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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

16
Jul20

Tudo ao molho e fé em Deus

Pentágono não evitou festa dos Aliados


Pedro Azevedo

O Sporting foi derrotado no Dragão e a tentação de o justificar devido à utilização de muitos miúdos da nossa Formação será certamente grande. Todavia, do meu ponto de vista tal não só será injusto como também perigoso. Injusto, porque apesar do desaire Matheus Nunes iluminou a noite do Porto com uma exibição onde mostrou categoria e personalidade perante os dois armários que Sérgio Conceição lhe colocou pela frente e Nuno Mendes voltou a deixar água na boca em relação ao seu futuro. Perigoso, na medida em que poderá transmitir a ideia que é só deixar crescer os jovens e acrescentar-lhes experiência para sermos felizes quando na verdade precisamos essencialmente não só de tempo como também de jogadores consistentes e de qualidade a enquadrar a nossa Formação, o que implicará uma abordagem ao mercado completamente diferente daquela que tem vindo a ser seguida até aqui tanto nas compras como nas vendas.

 

Trago à colação o enquadramento porque ao longo de ano e meio perdemos Nani, Raphinha, Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu, qualidade que foi substituída por quantidade que na sua esmagadora maioria não se impôs. Ontem, por exemplo, Sporar foi de uma inoperância total e até defensivamente falhou ao não ter atacado a bola convenientemente no lance do primeiro golo. Na lateral/ala direita, Ristovski é um brioso profissional que apesar das suas limitações técnicas ainda oferece mais garantias que duas contratações (Rosier e Camacho) que juntas custaram muito dinheiro (10,9 milhões de euros mais o passe de Mama Baldé). Ilori, Neto, Borja, Eduardo, Doumbia são curtos para o Sporting e Vietto tem qualidade mas é estatisticamente pouco relevante, não justificando na plenitude o investimento feito na sua contratação e o seu elevado custo salarial para o clube. De Fernando, Bolasie e Jesé nem vale a pena falar e Luiz Phellype está há muito tempo lesionado. 

 

Assim sendo, apenas Matheus Nunes e Gonzalo Plata, dois jovens, parecem mostrar qualidade suficiente que justifique a aposta que neles foi feita aquando da sua contratação, o que é manifestamente curto para um investimento de 50 milhões de euros e custos com pessoal consideráveis. Acresce que dos que já cá estavam só Acuña é de primeiro plano, pese embora não seja um jogador consensual para quem não entende que muitas vezes as nossas principais qualidades estão perto de ser os nossos principais defeitos. Mais inteligente que a média, Bruno Fernandes resumiu tudo quando alertou que ao tentar corrigir-se os defeitos do argentino poder-se-ia correr o risco de afectar as suas melhores qualidades. Em relação aos outros, Battaglia demora a adquirir a forma anterior à lesão e é uma incógnita para o futuro, Wendel alterna jogos muito bons com outros em que adopta o modo Zé Carioca e mais parece um holograma, Ristovski é limitado ofensivamente e Coates, embora menos exposto pelo sistema de 3 centrais que lhe exige essencialmente que tenha atenção às dobras, tem falta de velocidade, pouca saída de bola e por vezes desconcentra-se na marcação. Sobra o renascido Jovane, um valor seguro nem sempre bem entendido. Mas tem apenas 22 anos e não se lhe pode colocar um peso excessivo em cima dos ombros. Atlas já houve um, chama-se Bruno Fernandes e tem imensa categoria, mas nem ele conseguiu evitar que a época fosse um flop. 

 

Deste modo, é importante perceber que há muitos jogadores no plantel com uma relação custo/benefício deficitária que deveríamos alienar ou emprestar, a fim de se poder libertar cash-flow para a realização de alguns investimentos efectivamente produtivos. Comprar por comprar será apenas mais do mesmo, pelo que os resultados dessa política estarão sempre em linha com o que foi a realidade desta época. Comprar em quantidade, sempre alegando não haver dinheiro, só por si já constituiria um paradoxo, pois essas aquisições acabam por se revelar muito mais onerosas do que a simples contratação de 3 jogadores de qualidade indiscutível, não só pelo investimento inicial como também pelo custo total que o clube acaba por pagar no somatório dos anos de contrato de cada jogador. Ora, se do ponto de vista financeiro o resultado dessa política é desastroso, o impacto desportivo não é melhor, o que numa segunda derivada acaba por comprometer ainda mais as nossas finanças devido à não qualificação para a Champions. 

 

O jogo? Uma primeira parte muito equilibrada em que as equipas se encaixaram perfeitamente uma na outra, bloqueando muito o jogo a meio campo, com muitas faltas à mistura. O primeiro golo do Porto diminuiu a ansiedade dos dragões e facilitou-lhes a vida. Tudo se resumiu à concentração. Um erro individual ofereceu o primeiro golo ao Porto e uma sucessão de erros individuais resultou no segundo. Se Sporar não atacou devidamente a sua zona de acção no canto (do cisne), no segundo golo Wendel alheou-se do lance, Geraldes deixou-se ir no engodo de uma disputa de bola onde Matheus já estava envolvido e deu todo o tempo do mundo a um portista sem pressão para fazer a assistência e Coates só olhou para a bola e esqueceu-se de Marega nas suas costas. 

 

Se perdemos devidos a erros individuais, não foi certamente devido ao sistema do pentágono que fomos menos competentes defensivamente. Porém, do ponto de vista ofensivo foram visíveis as dificuldades de desdobramento da equipa, demasiadas vezes apenas com um jogador (ou 2) nas imediações da área adversária quando em posse ou transição. Pouca chegada para um clube grande e a requerer que futuramente tanto o lateral/ala do lado oposto da bola como um segundo médio apareçam muito mais vezes nos envolvimento atacantes. Disso dependerá o sucesso ou insucesso futuro deste sistema a nível de resultados e também em termos de uma qualidade exibicional que entusiasme sócios e adeptos a comparecerem em massa no José Alvalade e nos estádios deste país assim que as condições sanitárias o permitam. Compreenda-se porém que Ruben Amorim leva muito pouco tempo de trabalho com esta equipa e que há rotinas que demoram até que estejam totalmente interiorizadas. Enfim, há uma base, é preciso é que a direcção do clube acrescente alguma coisa ao processo, não permitindo que se criem falsas expectativas em relação a 2020/21 que justifiquem mais incursões desmesuradas no mercado.  Repito o que tenho vindo a dizer em vários momentos: se queremos estar a lutar pelo título daqui a 2 anos, então precisamos de dar um passo importante na próxima época, e esse passa por apenas 3 contratações que acrescentem qualidade indiscutível à equipa. Esse é o caminho, o resto serão atalhos para o abismo. E não me digam que não há dinheiro, não quando se investe anteriormente cerca de 60 milhões em jogadores (15) e treinadores (mais ordenados) e se pagam indemnizações milionárias por apostas mal sucedidas. Tem de haver dinheiro, eliminem é as redundâncias que fazem com que tenhamos custos na SAD próximos dos 110 milhões de euros anuais e um plantel que custa 70 milhões, valores que necessitam de um corte urgente de aproximadamente 35%, pois são despesas que criam estrangulamento na tesouraria e não se justificam de todo quando temos uma boa base da Formação. Mas sobre isso pouco se ouve.

 

Parabéns ao F.C. Porto pelo título de campeão nacional!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes (elevar o nível do seu jogo num palco grande não é para todos, especialmente quando se trata de um jovem jogador)

 

P.S. Peço desculpa, mas hoje a minha costela irónica ressentiu-se da derrota.

