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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

06
Abr20

O amor em tempos de cólera

O amor em quarentena


Pedro Azevedo

Como diria o Alexandre O'Neill, ser Sportinguista é uma coisa em forma de assim. Não é mau de todo, diga-se. É mais impositivo do que ser "assim-assim" e menos radical do que ser "assado", embora muitos Sportinguistas frequentemente passem pelas brasas. Aliás, essa atracção pelo abismo é algo que faz parte do nosso ADN. Umas vezes a culpa nem é nossa, como quando somos compelidos a vivenciar o inferno de Alder Dante (o apanha-bolas no nevoeiro das Antas), de Veiga Trigo (Silvinho no berço da nacionalidade), João Ferreira (mão de Ronny), Paraty (carga de Luisão) ou dos inefáveis irmãos Calheiros. Outras vezes somos nós que incendiamos Roma e depois criamos trincheiras onde vamos cavando as nossas diferenças. É também uma forma singular de "jogarmos ao guelas", com covinhas e tudo, em que cada jogador tenta denodadamente "matar" o inimigo interno até que no fim chega o adversário externo munido de um abafador e nos leva os "berlindes" todos. 

 

Em cada Sportinguista há um oráculo: muito antes do Coronavírus já os Sportinguistas haviam experimentado o que é viver colectivamente de forma separada. Com efeito, nós estamos (somos?) como um tubo de ensaio onde se adicionam "reagentes" como a água e o óleo que periodicamente é submetido ao Bico de Bunsen. Por isso, o ambiente entre nós é constantemente quente, os ânimos estão muitas vezes inflamados e há gente que fica mesmo fula (ou, alternativamente, "está com os azeites"). Creio até que a portuguesíssima citação de que "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão" nos é dedicada. Nesse transe, no Sporting existem pelo menos três milhões e meio de razões, cada uma com a sua idiossincrasia, pelo que convertê-las numa razão comum faz os doze trabalhos de Hércules parecerem uma coisa de meninos. 

 

Ninguém sabe quando esta outrora maravilhosa aventura colectiva irá terminar. Mas todos pressentem que não irá acabar bem. A não ser que o amor triunfe. O problema, já dizia o poeta, é que o amor é fogo que arde sem se ver, ou seja, é como o metanol que precisa de muito carvão para se processar. O risco é provocar-se um incêndio invisível e ter de se atirar água para todos os lados. Menos mal, porém. É que meter água por todos os lados é coisa que nunca constituiu um desafio no Sporting. Haja saúde! 

P.S. Excelente e solidária iniciativa dos Núcleos do Sporting, levando as compras a quem precisa e não se pode deslocar. São estas atitudes que nos devolvem a esperança.. 

22
Mar20

Tudo ao molho e fé em Deus

A paragem do tempo


Pedro Azevedo

Há exactamente duas semanas atrás tinha deixado Alvalade com a certeza de que tínhamos ultrapassado as Aves sem contrair uma gripe. Agora, quinze dias depois, eis-me retido em casa perante a pandemia do coronavírus. Tudo parou: a economia parou, o futebol parou, nós parámos de circular. Dizem-nos que parados é que estamos bem, a ver se o nosso SNS consegue respirar o suficiente para dar conta do recado. Faz sentido, na medida em que este vírus ameaça a nossa vida e a daqueles que estão à nossa volta. Deste modo, pela primeira vez desde que me conheço, ganhar (comprar) tempo passou a ser sinónimo de deixar correr o tempo. Quem diz deixar correr o tempo, diz deixar correr o marfim, algo que, já se sabe, é particularmente caro ao cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa. Por falar em Pinto da Costa, o azul e branco é que está a dar. Pelo menos a avaliar pela quantidade de vezes que o usamos para lavar as mãos. Não no sentido que Pilatos (ou o Benfica) lhe deu, bem entendido, que a Covid-19 é uma doença que não nos permite assobiar para o lado (muito menos com um apito), mas como medida essencial de higiéne que visa prevenir o contágio. A prevenção passa também muito pelo civismo e sentido de responsabilidade de cada um. Por ironia, quis o destino que um maior sentido colectivo dos portugueses se viesse a manifestar pelo isolamento físico, a quarentena. Nada que seja novidade para todos os Sportinguistas, habituados que estamos ao isolamento que os senhores do futebol português vêm impondo ao nosso clube ao longo dos anos. Mas, tal como na vida, também no futebol o verde é a cor da esperança. Mesmo sabendo-se que, à falta de comunicação presencial, os emails se vão intensificar...

 

Mantenham-se seguros e saudáveis!

#estamosjuntos

14
Mar20

Dogmáticos "ma non troppo"


Pedro Azevedo

O Sporting é um clube curioso onde a antecipação de eleições merece um dogmático não baseado em "os mandatos são para cumprir", mas a eventual antecipação de receitas que em muito ultrapassam o corrente mandato nem sequer precisa de ir a Assembleia Geral (de clube e SAD). 

 

P.S. Não se pode questionar a interrupção de mandato, mas pode-se esvaziar o próximo mandato...   

12
Mar20

Contorcionismo


Pedro Azevedo

Depois de ter promovido Frederico Varandas "ad-nauseam" até à presidência do Sporting, Luis Paixão Martins classifica agora de "triste" o mandato do actual presidente e diz que o Sporting precisa de "eleições clarificadoras" (NA: clarificadoras ou decisivas para a sobrevivência do clube?). "Too late to say I'm sorry", não é Luis Paixão Martins? Nada tema, porém: seguir-se-á um novo ungido pelas agências de comunicação e tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Responsabilidade? Não. Um dia vendemos um detergente, outro dia um presidente...

 

P.S. Nas eleições do Sporting todos os candidatos deveriam ser obrigados a declarar os gastos incorridos e financiadores da campanha, bem como eventuais compromissos futuros estabelecidos que envolvam o clube. 

03
Mar20

Uma nau à deriva


Pedro Azevedo

Perdida no mar, sem instrumentos nem costa a bombordo que lhe permita sequer uma navegação à vista. Às tantas, tolhido pelo Sol, o capitão-mor da embarcação julga ver uma Ilha dos Amores, ou Amorins. Será certamente mais uma alucinação, semelhante a outras que já custaram as velas do navio. Sem forma de fugir à aguardada tempestade, em breve se perderão também os mastros. O naufrágio está iminente. Em terra, desprezando o que os ventos lhe dizem, o Almirante Alves filosofa sobre a nau catrineta de Almeida Garrett e sonha vê-la a seco, a varar. O povo? Cansado de ser comparado aos Velhos do Restelo, ao povo já falta a energia e a coragem para dar por finalizada a desventura. Mas ainda há quem resista e diga não. É preciso terminar com esta expedição!

