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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

14
Ago19

Dr House (with a porch) e o Ajax Limpa Tudo


Pedro Azevedo

Um elabora o diagnóstico, o outro executa. Exterminadores implacáveis da Formação, especialmente da que já não é teenager, não há germes, perdão genes (com ADN desenvolvido em Alcochete), que não sejam neutralizados no acesso à equipa principal. Espera-se que tudo não termine numa espécie de anatomia da grei leonina.  

13
Ago19

A teoria do todo


Pedro Azevedo

Já é habitual, quando as coisas não correm bem numa equipa de futebol, o treinador ser logo posto em causa. A meu ver, na conjuntura actual do Sporting, o técnico, apesar de muito longe de estar isento de erros ou limitações próprias, não é o problema principal, pelo que a sua imediata substituição não me parece que resolva de forma definitiva os problemas existentes. Também não vou enumerar exaustivamente neste Post os erros evidentes de gestão desportiva por parte da Direcção do clube (escolha de um treinador alegadamente da escola Ajax, mas que não partilha de muitos princípios da referida escola), algo aliás comum a outras direcções no passado. O que motiva este Post é uma reflexão não conjuntural, mas sim estrutural, sobre as causas do nosso permanente insucesso, recorrendo para tal a uma análise de cima a baixo sobre a organização do futebol do Sporting.

 

Quando olho para o tipo de futebol que Keizer pretende apresentar, saltam à vista alguns estereótipos: alas de pé trocado para fomentar o jogo interior, uma posição "6" encarada mais como tipo limpa pára-brisas (daí talvez o Ajax, limpa-vidros evidentemente...) do que como início de construção do jogo. Aqui residem os primeiros equívocos da montagem do actual plantel e também se torna evidente a entropia entre Formação e equipa principal. Vou tentar explicar de seguida: se eu quero que os meus alas venham para dentro, então necessito de laterais ofensivos que subam nas costas dos alas e vão à linha cruzar para Dost. Ora, se em relação a Thierry (ainda tímido e a dar os primeiros passos a este nível) e Rosier (lesionado) ainda é cedo para se tirarem conclusões definitivas, no caso de Borja é por demais evidente que não possui as características ideais para o que é requerido. Não estando dentro da Estrutura e não conhecendo qual a importância da opinião de Keizer nas nossas idas ao mercado, não me é possível determinar se a contratação do colombiano foi um erro de Scouting, ou se tal deve ser assacado ao treinador, o que me parece evidente é que Borja não é o jogador adequado para o sistema posto em prática pelo treinador holandês. A não ser que a ideia de utilização ofensiva dos laterais seja só dissuasora e destinada apenas a criar uma ilusão no adversário para depois o "matar" pelo centro... Já no que diz respeito à posição "6", fica exposta a falta de coordenação entre o futebol sénior e juvenil. Só assim se compreende que em Alcochete tenhamos durante anos desenvolvido para essa posição um médio com características de construção do jogo ofensivo (Daniel Bragança) para depois, na equipa principal, querermos um tipo de jogador diferente, mais corpulento e dissuasor do que criativo. 

 

Há demasiados erros conceptuais no projecto do futebol do Sporting. Creio, por isso, que mais do que um novo treinador o que necessitamos é de um Director Técnico. O Sporting precisa de alguém que seja um pensador de todo o futebol do clube e que possa actuar com total autonomia, numa abordagem "top-down", definindo o tipo de jogo que se pretende praticar a nível sénior - se a Direcção, como entendo que o deve fazer até em função de poder chamar mais gente aos estádios, definir como prioridade uma ideia de "futebol positivo", então o Director Técnico deve procurar modelizar um sistema de jogo compatível com tal - , sugerindo à Direcção treinadores que se possam adequar a esse desiderato, coordenando o futebol juvenil, de forma a que as rotinas implementadas se assemelhem tanto quanto ao possível à realidade dos seniores, trabalhando com os treinadores da Formação no sentido de serem desenvolvidas determinadas características em futebolistas jovens que mais tarde possam constituír uma mais-valia no plantel principal. A meu ver, esse Director Técnico deveria também ser responsável pelo complemento da formação de jovens treinadores a trabalhar na Academia, facilitando assim o seu crescimento na Estrutura até, alguns deles, poderem assumir-se como timoneiros da equipa principal do clube (vidé o exemplo de Bruno Lage no Benfica), ganhando assim o projecto por haver técnicos bem identificados com o processo. 

 

O investimento na Formação tem de ter um propósito para além da futura poupança de custos no futebol profissional. Como tal, desde tenra idade os nossos jovens devem estar identificados com o processo de treino dos seniores. Assim ganhar-se-ão jogadores plenamente identificados com as metodologias e rotinas do plantel principal, uma vantagem comparativa face a quem vem de fora. Adicionalmente, a existência de um Director Técnico com plenos poderes permitirá ir monitorizando o crescimento individual de cada miúdo e estabelecer estimativas do potencial de cada um, elementos fundamentais na ligação à gestão de activos. É que não só de craques vive a Academia e é preciso rendibilizar todos os anos o investimento produzido, pelo que a venda de alguns jovens não considerados prioritários também ajudará a produzir algumas receitas. (Há anos que defendo o pré-diagnóstico e escalonamento dos nossos jovens em 4 categorias - excelente, muito bom, bom e razoável - , de forma a ser possível tomar decisões sobre o seu futuro.)

 

Da forma como entendo o modelo, de cada vez que o treinador principal necessitar de um jogador com determinadas características, o Director Técnico deve primeiro procurar se elas existem na Academia, ou se é possível desenvolvê-las em tempo útil. Caso tal não seja possível, então, sim, dever-se-á recorrer ao mercado. (Se tivermos um miúdo nos escalões jovens que precisa de mais 1 ano para amadurecer, mais vale ir buscar um veterano tipo Mathieu que me faça uma temporada do que investir bastante dinheiro na compra de um jovem promissor que depois vai tapar o lugar ao produto da nossa Academia.) Como profundo conhecedor que será das necessidades da equipa principal, o Director Técnico deverá sempre ter a última palavra, ficando numa posição hierarquicamente superior ao chefe do Scouting, de forma a que sejam limitados ao máximo os erros de "casting". Bom, também defendo que as transferências devem ser acompanhadas por um Comité de Compliance, mas isso é conversa para um outro dia. 

 

P.S.1:  Alguns Directores-Técnicos possíveis que já trabalharam em Portugal: Lazlo Boloni, Luis Castro, Jesualdo Ferreira. Nota: a estes, ou quaisquer outros (verdadeira escola Ajax ou Barcelona agradam-me) ser-lhes-ia previamente informado que em nenhuma circunstância assumiriam a função de treinador.

P.S. 2: Para quem associa a meu ver excessivamente a qualidade ou abundância dos relvados da Academia com o rendimento, e para alguns que zombaram do facto de em tempos, quando apresentei uma estratégia global para o Sporting, ter falado (a propósito do capítulo "Sustentabilidade da Política Desportiva") na necessidade de (também) recriar as condições do futebol de rua em Alcochete, aqui fica para reflexão: https://maisfutebol.iol.pt/historia/internacional/o-ajax-esta-a-mandar-os-miudos-para-a-rua-literalmente

10
Ago19

Venham mais cinco!


Pedro Azevedo

Keizer afirmou hoje em conferência de imprensa que (contra o Benfica) a equipa sentiu especialmente dificuldades no lado direito, rematando que esse foi o principal problema. Poder-se-ia pensar que a estreia (em competições nacionais) de Thierry Correia, único jogador da nossa Formação presente nesse jogo e um dos melhores em campo para a maioria dos analistas, pudesse ter merecido uma palavra pública de incentivo do holandês. Ao invés, este optou por expôr o nosso jovem perante a opinião pública, envolvendo-o (e a Raphinha) directamente na debacle, mais uma vez dando força a uma narrativa que parece invadir toda a Estrutura e que descredibiliza os produtos provenientes de Alcochete. 

 

Na mesma entrevista, o treinador leonino disse coisas estranhas e incompreensíveis, tais como "a pressão de decidir(?) durante o jogo não foi suficiente", ou "é difícil dizer se somos candidatos ao título porque viemos de um jogo difícil, com um resultado difícil". Já sabíamos que o verbo não era propriamente a melhor qualidade do técnico holandês, que ainda não fala português e "arranha" um dialecto vagamente semelhante ao anglo-saxónico, o que vale é que o senhor, ao melhor estilo da escola do Ajax, não hesita em apostar nos miúdos. Ou não? 

 

Mas tudo está bem quando acaba bem: perante a actual conjuntura económico/financeira do clube, o importante é termos um treinador absolutamente alinhado com a sua Direcção. Venham mais 5 ("reforços"), como diria o Zeca Afonso.  

09
Ago19

O embargo


Pedro Azevedo

O embargo é uma prática comum no comércio internacional que pode ser ditado por querelas políticas entre países, ou simplesmente por questões de proteccionismo económico. Sempre fértil em absorver os elevadíssimos padrões morais e éticos da sociedade moderna, o futebol parece tê-lo adoptado recentemente.

 

Sejamos francos, parece haver uma estratégia de controlo dominante do poder por parte de um clube nacional. Essa estratégia implicará o condicionamento dos rivais. Aparentemente, e pelo que se vai percebendo no que às transferências diz respeito (recomendo a leitura de um tal Pippo Russo), determinadas ligações entre agentes e presidentes/directores desportivos internacionais, alegadas mas nunca provadas participações económicas de empresários em clubes e falta de regulação geral do sistema ajudam tal propósito. Só nesse cenário pode ser compreensível que um Félix saia por 120 milhões de euros e que por um Bruno, melhor jogador da nossa Liga em 2 anos consecutivos, não se pague nem €70 milhões. 

