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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

27
Mai19

Notas soltas sobre a Final


Pedro Azevedo

  1. Durante a primeira parte foi testada uma alteração revolucionária das regras de jogo, que consiste na abolição do fora-de-jogo. Infelizmente, os espectadores não foram avisados previamente e o teste ocorreu apenas em metade do campo, pelo que a reacção dos sportinguistas não foi positiva.
  2. O único amarelo visto pelos portistas em 90 minutos de jogo foi o do sorriso de Sérgio Conceição.   
  3. O facto que causou maior surpresa, quiçá indignação, junto da falange de apoio sportinguista sentada na Central do Estádio Nacional foi Sérgio Conceição não ter arremessado a medalha de finalista.
  4.  Está decidido: em próximas finais contra o Sporting, os portistas trocarão os penáltis por pontapés de canto.
  5. O Soares quis homenagear Casillas num jogo impróprio para cardíacos. Com amigos destes...
  6. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma: o Herrera diminuiu as orelhas, mas aumentou os ombros.
  7. Por ironia, um Andrade (Fernando) entregou a Taça ao Sporting. 
  8. Jefferson apresentou-se na Tribuna de Honra com uma boina vermelha/grená do Grupo Especial de Paraquedistas. Eu bem que suspeitava que ele tinha caído em Alvalade de Pára-quedas...

 

P.S. Casillas, por quem tenho enorme apreço como jogador (excelente) e cidadão (um senhor!), que me desculpe a blague. Desde a sua estadia no nosso país que fiquei seu fã incondicional. Infelizmente, ninguém está livre de lhe acontecer algo similar. A Casillas, bem como à sua família, desejo o melhor que a vida possa dar. Ele bem merece!

26
Mai19

Tudo ao molho e fé em Deus - Gente feliz com lágrimas


Pedro Azevedo

No Jamor, o pré-jogo é tão ou mais importante do que o próprio jogo. Desde o meio-dia reunidos à volta da mesa, os convivas começam por atacar umas entraditas, assim a jeito de quem vai ao relvado fazer um aquecimento. Seguem-se umas gambitas, como quem estuda o adversário e esconde algumas energias para a batalha decisiva que far-se-á mais lá para a frente. Quando chega o leitão, a coisa fica mais séria, o confronto endurece e as armas estão todas presentes em cima da mesa. As pernas começam a fraquejar e a hidratação torna-se fundamental. Produz-se o oximoro: a mini maximiza a resistência ao calor. Vencido este jogo de parábolas, os convivas vão então ao verdadeiro jogo. E que jogo!

 

Anos e anos de desilusões tornaram o sportinguista prudente. Se o resultado é sempre incerto, o sofrimento é mais do que certo. Penso até que, futuramente, o kit para novos sócios deveria incluir um desfibrilador. (Just in case...) Nesse espírito, como quem tenta conter a projecção da felicidade, lá rumámos aos nossos lugares na bancada, descendo dos courts de ténis e passando a Porta da Maratona, tudo presságios daquilo que estará para acontecer mais adiante: um jogo com prolongamento e decidido num tie-break de penalidades. 

 

Devo dizer que a entrada em campo do Sporting foi surpreendente. Os leões rapidamente assumiram o jogo e remeteram os dragões para o seu meio-campo defensivo. Mas alguns handicaps cedo ficam a nu: um alívio despropositado de Bruno Gaspar oferece a Otávio a primeira grande oportunidade do jogo. O remate sai forte e colocado, mas Renan diz presente e resolve com uma grande defesa. O brasileiro abriu em grande e em grande viria a fechar o jogo. Bom, mas isso foi mais para a frente. Rebobinando, o Sporting respondeu de pronto e Bruno Fernandes obriga Vaná a uma boa parada. Até aos 20 minutos, o Sporting tem o controlo das acções, mas após esse período o Porto equilibra e até ganha algum ascendente. Raphinha tira tinta ao poste e, na resposta, Marega marca, mas está fora-de-jogo. Já perto do intervalo, Herrera recepciona a bola com o ombro(?), centra e Soares, de cabeça, coloca os pupilos de Sérgio Conceição na frente do marcador. O jogo está bom e agora é o Sporting que ataca: Bruno Fernandes recebe um passe de Acuña, remata, a bola ainda bate em Danilo e entra. Está reposta a igualdade, mesmo ao soar do gongo para o descanso.