 

P.S.1. Ler Eça explica muito bem o momento que se vive no Sporting. Em conversas particulares, existe quase unanimidade na avaliação que é feita ao trabalho desta Direcção. Contudo, ela continua a mover-se tal como a Terra de Galileu. O Sporting não pode ser mais uma Farsa de Aristófanes, é necessário que, com urbanidade e sempre tendo presente os valores do clube, nos manifestemos contra este caminho. Eu serei sempre solidário com o meu clube e os seus sócios. Todavia, não me peçam para, por omissão, ser cúmplice do caminho da desesperança. Por isso, aqui e agora, digo BASTA!

 

P.S.2. Hoje, amanhã, daqui a 2 anos, estarei sempre disponível para ajudar o meu clube a regressar a bom porto. Mas é preciso que todos se consciencializem que há caminhos tempestuosos que uma vez percorridos tornam o regresso à bonança muito mais complicado.

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28
Fev20

As 4 Estações de "Vivaldi"


Pedro Azevedo

Verão = Marcel Keizer

Outono = Leonel Pontes

Inverno = Jorge Silas

Primavera = O próximo(*)

 

As 4 Estações de "Vivaldi", sendo "Vivaldi" = Produções Viana&Varandas Ld Inc.

 

(*) A RTP acaba de anunciar que Silas sairá após o jogo com o Famalicão. E ainda houve José Peseiro (herdado) e Tiago Fernandes...

vivaldi.jpg

27
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - E tudo o vento levou


Pedro Azevedo

Campeonato Nacional... check!, Taça de Portugal... check!, Taça da Liga... check!, Liga Europa... check! Tudo conferido, deve ser a melhor época dos últimos 114 anos. De quem jogue contra nós, bem entendido. Algo que promete piorar sem Bruno Fernandes. É caso para dizer que o nosso Brexit (venda de Bruno) em termos práticos se materializou numa saída da Europa ainda mais rápida que a dos ingleses. 

 

Nem os turcos acreditavam, pelo menos a julgar pelo aspecto despido das bancadas, mas o Sporting conseguiu ser eliminado por uma equipa onde constam vários jogadores que segundo datações realizadas com Carbono-14 ainda são do tempo do império bizantino. É verdade, sob chuva e vento, os leões deslocaram-se a um parque geriátrico de Istambul e cedo começaram a ceder a vantagem que traziam da primeira mão. A tal ponto que ao intervalo a eliminatória estava perdida, cortesia de um golo de cabeça de Skrtel na sequência de um canto e de um livre directo batido por Aleksic cuja trajectória foi mal calculada por Max. 

 

Na antevisão do jogo, Silas dizia que ia surpreender os turcos. A coisa soou-me apocalíptica. Confesso que este desejo do treinador leonino de espantar cada novo adversário sempre me assustou, principalmente porque quem geralmente acaba por ser surpreendido sou eu (e todos os adeptos leoninos). É que a continuar assim, de experimentalismo em experimentalismo, arriscamo-nos a experimentar ficar fora da Europa também em 2020/21, um tipo de Experiência Sporting que certamente não estaria nos planos de Miguel Cal quando aceitou juntar o seu projecto comercial ao projecto(?) desportivo desta Direcção. Todavia, sendo camaleónico, Silas tem pelo menos a vantagem de se poder confundir com o verde, camuflando-se aos olhos dos adeptos leoninos perante os enormes erros de preparação e gestão de temporada da Estrutura liderada por Frederico Varandas que dirige o futebol do clube. 

 

O Sporting começou com Jovane como médio deslocado sobre a esquerda e Vietto no lugar de ponta de lança. Sporar estranhamente posicionava-se na ala canhota, a recrear o que Silas já tinha feito com igual inêxito com Pedro Mendes na Áustria. Porém, alguém ter-se-á esquecido de dizer a Bolasie para fechar um corredor direito leonino que se tornou uma via verde de fácil acesso para os jogadores do Basaksehir. Nesse transe, Battaglia desgastava-se em compensações a Ristovski e faltava num miolo do terreno onde Wendel voltou a adoptar o modo de samba carnavalesco. O intervalo chegou sem que o resultado pudesse ser considerado surpreendente. No segundo tempo o Sporting surgiu mais organizado, trocando mais a bola no meio campo turco e explorando as óbvias debilidades defensivas da equipa de Istambul. Assim, após um excelente centro de Acuña, Vietto surgiu no centro da área e repôs o Sporting dentro da eliminatória. Os leões tiveram então um período em que poderiam ter sentenciado a qualificação para a próxima fase, mas a deficiente qualidade da definição manteve tudo em aberto. Entretanto, Silas abriu nova autoestrada, agora no nosso flanco esquerdo, movendo para aí um inadapado Vietto (estava a ser influente ao centro) e deixando desamparado Acuña. Até que, já em tempo de compensação, novamente na sequência de uma bola parada, um golo de Visca obrigaria o jogo a ir para prolongamento, uma velha sina leonina já vivida no passado contra o Rapid de Viena ou o Casino Salzburgo. Com o prolongamento, o jogo partiu-se definitivamente. Ainda assim o Sporting foi sempre mais perigoso, muitas vezes faltando qualidade técnica de passe (Battaglia), remate (Vietto, Plata e Doumbia) ou recepção (Eduardo) para tirar partido de uma condição física melhor que a da veterana equipa turca. Até que um erro infantil de Vietto acabou por deitar tudo a perder, pois Visca não desperdiçou, de penálti, a oportunidade de bisar na partida e sentenciar a eliminatória a favor dos turcos, conseguindo assim estes cumprir o pleno de quatro golos marcados através de bola parada. E assim Basaksehir tornou-se "Basakseguir". Já nós, ficámos (por aqui). Acabou a "digressão europeia". E tudo o vento levou...

 

Crónica difícil. Agora é tempo de fechar o computador rapidamente e ir dormir, não vá o Silas me surpreender por aí e pregar-me mais um susto. Por falar em susto, talvez não fosse mau que quem tem a incumbência de zelar pelo futebol nacional pensasse na competitividade do campeonato português, seu número de equipas e condições mínimas, organização da competição e seu (bizarro) calendário. É só uma ideia... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Acuña. Battaglia foi o segundo melhor (ou menos mau).

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23
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Leão de Plata


Pedro Azevedo

Caros Sportinguistas, este foi o jogo de Plata. Mas, antes disso, talvez seja bom reflectirmos sobre  o quanto o futebol do Sporting melhorou a partir do momento em que Silas começou a jogar com dois alas puros. Não com uma estrela do raggaeton e um segundo avançado travestido de extremo, mas com dois alas a sério. Já tinha acontecido com o Basaksehir, voltou a suceder hoje contra o Boavista. Desta vez com uma nuance: o jovem Plata no lugar do maduro Bolasie. Se há dias de glória para os treinadores de bancada, este foi um deles. É certo que o requerimento de jogar com alas revestia-se de uma ululante forma de óbvio, mas é sempre reconfortante quando uma teoria se traduz na prática em algo que faz a nossa equipa ganhar mais vezes. Mais ainda quando a tal se adiciona a aposta na Formação e a nossa vitória no campo vem acompanhada da derrota do caminho que nos afasta da sustentabilidade.  

