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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

20
Out19

Medo...


Pedro Azevedo

"Vamos estar atentos ao Mercado de Janeiro", diz Hugo Viana. Entre outras considerações, como "a época foi planeada com Keizer como treinador" (interessante fraseado) e a não inscrição de Pedro Mendes, que o Director para o Futebol recorda ter sido uma "decisão de Marcel Keizer". A coisa lembra-me vagamente um filmo americano, o "Blame it on the bellboy", temendo-se uma reprise de "O carteiro toca sempre duas vezes" após o Natal e Dia de Ano Novo.

11
Out19

Este clube não é para democratas?


Pedro Azevedo

Quem troca o legítimo direito à crítica pelo permanente insulto, confundindo assim democracia com anarquia, não está a prestar um bom serviço ao Sporting. De assembleia em assembleia, de presidente em presidente, os Sportinguistas vão provando que não lidam bem com a democracia. Diga-se de passagem que não é só nas assembleias, a linguagem usada nas redes sociais é bastas vezes inqualificável, o mesmo se passando muitas vezes nas televisões. Há mais de 1 ano atrás alertei para o perigo de extremismo gerado aquando da destituição de Bruno de Carvalho. Tendo eu deixado de apoiar o antigo presidente após o tumulto ("exuberância irracional" como defini) que marcou os últimos 6 meses da sua presidência, não me pude no entanto rever na verdadeira caça ao homem superveniente nem no ambiente macarthista, de "caça às bruxas" (delito de opinião) que se lhe seguiu. Essencialmente, temi, e escrevi-o (para além de considerações de carácter humanista), que esse clima ainda extremasse mais a posição contrária, a dos defensores do anterior regime, e que tal recriasse o PREC no clube de Alvalade. Não estava errado e tudo o que tem vindo a acontecer desde aí prova-o. 

 

Devo dizer que o clima que se tem vivido em sucessivas assembleias gerais é inadmissível. Numa democracia, a contestação deve fazer-se através de argumentos, não de insultos. A situação actual é consequência da crise de Cultura do mundo Sporting, de uma identidade que está em risco e, como tal, vulnerável a tudo o que venha de fora. Ora, há questões que se prendem com a crise de valores da sociedade portuguesa, desenraizamento de vários jovens, falência da família e da escola como pilares de ADN educativo e cultural que estão a montante do Sporting, mas que são infiltradas dentro do Sporting à medida que se vai percepcionando o vazio, esses elementos por vezes (alegadamente) tacticamente recebendo acolhimento de quem dirige o clube (o que transmitia "Barbini" no áudio divulgado na campanha?), outras vezes sendo instrumentalizados ao serviço de outros interesses. Por outro lado, verifica-se uma impreparação ou falta de sensibilidade do actual poder executivo leonino no que respeita ao tratamento que se deve dar a esta questão da Cultura Sporting. Sejamos francos, têm havido erros a mais na gestão do futebol do clube, mas o principal problema do clube é a ausência de uma estratégia que vise a união. Na minha óptica, tem sido muito mais fácil à actual Direcção apontar o dedo à anterior do que reconhecer os seus próprios erros e, emendando-os, seguir em frente. Ora, isso denota maior preocupação com uma linha de defesa e de preservação pessoal do que com o progresso e a resolução dos problemas. Nesse sentido, todos aqueles que vêm recorrendo ao insulto sistemático para com os actuais Orgãos Sociais têm sido um seguro de vida para quem dirige, permitindo assim a vitimização que esconde as insuficiências que se sentem no seu mandato e que, elas sim, carecem de ser discutidas de uma forma séria por sócios de uma linha moderada. Acresce que, Frederico Varandas, inabilmente, criou desnecessariamente outras frentes de batalha num ambiente já de si explosivo. Mostrando falta de cultura democrática, ele próprio se virou contra outros sócios, começando em José de Sousa Cintra e continuando nos "esqueletos", "cientistas" e "cães que ladram", numa linguagem completamente fora daquilo que deve ser a solenidade de um presidente de uma instituição como o Sporting e que lembra o pior (da comunicação) de Bruno de Carvalho, infelizmente sem um conjunto de realizações que para alguns vagamente relembre o melhor do ex-presidente. Isso tem consequências.

 

Alguns sócios do Sporting crêm que a melhor solução para o clube é estarem calados, outros entendem que há razões para criticar o rumo seguido (se é que existe). Pelo meio, entretêm-se, uns e outros, a julgarem-se entre si. Na verdade, a história mostra-nos que a atitude de um Sportinguista é perfeitamente indiferente. É assim há anos, mas o silêncio cúmplice tem ajudado à materialização de vários erros e a critica construtiva tem sido sempre desvalorizada e olhada com desprezo pelos sucessivos dirigentes do clube. Ora, eu penso que apoiar o clube é ser solidário com os seus Orgãos Sociais, desejando que o melhor para eles seja o melhor para o clube, repudiando acontecimentos como os de ontem. Mas uma coisa é ser solidário, outra bem diferente é ser cúmplice. Quando o rumo seguido nada tem a ver com o programa eleitoral, os sócios têm o direito de pedir explicações. Se nenhuma sociedade cotada no mundo inteiro deixa de ser escrutinada numa base diária, por que razão querem os administradores da SAD do Sporting carta branca dos sócios do maior accionista?  Convive-se mal com a democracia no clube e isso começa na sua Direcção. Várias medidas têm sido tomadas sem disso ter sido dado esclarecimento aos sócios. Algumas das mais recentes prendem-se com aquilo que foi submetido a votação na AG da SAD. No meu entendimento, fosse eu presidente da SAD, faria essas propostas descerem primeira à AG do clube, a fim de auscultar os sócios, ainda mais em matéria em que me dizia respeito e em que era parte interessada (independentemente da proposta ter partido da Comissão de Accionistas), regra que considero elementar de bom "governance", ou boas práticas de gestão, ou prevenção de conflitos de interesse. Pelo contrário, entendeu Frederico Varandas levar a reunião magna da SAD uma proposta de aumento salarial da sua administração e de cooptação de 2 novos administradores, outro acto não explicado aos sócios do clube. Mais, fê-lo em sentido contrário às poupanças que preconizou em termos de plantel e que provocaram o seu flagrante enfraquecimento, das quais se destacam as saídas de Nani e de Bas Dost, processos aliás muito nebulosos e que foram tratados sem a dignidade institucional merecida. Dado o ruído que a proposta de aumento de ordenados suscitou - segundo constou na CS, a proposta mereceu o voto contra de todos os accionistas que não o Sporting - o presidente não a retirou. Fê-la aprovar, usando o voto do Sporting no sentido favorável às suas pretensões, apenas indicando que durante um determinado período de tempo iria suspender a sua aplicação, uma forma subtil de mais tarde obter o que deseja e que revelou uma elementar falta de bom senso. 

 

Perante tudo isto, está bom de ver que o Sporting navega nas margens do caos. À falta de respeito que certos sócios manifestam pela Direcção e concomitantemente pelo clube - se querem marcar a sua posição, organizem-se e usem os mecanismos regulamentares existentes, não ofendam a ordem - responde o senhor presidente com um evidente desprezo pelas criticas e pelos criticos. No entretanto, a equipa de futebol vai mal, o défice de qualidade é agora mais evidente do que em qualquer momento nos últimos 7 anos, a propalada aposta na Formação não se traduz na prática em algo palpável, a situação de tesouraria é debilitada e o modelo estratégico para o futebol parece mais catastrófico a cada dia que passa. Perante isto, o que faz Varandas? Dispara em todas as direcções e não inverte o rumo. E a banda continua a tocar a mesma música, navegando à beira dos icebergues. Assim vai o Titanic leonino... 