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14
Jul20

Entre as brumas da memória


Pedro Azevedo

Entre brumas ou nevoeiros, uma visita ao purgatório e o inferno de (Alder) Dante ali tão perto, no dia 18 de Outubro de 1975 o Sporting deslocou-se às Antas e venceu o Futebol Clube do Porto por 3-2. O Porto tinha acabado de ir buscar Alhinho e Dinis a Alvalade, situação que aqueceu os ânimos entre os clubes. Branko Stankovic estava no banco dos dragões, o imortal Júlio Cernadas Pereira (Juca) era o treinador do Sporting. Chico Faria (9 minutos), Manuel Fernandes (em época de estreia, aos 15 minutos) e Baltasar (aos 74) marcaram para nós, Murça (19) fez o golo legal do Porto. O outro (57 minutos), que momentaneamente empatou a partida, validado e atribuído a Fernando Gomes, foi efectivamente concretizado por um apanha-bolas (José Matos) que sorrateiramente, a coberto do intenso nevoeiro que se fazia sentir, introduziu a bola dentro das redes de Vítor Damas sem que o árbitro da partida vislumbrasse a infração. Pese esta vicissitude, o Sporting venceu a adversidade e saiu do Porto com uma vitória. Quarenta e cinco anos depois, que tal seja inspirador para os leões que amanhã pisarão a relva do Estádio do Dragão. Força rapazes!

07
Jan20

Rescaldo do Clássico


Pedro Azevedo

Em Portugal, o comentário futebolístico enferma muito de contaminação pelo resultado. A verdade é que foi o melhor jogo que a actual equipa do Sporting pode fazer. Num dia normal até teria dado para ganhar. Não deu porque no desporto, como na vida, a eficácia é determinante. Por muito que se valorize o trabalho, a transpiração necessita sempre do auxílio da inspiração para produzir resultados. Assim, apesar de ter querido mais ganhar que o seu adversário, o Sporting acabou por perder. E de forma justa, na medida em que no futebol ganha quem marca mais golos e o Porto fez mais um. 

 

No futebol, a eficácia está dependente da concentração e da qualidade dos jogadores. Duas distrações defensivas leoninas resultaram em dois golos portistas, má definição em frente da baliza impediu o Sporting de materializar no marcador a sua superioridade em campo (Marchesin nem sequer foi chamado a defender em qualquer uma das seis ocasiões flagrantes de golo desperdiçadas pelo Sporting, o que atesta o demérito leonino na hora da concretização). 

 

Ao contrário do que é habitual, não foi um jogo onde os médios tenham estado particularmente bem. Especialmente os volantes ("6") ou segundos volantes ("8"), que passaram um pouco ao lado do jogo. Doumbia e Danilo deram pouco ao jogo ofensivo das suas equipas e defensivamente foram apanhados demasiadas vezes desposicionados, Wendel e Uribe tiveram posse sem grande critério. Com Bruno Fernandes muito vigiado nas suas acções, encontrando apenas espaços por fora, acabaria por ser Nakajima a dar mais nas vistas, quebrando linhas com entradas em drible que desestabilizaram a linha média leonina.

 

Houve uma importante componente de estratégia por parte dos dois treinadores, a qual se materializou mais pelas movimentações na esquerda dos dois ataques: Sérgio procurando posicionar aí Marega para explorar as suas diagonais nas costas da defesa dos leões, Silas tentando aproveitar o balanço ofensivo de Acuña - o melhor jogador em campo - em contraponto com a menor propensão defensiva de Corona. No final, ambos os treinadores recolheram dividendos dessas apostas estratégicas. Adicionalmente, o Porto voltou a ser muito forte na bola parada, momento do jogo em que é a equipa mais forte do campeonato, tendo Soares resolvido na sequência de um pontapé de canto.

 

O Porto tinha 3 soluções atacantes no banco que o Sporting não possui. Aboubakar, Zé Luis ou Luis Diaz seriam titulares de caras no Sporting e nem sequer jogaram de início nos dragões. Tal possibilitou a Sérgio lançar o colombiano com acréscimo de rendimento global para toda a equipa, algo que Silas não conseguiu com a introdução de Jesé, Plata e Camacho.

 

Sendo certo que ambas as equipas precisavam de ganhar, Silas mostrou maior ambição do que Sérgio. No entanto, a vitória viria a cair no regaço do treinador portista sem que este tivesse feito muito para a merecer. Sérgio privilegiou sempre o controlo das operações à tentativa de desequílibrio e quando mexeu na sua equipa já o jogo poderia estar perdido se o Sporting tivesse minimamente aproveitado o ascendente que teve nos primeiros 25 minutos da segunda parte. Mas, em jogos deste tipo, quem tanto falha (ofensiva e defensivamente) fica sempre mais próximo de perder. Em resumo, mais do que o Porto ter ganho o jogo, o Sporting é que o perdeu. 

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06
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Dias inglórios


Pedro Azevedo

Consta numa certa mitologia encarnada que Prometeu roubou o fogo a Zeus para o entregar aos No Name Boys. Deste modo, o grupo desorganizado de adeptos benfiquistas deslocou-se a Guimarães para proceder à passagem de testemunho da tocha olímpica. O Barão de Coubertin deve ter ficado embevecido. Já Varandas, olimpicamente, ignorou o acontecimento, perdendo a oportunidade de alertar publicamente o governo que isto da necessária repressão às atitudes anti-desportivas e ao vandalismo associado ao futebol não é um assunto que diga só respeito ao seu clube. 

 

Enquanto uns veem glória em criar desumanidade, outros não verão glória nenhuma em viver o Sportinguismo com paixão. Não deverá ter sido com este sem-vontade que um dia José Alvalade fez nascer o Sporting Clube de Portugal, mas hoje o hino "O mundo sabe que..." voltou a ser entoado já com o jogo a decorrer, assim a modos como para cumprimento de uma mera formalidade protocolar e como tal destituído de alma ou identidade. 

 

Nunca é fácil ao Sporting deslocar-se ao Dragão e ter que levar com o vibrante apoio dos portistas à sua equipa. Tal reflectiu-se essencialmente nos primeiros 45 minutos, período em que o Porto dominou as operações a meio-campo. Não que os pupilos de Sérgio Conceição tenham criado grandes oportunidades de golo, pois apenas procuraram controlar os acontecimentos após o seu golo madrugador, mas com Doumbia e Wendel sempre atrasados a chegar à bola e as alas sem dinâmica pode considerar-se que o empate no marcador por via de um golo de Acuña em cima do intervalo era lisonjeiro para os leões. É verdade, o Acuña é que repôs a igualdade! O trauliteiro, irascível, louco mesmo, aquele que devíamos vender o quanto antes, o mal-amado em Alvalade que seria herói na Luz ou no Dragão. Aquele tipo de jogador com quem se ganha campeonatos, luxo a que devemos estar tão habituados que quaisquer 20 milhões no último Inverno (e menos actualmente, a fazer fé nos jornais) teriam sido suficientes para o levar com o consentimento e anuência de alguns dos nossos adeptos.  

 

No segundo tempo tudo mudou. O Sporting finalmente teve algum apoio proveniente das bancadas e Acuña, que já tinha marcado, desatou agora a assistir. Primeiro para Luíz Phellype, depois para Bruno Fernandes, finalmente para Vietto. Tudo desperdiçado ingloriamente. Pelo meio, assistido respectivamente por Bruno e Luíz Phellype, Vietto teve outras duas oportunidades igualmente não concretizadas, uma das quais com a bola a esbarrar no poste. Tanta falta de eficácia não augurava nada de bom e o Porto adiantar-se-ia de novo no marcador na sequência de um canto, com Soares a superiorizar-se nas alturas a Doumbia e a bater sem apelo nem agravo Max. Nada voltaria a ser igual. É certo que Coates ainda atiraria à barra, mas o Sporting já não mostraria mais a mesma clarividência e agressividade no desenvolvimento das jogadas, tendo até Max evitado o pior em duas ocasiões. Assim, o resultado já não seria alterado.