 

Já na etapa complementar, o Porto é agora dominador. Logo de início, Soares acerta no poste direito de Renan, mais tarde Danilo visa o outro poste. Wendel ainda ameaça, mas o Sporting não consegue fluir o seu jogo. Keizer tenta brevemente implementar uma linha defensiva de 3 centrais, retirando Bruno Gaspar, fazendo entrar Ilori e avançando ligeiramente Acuña. Raphinha é agora lateral direito, com Diaby (mudou de flanco) à sua frente. O Sporting parece crescer com a nova táctica e leva perigo por duas vezes ao último reduto portista, mas a entrada de Dost para o lugar do maliano produz nova alteração no xadrez das peças, jogando agora o Sporting num 4-4-2, com Bruno Fernandes encostado à esquerda e Ilori e Acuña a preencherem as laterais. A custo, e com um SuperMat (a versão super-herói de Mathieu), o Sporting leva o jogo para prolongamento.

 

A primeira parte da prorrogação vê o Sporting a dar a volta ao marcador: uma bola perdida na área é aproveitada por Dost para rematar cruzado e sem hipótese de defesa para o guardião dos dragões. Mais uma vez, Acuña está na origem da jogada. O cansaço já é muito, o Porto ameaça, mas o público leonino embala a equipa com os seus cânticos. A vitória parece possível, vai ser possível, mas eis que o fado do leão se volta a manifestar e o Porto empata já depois da hora. 

 

Mais uma cambalhota no jogo e esta com marcas profundas na montanha russa de emoções vivida pelos adeptos sportinguistas. Do outro lado, os Super Dragões rejubilam, conscientes de que a vantagem psicológica passou para o seu lado. Nesse transe, o jogo vai para penáltis. Os leões confiam em Renan, o herói da Taça da Liga, a fé dos adeptos portistas reside na "igreja" Vaná. O início das penalidades confirma que o ascendente passou para os dragões e Dost falha ao tentar estrear uma nova forma de marcar a partir dos 11 metros. Parece que o Porto vai ganhar, mas Pepe acerta também na barra. Nada está perdido, mas também nada está ganho no momento em que os sportinguistas roem as unhas enquanto Coates se prepara para marcar o último penálti da série regular. O uruguaio tem um histórico de falhanços que não abona e muitos viram as costas à finalização. A coisa acaba por correr bem aos leões. Com 4-4, entramos naquela fase mata-mata. Fernando é o homem chamado por Conceição para bater. Renan voa e voa e voa e, num instante, abre asas aos sonhos dos sportinguistas. Agora, "só" falta o Felipe das Consoantes meter a bola lá dentro. Há quem chore, quem não queira ver, quem ganhe força agarrando-se frenéticamente a quem está mais à mão. Um estádio inteiro suspenso de um pontapé na bola. E é a redenção! O toque de Deus! Uma época que tinha tudo para correr mal, acaba em glória com a conquista de duas taças. Confesso que as lágrimas me escorreram pelos olhos no preciso momento em que vi a bola anichar-se no fundo das redes portistas. Feliz por mim, pelos meus companheiros de aventura epicurista, pelos milhares de sportinguistas presentes no estádio, pelos milhões espalhados pelo país e no estrangeiro. Gente feliz com lágrimas, título roubado a João Melo, será porventura a melhor forma de definir a catarse que os sportinguistas ontem viveram. Na hora H, o trauma por todos vivido há 1 ano esvaiu-se naquelas lágrimas e ficou para trás, e os sportinguistas reconciliaram-se consigo próprios e com o clube. Sim, o clube, a razão de ser de tudo isto. Não precisamos de mais nada. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu, o SuperMat. Tal como indica a publicidade, ele é rápido, versátil e seguro. Destaques também para Renan (eu bem ia dizendo que ele estava muito sub-valorizado) e para o inevitável Acuña. 

final taça portugal.jpg

(fotografia: O Jogo)

25
Mai19

... E o Sporting é o nosso grande amor!