07
Out19

Silas chama jogadores da Formação


Pedro Azevedo

Com 10 internacionais de fora, Silas aproveitou esta pausa das competições e chamou 9 jovens da nossa Formação ao treino de segunda-feira. Os escolhidos foram Matheus Nunes, Tomás Silva, Gonçalo Costa, Diogo Brás, João Silva, João Oliveira, Bernardo Sousa ("Benny"), Loide Augusto e Gilberto, este último um jovem dos sub-17. Tendo tido oportunidade de ver "in-loco", em jogo da Liga Revelação, outros promissores jogadores como Nuno Mendes, Pedro Mendes ou Rodrigo, Silas dá mais um sinal de estar atento à Formação. Oxalá estes sinais se tranformem em certezas, pois creio que temos 3/4 jovens prontos para serem lançados e a nossa sustentabilidade passa muito por apostar naquilo que se forma em Alcochete.

 

Quando se olha para o PSV e se vê um tridente atacante formado por jovens de 17, 20 e 21 anos, um Ajax, um Barcelona que lança um miúdo de 16 anos, ou um Chelsea que aposta em Mason Mount, percebemos que não se pode perder tempo a olhar para o cartão de cidadão. 

05
Out19

A intensidade das equipas portuguesas


Pedro Azevedo

Espanha, França, Itália, Inglaterra e Alemanha têm os seus campeonatos a decorrer. Em Portugal folga-se. E nem o facto de haver eleições justifica esta pausa, na medida em que se poderia jogar na Sexta, Sábado e até Domingo depois do fecho das urnas (admitindo que não se deveria jogar enquanto estas estão abertas). É também por aqui, mas longe de ser só por isso (clubes a mais, jogos "a doer" a menos, distribuição muito assimétrica das receitas televisivas, falta de uma visão que privilegie estrategicamente o futebol português como um todo em detrimento do interesse conjuntural do clube A, B ou C, necessidade de maior transparência...), que se nota a diferença de intensidade das equipas portuguesas face às suas congéneres europeias quando as defrontam nas provas da UEFA. Como é possível que, tendo actuado para o campeonato no dia 30 de Setembro, o Sporting só volte a jogar para a Liga no dia 27 de Outubro (recepção ao Guimarães)? O Campeonato 1 mês parado? Bem sei que vai haver uma paragem para as selecções, mas até por isso conviria aos clubes e seus jogadores não haver uma pausa tão grande. Ainda por cima, passados os compromissos internacionais de selecções, os campeonatos retomarão um pouco por toda a Europa no fim de semana de 19 e 20 de Outubro, mas em Portugal jogar-se-á...a Taça de Portugal. Uns génios, os senhores que organizam as competições em Portugal... 

05
Out19

O "gap" da Formação


Pedro Azevedo

Matheus Pereira voltou a estar em evidência na vitória caseira do West Bromwich sobre o Cardiff (4-2). O brasileiro inaugurou o marcador para a equipa de Birmingham e na segunda parte assistiu por duas vezes (golos de Charles Austin e de Sawyers). Aliás, neste momento lidera a tabela de assistências do Championship com 5 passes para golo, seguido de Daniel Johnson (Preston), John Swift (Reading) e Jonny Williams (Charlton) todos com 4.

 

Também em destaque goleador esteve Domingos Duarte, que reduziu para o momentâneo 3-2 na derrota do Granada em Madrid, frente ao Real, por 4-2. Os andaluzes, equipa surpresa da competição (recém-promovidos) desceram assim para o segundo lugar à condição da classificação da La Liga.

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02
Out19

Atlas e Sísifo


Pedro Azevedo

Na mitologia leonina, coexistem Atlas e Sísifo. O primeiro é um indivíduo de carne e osso, o segundo é uma ideia colectiva, um placebo servido com o intuíto de despertar reacções psicológicas positivas em comuns mortais. Ambos foram condenados por deuses que deviam estar loucos a trabalhos sem sentido. Ao Atlas maiato, os deuses impuseram que carregasse sozinho o céu leonino nos seus ombros, rodeando-o de uma série de almas penadas incapazes de interferir e que aguardam no purgatório pelo resultado da sua resiliência. Ao Sísifo Formação, os deuses encomendaram descobrir e fazer subir montanha acima um conjunto de jovens para que, chegados ao topo, fossem mandados por aí abaixo, não podendo assim substituir as almas penadas na ajuda ao nosso Atlas. É assim, nesse despropósito, que vive o futebol do Sporting.

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25
Set19

Uma nova visão, um novo plano


Pedro Azevedo

Mais uma vez começa o desfile de treinadores na imprensa. No Sporting não se aprende com os erros, pelo contrário eles são repetidos num ciclo vicioso. Mais do que um treinador, o Sporting precisa de alguém que se sobreponha à famosa Estrutura e que possa agir transversalmente a todo o futebol do clube, incluindo a Formação e o futebol profissional dentro de uma mesma visão e estando em plano hierarquicamente superior a scouting e gestão de activos. 

 

No fundo, o Sporting precisa de um plano. De um novo plano, com novas pessoas. Um plano estruturante que vise o melhor aproveitamento dos escassos recursos do clube, potenciando a sua Formação e evitando os constantes desperdícios em contratações que não acrescentam valor. Um plano que previna os equívocos na montagem de um plantel, que dê sentido às coisas. 

 

Mais do que um treinador, o Sporting precisa de um pensador de todo o futebol do clube. Alguém que defina uma linha de futebol positivo que leve as pessoas ao estádio e capaz de esboçar um modelo e princípios de jogo adequados a esse propósito. Deve ser também um artífice, com capacidade para ir cosendo as pontas entre futebol profissional e Formação, implementando transversalmente uma visão.

 

Por tudo isto, o que eu defendo é que, mais do que um treinador, o Sporting necessita de um Director Técnico, alguém que só dependa hierarquicamente do presidente (mas que tenha autonomia) e que tenha capacidade para imaginar e desenvolver todo um conceito de futebol do clube, liberdade para definir um perfil de treinador que encaixe nesse conceito e que seja capaz de complementar o ensino de toda uma nova geração de treinadores "made in" Alcochete que um dia mais tarde emergirá na equipa principal. Às vezes as crises são oportunidades, não podemos é virar-lhes as costas. 

 

As pessoas gostam sempre de nomes. Para mim, mais importante que os nomes é o racional por trás de uma escolha. Ainda assim não vou fugir à questão. Perante o que enumerei, tendo em conta as características que enunciei, sabendo-se que Boloni ou Luis Castro estão a contrato, a minha escolha natural seria o professor Jesualdo Ferreira. Nele confiaria como arquitecto do projecto - e não como treinador, pese embora erroneamente ainda lhe seja apontado o estigma de 2012/13, ele que chegou com a equipa em 12º lugar (é bom não esquecer) - , sendo definido à partida que em nenhuma circunstância poderia interromper o seu trabalho para assumir funções de liderança no terreno da equipa principal de futebol do clube. 