 

Silas fez o melhor que pôde com a matéria-prima que lhe ouseram à disposição. A equipa bateu-se com brio e foi abnegada, nunca se poupando a esforços. Mas é facilmente constatável que falta qualidade global. É certo que Mathieu, Bruno Fernandes e Acuña mostram ter muita qualidade, mas falta quem os acompanhe ao mesmo nível: Vietto é um jogador de espaços curtos, com boa técnica, mas mais uma vez mostrou não ter golo, Bolasie é tão esforçado como tosco, Doumbia não tem tempo adequado de entrada aos lances, Wendel é muitas vezes inconsequente, Luíz Phellype passa muito tempo sem bola porque a equipa não privilegia os seus apoios frontais (isolou Vietto numa das poucas ocasiões em que a equipa o serviu desse modo) e Ristovski e Coates têm uma atitude muito profissional, mas não são excelentes. Max, apesar dos muito bons sinais, ainda é só uma promessa. 

No entanto, faz sentido questionar a razão pela qual Pedro Mendes não foi convocado. Não havendo outro ponta de lança para além de Luíz Phellype, Silas preferiu incluir um "avançado centro" como Jesé em detrimento do jovem que viria na véspera a confirmar nos sub-23 os seus dotes de goleador. Evidentemente, o espanhol viria a ser a nulidade do costume, desta vez procurando mais o confronto com os adversários do que com a bola. Também não se compreendeu muito bem porque é que Plata se foi posicionar atrás do ponta de lança, permanecendo Vietto na ala, quando as características de ambos recomendariam o inverso. Até a obstinação em subvalorizar Matheus Nunes face a Wendel, Miguel Luis e até Eduardo pode e deve ser chamada à colação, pelo que Silas ainda tem muito a experimentar antes de dizer que precisa de mais gente para ajudar. O que não invalida que escasseiem opções de qualidade para fazer muito melhor com o plantel que tem. Como Keizer não tinha, aliás. E disso, um e outro não serão certamente os responsáveis, 40 milhões de investimento depois. 

 

Voltámos ao quarto lugar no campeonato e estamos a mais pontos do primeiro (16) do que da zona de despromoção (13). Em condições normais tal seria considerado alarmante. Mas nós estamos concentrados em limpezas. É o que nos dizem: é preciso limpar. Eu entendo. O problema é que, aparentemente, a limpeza está a tornar-se inconciliável com a boa gestão desportiva, o que é pena não ter sido compreendido pelos sócios aquando do acto eleitoral. É que bastaria terem escolhido a Servilimpa e a coisa naturalmente teria saído mais barata. E surgem receios de que a limpeza não fique pela curva sul, temendo-se que não mudando a gestão do futebol cada ocupante das restantes bancadas se comece a limpar a si próprio até ao ponto em que Varandas já não tenha ninguém para limpar. Nesse momento terá de chamar alguém de fora para o limpar a ele e a limpeza ficará concluída. A maçada é que o Sporting, como o conhecemos desde sempre, também. Entretanto, o Rabbani não ficou sequer para as rabanadas, o Raul José mandou uns avisos à navegação e o projecto desportivo dá efusivos sinais de não se estar a sentir nada bem, o que é uma prosopopeia que se calhar não tem o estilo suficiente num clube onde o projecto desportivo é uma figura da mitologia que geralmente precede uma tragédia grega com peripécias tão devastadoras que transformam aquelas que Eurípedes, Ésquilo ou Sófocles mostraram ao mundo em inócuos contos para meninos. Agora só falta vender o Acuña e o Bruno, reformar o Mathieu e investir num satélite do Manchester City. Aí, sim, estarão alinhados os planetas e o Sporting não voltará a macular ninguém.

 

Entrementes, algures no espaço:

"This is Major Tom to Ground Control, I'm feeling very still" - Space Oddity

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña (enorme!!!)

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04
Jan20

"Seven" - 7 Desejos para o Clássico


Pedro Azevedo

Domingo teremos Clássico em Alvalade, com a visita do FC Porto. Eis os meus desejos para o jogo:

 

  1. Ambiente no estádio: que seja audível e visível para todos que o Sporting joga em casa e não no Dragão;
  2. Respeito pelos símbolos leoninos: tal como a "Marcha do Sporting", cantada pela Mª José Valério, espero ouvir entoar "O Mundo sabe que..." antes de a bola começar a rolar, à semelhança aliás do que acontece em Anfield com "You`ll never walk alone", ou em Camp Nou com "Cant del Barça". Os hinos são para serem sentidos, interiorizados no seu "tempo" perfeito, pelo que a sua exibição não deve corresponder ao cumprimento de uma mera formalidade burocrática desprovida de alma e identidade;
  3. Fair-play: no relvado, nas bancadas, à entrada e saída do estádio deve imperar o respeito entre os intervenientes, nunca se confundindo a sã rivalidade com a guerra;
  4. Comunhão dos Sportinguistas: por muito que existam diferenças entre todos (e as há), cada Sportinguista presente no estádio tem o dever de apoiar o Sporting. E o Sporting, no caso, será representado por aqueles 11 que irão a campo mais os 7 suplentes e equipa técnica, razão suficiente para não se esperar menos do que o apoio incondicional à nossa equipa durante os 90 minutos do jogo;
  5. Invencibilidade leonina em Alvalade: o Porto não vence em Alvalade desde Outubro de 2008. Que assim continue(!), mas com a vitória do Sporting no final;
  6. Ovo de Colombo: ovo de Colombo, ou de Fernandes, em Bruno depositamos a esperança de tornar possível aquilo que para muitos opinadores se afigura difícil e assim fazer a diferença final no marcador. De Silas não esperamos nenhuma invenção, apenas que coloque os melhores jogadores em campo e mantenha o 4-3-3 que melhores resultados vem apresentando;
  7. Trio Maravilha e fato-macaco: Que a qualidade de Jeremy Mathieu, Marcos Acuña e Bruno Fernandes e o compromisso de Ristovski, Coates e Bolasie contagiem positivamente os seus companheiros. Só assim será possível a tão desejada vitória.

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03
Nov19

A andar sobre rodas


Pedro Azevedo

Perez, Platero e Font marcaram os golos, Girão manteve a baliza inviolável. Com um Pavilhão João Rocha ao rubro, o Sporting venceu o Porto (3-0) e à 4ª jornada permanece invicto no campeonato nacional de hóquei em patins. Após previamente terem batido a Oliveirense, os leões obtêm assim o 2º triunfo contra um candidato directo ao título. 

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Foto: A Bola

07
Set19

Clássicos "Castigo Máximo" - A metamorfose


Pedro Azevedo

Era uma vez um treinador, de nome Marcel Keizer, que abandonou a sua terra natal para tentar uma carreira de sucesso em Portugal. As ideias eram positivas, o futebol agradável e assim o seu primeiro mês foi uma fábula feita de histórias de encantar cheias de vitórias e goleadas para entreter pequenos e graúdos leões. No entanto, um dia, e sem que nada o fizesse prever, Keizer acordou metamorfoseado em treinador tuga, uma classe futebolistica cuja especialidade consiste em empatar o adversário e o próprio adepto até à exaustão, entorpedecendo-os através da ausência de uma coluna vertebral de jogo que não passe pela adaptação à ideia do seu oponente, com a finalidade de ainda assim conseguir vencê-lo por entediamento (milagre futebolistico, tipo vitória no Euro) ou, simplesmente, cair de pé (milagre científico). Por ironia, passado o choque inicial, Keizer começou a preocupar-se mais com o atraso que já tinha na classificação do que com a sua transformação.