 

Em crónicas como a do jogo de Vila do Conde tinha ficado subjacente a solidão dos leões. Nunca uma equipa do Sporting ficara tão só como a nossa sem Bruno Fernandes com o Rio Ave, sentimento de orfandade extensível a sócios e adeptos. Um clube que nasceu para ser grande, que enorme tem sido durante toda a sua história, ameaçava deixar de o ser. William Blake dizia que o caminho do excesso leva-nos ao palácio da sabedoria, e a verdade é que uma prossecução de erros em excesso encaminhou-nos para o único caminho possível, o da luz: com as duas alas dos namorados, flanqueadores puros e jovens da nossa Academia, seremos mais felizes e sustentáveis. 

 

E agora o Plata. Contra os turcos não houve Bruno, mas houve Jovane. E Vietto. Hoje voltou a não haver Bruno. Mas houve Plata. E Vietto. Mas eu quero falar do Plata. O Plata fez xeque-mate no tabuleiro axadrezado após, uma a uma, ter deitado todas as peças boavisteiras, a última das quais, experiente de outras guerras, não caiu sem antes ter mostrado os pitons bem em riste. Por isso, em Domingo Gordo, o equatoriano foi o Rei Momo do Carnaval Sportinguista. A serpentear e assim abanar o lado esquerdo da defesa nortenha, a servir Sporar para o primeiro da tarde solarenga, a mostrar sentido de oportunidade no golo anulado e no golo confirmado, ou a assistir Jovane. Também a falhar com estilo, como quando abusou da força num passe que se afigurava fácil para Sporar, ou quando foi macio de mais na recepção de um serviço açucarado de Jovane. Imaginam o Plata quando encontrar as doses q.b. de força e macieza? É este apuramento, este trabalho de ourives que o Sporting não pode deixar de fazer. O talento, em bruto, está lá. Falta encontrar o artesão certo na próxima época. 

 

Está a terminar o tempo do profano. Quarta feira de cinzas inicia-se a Quaresma. É o tempo do sagrado. O nosso deus dos estádios já não mora aqui, anda agora por Manchester a mostrar o seu dom entre os comuns mortais. Não havendo deus Bruno, temos de nos agarrar aos que formamos, algo que devia ser "sagrado" para nós. O Dala bisou pelo Rio Ave, o Gauld também pelo Farense. O Mama marcou pelo Dijon. O Palhinha está em grande no Braga, o Domingos é um dos melhores da La Liga e o Matheus Pereira brilha em Inglaterra. Há que resistir à tentação de tentar justificar no campo o injustificável racional de certas contratações e/ou opções de mercado. Em tempo de Quaresma, os sócios já não vão em carnavais. É, sim, hora de pensar em mudar de vida e apostar convictamente nos miúdos. Se é para perdermos os anéis, ao menos salvemos os dedos. 

 

P.S.1 A luta pela Liga Europa continua renhida, mas nada há a temer. Já temos rulote, pés descalços, a barraquinha dos tirinhos (no mercado) e uma montanha russa de emoções à solta, agora só falta a UEFA restaurar a Taça das Cidades com Feiras...

 

P.S.2 Hoje tivemos em campo 5 miúdos que passaram pela Academia e outro, mais velho, que por lá passou e regressou. Ganhámos! (O presente e o futuro.)

 

P.S.3 A nossa equipa sénior feminina de futebol jogou (e ganhou) com o Benfica. A partida, disputada em Alcochete, sobrepôs-se à da equipa sénior masculina de futebol, o que certamente não contribuiu em nada para a divulgação do futebol feminino. Longe de Alvalade, numa semi-clandestinidade (tal como a equipa de rugby), as nossas leoas continuam a ser encaradas como o parente pobre. Mais estranho ainda quando em campanha Varandas tanto falou em igualdade e até apresentou uma senhora, Helena Ferro de Gouveia, jornalista, a pensar na inclusão da mulher no desporto. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gonzalo Plata 

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20
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Banho turco


Pedro Azevedo

Não sei se já Vos havia contado, na verdade na altura nem dei conta, mas devo ter sido um dos primeiros portugueses a conhecer este clube turco. E não foi em Istambul, não senhor. Aconteceu em Lisboa, no consultório do meu oftalmologista, enquanto olhava para uma parede iluminada onde constavam as letras B A S A K S E H I R que tive de soletrar. 

 

Se o meu diagnóstico foi 20/20 em cada olho, o Sporting também esteve próximo de fazer o pleno: bastaria que na primeira parte tivesse concretizado mais algumas das inúmeras oportunidades de golo criadas para que o resultado ao intervalo se pudesse ter cifrado num 5-0. Ainda assim, um tango envolvendo o argentino Acuña e o uruguaio Coates permitiu a primeira explosão de alegria no estádio e uma dança eslava de Dvorak (entre o macedónio Ristovski e o esloveno Sporar) devorou os turcos. Destaque ainda para um grande golo de Jovane, infelizmente anulado por fora de jogo anterior de Sporar.

 

O Basaksehir era curto para o Sporting e já se sabia que o  que é estreito em Istambul liga ao mar negro, pelo que ao intervalo o cenário para os turcos não era de todo auspicioso. E, de facto, apenas 6 minutos foram suficientes para que um refinado número de bailado de Jovane deixasse os otomanos de cara à banda e desse a possibilidade a Bolasie de isolar Vietto na esquerda para um golo de grande classe do argentino. A ganhar por 3 de diferença, os leões desaceleraram, permitindo que os visitantes assumissem as despesas do jogo. Daí acabaria por resultar um golo do Basaksehir marcado por Visca após penálti cometido por Neto sobre o ex-Chelsea Demba Bá, um banho de água fria depois do banho turco servido pelo Sporting à equipa de Istambul. Bolasie, em jogada individual, fez a bola estrelar-se na barra e nos descontos, já com Gonzalo Plata em campo - jogador mais de contra-ataque, podendo aí usar o seu drible mais largo e em progressão, entrou muito bem - , Vietto, após assistência do equatoriano, desperdiçou a derradeira oportunidade de dilatar o marcador e dar outra tranquilidade para a viagem à Turquia. 