Pedro Azevedo

Inesquecíveis momentos vividos hoje no Jamor. Desde logo, o pré-jogo, a celebração da vida, da amizade, do sportinguismo. Depois, o jogo, impróprio para cardíacos, onde estivemos à beira do k.o., mas nunca chegámos a ir ao tapete. Pelo contrário, impulsionados por dezenas de milhares de vozes de gente que queria, diria precisava, ser feliz, a equipa ficou por cima no marcador e viu o adversário salvar-se da derrota em cima do gongo. Quis o destino (e Renan) que a vitória viesse por pontos, mais concretamente do ponto que dista 11 metros da linha de baliza. Não poderia ter havido melhor e mais electrizante final para recompensar os melhores adeptos do mundo, aqueles que continuam a encher Alvalade após longo jejum do principal título nacional. No final, as lágrimas corriam nos rostos dos leões. Lágrimas de alegria, por certo, uma forma de o corpo exteriorizar a tensão acumulada internamente. Que orgulho eu tenho em pertencer a esta gesta. Spoooooorting!!!

17
Mai19

Improcedente, disse ele


Pedro Azevedo

O título, rebuscado de uma série televisiva que tinha Angela Lansbury como protagonista, vem a propósito da decisão do Conselho de Disciplina de considerar improcedente o recurso apresentado pelo Sporting sobre a penalização aplicado ao jogador Ristovski.

 

Castigado com 2 jogos de suspensão na sequência da sua expulsão contra o Tondela, o macedónio está definitivamente fora da final da Taça de Portugal.

 

Recorde-se que Ristovski foi três vezes sancionado com a amostragem do cartão vermelho esta época, curiosamente todas antes de jogos contra equipas "grandes". De todos os recursos apresentados pelo Sporting, apenas 1 mereceu um aligeirar de sanção por parte do CD. Irónicamente, tal não se traduziu em nenhuma vantagem para os leões, por não se ter produzido o efeito, dado que a comunicação oficial da decisão chegou praticamente em cima da hora de início do jogo, já não tendo sido possível ao macedónio nele participar. 

04
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - (C)risto vive em Bruno


Pedro Azevedo

Três jogos contra o Benfica, três golos de Bruno Fernandes. Se o primeiro, para o campeonato, não foi suficiente, os dois marcados para a Taça - como a primeira mão aconteceu no tempo do Paleolítico Inferior talvez valha a pena relembrar que fez um grande golo na Luz - foram decisivos. Ontem, deu mais um passo no sentido de se tornar uma lenda em Alvalade, com um lance de génio culminado num remate que deixou o Svilar das Perdizes com vontade de ir à bruxa.

 

Por falar em bruxas, eu não acredito nelas, mas já diziam os espanhóis "que las hay, las hay". Apesar disso, pobre incauto, acreditei que o Ristovski estaria no "derby". Mas não. Se calhar não era má ideia o Conselho de Arbitragem substituir os testes de aptidão física por testes de física, pois as Leis de Newton são princípios de dinâmica (e de inércia) que convinha consultar. Até porque sempre é informação mais científica do que aquela que o senhor Piscarreta anda a propagandear na televisão, nomeadamente quando diz que o jogador Manafá, no Braga-Porto, não teve intenção de pôr a mão na bola porque "estava de olhos fechados". É no que dá confundir cubismo com cubanos, dá tanta vontade de rir que até a barraca "Havana". Já sobre o senhor Mota, que foi premiado pela "exibição" em Chaves com uma indigitação para a primeira semi-final da Taça, não sei se é por ser talhante, mas quando nos apita estamos sempre "feitos ao bife"... 

 

O Conselho de Disciplina puniu Ristovski - o homem parece que foi condenado a uma Via Crúcis - com um jogo de castigo e indeferiu o recurso leonino, mas a injustiça, quer em termos absolutos, quer em termos relativos (vidé lance de Wilson Eduardo sobre Corona no Braga-Porto), da suspensão do macedónio uniu ainda mais a equipa do Sporting. Na natureza, nada acontece por acaso, e o arrefecimento súbito da temperatura em Lisboa foi só o presságio de que a vingança é um prato que se serve frio. 

 

O Sporting começou o jogo a toda a velocidade e nos primeiros 10 minutos andou perto da baliza do Benfica por três vezes, através de remates de Gudelj - melhor exibição desde que joga de leão ao peito - , Bruno Gaspar e Wendel. Apesar do maior ímpeto leonino, assente numa ousada táctica de 3 defesas, lutava-se mais do que se jogava, destacando-se apenas um remate de Luíz Phellype (29 minutos) e um de Fejsa (primeiro e único chuto dos encarnados à baliza durante a primeira parte), ainda assim não verdadeiras oportunidades. O árbitro ia-se perdendo no critério disciplinar, começando por não punir um jogador de cada equipa para acabar salomonicamente a castigar dois inocentes.

