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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

08
Jan20

A peça que pode encaixar melhor no puzzle


Pedro Azevedo

Quando olho para Vietto vejo um jogador intermitente, de rotação média, com técnica apurada e boa visão de jogo mas sem pulmão para receber a bola muito atrás no campo. O argentino é muito mais um 9.5 que um 9, aquele tipo de jogador que ronda a área e precisa de uma referência de ponta de lança para sublimar o seu talento. O problema é que o Sporting não joga em 4-4-2 porque tem Bruno Fernandes e ele não pode ser o 2º avançado que certamente se ajustaria mais às suas características. Também, com ou sem Bruno Fernandes, nunca será verdadeiramente um 10, na medida em que lhe falta a intensidade de um médio, explosividade para chegar à área e potência de remate após deslocações longas. Assim, Silas vê-se obrigado a colocá-lo numa ala, de onde parte para descrever umas parábolas à volta da área. Nesse movimento serve muitas vezes de apoio frontal aos médios, o que retira protagonismo no jogo a Luiz Phellype, um jogador que não tem as características de finalizador de um Bas Dost mas cuja técnica razoável poderia ser útil à equipa no jogo interior. É curioso, pois quando espera por Luiz Phellype para fazer esse papel, e arranca então em diagonal, Vietto torna-se mais perigoso como o comprovam duas das três oportunidades que teve nos seus pés no pretérito Domingo. Simplesmente, a sua má definição à frente da baliza leva-o a perder muitos golos. 

 

Não podendo jogar no 4-4-2 que seria da sua predilecção, talvez Silas o pudesse encaixar num 3-5-2, em que Coates, Mathieu e Neto seriam os centrais, Camacho e Acuña fariam os corredores (o que compensaria a falta de qualidade-extra dos laterais de raiz do plantel), Battaglia, Wendel (Matheus Nunes) e Bruno o meio-campo e ele posicionar-se-ia por detrás do ponta de lança, assim a jeito de um Saviola. Dou o exemplo do "Conejo", ex-jogador do Benfica, porque não é fácil encontrar um antigo jogador do Sporting com características semelhantes a Vietto. Talvez João Pinto, apenas pelo ponto de partida, já que o "menino de ouro" era mais enérgico, driblador e não circunscrevia a sua acção a um T0 como o argentino.  

 

Deste modo, não está em causa a qualidade específica numa certa função de Vietto. O difícil é encaixá-lo num sistema de jogo no actual Sporting. A ala pode ser uma opção no campeonato português, mas duvido que pegue na Europa tendo em vista as tarefas defensivas que é imprescindível um ala cumprir a esse nível de competitividade. Mesmo sabendo-se que Acuña às vezes vale por dois (se o lateral for Borja a opção então é inimaginável), principalmente se o adversário privilegiar, como o Porto o fez, o ataque pelo flanco oposto (algo que duvido que o Benfica de Pizzi venha a fazer). A solução poderia ser o 3-5-2, a única forma possível de compatibilizar as melhores características dos mais importantes jogadores do Sporting (Mathieu, com a sua velocidade e leitura dos lances, no controlo da profundidade; Acuña, com a sua garra, no sobe-e-desce constante; Battaglia, se estiver apto, com 3 centrais nas costas, a potenciar a sua ambivalência entre "6" e "8"; Bruno, com a sua intensidade e explosividade, a criar jogo; Vietto, com o seu futebol de filigrana, a costurar em pequenos espaços frontais à área). Na minha opinião, claro, pois os sistemas devem adaptar-se no sentido de que os melhores possam ir a jogo e isso beneficie mais a equipa do que a prejudique. 