21
Set19

Às vezes ao Sábado há Domingos assim...


Pedro Azevedo

Domingos Duarte esteve absolutamente imperial na vitória do Granada sobre o poderoso Barcelona (2-0). Contra uma equipa barcelonista onde no ataque pontificaram Messi, Suarez, Griezmann e a nova estrela Fati, Domingos mostrou grande personalidade e autoridade na cobertura do seu espaço defensivo. Como cereja no topo do bolo ainda esteve no lance donde resultou o penálti que fechou o marcador, pois Vidal, ao evitar que a bola chegasse ao português (estava sozinho à boca da baliza), meteu a mão à bola. Os andaluzes, recém-promovidos e grande surpresa da competição até ao momento, lideram à condição o campeonato espanhol com uma série consecutiva de 3 jogos sem sofrer golos.  

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21
Set19

Estar em negação sai caro


Pedro Azevedo

À conta de uma visão pessimista sobre um determinado intervalo etário de jogadores da Formação, que contagia Direcção, Sócios e adeptos, continuamos a vêr as nossas contas a deteriorarem-se. Por mais que se tente explicar que não basta decretar que os jogadores formados em casa não têm qualidade, é preciso demonstrar que quem vem de fora é melhor, os sócios e adeptos continuam a alinhar num caminho que progressivamente nos vai afastando da sustentabilidade tão desejada. Auguste Comte, um dos pais do Humanismo, dizia que na vida tudo era relativo, sendo esse o único valor absoluto. Ora, eu não sei se Matheus Pereira, Mama Baldé ou Wilson Eduardo serão em absoluto jogadores à Sporting - pelo menos de um outro Sporting, um clube com ambições e que faça justiça à sua história - , o que tenho como adquirido é que são melhores do que Diaby ou Rafael Camacho (este último, até ver), jogadores por quem pagámos um agregado de 11,2 milhões de euros só em transferências. Da mesma forma, Demiral (contratado por 18 milhões de euros pela Juventus) ou Domingos Duarte (titular do Granada, equipa da La Liga) são melhores jogadores do que Tiago Ilori e (actualmente) Neto, e até Abdu Conté pedirá meças a Borja, na medida em que chega à linha e cruza mais vezes durante um jogo do que o colombiano numa época inteira. Ora, só nestes 2/3 jogadores teríamos poupado quase 7 milhões de euros em transferências. Também não me parece que Luciano Vietto seja mais jogador neste momento do que Francisco Geraldes, ou que Eduardo traga algo mais do que Daniel Bragança poderia dar à equipa, pelo que se teriam poupado mais 11 milhões de euros. E podíamos continuar este exercício, recuando até outros presidentes e outros treinadores mais as suas exigências, mas a esta hora o Leitor já percebeu aonde eu quero chegar. Se aos mais de 29 milhões de euros absolutamente dispensáveis juntarmos os ordenados mais elevados desses jogadores face aos da nossa Formação, então concluiremos que só num ano poderíamos ter poupado cerca de 40 milhões de euros. Quando se olha para um R&C isso não se torna tão evidente, na medida em que as compras são registadas em pró-rata, pelo número de anos de contrato, na rúbrica de Amortizações. Adicionalmente, os custos destes jogadores contratados vão incorporar um "bolo", pelo que acabam por se diluir na percepção do sócio e adepto. Mas se alguém um dia se der ao trabalho de ir, contratação a contratação, verificar o seu custo efectivo para a SAD não deixará de chegar à mesma conclusão que eu: investimos demasiadamente em vulgaridade quando temos em casa quem dê mais garantias, não implique investimento e não nos custe tanto mensalmente. Além disso, dada a ausência de resultados, nomeadamente o não apuramento para a Champions, tudo isto fica mais exposto, tudo isto exige uma análise muito mais rigorosa. Quo-vadis, Sporting? 

 

P.S. Se o libertar de custos implica criarmos outros custos semelhantes, então não posso aplaudir. O Ilori, o Borja, e outros, são a reencarnação dos Misic, Alan Ruiz, etc. A consequência é óbvia: pega-se na história de parte da antecipação de receitas da NOS ter servido para pagar a Fornecedores e depois verificamos que a rúbrica Fornecedores (Passivo corrente) estava em Junho nos €48 milhões (€44 milhões em Junho de 2018, quando isso significava alarme social), ou que o saldo da conta DO se reduziu de 30 milhões de euros para 3 milhões de euros em apenas 3 meses, sem que a conta de VMOCs tenha sido positivamente afectada. Assim vai o Sporting...

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17
Set19

Nada é inevitável num clube


Pedro Azevedo

"There's no time but the present" or "there's no time like the present"?

 

O Sporting encontra-se num dilema: nem tem um modelo económico de negócio que lhe garanta a sustentabilidade financeira nem obtém resultados desportivos de acordo com a grandeza do clube e com o que gasta. A esse propósito devo já dizer que me interessa muito menos o resultado do próximo jogo do que a próxima geração proveniente da Academia (visto que a anterior a demos polemicamente por perdida). Do mesmo modo, também me interessa muito menos a próxima geração da Academia do que a próxima geração de sócios do Sporting. 

 

A perenidade do clube é o que mais me importa neste momento. Pensei nisto ao observar que para além dos resultados desportivos serem desapontantes também não estamos a preparar de forma conveniente o futuro do clube, essencialmente por aquilo que tem sido na prática, e não em teoria, a fraca aposta em jovens na equipa principal. Mas isso, sendo mau, não é o pior. O que mais me preocupa quando olho para as últimas 3 décadas do clube e para o presente é vêr que em  certos momentos tudo se apresentou perante os nossos olhos como inevitável. Ora, no meu entendimento, nada é inevitável, o importante é que mudemos de rumo.

 

Há muitos anos atrás, recebi uma guitarra como herança de um avô entretanto falecido. Ao longo dos anos, mais do que apenas usá-la, preocupei-me em preservá-la para a geração seguinte, a dos meus filhos. Dei um tratamento à madeira, pus-lhe cordas novas, afinei-a. E o ano passado ofereci-a à minha filha mais velha, não deixando de lhe dar a recomendação que aqui Vos deixo. Da mesma forma que o fazemos nas nossas vidas privadas, quem lidera um clube deve ter o cuidado de preservar um bem comum e de o fazer chegar em bom estado às gerações vindouras, preocupação esse que deve ser infinitamente superior ao privilégio de deter o poder no clube. É por isso também, pelo sentido de bem comum, que deve haver um reporte contínuo aos sócios, de forma a que estes possam percepcionar e avaliar o racional do que está a ser feito. Isso não demonstra só respeito pelos actuais sócios, mas também respeito por todos aqueles já desaparecidos que criaram o clube e o ajudaram a manter, por futuras gerações de sócios e, principalmente, pelo clube em si. 

 

Se quem lidera começar a pensar mais na próxima geração do que na próxima eleição e se os sócios souberem acolher tal opção, rapidamente todos irão compreender que nada é inevitável e que, afinal, tudo é possível. O que é mais curioso nesta forma de vêr as coisas é que quem geralmente pensa mais no futuro do que no presente obtém os melhores resultados. E resultados sustentáveis, não revertíveis por uma daqueles desculpas esfarrapadas em que os menos bons gestores são férteis e que são elucidativas das suas "capacidades". Por isso, do que precisamos é de "sentido de estado" no Sporting. É que pequena política com o foco na perpectuação nos cargos já sabemos no que dá e nós queremos ter um futuro. E brilhante, por sinal. Sinal verde, claro. 

