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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

22
Fev20

Quiz45 - A primeira grande estrela


Pedro Azevedo

Proveniente do futebol profissional, foi a primeira grande estrela do futsal português num tempo em que a modalidade ainda era denominada de futebol de salão e tinha regras ligeiramente diferentes. Posteriormente, acompanhou a transição para o actual futsal. Todo ele era virtuosismo. Malabarista, fora de série, dada a sua rapidez, engenho e baixa estatura os mais chegados chamavam-lhe Topo Gigio, em alusão a um simpático e diligente  ratito que Rui Guedes introduziu na televisão portuguesa. De leão ao peito actuou durante 6 épocas de glória, muitas vezes conciliando-o com actuações nos EUA e Espanha. Nascido em Angola, viria a morrer cedo (aos 31 anos), devido a um enfarto de miocárdio ocorrido durante um jogo de futsal da sua equipa de então. Quem é?

20
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Banho turco


Pedro Azevedo

Não sei se já Vos havia contado, na verdade na altura nem dei conta, mas devo ter sido um dos primeiros portugueses a conhecer este clube turco. E não foi em Istambul, não senhor. Aconteceu em Lisboa, no consultório do meu oftalmologista, enquanto olhava para uma parede iluminada onde constavam as letras B A S A K S E H I R que tive de soletrar. 

 

Se o meu diagnóstico foi 20/20 em cada olho, o Sporting também esteve próximo de fazer o pleno: bastaria que na primeira parte tivesse concretizado mais algumas das inúmeras oportunidades de golo criadas para que o resultado ao intervalo se pudesse ter cifrado num 5-0. Ainda assim, um tango envolvendo o argentino Acuña e o uruguaio Coates permitiu a primeira explosão de alegria no estádio e uma dança eslava de Dvorak (entre o macedónio Ristovski e o esloveno Sporar) devorou os turcos. Destaque ainda para um grande golo de Jovane, infelizmente anulado por fora de jogo anterior de Sporar.

 

O Basaksehir era curto para o Sporting e já se sabia que o  que é estreito em Istambul liga ao mar negro, pelo que ao intervalo o cenário para os turcos não era de todo auspicioso. E, de facto, apenas 6 minutos foram suficientes para que um refinado número de bailado de Jovane deixasse os otomanos de cara à banda e desse a possibilidade a Bolasie de isolar Vietto na esquerda para um golo de grande classe do argentino. A ganhar por 3 de diferença, os leões desaceleraram, permitindo que os visitantes assumissem as despesas do jogo. Daí acabaria por resultar um golo do Basaksehir marcado por Visca após penálti cometido por Neto sobre o ex-Chelsea Demba Bá, um banho de água fria depois do banho turco servido pelo Sporting à equipa de Istambul. Bolasie, em jogada individual, fez a bola estrelar-se na barra e nos descontos, já com Gonzalo Plata em campo - jogador mais de contra-ataque, podendo aí usar o seu drible mais largo e em progressão, entrou muito bem - , Vietto, após assistência do equatoriano, desperdiçou a derradeira oportunidade de dilatar o marcador e dar outra tranquilidade para a viagem à Turquia. 

 

Pese embora a diferença pudesse ter sido maior, o Sporting realizou uma das melhores exibições colectivas da época e deu uma volta de 180º à imagem deixada em Vila do Conde apenas 5 dias antes. Os leões foram mesmo a única equipa portuguesa a vencer nesta ronda europeia, após o Benfica ter perdido em Kharkiv com o Shakhtar, o Porto sido derrotado em Leverkusen e o Braga permitido a reviravolta do Rangers. Para a melhoria da equipa leonina muito contribuiu  a adição de início de um Jovane que quebrou a percepção de que é melhor a sair do banco, realizando uma exibição de luxo principalmente durante o primeiro tempo. De destacar ainda os cruzamentos de Acuña, a estreia a marcar de Sporar (continua a fazer-me lembrar um Van Volfswinkel com menos jogo de cabeça) e a melhoria física e anímica patenteada por Battaglia. Agora resta estabilizar o carrossel de altos e baixos, manter o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) com alas verdadeiros - o sistema que melhores resultados tem dado - e acabar definitivamente com a posse estéril de bola que ameaçava esterilizar definitivamente a vontade dos adeptos de ir à bola. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Marcos Acuña e Jovane Cabral

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19
Fev20

A realidade inconveniente


Pedro Azevedo

O Sporting continua a gastar demasiado no futebol para os resultados desportivos que apresenta. Tal concorre para Resultados sem transacção de jogadores fortemente negativos. Eis os principais desequilíbrios verificados a nível da SAD, visíveis através do R&C anual referente à época 2018/19 (não significativamente alterados em 2019/20):

 

  • Resultados Operacionais sem transacção de jogadores negativos em 29 milhões de euros, consequência do lado dos Proveitos da não qualificação para a Champions e do lado dos Custos do não ajustamento dos Custos com Pessoal e dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSEs) à nova realidade europeia;
  • Subida das Amortizações para um valor de 30,9 milhões de euros, por via da insuficiente aposta em jovens da Formação (Valor Bruto e Amortização zero) e da aquisição de demasiados jogadores;
  • Resultados Financeiros negativos em 10,4 milhões de euros, devido a um aumento dos custos de financiamento da dívida;
  • Somando estas 3 rúbricas, a Sporting SAD perde 70,3 milhões de euros;
  • Não havendo ajuste dos Custos aos Proveitos, mantendo-se este cenário, a SAD precisará de realizar vendas anuais de 70,3 milhões de euros para não apresentar prejuízos.

 

Olhando para este cenário, é óbvio para todos que a realidade está muito longe da desejada sustentabilidade. Acresce que os resultados desportivos não justificam de todo o investimento produzido (aquisição de jogadores) e os gastos gerais em que a SAD incorre anualmente. Tal resulta de uma política desportiva delirante (pardon my french), completamente desfasada dos constrangimentos financeiros da SAD e que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade e ignora a Formação. Olhando para a Demonstração de Resultados é perfeitamente identificável o não ajuste dos Custos à quebra de Proveitos motivada pela exclusão da Champions, desequilíbrio que não se reflecte positivamente de nenhuma maneira no desempenho da principal equipa de futebol do clube. Sendo certo que a situação já estava descontrolada nos últimos tempos de Bruno Carvalho, por via de um aumento pronunciado dos custos (cerca de 75 milhões de euros em Custos Com Pessoal) e de investimento (63,7 milhões de euros em 17/18 divididos em diferentes R&C) que estava ainda assim suportado num lote de jogadores de qualidade mas que ficou em parte ameaçado com as rescisões, a não imediata reacção à perda de Proveitos e a Alcochete agudizou o problema. É difícil não pensar que se poderia fazer muito melhor gastando e investindo muito menos. Não são só os benchmarks (referências) de mercado (Braga, Rio Ave, Famalicão) que o indiciam, é também o passado. Por exemplo, se olharmos para a temporada de 2013/14 verificamos o seguinte (face à temporada anterior): corte nos FSEs de 4,3 milhões de euros, redução dos Custos com Pessoal em 16,6 milhões de euros, diminuição no valor das Amortizações em 11,3 milhões de euros devido a uma maior aposta na Formação e melhoria dos Resultados Financeiros em cerca de 3 milhões de euros (menos dívida e renegociação das taxas de juro), para além de menos 3 milhões de euros em provisões. Tudo isto concorreu para uma melhoria dos Resultados da SAD em 38,2 milhões de euros. E os resultados desportivos? Bom, passámos de um 7º lugar em 2012/13 para um 2º lugar (qualificação para a Champions) em 2013/14, demonstrativo de que se pode fazer melhor, de uma forma sustentável, mesmo gastando muito menos. 