vietto.jpg

10
Nov19

Tudo ao molho e fé em Deus - O codecity para o golo na bota de Vietto


Pedro Azevedo

O Sporting tinha jogado no sistema de 3-4-3 na Noruega. Hoje, contra o Codecity, começou o encontro num 3-5-2, melhorou após a meia hora quando mudou para 4-3-3 e marcou dois golos no momento em que já jogava em 4-2-4, significando isso que foi crescendo no jogo à medida que ia diminuindo o congestionamento de tráfego a meio campo. Ao tentar inicialmente conciliar três centrais com dois trincos (mais 2 laterais/alas que não davam profundidade), Silas acabou por involuntariamente recrear o Largo do Rato às 7 da tarde em dia de semana, provocando um engarrafamento que retirou fluidez à circulação pelo centro. Com tanta gente próxima e a colidir uma com a outra, o trânsito produzia-se num constante arranca-e-para que demorava uma eternidade até chegar a Bruno Fernandes. Com o seu médio de ataque e jogador mais criativo bloqueado, Vietto e Bolasie não tinham bola. Não se estranhou assim que nesse primeiro terço do jogo o Sporting não tivesse rematado uma única vez à baliza. O treinador leonino mexeu na equipa, trocando Neto pelo ala direito Rafael Camacho, descaindo Bolasie para a esquerda e ficando Vietto fixo no centro do ataque. Apesar das melhorias, só através de Eduardo e na sequência de uma bola parada é que o Sporting conseguiu executar um remate enquadrado na primeira parte, sendo que Bruno também causou perigo num livre directo que saiu rente ao poste. Um primeiro tempo paupérrimo!

 

Ao intervalo, o jovem Rodrigo Fernandes, que se estreou a titular aos 18 anos, foi sacrificado. Já tinha um amarelo e a equipa precisava de pressionar mais alto. Para o seu lugar entrou Doumbia. Com o ligeiro adiantamento no terreno de Eduardo começaram a ver-se 3 linhas no meio campo e a circulação tornou-se mais rápida. Mas o antigo jogador do Codecity continua a não dar à equipa aquilo que ela precisa, na medida em que não arrasta a bola com critério como um "8" deve fazer, perdendo-se assim inúmeras bolas pelo centro do terreno. Silas trocá-lo-ia por Luíz Phellype, mudando de novo o sistema de jogo. 

 

Com maior presença na área e Doumbia mais afoito do que vem sendo hábito, o Sporting acabou por resolver o jogo em dois lances insólitos. No primeiro, um jogador do Codecity evitou um pontapé de baliza a favor da sua equipa (remate torto de Luíz Phellype) e deu a possibilidade a Vietto de, num pontapé acrobático, abrir o marcador com um golo de belo efeito. No segundo, com 3 defensores azuis perto de si, o guarda-redes do emblema da Torre de Belém sacudiu a bola para o bis de Vietto, o argentino que foi o herói esta noite em Alvalade. Em ambos os golos, o desequilíbrio partiu da direita por via de Bolasie. 

 

O futebol é o circo romano dos nossos dias. Nesse sentido, o adepto vai à bola para se libertar das tensões acumuladas do dia-a-dia. Isso caso não seja do Sporting, porque um adepto leonino faz o contrário: discute com o cônjuge e embrenha-se no trabalho para se libertar da tensão acumulada nos jogos da sua equipa. É toda uma outra realidade, um outro mundo. Por exemplo: Javier Marias diz que o futebol é a recreação semanal da infância. Para um Sportinguista, é a projecção semanal da velhice. Duvidam? Um sócio ao meu lado hoje teve um esgotamento nervoso enquanto tentava assimilar o nosso momentâneo sistema de jogo. Outro entrou em hiperventilação. Um terceiro, um adolescente, ficou todo grisalho. No final, vários jovens mostravam preocupantes sinais de alopécia avançada. Não se faz. Silas diz que treina os jogadores em vários sistemas. Provavelmente fa-lo-á em quartos de hotel, dado que a proximidade dos jogos pouco tempo dará para os experimentar no campo de treino. Sugiro assim que se passem a fazer estágios só para adeptos. Sempre sairá mais barato do que andar a distribuir desfibriladores pelas bancadas dos estádios onde o Sporting joga. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": "Duetto", o novo Vietto. 

vietto codecity.jpg

25
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - O lusco-fusco


Pedro Azevedo

Jogo ao fim da tarde, imediatamente aproveitado pelo Sporting para entrar no negócio do lusco-fusco, uma ideia que ainda não estava devidamente rentabilizada. Assim, foi com 5/7 minutos de grande diversão e muito intensos que o Sporting se viu rapidamente a ganhar por dois golos, fazendo de Keizer um visionário e de Portimão a capital mundial do lusco-fusco. (Há que puxar a brasa à sua sardinha.)