 

Pese embora a diferença pudesse ter sido maior, o Sporting realizou uma das melhores exibições colectivas da época e deu uma volta de 180º à imagem deixada em Vila do Conde apenas 5 dias antes. Os leões foram mesmo a única equipa portuguesa a vencer nesta ronda europeia, após o Benfica ter perdido em Kharkiv com o Shakhtar, o Porto sido derrotado em Leverkusen e o Braga permitido a reviravolta do Rangers. Para a melhoria da equipa leonina muito contribuiu  a adição de início de um Jovane que quebrou a percepção de que é melhor a sair do banco, realizando uma exibição de luxo principalmente durante o primeiro tempo. De destacar ainda os cruzamentos de Acuña, a estreia a marcar de Sporar (continua a fazer-me lembrar um Van Volfswinkel com menos jogo de cabeça) e a melhoria física e anímica patenteada por Battaglia. Agora resta estabilizar o carrossel de altos e baixos, manter o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) com alas verdadeiros - o sistema que melhores resultados tem dado - e acabar definitivamente com a posse estéril de bola que ameaçava esterilizar definitivamente a vontade dos adeptos de ir à bola. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Marcos Acuña e Jovane Cabral

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16
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Do Céu caiu um Jovane


Pedro Azevedo

O sonho de qualquer adepto encartado é ser o Wendel. Quem não gostaria de poder caminhar livremente pelos relvados deste país a sentir de perto o bafo e o suor dos guerreiros em campo enquanto enverga o melhor traje de passeio? Nessa óptica, o brasileiro é um repórter privilegiado, o paradigma de uma inovadora Experiência Sporting num estádio de futebol. É também, infelizmente, um produto da forma como no Sporting se vê a meritocracia...

 

Se o Wendel é o sonho de qualquer adepto, ter um gabinete de scouting é o sonho de qualquer presidente. Como não amar estes arqueólogos, capazes de desenterrar uma múmia colombiana em terras mexicanas a um preço apenas ligeiramente superior ao produto da venda de um Merah Demiral, ou de um Domingos Duarte? Reparem, observar o Borja em campo é toda uma experiência sociológica. Aquelas acelerações seguidas de travagens bruscas e marchas-atrás e a atracção pela bola e esquecimento do espaço que o caracterizam são reproduções de um episódio do Lost que começa com o colombiano a cair de pára-quedas na Península de Setúbal (Alcochete). 

 

Logo após ter sido eleito presidente, Frederico Varandas decretou e anunciou a todos os Sportinguistas que a Formação leonina, entre os 17 e os 23 anos, não tinha qualidade. Parece que faltavam relvados e os que havia tinham buracos, o que como se sabe favorece mais o aparecimento de talentos como o Tiger Woods do que craques como o Cristiano Ronaldo. A ideia geral era que a Formação tinha regredido. Entretanto, o Domingos Duarte foi vendido pelo preço de compra de um Tiago Ilori e posteriormente concluiu-se que o nosso formando mais recente afinal era melhor do que o regressado formando mais antigo. Reconheça-se que o Demiral e o Palhinha já tinham saído, mas é difícil imaginar que não fizessem parte do decreto, pelo que o mais certo é Cintra ter poupado mais um dissabor a Varandas. Entretanto, o Palhinha marcou ao Benfica (quebrando o enguiço do Braga na Luz), Matheus Pereira (6 golos) assistiu pela 14ª vez no empate do líder WBA contra o Nottingham Forest, Domingos Duarte foi eleito para o Onze Revelação da La Liga, o infortunado Demiral tirou a titularidade a De Ligt (transferência de €70 milhões) na Juventus antes de se lesionar com gravidade, Daniel Bragança, Ryan Gauld e Leonardo Ruiz têm estado em evidência em, respectivamente, Estoril, Farense e Varzim, Gelson Dala regressou a Vila do Conde com um grande golo e Mama Baldé, o jovem cedido de borla para o Dijon a fim de baixar o elevado valor de aquisição do entretanto desaparecido em combate Rosier, é o melhor marcador do Dijon na Ligue 1. Esta constatação leva-me a pensar que o Sporting não está a formar mal para os outros. A formar para si próprio é que já é outra coisa. Por exemplo, o Jovane não tem capacidade para ser titular. Vejam lá que apenas resolveu 3 dos últimos 4 jogos do clube, algo manifestamente insuficiente para merecer uma oportunidade decente. O Max também está à experiência, mesmo que a cada jogo vá evitando males maiores. Por isso, os jornais já dizem que o sueco Robin Olsen é alvo para a próxima temporada, algo que o presidente Varandas não desmentiu. Tudo isto confirma a narrativa oficial: infelizmente, a Formação não tem a qualidade necessária. 

 

Ontem, em Vila do Conde, o Sporting é capaz de ter feito o jogo mais miserável de que tenho memória em 45 anos que levo de ir ao futebol. De um lado, uns rioavistas sempre a chegar primeiro à bola, todos procurando dar linhas de passe, sempre em movimento, a fazer lembrar uma equipa da Premier League, assim a género de um River Bird. Do outro, uma equipa incapaz de ligar dois passes sem primeiro ter de executar todos os passos de segurança incluídos no protocolo de Quioto Silas para as transmissões de bola, com dispêndio de energia mínimo e zero de talento e de remates enquadrados na baliza. Um Sporting a jogar à equipa pequena, sem ligação entre sectores, esterilizando a bola no seu meio-campo e sem capacidade de progredir no terreno. Um Rio Ave afoito, consciente do que estava a fazer no campo, com jogadores mostrando alardes técnicos passíveis de envergonhar uns tantos leões pernetas, para o efeito transformado no grande da ocasião. Noutro plano, um treinador (Carvalhal) empenhado em sistematizar princípios de jogo, optimizar rotinas e promover um futebol agradável para as bancadas versus Silas, o mau da fita, campeão da posse estéril e Che Guevara dos sistemas tácticos, paladino de um estilo futebolistico sem princípio, meio e fim.

 

Como nenhum outro desporto, o futebol tem um sortilégio muito especial. Assim, é sempre possível a um David bater o pé a um Golias. Ontem, o David foi o Sporting, o que não surpreende dada a falta de noção que se alastra por toda a cadeia de comando, desde Varandas e Zenha até Silas, ninguém percebendo muito bem a grandeza do clube que representa. A fisga do David foi Jovane, a estrela caída do Céu que voltou a resolver. Aliás, Jovane e Max, dois produtos da nossa Formação, têm sido os mais consistentes jogadores do Sporting nos últimos 4 jogos, não se compreendendo a razão pela qual o ala caboverdiano continua a assistir do banco à inconsequência de Camacho, indiferença de Jesé (titular contra Marítimo) ou trapalhice de Bolasie (ontem conseguiu sacar um penalty de uma bola que se esgueirava pela linha de fundo). Ninguém entende, como também é difícil perceber porque o Matheus Nunes ainda não jogou, ele que tecnicamente é mais refinado do que Wendel "e pur si muove" (e, no entanto, move-se/Galileu).   

 

P.S. Exuberância irracional foi um termo usado pelo então presidente da Reserva Federal americana (FED), Alan Greenspan, em 1996, durante a bolha tecnológica vivenciada nos anos 90, para dar um sinal aos operadores que o mercado accionista poderia estar sobreaquecido. Por sua vez, "New Normal", ou novo normal (em português), é um chavão usado na economia, em finanças ou nos negócios para classificar as condições resultantes da crise financeira de 2007-2008 (alargou-se a Março de 2009) e da recessão global de 2008-2012, onde o que antes era considerado anormal se tornou comum. 