 

Perante este cenário, mandaria o bom senso que o Sporting desenvolvesse o seu produto sem estar dependente do mercado. E que o promovesse com garantia de qualidade, apoiado para tal em inúmeros exemplos da sua gloriosa história. Acontece porém que o senhor presidente do clube de Alvalade, seguro dos seus dotes de anatomista, produziu o diagnóstico de que o "paciente" não se encontra bem, não sendo possível determinar de momento, dada a profusão de notícias de baixas na Formação, se investido de médico-legista não terá já mesmo decretado o óbito. Fiél àquele ensinamento da Clarice Lispector, de que "não se deve preocupar em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento" (pelo menos até à hora da morte), foi mesmo alimentar o tal mercado que nega valor aos nossos activos, tendo numa voltinha de Verão comprado um T5 na Reboleira equipado com uma Sala de Enfermaria com duas camas (para Rosier e Camacho), empreendimento para o qual se receia que nem haja colchões suficientes. 

 

Ao mesmo tempo que se vão empilhando stocks de compras no mercado (que mais tarde doaremos a alguma instituição), a Formação continua em filas-de-espera. Um modelo genial de Investigação Operacional, em que não há limite às importações, mas, em oposição, o sinal de trânsito de Alcochete para Alvalade encontra-se quase sempre (ai Thierry, até quando...) vermelho, coisa que aliás já vem de trás. Ora, vermelho é a côr do rival, pelo que esta "Gertrudes" que promove o controlo "inteligente" do nosso tráfego já me está a incomodar. Proponho então que se mude o nome para "Dolores", em homenagem à mãe do nosso Cristiano Ronaldo, rapaz que aparentemente não se deu mal com a luz verde que recebeu para Alvalade, de onde saiu para uma carreira digna de estórias de encantar. Como esta, ficcionada pois com certeza, aliás é. Não para nós, bem entendido.

06
Ago19

Dala dala dala dala dala dala dou, papagaio voa


Pedro Azevedo

"Preso por um fio que se desenrola
velho papagaio de papel e cola
Quando lança ao ar parece que tem mola
sempre a pedir para subir

Voa papagaio esquece a minha idade
puxa pelo fio da minha vontade
Faz por encontrar os rumos da verdade
que eu farei por te seguir

 

Dala dala dala dala dala dala dou, papagaio voa

Dala dala dala dala dala dala dou, papagaio voa

Dala dala dala dala dala dala dou, papagaio voa" - adaptação livre de Da li dou, dos Gemini

 

 

Gelson Dala foi emprestado ao Antuérpia, de Lazlo Boloni, por uma temporada. Segundo a imprensa, existe no contrato com os belgas uma cláusula de opção de compra de montante não revelado. 

 

Não entendo este tipo de decisões. A forma como se menospreza um jogador proveniente da áfrica portuguesa e se dá todas as oportunidades a um Diaby (que Keizer em entrevista anteviu poder substituir Bruno Fernandes) originário do áfrica francesa demonstra um certo provincianismo. A idade, salário, capacidade técnica, ligação de jogo e relação com o golo são tudo aspectos que favoreceriam a permanência de Gelson Dala em detrimento da do maliano. Acontece ter sido o angolano cedido (e entretanto chegou o "sonho" Vietto). Mais uma decisão, à semelhança do ocorrido com Demiral, que se pode tornar irreversível. Para além disso, os dados disponíveis da transferência uma vez mais apontam para falta de transparência, na medida em que teremos de esperar por um Report do Mercado de Verão (haverá?) ou pelo Relatório e Contas (continuará a ser trimestral ou adoptaremos o requisito semestral definido pela CMVM?) para saber mais. (No pior dos cenários só lá para Fevereiro de 2020 teremos informação detalhada sobre esta operação.)

 

O meu maior receio é que estejamos a tornar inviável o futuro. A alienação de vários jogadores provenientes da nossa Formação (Dala completou-a connosco), associada à compra recorrente de atletas (11 desde Janeiro deste ano), impedirá o regresso da rúbrica "amortizações" a um valor sustentável e dificultará os necessários cortes no Custo com Pessoal. (A massa salarial que pesa reside em jogadores que não estamos a conseguir colocar.) O défice operacional (e de tesouraria) continuará a produzir erosão, como tal seremos forçados a ir vendendo, um a um, os nossos principais jogadores. Não havendo sempre disponível um Bruno Fernandes para cobrir o "gap", com elevada probabilidade mais receitas futuras da NOS serão antecipadas. Um dia, o mandato desta Direcção chegará ao fim. Nesse momento haverá eleições. Qual será a herança que então se receberá? Que opções terá uma futura Direcção para além de uma indesejada (por mim) venda da SAD? Matéria para reflexão...

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24
Jul19

Algumas ideias para o Sporting


Pedro Azevedo

Quando falamos em cultura corporativa, referimo-nos a um conjunto de princípios, atitudes e comportamentos existentes numa Organização que criam um elo identificador entre sócios e/ou accionistas, administração e colaboradores. Quando a cultura é forte, todas as pessoas directa ou indirectamente relacionadas adoptam uma postura diferente daquela que têm lá fora, absorvendo assim os valores da Organização. Quando a cultura é fraca, tudo o que de negativo vem de fora é trazido para o dia-a-dia da Organização.

 

Os acontecimentos recentes demonstram que é urgente produzir um reforço da nossa cultura corporativa. O que é ser do Sporting e o que é hoje um Ser do Sporting? Na procura desse padrão de identidade único, a pior coisa que se pode fazer é multiplicar essa identidade. Os “sportingados”, os “croquettes”, os "melancias", os “verdadeiros sportinguistas”, "os brunistas" significam, no caso concreto, uma dispersão de conceitos perfeitamente evitável e que, para além de causar confusão na mente das pessoas, não apela à união. O marketing criou em tempos o “Feito de Sporting”, o que me pareceu bem, mas depois falta uma narrativa por detrás da expressão, algo que arregimente à volta do clube. O mesmo com o "Até ao fim", que até dá area apocalípticos e presta-se a zombaria, ou com o "Vem de dentro", que me parece pouco conseguido. Mais do que “o que” fazemos ou “como" fazemos, o que cria laços com as pessoas é o “porquê”. Vejam os exemplos da Apple, de Martin Luther King e dos irmãos Wright. A Apple não vende um produto, cria um novo conceito, um nova modo de utilização, revolucionando paralelamente o mundo dos computadores, da música, dos telemóveis, etc. O Dr King teve muito mais sucesso que os pregadores do seu tempo. Enquanto outros bebiam do ódio racial, Martin disse “I have a dream”, sonhando que brancos e pretos um dia seriam iguais. Os irmãos Wright tinham uma pequena loja de bicicletas e uma paixão genuína por voar. Paralelamente, Samuel Pierpont Langley era rico, tinha um financiamento de 50.000 usd (na época) do departamento de Guerra americano e acompanhamento do NY Times. A verdade é que os irmãos Wright foram os primeiros a voar. Langley desistiu por não ter sido o primeiro. A sua motivação não era voar, mas sim a vaidade, o reconhecimento de ter sido o primeiro, uma motivação errada. Não somos o “glorioso”, nem temos a "causa do Norte" e da descentralização, pelo que temos de descobrir a nossa própria cultura, o que é “Ser Sporting”, a razão de aqui estarmos. E depois, partilhar o nosso sonho com o nosso mercado-alvo. William Bruce Cameron um dia disse que “nem tudo o que pode ser contado conta, nem tudo o que conta pode ser contado”. Atendendo a que somos um clube com menos títulos que os outros dois, mas que sempre (espero que o processo Cashball não tenha delapidado essa noção) pugnou por um comportamento desportivo exemplar, julgo que estas frases se aplicariam como uma luva à nossa narrativa. Para além de que deveríamos reflectir na razão pela qual ganhando muito pouco (no futebol) conseguimos manter, passando sportinguismo de geração em geração, um número de simpatizantes que representa cerca de 3,5 milhões de portugueses.

 

Nesse sentido, urge encontrar factores de diferenciação face à concorrência. Oiço, recorrentemente, críticas à aposta nas modalidades e fico atónito. Na verdade, uma constante narrativa pós-moderna, emanada do início do milénio, produziu em sócios e adeptos a ideia que as modalidades impediam a canalização de maior investimento para o futebol. Nada mais errado, o desinvestimento que fizemos nesses tempos nas modalidades acabou foi por retirar identidade ao clube, o qual sempre se afirmou pelo ecletismo. O efeito prático disto foi o fecho de uma série de modalidades, seguido de enormes gastos na construção de um novo estádio, o qual teve um orçamento que resvalou em dezenas de milhões de euros e, ainda por cima, apresentou durante anos um relvado que mais parecia um batatal. É o que se chama confundir cultura com agricultura... Convém não nos esquecermos que a história do Sporting é feita do Professor Mário Moniz Pereira, de Carlos Lopes - primeiro campeão olímpico português -, de Fernando Mamede - antigo recordista do mundo dos 10.000 metros -, de Joaquim Agostinho, 3 vezes seguidas vencedor da Volta a Portugal (2 pódios na Volta a França, 1 pódio na Volta à Espanha) e melhor ciclista português de todos os tempos e de Chana e Livramento, os melhores hóquistas que o mundo viu.