 

Kafka à parte, a primeira coisa que se me oferece dizer sobre o jogo de ontem é no sentido de demostrar o meu agrado pela forma como os cidadãos lusos aculturam os de outra nacionalidade que nos visitam. Sossegue pois a conservadora tribo do futebol cá do burgo, porque depois de umas semanas em que para os sportinguistas o mundo pareceu ter passado a rodar em sentido contrário ao habitual, é hoje uma certeza que tudo voltou à santa paz do Senhor e que Keizer não veio a Portugal para promover revoluções ou conquistar fortuna e fama, mas sim para se integrar nas tradições das nossas gentes, mostrando actualmente ser tão ou mais português quanto o mais insigne descente de D. Afonso Henriques. Não se estranhe, portanto, vê-lo proximamente numa corrida de touros em Barrancos ou a ouvir um fado no Senhor Vinho, a dançar o fandango saloio com as lavadeiras da Ribeira de Lage ou a bailar com os Pauliteiros de Miranda, a atacar uma bacalhauzada com grão ou a afiar o dente a um cozidinho bem acompanhado de um tinto carrascão. Adicione-se umas sacudidelas do muco espectorante para o meio da rua e umas buzinadelas nervosas no trânsito e será caso para lhe ser concedida com urgência uma autorização de residência permanente.  

 

Posto este singelo agradecimento, vou de seguida falar sobre o sentimento que me perpassou a mente - sim, consegui a custo mantê-la a funcionar - no jogo que presenciei ao vivo. Bom, na verdade, vi-o sob dois prismas diferentes: por um lado correu bem, na medida em que Keizer provou ser subtil, jogando com a mesma falta de ambição característica do Peseiro de 2018, mas sem dar tanto nas vistas. É verdade que não recorreu à dupla Dupond e Dupont de sérvios (só no fim) ou aos três tristes trincos. Bastou-lhe apostar em Diaby durante 81 minutos e ter um plano de jogo que consistia em eliminar o meio-campo, despejando bolas directamente da defesa para a cabeça de Bas Dost, à procura da 2ª bola, para que o serviço ficasse feito. Uma sonsice! Por outro lado correu mal, visto que afinal parece que precisávamos de ganhar, embora tal nunca tenha transparecido de forma tácita no terreno de jogo aos olhos deste espectador. 

 

Como cereja no topo do bolo desta forma tão singular de jogar futebol em Portugal tivemos a actuação do árbitro Hugo Miguel. Nem será caso para se dizer que no melhor pano caiu a nódoa, pois o jogo esteve longe de ter a qualidade pretendida. Não, a coisa foi tão "kitsch", que onde se lê pano dever-se-á substituir por naperon, perdão, Macron. Não estivesse a partida já aborrecida o suficiente, Hugo Miguel entrou num desatino de um festival de apito que penalizou todo e qualquer contacto ou simples acto de respirar na proximidade de um opositor. Desta forma, o juíz protegeu-se a ele em detrimento do espectáculo, enquadrando-se bem no espírito dos treinadores de cada equipa. No final, o público também pareceu satisfeito, pelo que não há como criticar a acção de todos os intervenientes.

 

Todos sabemos os condicionalismos deste início da época e as insuficiências do plantel do Sporting. Durante alguns jogos, Keizer retirou o máximo de sumo das laranjas que lhe puseram à disposição, mas chega um momento em que a fruta está toda espremida e não se pode esperar mais nada. A partir daí é só escolher a forma como se quer perder: com honra e fidelidade às ideias ou de forma a minorar os estragos. A minha esperança é que Marcelo Keizer (eu disse-vos que o homem já era nosso patrício) tenha aproveitado o jogo de ontem para fazer um "statement": "Ah, vocês têm a mania de que se adaptam à inovação e que isso é uma coisa do outro mundo, então eu agora vou mostrar-vos que também me adapto às vossas adaptações". Posto isto, e depois de dar uma lição aos treinadores rivais, é possível que Keizer volte ao seu registo anterior de futebol avassalador. E, fiél à sua regra, em cinco segundos. É que, se calhar, tudo o que ficou expresso em cima não passou de um sonho, reflexo de um joguinho disputado logo a seguir a um reconfortante almoço e com um persistente sol de Inverno a bater na moleirinha. Há que tentar manter a fé, não é?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

 

P.S. Publicado originalmente no dia 13 de Janeiro de 2019. Crónica "Tudo ao molho..." que expressava o sentimento de que Marcel Keizer já vacilava nas suas ideias. Que Leonel Pontes se mostre, em qualquer circunstância, sempre fiél às suas!

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26
Jun19

O mexerico desportivo


Pedro Azevedo

Há muito tempo que não via o "Mais Transferências" da TVI. Para quem nunca teve oportunidade de visionar, o "Mais Transferências" é uma espécie de Revista Maria do mexerico desportivo. Hoje dedicaram metade do programa (cerca de 30 minutos) a falar de Bruma. Fiquei a saber que, ao contrário da bruma de Lisboa que só levantou pela tarde, o Bruma levantou na noite anterior num avião privado e assinou pelo PSV Eindhoven, deixando o FC Porto de mãos a abanar e Pinto da Costa certamente longe de "ficar nas nuvens". No estúdio, acompanhado por um pivô, um senhor que me lembra vagamente alguém que já tratou da nossa Comunicação especulava sobre os motivos que teriam levado o antigo ala leonino a deixar os portistas pendurados. A coisa foi prosseguindo ao ritmo do pivô e do convidado, ou simplesmente de um duplo-pivô - há que dar valor a estes fundistas da locução, que conseguem arengar sobre nada e coisa nenhuma durante aproximadamente 1 hora - até que o empresário de Bruma, um tal de Catió Baldé, entrou em directo. Foi o momento Consultório íntimo da Maria do "Mais Transferências". Só que em detrimento daquelas perguntas do arco-da-velha da Maria, do tipo "se tiver sémen nas mãos, posso engravidar?"(edição de 7 de Fevereiro de 2018 da referida Revista), o picantezinho que o pivô preparara para resposta do senhor Baldé era mais do tipo "se tiver dinheiro na mão, posso voar?". Mas em vez de atacar logo com uma pergunta fechada, andou à borda e optou por uma aberta, inquirindo porque é que o Bruma se baldé, perdão, se baldou. Deixo aqui um pequeno excerto da entrevista (as palavras poderão não ter sido exactamente estas, mas o sentido sim):

- Então Catió, porque é que o Bruma foi para o PSV? 

- O Bruma queria muito jogar no estrangeiro, tal como a geração de ouro dos seus amigos da selecção que se encontra toda lá.

- Mas aqui há dias (NA: ontem?) o Catió assegurava que o Bruma queria muito jogar em Portugal... - , comentava com malícia o entrevistador.  

- O Bruma quer jogar em Portugal. Quando estiver perto do final da carreira - , respondeu o senhor Baldé como quem diz que sabe que toda a gente vai morrer, não sabe é quando.

- Mas o PSV vai pagar-lhe mais do que o Porto? - inquiria o jornalista, indo ao âmago da questão que havia debatido aturadamente com o convidado durante a meia-hora inicial.

- Não, não foi por dinheiro. Com a engenharia financeira do Porto, os valores eram semelhantes. (NA: o convidado em estúdio havia dito que Bruma ia ganhar 6 milhões brutos por ano.)

- Mas pode garantir que o Bruma não vai ganhar mais para a Holanda? - , desesperava o entrevistador.

- Só posso garantir que o Bruma não foi para o PSV por dinheiro.

Posteriormente, ao melhor estilo "encher chouriços" (para não ferir susceptibilidades, peço que não conotem agora o conteúdo entre-aspas com a Revista Maria), repetiram, entrevistador e entrevistado vezes sem conta as perguntas/respostas, pelo que o sumo que se conseguiu tirar do programa foi que, futebolisticamente falando, a engenharia financeira no Norte anda pela hora da morte. Rima e é verdade.