 

No Sporting tivemos um episódio de exuberância irracional que marcou tristemente as últimas acções de Bruno Carvalho como presidente do Sporting e hoje em dia, em pleno consulado de Frederico Varandas, vivemos o "novo normal". 

 

Para o Sporting voltou a ser normal não aspirar a mais do que o terceiro lugar no campeonato nacional de futebol. Mesmo este parece seriamente ameaçado este ano, antes desta jornada com 3 clubes a uma distância de apenas 3 pontos na perseguição à nossa equipa. Ora, por muito que se invoque Alcochete e a rescisão de alguns jogadores nucleares da equipa como justificação para o fracasso, a realidade incontornável é que o Sporting continua a gastar em custos com pessoal um valor entre 65 e 70 milhões de euros que deveria ser suficiente para a sua equipa de futebol estar muito mais perto dos 2 primeiros do que de clubes que têm um terço, um quarto, ou um quinto do seu orçamento. Ora, não é isso que acontece quando os leões distam 19 e 15 pontos dos dois primeiros colocados. 

 

Como facilmente se conclui, o Sporting gasta demasiado para os resultados que obtém, o que significa sem tergiversações que não tem uma boa gestão desportiva. Isso é um dado adquirido nada ambivalente e é bom que os sportinguistas dele tenham plena consciência. Por isso, causa-me apreensão que o conformismo venha tolhendo a capacidade de raciocínio da maioria, como se o que nos tem acontecido nesta época desportiva fosse algo inevitável e pouco se possa fazer no presente e futuro para inverter este ciclo de "normalidade" de maus resultados. 

 

Assim, não vale a pena enfiarmos a moleirinha na areia como a avestruz. Pese embora tal pudesse evitar que no-la ameaçassem de arrancar, é preciso não olvidar que haveria o perigo de lesões do foro da cabeça que um distinto presidente/médico considera como da mais difícil resolução. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Jovane Cabral e Max

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13
Fev20

Lost in translation


Pedro Azevedo

O George Sousa não viu um "elbow" em Famalicão. Por via disso, o Taarabt não foi "sent off". Enfim, coisas que acontecem a "foreign referees", perdão, a árbitros estrangeiros... Ó Stojkovic, anda cá traduzir isto por miúdos, se faz favor!

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10
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - "Siclete"


Pedro Azevedo

Silas tem um conceito de futebol que privilegia a posse de bola. Porém, há um problema. Enquanto na física, ou química, uma acção gera uma reacção, no futebol de Silas a posse de bola é simultaneamente acção e reacção, não tendo uma finalidade fora deste circuito fechado que possa ser observada no campo. Assim, a bola vai circulando para trás e para a frente e da esquerda para a direita até voltar à sua posição inicial e repetir-se o ciclo. A coisa seria interessante se o jogo fosse o da Rabia, assim é só chato, previsível e mastigado para quem assiste da bancada ou na televisão. Porém, para Silas é um placebo: "ter" dá-lhe uma tranquilidade que o "não ter" não lhe dá. É também um trunfo nas conferências de imprensa. Por isso, enquanto os ingleses inventaram o futebol e lhe atribuiram um objectivo ("goal"), Silas já patenteou o Siclete (contracção do nome próprio "Silas" com o substantivo "chiclete") com o propósito de integrar a futura Taça dos Clubes Campeões Europeus de Estatística, competição que irá gerar uma distribuição (normal) de... dados probabilísticos. 

 

O Sporting começou num 3-5-2, o sistema que melhor permite compatibilizar Vietto na equipa. É também o sistema que mais favorece o Siclete, na medida em que, sem alas puros, vai acumulando jogadores no centro do terreno e concomitante empastelamento do jogo para gáudio do treinador. Para piorar, um Battaglia ainda receoso e um Wendel em greve durante o primeiro tempo não deram a intensidade requerida e o Portimonense ia conseguindo controlar as operações. Num cenário assim, apenas a qualidade poderia desbloquear o marcador. Ora, a qualidade não tem condição física ou idade, razão pela qual um manco e um avô se conseguiram ainda assim destacar entre o marasmo. Max, um jovem promissor, evitou que os leões fossem para o intervalo em desvantagem.

 

No segundo tempo o Sporting mudou de sistema, trocando Neto por Jovane Cabral. Em 4-3-3, os leões foram mais perigosos. Ainda assim, a igualdade ia teimando no marcador e Vietto, em duas ocasiões, provou não ser Bruno em frente da baliza. Eis então que a réstia de qualidade da nossa equipa volta a aparecer: Acuña, ocasionalmente deslocado sobre a direita, efectua um centro largo para o segundo poste e o mal-amado Jovane - um jovem que vai para cima do seu adversário e é sistematicamente preterido por um Camacho que neste jogo se mostrou adepto de floreados inconsequentes - corresponde da melhor maneira colocando a bola com malícia na frente do isolado Sporar. Na tentativa desesperada de evitar o golo, um algarvio (Jadson) acabou por confirmar o iminente golo. Até ao final do jogo, destaque para uma defesa de Max a segurar a vitória e para um remate ao poste do entretanto despertado Wendel.

 

Mesmo contra o 17º colocado da Primeira Liga e a jogar em casa, o Sporting venceu tangencialmente. A falta de qualidade global da equipa é notória e Silas será provavelmente parte do problema mas não é "o problema". Aliás, o jovem treinador é já o 5º da dinastia varandista, pelo que a sua substituição neste momento não auguraria nada de bom dado o histórico dos recrutadores. É o próprio Varandas que o admite quando dá como provável que o despedimento de Keizer tenha sido injusto em razão de um mau planeamento da época por parte da Estrutura - algo que agora admite, mas que quando na altura própria foi alvo de crítica por sócios e adeptos atribuiu a "cientistas" e a ignorantes em matéria de futebol - , não se percebendo se no momento da tomada de decisão de afastamento do treinador holandês a percepção de mau planeamento por parte da Estrutura já existia ou se só foi criada agora. Logo, a pergunta que se impõe é a seguinte: quantos treinadores ainda precisaremos de ter até que o mau planeamento da época tenha consequências que impactem os planeadores?  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

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P.S. Hoje à tarde, após o derby do futsal, um vice-presidente e um vogal do Conselho Directivo foram agredidos por adeptos do clube. Uma menina, adolescente, filha de um dos dirigentes, foi cuspida. Tal foi narrado pelo Record e posteriormente confirmado por Frederico Varandas. À hora a que Vos escrevo, segundo as televisões, a informação conhecida é a de que os agressores ostentavam dísticos da JL, organização que em comunicado repudiou e condenou os actos de violência.