 

O Sporting deve afirmar-se como um clube do Renascimento, com uma capacidade criadora, reformadora, de mudança de paradigma (o status-quo) e que valorize os seus sócios e as suas opiniões (não podemos querer discutir tudo externamente e internamente reduzir a discussão), com respeito pela integridade das competições, o objectivo de promover um desporto melhor, mais justo, equilibrado e íntegro, tudo assente numa cultura de excelência, compromisso e superação. Nunca, em circunstância alguma, deveremos importar modelos que funcionem com outros, mas que não respeitem a nossa idiossincrasia e/ou os nossos valores e que criem um choque com o que são os valores tradicionais sportinguistas. A cultura de uma organização não pode estar nos antípodas do que é a personalidade e o carácter dos seus colaboradores e accionistas/sócios.

 

Há algumas coisas que me fazem alguma confusão quando olho para a nossa secção de futebol profissional. Os jogadores de futebol não são prestadores de serviços, mas sim quadros do clube. No futebol, a cultura corporativa é designada por mística (um jargão do mundo do ludopédio) e refere-se à união de todo um grupo de trabalho, de forma a que o todo se sobreponha sempre à soma das partes. Uma equipa de futebol não pode ser uma ilha e ela necessita dos sócios, adeptos e simpatizantes para que se possa sentir defendida, acarinhada e apoiada. Por isso, urge retirá-la um pouco do isolamento de Alcochete e aproximá-la do coração do clube (Alvalade), dos seus adeptos (não confundir com hooligans) e de atletas de outras modalidades, numa convivência de leoninidade que se pretende salutar.  Marcar-se um treino matinal semanal em Alvalade (às quartas-feiras?) seguido de um "day-out", à tarde, com os sócios e atletas das modalidades, seja através de actividades de team-building, seja através de apoio ao merchandising (com sessões de autógrafos) na Loja Verde, seja através de seminários organizados pelo Sporting que visem acautelar o futuro profissional dos jogadores (criando aquele factor diferenciador que os jogadores reconhecerão), pós cessação da sua carreira desportiva, em matérias como gestão de empresas, liderança, literacia financeira, etc.

 

 Em traços mais gerais, e visando todo o clube, criaria um Comité de Inovação, forum onde todo o tipo de colaboradores do clube estaria representado. O clube podia promover um concurso de ideias para funcionários/sócios, oferecendo um prémio simbólico como forma de motivar as pessoas a apresentarem-nas. Lembro-me sempre daquele episódio académico, salvo erro na Colgate, onde foi aberto um concurso interno em que se pediam ideias a todos os funcionários sobre como aumentar as vendas. O vencedor foi o motorista da empresa, que preconizou que se aumentasse o bocal das bisnagas de dentífrico...

 

Emparedado em Lisboa pelo Benfica e no Norte pelo Porto, o Sporting necessita de ser um “first mover”. Como tal, tem de ser inovador, ter uma orientação para o crescimento e estar disposto a correr alguns riscos. 

 

Em resumo, e de forma a afirmarmos a cultura Sporting, temos de perseguir os seguintes factores de diferenciação (isso sim justificará a expressão "somos diferentes"):

  • Boas práticas de gestão
  • Respeito pela integridade de todas as competições
  • Ausência de conflito de interesses
  • Transparência
  • Limitação dos mandatos de um presidente (2 mandatos)
  • Compliance
  • Clube renascentista, com ideias e sempre virado para os seus sócios
  • Inovação constante
  • Research&Development: scouting de jovens valores/desenvolvimento na Formação
  • Sustentabilidade assente na Formação
  • Dois Bolas-de-Ouro e 1 Bola-de-Prata formados no nosso clube
  • Sustentabilidade assente em défice de exploração ZERO
  • Gerador das grandes transformações do futebol português
  • Orgulho no nosso ecletismo
  • Clube do primeiro campeão olímpico português
  • 29 Títulos europeus em Atletismo, Andebol, Hóquei em Patins, Futebol e Goalball
  • Excelência, compromisso e superação

 

O futebol, pese a sua idiossincrasia, do ponto-de-vista da gestão tem semelhanças com outros negócios, outras indústrias. Veja-se o caso da indústria farmacêutica: a maioria dos recursos são alocados a R&D (pesquisa e desenvolvimento). Ora, o modelo de sustentabilidade que preconizo para o Sporting, que assenta na Formação, pressupõe o necessário investimento nesses vectores de crescimento como forma de obtenção de rendimento desportivo e, simultaneamente, resultados financeiros. Pesquisa é encontrar desde cedo um conjunto de jogadores muito jovens com algo de distintivo, um dom diferenciador, que possam integrar as nossas escolinhas/escalão de infantis. Para isso, precisaremos de um técnicos com especiais características de detecção de talento. César Nascimento ou Osvaldo Silva eram homens com uma sensibilidade especial para isso e, literalmente, fizeram escola. Adicionalmente, tem de se criar uma base alargada de contactos, de forma a que se possa chegar primeiro. Nesse processo, uma boa rede de olheiros é necessária. A utilização de antigos jogadores que vivam nos diversos distritos do país, o aproveitamento do conhecimento no terreno dos núcleos regionais e a informação proveniente das várias escolinhas (franchisadas) do clube é essencial. Detectado o talento, segue-se o contacto com o jovem e seus pais. É necessário convencer os progenitores de que o Sporting é a melhor opção para o futuro do seu filho. Não é de ânimo leve que um pai entrega um filho a um clube, principalmente quando o agregado familiar vive muito longe de Alcochete. Há a questão dos estudos, a dor do afastamento para quem vive longe, a questão da mobilidade para quem está mais próximo, a escolha do melhor clube. O Senhor Aurélio Pereira sempre se destacou pelas garantias que oferecia aos pais, capacidade de persuasão e sentido de responsabilidade, para além das suas capacidades organizativas e dons de prospecção de talento. Certamente tem feito escola, mas o Sporting tem vindo a atrasar-se face à concorrência essecialmente devido à escassez de recursos alocados aos olheiros e rede de prospecção, mas também devido ao isolamento de Alcochete face à rede de transportes. Enquanto o Seixal está a 15 minutos de barco de Lisboa, o acesso a Alcochete é bem mais complicado. 

Bem sei que a primeira lei económica enuncia que os recursos são escassos, mas é exactamente por isso que se devem estabelecer estratégias de gestão desses recursos. Se há investimento que possa ter elevado retorno é o efectuado na Formação. Temos de investir para podermos detectar primeiro. Por outro lado, há que pensar noutras opções para além de Alcochete. Este é um local físico (os terrenos, inclusivé, ter-se-ão valorizado com a perspectiva do aeroporto e procura imobiliária geral), importante é a propriedade intelectual que temos nos nossos quadros, pelo que me agradaria uma solução alternativa eficiente do ponto-de-vista de transportes e escolas, que não roubasse tanto tempo aos jovens e suas famílias.

Adicionalmente, cumprida a fase da pesquisa, entramos no Desenvolvimento. O Sporting tem de ter um conjunto de técnicos com capacidade formadora, tanto a nível futebolistico como humano. A Cultura Sporting começa aqui. Nas atitudes, nos comportamentos, na divulgação do que é o Sporting, a sua história, os seus heróis, os valores do clube. O rendimento escolar também deve ser monitorizado regularmente. Entrando na questão desportiva, é fundamental que haja um plano de desenvolvimento por jogador. Que passe pela componente física (uma previsão de crescimento pode dar dicas sobre a posição a ocupar futuramente no terreno), táctica e técnica. Nesta última vertente, verificamos que poucos jovens chegam a idade adulta com boa técnica de remate, com o pé ou de cabeça. É mais vulgar vermos aparecer jogadores com velocidade e capacidade de finta, com recepção orientada e passe, mas bons rematadores escasseiam. Haverá, certamente, trabalho a desenvolver nessa área. Mais uma vez, é curial dotar recursos. Precisamos dos melhores técnicos, dos melhores formadores e temos de reforçar essa equipa e não estar permanentemente a perder referências para o nosso rival de Lisboa. E, principalmente, é importante reflectir que os investimentos devem traduzir-se em retorno, o que no caso corrente significa que não faz sentido não dar oportunidade aos nossos jovens na equipa principal. 

 

Adicionalmente, é para mim importante que o Sporting seja visto como um clube que aplica boas práticas e transparente, pelo que gostaria de erradicar todo o ruído históricamente existente à volta das transferências de jogadores - ouvir o presidente dizer que ninguém do actual elenco directivo irá receber "comissões", como se isso fosse digno de elogio (sinal dos tempos), é algo penoso, pois a honestidade/integridade é o mínimo que se espera de quem exerça funções no Sporting, a sua ausência é que deveria merecer veemente repúdio -  e credibilidade de entidades que se relacionem com o clube. Assim, constituiria um Comité de Compliance, independente, composto por personalidades com provas dadas, que pudesse analisar "in loco" todas essas questões (que só chegam ao Conselho Fiscal e Disciplinar mais tarde), emitir o seu parecer e as suas recomendações e inclusivé ter o poder de veto em determinadas negociações. Para além disso, caberia a esse Comité rever todo o tipo de procedimentos existentes no clube, códigos de conduta (colaboradores, sócios, claques) e propor medidas que ajudem à transformação do futebol português (código de ética do agente desportivo...), algo que abordarei em maior detalhe mais tarde.

 

Penso que a visão para o clube e para a SAD deve ser comum. Por isso, entende que o presidente do clube deve, também, ser o presidente da SAD. Com a criação de orgãos que vão reforçar a transparência da(s) instituição(ões), julgo que ficam asseguradas as condições para que tudo corra pela normalidade. Adicionalmente, proporia em Assembleia Geral uma limitação de mandatos do presidente do clube a 2 mandatos. Com isso pretenderia evitar o sempre problemático apego ao poder e estimularia o trabalho em equipa. 