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27
Mai19

Notas soltas sobre a Final


Pedro Azevedo

  1. Durante a primeira parte foi testada uma alteração revolucionária das regras de jogo, que consiste na abolição do fora-de-jogo. Infelizmente, os espectadores não foram avisados previamente e o teste ocorreu apenas em metade do campo, pelo que a reacção dos sportinguistas não foi positiva.
  2. O único amarelo visto pelos portistas em 90 minutos de jogo foi o do sorriso de Sérgio Conceição.   
  3. O facto que causou maior surpresa, quiçá indignação, junto da falange de apoio sportinguista sentada na Central do Estádio Nacional foi Sérgio Conceição não ter arremessado a medalha de finalista.
  4.  Está decidido: em próximas finais contra o Sporting, os portistas trocarão os penáltis por pontapés de canto.
  5. O Soares quis homenagear Casillas num jogo impróprio para cardíacos. Com amigos destes...
  6. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma: o Herrera diminuiu as orelhas, mas aumentou os ombros.
  7. Por ironia, um Andrade (Fernando) entregou a Taça ao Sporting. 
  8. Jefferson apresentou-se na Tribuna de Honra com uma boina vermelha/grená do Grupo Especial de Paraquedistas. Eu bem que suspeitava que ele tinha caído em Alvalade de Pára-quedas...

 

P.S. Casillas, por quem tenho enorme apreço como jogador (excelente) e cidadão (um senhor!), que me desculpe a blague. Desde a sua estadia no nosso país que fiquei seu fã incondicional. Infelizmente, ninguém está livre de lhe acontecer algo similar. A Casillas, bem como à sua família, desejo o melhor que a vida possa dar. Ele bem merece!

26
Mai19

Tudo ao molho e fé em Deus - Gente feliz com lágrimas


Pedro Azevedo

No Jamor, o pré-jogo é tão ou mais importante do que o próprio jogo. Desde o meio-dia reunidos à volta da mesa, os convivas começam por atacar umas entraditas, assim a jeito de quem vai ao relvado fazer um aquecimento. Seguem-se umas gambitas, como quem estuda o adversário e esconde algumas energias para a batalha decisiva que far-se-á mais lá para a frente. Quando chega o leitão, a coisa fica mais séria, o confronto endurece e as armas estão todas presentes em cima da mesa. As pernas começam a fraquejar e a hidratação torna-se fundamental. Produz-se o oximoro: a mini maximiza a resistência ao calor. Vencido este jogo de parábolas, os convivas vão então ao verdadeiro jogo. E que jogo!

 

Anos e anos de desilusões tornaram o sportinguista prudente. Se o resultado é sempre incerto, o sofrimento é mais do que certo. Penso até que, futuramente, o kit para novos sócios deveria incluir um desfibrilador. (Just in case...) Nesse espírito, como quem tenta conter a projecção da felicidade, lá rumámos aos nossos lugares na bancada, descendo dos courts de ténis e passando a Porta da Maratona, tudo presságios daquilo que estará para acontecer mais adiante: um jogo com prolongamento e decidido num tie-break de penalidades. 

 

Devo dizer que a entrada em campo do Sporting foi surpreendente. Os leões rapidamente assumiram o jogo e remeteram os dragões para o seu meio-campo defensivo. Mas alguns handicaps cedo ficam a nu: um alívio despropositado de Bruno Gaspar oferece a Otávio a primeira grande oportunidade do jogo. O remate sai forte e colocado, mas Renan diz presente e resolve com uma grande defesa. O brasileiro abriu em grande e em grande viria a fechar o jogo. Bom, mas isso foi mais para a frente. Rebobinando, o Sporting respondeu de pronto e Bruno Fernandes obriga Vaná a uma boa parada. Até aos 20 minutos, o Sporting tem o controlo das acções, mas após esse período o Porto equilibra e até ganha algum ascendente. Raphinha tira tinta ao poste e, na resposta, Marega marca, mas está fora-de-jogo. Já perto do intervalo, Herrera recepciona a bola com o ombro(?), centra e Soares, de cabeça, coloca os pupilos de Sérgio Conceição na frente do marcador. O jogo está bom e agora é o Sporting que ataca: Bruno Fernandes recebe um passe de Acuña, remata, a bola ainda bate em Danilo e entra. Está reposta a igualdade, mesmo ao soar do gongo para o descanso.

 

Já na etapa complementar, o Porto é agora dominador. Logo de início, Soares acerta no poste direito de Renan, mais tarde Danilo visa o outro poste. Wendel ainda ameaça, mas o Sporting não consegue fluir o seu jogo. Keizer tenta brevemente implementar uma linha defensiva de 3 centrais, retirando Bruno Gaspar, fazendo entrar Ilori e avançando ligeiramente Acuña. Raphinha é agora lateral direito, com Diaby (mudou de flanco) à sua frente. O Sporting parece crescer com a nova táctica e leva perigo por duas vezes ao último reduto portista, mas a entrada de Dost para o lugar do maliano produz nova alteração no xadrez das peças, jogando agora o Sporting num 4-4-2, com Bruno Fernandes encostado à esquerda e Ilori e Acuña a preencherem as laterais. A custo, e com um SuperMat (a versão super-herói de Mathieu), o Sporting leva o jogo para prolongamento.

 

A primeira parte da prorrogação vê o Sporting a dar a volta ao marcador: uma bola perdida na área é aproveitada por Dost para rematar cruzado e sem hipótese de defesa para o guardião dos dragões. Mais uma vez, Acuña está na origem da jogada. O cansaço já é muito, o Porto ameaça, mas o público leonino embala a equipa com os seus cânticos. A vitória parece possível, vai ser possível, mas eis que o fado do leão se volta a manifestar e o Porto empata já depois da hora. 

 

Mais uma cambalhota no jogo e esta com marcas profundas na montanha russa de emoções vivida pelos adeptos sportinguistas. Do outro lado, os Super Dragões rejubilam, conscientes de que a vantagem psicológica passou para o seu lado. Nesse transe, o jogo vai para penáltis. Os leões confiam em Renan, o herói da Taça da Liga, a fé dos adeptos portistas reside na "igreja" Vaná. O início das penalidades confirma que o ascendente passou para os dragões e Dost falha ao tentar estrear uma nova forma de marcar a partir dos 11 metros. Parece que o Porto vai ganhar, mas Pepe acerta também na barra. Nada está perdido, mas também nada está ganho no momento em que os sportinguistas roem as unhas enquanto Coates se prepara para marcar o último penálti da série regular. O uruguaio tem um histórico de falhanços que não abona e muitos viram as costas à finalização. A coisa acaba por correr bem aos leões. Com 4-4, entramos naquela fase mata-mata. Fernando é o homem chamado por Conceição para bater. Renan voa e voa e voa e, num instante, abre asas aos sonhos dos sportinguistas. Agora, "só" falta o Felipe das Consoantes meter a bola lá dentro. Há quem chore, quem não queira ver, quem ganhe força agarrando-se frenéticamente a quem está mais à mão. Um estádio inteiro suspenso de um pontapé na bola. E é a redenção! O toque de Deus! Uma época que tinha tudo para correr mal, acaba em glória com a conquista de duas taças. Confesso que as lágrimas me escorreram pelos olhos no preciso momento em que vi a bola anichar-se no fundo das redes portistas. Feliz por mim, pelos meus companheiros de aventura epicurista, pelos milhares de sportinguistas presentes no estádio, pelos milhões espalhados pelo país e no estrangeiro. Gente feliz com lágrimas, título roubado a João Melo, será porventura a melhor forma de definir a catarse que os sportinguistas ontem viveram. Na hora H, o trauma por todos vivido há 1 ano esvaiu-se naquelas lágrimas e ficou para trás, e os sportinguistas reconciliaram-se consigo próprios e com o clube. Sim, o clube, a razão de ser de tudo isto. Não precisamos de mais nada. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu, o SuperMat. Tal como indica a publicidade, ele é rápido, versátil e seguro. Destaques também para Renan (eu bem ia dizendo que ele estava muito sub-valorizado) e para o inevitável Acuña. 

