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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Jun20

Tudo ao molho e fé em Deus

Um Jovane à solta no berço da nação


Pedro Azevedo

Um maradoniano Jovane, um irrequieto e oportuno Sporar e um Camacho finalmente revelado na posição certa não foram suficientes para o Sporting sair do Afonso Henriques com os três pontos. O que faltou? Desde logo, eficácia - Vietto, por duas vezes, Sporar e Jovane perderam golos cantados na cara de Douglas - , mas também um meio campo que não funcionou - Battaglia muito trapalhão e Matheus Nunes inibido e escondido do jogo - , erros individuais (Max) e má sorte (ressalto que deu o segundo golo do Vitória). Além disso, Marcus Edwards foi sempre um diabo à solta, explorando o espaço existente entre Acuña e Mathieu, conseguindo assim constrangir a subida no terreno dos leões após terem ficado em superioridade numérica. 

 

O Sporting empatou no presente, mas, ao contrário do que tinha vindo a ser habitual, não empatou o seu futuro, e isso foi o melhor que se tirou de um jogo onde a equipa leonina se apresentou desde o início com Max, Quaresma e Matheus Nunes (duas estreias) e Jovane Cabral, jovens da Formação, e durante a partida ainda recorreu a Plata (Camacho fez parte da sua formação em Alcochete, mas custou 5,6M€ para ser resgatado ao Liverpool). 

 

Jovane esteve num nível superlativo, com uma assistência, três passes para golo, a expulsão provocada por uma acção de ruptura sua e um irrequietismo permanente que pôs a cabeça em água à defesa dos Conquistadores. Além disso, protagonizou dois momentos de pura magia numa cabine telefónica (junto à linha de fundo), um em cada parte, só ao alcance de predestinados. Apresentando-se com uma disponibilidade física superior à da maioria dos jogadores presentes no relvado, as suas movimentações abriram imensos espaços no último reduto vimaranense. Infelizmente, na frente, só Sporar (dois golos) o acompanhou a bom nível, na medida em que Vietto voltou a exibir a sua esmerada arte de perdoar em frente da baliza. A actuação do cabo-verdiano esteve muito perto de merecer a nota máxima, tendo apenas lhe faltado o golo para atingir a perfeição.  

 

Quanto a Ruben Amorim, esteve na globalidade bem. Apostou nos miúdos e lançou dois jogadores nos corredores com grande propensão ofensiva (Camacho e Acuña, este último ontem a meio-gás), ambos suportados no sistema de 3 centrais, mostrando assim uma ideia de futebol em consonância com o clube grande (enorme) que representa. Sendo certo que a genialidade de Edwards expôs que a mecanização entre os laterais/alas e os centrais ainda está longe de ser a necessária e que ao miolo do terreno faltou clarividência e maior assumpção do jogo, a verdade é que o Sporting revelou trabalho no regresso à competição. Como sinal menos a entrada de Doumbia, o que viria a impedir posteriormente uma melhor definição das posições "6" e "8" a partir do momento em que os leões passaram a ter mais 1 jogador em campo. Aliás, o duplo-pivot à frente de 3 centrais parece-me ser o grande equívoco deste sistema de Ruben Amorim - quando em postura defensiva (linha defensiva de 5), enquanto nas alas o lateral do lado da bola sai e a defesa fica a 4, no centro não parece haver essa rotina (saída à bola de um dos centrais) - , notando-se claramente a ausência de um médio centro capaz de transportar verticalmente a bola desde trás. Na ausência de Wendel, Matheus Nunes poderia e deveria ter sido esse jogador (tem qualidade para isso), mas a verdade é, que muito amarrado (pelo sistema e/ou por o que pareceu ser medo cénico e inexperiência), pouco ou nada ousou. De todo o modo, nota positiva para o treinador leonino, que viu a sua equipa sofrer 2 golos fortuitos que impediram o que teria sido uma justa vitória. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral (parte consecutivamente para cima dos adversários, procurando o 1x1, sem complexos).

jovane2.jpg

4 comentários

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    Pedro Azevedo 05.06.2020