 

O Sporting precisa de maiores proveitos e entendo como importante a dinamização dos núcleos nesse sentido. Estes são um bom canal de vendas (para além da bilhética) e potenciadores de negócios para o clube. Estão nas regiões e devem estar ligados ao tecido económico das mesmas. Poderão servir para aumentar o número de associados, incrementar as vendas de produtos e serviços do clube e como polo aglutinador de patrocinadores para o clube através do conhecimento das forças vivas da região e suas necessidades de promoção das marcas. Deveriam ter Promotores comerciais, pagos à comissão, na venda de produtos/serviços, num modelo que poderia atribuir um "fee" maior ao núcleo, ficando estes responsáveis pelo pagamento dos comerciais, ou um "fee" menor, assumindo o Sporting os compromissos com esses comerciais. Gostaria que um dia nos fosse mostrada uma discriminação dos proveitos obtidos na Loja Verde, Rua Augusta, "on-line sales" e outros canais, de forma a perceber de que forma se podem melhorar as vendas nos diversos canais de distribuição. Nos escrutínios eleitorais, os núcleos deveriam poder participar através do voto electrónico, observadas as necessárias garantias de fiabilidade e integridade do sistema. 

 

Gostaria que o Conselho Directivo do clube tivesse um pelouro da Juventude. Para quem não pratica desporto federado no clube e é jovem, a oferta é pouco mais do que umas idas ao estádio ou pavilhão para apoiar as equipas do clube. A juventude não são só as claques (muitos deles já avôs) e temos de estimulá-los. Olhando para as novas tendências e para a emergência dos desportos radicais, o Sporting poderia abrir as portas para quem se quisesse iniciar em modalidades como o surf (entretanto criado), kite-surf, escalada, paraquedismo, et caetera, actividades pagas e com um custo mais baixo para novos associados, iniciativa que creio iria contribuir para chegarmos a mais sócios e mais cedo. Adicionalmente, e em conjunto com a Fundação Sporting, estimularia programas de voluntariado para jovens, em acções de responsabilidade social.

 

Em relação à relação do clube com os seus sócios, proporia o seguinte:

  •  CRM Sporting: os sócios têm diferentes competências, trabalham em diferentes sectores de actividade, têm skills que podem ser úteis ao clube e à sua Direcção. A partir do momento em que é extinto o Conselho Leonino, ainda mais importante é explorar o conhecimento que estes sócios têm sobre matérias específicas, podendo e devendo a Direcção pedir-lhes apoio na implementação de certos projectos ou, simplesmente, via algum conselho que possa ser dado, sempre em complemento das equipas de colaboradores do Sporting. Para que a Direcção possa conhecer melhor os seus sócios tem de promover um novo cadastramento dos mesmos (os dados preenchidos aquando da adesão são insuficientes). Proponho que se olhe para as melhores práticas da banca, a qual tem hoje em dia um formulário obrigatório denominado Know Your Customer (KYC), que inclui dados complementares (profissionais e áreas de interesse). Depois é adaptá-lo à relação entre um clube e seus sócios (os dados patrimoniais já seriam talvez intrusivos) e lançá-los numa plataforma CRM. No passado, criei uma de raíz através do Microsoft Dynamics, a custo muito baixo. Outro aspecto relevante é esta ferramenta também permitir fazer uma segmentação dos sócios, por "bucket" etário, geografia, profissão, interesses, etc, adaptando a nossa oferta de produtos/serviços a cada segmento. Preocupação que tenho nesta matéria: Protecção de dados. Associado ao CRM, geralmente existem diferentes níveis de prioridade de acesso aos dados do cliente/sócio. Alguns dados deveriam permanecer confidenciais para todos os colaboradores e só poderiam ser acedidos pelo Conselho Directivo/Conselho de Administração e pelo Director de Marketing. Tenho um exemplo muito desagradável no passado, com outra Direcção, quando, através de um Contact Center, uma determinada companhia de seguros começou a ligar-me diariamente e às horas mais impróprias (durante reuniões e/ou à hora do jantar) no sentido de que lhes comprasse um  determinado produto. Isto durou meses - todos os dias ligavam-me pessoas diferentes - apesar de, desde o início, ter referido não estar interessado. Quando lhes perguntei como tinham obtido os meus dados referiram-me que o Sporting lhes tinha vendido a base de dados dos seus sócios. Fiquei indignado é só não tomei uma providência por ser o meu clube do coração (já não me recordo - sou sócio há 39 anos - se aquando da filiação havia algum campo que permitisse a transmissão de dados, mas sendo eu menor na altura duvido que isso fosse legalmente permitido). 
  •  Provedor do sócio/Secretário Geral: não sei se existe; no site, em lugar de destaque, não consta. Como podem os sócios encaminhar sugestões para o clube? Ou queixas sobre um determinado abuso por parte do clube? Seria importante, em ambiente fechado ou aberto a outros sócios, os sócios terem um espaço onde pudessem apresentar sugestões de melhoria de determinados serviços ou ideias, visões, para o futuro do clube. O tipo de conteúdo é diferente de uma Linha de Apoio, pelo que deveria haver um canal próprio criado para o efeito. Já agora, gostaria de deixar aqui uma nota à atenção de alguém responsável porque, tendo acontecido comigo, dela tenho conhecimento. No início do ano passado, o banco que uso para débito em conta, das quotas dos meus 3 filhos, após uma integração, mudou os IBANs dos seus clientes. O resultado disso foi que os antigos IBANs deixaram de estar disponíveis e os pagamentos não foram efectuados (teria de me ter deslocado a Alvalade e dado os novos IBANs). São 3 quotas que estão a meu cargo, dois dos meus filhos já são maiores de idade e já não sou eu que recebo as mensagens para pagamento, e o Sporting deixou de ter assegurado o pagamento das quotas por débito directo, passando para a situação mais precária (e ao cuidado da memória de cada um) de ter de ser o sócio a fazer a transferência por multibanco ou home-banking, tudo isto, dizia, sem me fazer um único telefonema. Ora, é ou não de todo o interesse do clube que os sócios não tenham as quotas em atraso?  
  • Sócios - iniciativa Glória do mês: iniciativa que visaria homenagear mensalmente um atleta que pelo seu palmarés e comportamento social tenha sido uma referência dos valores que apregoamos. Do futebol ao atletismo, do hóquei ao basquetebol, do andebol ao futsal e restantes modalidades seria prestada homenagem a essas figuras, o que permitiria aos mais jovens tomar consciência de quem foram essas pessoas e aos mais antigos recordá-las com saudade. Armando Marques (tiro), vice-campeão olímpico (quem conhece?), Chana (hóquei, campeão do mundo, para mim, ainda melhor que Livramento, quem conhece?), Rita Villas-Boas (trampolins, vários títulos, quem conhece?). Isso permitiria às pessoas, durante esse mês, tomar contacto com a história desse atleta e da sua modalidade, com peças na SportingTV, jornal do Sporting, Site do clube e iniciativas próprias no estádio de Alvalade e no Pavilhão João Rocha antes dos jogos das nossas equipas, reforçando o orgulho de ser Sporting e o "awareness" sobre uma modalidade específica.  
  • Stock-out Loja Verde: mensalmente, haveria um dia com preços bastante mais baixos, com colecções "retro" de outras épocas, vendidas a preço muito acessível. 
  • Dia de Sporting: trabalho de pré-época, de conjugação dos calendários dos jogos no Pavilhão com os jogos no Estádio, permitindo maior afluência de público, envolvendo famílias. Criação do Pack Dia do Sporting, de bilhete único para utilizar no estádio e pavilhão, no mesmo dia. 
  • Sócio do mês: em todos os jogos em Alvalade, o Conselho Directivo (por mérito ou por sorteio, critério a definir) escolheria alguns sócios, os quais teriam direito a assistir aos jogos em Alvalade com a sua família (4 pessoas, p.e.), entrar em campo com as equipas, dar um pontapé de saída simbólico, receber uma bola autografada por todos os jogadores e treinadores, efectuar uma visita guiada a Academia e Museu, participar nas homenagens ao atleta do mês (Glória), entrevistas a SportingTV e Jornal do clube dando conta da sua experiência de envolvimento com o clube. Nota: poucos sócios reunem condições para terem a familia com eles nos jogos durante toda a época. Só aqui em casa somos cinco, pelo que se torna incomportavel caso não queiramos naturalmente descriminar qualquer dos filhos. 
  • Colecção de cromos GLÓRIAS do SPORTING: (ideia que me foi trazida pelo Leitor JHC e posteriormente desenvolvida) uma colecção de cromos digital (com um chip que possa ser lido em aplicativo) com os craques de todos os tempos do nosso clube e vendida na Loja Verde;
  • Site do Sporting: carece de urgente reformulação. Não só é muito pouco sofisticado técnicamente, com consequências a nível de navegação, como é paupérrimo em termos de conteúdos e da sua actualização (procurar as equipas de Formação é um exercício surrealista, os jogadores são sempre os do ano anterior), mesmo a nível do calendário de jogos da nossa equipa principal de futebol. É muito pobre, tem muito poucas referências à nossa história e à dos nossos atletas e é pouco funcional e interactivo (a não ser para pagamentos de quotas ou gamebox). Aqui há tempos, o Nosso comentador JHC deu conta de um site brasileiro, "Esquadrão Imortal", que faz mais jus à carreira de Peyroteo e dos 5 Violinos do que qualquer publicação leonina (exceptuando os livros de Fernando Correia). No mês dedicado a um atleta, poderiam ser incluídos no site peças diárias sobre todos os relevantes atletas dessa modalidade onde o homenageado se destacou. 