 

Passado este período, o Portimonense imediatamente reduziu, num lance onde houve precipitação de Mathieu. Mas ninguém terá advertido os leões de que o lusco-fusco já tinha terminado e estes logo ganharam um penálti. Sucede que árbitro e VAR anularam a grande penalidade a nosso favor devido a uma falta (de betão?) ocorrida aquando da construção do estádio dos algarvios, o que como é óbvio aconteceu(?) noutra fase. Um apagão às regras de intervenção do VAR!

 

Num clube onde sempre coexistiram falta de reconhecimento com quem é bom e falta de exigência com quem não cumpre os mínimos, é preciso dizer que Luciano Vietto foi hoje o melhor jogador em campo. Mas também é importante perceber que Vietto pôde brilhar porque durante toda a primeira parte Acuña segurou as pontas, muitas vezes levando de enfiada com ala e lateral. Com Vietto sem preocupações defensivas, a combinar muito bem com Bruno Fernandes e sempre a flectir para dentro, o Sporting esboçou uma espécie de Táctica do Quadrado. Uma versão futebolística inspirada em D. Nuno Álvares Pereira, ou não fosse Marcel Keizer um "santo contestável(!)". 

 

Se, no primeiro tempo, o sucesso do Sporting teve muito a vêr com as diagonais de Raphinha e, essencialmente, com a superioridade na zona central onde apenas Pedro Sá tentava conter os avanços leoninos, para o regresso do intervalo Keizer pediu ao ala argentino para fechar na ala, evitando-se assim que Acuña tivesse de jogar com uma máscara de oxigénio. De quando em vez, sempre compensado por Bruno Fernandes, o antigo jogador do Fulham ia até ao centro e continuava a fazer miséria, algo só interrompido quando Folha finalmente fez entrar Dener para acompanhar o até aí desamparado Pedro Sá. Antes, já o Sporting fizera o terceiro numa jogada de entendimento entre Vietto e Bruno Fernandes, concluída com um tiro indefensável de Raphinha após passe imaculado do maiato. Até ao final do jogo, o Portimonense conseguiu controlar os acontecimentos, com Jackson Martinez à procura do tempo perdido, no jogo e na carreira. Mas o colombiano (hoje) já não foi a tempo e o Sporting assumiu assim, (à hora que escrevo) à condição, a liderança da classificação da Primeira Liga. 

 

Ah!... E o Diaby não jogou... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luciano Vietto (tem de melhorar o remate à baliza). Bruno Fernandes esteve nos 3 golos, Raphinha marcou dois e perdeu mais 1 de uma forma incrível, Luíz Phellype encostou para outro e deu luta à defesa algarvia. "Mutley" Acuña mordeu as canelas de todos quantos passaram nos seus terrenos e Thierry Correia continua a crescer. Os outros estiveram a um nível médio, com Mathieu a impor-se na defesa após um início atribulado. Renan teve uma noite tranquila e quase voltava a defender uma grande penalidade.

vietto.jpg

27
Jul19

Omnipresente "ma non troppo"


Pedro Azevedo

Esta coisa de mudar Bruno Fernandes de posição, na esperança de acomodar com o mínimo de estragos o Vietto no "onze", faz-me muita confusão. Dirão alguns que resultou contra o Liverpool e não deixa de ser verdade, mas duvido que possa funcionar com equipas cuja principal preocupação seja condicionar o nosso jogo. Para estas, quão menos interior esteja Bruno, mais fácil se tornará controlá-lo, na medida em que o seu raio de acção estará diminuido.

 

Eu compreendo que Vietto não seja um ala, não entendo é que se contrate um jogador para uma posição (segundo avançado) que não existe no sistema táctico de Keizer (pelo menos no Plano A), e menos ainda atinjo que seja uma boa solução o deslocamento do melhor jogador da Liga 2018/19 para a esquerda. Bem sei que os laterais esquerdos leoninos (quaiquer que eles sejam) agradecerão não terem o argentino a "ajudar" (fechar na ala), mas por essa ordem de ideias ainda vamos ver Tiago Ilori a ponta de lança: pode não marcar golos, mas fica mais difícil oferecê-los aos adversários.