 

Conclusão: qualquer pessoa minimamente experiente em "turnaround" de empresas saberá que a actual situação é insustentável e que a aposta na Formação conjugada com uma política desportiva que privilegie a qualidade em detrimento da quantidade é a única solução possível. Ora, perante isto, o investimento de 47 milhões de euros em 15 contratações cirúrgicas em apenas 1 ano tem de ser considerado irresponsável, porque não só veio afectar ainda mais negativamente os Resultados da Sociedade como também não se perspectiva que possa proporcionar mais-valias significativas no futuro que possibilitem a cobertura do défice de exploração da Sociedade. Adicionalmente, a troca constante de treinadores (5 durante o consulado de Frederico Varandas) também não tem proporcionado a estabilidade necessária que mitigue um pouco os erros cometidos nas janelas de transferências. Para além disso, é hoje absolutamente notório um enfraquecimento da qualidade média do plantel face ao momento em que Varandas assumiu a presidência do clube. Nani, Raphinha, Bas Dost e Bruno Fernandes já não estão entre nós, Matheus Pereira, Domingos Duarte, Mama Baldé ou Ryan Gauld, jovens que estavam numa linha de sucessão, também não. Perante tudo isto, torna-se complicado perspectivar como a SAD conseguirá viver a partir de 2020/21, nomeadamente sabendo-se que sem cortar na despesa terá um défice de cerca de 70 milhões de euros e poucos jogadores de qualidade para o cobrir. 

 

Epílogo: Se Alcochete foi uma Tragédia Grega, na minha opinião a gestão produzida na SAD durante esta temporada deve ser encarada como uma nova peripécia dessa mesma Tragédia. À exuberância irracional do posicionamento de Bruno Carvalho nos últimos meses da sua presidência seguiu-se o preconceito com a Formação e o deslumbramento ("fácil, fácil") da política desportiva, tudo isto concorrendo para a situação dramática que actualmente se vive, que consiste em resultados desportivos medíocres e numa situação económica (a financeira resolveu-se apenas para esta época) deplorável e em constante deterioração. É urgente parar isto!

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18
Fev20

Liga Europa - A hora de Jovane?


Pedro Azevedo

Absolutamente decisivo em 3 dos últimos 4 jogos do Sporting - um bracarense, em cima do risco de golo, evitou o pleno - , o que mais terá Jovane Cabral de fazer para merecer a titularidade? E não me refiro a 1 jogo para experimentar, mas sim a uma série que lhe proporcione a tranquilidade que tantas vezes tem sido dada a quem porventura não tem feito o suficiente para a merecer. Para que definitivamente não se enraíze a ideia de que Jovane só serve como arma secreta, algo que teria de ser visto como bizarro à luz da pólvora seca comummente usada como 1ª opção. 

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16
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Do Céu caiu um Jovane


Pedro Azevedo

O sonho de qualquer adepto encartado é ser o Wendel. Quem não gostaria de poder caminhar livremente pelos relvados deste país a sentir de perto o bafo e o suor dos guerreiros em campo enquanto enverga o melhor traje de passeio? Nessa óptica, o brasileiro é um repórter privilegiado, o paradigma de uma inovadora Experiência Sporting num estádio de futebol. É também, infelizmente, um produto da forma como no Sporting se vê a meritocracia...

 

Se o Wendel é o sonho de qualquer adepto, ter um gabinete de scouting é o sonho de qualquer presidente. Como não amar estes arqueólogos, capazes de desenterrar uma múmia colombiana em terras mexicanas a um preço apenas ligeiramente superior ao produto da venda de um Merah Demiral, ou de um Domingos Duarte? Reparem, observar o Borja em campo é toda uma experiência sociológica. Aquelas acelerações seguidas de travagens bruscas e marchas-atrás e a atracção pela bola e esquecimento do espaço que o caracterizam são reproduções de um episódio do Lost que começa com o colombiano a cair de pára-quedas na Península de Setúbal (Alcochete). 

 

Logo após ter sido eleito presidente, Frederico Varandas decretou e anunciou a todos os Sportinguistas que a Formação leonina, entre os 17 e os 23 anos, não tinha qualidade. Parece que faltavam relvados e os que havia tinham buracos, o que como se sabe favorece mais o aparecimento de talentos como o Tiger Woods do que craques como o Cristiano Ronaldo. A ideia geral era que a Formação tinha regredido. Entretanto, o Domingos Duarte foi vendido pelo preço de compra de um Tiago Ilori e posteriormente concluiu-se que o nosso formando mais recente afinal era melhor do que o regressado formando mais antigo. Reconheça-se que o Demiral e o Palhinha já tinham saído, mas é difícil imaginar que não fizessem parte do decreto, pelo que o mais certo é Cintra ter poupado mais um dissabor a Varandas. Entretanto, o Palhinha marcou ao Benfica (quebrando o enguiço do Braga na Luz), Matheus Pereira (6 golos) assistiu pela 14ª vez no empate do líder WBA contra o Nottingham Forest, Domingos Duarte foi eleito para o Onze Revelação da La Liga, o infortunado Demiral tirou a titularidade a De Ligt (transferência de €70 milhões) na Juventus antes de se lesionar com gravidade, Daniel Bragança, Ryan Gauld e Leonardo Ruiz têm estado em evidência em, respectivamente, Estoril, Farense e Varzim, Gelson Dala regressou a Vila do Conde com um grande golo e Mama Baldé, o jovem cedido de borla para o Dijon a fim de baixar o elevado valor de aquisição do entretanto desaparecido em combate Rosier, é o melhor marcador do Dijon na Ligue 1. Esta constatação leva-me a pensar que o Sporting não está a formar mal para os outros. A formar para si próprio é que já é outra coisa. Por exemplo, o Jovane não tem capacidade para ser titular. Vejam lá que apenas resolveu 3 dos últimos 4 jogos do clube, algo manifestamente insuficiente para merecer uma oportunidade decente. O Max também está à experiência, mesmo que a cada jogo vá evitando males maiores. Por isso, os jornais já dizem que o sueco Robin Olsen é alvo para a próxima temporada, algo que o presidente Varandas não desmentiu. Tudo isto confirma a narrativa oficial: infelizmente, a Formação não tem a qualidade necessária. 

 

Ontem, em Vila do Conde, o Sporting é capaz de ter feito o jogo mais miserável de que tenho memória em 45 anos que levo de ir ao futebol. De um lado, uns rioavistas sempre a chegar primeiro à bola, todos procurando dar linhas de passe, sempre em movimento, a fazer lembrar uma equipa da Premier League, assim a género de um River Bird. Do outro, uma equipa incapaz de ligar dois passes sem primeiro ter de executar todos os passos de segurança incluídos no protocolo de Quioto Silas para as transmissões de bola, com dispêndio de energia mínimo e zero de talento e de remates enquadrados na baliza. Um Sporting a jogar à equipa pequena, sem ligação entre sectores, esterilizando a bola no seu meio-campo e sem capacidade de progredir no terreno. Um Rio Ave afoito, consciente do que estava a fazer no campo, com jogadores mostrando alardes técnicos passíveis de envergonhar uns tantos leões pernetas, para o efeito transformado no grande da ocasião. Noutro plano, um treinador (Carvalhal) empenhado em sistematizar princípios de jogo, optimizar rotinas e promover um futebol agradável para as bancadas versus Silas, o mau da fita, campeão da posse estéril e Che Guevara dos sistemas tácticos, paladino de um estilo futebolistico sem princípio, meio e fim.

