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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

13
Jun20

Tudo ao molho e fé em Deus

“Jovanotti”, o rap(az) da Formação a dar música em Alvalade


Pedro Azevedo

Três meses depois, o Sporting voltou a apresentar-se em Alvalade. Ou àquilo que as televisões garantiram ser Alvalade, podendo perfeitamente ter sido um estúdio na Venda do Pinheiro, que isto dos Reality Shows que apresentam a banalidade do quotidiano só precisa de um cenário a condizer. Com o suposto regresso a casa, retornou também a ladainha da inexperiência e juventude dos jogadores como causa próxima de uma exibição menos conseguida, reminiscência daquelas conferências de imprensa de Silas em que ele encontrava sempre uma boa justificação para a derrota na utilização de jovens da Formação. O problema destas coisas é termos memória e a alternativa aos jovens da Academia remeter-nos sempre para aqueles "gloriosos" meses vividos anteriormente com as cantorias de Jesé, os tropeções na bola de Bolasie e a enfermaria de Fernando. Aquilo é que (não) era! Para quem já se esqueceu, nada como o momento revivalista que consistiu na troca do jovem Matheus Nunes pelo Eduardo Pés de Barro, esse personagem tão vítima da sua própria inocência que mais parece saído de um filme de Tim Burton (Batman, o argentino, hoje não actuou) com enredo baseado num sonho do rei Nabucodonosor da Babilónia (*). Foi elucidativo!

 

(Verdade seja dita que pelo menos Ruben Amorim tem o mérito de ser consistente nas suas apostas, não desistindo dos jovens à primeira contrariedade e dando-lhes estabilidade e confiança para desempenharem o seu papel da melhor forma.) 

 

O Departamento da Defesa do Sporting voltou a ter a sua sede no Pentágono, realidade que só por si já faz de Ruben Amorim um líder NATO (ou será 'nato'?) em tempo de Guerra Fria em Alvalade. Hoje a missão era passo a Paços destruir o submarino amarelo. O Pentágono, como já se sabe, é compreendido por três centrais e dois trincos que jogam tão perto uns dos outros que o objectivo será certamente entre eles existir um "Ground Zero". Para complicar um pouco mais a tarefa, Mathieu, o Ministro da Defesa e aquele que tem mais saída de bola, não jogou. Valeu então a maior desinibição de Matheus Nunes face ao jogo de Guimarães e o regresso após lesão de Wendel para que o Sporting conseguisse ter algum jogo interior de aproximação à área adversária. Ainda assim, a circulação fez-se essencialmente em zonas muito recuadas do terreno, entrecortada por chutões para a frente (ou atrasos para Max) quando a pressão pacense era mais eficaz e deixava a nu a falta de saída com bola de Coates e Borja. Apesar do controlo geral das operações, os leões na primeira parte só conseguiram criar perigo numa desmarcação subtil de Vietto para Sporar que o esloveno desperdiçou em frente da baliza. Com esta acção, a sua única digna de registo, Vietto deu por terminada a participação no jogo, pois pouco depois sofreu o que pareceu ser uma luxação num ombro. Entrou Plata, e o Geraldes lá ficou a fazer contas aos 10 minutos da ordem que lhe haveriam de caber quando o jogo estivesse em desordem e a bola só andasse pelo ar. No fundo, àquilo que os especialistas designam de uma oportunidade perdida...

 

Regressados do balneário, os leões voltaram a ter em Jovane um dinamitador do jogo. Logo a abrir, o cabo-verdiano entrou em aceleração pela esquerda, driblou dois pacenses sem passo para o acompanhar e serviu um desmarcado Sporar para um golo que teria sido fácil caso o esloveno não tivesse tentado antecipar a jogada dando um passo a mais. Não conseguindo assistir, Jovane procurou resolver por ele próprio: chamado a cobrar um livre directo à entrada da área, o avançado arrancou um míssil indefensável que bateu na quina da barra e ressaltou para dentro da baliza. Matheus Nunes ainda recargou para golo, mas, como a transmissão televisiva esclareceu, a bola já tinha entrado. O Sporting apanhou-se merecidamente na frente do marcador, mas nos últimos 20 minutos, com a substituição de Matheus por Eduardo, acabaria por perder o controlo das operações a meio-campo. Os pacenses começaram a explorar debilidades nossas, como a falta de velocidade de Coates, o deficiente posicionamento de Borja, ou as perdas constantes de bola de Camacho - Quaresma foi de longe o nosso defesa mais competente - , e tiveram uma óptima oportunidade nos pés de João Amaral. Max esteve à altura e defendeu, mas Rui Costa apitou penálti por alegada falta cometida pelo colombiano Borja. O VAR acabou por aconselhar a mudança de decisão e nos lares Sportinguistas por todo o mundo respirou-se de alívio. Até ao final do jogo, os leões não conseguiram segurar a bola, com Plata a ligar o complicómetro vezes de mais para o pobre coração de um adepto, pelo que o resultado esteve sempre incerto. Acuña, fora de forma, saiu e deu lugar a mais uma estreia a assinalar, a do jovem Nuno Mendes. Max, por duas vezes, voltou a evitar o pior na melhor fase do Paços de Ferreira. No entanto, o jogo não terminaria sem que mais uma magistral arrancada de Jovane criasse sensação de golo. Infelizmente, a bola estrelou na barra, tal a fervura aplicada no remate.