 

Um acto ignóbil destes, caso flagrante de (in)segurança pública, não pode passar incólume. Se às autoridades policiais caberá indentificar os perpetradores das agressões, ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting cumprirá instaurar os processos que conduzam à sua expulsão de sócios (caso o sejam) e proibição de entrada nas instalações. Mas chega de surfar na maionese. Todos os que me leem sabem que detesto divisionismos no meu clube, que desde Alcochete me bato e alertei contra os maniqueístas que vão manietando o Sporting em nome de proselitismos vários, endurecendo no processo a linguagem. Porém, o clube está doente, refém da falta generalizada de estratégia de uma Direcção (o que a enfraquece), de uma mesa da AG que vai empurrando decisões com a barriga e de um conjunto de adeptos com um comportamento inadmissível, onde se incluem membros das duas claques a quem forem retirados benefícios e que se manifestam sonoramente contra a Direcção no estádio no decorrer dos jogos. Por outro lado, a oposição mais visível à actual Direcção e com maiores responsabilidades desde as últimas eleições - não interessa para o caso se mais ou menos activa - , que existe e tem cara(s), por omissão vai caucionando, como causa provável por motivos eleitoralistas, este tipo de acontecimentos e comportamentos, não se ouvindo uma palavra sua que faça doutrina no sentido de os tentar prevenir. Existe assim um enorme vazio de autoridade e uma total ausência de magistério de influência no Universo Sporting que recomende a necessária ordem e tranquilidade, criando-se assim um latente barril de pólvora pronto a detonar. Acresce que este ambiente geral acaba por abafar a legítima contestação de sócios e adeptos moderados e ordeiros que não se revêm na actuação destes Orgãos Sociais e gostariam de encontrar uma forma civilizada de cidadania leonina que lhes permitisse expressar as suas inquietações em democracia.

 

Perante tudo isto, o Estado teria de intervir como repressor da violência. Acontece que o Secretário de Estado do Desporto (e o seu chefe, o Ministro da Educação) continua a circunscrever o tema à instituição, ele que deveria ser o maior interessado em erradicar a violência no desporto. Igualmente, o Ministro da Administração Interna parece ignorar que a violência na sociedade está a montante do desporto. É que a segurança pública, sendo um direito e responsabilidade de todos, é um dever do Estado, assim como o direito à integridade pessoal assiste aos cidadãos. Nesse sentido, o artigo 22º da Constituição da República portuguesa (Responsabilidade das entidades públicas) reza o seguinte: "O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem". É por isso tempo de dizer basta! O Estado não pode continuar a demitir-se das suas funções. 

08
Fev20

A Comunicação no Sporting


Pedro Azevedo

Castigo Máximo teve acesso aos bastidores da melindrosa preparação da entrevista presidencial ao Record. O Dept. de Comunicação reuniu-se para elaborar a narrativa oficial inerente ao balanço da época e vários obstáculos e contratempos decorrentes do caminho escolhido foram sendo ultrapassados até que o guião contendo o essencial da mensagem a comunicar chegou finalmente a Frederico Varandas. O resultado foi este que pode ver neste rigoroso exclusivo do nosso blogue. 

06
Fev20

A herança


Pedro Azevedo

A pior herança foi a que eu recebi. Não, eu é que fui o menos afortunado. Nada disso, a mim tocou-me ser o mais pobrezinho. Perdão, o mais desgraçadinho fui eu. 

 

É assim há anos. Entretanto, o clube continua adiado. Igualmente adiado está o cumprimento da única herança que deveria estar na mente de cada um, aquela lavrada por José Alvalade quando deixou expresso o desígnio de os leões serem "tão grandes como os maiores da Europa". 

03
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - O sentido da vida leonina


Pedro Azevedo

A gente já sabe do que a casa gasta, que o presidente é o que é, o treinador idém (mais "marxismo-leoninismo" com a equipa sub-virada para a esquerda e a abrir crateras à direita) e os jogadores idém aspas aspas, mas também não é necessário enviarem-nos um médico legista com vontade de apressar o óbito, não é assim? Num dos filmes dos Monty Python, "O Sentido da Vida", um dador recebe a visita de uns médicos que lhe pretendem extrair os orgãos para transplante. Ele bem alega que a doação só estava programada para acontecer após a sua morte, ao que os médicos lhe garantem que estão lá exactamente para garantir isso, que ele morre, começando a remover-lhe as vísceras a sangue-frio. Acaba assim por produzir-se uma subversão: ele morre em consequência de ser dador, não deixando porém de ser dador em consequência da sua morte.  

 

O filme dos génios de comédia britânicos é uma alegoria do que é o contexto do futebol português. Nesta fita do ludopédio tuga, Frederico Varandas, que por coincidência também é médico, desempenha o papel do incauto que julga estar a produzir um "statement" quando diz que há 3 formas de lidar com a derrota - com dignidade, histerismo ou cobardia - , não entendendo que está a dar luz verde(!) para que todo o tipo de diatribes ocorra sem que se possa pronunciar, refém que ficou das suas palavras anteriores.

 

Ontem, na Pedreira, o futebol português regressou à Idade da Pedra. Convenhamos que não haveria melhor local para tal acontecer, sendo certo que em Portugal a realidade supera muitas vezes a própria ficção. Nesse transe, foi possível ver um árbitro apitar uma falta de jeito a si próprio imediatamente após o avançado esloveno recém-contratado pelo Sporting se libertar de um adversário e se isolar para a baliza. O pobre do Sporar percebeu instantaneamente onde se veio meter, ele que abandonou a liga eslovaca para integrar uma liga eslovaca-louca onde há um boi à solta no Estádio Nacional que ninguém sabe bem quem é, e é impossível alguém que venha por bem ficar de pé perante a doença que se propaga à volta. A confirmá-lo, numa primeira fase os nossos começaram a ficar amarelados até que acabaram por sucumbir. 

 

No fim do jogo, o Neto, aparentando falar para fora, falou para cima. O presidente, aparentando falar para fora, falou para dentro, para os sócios. Se por um lado é fácil compreender que sem orgãos que deem poder ao corpo isto não vai lá, também não podemos nós ser incautos ao ponto de não entender que a estratégia de Varandas falhou por completo. E em todas as frentes, desde as "contratações cirúrgicas" aos 5 treinadores em pouco mais do que 1 ano, não esquecendo o "unir os sócios" e o aumento da remuneração dos administradores da SAD aprovado contra o voto unânime de todos os outros accionistas da sociedade após Dost ter sido dispensado com o argumento de alívio salarial (situação que aliás nos deixou com um único ponta de lança inscrito para atacar a primeira parte da época). Deste modo, só nos restam duas alternativas: ou agimos, ou ficamos em casa à espera do dia em que nos venham remover o cartão de sócio. "Time to say goodbye"? 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Max

31
Jan20

Ó "Evaristo", tens cá disto?


Pedro Azevedo

Matheus Nunes marcou este golo hoje em Coimbra. Na semana passada, no Estoril, fez a prodigiosa assistência que se pode observar no vídeo em anexo. É caso para perguntar: Silas, há melhor que o Matheus no plantel principal? O nosso treinador lá vai dizendo que Matheus está quase, quase, mas a hora parece nunca mais chegar a este "Pátio das Cantigas" (o Jesé que o diga, sem aspas)... 