 

Há muita a fazer a nível de merchandising do clube. O merchandising é um elemento essencial na afirmação de uma marca. Na minha opinião, não faz sentido o Sporting abrir uma loja na Rua Augusta, de dimensão bem mais reduzida do que a que o Benfica tem na mesma rua, apenas dois quarteirões abaixo. Aquilo que deveria ser considerado como muito positivo – abertura de uma loja numa zona com enorme circulação de pessoas, muitas delas de cidadania estrangeira, aspecto importante na internacionalização da marca – acaba por ficar indelevelmente marcado pela comparação pela negativa face a um rival, algo facilmente percepcionado por qualquer transeunte e que põe em causa a imagem do Sporting como a maior potência desportiva nacional. Se queriam competir na mesma zona não poderiam ter arranjado um espaço pelo menos de dimensões idênticas às do rival? Estas coisas têm de estar integradas com a estratégia de afirmação do clube e serem transversais a todos os pelouros atribuídos no CD/CA. Outro aspecto que tem vindo a ser negligenciado: os estágios de pré-época na Suiça não têm sido aproveitados para divulgar a nossa marca internacionalmente, nem para satisfazer a procura dos emigrantes portugueses. Por incrível que pareça, o Sporting não tem transportado nenhum material de merchandising consigo nestas viagens onde foi visível a presença de vários emigrantes com camisolas desactualizadas. Dado que a equipa actuou em diversas cidades suíças, porque é que o Sporting não fez deslocar um camião itinerante da Loja Verde? O mesmo se aplica aos nossos jogos fora de casa, em Portugal, que também não costumam ter a presença de qualquer merchandising do clube, algo que acaba por ser um sonho para a contrafacção.

 

PS: Tudo o que se encontra plasmado neste Post e que continua por fazer foi anteriormente publicado em Julho de 2018 no "És a nossa Fé". Algumas outras ideias vi aplicadas, mas certamente não por as terem lido ou ter havido interactividade no passado, vidé a forma como ainda recentemente um dos administradores da SAD se referiu depreciativamente às "redes sociais". Para além da falta de humildade, há toda uma cultura vigente, que já vem de trás, em que as ideias dos sócios não são de todo valorizadas, exceptuando em época de eleições, período em que de repente os sócios passam a ser verdadeiramente o centro das atenções. Tenho muito mais ideias em "pipeline", mas pergunto-me se há interesse nisso, pois o mais certo é ir incomodar alguém. No fim do dia, o que parece importar é se a bola entra ou bate na trave. E contra isso...

21
Jul19

Contra-senso


Pedro Azevedo

Se o mercado, de uma maneira geral, valoriza tão mal os nossos jogadores (mesmo os de qualidade-extra) na hora da venda, por que razão continuamos a comprar em tanta quantidade? Para perder dinheiro no futuro?

20
Jul19

Princípio inalienável (2)


Pedro Azevedo

A compra de jogadores em parceria tem 2 problemas: geralmente quem paga o ordenado somos nós, na venda só ganhamos na proporção da % dos direitos económicos que estão na nossa posse.

 

Quando se tem um défice estrutural na SAD de cerca de 60 milhões de euros anuais (cerca 43 milhões de euros negativos nos 9 meses até 31 de Março de 2019) antes da venda de jogadores, talvez não fosse mal pensado reflectir sobre isto...

 

Há um velho ditado português que diz que quem não tem dinheiro, não tem vícios. A ideia do oásis e o financiamento fácil tiveram as consequências na sociedade portuguesa (e no mundo) conhecidas de todos após 2008. Por conseguinte, criemos primeiro as condições para sermos sustentáveis. E essas condicões criam-se comprando apenas qualidade e complementando com a Formação. Nesse sentido, Bruno Fernandes ou Acuña (10 milhões de euros cada) foram baratos e Petrovic (aquisição de baixo custo e ordenado anual superior a 2 milhões de euros, segundo a auditoria que se tornou pública), pese embora o apreço que lhe ganhei pelo sacrifício em campo na final da Taça da Liga, foi caro.

 

PS: os nossos Gastos Gerais administrativos, no Sporting denominado de "Gastos e perdas operacionais sem transações com jogadores" ( soma dos Custos com Pessoal com fornecimentos e serviços externos e outros pequenos itens) continuam acima dos 100 milhões de euros anuais (estavam em cerca de 80 milhões de euros nos nove meses terminados em 31 de Março de 2019), situação que já vinha do tempo de Bruno de Carvalho. Sem Champions, é preocupante assistir ao crescimento dos FSEs e à subida das amortizações, esta última consequência directa da compra de jogadores e da não aposta na Formação. Aguarda-se que pelo menos se consiga emagrecer a rubrica de Custos com Pessoal. 

20
Jul19

Princípio inalienável (1)


Pedro Azevedo

Qualquer jogador que venha para o Sporting tem de fazer a diferença. Caso contrário terá sempre de ser considerado um reforço falhado, na medida em que a sua contratação envolverá uma compra, comissões, ordenados e peso nas amortizações e Resultados da SAD. Não esquecer ainda o custo de oportunidade: nem sempre a nossa Academia produzirá Ronaldos, Figos ou Futres, ou mesmo Adriens, J. Mários, Williams ou Patrícios, mas se é para comporem o plantel como segundas opções e irem entrando (ganhando assim um maior valor de mercado), então os nossos jovens não deslustrarão face a quem não vem para ser titular. Para além da adopção desta política ter um efeito positivo nos Resultados da SAD, também se encontrará justificação para o investimento que anualmente fazemos nas camadas jovens. 

18
Jul19

Another one bites the dust!


Pedro Azevedo

Depois de Francisco Geraldes (empréstimo) e Domingos Duarte, agora foi a vez de Iuri Medeiros sair. O próximo poderá ser Matheus Pereira, que não se encontra entre os convocados para o encontro contra o Club Brugge (não li nenhuma informação sobre uma hipotética lesão). Não me custa a crer que estes jogadores estejam num patamar inferior a João Mário, William ou Gelson, que se conseguiram afirmar na equipa principal do Sporting, o que não compreendo é que não tenham tido verdadeiras oportunidades ao longo dos últimos 5 anos, ao mesmo tempo que o José Alvalade viu chegar um Douglas, um Alan Ruiz, um Meli, um Misic, um Lazar Markovic, um Ruben Ribeiro ou um Campbell, e mais recentemente (desde Janeiro) alguns outros que o tempo se encarregará de demonstrar que não fazem a diferença face aos que formamos em nossa casa. Tudo isto com danos evidentes na nossa conta de exploração. Olhando para a lista de jogadores que vão à Bélgica, já não existem vestígios dessa geração de 23/24 anos (Ivanildo está lesionado, mas não se sabe se ficará) formada na Academia. Resta-nos a esperança que a geração de 20/21 anos, composta por Max, Thierry Correia, Abdu Conté, Miguel Luís, Daniel Bragança e Jovane (Demiral já cá não mora), venha a ter uma oportunidade real. Eles são "the last men standing". Nuno Mendes, Joelson e Plata (contratado por este CD/administração) estão fora disso, eles já não pertencem à geração maldita, mas sim à ínclita geração de Frederico Varandas. Pelo menos enquanto não chega mais um Borja, um Ilori, ou um Camacho, este último o rapaz que diz que veio para o Sporting porque não queria jogar a lateral...  

 

P.S. Jogadores do nível de um Bruno Fernandes, Acuña ou Mathieu, ou mesmo de um Wendel, Coates, Raphinha ou Dost são sempre bem-vindos. Preferia mil vezes todos os anos ver chegar um jogador da qualidade do nosso Top3 do que meia-dúzia dos outros, aqueles que se acumulam em stocks, destroem as esperanças e ambições dos nossos jovens e, todos juntos, deixam as nossas contas num caos. 

iuri medeiros.jpg

16
Jul19

E depois do adeus...


Pedro Azevedo

Olhando para a realidade como ela é, e não para a percepção que se impõe dela - raramente limpa, como oposto do imaginado na citação de "Doors of Perception" de William Blake, e desejavelmente não quimicamente alterada, ao contrário do que propõe Aldous Huxley no livro homónimo - , há toda uma geração de jogadores que o Sporting perdeu porque teve treinadores principais que nunca olharam devidamente para eles. Ou se olharam, não viram, como diria o Dr Pôncio. Demiral, Domingos Duarte, Palhinha, Francisco Geraldes, Ryan Gauld ou Mama Baldé são apenas alguns exemplos. Quem não concorda com esta teoria geralmente apresenta um argumento: se esses jovens não jogaram com diversos treinadores, então é porque não têm categoria suficiente para a primeira equipa. Na minha opinião, esse argumento é frágil porque toma esses treinadores como os detentores da verdade absoluta. Porém, uma análise rápida permite concluir que falharam no passado nas avaliações que produziram. O caso mais flagrante será o que se passou com Bernardo Silva no Benfica quando Jorge Jesus era o seu treinador. Para além de não ter tido oportunidades, rezam as crónicas da época que JJ queria fazer dele um lateral esquerdo, uma invenção digna de mostra à Academia Real das Ciências. Outro caso é o de Demiral. O turco pode não ter convencido Jesus, ou mesmo Peseiro que o despachou de volta ao país de origem, mas não teve dificuldades em receber a aceitação de Allegri, que recomendou a sua contratação, ou de Sarri, que a ratificou por 18 milhões de euros quando chegou a Turim, dois treinadores de alto gabarito do futebol mundial. 