 

Como nenhum outro desporto, o futebol tem um sortilégio muito especial. Assim, é sempre possível a um David bater o pé a um Golias. Ontem, o David foi o Sporting, o que não surpreende dada a falta de noção que se alastra por toda a cadeia de comando, desde Varandas e Zenha até Silas, ninguém percebendo muito bem a grandeza do clube que representa. A fisga do David foi Jovane, a estrela caída do Céu que voltou a resolver. Aliás, Jovane e Max, dois produtos da nossa Formação, têm sido os mais consistentes jogadores do Sporting nos últimos 4 jogos, não se compreendendo a razão pela qual o ala caboverdiano continua a assistir do banco à inconsequência de Camacho, indiferença de Jesé (titular contra Marítimo) ou trapalhice de Bolasie (ontem conseguiu sacar um penalty de uma bola que se esgueirava pela linha de fundo). Ninguém entende, como também é difícil perceber porque o Matheus Nunes ainda não jogou, ele que tecnicamente é mais refinado do que Wendel "e pur si muove" (e, no entanto, move-se/Galileu).   

 

P.S. Exuberância irracional foi um termo usado pelo então presidente da Reserva Federal americana (FED), Alan Greenspan, em 1996, durante a bolha tecnológica vivenciada nos anos 90, para dar um sinal aos operadores que o mercado accionista poderia estar sobreaquecido. Por sua vez, "New Normal", ou novo normal (em português), é um chavão usado na economia, em finanças ou nos negócios para classificar as condições resultantes da crise financeira de 2007-2008 (alargou-se a Março de 2009) e da recessão global de 2008-2012, onde o que antes era considerado anormal se tornou comum. 

 

No Sporting tivemos um episódio de exuberância irracional que marcou tristemente as últimas acções de Bruno Carvalho como presidente do Sporting e hoje em dia, em pleno consulado de Frederico Varandas, vivemos o "novo normal". 

 

Para o Sporting voltou a ser normal não aspirar a mais do que o terceiro lugar no campeonato nacional de futebol. Mesmo este parece seriamente ameaçado este ano, antes desta jornada com 3 clubes a uma distância de apenas 3 pontos na perseguição à nossa equipa. Ora, por muito que se invoque Alcochete e a rescisão de alguns jogadores nucleares da equipa como justificação para o fracasso, a realidade incontornável é que o Sporting continua a gastar em custos com pessoal um valor entre 65 e 70 milhões de euros que deveria ser suficiente para a sua equipa de futebol estar muito mais perto dos 2 primeiros do que de clubes que têm um terço, um quarto, ou um quinto do seu orçamento. Ora, não é isso que acontece quando os leões distam 19 e 15 pontos dos dois primeiros colocados. 

 

Como facilmente se conclui, o Sporting gasta demasiado para os resultados que obtém, o que significa sem tergiversações que não tem uma boa gestão desportiva. Isso é um dado adquirido nada ambivalente e é bom que os sportinguistas dele tenham plena consciência. Por isso, causa-me apreensão que o conformismo venha tolhendo a capacidade de raciocínio da maioria, como se o que nos tem acontecido nesta época desportiva fosse algo inevitável e pouco se possa fazer no presente e futuro para inverter este ciclo de "normalidade" de maus resultados. 

 

Assim, não vale a pena enfiarmos a moleirinha na areia como a avestruz. Pese embora tal pudesse evitar que no-la ameaçassem de arrancar, é preciso não olvidar que haveria o perigo de lesões do foro da cabeça que um distinto presidente/médico considera como da mais difícil resolução. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Jovane Cabral e Max

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15
Fev20

A rulote do Dr Zenha


Pedro Azevedo

Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do clube e administrador da SAD, diz hoje ao Expresso que o Sporting era como uma rulote. Já se sabia que à selecção de futebol da África do Sul se dava o nome de "Bafana Bafana" (Os Garotos, em dialeto zulu), o que não se compreende é que um clube centenário com uma história gloriosa para a qual contribuiram valorosos atletas e dirigentes possa ter chegado às mãos dos "salvadores" do Sporting como "bifana bifana".  

 

Na verdade, a falta de noção de quem conjunturalmente representa o clube contrasta com o peso esmagador da dimensão social do Sporting Clube de Portugal. Por exemplo, na referido entrevista é possível ler coisas como "o Sporting é uma empresa já interessante a nível de balanço", o que é manifestamente de menos quando nos estamos a referir a um enorme clube e queremos contrapor algo de positivo face a uma estrutura que "era uma rulote". É como se toda a história do clube se tivesse apagado e o Sporting fosse um clube emergente que deve o seu actual gabarito - luta pela Liga Europa com Braga, RioAve, Famalicão e Vitória SC - à dupla de génios Varandas e Zenha, os Dupont&Dupond da actual nomenclatura leonina, responsáveis pela contratação do temível SAP, um avançado centro com um software de ponta (de lança).

 

De resto, as tergiversações são mais do que muitas. Nesse sentido, surge uma nova interpretação (versão nº 138) para a alienação do passe de Bruno Fernandes: o Bruno "teve de ser vendido porque havia o interesse em contratar um avançado (Sporar)". Mais à frente, Zenha congratula-se de não se ter "esbanjado" dinheiro a contratar jogadores por 20 milhões como o Benfica, esquecendo-se de que já gastámos 47 milhões em futebolistas que não têm feito a diferença. O melhor estava guardado para o fim: após Frederico Varandas ter chamado "cientistas", "intelectualmente desonestos" ou "ignorantes em matéria de futebol" aos sócios do Sporting que justamente criticaram uma política desportiva que privilegiou a quantidade - bizarramente designada como de "contratações cirúrgicas" - em detrimento da qualidade, Zenha remata a entrevista dizendo que "o clube vai entrar numa fase diferente, contratando menos jogadores e estando disposto a por eles pagar um valor superior", não informando se considera tal um "esbanjamento" semelhante ao do rival da 2ª Circular. O pedido de desculpas aos sócios pelos epítetos anteriores ficou adiado, naturalmente. 

 

Com uma Direcção empenhada em denegrir publicamente a imagem do clube e em estimular o maniqueísmo entre os sócios, assim vai(?) o Sporting...

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13
Fev20

Felizmente, os Sportinguistas não são isto!


Pedro Azevedo

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Jornal Sporting

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Retirado da internet

 

Não, não é o Sporting! Mas poderia, por exemplo, pelo seu carácter demagógico e fundo preto, ser a propaganda de um movimento de extrema direita (não é o caso do infograma acima, de publicidade a um WebSite de partilha musical, com outra cor, que presumo terá servido de "inspiração"). Confundir o universo de sócios do Sporting com um grupo de pessoas com tendência para a violência é irresponsável. Pior ainda quando sobram as palavras e se calam os actos, e existe um CFD que, tanto quanto se sabe, ainda não teve tempo para completar o processo disciplinar aos invasores de Alcochete - aberto pela Comissão de Fiscalização que decretou a sua suspensão - nem a quem tem comportamentos impróprios nas AGs ou está envolvido no lançamento de tochas para o relvado e petardos que originam pesadas multas para o clube. 

 

O que isto é? Substantivamente, será ruído. Puro e duro, provavelmente destinado a desviar as atenções do universo sportinguista da impreparação a nível de política desportiva que levou ao descalabro desta época de futebol, entre outras coisas menos conseguidas neste mandato. O que o clube precisa é de acção concreta face aos infractores. À violência, lamentável, intolerável e por isso condenável em sociedade, responde-se com identificação dos seus autores, processos disciplinares internos que visem expulsão de sócio e participações a polícias e Ministério Público, também com reforço de policiamento e repressão se tal se tornar infelizmente necessário. Nunca com violência verbal em "prime-time" televisivo que vitimiza e só dá mais argumentos a quem quer alimentar a fogueira do ódio. Da mesma forma, ao niilismo (não acreditar em nada) não se responde com maniqueísmo (divisão entre o bem e o mal), mas sim com uma estratégia sólida e competente que vise preencher o vazio, atraia as pessoas para o centro e assim previna futura instabilidade. Tudo o que não passe por isto e intencionalmente misture a crítica legítima a um mandato com actos de violência e insubordinação, que qualquer cidadão de bom senso repudiará, apenas visará confundir, radicalizar e gerar ainda mais divisão entre sócios e adeptos, nomeadamente todos aqueles que com notável frieza de espírito se têm mantido fiéis desde sempre única e exclusivamente ao Sporting Clube de Portugal e não a proselitismos diversos.