31
Jan20

O senhor dos anéis


Pedro Azevedo

Nani, Bas Dost, Raphinha, Domingos Duarte, Matheus Pereira, Bruno Fernandes (Acuña que se cuide...) OUT! Rosier, Ilori, Eduardo, Jesé, Fernando, Neto (tanto nervosismo...) IN!

 

Vão-se os anéis, ficam os dedos? De que mão?

 

P.S. Ponta de lança? O Pedro Mendes já está inscrito e há um rapaz no Varzim (Leonardo Ruíz) que é nosso e é só o melhor marcador da 2ª Liga. Por falar em emprestados, lembram-se do Daniel Bragança? A ideia não era sair a jogar de trás? 

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28
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - À noite em Alvalade


Pedro Azevedo

O fim de semana trouxe a triste notícia do desaparecimento de "Black Mamba", um dos melhores jogadores de sempre da NBA. Kobe era também um grande entusiasta de futebol e do AC Milan, consequência de aos 6 anos de idade ter acompanhado o pai, também profissional de basquetebol, quando este abandonou a NBA para jogar em Itália. A morte de Bryant fez-me pensar o que seria o desporto sem os grandes atletas e o quão importantes estes têm sido na divulgação e crescimento das diversas modalidades. É curioso, pois no Sporting há quem cultive o "zero ídolos", o que na prática vale por dizer que para alguns um Eduardo merece a mesma consideração que um Bruno Fernandes. Como nestas coisas sempre fui um bocadinho desalinhado com as tendências, apesar da noite chuvosa peguei em mim e desloquei-me a Alvalade para ver mais uma das putativas despedidas do Bruno.   

 

Peter Handke escreveu "A angústia do guarda-redes no momento do penalty", obra muito aclamada pela crítica. O austríaco, nóbel da literatura em 2019, não deve conhecer bem a realidade leonina. Se a conhecesse teria o guião perfeito para um novo Best Seller: "A solidão de um adepto num estádio de futebol". Em Alvalade habitualmente estamos sozinhos mesmo quando acompanhados por muita gente. O ambiente geral maniqueísta, o niilismo e o conformismo que perpassa as bancadas assim o determina, bem como a forma como se desprezam símbolos do clube como o hino que entoa com o jogo já a decorrer. Mas ontem o sentimento de solidão foi literal, tão poucos eram os adeptos nas bancadas: o "Hoje em Alvalade..." calou-se para descanso dos tímpanos massacrados pela habitual ruidosa verborreia proveniente dos altifalantes do estádio, mas segundo a SICn estiveram em Alvalade 12 788 espectadores, cerca de 25% da capacidade total do recinto. Enfim, a união parece estar a avançar a toda o gás. Desconfio é que o gás seja letal...

 

Exibição pobre, paupérrima até, apenas abanada com a entrada de Jovane Cabral. O caboverdiano, numa cruzada contra o preconceito da falta de qualidade da Formação, realizou mais em 20 minutos no campo do que todos os colegas (excepção talvez a Bruno) no tempo inteiro. Na retina ficou a construção do único golo validado do jogo - como diz o adágio popular, à terceira foi de vez - , uma série de fintas no espaço de uma cabine telefónica que culminaram num livre directo em posição auspiciosa e um remate que só o inefável Rui Costa - pois é, o amarelo não assenta bem a jogadores habituados ao clima temperado das ilhas - não viu ter sido deflectido pelo persa que habitou a baliza insular. A novidade foi o Borja ter marcado um golo. No resto do jogo dedicou-se ao inconseguimento habitual, alternando momentos de fulgor como deixar um adversário prostrado no relvado com tacadas na bola directas à linha lateral. Mas, ao fim de 365 dias por cá, já perdeu o medo de entrar na área. Chutou a 10 metros da baliza, com o guarda-redes no chão, e acertou na baliza. Logo foi incensado por todos e à saída até ouvi dizer que o Acuña já podia ir embora. Bem sei, estava uma chuva de molha-tolos...

 

O Sporar estreou-se. Não parece ser um Slimani como cheguei a ver anunciado em programas televisivos. Antes se assemelha a um Volfswinkel. Nas movimentações e na silhueta. Nota-se que procura o espaço, ataca a profundidade mesmo não sendo muito rápido e não é de lutar pela bola na área. Mas tem um remate forte e colocado e combina bem com os colegas. Dir-se-ia ser um avançado centro, não fora a denominação em Alvalade já estar tomada por um tal de Jesé.

 

O resto do jogo foi tão emocionante que me dediquei a pensar nas singularidades da vida lusa. (É o que me acontece geralmente quando o José Alvalade se transforma numa espécie de campo de desconcentração.) À atenção do Dicionário Priberam: em Portugal, semântica é sinónimo de conveniência. Senão, vejam bem: a discussão do momento é entre o que é um "hack" e o que é um "leak". Parece que o Rui Pinto é um "hacker" e o Assange publicou uns "leaks" provenientes de uns "whistleblowers". Depois, há dois tipos de "hackers", podendo até os dois coexistir na mesma pessoa. Por exemplo, o Pinto vira Robin dos Bosques aquando dos Luanda Leaks, mas é um perigoso pirata informático se estivermos a falar do Benfica. É o que médicos e criminalistas denominam de intrigante caso de bipolaridade cibernética. Entenderam? Eu também...

 

Uma última palavra para aquele senhor que tem sempre os máximos ligados quando faz os editoriais do Jornal Sporting: menos... (Iluminismo e iluminação não são bem a mesma coisa.)

 

Valha-nos que a relva ainda é verde...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral

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22
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - "Marxismo-Leoninismo"


Pedro Azevedo

Um homem pensa já ter visto tudo na vida até ao momento em que chega o dia em que se depara com a insólita situação de ter de observar a equipa por quem dispara o seu coração entrar em campo coxa e toda inclinada para a esquerda, qual Titanic à beira de afundar. De facto, do meio-campo para a frente só com uma ala, o Sporting pareceu um carro sem direcção(!), em sub-viramento constante para a esquerda. Dada a tendência, após o "keynesianismo-keizerismo" que marcou um consulado anterior, é caso para dizer que Silas instaurou o "marxismo-leoninismo". A coisa se não fosse trágica até daria vontade de rir. Afinal, o que nos resta fazer quando o nosso lado direito se transforma no prolongamento da A1 com a A3 e, após o rectificarmos ao intervalo com a entrada de Bolasie, o congolês se faz expulsar infantilmente ao fim de 15 minutos? 

 

Dizem-me alguns com olhos doces (olá Régio!) que o Sporting precisa de tempo, enquanto também eles procuram ganhar tempo. Mas não basta ganhar tempo, é preciso saber-se o que fazer com ele. Nesse sentido, o Sporting destes dias faz-me lembrar uma camisola que em tempos descobri na cidade brasileira de Natal e que tinha inscrita a seguinte mensagem: "comecei uma dieta e em duas semanas perdi... 15 dias".