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(fotografia: O Jogo)

19
Mai19

Tudo ao molho e fé em Deus - Cantos do cisne


Pedro Azevedo

No futebol português, os árbitros parecem nutrir especial simpatia por quem os intimida. Não há revolta nem indignação perante a opressão, apenas afecto e compaixão, um estado psicológico vulgarmente denominado de Síndrome de Estocolmo, em alusão à reacção dos reféns sequestrados no Kreditbanken daquela cidade em 1973. Nesse transe, qualquer tipo de possibilidade de libertação é vista como uma ameaça, ou não estivesse ainda bem presente na mente dos árbitros a invasão ao Centro de Treinos da Maia, ou pedidos presidenciais de veto a um certo árbitro. Isto não é verdade, é veríssimo. Aliás, Veríssimo. Talvez por isso, uma falta duríssima de Felipe sobre Bruno Fernandes, a qual, para além do mais, evitou um promissor contra-ataque leonino, pôde passar em claro sem admoestação, mas a contenção digna de elogio de Acuña perante múltiplas agressões consecutivas acabou "premiada" com um cartão amarelo. Toda uma quantidade de decisões aberrantes que atingiram uma proporção tão inimaginável este ano quanto a outrora remota possibilidade deste Vosso escriba pensar em recomendar aos dirigentes do seu clube que comecem a estudar a possibilidade de integrarem a La Liga. 

 

Por um lado, se calhar até devemos estar agradecidos a Fábio Veríssimo por ter expulso Borja, um ilusionista da bola, evitando assim um bem possível Jamor de perdição para o colombiano sob a forma de um daqueles lances fatais (3 nos últimos 3 jogos) em que ele está lá mas a culpa parece sempre ser exclusiva de outrém. Por outro, aproveitando a maré, penso que é de repreendê-lo por nada ter feito para evitar que Bruno Gaspar tenha ido a jogo. Se lhe tivesse dado um cartão vermelho antes da partida ter começado, talvez Keizer se visse obrigado a ir ao estágio da selecção de sub-20 resgatar Thierry Correia. Também se teria evitado aquele passe despropositado do lateral direito que nos fez ficar a jogar com 10 elementos desde os 17 minutos, embora Borja não tenha ficado isento de culpas, ele que pareceu ter engatado mal a mudança e assim permitiu a Corona, que partiu uns bons 3 metros atrás, ganhar-lhe a dianteira. Em todo o caso, como atenuante para o árbitro, é de destacar o facto de desta vez Petrovic e André Pinto terem mantido a integridade dos seus narizes, algo que a dado momento pareceu pouco plausível perante a impetuosidade dos "sarrafeiros" (que o diga Felipe) jogadores portistas.

 

Já a Keizer não podemos estar muito agradecidos: aquela sua obstinação em manter Bruno Fernandes deverá ter provocado alguns AVCs entre os mais fervorosos adeptos dos leões e poderia ter custado a ausência do nosso capitão no Jamor. É que a partir de certo momento tornou-se claro para todos menos para o holandês que Bruno e Acuña estavam marcados pelos portistas, facto evidenciado em todo o seu esplendor na confusão criada à volta do argentino no lance do qual, ironia do destino, resultou a expulsão de Corona. 

 

Apesar da inferioridade numérica, o Sporting até se colocou em vantagem: Acuña fez barba e cabelo, primeiro num corte a um adversário com pêlo na venta, depois a assistir Luíz Phellype, dando pelo meio um bigode a uns opositores cheios de vontade de lhe retribuirem com uma "pêra". O Felipe das Consoantes também não se fez rogado e marcou o seu oitavo golo em outros tantos jogos. Pena que a equipa tenha estado desastrada nos cantos, perdendo diversos duelos com os seus adversários, deles resultando os dois golos portistas marcados no limite do fora-de-jogo. Mathieu, Renan, Acuña e Luíz Phellype, os melhores leões nesta noite, não mereciam tamanha traição de uma marcação tipo Zona J, que nos deixou socialmente excluídos dos três pontos.  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña

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12
Mai19

Final da Liga Europeia


Pedro Azevedo

Faltam poucas horas para mais uma final europeia do Sporting, um confronto que se prevê emotivo até ao fim. Nos momentos decisivos, a categoria individual dos jogadores geralmente faz a diferença. Nesse capítulo, o FC Porto levará vantagem: Hélder Nunes e Gonçalo Alves aliam virtuosismo técnico com consistência e nunca se escondem nestes momentos. É certo que o Sporting também tem os seus trunfos: Pedro Gil e Ferran Font são homens capazes de tirar um coelho da cartola. Ligeiramente menos consistentes que os seus rivais, vamos precisar deles ao seu mais alto nível. Por outro lado, costuma dizer-se que uma boa defesa ganha os encontros. Aqui, o Sporting estará na dianteira: André Girão, Platero, Magalhães ou Romero são homens confiáveis quando se trata de defender o forte. Com tanto equilíbrio de forças, o Pavilhão João Rocha poderá ser o factor decisivo. A cumplicidade entre bancadas e jogadores tem levado a equipa do Sporting a virar alguns resultados. Logo, ao fim da tarde, espera-se um vulcão de apoio aos nossos. Força Sporting! 

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18
Mar19

Justiça precisa-se!!!


Pedro Azevedo

Miguel Albuquerque, Director-Geral das Modalidades, e sua senhora foram agredidos no Dragão Caixa durante o jogo de hóquei em patins que opôs o FC Porto ao Sporting. Um crime cometido em recinto desportivo que merece uma reacção institucional, desde logo do Sporting, mas também das autoridades deste país, desportivas e judiciárias. Do ponto-de-vista do Sporting, porque este é mais um episódio lamentável, para mais ocorrido nas instalações do seu rival, responsável pela organização do jogo, na sequência de um outro ocorrido (em campo neutro) há 5 anos e que na altura motivou um corte de relações com o FC Porto. Do ponto-de-vista da justiça, porque está em causa a salvaguarda do Estado de Direito e o bom funcionamento das instituições, não podendo Portugal ser confundido com uma república das bananas, onde quem de direito não cumpre com as suas obrigações e não pune os infractores, deixando assim terreno fértil para que que venha a vigorar uma "justiça" assente no "olho por olho", à "boa" maneira da Lei de Talião. É que esta violência a que vimos assistindo em recintos desportivos é simplesmente i-n-a-c-e-i-t-á-v-e-l!

 

O desporto não é isto, não pode ser isto, razão pela qual deveremos promover os seus valores positivos e banir todos os comportamentos desadequados e as pessoas que os perpetram. Aqui fica o comunicado de Miguel Albuquerque - a minha solidariedade pessoal, Miguel!! - , retirado da edição on-line de "A Bola", acerca dos incidentes no Dragão Caixa:

 

«No seguimento dos lamentáveis episódios ocorridos este sábado, dia 16 de Março de 2019, no Dragão Caixa, e porque quis deixar passar o jogo de Andebol deste domingo para poder falar sobre este assunto para que não pudesse ser acusado que acicatar os ânimos para o jogo, pretendo deixar bem claro o que se passou. Deixo ainda algumas notas sobre o vergonhoso incidente, apontando o dedo aos verdadeiros culpados do sucedido.

 

José Magalhães, diretor do Andebol do FC Porto, e o seu amigo Adelino Caldeira, Administrador da FC Porto SAD, são os verdadeiros culpados das agressões que se verificaram este sábado no Dragão Caixa.

 

Desde o jogo em que recebemos e vencemos o FC Porto no Pavilhão João Rocha, no passado dia 6 de Março, a contar para o Campeonato Nacional de Andebol, que o Sr. Magalhães andava a ameaçar os responsáveis do Andebol do Sporting, garantindo que quando os dirigentes do Sporting CP se deslocassem ao Dragão Caixa iriam, segundo as suas palavras, “ser apertados pelos índios”. Estas ameaças atingiram o seu auge na passada quinta-feira, dia do sorteio da fase final do Campeonato Nacional de Andebol, ocasião em que o Sr. Magalhães voltou a dizer ao Responsável do Andebol do Sporting CP, Carlos Galambas, que os dirigentes do Sporting Clube de Portugal iriam ver o jogo junto aos índios do FC Porto e iriam “ser bem apertados”.