 

A capa de hoje do jornal Sporting é das coisas que mais me entristeceram em 40 anos de sócio. O clube fundado por José de Alvalade é predominantemente uma instituição composta por gente do bem (não confundir com "gente de bem", o Sporting é um clube interclassista e assim transversal à sociedade portuguesa). Ao longo da sua história têm sido inúmeros os exemplos de verticalidade, integridade e de saber estar no desporto, factores diferenciadores que sempre foram vividos em comunhão por quase todos e são fonte de orgulho da maioria dos sportinguistas. Acresce que continuo sem compreender uma coisa: um dos elementos pré-anunciados na lista às eleições de 2018 de Frederico Varandas, indicado como responsável pelo pelouro dos sócios, foi ouvido numa gravação áudio destinada a uma claque dizendo que com ele finalmente atingiriam o topo. Tal deixa dúvidas sobre a convicção de Frederico Varandas em relação à retirada de privilégios às claques, no sentido em que indicia que se pretenderia fazer dessa claque uma guarda pretoriana do regime, prometendo-lhes poder. Ora, isto está em flagrante contradição com o que actualmente ouvimos de Frederico Varandas e fragiliza-o, dando assim azo a legítimas interpretações de que a contestação de que foi alvo face aos resultados da equipa de futebol terá tido peso no corte com as claques. (Mesmo que o conteúdo aúdio apenas visasse o apelo ao voto, o seu teor teria de ser entendido como uma tentativa de manipulação de uma claque visando um resultado eleitoral, algo que posteriormente motivaria uma reacção óbvia e de efeito "boomerang".)

 

Para concluir, da mesma forma que às claques cumpre exclusivamente apoiar os atletas e as equipas do Sporting, nas pistas, piscinas, estádios e pavilhões deste país - não sendo seu objecto constituírem-se como anti-poder ou contra-poder - , a um presidente do Sporting exige-se que saiba em todos os momentos proteger a imagem do seu clube. Em certos momentos isso poderá ser inconciliável até com o seu interesse pessoal, o qual em nenhum momento se poderá sobrepôr ao interesse do clube, o bem maior desta equação. Expôr uma e outra, e outra vez, pelas piores razões, o clube à devassa dos media e de todos os portugueses, onde se incluem adeptos do Benfica, do Porto e de outros clubes, não é um bom serviço prestado a uma instituição centenária que ostenta o lema "tão grande como os maiores da Europa" traçado pelo seu fundador. A roupa suja lava-se em casa e é chegado o tempo de com firmeza esta Direcção realizar esse trabalho nas suas instalações em detrimento do enxovalho público permanente a que submete o nome do nosso enorme Sporting Clube de Portugal. 


Não, à violência e seus perpetradores!
Sim, ao bom nome do Sporting e dos Sportinguistas! 

P.S. Desperdiçou-se a excelente oportunidade de a capa do Jornal Sporting reflectir, isso sim, o que é verdadeiramente o Sporting. Pela positiva, mostrando o esforço, dedicação e devoção de todos os que ao longo dos anos contribuíram para a glória de um clube que, paradoxalmente ou talvez não, é muito mais do que um clube, é uma forma de estar na vida e em sociedade. Assim saibamos todos estar à altura dele. 

11
Fev20

Justa Causa vs causa justa


Pedro Azevedo

A mesa da Assembleia Geral do clube anunciou hoje ter indeferido, por unanimidade, o pedido do Movimento Dar Futuro ao Sporting para a realização de uma Assembleia Geral de destituição dos actuais orgãos sociais. 

 

O facto do orgão máximo leonino não ter atendido ao pedido do referido Movimento, fundamentando-o em irregularidades formais e aduzindo que as razões apresentadas não configuram Justa Causa, não surpreende os mais atentos. De facto, estatutariamente falando, seria difícil enquadrar os fundamentos de destituição à acção destes orgãos sociais, razão pela qual nunca me associei a esta iniciativa. Mas o presumível facto de não haver Justa Causa não invalida que possa haver causa justa para que nomeadamente esta Direcção deixe de exercer as suas funções, pelo que sempre defendi que Varandas e seus pares deveriam apresentar a sua demissão e obrigar a uma clarificação por via da vontade expressa dos sócios em assembleia geral eleitoral. Fi-lo porque apesar de ter poder, por via dos votos de 2018, considero que a actual Direcção não tem neste momento autoridade (à luz de tantos erros cometidos) perante os sócios. Ademais, não existem no actual contexto figuras transversais ao universo leonino com peso, disponibilidade e aceitação suficientes para exercer um magistério de influência que promova um pacto de regime que assegure a paz e garanta o cumprimento sem problemas do tempo que falta para terminar esta legislatura. Cria-se assim o vazio, que como todos sabemos é fonte de crescimento desordenado de "ervas daninhas". Teme-se assim pelo futuro, razão pela qual defendo a realização urgente de eleições.   

 

Para terminar, gostaria de deixar a seguinte reflexão: os Estatutos não garantem um limite máximo de contratações por época nem uma quota mínima de jogadores da Formação que assegure a sustentabilidade da política desportiva. Adicionalmente, não previnem que Frederico Varandas possa, a cada conferência de imprensa ou entrevista, enxovalhar o nome de uma centenária instituição. Finalmente, também não evitam que um presidente do clube aumente livremente o seu ordenado na SAD, mesmo que contra a vontade de todos os outros accionistas presentes em AG da sociedade, sem que essa decisão tenha de ser previamente aprovada em AG do clube. Temos assim uma Direcção que do ponto de vista dos Estatutos, dos formalismos, está de pedra e cal. Qual então o efeito prático disso? Informalmente, o caos...

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10
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - "Siclete"


Pedro Azevedo

Silas tem um conceito de futebol que privilegia a posse de bola. Porém, há um problema. Enquanto na física, ou química, uma acção gera uma reacção, no futebol de Silas a posse de bola é simultaneamente acção e reacção, não tendo uma finalidade fora deste circuito fechado que possa ser observada no campo. Assim, a bola vai circulando para trás e para a frente e da esquerda para a direita até voltar à sua posição inicial e repetir-se o ciclo. A coisa seria interessante se o jogo fosse o da Rabia, assim é só chato, previsível e mastigado para quem assiste da bancada ou na televisão. Porém, para Silas é um placebo: "ter" dá-lhe uma tranquilidade que o "não ter" não lhe dá. É também um trunfo nas conferências de imprensa. Por isso, enquanto os ingleses inventaram o futebol e lhe atribuiram um objectivo ("goal"), Silas já patenteou o Siclete (contracção do nome próprio "Silas" com o substantivo "chiclete") com o propósito de integrar a futura Taça dos Clubes Campeões Europeus de Estatística, competição que irá gerar uma distribuição (normal) de... dados probabilísticos. 

 

O Sporting começou num 3-5-2, o sistema que melhor permite compatibilizar Vietto na equipa. É também o sistema que mais favorece o Siclete, na medida em que, sem alas puros, vai acumulando jogadores no centro do terreno e concomitante empastelamento do jogo para gáudio do treinador. Para piorar, um Battaglia ainda receoso e um Wendel em greve durante o primeiro tempo não deram a intensidade requerida e o Portimonense ia conseguindo controlar as operações. Num cenário assim, apenas a qualidade poderia desbloquear o marcador. Ora, a qualidade não tem condição física ou idade, razão pela qual um manco e um avô se conseguiram ainda assim destacar entre o marasmo. Max, um jovem promissor, evitou que os leões fossem para o intervalo em desvantagem.