 

Estamos fora das taças nacionais e no campeonato distamos 19 pontos do primeiro classificado. Olhando para a época passada, eu diria que o tempo não nos está a fazer nada bem. É que se me dissessem no Verão que ao fim da primeira volta estaríamos equidistantes em pontos de Benfica e Aves, eu julgaria que os avenses haviam sido comprados por um excêntrico multimilionário árabe estranhamente apaixonado pelos jesuítas do Concelho. Porém, a realidade é bem diversa e hoje ficou bem patente em Braga, onde durante todo o jogo o grande pareceu ser o Sporting local e não o (enorme) Sporting de Portugal. Porque se na etapa complementar ainda pode haver a desculpa da expulsão de Bolasie, no primeiro tempo o nosso lado direito foi um bar aberto que só não deu mais prejuízo devido aos brandos costumes da cidade dos arcebispos. (Já se sabe que bar aberto dá sempre confusão no fim e por 1 minuto já não fomos a tempo dos 'shots ' de penaltis.)

 

O Sporting é um clube cujo futebol se crê assentar sobre brasas. A Formação então deve estar assente num bico de bunsen. Por isso, não quisemos queimar o Demiral, o Domingos Duarte ou os Matheus, da mesma maneira que, com todo o enlevo, hoje também não queremos queimar o Quaresma. E, para não queimar os jovens da nossa Academia, vamos esturricando as sinapses dos dedicados Sportinguistas e depauperando as nossas frágeis finanças ao ritmo das "contratações cirúrgicas". No entretanto, não temos Quaresma mas já temos a Via Crúcis, o que não deixa de ser invulgar mesmo tendo em conta que se trata do nosso clube. As estações são catorze e nós já atingimos a trágica décima segunda. Resta esperar agora pela ressurreição (do clube, porque de Frederico Varandas apenas espero que com toda a dignidade retire as devidas consequências políticas). Haja fé! Sporting sempre!

 

P.S.1: 21 (de Janeiro) e uma capicua: 12 derrotas...

P.S.2: Até o santo do Mathieu, grande profissional e um senhor, já perde a cabeça...

P.S.3: No final do jogo, Mathieu deslocou-se ao balneário do Braga para pedir desculpa ao nosso ex-atleta Ricardo Esgaio. O gaulês, que no dia em que sair me vai deixar muitas saudades, apesar da inicial atitude irreflectida, mais uma vez demonstrou ser alguém portador dos verdadeiros valores do Sporting (se é que ainda alguém se lembra do que isso é).  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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18
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Apocalypse mau


Pedro Azevedo

É complicado um homem chegar a uma idade adulta e descobrir que foi enganado pelo seu progenitor durante uma vida. O mesmo que desde tenra idade me afiançou coisas que aliás de tão verosímeis à época tomei como absolutamente axiomáticas, do tipo de o Sporting ser um clube diferente para melhor, o nosso fundador ter sido José Alvalade, ou o verde ser a cor da esperança. Até que um dia um homem acorda, choca de frente com a realidade e, enquanto coloca o penso (logo existo) na cabeça e induz o método cartesiano, vê a verdade passar-lhe perturbantemente pelos olhos. E nesse processo vislumbra um clube de niilistas, provavelmente fundado por um tal de Nietzsche, onde impera o vale-tudo, não se acredita em nada e a única Esperança é a filha de um consócio vindo de Marte. 

 

No actual estado de coisas, para muitos parece ponto assente que enquanto uma nave alienígena não aterrar em Alvalade, raptar parte dos ocupantes da Bancada Sul e levá-los para experiências numa galáxia distante que envolvam nuvens de poeira semelhantes a fuminhos, estrelinhas e outras cenas psicadélicas, Varandas continuará a presidir aos destinos do clube e estaremos condenados a (des)entendermo-nos. Imagine agora o Leitor que isso só acontecerá no ano 3000. Vai ser um fartote de famílias sportinguistas a fazerem a arvore geneológica à procura do último antepassado que viu o Sporting ganhar um campeonato. Ano 3000 em que se irão perfazer 998 anos sem ver o Sporting campeão. Pensem nisto apenas como uma ideia em construção, mas, se a única razão para manter Varandas, que curiosamente tal como Nitzsche é Frederico, é a repressão às claques, então talvez fosse melhor substitui-lo por algum sportinguista com as quotas em dia que actualmente integre o Comando Geral da Polícia de Segurança Pública. É que sendo certo que parte da Bancada Sul, com um comportamento que nos enche de vergonha, é hoje o seguro de vida de Frederico Varandas, importará saber o que será no futuro próximo o seguro de vida do Sporting. Desconfio que talvez passe pela fidelidade de sócios e adeptos ao clube e por um maior escrutínio aquando dos actos eleitorais. Só assim virá a bonança. 

 

O actual Mundo Sporting divide-se entre os que não aceitam opiniões diferentes sobre o que aconteceu no passado, os que não se entendem sobre o que está a acontecer no presente e os que discutem sobre o que virá a acontecer no futuro. Aparentemente, a única preocupação de sócios e adeptos é essa: divergir. E assim darem largas ao seu desporto favorito, o maniqueísmo, a grande marca do nosso ecletismo. Entretanto, numa realidade alternativa e sem grande relevância parece que o contador do Sporting-Benfica desta época está em 0-7. E estamos a 19 pontos do primeiro lugar no Lampeonato, ainda esta popular competição criada com o único propósito de glorificar o clube da Farmácia Franco vai a meio. Não que isto evidentemente cause qualquer tipo de preocupação, pelo contrário. Um sportinguista que se preze aguarda é pela abertura da London Stock Exchange para saber como estará a cotação do activo Bruno Fernandes. Lá está, tudo isso é um sinal de progresso: em tempos idos teria sido o LSD a nos fazer navegar para uma determinada percepção da realidade, agora é o LSE. Uma evolução, portanto, na linha de uma gestão de topo sempre à procura da inovação...

 

Se as claques são o seguro de vida de Frederico Varandas, teme-se que só Silas segure Tiago Ilori. Este - informação reputada de fidedigna que recolhi "à la carte" enquanto comia um bacalhau à braz numa tasca junto a um estúdio da TVI - , é um dos 4 Cavaleiros do Apocalipse que nos vem revelar no presente as coisas que acontecerão em breve à medida que se vai desenrolando o manuscrito já composto por sete selos vermelhos. 

 

Porém, estamos condenados a estar juntos. Podemos mudar de carro, de casa, de namorada ou namorado, de emprego, cidade, país, ou até de nacionalidade, mas a natureza do amor a um clube é incorruptível. Tão incorruptível que preferiremos sempre os sócios e adeptos moderados que nos criticam, porque nos corrigem, aos que nos elogiam, porque nos corrompem. Já o dizia Santo Agostinho e é bem verdade. Sporting sempre!

 

"Always look on the bright side of life"

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña

 

P.S. Apocalyse=revelação

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