16
Set19

Made-in Alcochete (2)


Pedro Azevedo

Nomeações da semana:

 

Daniel Bragança encantou com várias assistências para lances de golo ingloriamente desperdiçados pelos seus colegas, na vitória estorilista sobre o FC Porto B. Para além disso, maravilhou todos os que assistiram a pormenores de uma técnica deliciosa, que incluiu um "lençol" (como dizem os brasileiros), ou "cabrito" como agora está na moda dizer-se. 

Nota 1: se alguma alma caridosa me quiser fazer chegar um vídeo com os melhores momentos do Daniel neste jogo ficar-lhe-ia muito agradecido. Procurei na net, mas não encontrei nada. 

Nota 2: com os meus agradecimentos ao nosso Leitor Bernardo, aqui fica o "link" com os melhores momentos de Daniel Bragança. Apreciem!

 

Carlos Mané deu uma assistência para golo no empate do Rio Ave frente ao Vitória de Guimarães, em jogo que marcou o acerto de calendário da Primeira Liga. 

 

Filipe Chaby marcou o golo solitário da Académica, na derrota caseira dos "estudantes" perante o Nacional da Madeira. 

 

Matheus Pereira marcou o canto que criou dificuldades ao guarda-redes (Bettinelli) e permitiu o empate final no marcador à equipa proveniente de Birmingham (ainda sem derrotas no Championship).

 

Francisco Geraldes foi titular e participou na construção do primeiro golo do AEK na vitória caseira (2-0) sobre o Lamia, em jogo a contar para a liga grega.

 

Domingos Duarte voltou a jogar os 90 minutos em mais uma vitória forasteira do Granada (2-0 em Vigo), equipa sensação da La Liga (6º classificado) até este momento.

 

Ryan Gauld foi titular na vitória (3-0) caseira do Farense, co-líder da LigaPRO, sobre o Vilafranquense. 

daniel bragança estoril.jpgJogador da semana "made-in Alcochete": Daniel Bragança

 

14
Set19

Aposta na (de)formação de uma narrativa


Pedro Azevedo

Se há coisa que é absolutamente desmotivadora para um jogador oriundo da nossa Formação é o facto, de não havendo jogadores disponíveis para a sua posição na equipa principal, o treinador recorrer a adaptações em detrimento de dar uma oportunidade a esse jovem.

Falo-vos de Pedro Mendes, ponta de lança da nossa equipa de sub-23 que já leva 7 golos marcados (em 6 jogos) nesta edição da Liga Revelação, isto após ter obtido a bonita marca de 18 golos, na mesma competição, ao longo da temporada de 2018/19.

Dizem-me que o jogador não está inscrito na Primeira Liga, algo que não tenho como verificar e sobre o qual não existe qualquer informação/comunicação do meu clube (algum Leitor ainda ficará surpreendido?). Aquilo que sei é que apenas temos um ponta de lança de raíz, por muito que Vietto possa disfarçar e o nosso presidente diga que Jesé é um avançado centro. 

Entretanto, a imprensa desportiva de hoje diz que Luiz Phellype (esse ponta de lança de raíz), condicionado, não treinou e apenas realizou tratamentos e que Vietto apresentou queixas musculares. Também diz que Leonel Pontes aposta num ataque dinâmico (pudera!). O que não se compreende de todo é a razão pela qual Pedro Mendes não pode ser incluído no plantel principal, ele que hoje obteve um hat-trick na recepção ao Portimonense. Só espero que tal não se deva à narrativa de que a Formação entre os 18 e os 24 anos não tem qualidade...  

Leonel Pontes será o menos culpado de toda a situação e merece o nosso apoio no desafio que tem em mãos. Mas, em relação à celebérrima Estrutura (assim mesmo com "E" grande), chega de nos tentarem convencer que está em curso uma aposta na Formação. Não nos tomem por tontos. Pode ser? Caso contrário, ainda sou tentado a pensar que, no Sporting, a formação entre os 30 e os 40 anos também está em crise...

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13
Set19

Sustentabilidade do futebol português


Pedro Azevedo

O Sporting tem de estar estratégicamente na primeira linha em todas as transformações que o futebol português precisa, no sentido do reforço da sua competitividade e viabilidade económica, e necessita de ser mais persuasivo na mobilização dos restantes clubes para esta causa. Há que perceber o que é fundamental e o que é acessório e saber estabelecer os compromissos necessários para que as nossas ideias vinguem.

 

A descida portuguesa no ranking de clubes da UEFA obriga a reflectir sobre a competitividade do futebol nacional. Assim, o Sporting deveria inspirar uma alteração dos quadros competitivos: em cinco anos (se não se conseguir antes), campeonato com 12 equipas, disputado numa primeira fase a duas voltas; “play-off” (6 primeiros da primeira fase) e “play-out” (6 últimos da primeira fase) com 6 equipas cada, a duas voltas, total de 32 jogos; os pontos contam desde o início, descida de divisão para os dois últimos classificados do “play-out”, o que possibilitaria que a mesma receita fosse dividida por menos clubes. Igual modelo para a 2ªLiga e para a 3ªLiga (inovação). Criação da 4ª Divisão, nos moldes do actual Campeonato de Portugal, a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Desde logo, haveria mais jogos entre Sporting, Porto e Benfica e quem conseguisse chegar ao “Play-off” receberia duas vezes os “grandes”, uma grande motivação e aumento das receitas de bilheteira para todos. O vencedor do “Play-out” poderia ter um bónus da Liga (ou mesmo uma participação europeia garantida, por troca com os quintos/sextos classificados do “Play-off”), a fim de que os clubes estejam motivados. Julgo que com estas medidas, e assegurando que em 5 anos o modelo estaria implantado, teríamos, daqui a 10 anos, 3 clubes na Champions.

 

Deve ser revisto o modelo competitivo da Taça da Liga. O formato actual é aberrante, a sua calendarização e espaçamento temporal, idém. Ou existe um incentivo do tipo participação em competição europeia ou a competição não faz muito sentido. Pior ainda com a criação das competições de Sub23, que permitirão rodar jogadores mais jovens, retirando ainda mais interesse por parte dos clubes maiores a integrarem a Taça da Liga. Esta competição deveria idealmente ser disputada entre Dezembro e Janeiro, num formato de eliminatórias, com um pré-eliminatória que apure 32 equipas, seguido dos dezasseis-avos, oitavos e quartos de final (sempre jogados a uma única volta e em casa da equipa pior classificada no campeonato nacional do ano anterior). Seguir-se-ia o actual formato de Final-Four que me parece bem conseguido, com a atribuição ao clube anfitrião, prévia ao início da competição, da responsabilidade de organizar essa fase decisiva.  

 

A questão da defesa do futebolista português também deve ser abordada. Bem sei que, pós-Lei Boaman, para a UEFA vigora a livre circulação, mas há algumas medidas que se poderiam tomar. Por exemplo, a primeira regra de desempate de pontos nas competições nacionais poderia ser o nº de portugueses utilizados, critério que prevaleceria sobre a diferença de golos, o nº de golos marcados ou os resultados entre os clubes em causa.