 

No segundo tempo o Sporting mudou de sistema, trocando Neto por Jovane Cabral. Em 4-3-3, os leões foram mais perigosos. Ainda assim, a igualdade ia teimando no marcador e Vietto, em duas ocasiões, provou não ser Bruno em frente da baliza. Eis então que a réstia de qualidade da nossa equipa volta a aparecer: Acuña, ocasionalmente deslocado sobre a direita, efectua um centro largo para o segundo poste e o mal-amado Jovane - um jovem que vai para cima do seu adversário e é sistematicamente preterido por um Camacho que neste jogo se mostrou adepto de floreados inconsequentes - corresponde da melhor maneira colocando a bola com malícia na frente do isolado Sporar. Na tentativa desesperada de evitar o golo, um algarvio (Jadson) acabou por confirmar o iminente golo. Até ao final do jogo, destaque para uma defesa de Max a segurar a vitória e para um remate ao poste do entretanto despertado Wendel.

 

Mesmo contra o 17º colocado da Primeira Liga e a jogar em casa, o Sporting venceu tangencialmente. A falta de qualidade global da equipa é notória e Silas será provavelmente parte do problema mas não é "o problema". Aliás, o jovem treinador é já o 5º da dinastia varandista, pelo que a sua substituição neste momento não auguraria nada de bom dado o histórico dos recrutadores. É o próprio Varandas que o admite quando dá como provável que o despedimento de Keizer tenha sido injusto em razão de um mau planeamento da época por parte da Estrutura - algo que agora admite, mas que quando na altura própria foi alvo de crítica por sócios e adeptos atribuiu a "cientistas" e a ignorantes em matéria de futebol - , não se percebendo se no momento da tomada de decisão de afastamento do treinador holandês a percepção de mau planeamento por parte da Estrutura já existia ou se só foi criada agora. Logo, a pergunta que se impõe é a seguinte: quantos treinadores ainda precisaremos de ter até que o mau planeamento da época tenha consequências que impactem os planeadores?  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

mathieu4.jpg

P.S. Hoje à tarde, após o derby do futsal, um vice-presidente e um vogal do Conselho Directivo foram agredidos por adeptos do clube. Uma menina, adolescente, filha de um dos dirigentes, foi cuspida. Tal foi narrado pelo Record e posteriormente confirmado por Frederico Varandas. À hora a que Vos escrevo, segundo as televisões, a informação conhecida é a de que os agressores ostentavam dísticos da JL, organização que em comunicado repudiou e condenou os actos de violência.

 

Um acto ignóbil destes, caso flagrante de (in)segurança pública, não pode passar incólume. Se às autoridades policiais caberá indentificar os perpetradores das agressões, ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting cumprirá instaurar os processos que conduzam à sua expulsão de sócios (caso o sejam) e proibição de entrada nas instalações. Mas chega de surfar na maionese. Todos os que me leem sabem que detesto divisionismos no meu clube, que desde Alcochete me bato e alertei contra os maniqueístas que vão manietando o Sporting em nome de proselitismos vários, endurecendo no processo a linguagem. Porém, o clube está doente, refém da falta generalizada de estratégia de uma Direcção (o que a enfraquece), de uma mesa da AG que vai empurrando decisões com a barriga e de um conjunto de adeptos com um comportamento inadmissível, onde se incluem membros das duas claques a quem forem retirados benefícios e que se manifestam sonoramente contra a Direcção no estádio no decorrer dos jogos. Por outro lado, a oposição mais visível à actual Direcção e com maiores responsabilidades desde as últimas eleições - não interessa para o caso se mais ou menos activa - , que existe e tem cara(s), por omissão vai caucionando, como causa provável por motivos eleitoralistas, este tipo de acontecimentos e comportamentos, não se ouvindo uma palavra sua que faça doutrina no sentido de os tentar prevenir. Existe assim um enorme vazio de autoridade e uma total ausência de magistério de influência no Universo Sporting que recomende a necessária ordem e tranquilidade, criando-se assim um latente barril de pólvora pronto a detonar. Acresce que este ambiente geral acaba por abafar a legítima contestação de sócios e adeptos moderados e ordeiros que não se revêm na actuação destes Orgãos Sociais e gostariam de encontrar uma forma civilizada de cidadania leonina que lhes permitisse expressar as suas inquietações em democracia.

 

Perante tudo isto, o Estado teria de intervir como repressor da violência. Acontece que o Secretário de Estado do Desporto (e o seu chefe, o Ministro da Educação) continua a circunscrever o tema à instituição, ele que deveria ser o maior interessado em erradicar a violência no desporto. Igualmente, o Ministro da Administração Interna parece ignorar que a violência na sociedade está a montante do desporto. É que a segurança pública, sendo um direito e responsabilidade de todos, é um dever do Estado, assim como o direito à integridade pessoal assiste aos cidadãos. Nesse sentido, o artigo 22º da Constituição da República portuguesa (Responsabilidade das entidades públicas) reza o seguinte: "O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem". É por isso tempo de dizer basta! O Estado não pode continuar a demitir-se das suas funções. 

09
Fev20

Vamos a Alvalade!


Pedro Azevedo

O problema de termos consciência política é que às vezes ficamos tão reféns das nossas convicções que facilmente podemos confundir quem conjunturalmente nos dirige com a instituição. Nesses momentos é fundamental pensarmos na origem das coisas, regressando ao passado para nos lembrarmos da razão de sermos do Sporting. No meu caso particular, o Sporting não é só um grande amor presente, foi o meu primeiro amor. O que me deu, a companhia que me fez, em Portugal ou no estrangeiro - num tempo sem internet, "gadgets" ou "devices" em que a informação não fluía como hoje - , as tardes e noites que com ele comunguei nunca lhe poderei pagar em vida. Porventura, talvez fosse bom que todos - sócios, adeptos, Direcção - reflectíssemos que o clube nada nos deve, nós é que lhe devemos muito e em todas as circunstâncias. (Mesmo quando nos desilude, ensina-nos a importância da resiliência.)  

 

Nenhum homem é uma ilha. O privilégio que nos é concedido de pertencermos a uma gesta tão gloriosa quanto a de Peyroteo, Carlos Lopes, Joaquim Agostinho, Yazalde, Moniz Pereira ou Aurélio Pereira, Salazar Carreira ou Reis Pinto, Ribeiro Ferreira ou João Rocha é algo tão único e especial que dificilmente se poderá traduzir em palavras. Se calhar, seria bom aprendermos com as crianças, despirmo-nos de filtros, preconceitos e verdades absolutas, e nem que seja por 90 minutos tomarmos a essência do que é o Sporting. Eu recordo como a minha paixão começou por se alimentar da onda média da rádio e se transformou num tsunami aquando da primeira vez que pisei o solo sagrado do antigo José Alvalade. Temos de trazer de volta essa vivência, essas emoções, razão pela qual me incomoda tanto aquele autismo de o hino não ser respeitado naquilo que tem de quase litúrgico, introspectivo, de esmagamento do homem perante algo tão maior e grandioso. Escutemos então aquilo que nos diz o coração. E comunguemos do Sporting e do sportinguismo. Já hoje, pela tarde, em Alvalade. 

sporting clube de portugal.png

08
Fev20

A Comunicação no Sporting


Pedro Azevedo

Castigo Máximo teve acesso aos bastidores da melindrosa preparação da entrevista presidencial ao Record. O Dept. de Comunicação reuniu-se para elaborar a narrativa oficial inerente ao balanço da época e vários obstáculos e contratempos decorrentes do caminho escolhido foram sendo ultrapassados até que o guião contendo o essencial da mensagem a comunicar chegou finalmente a Frederico Varandas. O resultado foi este que pode ver neste rigoroso exclusivo do nosso blogue. 

06
Fev20

A herança


Pedro Azevedo

A pior herança foi a que eu recebi. Não, eu é que fui o menos afortunado. Nada disso, a mim tocou-me ser o mais pobrezinho. Perdão, o mais desgraçadinho fui eu. 