 

Outro problema de erro de paralaxe é a avaliação da nossa Formação não contemplar muitas vezes o valor relativo das coisas. Sentencia-se negativamente o valor do jogador A ou B proveniente da Academia, mas esquecemo-nos de avaliá-los comparativamente com os jogadores que vamos contratando no mercado. Pegando só nos casos mais recentes, eu não tenho dúvidas de que Eduardo (24 anos) mostrou qualquer coisa de distintivo no Belenenses, mas isso não foi mais do que aquilo que Geraldes (tem a mesma idade) exibiu no Moreirense - para quem já se esqueceu, destruiu o Benfica numa semi-final da Taça da Liga - ou no Rio Ave (11 assistências em 17/18) quando era ainda mais novo. Outras comparações podem mesmo estabelecer-se no desempenho observado em Alvalade: Matheus Pereira na época 15/16, aos 19 anos de idade, fez 18 jogos pela equipa principal, nos quais marcou 5 golos e produziu duas assistências, números em média por jogo semelhantes aos obtidos a época passada por Diaby (27 anos), o qual custou 5,5 milhões de euros. Simplesmente, essa aposta não teve continuidade para lá de uns lançamentos fetiche em jogos contra o Porto. E isto para não falar em Misic, Alan Ruiz, Elias, Markovic, Campbell, todos certamente muito fluentes em mandarim, ou, mais recentemente, Ilori ou Borja, que todos juntos custaram muito dinheiro em transferências, comissões e ordenados e não mostra(ra)m ser superiores a produtos da nossa Formação que ficaram em fila-de-espera eventualmente por não terem o guião correcto. Nesse sentido, é bom não esquecer que muitos daqueles produtos da nossa Formação de cuja carga agora nos queremos aliviar foram chamados de volta a meio da temporada de 2016/17 para esconder aquilo que foi um despautério de péssimas aquisições que redundaram no facto de 1 ano depois só Bas Dost ser titular, erro que desejo ardentemente não se esteja a repetir pois os melhores jogadores da equipa continuam a ser aqueles comprados em 2017/18 (Bruno, Acuña, Mathieu, Wendel).

 

Por fim, há uma ideia que à superfície aparenta fazer sentido que consiste em que já não há muito valor a apurar em jogadores da nossa Formação com idades entre os 22/25 anos e que as apostas devem ser feitas, sim, em jovens entre os 17 e os 21 anos provenientes da Academia. No entanto, quando vemos entrar um ainda lesionado Rosier (5M€ + Mama Baldé), percebemos que Thierry Correia poucas hipóteses irá ter. O mesmo acontece com a aquisição de Rafael Camacho (5M€?), continuando Elves Baldé a rodar fora de Alvalade e persistindo a interrogação sobre o futuro de Jovane, numa altura em que o Sporting tem uma hiper-inflacção de alas, o que até seria uma boa dor de cabeça se todos os adquiridos fossem de nível "top". 

 

O presidente do Sporting, Dr Frederico Varandas, sentenciou que havia défice de qualidade na Academia entre os 17-23 anos. Ninguém lhe perguntou se tal percepção se devia à sua convicção pessoal, à de técnicos especializados, ou se derivava de outras motivações. Por isso, à primeira vista, o número de jogadores da nossa Formação que se encontra em estágio é incongruente com esse ponto-de-vista. Porém, se virmos à lupa, verificamos que dadas as aquisições para médio defensivo observadas desde Janeiro (Doumbia, Matheus Nunes, Eduardo) dificilmente Daniel Bragança terá uma oportunidade, ele que ainda nem se estreou no estágio. O mesmo se passará com as opções nas alas, analisando os investimentos em Camacho e Plata. Haveria, no entanto, aqui uma boa oportunidade para os defensores da rotação por "buckets" etários mais baixos: vendia-se Borja (26 anos), aquele jogador a quem a meio do caminho parece faltar corda e que agora dizem estar super-hiper valorizado pela ida à selecção colombiana, e dava-se uma oportunidade a Abdu Conté, ou Nuno Mendes, de aprender com Marcos Acuña. Igualmente, porque já tem 26 anos, fazia-se o "write-off" de Ilori e punha-se Eduardo Quaresma (17 anos) a crescer ao lado dos consagrados Mathieu, Coates e Neto, podendo jogar na Taça da Liga e em alguns jogos da Taça de Portugal.  

 

Uma última reflexão, que repete uma outra que publiquei no "És a nossa Fé" em 1/9/2018, com o título de "E depois do adeus": "nenhum clube tão assiduamente, e na praça pública, trata os seus atletas como activos como o Sporting. Não estamos a falar de acções nem de obrigações, nem sequer de sobreiros mas sim de um outro tipo de seres vivos, com pensamento e vontade própria. No dia em que pensarmos o clube não como um entreposto de compra/venda de jogadores, mas sim como um clube de futebol que quer manter os seus melhores jogadores, rendibilizando-os do ponto-de-vista desportivo, financeiro (via proveitos ganhos com conquistas desportivas) e económico (merchandising assente nos feitos dos jogadores) estaremos mais perto de uma cultura de clube vencedora e de um modelo de Organização onde impere o respeito entre todas as partes. No entretanto, continuaremos a dizer sim a défices de exploração constantes, proliferação de importação de jogadores para as mesmas posições e outros desvarios que nos levarão, em pouco tempo, a consumir os proveitos inerentes ao contrato com a NOS. Depois, acordar será tarde." 

 

Parece ainda estar actual, não é? Ora, de forma a podermos manter os nossos melhores jogadores, ou vendê-los apenas por preços irrecusáveis, não se podem desperdiçar recursos - escassos na economia - em compras na classe média/baixa do futebol mundial. Para isso, complementa-se o plantel com a Academia, onde investimos uns milhões de euros anuais em infra-estruturas, atletas e técnicos especializados que conhecemos bem. 

 

P.S. Se o Demiral tem ficado no Sporting, aceitando ir jogar para os sub-23 como foi noticiado que lhe foi proposto, não seria hoje também alvo da narrativa daqueles que não veem valor na nossa Formação? É bom lembrar que o turco foi preterido em função de Marcelo, um central que poucos meses depois foi dispensado. Um filme que se repete, em sessões contínuas, no "cinema" de Alvalade. Depois do fado (1ª arte) de 17 anos sem ganharmos o campeonato, a Tragédia Grega (2ª arte) desencadeada por aquela abominável peripécia de Alcochete, o quadro das nossas finanças (3ª arte), o Scouting que faz tábua-rasa da nossa Formação (escultura/4ª arte), o Estádio e suas "funcionalidades" (arquitectura/5ª arte) e as narrativas de criação de uma percepção sobre a Formação (literatura/6ª arte), eis a "Sétima Arte" leonina em todo o seu esplendor. Os sportinguistas têm mesmo de ser muito resistentes...

08
Jul19

Preocupações


Pedro Azevedo

Um défice estrutural (com base nos custos a 30 de Junho de 2019) de cerca de 60 milhões de euros em Resultados antes de venda de jogadores. Contratações de Verão num valor superior a 20 milhões de euros que acrescem aos 13 milhões de euros investidos em Janeiro, com um impacto total nas amortizações anuais de mais de 6 milhões e concomitante agudização do défice de exploração. Mais um jogador (ala) anunciado para breve (para juntar a outros 6/7 alas que já lá estão). Colocação para a maioria dos excedentários do plantel ainda por resolver. Não é o cenário ideal para manter Bruno Fernandes nem para o vender a um preço exorbitante, e os planos B e C já nos estão a "queimar" importantes recursos financeiros. Pergunta: se Bruno ficar, para quando uma nova antecipação de receitas da NOS?

12
Jun19

A vida no Planeta Leão


Pedro Azevedo

Tenho para mim que o Sporting se perdeu no caminho a partir do momento em que o futebol-espectáculo se transformou em futebol-negócio. Tal como todo o Universo, também o Sporting se move de ordem e organização para desordem e desorganização (2ª Lei da Termodinâmica e Princípio da Entropia), e assim sucessivamente. Nesse processo, a dado momento, de forma a progredir, a complexidade é tão grande que surge a vulnerabilidade, a fragilidade. No nosso caso, isso ocorreu com o advento das sociedades anónimas desportivas e os novos desafios daí decorrentes. 

 

A criação das SAD foi o Big Bang do futebol português. Sendo o clube a estrela, o Sol do sistema, o objectivo seria fazer da SAD o planeta onde se criariam as condições de sobrevivência do negócio. Acontece que a SAD foi gastando todos os recursos colocados à sua disposição, não cuidando da sementeira que os poderia repor no futuro. Assim, terrenos e edificações foram perdidos e colheitas "vintage" foram alienadas por tuta e meia, sem que durante muito tempo ninguém questionasse o modelo de sustentabilidade de tudo isto.   

 

Quando a desordem deu lugar ao caos, a sobrevivência do planeta SAD foi posta em causa. Surgiu então uma nova ordem, a qual propunha aproveitar os poucos recursos ainda existentes e voltar a apostar na sementeira. Isto foi acompanhado por uma eliminação dos desperdícios e pela aposta num modelo de desenvolvimento gradual e sustentado. Os sinais eram animadores, mas foi sol de pouca dura. Mal as condições melhoraram, a tentação de queimar etapas levou à aposta num mentor mais conhecido pela utilização intensiva de combustíveis fósseis do que pela adopção de formas alternativas de energia não poluente. A pressão criada pela nova estratégia levou a novos desequilíbrios e a Lei de Murphy entrou em acção. As estruturas voltaram a abanar, regressámos à desordem.