 

centralização dos DireitosTV é algo que tem de ser conseguido no médio-prazo. Pode parecer negativo para os "grandes", mas a verdade é que actualmente Portugal só tem um participante garantido na Champions e isso deve-se, essencialmente, à má prestação dos clubes médios do futebol português nas provas da UEFA. Às vezes, é importante dar um passo atrás para se poderem dar dois à frente e uma maior competitividade da Liga beneficiará a todos no longo prazo.

 

A Liga enquanto regulador tem de fazer outro escrutínio na constituição de sociedades anónimas desportivas. O futebol, actualmente, é um paraíso para negócios pouco claros e é necessário tomar medidas para combater isto. O “match-fixing”, geralmente associado às apostas desportivas, é um flagelo que importa enfrentar. Não me parece também que haja suficiente “compliance” sobre os investidores de capital nas SAD e a Liga deveria adoptar os procedimentos actualmente em vigor no sistema financeiro sobre branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (BCFT). E depois, há modelos que funcionam porque apostam em criar raízes e na envolvência com as povoações, como é o caso do Aves, outros não contemplam essa realidade e acabam por criar um fosso com os sócios e adeptos do clube, servindo apenas como plataforma de interface de jogadores.

 

Código de Ética dos Agentes Desportivos: é fundamental a existência de um código de ética, de conduta, que abranja todos os agentes desportivos, com especial ênfase em regras, procedimentos de prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e corrupção. Nele estarão claramente definidas as penalizações em sede de justiça desportiva em que incorrerão os prevaricadores. A Liga e a Federação não se podem demitir da sua função reguladora e devem criar condições que previnam a adulteração da integridade das competições e o respeito pelos espectadores/consumidores do produto futebol. O Código deve constar em local bem visível na primeira página dos sites das entidades reguladoras. A justiça desportiva não pode nada fazer a montante e estar sempre à espera, a jusante, de investigações da PGR. O Ministério Público e a PJ deverão ter mais que fazer do que permanentemente ter de alocar recursos para estudar as diversas suspeitas que envolvem o fenómeno futebolistico em Portugal. Ou, Liga e FPF, mostram capacidade de se auto-regularem ou o Estado terá de intervir, criando regras que impeçam a continuação deste status-quo. Para além destas regras, Liga e FPF deveriam conceber durante toda a época um conjunto de iniciativas que visassem promover um futebol limpo, seja por via de acções nos estádios, seja através de acções de formação e sensibilização de todos os agentes. Estes deveriam ser obrigados a fazer um exame e a terem de mostrar ser conhecedores de todos os procedimentos constantes do Manual.

 

O futebol português possui desvantagens competitivas face a diversos países europeus (a diferença para Espanha é gritante) devido a uma fiscalidade mais exigente, que não discrimina positiva uma profissão de desgaste rápido (dos profissionais de futebol) e que muito penaliza os clubes. Promover consenso na Liga e constituir um grupo para sensibilizar o governo, no sentido de tentar aligeirar a carga fiscal dos profissionais de futebol, seria uma prioridade.

 

Um clube formador, como é o caso do Sporting, que abastece todo o futebol português, tem de ter outro peso perante os seus pares, não pode ser permanentemente desrespeitado, nem as suas posições serem sempre relegadas para segundo plano em nome de outros interesses instalados. Assim, o Sporting deve ter uma política de relacionamento com outros clubes, privilegiando aqueles que o respeitem.

 

O produto Futebol Português tem de ser vendido de uma forma totalmente diferente. Devem existir regras claras de transparência para que o consumidor acredite no produto, os artistas (jogadores) têm de ter liberdade concedida pelos clubes para abordarem diversos temas e estar disponíveis para acções com os fãs, a exportação do produto para os mercados americano e asiático pensada. É inconcebível que o futebol do país campeão europeu continue a despertar tão pouca procura e isso dever-se-á muito à inércia da Liga e sua incapacidade de promoção da imagem do nosso futebol. Também não é aproveitada da melhor maneira a passagem de alguns craques pela nossa liga. Jogadores como Schmeichel, Deco, Ramires, Aimar, entre outros (só falando deste milénio), poderiam ter contribuido para uma maior divulgação.  

 

P.S.1 O Henrique Monteiro escreveu um Post (no seguimento de uma crónica em A Bola) com umas medidas (em meia-dúzia de linhas) no meu entendimento relativamente mal-amanhadas e até possivelmente redutoras (10 clubes + 3 voltas = 27 jogos, terceira volta em campo neutro?) sobre o futebol português - mais uma previsão (para pena dele, segundo diz, e minha profunda decepção e tristeza se se concretizar) de que o Sporting será o primeiro dos 3 grandes a perder a maioria de capital na SAD (então, mas não acredita na nossa actual gestão?) - que logo tratou de apelidar de redentoras. Assim, produto de uma reflexão séria (que o passado e a actualidade obrigam), dedico-lhe estas linhas (há muitas mais se estiver efectivamente interessado em aprofundar o tema) já publicadas anteriormente no blogue "És a nossa Fé" (22 de Julho de 2018) e neste mesmo blogue (18 de Março de 2019). Sem a pretensão de serem redentoras, claro está. Até porque na minha vida esse papel está consagrado unicamente a Deus (ou a Cristo por Seu desígnio). 

P.S.2 Para mim, apodos como "sportingados" ou "IURB", que os Sportinguistas se entretêm a endereçar uns aos outros, são expressões de um maniqueísmo que nos afasta da união e que está nos antípodas de uma saudável identidade ou Cultura Sporting. Já o dizia antes, no tempo de Bruno de Carvalho, e reforçá-lo-ei sempre que tal se torne necessário. Não se pode é ter dois pesos e duas medidas, não é Henrique? E assim anda o Sporting (da "exuberância irracional" de Greenspan para o "new normal")...

10
Set19

Made in Sporting


Pedro Azevedo

Um póquer!!!! Noventa e três golos no seu trajecto na selecção portuguesa. Actualmente, só tem o iraniano Ali Daei à sua frente, Puskas e Pelé há muito tempo que ficaram para trás. Mais cinco golos marcados que o dueto (Pauleta, 47 golos; Eusébio, 41 golos) de portugueses que o segue ao serviço da selecção nacional, mais 25 golos do que o rival Messi. Próximo objectivo: 110 golos, record do mundo em selecções. Um jogador de outro mundo. Do Mundo Sporting, evidentemente!

ronaldo lituania.jpg

03
Set19

Pergunta


Pedro Azevedo

Será que, à semelhança da Comunicação, também sub-contratámos a gestão? 

 

O Sporting precisa de uma visão de futuro que seja inspiradora ao ponto de congregar à sua volta todos os sócios, que lhe recupere a alma, resgate a ambição, devolva o respeito pelo clube e reforce a sua influência no país e no mundo. Necessita também que essa visão tenha subjacente a transparência e um caminho que garanta a sustentabilidade, e firmeza por parte de quem dirige  no sentido de não tergiversar na sua implementação por qualquer populismo de ocasião. Mais do que mudar pessoas, é urgente mudar de vida. Até porque, quem resiste à mudança acaba fatalmente por ter de resistir à extinção. 

 

 

02
Set19

Percepção e realidade


Pedro Azevedo

"All that Jese!"