 

A etapa complementar praticamente abriu com uma perdida de Seferovic diante de Renan. Respondeu o Sporting com um livre de Bruno Fernandes que embateu na barra. O Benfica vinha com uma postura mais ofensiva e os leões aproveitavam para jogar entre linhas. Luíz Phellype conseguia dominar a bola e segurar os centrais e isso abria boas perspectivas a Bruno Fernandes. Eis então que Keizer, que já anteriormente havia trocado Gaspar por Ilori, provavelmente com receio de que o lateral visse o segundo amarelo, decide meter a "carne toda no assador" (senhor Mota, esta não é para si) e troca Borja por Diaby, passando Ilori para a linha dos 3 de trás. Logo de seguida, Bruno recebeu a bola na meia direita do ataque leonino, driblou para dentro e colocou a bola no ângulo da baliza defendida por Svilar. Com a eliminatória na mão, o Sporting não abrandou o ritmo. O jogo estava electrizante e Seferovic, primeiro, e Raphinha, depois, podiam ter marcado, mas o resultado, com toda a justiça, já não se alteraria. 

 

Ristovski esteve de fora, mas viveu em Bruno Fernandes. Em tempo de cristianismo no futebol mundial, Bruno, a quem também foi concedido um dom imenso, é, hoje por hoje, o grande redentor do sportinguismo. O cordeiro do deus da leoninidade, que dentro do campo se transforma num leão e que, pouco a pouco, vai trazendo de volta aos estádios, cafés e sofás ao pé de um televisor as "ovelhas" que tresmalharam, mas que não deixam de ser sportinguistas como nós. Por isso, perante a Porta 10A, eu confesso: eu sou um brunista (fernandista)! ("Ich bin ein...")

 

Nota: para quem ficou muito escandalizado por Keizer ter admitido gostar mais de ganhar por 3-2  em vez de 1-0, é só para dizer que o holandês ontem preferiu o 1-0...

 

Nota 2: no duelo particular de golos das estrelas de Sporting e Benfica nos "derbies" desta época, Bruno Fernandes esteve a perder 0-2, mas ganhou a João Félix por...3-2. Dado o "hype" que o encarnado atingiu, deve ser coisa para, no mínimo, garantir a Bruno o epíteto de "menino de diamante"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes.

Destaques: Acuña e Mathieu, os delfins de Bruno, Gudelj por ter dado mais ao jogo do que habitualmente, Raphinha pela pressão que fez sobre a linha defensiva benfiquista (é ele que ganha a bola do golo), não a deixando subir, Phellype pela capacidade de segurar a bola no meio campo contrário. Todos os outros, sem brilhantismo, não comprometeram.

golo de bruno fernandes ao benfica.jpg

(Imagem: Record)

03
Abr19

Contas de matemática


Pedro Azevedo

A matemática, que é uma ciência exacta e não esotérica como a arbitragem, ensina-nos quase tudo: o que nos divide, diminui-nos, excepto quando o fraccionamento é pela unidade, situação em que a nossa força se mantém exactamente igual, ou quando o divisor é zero, ocasião em que o nosso poder se torna infinito. Hoje, durante o jogo com o Benfica, todas as desavenças têm de ficar para trás. Apenas uma coisa interessa: somar uma vitória que nos permita vingar o que se passou o ano passado no Jamor. Para que tal aconteça, logo à noite, no estádio ou à frente do televisor, temos de multiplicar o nosso apoio.

02
Abr19

Duelo de "éfes"


Pedro Azevedo

Duelo de "éfes" amanhã, em Alvalade: de um lado, o homem dos tornozelos de titânio, o "sempre em pé" Fernandes; do outro, o miúdo ousado, o "às vezes atiro-me para o chão" Félix.

 

Em ambos a qualidade salta à vista, seja por via do passe de ruptura ou remate de Bruno, seja pela rapidez de execução ou ginga de João. Em comum, partilham uma característica muito própria dos xadrezistas: ainda a bola não lhes chegou aos pés e já têm vários lances pensados. 

 

A manter-se a táctica do jogo para o campeonato, João Félix procurará aproximar-se dos centrais leoninos para obrigar Gudelj a recuar e aumentar o fosso com o meio-campo do Sporting (que tal responder com a táctica dos 3 centrais/defesas?), para que depois Gabriel e Samaris possam entrar à vontade em construção através do passe frontal ou a solicitar as alas, jogando também com as penetrações essencialmente de Grimaldo na esquerda. Quanto a Bruno, deverá procurar os espaços entrelinhas que lhe venham a ser concedidos entre a linha média e a defensiva encarnada. Para que os encontre, o Sporting vai necessitar dos movimentos dissuasores dos alas tão comuns aos primeiros tempos de Keizer, mas novamente patentes no lance do primeiro golo leonino em Chaves. 