 

Bruno Fernandes é um médio ofensivo de grandes espaços. Dá ares de Zidane como criador de todo o jogo, lembra Platini na capacidade goleadora e definição na área, assemelha-se a Deco em solidariedade defensiva e compromisso com a equipa - Bruno é um 3 em 1. Nesse sentido, afastá-lo do centro das principais acções é um erro, como igualmente o seria retirar do nosso corpo os nociceptores (terminações nervosas que comunicam ao cérebro a dor) que dão o alerta de apendicite, em vez de simplesmente remover o apêndice. Não faria sentido, pois não? 

 

Bruno Fernandes parece sempre estar em todo o lado no relvado, nesse contexto ele é omnipresente. Mas também Deus o é (globalmente), e nem Ele consegue evitar muita desgraça que anda por aí... 

14
Mai19

O negócio Gelson


Pedro Azevedo

A Sporting SAD anunciou um acordo global com o Atlético Madrid, em que:

1) o clube espanhol compromete-se a pagar a quantia de 22,5M€, renunciando Sporting e jogador a quaisquer direitos inerentes a, respectivamente, contrato de trabalho e rescisão unilateral;

2) na prática, a Sporting SAD compra 100% dos direitos desportivos e 50% dos direitos económicos de Luciano Vietto (últimamente emprestado ao Fulham), por 7,5M€.

 

Algumas coisas a destacar:

1) segundo a imprensa, Sousa Cintra recusou no passado uma oferta de 22M€, mais 10M€ em variáveis, por uma percentagem a definir entre 60 a 70 dos direitos económicos de Gelson;

2) o Director Desportivo do Atlético de Madrid, Gil Marin, chegou a anunciar, em Dezembro de 2017 (mandato de Bruno de Carvalho), o empréstimo de Vietto por 2 M€, com uma cláusula de opção de compra de 10M€, negócio que abortou devido à recusa do jogador em vir para o Sporting, ou seja, a tentativa de negócio é antiga e vem de outra Administração, mas os valores de transferência na altura eram inferiores (a avaliação em 15 M€ dos direitos económicos de Vietto parece-me manifestamente exagerada neste momento);

3) Desde Janeiro de 2018, Vietto representou o Valência e os ingleses do Fulham. Somado, realizou 41 jogos, com 6 golos marcados e 5 assistências;

4) Gelson Martins e Vietto estão, respectivamente, avaliados em 28 M€ e 6 M€ pelo site Transfermarket, sendo que o primeiro valorizou-se de 20 para 28 M€ desde que foi para o Mónaco e o segundo depreciou de 10 para 6M desde Janeiro de 2018 (dados Transfermarket de Valor de Mercado);

5) o Mónaco, clube que recebeu Gelson por empréstimo e que alegadamente estará interessado na sua compra, ainda não assegurou a permanência na Ligue 1, pormenor que poderá fazer toda a diferença na sua disponibilidade efectiva para comprar o jogador, o que indelevelmente aumenta a incerteza do lado do Atlético (mau à partida para as pretensões do Sporting) na realização de uma boa venda. Adicionalmente, será difícil alguém comprar o jogador sem acautelar o ónus potencialmente superveniente de uma decisão hipotéticamente desfavorável para o jogador  em sede de Tribunal (bom à partida para as pretensões do Sporting, na medida em que impele à abertura para negociar);

6) não se sabe se os valores anunciados são liquidos de comissões e outros encargos;

7) não conhecendo a opinião do experiente advogado contratado pelo Sporting para dirimir o caso, não sei se está mais ou menos confiante na decisão do Tribunal. Nestas coisas há sempre algum "bluff", e muitas vezes o que se diz publicamente não encontra correspondência no que se pensa. Em traços gerais, seria sempre mais interessante a questão ficar resolvida fora do Tribunal, dado que se eliminaria a incerteza. Mas isto é válido para todas as partes: Sporting, Atlético de Madrid e jogador.  

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