 

Em campanha eleitoral, Frederico Varandas garantiu que jogadores que já tivessem passado o pico de carreira e que nos últimos anos tivessem andado a saltar de clube para clube nunca viriam para o Sporting. Na altura, não foi difícil identificar-me com o racional de tais afirmações, pois tais contratações seriam obviamente de risco. Agora, os sites on-line dos jornais desportivos portugueses anunciam que Jese Rodriguez, 26 anos, está a caminho de Alvalade. Desde que saiu do Real Madrid para o PSG (2016), Jese já representou o Las Palmas, Stoke City e Betis de Sevilha, mudando todos os anos de clube, sempre com desempenhos sofríveis. Não ponho em causa o potencial valor do jogador, mas é o típico caso (a confirmar-se) em que o discurso não bate com a acção (como já havia acontecido com Vietto). Para além de que, se correr mal estaremos a pagar salários (ou pelo menos comparticipar) sem retorno desportivo, se correr bem estaremos a valorizar o jogador financeiramente para outros. Já para não falar do custo de oportunidade decorrente de outras contratações, que urgiria valorizar, ficarem sem jogar, assim como os jogadores da nossa Formação que mais uma vez, passado o período eleitoral, jamais serão prioridade. Enfim, a acumulação de stocks do costume que faz com que o dinheiro proveniente das vendas se dissipe rapidamente...

 

Adicionalmente, gostaria de referir que desde Janeiro, a confirmarem-se as entradas do brasileiro Fernando e do espanhol Jese (tal como Vietto também pode ser 2º avançado), o Sporting já terá comprado 4 alas (Plata e Camacho incluídos), não esquecendo que Vietto (outra contratação do ano) também aí tem jogado. Sem dinheiro (dizem eles). E o Jovane? Pobre Jovane...

 

Um dia os sócios do Sporting aperceber-se-ão que, pondo de parte proselitismos de diversa ordem, sebastianismos, ressabiamentos ou revanchismos que só servem para intoxicar o ambiente, desunirmo-nos e afastarmo-nos do essencial que é a sobrevivência do clube, é possível fazer muito melhor, nomeadamente o que tem de ser feito, isto é, uma gestão racional dos nossos activos, sem aventureirismos e no sentido da melhor protecção do clube, bastando para tal aproveitar a nossa base e ir ao mercado apenas contratar cirurgicamente um ou outro jogador de qualidade. Nesse dia será imprescindível pôr termo a isto, o que não será fácil pois há nós que serão complicados de desatar. Caso contrário, estou convencido que o termo do nosso Sporting acontecerá primeiro. Não tenho índole revolucionária, acredito muito mais no reformismo, mas aquilo em que não me revejo de todo é no conformismo. É que as coisas não têm de ser necessariamente assim e as gerações vindouras, que me preocupam bem mais do que a próxima exibição, merecem que o nosso clube tenha um futuro. Os nossos antepassados que já não estão entre nós, também, pois viveram intensamente o clube e souberam passar-nos um testemunho que devemos valorizar e entregar em bom estado aos mais novos. São as nossas memórias colectivas que estão em xeque. (A estabilidade só é um valor relevante se daí advir progresso.)

 

P.S. As notícias avançam a ritmo alucinante. Agora é o Bolasie (30 anos, para valorizar?), mais um ala esquerdo... Bolas!... E o presidente tinha a época toda planeada há muito tempo...

30
Ago19

O estado da Nação


Pedro Azevedo

O Sporting deste milénio, sendo dos três grandes o único que tem Portugal no seu nome, é curiosamente o menos português dos clubes portugueses. Na verdade, quando a generalidade dos portugueses cultiva o mito sebastiânico e espera que o regresso d`El Rei num dia de nevoeiro os salve de uma vida onde sobra pouco tempo (e dinheiro) para viver a... vida, nós, os Sportinguistas, não somos saudosistas e até gostamos de utilizar a expressão "o cemitério está cheio de insubstituíveis" enquanto contemplamos um céu sem nuvens no horizonte. É um "wishful thinking", o Prozac - deve estar referenciado pelo nosso Scouting - que cada leão toma enquanto lhe levam os anéis (e também o cenário do céu sem nuvens emprestado por um estúdio da Venda do Pinheiro, de Oeiras ou de Queluz). De facto, no Sporting quase tudo é substituível. A começar pelos jogadores. Pouco interessa que não ganhemos um campeonato em ano ímpar desde 1953, há portanto 66 anos. Para nós, os Sportinguistas da era pós-moderna, o Necas, o Malhoa, o Zé da Europa e o Albano foram/são perfeitamente substituíveis. Só que não, como o comprova termos perdido o campeonato em 33 anos ímpares consecutivos. Ainda assim, poder-se-ia ter dado o caso de termos ganho o campeonato em todos os anos pares desde 53. Só que (de novo) não. As nossas vitórias nesses anos não chegam a 1/3, o que significa que ganhámos menos de metade do que Benfica e Porto juntos. E já nem falo de Peyroteo, homem honrado, de outros tempos, que, por ter feito uma festa de despedida que lhe permitiu arrecadar uns cobres para salvar um negócio em mau momento, sentiu que estaria a enganar os Sportinguistas se voltasse aos relvados, pese embora as suas (imensas) capacidades futebolisticas ainda estivessem intactas. Para sua sorte, mas não para sorte da sua carteira, nunca jogou nestes tempos modernos em Alvalade, não se tendo assim de sujeitar a ser considerado um tosco que só atrapalhava o "processo" ofensivo e logo aí ter como destino ser recambiado para alívio salarial da entidade patronal, coisa obviamente de conotação kafkiana para quem apresentaria a modesta contribuição de 1,6 golos por jogo.

 

É curioso, pois quando era pequenino o Sporting era aquele que aos Domingos ia a jogo, em que os ídolos eram os jogadores, a origem do sortilégio da nossa paixão. Hoje, no pós-modernismo leonino, eles são todos substituíveis para os sócios e/ou adeptos. Mesmo que se chamem Bruno Fernandes, Marcos Acuña, Jeremy Mathieu ou Bas Dost, ou qualquer um equivalente ao abono de família do atarantado senhor Keizer - "Tragam-me um ponta de lança. Móvel, de área? Tanto faz" - no fim do mês. Dizem que é a natureza do "negócio", uma forma altamente "edificante" de meritocracia em que aqueles que elevam mais alto a nossa camisola são tratados da mesma forma (quando não pior, e já nem falo do dia de horror vivido em Alcochete) que aqueles que não cumprem os mínimos daquilo que deveria ser a exigência pedida a um futebolista do Sporting. Por exemplo, se Vasco da Gama estivesse ao serviço das nossas cores, a sua descoberta do caminho marítimo para a Índia não valeria mais para nós que o deslindar do melhor caminho para a Brandoa pelo Moovit, ou até que os atalhos que o Ilori e o Borja escolhem para pôr em perigo o meu pobre coração sofredor. É o que fica implícito depois de tanto leilão, ou saldos, ou liquidação total, ou lá o que é. Posto isto, nós, sócios e adeptos, queremos que os jogadores nos respeitem, o que também faz sentido. Para nós, Sportinguistas, única e exclusivamente, bem entendido...