 

Mas vamos a factos:

 

1 – Quando chegámos ao Dragão Caixa fomos encaminhados para a zona reservada ao Sporting CP, numa atitude similar ao que fazemos no Pavilhão João Rocha com os nossos adversários; e aqui quero deixar uma palavra a Fernando Santos, coordenador das modalidades do FC Porto, pela sua postura integra e profissional!

 

2 – Durante toda a primeira parte adeptos do FC Porto colocados ao lado da zona reservada ao Sporting CP foram agredindo verbalmente todos os presentes. Sensivelmente a um minuto meio do intervalo, e depois de uma confusão em ringue, levantei-me para ver a repetição do lance na TV colocada atrás dos lugares onde me encontrava. De imediato cinco ou seis energúmenos ali colocados estrategicamente levantaram-se ameaçando-me e gritando: “Julgas que estás no andebol? Julgas que estás no andebol?”, originando uma confusão que nada a fazia prever!
Pelos vistos o Sr. José Magalhães passou alguma mensagem do jogo de andebol do Campeonato Nacional que se realizou no Pavilhão João Rocha, no qual, e a apesar de a arbitragem ter tentado, o FC Porto não conseguiu vencer, o que o deve ter deixado frustrado, pois esteve anos e anos habituado a ser dono e senhor do andebol em Portugal com a conivência de toda a gente!

 

3 – Rapidamente essas pessoas chegaram junto a mim, tentando agredir-me, e em acto contínuo e cobarde, um adepto do FC Porto, devidamente identificado com a camisola do clube, desferiu um murro no olho da minha esposa, que tentava separar a confusão que de repente se instalou.
Deixo uma pergunta: Numa zona reservada ao Sporting CP como é possível não existir um único ARD de protecção a essa zona?

 

4 – Logo de seguida surge o Sr. Adelino Caldeira, qual bom samaritano, pedindo muita desculpa pelo sucedido. Contudo, enquanto se justificava pedia para afastarem o agressor do local de forma a que o mesmo não fosse identificado pela PSP.

 

O Sr. Adelino Caldeira é um velho conhecido do desporto nacional, ele e as suas práticas pouco ortodoxas, mas é um facto que eu pensava que condutas destas muito utilizadas nos anos 80 já tinham passado de moda. Pelos vistos não. Talvez um dia ainda sejamos testemunhas do regresso do Guarda Abel.

 

O cinismo e a falsidade são algo que nunca larga as pessoas sem carácter.
Deixo um repto ao Sr. Adelino Caldeira: Identifique o agressor pois pela pressa com que o tirou daquela zona para não ser identificado deve ser um seu conhecido!

 

5 – 24 horas depois continuo à espera de um pedido de desculpas do FC Porto, pedido PÚBLICO e institucional, pois para pedidos de desculpas cínicos, como os do Sr. Adelino Caldeira, prefiro que estejam calados. Tal tresanda a falso, a cínico e faz com que pensem que andamos aqui distraídos.

 

6 – Quanto ao Sr. Magalhães disse-lhe que por muito que lhe custe o Sporting CP é BiCampeão Nacional de Andebol, luta pelo Tricampeonato, e vai continuar a lutar por todas as competições em que esteja inserido. Seja no Andebol, no Hóquei em Patins, no Futsal, no Voleibol ou em qualquer outra modalidade. Contem com o Sporting Clube de Portugal, pois somos da raça que nunca se vergará.

 

7 – No que diz respeito ao Hóquei em Patins confesso que há uma situação que me deixa curioso. Gostava de perceber o porquê de o Presidente da Federação Portuguesa de Patinagem não estar presente naquele que todos apelidavam de “jogo do título”. Talvez o seu desabafo no seu ciclo de amigos - “Já sei a confusão que aquilo vai dar, é melhor nem lá ir” - seja uma justificação para a sua ausência.
Quanto à arbitragem do jogo de Hóquei em Patins, irei a partir de amanhã analisar lance a lance. Os meus jogadores sabem bem do que estou a falar e os telefonemas que receberam na última semana! E este é o momento para ponderarmos uma denúncia sobre o carrossel telefónico dos últimos sete dias.

 

O Campeonato não acabou ontem e as contas fazem-se no fim!

 

8 – Quem me conhece sabe que defenderei o Sporting Clube de Portugal até às últimas consequências e não é gente cobarde, com práticas ancestrais, que nos vão desviar do nosso caminho.
Lutar por títulos, dignificar o nosso clube, dar orgulho aos nossos adeptos e conquistar títulos!

 

Quanto aos adeptos do Sporting CP, devemos perder menos tempo a atacar os nossos e perder mais tempo a unir-nos, porque os nossos adversários não estão dentro de nossa casa, estão fora, e é fora que tudo farão para nos destruir!

 

9 - Sobre os resultados negativos deste fim de semana, dizer apenas que isto não é o Sporting Clube de Portugal. Mas as contas e as análises fazem-se em casa junto aos nossos. Muito a rever, muito a mudar, mas também muito a ganhar ainda!

 

Por fim garanto ao Sr. José Magalhães que pode ficar descansado quando visitar, na penúltima jornada do Campeonato de Andebol, o Pavilhão João Rocha. Não vai ser agredido, nem ele, nem nenhum familiar seu. E também não vai ver o jogo “para o meio dos índios”, porque nós, no Sporting Clube de Portugal, não temos índios, temos os melhores adeptos do mundo. Por isso pode estar tranquilo que apenas terá à sua espera um apoio infernal no apoio à nossa equipa, em busca do tricampeonato!»

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07
Mar19

À noite no João Rocha


Pedro Azevedo

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Tendo estado sempre em desvantagem no marcador, o Sporting ultrapassou o Porto com uns últimos 10 minutos de tirar o fôlego, em que primeiro a equipa empolgou o público e depois este levou-a até à vitória final. Esforço, dedicação, devoção e glória, assim é o Sporting Clube de Portugal. Resultado final: Sporting - FC Porto 26-23.

 

 

27
Jan19

7-3 em oportunidades de golo (ah e tal, o domínio do Porto...)


Pedro Azevedo

Se bem que o Porto, por mérito próprio e por vicissitudes que acometeram ao Sporting, tenha dominado uns bons 30 minutos da segunda parte, a verdade é que a equipa leonina teve bastantes mais oportunidades de golo. Assim, para além dos golos, enquanto o Porto só criou perigo em duas finalizações de André Pereira, o Sporting poderia ter marcado por Nani e Raphinha (duas ocasiões cada), Bruno Fernandes e Bas Dost. Isto é o que nos diz a inexorável frieza dos números...

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27
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - O Inverno do nosso contentamento


Pedro Azevedo

Confesso que não estava especialmente confiante antes do jogo. Vendo e ouvindo a antevisão televisiva, nos vários canais, pior fiquei: a média das probabilidades a nós atribuídas era a alegria dos cemitérios de um sportinguista.

Com esta carga em cima, sentei-me à frente do televisor. Sintonizei a SportTV. Os comentários iniciais foram no mesmo sentido, como se o jogo já tivesse terminado antes mesmo de ter começado e o que nos fosse dado a assistir daí para a frente, uma mera formalidade.  

 

Passado um curtíssimo ímpeto inicial portista, o Sporting pegou no jogo. Incrédulo com o que via no relvado, o comentador tardou a dar o braço a torcer. Pelo menos muito mais tempo do que André Pinto ou Petrovic demoraram a dar o nariz a partir. A verdade é que as melhores oportunidades no primeiro tempo foram dos leões. Com a excepção de uma cabeçada de André Pereira, todos os lances de perigo foram nossos, destacando-se dois remates desenquadrados de Nani, uma carambola em Raphinha que quase tomava o rumo da baliza e um livre de Bruno Fernandes a tirar tinta ao poste, em jogada precedida de um cartão amarelo-alaranjado atrbuído a Felipe. Perante isto, o senhor da SportTV disse que o Sporting tinha conseguido equilibrar o jogo. (Não tenho a certeza, mas talvez não fosse má ideia entregar a decisão das partidas ao senhor comentador da SportTV. Assim, ambos nos poupávamos ao incómodo: nós, de ver os jogos; ele, de ter de se interrogar porque é que tudo correu ao contrário da sua lógica das coisas.)