 

Fernandes e Félix, a tónica de um derby onde se espera que o futebol se escreva com "F" grande. Escreva ou leia (obrigado Luis Ferreira), não vá o "PH" que há em Raphinha ou Phellype sair do neutro... 

 

P.S. eu jogaria num 3-4-1-2, com Renan; Coates, Mathieu e Borja; Ristovski (queremos cobrir-nos de ridículo pelo mundo?), Doumbia, Bruno F e Acuña, Geraldes (surpresa); Raphinha e Phellype (assim mesmo, dois avançados a cairem em cima dos centrais e a obrigarem o Benfica a recuar 1 elemento, abrindo espaços para Geraldes e Bruno mostrarem a sua superior visão de jogo, pagando-lhes assim do mesmo veneno do jogo para o campeonato).

bruno e joão.jpg

(Imagem: Record)

31
Mar19

Sporting vence Taça de Portugal de futsal


Pedro Azevedo

O Sporting bateu hoje o Benfica, após marcação de grandes penalidades (3-2), conquistando assim a Taça de Portugal de futsal. No final do tempo regulamentar o resultado estava numa igualdade a 4. No prolongamento houve um golo para cada lado, recorrendo-se então aos penáltis. Para o Sporting marcaram Dieguinho, Cardinal, Cavinato e Merlim. Houve ainda um autogolo de um jogador encarnado. Nas penalidades, Cardinal, Dieguinho e Merlim não perdoaram. Destaque para o guarda-redes suplente, Gonçalo Portugal, que defendeu o castigo máximo de Robinho.

07
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O derby em notas musicais


Pedro Azevedo

Renan - Nos golos, quase sempre toca na bola. Para quem acredite em encarnações, numa outra vida terá sido pianista, ou mesmo, carteirista, tal a delicadeza dos seus dedinhos. Já um guitarrista... Desconfio que, se deixar crescer as unhas, ainda se torna um Manitas de La Plata das balizas...

Nota: Mi

 

Gaspar - Um suposto Rei Mago que chegou fora da época, trocando o Inverno pelo Verão e o incenso pelo "insonso" (insosso), e contrariou a boa tradição de presentes trazidos anteriormente por Baltazar (campeão de futebol) e Belchior (futebol de praia). Para não falar do Rei Magos: Allison, com certeza!

Nota: Dó Menor

 

Coates - Ele olha para a direita, e pisca, pisca; ele olha para a esquerda, e pisca, pisca. Deve ser de ficar com os olhos em bico! O que pode um Ministro da Defesa fazer perante umas tropas que parecem estar na "peluda"?

Nota: Fá

 

Ilori - Uma mistura potencialmente perigosa entre o Zip-Zip e o Professor Pardal. O resultado é geralmente a velocíssima produção de invenções que costumam não funcionar bem (para a equipa).

Nota: Mi

 

Borja - Pormenores de brinca-na-areia, mas tudo espremido nem um cruzamento para amostra e culpas repartidas nos 2 golos do Benfica.

Nota: Mi

 

Gudelj - Na misteriosa ordem das coisas, geralmente o mal é apresentado aos pares: são as SS, os NN, o FF (canta mal que dói)... E depois, há também os 2G (Gudelj e Gaspar) que já estão fora de moda (toda a gente sabe que o que está a dar é o 4G), para não falar dos JJ (Jefferson e Jonathan), Ufa, que pesadelo!

Nota: Ré

 

Bruno Fernandes - Recebeu meia-dúzia de passes para o hospital com a cortesia de Gudelj. Falhou passes, sim, nomeadamente quando tantas vezes necessitou de binóculos para encontrar um colega a quem endereçar a bola, mas ganhou a falta e marcou de forma soberba o livre que permite ainda alimentar a esperança na passagem da eliminatória.

Nota: Sol

 

Wendel - Mais adiantado do que é costume, teve nos pés uma oportunidade soberana de empatar a partida. Desperdiçou-a com um bico duvidoso para um brasileiro com fama de craque, que isto de ser Romário não é para todos. Deu-se ao jogo, lutou, mas não teve bola. E quando finalmente a teve... 