 

É assim há anos. Entretanto, o clube continua adiado. Igualmente adiado está o cumprimento da única herança que deveria estar na mente de cada um, aquela lavrada por José Alvalade quando deixou expresso o desígnio de os leões serem "tão grandes como os maiores da Europa". 

05
Fev20

CR35!!


Pedro Azevedo

Esforço, dedicação, devoção e glória. Sempre o primeiro a chegar aos treinos e dos últimos a sair após uma recuperadora sessão de crioterapia, encontra nova motivação após cada recorde quebrado, a cada título individual ou colectivo conquistado. Campeão europeu e vencedor da Liga das Nações da UEFA por Portugal, 5 Champions por Real (4) e Manchester United (1), 5 Bolas de Ouro de melhor jogador do mundo. Parabéns Cristiano Ronaldo! Haverá alguém nos relvados que corporize melhor o lema do nosso Sporting Clube de Portugal? Infelizmente, hoje em dia não o podemos ver de leão ao peito. Mas, quem sabe se um dia não o voltaremos a ver de verde-e-branco a marcar golos como estes que deixo aqui em galeria...

1º golo pelo Sporting

1º golo pelo Manchester United

1º golo pelo Real Madrid

1º golo pela Juventus

1º golo por Portugal

Golo de bicicleta

Golos de calcanhar

Incríveis golos de cabeça

Melhores golos de livre

AND COUNTING!!!

03
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - O sentido da vida leonina


Pedro Azevedo

A gente já sabe do que a casa gasta, que o presidente é o que é, o treinador idém (mais "marxismo-leoninismo" com a equipa sub-virada para a esquerda e a abrir crateras à direita) e os jogadores idém aspas aspas, mas também não é necessário enviarem-nos um médico legista com vontade de apressar o óbito, não é assim? Num dos filmes dos Monty Python, "O Sentido da Vida", um dador recebe a visita de uns médicos que lhe pretendem extrair os orgãos para transplante. Ele bem alega que a doação só estava programada para acontecer após a sua morte, ao que os médicos lhe garantem que estão lá exactamente para garantir isso, que ele morre, começando a remover-lhe as vísceras a sangue-frio. Acaba assim por produzir-se uma subversão: ele morre em consequência de ser dador, não deixando porém de ser dador em consequência da sua morte.  

 

O filme dos génios de comédia britânicos é uma alegoria do que é o contexto do futebol português. Nesta fita do ludopédio tuga, Frederico Varandas, que por coincidência também é médico, desempenha o papel do incauto que julga estar a produzir um "statement" quando diz que há 3 formas de lidar com a derrota - com dignidade, histerismo ou cobardia - , não entendendo que está a dar luz verde(!) para que todo o tipo de diatribes ocorra sem que se possa pronunciar, refém que ficou das suas palavras anteriores.

 

Ontem, na Pedreira, o futebol português regressou à Idade da Pedra. Convenhamos que não haveria melhor local para tal acontecer, sendo certo que em Portugal a realidade supera muitas vezes a própria ficção. Nesse transe, foi possível ver um árbitro apitar uma falta de jeito a si próprio imediatamente após o avançado esloveno recém-contratado pelo Sporting se libertar de um adversário e se isolar para a baliza. O pobre do Sporar percebeu instantaneamente onde se veio meter, ele que abandonou a liga eslovaca para integrar uma liga eslovaca-louca onde há um boi à solta no Estádio Nacional que ninguém sabe bem quem é, e é impossível alguém que venha por bem ficar de pé perante a doença que se propaga à volta. A confirmá-lo, numa primeira fase os nossos começaram a ficar amarelados até que acabaram por sucumbir. 

 

No fim do jogo, o Neto, aparentando falar para fora, falou para cima. O presidente, aparentando falar para fora, falou para dentro, para os sócios. Se por um lado é fácil compreender que sem orgãos que deem poder ao corpo isto não vai lá, também não podemos nós ser incautos ao ponto de não entender que a estratégia de Varandas falhou por completo. E em todas as frentes, desde as "contratações cirúrgicas" aos 5 treinadores em pouco mais do que 1 ano, não esquecendo o "unir os sócios" e o aumento da remuneração dos administradores da SAD aprovado contra o voto unânime de todos os outros accionistas da sociedade após Dost ter sido dispensado com o argumento de alívio salarial (situação que aliás nos deixou com um único ponta de lança inscrito para atacar a primeira parte da época). Deste modo, só nos restam duas alternativas: ou agimos, ou ficamos em casa à espera do dia em que nos venham remover o cartão de sócio. "Time to say goodbye"? 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Max

31
Jan20

Ó "Evaristo", tens cá disto?


Pedro Azevedo

Matheus Nunes marcou este golo hoje em Coimbra. Na semana passada, no Estoril, fez a prodigiosa assistência que se pode observar no vídeo em anexo. É caso para perguntar: Silas, há melhor que o Matheus no plantel principal? O nosso treinador lá vai dizendo que Matheus está quase, quase, mas a hora parece nunca mais chegar a este "Pátio das Cantigas" (o Jesé que o diga, sem aspas)... 

31
Jan20

O senhor dos anéis


Pedro Azevedo

Nani, Bas Dost, Raphinha, Domingos Duarte, Matheus Pereira, Bruno Fernandes (Acuña que se cuide...) OUT! Rosier, Ilori, Eduardo, Jesé, Fernando, Neto (tanto nervosismo...) IN!

 

Vão-se os anéis, ficam os dedos? De que mão?

 

P.S. Ponta de lança? O Pedro Mendes já está inscrito e há um rapaz no Varzim (Leonardo Ruíz) que é nosso e é só o melhor marcador da 2ª Liga. Por falar em emprestados, lembram-se do Daniel Bragança? A ideia não era sair a jogar de trás? 

varandas1.jpg

31
Jan20

Não digam que não avisei


Pedro Azevedo

Após os 12 788 espectadores que estiveram em Alvalade na última segunda feira terem vindo confirmar uma média de assistências significativamente inferior à de anos anteriores, ademais em jogo que já se previa poder ser de despedida de Bruno Fernandes, recupero aqui um Post de 30 de Junho de 2019 que aborda(va) questões como o preço dos bilhetes de época, a mobilização geral dos sócios através de uma comunicação eficaz, o défice de Cultura Sporting que está na origem da confusão que se produz entre sócio e cliente e a ausência de uma política destinada aos jovens que não passe só pela Bancada Sul. Não esquecendo que o momento da equipa de futebol, o dia da semana ou as condições meteorológicas (temas não abordados nesta reflexão) têm muita influência, aqui fica "Venha-viver-uma-experiência-radical - Um estádio às moscas":

 

"A Lei da Procura diz-nos genericamente que o preço e a procura estão inversamente relacionados. Quando o preço de um bem ou serviço sobe, o poder de compra diminui e os consumidores mudam para bens ou serviços mais baratos (efeito de substituição). Considerando o rendimento limitado, essa realocação de bens e serviços dependerá de preferências, restrições orçamentais e de escolhas, podendo ainda se dar o caso de o consumidor deixar simplesmente de consumir o tipo de bem ou serviço, especialmente se não for de primeira necessidade. 

 

Olhando para a última estatística disponível no site da Liga, verificamos que o Sporting teve uma média de 33 691 espectadores nos seus jogos em casa durante a temporada de 2018/19, o que corresponde a uma taxa de ocupação de 66,73%. Ora, não deixando de considerar que vários portadores de gamebox não compareceram a todos os jogos e que a taxa de ocupação não reflecte, como tal, o que foi realizado economicamente (apesar das "borlas" poderem compensar este valor), não deixa de ser notório que, em média, 1/3 do estádio não teve ocupação, com consequências óbvias em termos económicos, de apoio à equipa de futebol, na Cultura corporativa, identidade do clube, peso institucional, patrocínios, etc. Perante este cenário, dever-se-iam criar condições para que se aumentasse rapidamente a taxa de ocupação do estádio até à sua máxima capacidade, de forma a que, então sim, quando a optimização fosse atingida, se pudesse começar a manusear para cima a variável preço. Porém, a realidade da Gamebox 2019/20 demonstra o contrário, com particular incidência no sacrifício que é pedido às Famílias, por via do aumento significativo registado no escalão sub-11 (a que se pode acrescentar a realidade dos dias de hoje, em que os jovens ficam até mais tarde em casa dos pais e deles são dependentes até pelo menos terminarem os estudos universitários - por volta dos 23 anos - e entrarem na força laboral, o que aumenta os encargos das Famílias). 