Entretanto, o árbitro mostrava total desprezo pela "lei da vantagem" e dava cartões conforme a vontade das bancadas, para o efeito transformadas num circo romano de polegares para cima e para baixo consoante a vontade da maioria ruidosa. Em consequência, Acuña viu um amarelo incompreensível e Keizer, assustado, no reatamento decidiu colocar Jefferson no lugar do argentino. 

 

A troca dos laterais esquerdos abria uma perspectiva tenebrosa para o segundo tempo e a expectativa não saiu gorada: entre ajoelhamentos defensivos e perdas de bola no ataque, o brasileiro contribuiu da forma habitual para a (hiper)tensão deste adepto. O que isto foi de dar de fumar à dor (até à exaustão)...Para piorar o cenário, o "soundbyte Abel(ico)" de que o futebol não é basquetebol produziu efeitos e André Pinto caiu por terra - sangrando abundantemente do nariz - após uma cotovelada de Marega, tudo sem qualquer admoestação de João Pinheiro. Sem centrais no banco entrou Petrovic, o qual pouco tempo depois também se magoou na mesma zona. O jogo voltou a ficar interrompido, o sérvio esteve fora do campo a ser assistido (Miguel Luís chegou a estar de prevenção para entrar, de forma a que Gudelj pudesse recuar para a defesa), e as várias adaptações em tão curto espaço de tempo criaram alguma desestabilização (e mesmo pontual desorientação) na equipa leonina. O Porto, liderado por Brahimi, aproveitou, embora sem criar grande perigo, excepção feita a nova cabeçada de André Pereira, desta vez para defesa de Renan Ribeiro. Até que, num lance onde Gudelj estava muito metido na área e Wendel demorou um pouco a fechar, Herrera rematou praticamente sem oposição. O tiro não saiu colocado, mas Renan calculou mal a trajectória e deixou a bola ressaltar para a frente, proporcionando a recarga vitoriosa do recém-entrado Fernando. 

 

A perder a 10 minutos (mais descontos) do fim, Keizer arriscou o que pôde - já só tinha uma substituição possível - e trocou Gudelj por Diaby, recuando Nani para organizar o jogo com Bruno Fernandes. Sob a batuta dos capitães, o Sporting tomou as rédeas da partida e começou a ameaçar as redes de Vanã. Eis então que, num lance insólito, Diaby antecipa-se na área a Oliver e é carregado por este, em jogada sem perigo iminente. João Pinheiro não viu, mas o BiVAR (é verdade!!) chamou-lhe a atenção. Após visionamento das imagens, assinalou "penalty". Bas Dost converteu, igualando o marcador. O Sporting podia ter decidido o jogo ainda no tempo regulamentar, mas Vanã salvou miraculosamente o Porto ao defender um remate de Raphinha que concluiu uma assistência soberba de Bruno Fernandes. 

 

Seguimos para "penáltis" e o Sporting voltou a falhar primeiro. Após novo golo de Dost, Coates repetiu o falhanço da semi-final. Mas Renan tornava a baliza pequena e Militão escolheu (acertar no painel d`) a Super Bock. Bruno marcou com a classe do costume, e quando Hernâni partiu para a bola comentei para o lado que iríamos ganhar. Estatisticamente, os canhotos geralmente cruzam a bola nos penáltis e Renan também assim o pensou e defendeu. A conversão de Nani deixou-nos muito perto da vitória. Ficámos com duas hipóteses em aberto para ganhar o jogo: se o Porto falhasse a penalidade seguinte, ou Raphinha convertesse a última, o Sporting ganharia. Para sossego do meu coração, Felipe acertou no travessão e começou a festa. Abracei todos os que estavam à minha volta e já não ouvi os comentadores, mas admito que tenham tido uma noite longa a explicar como o Porto perdeu um jogo antecipadamente ganho. Deve ter sido coisa para um certo monólogo shakespeariano que envolve a constatação de que a consciência tem um milhão de diferentes vozes...

 

Na Pedreira, o Sporting levou a Taça e Keizer ganhou o seu primeiro título como treinador. Foi a segunda vitória consecutiva dos leões na competição, com a curiosidade dos 4 jogos da Final Four terem sido ganhos por penáltis. Já se sabe, connosco é sempre a sofrer até ao fim. Destaque-se também que ganhámos os últimos 8 jogos (!!) de mata-mata disputados contra o FC Porto (ninguém diria, pois o tratamento dispensado pela CS foi sempre de "underdog"), o que nos torna já numa espécie de São Jorge (proponho-o para padroeiro do clube) para os dragões, mesmo que neste caso tenhamos tido menos um dia de descanso e a erosão psicológica adicional de uma (prolongada) série de grandes penalidades. 

 

E assim, ao contrário das primeiras linhas de Ricardo III - "(Este é) o Inverno do nosso descontentamento" - , ou do livro homónimo de John Steinbeck, somos os CAMPEÕES DE INVERNO!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (mas "Renan é grande", como disse Dost). Num segundo plano, Petrovic, Coates e Nani (quando passou para o meio) estiveram acima dos restantes. Destaque ainda para Diaby, providencial ao ganhar a grande penalidade.

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26
Jan19

Os melhores 45 min. de Bruno Fernandes num clássico/derby


Pedro Azevedo

Pensamento ao intervalo: o melhor jogo de Bruno Fernandes contra qualquer um dos outros "grandes". Vamos Sporting!

 

P.S. Critério disciplinar incompreensível de João Pinheiro.

bruno-fernandes.png

26
Jan19

One too many


Pedro Azevedo

"Dá-me um irreal, um imaginário...dá-me um irreal

 Dá-me um irreal, um imaginário...dá-me um irreal

 Dá-me um ideal, um ar ilusório...dá-me um ideal

 Dá-me um ideal, um ar ilusório...dá-me um ideal

 Popular, surrealizar por aí

 Popular, surrealizar por aí

 Popular

 Não me dês moral...dá-me irreal ideal social popular avançado" - Ban

 

Michel Platini, numa derradeira tentativa de estancar o progresso tecnológico, criou aquela aberrante criatura posicionada atrás de uma baliza, um tipo de placebo que ninguém conseguiu descortinar exactamente para o que servia. Quer dizer, para além de conseguir "pintar" coisas tão surreais como uma mão em forma de rosto numa noite em Gelsenkirchen, ninguém percebeu a sua utilidade. Depois, com o inexorável progresso, chegou o VAR. Uma boa ideia, mas ainda a deixar margem para a natureza humana decidir, ou não decidir, ou indecisamente alegar uma neutralidade helvética. Agora, querem introduzir dois VARs (o BiVAR, de étimo lendário e nobre, a fazer lembrar El Cid, o Campeador). Dá um bom nome, mas faz lembrar aquele trocadilho do "1 ovários" (um ou VARios). Se a coisa der semente, cheira-me que o parto vai ser demorado e que a hora não vai ser pequenina. Árbitro, VAR1, VAR2: um é pouco, dois é bom, três é capaz de ser um bocadinho demais. É que isto pode vir a tornar-se numa conferência de advogados: em cada dois que se juntam, há pelos menos três opiniões. E tudo poderá acabar como na anedota do fanhoso e do coxo (ou na do corcunda). Por isso, ilustres senhores do Conselho de Arbitragem, se pensam que o problema do défice de qualidade pode ser resolvido pela quantidade, vão acabar por enfrentar perdas de produtividade. "Do you wanna bet?"

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