Podia ainda ter marcado num excelente remate de fora da área.

Nota: Fá

 

Jovane - Do futebol tem estado ausente, mas aparentemente ao churrasquinho tem dito presente. É que as riscas horizontais não mentem e talvez lhe conviesse usar a Stromp. Só para não terem de o comparar ao Rochemback, claro. Ainda assim, o jovem ala tem uma característica que me agrada: mesmo perdendo a bola, vai sempre, olhos nos olhos, para cima do defesa. Sem medos!

Nota: Mi

 

Luíz Phellype - Fez pressão na frente, desarmou, ganhou faltas, sacou cartões, enfim o possível dada a pouca bola que teve. A continuar assim, o Felipe das Consoantes ameaça ser vogal com papel activo na hora das decisões. A rever...

Nota: Fá

 

Acuña - Se o abecedário começa por A, e a seguir vem o B, também a equipa do Sporting começa no Acuña, e a seguir vem o Bruno (Fernandes, claro). Na fase de maior pressão benfiquista foi o único jogador que conseguiu reter, passar e cruzar a bola em condições. Se é para brincar aos campeonatos, vendam-no já!

Nota: Lá

 

Diaby - Procurou a profundidade, mas o melhor que conseguiu foi dar uma pancada profunda na testa de Svilar. Ainda assim, quase ganhou um castigo máximo que nos teria permitido sair da Luz com um empate.

Nota: Mi

 

Dost - Poucos minutos em campo. "Se fosse em Inglaterra", teria participado da jogada do empate. Godinho não quis assim e nem esperou pelo VAR. (Também era o Capela, não é assim?)

Nota: Ré

 

Raphinha - Não deu nem para aquecer.

Nota: - 

 

(notas: de Dó Menor a Dó Maior)

07
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - Anjos e demónios


Pedro Azevedo

A primeira constatação a fazer é que a lã de vidro do Estádio da Luz não cedeu, o jogo não foi adiado umas horas e assim Ristovski não pôde jogar. Quem também não cedeu foi o Conselho de Disciplina, que andou a enrolar o recurso do Sporting e quando acabou o novelo (ou será novela?) já era tarde de mais. Com tanta lanzeira, a despenalização de 1 jogo teve o efeito prático da manutenção da penalização de (mais) 1 jogo para o macedónio. Confusos? Perguntem ao Dr. Meirim, que deu ao tema um tratamento de lana-caprina. O futebol português no seu melhor...

 

De amarelo (sorriso) comecei o jogo. O Ilori também, ainda a procissão ia no adro. Uma questão de intensidade sobre o Félix, aparentemente. Do sopro...

O Rui Pedro Rocha também começou mal, mostrando desconhecer as regras do lançamento lateral: - "Pisou a linha" - , disse ele. E eu concordo que pisou! O Rocha, obviamente. Adiante...

Ao quarto-de-hora, tudo falhou: Gudelj a intercepção, Borja a falta, Gaspar a marcação, Jovane a compensação, Renan a defesa. O Benfica adiantava-se no marcador após uma impressionante cavalgada de Sálvio que desequilibrou a defesa leonina, com a bola depois a variar de flanco até chegar a Gabriel, jogador com nome de anjo mas pouca vontade de redimir pecados alheios. 

 

O golo madrugador deixou os leões expostos aos seus demónios e a equipa tardou em recompor-se. Demorou outro quarto-de-hora até que Bruno Fernandes desse um primeiro sinal de vida, após assistência de Jovane. A bola acabou nas mãos de Svilar. Até ao final da primeira parte, de registar a saída de Jardel. Bruno Lage estava como o aço e não quis inventar como central um Petrovic lá do sítio: entrou o Ferro. 

 

Na segunda parte, "Muttley" Acuña, o melhor leão esta noite, continuou a ser o único a conseguir segurar, cruzar e passar a bola com qualidade. Num desses lances isolou Wendel. O brasileiro deixou-nos a todos com os olhos em bico, quando de bico chutou ao lado. No futebol há aquela velha máxima de que quem não mata, morre, e tal voltou a verificar-se: cruzamento para a área, Ilori - displicente como há seis anos atrás - vê a bola ali ao pé de si e deixa-a seguir, Borja permite que Félix o ultrapasse e o resto soube-se logo que traria água no bico (anos e anos de uma história de desventuras dão-nos estas epifanias). Logo a seguir, o Phellype preparou a bola para o Wendel, mas o remate voltou a sair ao lado. 