 

Numa situação destes, prudente teria sido voltar aos básicos. Não foi o que aconteceu e, infelizmente, o caminho parece estar cheio de equívocos pelo que o futuro é imprevisível. Adicionalmente, a complexidade é hoje em dia muito grande. Outra forma de vida que existe num sistema concorrente ao nosso adoptou o modelo de desenvolvimento que nós abandonámos, e com bons resultados. Os ecos dessa forma de vida propagam-se com uma velocidade de alguns anos-luz superior. É o que Einstein definia como fendas no espaço-tempo ("cracks") por onde a informação viaja super-rápido ao redor do Universo. Já nós, a uma realidade Supernova e infinitamente densa cumpre escapar. Caso contrário, entraremos num buraco negro... 

03
Jun19

As contas da Sporting SAD


Pedro Azevedo

Ao lermos o R&C do 3º Trimestre de 2018/19 verificamos que:

 

  1. Os Custos com Pessoal continuam a níveis insustentáveis, prevendo-se que terminem o exercício anual entre os 68 e os 70M€;
  2. Os Fornecimentos e Serviços Externos continuam a crescer nestes 9 meses face ao período homólogo de 17/18 (+3M€);
  3. Preocupantemente, não houve qualquer corte nos Gastos Gerais Administrativos nestes 9 meses face ao período homólogo da época anterior, orlando estes os 80M€;
  4. Os Proveitos Ordinários (expurgando Champions e vendas de jogadores) desceram ligeiramente face ao período homólogo, essencialmente devido à venda de gameboxes (-13,7%), pese embora a melhoria verificada na venda de bilhetes para a Liga Nacional (+10,8%);
  5. O peso da rúbrica Amortizações é cada vez maior e afecta o Resultado Líquido do exercício. A 31 de Março de 2019 está nos 17,8M€ (+2,3M€ face ao período homólogo);
  6. Sem a venda de jogadores, o Sporting teria perdido mais de 42M€ nestes 9 meses de actividade;
  7. O Resultado Operacional sem venda de jogadores foi de -18,6M€ (9 meses). A este valor ainda é preciso somar o valor das amortizações e o Resultado Financeiro (essencialmente custo do passivo), ambos de valor negativo, para se obter o Resultado Liquido;
  8. O Passivo cresceu cerca de 45M€;
  9. Os Capitais Próprios da Sociedade estão negativos em 21,4M€;
  10. Apenas no Trimestre entre 31 de Dezembro 2018 e 31 Março 2019, a Sporting SAD registou um prejuízo de 12,3M€;
  11. O Resultado Líquido dos 9 meses de actividade foi negativo em 5,9M€.

 

Conclusão:

 

  1. A gestão em cima do trapézio já vinha do segundo ano de Bruno de Carvalho com Jesus. Sem Champions, o Sporting entrou neste exercício sem rede. Restava a venda de jogadores, mas com as rescisões ficámos sem hipótese de tapar o "buraco", pelo que o equilíbrio perdeu-se e a queda pode sentir-se neste R&C. Houve que promover acordos. (Há quem diga que podíamos ir para Tribunal, mas isso não resolveria o problema da liquidez, imediata e de médio-prazo.) A Comissão de Gestão não atalhou imediatamente o problema dos Custos com Pessoal e a situação também não foi devidamente compensada em Janeiro, pese embora as saídas de Montero ou Nani (este último, um dos melhores jogadores da equipa). Enquanto isso, muitos jogadores sem o rendimento desportivo adequado continuam a pesar na conta de exploração e ainda contratámos 6 novos jogadores (Ilori, Borja, Luíz Phellype, Doumbia, Matheus Nunes e Plata), para além dos membros que vieram engrossar o staff da SAD (Scouting e Formação). Continuo a pensar que é possível termos Custos com Pessoal perto dos 50M€ e uma equipa competitiva, à semelhança do ocorrido em 2015/16. Para que tal aconteça, bastará eliminar "gorduras" desnecessárias. Os sócios querem sempre os cromos todos, mas uma Direcção tem de ser racional e saber distrinçar entre quem é fundamental e quem é acessório. Talvez assim se compreenda porque é que entendo que Gudelj, Petrovic, Misic, Jefferson, Borja, Ilori ou Diaby (além de Viviano, Alan Ruiz, Mattheus Oliveira,...) não devem ter lugar num futuro plantel, e porque é que, no meu entendimento, a putativa contratação de Eduardo (bom jogador) faz pouco sentido à luz de contratações efectuadas em Janeiro último e dos constrangimentos evidentes em termos financeiros e de liquidez. Qualquer jogador que venha tem obrigatoriamente que fazer a diferença. Caso contrário, acrescentará ao défice e impedirá a valorização de quem já cá está (Doumbia, Matheus Nunes, Battaglia, por exemplo). Não privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade, vamos continuar a ver chegar a Alvalade jogadores em que a SAD não é detentora de 100% dos Direitos Económicos, outro motivo de preocupação. É que, se houver uma emergência que requeira uma venda, o rendimento daí proveniente será afectado.
  2. A não qualificação para a Champions, as rescisões e a entrada em vigor da DMIF2 no sistema financeiro, contribuíram largamente para a situação caótica da Sporting SAD no início deste exercício. Introduzindo mais risco (optando por mais Beta, em detrimento de gerar Alpha), a SAD acabou exposta à Lei de Murphy. Assumindo a questão das rescisões como um imponderável, o erro que se pode e deve apontar a Carlos Vieira (e restante Administração) é o facto de não ter antecipado uma emissão obrigacionista, sabendo que em 1 de Janeiro de 2018 entrava em vigor a DMIF2, a qual iria escrutinar muito mais as alocações de investimento (activos) da banca aos seus clientes. Concomitantemente, alterações na contabilização de imparidades, consequência do pós-2008, levaram a banca a evitar o envolvimento com os clubes de futebol. 
  3. Nada disto obstaria a que se tivesse reagido mais rápido neste exercício. A Sporting SAD tem níveis de GGA insustentáveis neste momento. A indefinição sobre a composição do plantel ( jogadores que regressariam pós-rescisões) teve influência óbvia, mas na minha opinião também não foi devidamente aproveitado o Mercado de Inverno e os sinais para o futuro não indicam uma reversão significativa destas políticas. 
  4. Esta nova não-qualificação para a Champions acentua a necessidade de racionalizar os custos. Ou mantemos os 8/10 melhores jogadores (e apostamos na Formação) e vendemos os restantes, ou arriscamo-nos a ter de vender desordenadamente (a preço abaixo do ideal) os nossos melhores jogadores para fazer face aos nossos compromissos financeiros. Adicionalmente, nada se alterando, num prazo de 6 meses estaremos de novo a antecipar créditos da NOS. 
  5. Será que só quando já não houver nada para antecipar (proveitos) é que vamos fazer aquilo que deve ser feito?

 

31
Mai19

Uma época positiva!


Pedro Azevedo

Oiço e vejo por aí, em diversos fora de discussão, avaliações dissonantes em relação aos resultados desportivos da última época do futebol do Sporting. Mais do que fazer uma apreciação sobre as opiniões de outras pessoas, que têm todo o direito de as fazer independentemente das suas motivações, houve um aspecto que me chamou à atenção e que se relaciona com um determinado sentimento que depois não é bem expresso (ou fundamentado) nos motivos apontados como justificação para a tal avaliação. Nesse sentido, penso poder contribuir para essa discussão, estruturando ideias à volta daquilo que entendo serem os pilares estratégicos de um clube como o Sporting. Como em tempos aqui deixei, os pilares do Sporting deveriam ser a Sustentabilidade, a Cultura (corporativa/identidade) e os Princípios (ética). Ora, deixando de fora a questão dos Princípios, relacionado com aspectos qualitativos e não quantitativos, restam-nos a Sustentabilidade e a Cultura, sobre os quais tentarei aqui medir o impacto dos resultados desportivos. 

 

Cultura: do ponto-de-vista da identidade de um clube, vencer duas das três provas nacionais em que participou tem de ser considerado como bom. É certo que o campeonato, a competição mais importante, não foi ganho, mas dois títulos é mais do que os dois rivais somaram juntos (não estou a contar com a Supertaça que não disputámos), pelo que a época foi importante na afirmação de uma cultura vencedora. Avaliação: Bom

 

Sustentabilidade: do ponto-de-vista da sustentabilidade, os troféus ganhos nas taças têm impacto desprezível nas nossas finanças. Já um terceiro lugar no campeonato não pode ser considerado bom, porque não garante (nem remotamente) a Champions e isso permite antecipar um aumento do fosso face aos nossos concorrentes, dos quais um tem cerca de 50 milhões de euros garantidos na prova milionária e o outro pode atingi-los se ultrapassar duas pré-eliminatórias. Caso tivessemos ganho o campeonato, automaticamente garantiríamos 25 milhões (o nosso ranking é pior do que o dos outros dois grandes portugueses), mais o market pool e as receitas de bilheteira da Champions (conjugadamente, cerca de 4,5 milhões em 17/18), o que retiraria alguma pressão sobre a venda do nosso melhor jogador (Bruno Fernandes). Nesse sentido, a avaliação é negativa. Avaliação: Medíocre.

 

Avaliação Global: considero que a Cultura de um clube, a sua identidade e os seus valores e, no caso concreto, o espírito de conquista, é tão importante como a sustentabilidade, pelo que obtendo a média das avaliações de cada parcela chego à conclusão que a avaliação é positiva. Avaliação média: Suficiente (regular). (Esta é uma avaliação independente, porque independente é quem a profere, só estando alinhado com o Sporting, a razão da existência deste espaço.)