 

Aparentemente, os únicos não-substituíveis no clube são os presidentes. Por eles não se cala a indignação, sobram querelas, batalhas, guerras até. Deles certamente dependerá a emoção de todos os fins de semana. E quando não a emoção, a razão, a nossa sustentabilidade, as contas sempre impecáveis que apresentamos no final de cada época desportiva, ano após ano, razão pela qual todos os futebolistas devem ser substituíveis. Para que possamos apresentar sempre lucros? Não. Para que possamos fazer plantéis cada vez mais fortes? Também não. Por qualquer outra razão estratégica, aliás explicada tim-tim por tim-tim aos sócios? Não, não e não. Para fazer sócios e adeptos felizes, o que deveria ser a única motivação de quem dirige? Nãox4. Mas que interesse tem dissecar tão pueris questões, não é verdade?

 

Últimamente, o nosso futebol também é subsbtituível. Aliás, a minha relação com o nosso fio de jogo é semelhante à que tenho com Deus: creio e sinto que existe, embora não o veja. Bem, houve profetas que pregaram a palavra d`Ele (e um deles foi especialmente relevante) como agora há um Bruno - o Atlas que carrega o nosso céu azul nos seus ombros - que tem o seu nome em quase todas as escrituras dos jogos. Ainda assim há uma diferença. É que em Deus eu tenho fé e nesse Sporting sem os melhores jogadores não tenho fé nenhuma. Confesso que ainda julguei ser possível nos primeiros tempos de Keizer, mas tal como um dos seus (iniciais) princípios perdi-a em cinco segundos. Mas graças a Deus que já era católico antes de ser Sportinguista. Caso contrário, seria tentado a pensar que Deus não existe, partilhar do silogismo de que vale tudo e assim assistir impávido ao declínio, resssentimento, incapacidade de avançar, paralisia, ausência de finalidade ou de resposta ao "porquê" das coisas - o niilismo Sportinguista pós-João Rocha (com breves interrupções que deram esperança e acabaram por gerar grandes desilusões). Antes que me lancem um Auto da Fé Sportinguista, algo com que consócios e adeptos se gostam de entreter nos tempos livres enquanto expiam o sentimento judaico-cristão da culpa, convém lembrar que o último ritual de punição pública na Península Ibérica contra hereges que repudiavam a igreja católica data de 1826. Ainda assim, como nem nisso somos bem portugueses, ou mesmo iberos, e apesar de saber que nós somos um clube civilizado, de gente do bem ("de bem", não sei "bem" o que pensar), diferente até, que como tal terá espírito e certamente se saberá rir de si própria, dizia eu antes que me atirem com um daqueles epítetos que vêm entre aspas e estão tão em voga neste milénio Sportinguista depois de infelizmente terem sido fomentados por um antigo presidente, cumpre-me informar que não tendo fé ainda tenho paixão. Muita! Imensa! E genuína! Mas não ao ponto de estar preocupado. Se o (actual) insubstituível não está, porque carga d`água deveria eu estar? Só está preocupado quem tem uma ilusão e eu não tenho ilusão nenhuma, só paixão. Essa paixão leva-me a ter um ideal de clube, da sua identidade, da sua Cultura corporativa, princípios e sustentabilidade, que ninguém irá substituír porque reside na minha mente, morrerá comigo e não é alienável como a celebérrima aposta na Formação é para alguns (ateus da sustentabilidade, por certo). Bom, a esta hora muitos estarão a pensar que também eu sou substituível. Eu e mais uns quantos sócios do Sporting. O que num dia, que até já esteve mais longe, será indiferente, na medida em que por este andar só contarão os accionistas. Da SAD, obviamente. Maioritários, obviamente (de novo). Afinal, o dinheiro compra quase tudo. Bem, a luxúria talvez, mas não compra o amor. Se bem que este, por estes dias, também já deva ser substituível. No pós-modernismo, onde o equilíbrio é uma coisa que só imaginamos no trapézio do circo, o que interessa é o cliente, essa figura da mitologia leonina que um dia chega a Alvalade e compra todas as gamebox do futebol mais as das modalidades, sorve cem tonéis de duzentos litros de cerveja com alcool, enfarda uma tonelada de cachorros quentes e de enfiada ainda varre todas as camisolas do Bas Dost, perdão do Bruno Fernandes, perdão do Acuña, perdão... Do Tiago Ilori ou do presidente Varandas?... Bolas!!! Não me deem cabo do(s) plano(s). Deixem-me trabalhar. Vá, soletrem lá: A, B, C...   

 

P.S.1: Não troco a próxima geração pela próxima exibição. 

P.S.2: A paixão pelo clube, na sua génese comum a todas as gerações de Sportinguistas, confunde-se com a paixão por jogadores míticos que ajudaram a fazer a história do Sporting Clube de Portugal. É bom não o esquecer.

P.S.3: O Grande Prémio do Mónaco de BF8 não tem transmissão televisiva?

P.S.4: Jorge Fonseca sagrou-se hoje campeão do mundo de judo (-100Kg). Atleta do Sporting, é o primeiro campeão do mundo de judo de nacionalidade portuguesa. Mais um campeão que o Sporting oferece ao desporto português e ao país. Há todo um Sporting eclético e gerador de contentamento para lá da Sporting SAD...

27
Ago19

Menino do Rio


Pedro Azevedo

Ali junto ao Estuário do Tejo, a nossa equipa de sub-23 tem a sua casa. Nesse sentido, em Alcochete os nossos jogadores são uns meninos do rio. No entanto, de entre eles, destaca-se o verdadeiro Menino do Rio. Nascido no Rio de Janeiro, Matheus Nunes, hoje aniversariante (21 anos), brindou-nos com nova exibição de champanhe e caviar, marcando 1 golo, assistindo para outro (3º) e produzindo duas jogadas de génio (44, passe de ruptura à distância, e 50 minutos, aceleração com bola e passe de ruptura) dignas do craque que ele (já) é.

 

P.S.1: Senhor Keizer, ponha os olhos neste menino, se faz favor. Como é possível nem ter feito a pré-época com a equipa principal? Matheus já merece uns minutos na melhor equipa do Sporting. Continuar a afunilar em cima só trará desmotivação e afectará a nossa sustentabilidade. Não estraguemos outra geração de futebolistas. 

 

P.S.2: 4ª Jornada da Liga Revelação (SportingTV): Sporting - Marítimo 3-1 (Golos Sporting: Matheus Nunes, Tomás Silva e Joelson). Destaques também para Bruno Tavares (o 2º melhor), Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Rodrigo Fernandes (temos "6"!!), Joelson, Tomás e para a estreia de Valentin Rosier (jogou a primeira parte) e passe de letra de Pedro Mendes (2º golo).

matheus nunes1.jpg

26
Ago19

Identidade de clube e marketing de jogadores


Pedro Azevedo

O Sporting saiu a perder de todas as formas na novela Dost. À magra compensação obtida na venda do holandês aos alemães do Eintracht Frankfurt deve somar-se a incompreensão por parte de quem dirige de que a protecção do clube é sempre a protecção dos seus activos e da imagem pública destes. Ficou também bem patente, nas discussões entre os adeptos, outro grande problema do clube: de cima a baixo, não existe uma cultura que promova a meritocracia, coexistindo a falta de reconhecimento com quem serviu bem a instituição com a falta de exigência com quem não cumpre os mínimos. Só nesse sentido se pode entender que o clube, no seu Twitter oficial, tenha publicado uma mensagem onde se pode ler: "o Sporting sabe distinguir o jogador Bas Dost do que o rodeia. Obrigado por tudo, Bas". Sabendo que no subconsciente popular se encontra a frase "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", o Sporting permite-se, em veículo de difusão da sua Comunicação, saudar pela última vez o seu antigo jogador  - marcador de 93 golos em 3 épocas, é bom não esquecer - com reservas, assim a modos daquilo que os auditores por vezes colocam em Relatórios e Contas, algo que não fez por exemplo aquando das saídas de Barcos, Spalvis ou Castaignos (todos juntos representando zero golos marcados pelo Sporting), os quais mereceram palavras elogiosas de circunstância. Assim sendo, resta a este sócio dizer sem rodeios perante aquilo que o rodeia que também sabe distinguir o enorme Sporting Clube de Portugal da Comunicação do clube e, mais, ainda sabe distinguir o Sporting do senhor Rui Pedro Braz e outros que tais, e como tal, mesmo não se revendo neste triste episódio, continuará fiél ao clube do seu coração, o qual promete continuar a acompanhar com devoção.   