 

Com os deuses da fortuna contra nós, entrou o Diaby (saiu o Jovane). Entretanto, Bruno Fernandes foi contra o mundo até sacar uma falta em zona central. Na conversão do livre, o nosso maestro deixou o guardião benfiquista com vontade de consultar um bruxo em (S)vilar das Perdizes. É que o Diaby andava ali ao lado, e numa jogada pela direita quase ganhou um castigo máximo. De seguida, o Dost chocou com o Svilar fora da pequena área, mas o árbitro marcou falta. Infelizmente, o Bino da SportTV - aquele nosso ex-jogador e comentador do último BragaXSporting a contar para a Taça da Liga -  desta vez não estava lá para dizer "se fosse em Inglaterra". Quem lá estava era o Rui Pedro Rocha que não parou de intimar o comentador Ricardo até que este dissesse que era falta. Pudera, com o lance do Luisão atravessado na garganta...

 

E assim terminou um jogo em que no final todos pareceram estar satisfeitos: o Benfica porque voltou a ganhar, o Sporting porque evitou uma humilhação semelhante à registada em Alvalade e ficou com a eliminatória em aberto. Tudo está bem, quando acaba bem...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña (se é para brincar aos campeonatos vendam-no). Bruno Fernandes sacrificou-se como "8" e ainda teve tempo para marcar um grande golo numa das poucas oportunidades que teve de aplicar o seu remate. Uma nota para a capacidade de luta de Luíz Phellype, que muito se desgastou sem bola. 

 

P.S. Ponham a jogar urgentemente o Idrissa e dêem minutos ao Matheus Nunes (na minha humilde opinião, as melhores contratações de Inverno). Ou então, chamem o Tiririca: pior do que está não fica! 

benficasportingtaça.jpg

05
Fev19

Chaves do Areeiro


Pedro Azevedo

Saiu hoje a convocatória para o jogo de Quarta-Feira com o Benfica, a contar para a 1ªmão da meia-final da Taça de Portugal. Surpreendente é a chamada de três trincos - Oh não, outra vez! - , sobrando apenas lugares no meio-campo para Wendel e Bruno Fernandes (a possibilidade de Petrovic poder ser opção como central está posta de lado, visto que Coates, André Pinto e Tiago Ilori foram convocados). Parece-me perigoso, pois em caso de lesão dos médios mais ofensivos nem sequer temos a possibilidade de colocar Nani no miolo. Outra novidade é o facto de terem sido incluidos três laterais esquerdos (Acuña, Borja e Jefferson), a não ser que Keizer esteja a contar com o argentino como ala. Enfim, pode ter a ver com pequenos toques sentidos por jogadores no rescaldo do jogo de Domingo. (Não encontro outra explicação.) Perante isto, acredito que faremos um jogo de contenção, de forma a tentarmos evitar nova debacle como a de Alvalade.

 

De registar ainda, e mais uma vez, as ausências de Miguel Luís, Francisco Geraldes e Montero por opção. Lesionados, e também fora da convocatória, estão Nani e Mathieu. Ristovski está castigado. Enfim, oxalá corra bem!

convocados.png

15
Jan19

Não houve São Jorge, valha-nos Santa Maria


Pedro Azevedo

Sábado, em Alvalade, não conseguimos derrotar os Dragões. Amanhã, em Santa Maria da Feira, é para ganhar e seguir até às meias-finais da Taça de Portugal. Ou há dúvidas?

feirense sporting.jpg

20
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O segredo do Mona Lisa


Pedro Azevedo

Mais um jogo e as redes a abanarem por mais sete vezes, algo que nem é estranho às gentes da cidade piscatória de onde o Rio Ave é natural. Este jogo de passe/desmarcação do Sporting parece futsal e tem resultados próprios do futsal. Um banquete para os sentidos! Os jogadores são os do início da época, os adeptos são os mesmos, então qual é o ingrediente secreto? O segredo é Keizer. Este treinador é como a Savora, com ele toda a “comida” melhora: Diaby, um jogador de classe média que não tinha marcado nos primeiros dezassete jogos, já leva seis golos nas últimas sete partidas, os outrora mal-amados Gudelj (hoje menos bem) e Petrovic cumprem alternadamente como trincos, Miguel Luís vai crescendo a olhos vistos (precisa de tentar o passe de ruptura), Wendel aprendeu mandarim numa semana, Acuña está feito um senhor lateral, Bruno Fernandes é hoje pouco menos do que omnipotente e até “Bis”(!) Dost marca (ainda) mais, com 10 golos (4 bis) nos 6 jogos que disputou nesta nova era, colocando sempre o seu nome nos goleadores de cada partida. E se Bruno Gaspar ou Jefferson ainda não denotam grandes progressos é porque, pese embora a época natalícia, Keizer é o homem do Renascimento mas não é Deus (embora ameace vir a converter-se num deus para os adeptos leoninos), nem faz milagres.