 

Reparem que estou só a avaliar os resultados, um aspecto puramente quantitativo. No entanto, se introduzisse aqui os constrangimentos inerentes à preparação da última época, adaptando assim aspectos qualitativos, tenderia a considerar a avaliação global dos resultados desportivos como boa. Esse talvez seja o aspecto qualitativo mais relevante a reter esta época, embora haja outros. Por exemplo, do ponto-de-vista de menores gastos com o plantel por via de uma aposta mais convicta na Formação, a época foi parcialmente falhada, tendo-se contratado jogadores mais em quantidade do que em qualidade, ou, pelo menos, não em qualidade que faça efectivamente a diferença. A esse nível, os melhores elementos continuaram a ser Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu, e a segundo linha continuou a ser composta por Coates e Bas Dost (Battaglia lesionou-se), sendo de destacar a subida para este patamar de Wendel (aposta de Keizer, já cá estava), Raphinha e Renan (ambos contratações desta época). Um factor importante foi o crescimento de dois novos jogadores, recém-contratados, que subiram automaticamente para um terceiro patamar (positivo), deixando boas indicações de que poderão progredir ainda mais. São eles Luíz Phellype e Doumbia, conjuntamente com a promessa Matheus Nunes (sub-23) as melhores incursões no Mercado de Inverno. A aguardar confirmação em 2019/20. Jovens promessas como Jovane (muito influente com Peseiro) ou Miguel Luís (aposta não continuada de Keizer) ficaram aquém do que chegaram a prometer.

 

17
Abr19

Limpinho, limpinho como o Ajax!


Pedro Azevedo

O Ajax venceu a Juventus - previamente havia batido o Real Madrid, campeão em título - nos quartos-de-final da Champions com 6 jogadores da sua Formação no "onze" inicial que apresentou em Turim. 

 

Daley Blind (no clube desde os 8 anos de idade, foi posteriormente vendido ao Manchester United, tendo regressado esta época), Frankie de Jong (chegou com 18 anos, proveniente do Willem II), Matthijs de Ligt (desde os 10 anos), Noussair Mazzraoui, Donny Van de Beek (desde os 11 anos) e Joel Veltman (desde os 9 anos) fizeram toda a Formação ou completaram-na nos "lanceiros". Adicionalmente, o brasileiro David Neres (ex-São Paulo) e o camaronês André Onana (ex-Barcelona) chegaram ao clube de Amesterdão com 19 anos. Dos restantes 3 jogadores, o marroquino Hakim Ziyech foi formado no Heerenveen e comprado ao Twente quando tinha 23 anos, o dinamarquês Lasse Schone chegou proveniente do NEC Nijmegen aos 26 anos e o sérvio Dusan Tadic, após alguns anos na Eredivisie (com passagens por Groningen e Twente), foi comprado, já com 30 anos, esta época aos ingleses do Southampton. 

 

Nota-se a preocupação do clube em mesclar a juventude proveniente da sua Formação (e as jovens promessas que vai recrutando através do Scouting) com jogadores experientes. Assim, Schone (32 anos), Tadic (30 anos) e o recém-regressado Blind (29 anos) adicionam a maturidade necessária para o sucesso nos grandes palcos. No entanto, a rodagem já adquirida pelos jovens jogadores não deixa de ser surpreendente, como se pôde comprovar a noite passada em Turim. De facto, os novatos Van de Beek (20 anos) e de Ligt (19 anos) marcaram os golos que eliminaram a "Vecchia Signora", uma ironia só por si. Para além dos 3 jogadores já citados em cima, destaca-se ainda a experiência do sólido defesa Veltman (27 anos) e do endiabrado Ziyech (26 anos). Mazzroui e de Jong (21 anos), Neres (22) e Onana (23) completam o lote.

 

Longe do poder económico de outros grandes clubes europeus, situado num pequeno país do centro da Europa, o Ajax cedo definiu uma estratégia baseada na pesquisa e desenvolvimento de novos jogadores. A qual vai complementando com aquisições cirúrgicas que adicionam maturidade e/ou classe às esucessivas equipas do clube. Havendo inevitavelmente umas gerações melhores do que outras, não se pode dizer que o Ajax se tenha dado mal com esta estratégia, tal como o atestam 2 Campeonatos do Mundo de clubes, 4 Champions, 3 Supertaças europeias, 1 Taça das Taças, 1 Taça UEFA, e os 33 Campeonatos, 18 Taças e 8 Supertaças ganhos domesticamente. 

 

Para que a força de uma ideia vingue, os seus treinadores têm de se submeter ao modelo do clube. Caso contrário, não duram muito tempo. Assim, com uma estratégia clara e convicção por parte de dirigentes e treinadores, o clube vai fazendo mais com menos, em certas épocas conseguindo até bater o pé a colossos com muito maior poder económico, tal como o demonstra a final da Liga Europa de 2016/17, com Peter Bosz, ou as meias-finais da Champions atingidas esta temporada, com Erik Ten Hag ao leme.

 

Será assim tão difícil replicar um modelo de sucesso num clube que tem jogadores como Cristiano Ronaldo, Luís Figo ou Futre como cartão de visita da excelência da sua Formação?

 

P.S. No "onze" inicial apresentado em Turim, o Ajax teve seis jogadores Sub-23...

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13
Mar19

200 milhões de ilusões


Pedro Azevedo

Na vida há que aprender com os erros. As dificuldades financeiras que o Sporting vive resultam de uma política desportiva desastrosa que faz com que o modelo económico da SAD não seja sustentável. 

 

Ora, isto não só não se resolverá deitando 200 milhões para cima do problema como provavelmente se agravará para o ponto de não retorno, ou seja, o fim do clube pelo menos como o conhecemos. 

 

Tão importante como sabermos por onde não ir e para onde não ir é termos um caminho. A sua ausência, ou pelo menos, a incapacidade de o comunicar, cria um vazio. A natureza, na sua forma de o preencher (não é assim, Luís Lisboa?), muitas vezes fá-lo de uma forma desordenada. Esse é o terreno fértil para o populismo, o "soundbite" apelativo que entra fácilmente na cabeça do sócio cansado de tanto inêxito.

 

Na minha opinião, não é desinformando as pessoas que se constrói algo. O verdadeiro problema do Sporting reside na falta de firmeza e/ou convicção em trilhar o caminho certo. Que passa por não ter de seguir outros modelos igualmente não sustentáveis. Já vimos isso e em outros sectores de actividade: a corrida ao crédito à habitação e sobresequente empacotamento, em Portugal e no mundo, produziu uma arma de destruição massiva de riqueza.

 

Por tudo isto, sendo certo de que o que é relativo importa, temos de nos concentrar no valor absoluto das coisas e na nossa realidade. E esta passará por eliminar deficiências, entropias, e fazer melhor com menos. É sustentável termos custos com pessoal a orlar os 50 milhões de euros e sermos competitivos. Basta, para isso, eliminar "gorduras" e apostar num misto de qualidade importada cirurgicamente e na pesquisa/desenvolvimento/afirmação de talentos da nossa Academia. 

28
Fev19

A verdade


Pedro Azevedo

Em tempos não muito remotos expliquei que a "cava" que se estava a fazer na época 2017/18 poderia ter consequências muito nefastas - tudo isto num tempo em que os sportinguistas em geral não o queriam ouvir -, caso alguns cenários projectados se viessem a não confirmar. Relembrando, nessa temporada, a Sporting SAD registou Custos com Pessoal no valor de 73,7M€, viu as rubricas de Fornecimentos e Serviços externos (FSE) e de Amortizações subirem cada uma para cima de 20M€ e ainda fez o maior investimento da sua história no reforço da equipa de futebol (63,7M€), parte significativa do qual obedecia a um plano de pagamento (a clubes e a empresários) plasmado no Passivo, na rubrica Fornecedores que agora voltou a vir à baila. A aposta feita tinha com plano de contingência para uma eventual não ida à Champions a venda de jogadores. Acontece que as consequências dos acontecimento de Alcochete - rescisões de 6 jogadores do plantel principal -  foram desastrosas para o clube e criaram imediatamente um constrangimento tanto a nível de Resultados como, principalmente, a nível de liquidez.

Tudo isto elencado, mandaria a prudência que nesta temporada de 2018/19 se emagrecessem substancialmente os Custos com Pessoal e que se apostasse na Formação em vez de se ir de novo ao mercado contratar jogadores. Ora, nada disto foi feito. Não só se herdaram os 14 milhões de euros já investidos pela Direcção de Bruno de Carvalho nos jogadores Raphinha, Bruno Gaspar, Viviano e Marcelo como ainda se foi gastar mais 8,5 milhões em jogadores que pouco acrescentam, como é o caso de Gudelj e de Diaby. Pior ainda, na janela de Inverno acabámos de gastar mais 14 milhões em 9 contratações, elevando o investimento em contratações na época 2018/19 para 36,5M€. Adicionalmente, um conjunto de jovens promissores que deveriam ter integrado o plantel foram emprestados ou vendidos enquanto jogadores caros e muito pouco utilizados se mantiveram no plantel e a pesar na conta de exploração. Tal obrigou a uma desalavancagem desordenada em Janeiro, que nos levou a perder jogadores influentes sem o mínimo de retorno financeiro para o clube (critério duvidoso). Portanto, e sendo objectivo, a nossa situação actual deriva do desvario que se apoderou de Bruno de Carvalho pós-comprometimento dos objectivos da época e da falta de imediato ajustamento dos custos por parte de Cintra, que teve o mérito de conseguir resgatar três "activos". Frederico Varandas só pôde actuar em Janeiro. É certo que cortou alguma massa salarial, mas tal acaba por se esbater no investimento produzido no reforço do plantel, em jogadores que o tempo dirá se foram efectivamente reforços (já deixei aqui a minha opinião de que para além de Doumbia e da esperança Matheus Nunes não vejo essa qualidade extra nos jogadores contratados) e que alguém, no futuro, terá de pagar.

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