 

Se os jogadores de futebol são o maior activo da SAD - o maior activo do clube são os seus sócios - não se compreende como a Sporting SAD, uma vez mais (não é de hoje), termina uma relação com um jogador desta forma. Não que eventualmente não tivesse as suas razões, mas é bom não esquecer que foi a SAD, através de um comunicado, que tornou público e evidente para todos haver um problema com o seu jogador (em vez de tentar resolver o assunto no silêncio dos gabinetes), imediatamente contribuindo para desvalorizá-lo perante o mercado, com tudo o que antecipadamente saberia que isso iria trazer em termos de danos desportivos, financeiros e reputacionais. Deste modo, enquanto o vizinho ao lado tratou de homenagear Jonas e Luisão, o nosso clube viu sair Bas Dost pela porta pequena, sem sequer os adeptos terem tido oportunidade de dele se despedirem. Falando a nossa Comunicação em "quem o rodeia", como se não houvesse consciência que de entre quem a rodeia a si (ao clube), saíram uns inadaptados sociais (chamemos-lhes assim) que agrediram barbaramente o jogador aquando do inacreditável episódio de Alcochete, situação que o jogador fez por esquecer entre outras coisas porque soube separar os agressores dos adeptos comuns que lhe acenavam na rua. Pode até haver quem ache isto bem, mas este tipo de coisas é ilustrativo da falta de identidade e de Cultura Corporativa de um clube como o Sporting, mesmo que para o efeito tenha sido o seu braço instrumental (a SAD) a perpetrar tais actos. E demonstra, inequivocamente, uma ausência de política de promoção de jogadores, a qual depois tem as suas consequências no valor pago pelo mercado. Assim sendo, resta esperarmos quem será o próximo alvo. Por aquilo que fui lendo hoje no blogue não me admiraria que fosse Acuña. Aparentemente, e sem nunca eu me ter disso apercebido, parece não ter a qualidade suficiente, ser um híbrido e um risco. O que é estranho é estas apreciações depreciativas sobre alguns dos nossos melhores jogadores estarem últimamente muito na moda nas redes sociais. Não era a isso que eu me referia quando falei em Renascimento, mas está bem... 

24
Ago19

O que (não) resolve Dost


Pedro Azevedo

No deve e haver da tesouraria da SAD do Sporting, se é verdade que a venda de Bas Dost permitirá poupar o seu salário, a compra de Vietto (e de outros 4 jogadores nesta janela de transferências) terá carregado ainda mais o cash-flow operacional negativo (antes de vendas de jogadores). Acresce que em termos de Resultados da Sociedade, uns magros 6 milhões de euros - apenas mais 3 milhões do que os pouco ou nada utilizados Iuri e Domingos Duarte - não resolverão praticamente nada, obrigando a mais vendas, e de valor significativo, antes do final da época. Com um défice estrutural que deverá andar perto dos 60 milhões de euros, as vendas registadas até agora tê-lo-âo, quanto muito, baixado para cerca de €45 milhões. Acresce que as compras no Mercado de Verão pesarão em sentido contrário, na proporção da amortização anual dos contratos dos jogadores, subtraindo entre 4 a 5 milhões aos Resultados. O problema é que não estamos a conseguir colocar a maioria dos excedentários do plantel que pesam mais na conta de exploração (largando os que ganham pouco e que, ficando connosco, podiam contribuír para a nossa sustentabilidade), o que não permite "aliviar" os custos com pessoal. Teria sido prudente começar por aí, não indo ao mercado comprar ainda mais jogadores. Ao não fazê-lo, a SAD entrou num jogo de póquer. Ciente disso, o mercado decidiu especular com a SAD, baixando todas as propostas de aquisição por jogadores nossos (vidé exemplo Bruno Fernandes). E irá continuar a fazê-lo, independentemente da valia desses elementos. Agora, só temos duas hipóteses: ou a SAD decide manter os nossos melhores jogadores e enfrenta sócios e accionistas com um R&C referente a Junho de 2020 mostrando um Resultado profundamente negativo (e, entretanto, mais inadiáveis antecipações de proveitos NOS) enquanto procura resolver o défice estrutural colocando muitos excedentários e não privilegiando mais Diabys em detrimento de Matheus e companhia, ou vende ao desbarato, da forma desordenada que eu há muito venho perorando que poderia acontecer (e o caso Bas Dost evidencia-o), os seus melhores jogadores. O problema é que, continuando a vender qualidade esta época, pouco ou nada de substantivo sobrará para vender nas épocas seguintes, tornando-se assim impossível cobrir o "gap" nos Resultados futuros. A não ser, claro, que as 11 contratações desde Janeiro provem a sua utilidade, algo que para além de Matheus Nunes (não é aposta na equipa principal) e de Idrissa Doumbia não me parece assim tão evidente. Portanto, quando se falou aqui em aposta na Formação é porque não existe outro modelo possível. Com ele, teria sido possível baixar a massa salarial para níveis que nos tirassem do sufoco ou garrote financeiro, garantindo-se assim outra liberdade negocial. Mas ainda há quem pense que estas ideias são lesa-Sporting, porque se está implicitamente a criticar quem foi eleito (não perco tempo nem crio desumanidade a atacar pessoas, que aliás separo do essencial que é a sua gestão, mas preocupa-me, isso sim, o Sporting). Como se não vivessemos numa democracia, como se milhares de CEOs no mundo inteiro não fossem permanentemente escrutinados por opinadores e accionistas, como se não houvesse canais televisivos económicos (CNBC e Bloomberg) que transmitem, 24 sobre 24 horas, informação sobre empresas cotadas e outras prontas a entrar em Bolsa, como se o desejo de um sócio não deva ser que o clube sobreviva a si mesmo (sócio) e seja perene. 

 

P.S. Um jogador de futebol tem associado a si um direito económico (para além de um desportivo, também). Como tal, é um activo. Como qualquer outro activo, tem um rendimento. Se uma acção tem um dividendo e uma obrigação tem um cupão, o rendimento de um jogador de futebol é o seu desempenho desportivo. O desempenho desportivo de Dost foi de 93 golos em 3 temporadas. E marcou em cada uma das finais de taça ganhas na época transacta. É bom não esquecer isto quando se fala em "alívio" da massa salarial. 

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