 

O jogo começou com Renan a tirar o pão da boca de Coentrão, para logo na resposta Acuña (isolado por Jovane) pôr a comida na mesa de Diaby, naquilo que se pode chamar uma entrada à leão. À meia-hora, uma combinação sul-americana (canto de Acuña, cabeçada de Coates) levou a bola a embater no poste da baliza vila-condense. Na recarga, Bas Dost marcou o segundo da noite. Por essa altura, a nossa jovem promessa Gelson Dala começava a evidenciar-se: numa diagonal rápida deixou Mathieu e Acuña presos ao solo e falhou na cara de Renan. Um golo marcado por um jogador sportinguista ao Sporting não seria natural (alô Peseiro), mas a verdade é que se confirmou quando o infeliz Rei Mago Gaspar foi portador de um presente de Natal para os rio-avistas, em cima do intervalo, deixando um suave odor (incenso) de incerteza no ar. Pouco antes houvera ópera, quando Bruno Fernandes com uma recepção perfeita a um centro tenso de “Muttley” Acuña e um pontapé violento alterara uma vez mais o placard, subindo mais uma oitava a sua produção de jogo.

 

Antes do reinício, Bas Dost e Gelson Dala confraternizaram, como que preparando a parceria para 19/20. O jogo reatou-se e o Rio Ave voltou a ter a primeira oportunidade, mas Bruno Gaspar antecipou-se a Carlos Vinícius e salvou um golo iminente. Petrovic já entrara para o lugar de Gudelj, quando Bruno Fernandes tentou por duas vezes, à bomba, desfeitear o guardião vila-condense. Leo Jardim, todavia, já não conseguiu evitar um novo golo de Dost – jogada espectacular entre Acuña, Bruno Fernandes e Jovane, com cruzamento deste último – nem outro de Diaby, assistido por Bruno Fernandes. (Não deixa de ser irónico que, tendo sido o nosso antigo treinador Leonardo Jardim a recomendar Keizer, um seu homónimo já tenha encaixado oito golos com a brincadeira.) Pelo meio, uma enorme jogada de Gelson Dala, ingloriamente desperdiçada por Carlos Vinícius, e um remate de João Schmidt à barra haviam assustado os leões. Já perto do fim, num penálti duvidoso, Vinícius reduziu para 5-2, já André Pinto (contratação para o Ferrari de Jesus que se move à velocidade do carro dos Flinstones) e Ristovski (sério candidato ao prémio de trapalhão do ano) estavam em campo.

 

O Sporting continua imparável, com 30 golos em 7 jogos (média de 4,29) e está a dar-me algum gozo vêr que os comentadores desportivos, que nem sequer deram o benefício da dúvida a Keizer, já não sabem bem o que dizer sobre este fenómeno. Hoje, tivemos um Quinteto Fantástico absolutamente imparável: Bruno Fernandes, Bas Dost, Diaby, Marcus Acuña (o melhor na primeira parte) e Jovane Cabral.

No fim, quando questionado sobre o futebol “simples” do Sporting, Marcel Keizer foi lapidar: "simples é o mais difícil". Este futebol dos leões não é de “descansar com bola” como oiço por aí. Pelo contrário, exige movimentações constantes aos jogadores no sentido de serem criadas linhas de passe. Como tal, precisamos do mercado de Inverno para que se reforcem algumas posições, a fim de que a factura do desgaste não se venha a pagar mais tarde. Para já, a fadiga verga-se ao peso das vitórias, mesmo que hoje só tenham estado pouco mais de 12 mil a apoiar nas bancadas. E não há um sportinguista, jogadores incluídos, que queira acordar deste sonho de Outono, mesmo que Guimarães seja já no Inverno. É que ainda somos um clube desportivo e não um partido político…

 

"Venham mais cinco, de uma assentada que eu pago já..."

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

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