 

Antes de mais, e com o estádio ocupado a apenas 2/3, não faz sentido os preços aumentarem. Isso quanto muito poderia em teoria fazer sentido se a subida do preço viesse acompanhada de um aumento de produção de lugares - o que num estádio de futebol é impossível dado que a sua capacidade é limitada (a não ser que fosse proposto cobrir o fosso com mais espaço de bancada) - , ou uma melhoria de produção de eventos, do tipo de uma presença na Champions, algo que infelizmente também não acontecerá. Adicionalmente, do ponto-de-vista político, é uma medida impopular, inoportuna e imprudente, o que julgo não carecer de explicação. Finalmente, analisando pelo prisma da Cultura sportinguista, oferece-me dizer o seguinte: vários anos de ausência de títulos relevantes produziram uma diminuição da militância, mas, curiosamente, não causaram erosão sensível na base de apoio de simpatizantes, adeptos e sócios, tendo estes últimos, inclusivé, vindo a aumentar nos últimos anos. Tal deveu-se em boa parte a um factor distintivo dos sportinguistas: a capacidade que os pais têm tido de passar o amor ao clube aos seus filhos, de uma forma estóica e resiliente, o que tem permitido manter o impacto social do clube. Ora, em minha opinião, esta subida de preços mais sentida no escalão sub-11 é contraproducente a vários níveis, na medida em que em vez de estimular o reforço da presença do agregado familiar no estádio (com consequências positivas até no ambiente nas bancadas, recuperando tempos idos e diversificando o entusiasmo por diferentes sectores do estádio) acabará por o mitigar, porque obrigará em muitos casos a um "downgrade" de lugares com o impacto que isso tem em termos de curva de satisfação e experiência Sporting e, finalmente, porque nalguns casos pais e filhos trocarão o lugar na bancada por um lugar no sofá junto ao televisor, por a taxa marginal de substituição de satisfação do progenitor não pressupor a vantagem de ir à bola com o filho em detrimento de abrir mão de lugares de Categoria 1/2, por exemplo.

 

Há quem use o argumento de que alguns sócios compravam gamebox em nome dos filhos e iam eles aos jogos. Krugman e Wells levantaram a questão de se saber se os indivíduos na busca do seu interesse próprio contribuiriam para o interesse da sociedade no seu conjunto e o caso referido parece indicar que não, mas isso são questões que se deverão resolver com regulação (no caso, fiscalização à entrada através de cores de cartões diferenciadas).

 

Gostaria de terminar, com um reparo ao folheto de promoção do Cartão Gamebox que me chegou às mãos ontem. Nele está contida uma relação explícita entre o amor ao clube e os números que marcam a relação, como se tudo o que conta pudesse ser contado. Há mesmo uma alusão à "dimensão do teu amor". Eu acho triste esta mensagem que poderá não ser muito bem recebida por quem seja sócio há pouco tempo, tenha gamebox há poucos anos, ou seja simplesmente um simpatizante, pois há aspectos que vão desde a distância geográfica, idade, doença, disponibidade profissional, situação financeira, entre outras, que são condicionantes mas em nada prejudicam o amor ao clube. Até estou perfeitamente à vontade dada a minha ligação longa de sócio e portador de gamebox, mas deixo aqui uma nota em jeito de conselho para quem queira ouvir: os sócios são o maior activo do clube. Estes são movidos pela paixão, independentemente das suas circustâncias pessoais. Pensem nisso, no que esses sócios podem dar ao clube e, em primeiro lugar, envolvam-nos no dia-a-dia através de uma Comunicação sóbria, elucidativa, inspiradora e virada para dentro. Depois, sim, um sócio feliz, o elo emocional, a compra por impulso trará o cliente, o qual mais facilmente visitará a Loja Verde se for ao estádio (e menos resistirá ao consumo perante um pedido expresso de uma criança). Ver as coisas ao contrário, no momento débil em que nos encontramos, em que precisamos de nos focar no que nos aproxima e não no que nos afasta, não é muito auspicioso.  

 

P.S. Seja como for, podendo haver quem legitimamente conteste o arrazoado que aqui deixo, creio que numa coisa estamos todos de acordo: este tipo de alteração de preços nunca deveria ter acontecido sem a explicação do seu "porquê". Infelizmente, no Século XXI, continuamos a ter empresas a comunicar o que fazem, como fazem, esquecendo-se da razão das coisas. É que o porquê das coisas é que cria a ligação emocional no sócio, quiçá cliente. No caso concreto, esta subida de preços deveria ter sido acompanhada de um discurso galvanizador do tipo do de Kennedy nas portas de Brandenburg, mas que simultaneamente mostrasse consciência (acusasse a recepção) do sacrifício que se está a pedir às pessoas.

P.S.1. O título deste texto é obviamente provocativo, única e exclusivamente com o propósito de fazer reflectir quem tem responsabilidades no clube. A minha renovação de gamebox será feita como habitualmente. E estou certo que a maioria dos portadores de gamebox tentará, consoante as suas possibilidades, se adaptar.

P.S.2. Um sub-23 (sub-11 também) que compre um lugar de época junto às claques (Categoria 6) gastará cerca de metade do que se acompanhar o seu pai num lugar de Categoria 1/2. Depois admirem-se. Dado todo o histórico recente, não deveríamos ter um Pelouro da Juventude que estudasse estas questões, que aumentasse a oferta aos nossos jovens em vez de a tornar mais redutora, mais própria de um "guetto"? O momento que o clube viveu muito recentemente não nos deveria prestar particular atenção ao segmento mais jovem?

P.S.3. Paralelamente, e atendendo às alterações demográficas em Lisboa, que trabalho está a ser desenvolvido para seduzir os milhares de residentes não-habituais (gamebox) e de turistas (bilhética jogo-a-jogo) com que esbarramos diariamente? Não faria sentido uma campanha de charme junto de embaixadas, consulados, câmaras do comércio, hóteis, etc?" 

30
Jan20

Bruno, a revolta do Fado


Pedro Azevedo

Foi assim... (Texto de 30/6/19.)

 

Quando observo Bruno Fernandes, eu vejo um menino a fugir ao seu destino. Os seus olhos tristes são reminiscências de um passado sem tempo para sorrir, por cedo ter trocado o ócio pelo ofício, convertendo o brinquedo-bola na arte da sua labuta diária; a sua impaciência, ou permanente insatisfação, ilustrativa de quem não quer chegar atrasado ao encontro com o futuro, pretende ganhar tempo ao tempo e assim vencer para sempre o fatalismo tão português.

 

Se Maradona foi "la revancha del tango", Bruno é a revolta do fado. Ao contrário de d10s, não chegou a Itália como um ídolo de multidões. Não foi ensinar nada aos italianos, mas sim aprender. A distância do pé para a bola, a alavanca da perna, o aproveitamento do peso do corpo, lições úteis da arte de bem rematar que estudou com os mestres transalpinos. Aí também entendeu melhor o jogo, as nuances tácticas, a ocupação do espaço, a intensidade na recuperação de bola. De Novara a Udine, até chegar a Génova, cidade de Colombo e ponto de partida para uma gesta gloriosa com uma primeira escala no porto de abrigo de Alvalade. 