 

Enfim, ganhámos! E à falta de nota artística (por exemplo, Benfica e Porto têm sido de uma pobreza franciscana), três pontos e sete jovens da Formação lançados (não considero Camacho, que custou 5,6 milhões de euros e saiu da Academia com, creio, 13 anos) merecem uma boa nota técnica. Só espero é que a necessidade de "nota" para pagar tantas contratações cirúrgicas (ouro, prata, bronze, ferro e... barro, muito barro) não leve a que alguns saiam prematuramente, não concretizando o seu potencial desportivo connosco. Em especial o Jovane, o mal-amado de que tanto gosto.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral (2º jogo consecutivo). Menções honrosas para Eduardo Quaresma, Max, Wendel e Matheus Nunes. Pela negativa destacaram-se Camacho, Borja, Plata e Eduardo. Os restantes estiveram num nível mediano.  

 

(*) O sonho de Nabuconodosor continha uma estátua de um homem imóvel (de ouro, prata, bronze, ferro e barro), que seria a interpretação da manutenção do seu império até ao final dos tempos. Mas, devido à fragilidade do barro, bastaria uma pedra para destruir o sonho do rei e 24 anos após a sua morte a Babilónia haveria de ser conquistada pelos persas de Ciro, o Grande. 

jovanefestejopacos.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 14.06.2020

    Não pode comparar o caso Rochemback, audível para todos, com algo que nem o senhor nem eu sabemos o que aconteceu (a ter acontecido alguma coisa). A ComunicaÇao (ou Opinião, já não sei bem) do Sporting acabou de mostrar que não admite que se ponha em causa o profissionalismo de Mathieu, pelo que sugiro que não atribua ao jogador comportamentos semelhantes ao que o brasileiro que citou teve. Sob pena de os labéus sobre jogadores serem discricionários e ao sabor da coerência e das conveniências de cada um. Então agora já se pode atacar assim livremente um jogador que sempre foi um exemplo em campo e que é geralmente percepcionado como um dos elementos de qualidade do plantel, apontando-lhe questões disciplinares que a própria ComunicaÇao do clube desmente? Se houve uma questão técnica relacionada com o Amorim ter entendido que o Mathieu não treinou tão bem, mesmo sabendo-se que se calhar na sua idade a gestão da condição física e psicológica é importante face ao compreensível desgaste de uma longa carreira, então tudo bem, é um critério de Amorim, deve ser respeitado mesmo sabendo-se que, havendo objectivos comuns para cada colaborador, a forma de lá chegar pode e deve diferir consoante a idiossincrasia e circunstâncias de cada um. Quanto à questão da autoridade que uma chefia deve ter, estou de acordo. Uma coisa é o poder, que é instituído , outra, é a autoridade, que tem a ver como os colaboradores veem o seu chefe. O que desejo é que quando haja pontual não sintonia que tal não se torne público. Por uma questão muito simples: não é a mim que o Amorim deve convencer de que é um líder, mas sim aos jogadores. Do meu lado, o que posso constatar é que os miúdos estão a jogar e que até agora se tem notado consistência nessas apostas, não deixando cair os jogadores à primeira oportunidade não tão bem conseguida. E isso parece-me ter tido um efeito positivo, como se viu no caso de Matheus, jogador em que deposito esperanças. Além disso, Amorim tem-se revelado corajoso, é a minha percepção também.

    Quanto ao resto, Santo António e et caetera e tal, o senhor já sabe que não alinho nesses (seus) carnavais. É uma cópia (para bom entendedor) das suas, ou dos seus múltiplos heterónimos, ‘gentilezas habituais’, para as quais em nada contribuí (mas o que é que isso interessa quando se quer tentar fazer passar uma mensagem, não é verdade?). Tenho pena, mas não tenho de ser eu a mudar, até porque sei exactamente quando e porque esses pequenos remoques começaram a acontecer e o quanto injustos são. Meu caro, sou sócio há 40 anos, várias gameboxes, não sou mais do que ninguém, mas também não aceito lições de Sportinguismo de ninguém. E sim, o Sporting para mim sempre foi um grande da Europa. E eu, como sócio e adepto, procuro preservar esse estatuto e o lema do nosso fundador. Como aliás é o dever de cada um. Comentando as coisas como as vejo, sem cartilhas, elogiando o que é de elogiar e criticando o que não me parece bem. Nesses casos contrapondo com o que penso que deveria ter sido feito. Como aquando das ‘contratações cirúrgicas’, como quando penso em ‘formar para ganhar’ em detrimento do ‘formar para vender’. Fundamentando.

    O Jovane? O Matheus? Fico muito contente, até por motivos que a honestidade intelectual deveria reconhecer.

    SL
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