    Caro JG,


    como digo em cima, empatámos mas desta vez pelo menos não empatámos o futuro. Houve, por isso, como bem diz, coisas positivas a retirar deste jogo, como a aposta na juventude e as movimentações gerais da equipa. Foi tudo perfeito? Longe disso. Nem poderia, em jogo de pré-época de uma terceira volta da nossa liga. Como pontos menos conseguidos destaco o papel pedido aos médios centro, que me pareceu redutor independentemente do menor desempenho individual de Battaglia e de Matheus - por sistema não gosto de duplo-pivot, menos ainda com 3 centrais por detrás - e a forma como Ruben mexeu a partir do banco. Creio também que, a dado momento, o pânico face às movimentações de Edwards prevaleceu mais na mente dos jogadores do que a superioridade numérica em campo. Quanto ao resto, Ruben não tem culpa de erros individuais, ressaltos (in)felizes ou inglórios falhanços à frente da baliza. O Sporting fez o suficiente para vencer dois jogos. Já sabemos, e isso é mostrado em sessões contínuas em Alvalade, que Vietto tem pouco golo. Sporar é inteligente na procura dos espaços, mas não é rápido nem extraordinário de cabeça e temos poucas opções. Penso também que Geraldes e Pedro Mendes poderiam ter sido úteis à meia-hora e 75 minutos, respectivamente. A mecanização entre os laterais/alas e os centrais do lado da bola necessita de afinamento e ontem Camacho e Acuña deixaram muito espaço nas costas para Davidson e Edwards. Mas dou nota positiva ao que vi e espero que continuemos a desenvolver os miúdos e as rotinas. Assim, pelo menos, independentemente do presente, ganha-se o futuro. Por último, lembrei-me agora que o Plata apareceu desnecessariamente em espaços que são essencialmente do Camacho, faltando em outros. Aos dois por trás de Sporar pede-se que que sejam mais interiores, o comprimento pelo lado exterior tem de ser assegurado por Camacho e Acuña.

    Saudações Leoninas

    PS: o Jovane destacou-se mesmo dos demais.

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    JG 05.06.2020

    A entrada do Plata foi um desconseguimento, para recorrer a um neologismo muito em voga.
    Plata foi empatar Camacho. Faltou alguém para jogar no site onde Bruno Fernandes resolvia. Geraldes podia ter ajudado substituindo Vietto, "o ausente". Mas parece que continua a vender gamebox's.
    Sporar tem dois "pequenos" problemas: é lento e inexistente no jogo aéreo. Mas a inteligência na desmarcação e alguma eficácia frente à baliza fazem dele o melhor avançado do plantel. Até porque não temos ninguém capaz de cruzar. Temos o Acuna e do lado direito Camacho tende a concluir em vez de servir.
    Plantel desiquilibrado depois de tantas intervenções cirúrgicas leva-nos a questionar os operadores. A formação é o nosso SNS depois da pandemia que arrazou o plantel que Varandas recebeu de Cintra.
    Aprender com o erro não é dramático. Dramático é uma tendência -mórbida? - para não reconhecer o erro.
    SL.
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    Pedro Azevedo 05.06.2020

    Bruno Fernandes era simultaneamente um ‘8’ e um ‘10’. E defendia, também. Pegava na bola atrás, em sítios que Vietto nunca pisou nem sabe que existem. Num jogo deste tipo não tenho dúvidas de que resolveria. Infelizmente, perdemos vários anéis em função de uma operação de barriga aberta às nossas finanças denominada de “cirúrgica’’ . Ao menos parece que se aprendeu alguma coisa com isso, embora eu seja tentado a pensar que é a condicionante financeira que está a obrigar a apostar nos miúdos. Temo porém que seja para os vender rapidamente. Entretanto, verifico que o Ilori, o Borja e o Eduardo estão a respeitar as regras de distanciamento social e isso parece-me de louvar. O mesmo em relação ao Jesé, Bolasie e Fernando que até voltaram a casa.

    O Braga perdeu, estamos mais perto do terceiro lugar. Os astros mais uma vez parecem estar a alinhar-se a favor da famosa Estrutura. Pena é que tal apenas se expresse por episódicos balões de oxigénio e não haja fôlego para perpetuar esse(s) momento(s).

    SL
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