 

Nestes dois anos de leão ao peito tenho-o visto muitas vezes carregar a equipa às costas, marcar 2 golos decisivos como na jornada dupla da Taça de Portugal com o Benfica: o primeiro para alimentar o sonho, o segundo para o tornar realidade, momentos paradigmáticos do jogador em quem as bancadas depositam a esperança em novos dias de glória. Focado como é, aquele ar zangado que permanentemente exibe não esconde a noção de que transporta o peso do mundo sportinguista aos seus ombros, as nossas ambições, os nossos anseios. Dele esperamos sempre o inesperado, o paradoxo do intangível, a fé que não se explica. Ao longo dos anos tivemos grandes jogadores, mas nenhum foi tanto uma equipa como Bruno Fernandes. Ele ataca, ele defende, ele adverte, ele comanda, ele nunca se rende. Marca livres, cantos, penalidades, é o dono da bola. À sua volta todos melhoram, todos ficam mais confiantes, inspirados por este operário-artista, tão capaz de tocar o bongo como de produzir música celestial.

 

Com ele em campo não há derrotas antecipadas, Adamastor e suas tormentas. Ele é a Boa Esperança, o trevo-de-quatro-folhas encontrado para lutar contra a impossibilidade, a desconfiança e a descrença. 

 

E agora, como será? Começa a lenda... Boa sorte, Bruno! Obrigado! Sporting sempre!

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29
Jan20

E depois do adeus


Pedro Azevedo

Bruno Fernandes está de saída para o Manchester United e a pergunta que se impõe é como será o futuro desportivo e financeiro do Sporting após a despedida do maiato. Se do ponto de vista desportivo há um óbvio enfraquecimento de qualidade, em termos financeiros a SAD dos leões deverá conseguir fechar a época 19/20 com um Resultado positivo. O problema coloca-se daí para diante. Com um défice estrutural nos Resultados (Operacionais+Amortizações) de cerca de 65 milhões de euros anuais, a SAD está obrigada no actual contexto a vender jogadores todos os anos para suprir esse "gap". O problema é que começa a faltar qualidade no plantel que o permita: Acuña, depois de Bruno o nosso jogador mais valioso, terá um valor de mercado de 20 milhões de euros e Mathieu, outro jogador de qualidade, já não tem um valor de mercado relevante devido à idade. Acresce que os jogadores contratados desde Janeiro de 2019 ainda não mostraram estar num patamar competitivo que lhes proporcione uma rápida valorização e os jovens da Academia não têm tido oportunidades significativas que lhes permitam desenvolver-se desportivamente e futuramente ver a sua cotação subir. Assim sendo, ficam mais expostos os erros cometidos nas janelas de transferência do ano passado onde investimos 40 milhões de euros que a valores de mercado actuais deverão valer seguramente menos. Como resolver então o problema estrutural não emagrecendo Custos com Pessoal (continuam a valores incomportáveis) e FSEs (a subir)? Vender toda a equipa não será solução...

 

P.S. Uma eventual não qualificação para as provas uefeiras só acentuará o problema.

bruno fernandes.jpg

"E depois do amor

E depois de nós

O adeus...

O ficarmos sós"

28
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - À noite em Alvalade


Pedro Azevedo

O fim de semana trouxe a triste notícia do desaparecimento de "Black Mamba", um dos melhores jogadores de sempre da NBA. Kobe era também um grande entusiasta de futebol e do AC Milan, consequência de aos 6 anos de idade ter acompanhado o pai, também profissional de basquetebol, quando este abandonou a NBA para jogar em Itália. A morte de Bryant fez-me pensar o que seria o desporto sem os grandes atletas e o quão importantes estes têm sido na divulgação e crescimento das diversas modalidades. É curioso, pois no Sporting há quem cultive o "zero ídolos", o que na prática vale por dizer que para alguns um Eduardo merece a mesma consideração que um Bruno Fernandes. Como nestas coisas sempre fui um bocadinho desalinhado com as tendências, apesar da noite chuvosa peguei em mim e desloquei-me a Alvalade para ver mais uma das putativas despedidas do Bruno.   

 

Peter Handke escreveu "A angústia do guarda-redes no momento do penalty", obra muito aclamada pela crítica. O austríaco, nóbel da literatura em 2019, não deve conhecer bem a realidade leonina. Se a conhecesse teria o guião perfeito para um novo Best Seller: "A solidão de um adepto num estádio de futebol". Em Alvalade habitualmente estamos sozinhos mesmo quando acompanhados por muita gente. O ambiente geral maniqueísta, o niilismo e o conformismo que perpassa as bancadas assim o determina, bem como a forma como se desprezam símbolos do clube como o hino que entoa com o jogo já a decorrer. Mas ontem o sentimento de solidão foi literal, tão poucos eram os adeptos nas bancadas: o "Hoje em Alvalade..." calou-se para descanso dos tímpanos massacrados pela habitual ruidosa verborreia proveniente dos altifalantes do estádio, mas segundo a SICn estiveram em Alvalade 12 788 espectadores, cerca de 25% da capacidade total do recinto. Enfim, a união parece estar a avançar a toda o gás. Desconfio é que o gás seja letal...

 

Exibição pobre, paupérrima até, apenas abanada com a entrada de Jovane Cabral. O caboverdiano, numa cruzada contra o preconceito da falta de qualidade da Formação, realizou mais em 20 minutos no campo do que todos os colegas (excepção talvez a Bruno) no tempo inteiro. Na retina ficou a construção do único golo validado do jogo - como diz o adágio popular, à terceira foi de vez - , uma série de fintas no espaço de uma cabine telefónica que culminaram num livre directo em posição auspiciosa e um remate que só o inefável Rui Costa - pois é, o amarelo não assenta bem a jogadores habituados ao clima temperado das ilhas - não viu ter sido deflectido pelo persa que habitou a baliza insular. A novidade foi o Borja ter marcado um golo. No resto do jogo dedicou-se ao inconseguimento habitual, alternando momentos de fulgor como deixar um adversário prostrado no relvado com tacadas na bola directas à linha lateral. Mas, ao fim de 365 dias por cá, já perdeu o medo de entrar na área. Chutou a 10 metros da baliza, com o guarda-redes no chão, e acertou na baliza. Logo foi incensado por todos e à saída até ouvi dizer que o Acuña já podia ir embora. Bem sei, estava uma chuva de molha-tolos...

 

O Sporar estreou-se. Não parece ser um Slimani como cheguei a ver anunciado em programas televisivos. Antes se assemelha a um Volfswinkel. Nas movimentações e na silhueta. Nota-se que procura o espaço, ataca a profundidade mesmo não sendo muito rápido e não é de lutar pela bola na área. Mas tem um remate forte e colocado e combina bem com os colegas. Dir-se-ia ser um avançado centro, não fora a denominação em Alvalade já estar tomada por um tal de Jesé.

 

O resto do jogo foi tão emocionante que me dediquei a pensar nas singularidades da vida lusa. (É o que me acontece geralmente quando o José Alvalade se transforma numa espécie de campo de desconcentração.) À atenção do Dicionário Priberam: em Portugal, semântica é sinónimo de conveniência. Senão, vejam bem: a discussão do momento é entre o que é um "hack" e o que é um "leak". Parece que o Rui Pinto é um "hacker" e o Assange publicou uns "leaks" provenientes de uns "whistleblowers". Depois, há dois tipos de "hackers", podendo até os dois coexistir na mesma pessoa. Por exemplo, o Pinto vira Robin dos Bosques aquando dos Luanda Leaks, mas é um perigoso pirata informático se estivermos a falar do Benfica. É o que médicos e criminalistas denominam de intrigante caso de bipolaridade cibernética. Entenderam? Eu também...

 

Uma última palavra para aquele senhor que tem sempre os máximos ligados quando faz os editoriais do Jornal Sporting: menos... (Iluminismo e iluminação não são bem a mesma coisa.)

 

Valha-nos que a relva ainda é verde...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral

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De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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