou El Toro, foram alguns dos apodos colocados a Fabián Rinaudo numa carreira que ainda prossegue no Rosario Central (grande rival do Newell`s Old Boys). Teve um impacto imediato na equipa do Sporting mal chegou a Alvalade (2001), tendo mesmo sido eleito como um dos capitães. No entanto, uma incomodativa lesão no tornozelo e a recidiva que se lhe seguiu resultante de um jogo de futebol de triste memória transformado numa autêntica caça ao homem perante a complacência do trio de arbitragem acabariam por estar na origem da perda de titularidade. Não ainda totalmente recuperado, a ascensão de William Carvalho roubou-lhe a possibilidade de jogar com mais assiduidade, acabando por ser no Inverno de 2014 com destino a Catânia. Para sempre na nossa memória ficou a sua coragem e enorme disponibilidade física, características que o identificaram junto da massa associativa como um "jogador à Sporting". 

 

Vencedor do Quiz: Os Leitores Luís Ferreira, RCL e A. Pereira acertaram, bem como um conjunto de anónimos impossíveis de validar. Tendo sido o primeiro a enviar a resposta, Luís Ferreira foi o vencedor. Parabéns e obrigado a todos pela participação. 

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26
Jun19

Conhecer Pedro Rocha


Pedro Azevedo

Poucos o saberão mas, para além de DiStefano, o Sporting teve um treinador que no seu tempo de jogador foi considerado um dos melhores do mundo. O próprio Pelé (seu grande admirador) colocou-o no seu Top 5. Falo de Pedro Rocha, médio de ataque, o único uruguaio até hoje a disputar 4 Campeonatos do Mundo (1962, 66, 70, 74). Pelo Peñarol venceu dois Campeonatos do Mundo de clubes, ganhou por três vezes a Taça dos Libertadores da América e sete campeonatos do Uruguai. Mudou-se então para o São Paulo, clube onde adicionou ao seu palmarés mais três títulos: dois campeonatos paulistas e um campeonato brasileiro. Jogando sempre de cabeça levantada, dotado de excelente técnica e de um remate forte e colocado, Pedro Rocha notabilizava-se também pelo seu bom jogo de cabeça, técnica que dizia ter aprendido com Béla Guttmann, o ex-treinador do Benfica que liderou o Peñarol em 1962. No Brasil ganhou a alcunha de "Verdugo", dada a forma como castigava os adversários sem piedade com as suas fintas. No total da sua carreira marcou 213 golos, marca excelente para um médio atacante/segundo ponta de lança.

 

Como treinador, teve a infelicidade de chegar a Alvalade numa época conturbada dos leões durante o mandato de Jorge Gonçalves. Apesar das "unhas" que haviam chegado, as dificuldades de tesouraria do clube acabaram por afectar o ambiente do balneário e isso reflectir-se-ia nos resultados. Rocha acabaria assim por ser substituído no comando técnico por Manuel José (Damas interinamente). 

 

Pedro Rocha e uma faceta (a de jogador) talvez menos conhecida dos adeptos do Sporting. Da sua passagem por Alvalade relembro o tom calmo do seu discurso e a sua extrema educação. Um senhor! Infelizmente, deixou-nos em 2 de Dezembro de 2013, um dia antes de completar 71 anos de idade. 

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Entre Fernando Peres e Jorge Gonçalves, todos já desaparecidos.

22
Jun19

Quiz35 - Pulmão de leão


Pedro Azevedo

Natural da freguesia lisboeta de Alcântara, inicou a sua actividade no Atlético. Vencedor da Taça de Portugal pelo Boavista, foi no Belenenses que conseguiu a sua primeira (e única) internacionalização. E que internacionalização: em jogo contra a Espanha, marcou um golo de levantar o estádio, ao aplicar 3 túneis consecutivos aos adversários que lhe apareceram no caminho, o consagrado guarda-redes Arconada incluído. Chegou então ao Sporting. Jogador raçudo e com boa técnica, Allison viu nele o ponto de equilíbrio, a trave-mestra que suportava o génio de Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Quem é?

 

Resposta: Nogueira chegou ao Sporting na temporada de 81/82. Apesar de ter realizado uns impressionantes 68 jogos pelos leões, acabou dispensado no final da época seguinte. Destacava-se pelo grande pulmão e por uma boa técnica, características comuns a Ademar e a Marinho, que fizeram deles o batalhão de sapadores que contrabalançava a genialidade, mas também a de outra forma insustentável leveza, do trio atacante de luxo do Sporting desse tempo.

 

Vencedor do Quiz: os Leitores Leão do Quiosque, Luís Ferreira, Luís Barros, João Santos e JMA acertaram (entre outras respostas correctas que não vieram acompanhadas de identificação). Leão do Quiosque foi o vencedor, pois foi o primeiro a responder acertadamente.

15
Jun19

Quiz34 - Entre o Sporting e os estudos


Pedro Azevedo

Extremo esquerdo internacional português, o serviço militar obrigatório cumprido no Ultramar afastou-o da titularidade no Sporting. A emergência de Dinis fez o resto, colocando assim um travão no que se perspectivava ser uma promissora carreira. Esteve nos pré-convocados para a epopeia do Mundial de 66, mas não viria a fazer parte do lote final dos Magriços que se deslocou a Inglaterra. Formado nas escolas do Sporting, alternou a sua carreira entre o Sporting e a Académica, clube para aonde uma licenciatura em engenharia agrónoma na Universidade de Coimbra o levou. Quem é?

 

Resposta: Oliveira Duarte jogou 5 épocas no Sporting. Chamado para cumprir o Serviço Militar Obrigatório no final de 66, que incluiu um período no Ultramar, acabou por perder o ritmo que trazia da época anterior, onde realizara 35 jogos e marcara 9 golos. A concorrência de Marinho, Chico e, principalmente, Dinis fez com que no regresso jogasse pouco. Ainda assim realizou 49 jogos de leão ao peito e marcou 14 golos, números muito aceitáveis para um extremo. Migrou então a Coimbra (1970) para terminar a sua licenciatura, jogando mais 3 épocas na Académica, clube por onde já tinha passado sob empréstimo do Sporting no início da sua carreira. 

 

Vencedor do Quiz: houve uns comentários anónimos com a resposta correcta. O primeiro Leitor a acertar na resposta, indicando nome ou pseudónimo, foi HY. Mais tarde, o nosso Leitor João Santos reivindicou ser um dos anónimos que respondeu primeiramente. Salomonicamente, vou considerar HY e João Santos como os vencedores. O Leitor RCL também respondeu correctamente. 

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