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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

11
Jul20

Tudo ao molho e fé em Deus

Jovane resolve!


Pedro Azevedo

Em "Repeated games with incomplete information", os matemáticos Robert Aumann, Michael Maschler e Richard Stearns, que contratados por uma agência governamental americana elaboraram estudos e estabeleceram padrões úteis nas negociações sobre desarmamento durante a Guerra Fria, explicam que quando as pessoas interagem, elas usualmente já o fizeram no passado e é esperado que o voltem a fazer no futuro. Este elemento de continuidade é estudado na Teoria dos Jogos Repetidos e visa prever fenómenos como cooperação, altruísmo, secretismo, confiança, castigo ou vingança. O ponto principal do livro é que há informação vital que pode ser retirada da acção de um jogador, sendo certo no entanto que por vezes o jogador pode esquivar-se a tomar certas acções de forma a evitar essa revelação (exemplo típico do póquer). Sendo altamente provável que Aumann, Maschler e Stearns não conheçam o futebol português, desconhecerão por certo que as conclusões do seu trabalho se aplicariam na perfeição à arbitragem portuguesa a ao Coates ("os jogadores"). Ao uruguaio, na medida em que erroneamente interpretou o sinal de que nada lhe serviria cair ao chão após um agarrão (Moreira de Cónegos) e no jogo de ontem libertou-se de quem o agarrava e cabeceou a bola para logo ser sancionado pelo árbitro, sendo assim sempre prejudicado independentemente do comportamento adoptado. Aos árbitros, porque transmitem informação contraditória e enganadora, ora não punindo um agarrão ao Coates e sua posterior queda na grande área do Moreirense, ora punindo o Coates por se ter libertado de um agarrão na grande área do Santa Clara. Tudo isto traz à colação a atitude tomada por Lorde Rothschild na Bolsa de Londres, em que, antecipadamente sabendo por um dos seus informadores da vitória do Duque de Wellington na Batalha de Waterloo, mandou o seu homem de confiança vender acções (criando a percepção nos especuladores de que os ingleses haviam perdido a batalha e provocando o pânico de venda no mercado) enquanto simultaneamente encomendava a múltiplas pessoas cuja ligação a si era por todos desconhecida que comprassem em baixa o máximo possível de títulos accionistas. Conclusão: em Portugal há sempre um vasto conjunto de agentes que contribuem para que os jogos do Sporting se repitam sempre com informação incompleta, aquilo a que os comentadores do fenómeno depois traduzem por critérios. Por isso, se calhar a solução é o Coates posicionar-se à entrada da área, fingindo que vai participar no lance e concentrando em si as atenções, para posteriormente alhear-se enquanto outros colegas atacam a bola. É que não temos Lorde Rothschild, mas fomos fundados por um visconde...

 

A primeira parte foi sofrível, de um futebol quase sem balizas. O Sporting devia ter marcado por Doumbia - o costa-marfinense quase era herói, ele que lateralizou e passou a bola para trás 99% do tempo - naquele lance em que Coates esteve envolvido, e o Sporar voltou a falhar escandalosamente um golo cantado pelo Jovane, à semelhança do já ocorrido com o Paços. O Santa Clara pouco fez também, mas quase se adiantou no marcador mesmo no fim da primeira parte. O intervalo chegou sem mais nada a registar. No regresso, tomámos o controlo das operações. Por duas ou três vezes o Quaresma isolou o Ristovski na direita e por duas ou três vezes o macedónio cruzou mal. Até que acertou, mas o excesso de altruísmo do Nuno Mendes acabaria por resultar em falta de eficácia. O Jovane lá ia criando os envolvimentos dentro da área, mas na hora da verdade sempre aparecia um pé açoriano a desviar a bola. Eis então que o Wendel faz um passe longo para as costas da defesa açoriana, a cair sobre a quina da pequena área. A bola parecia perdida, mas o Jovane, mesmo apertado, ataca-a e com o pé esquerdo põe a bola junto ao ângulo superior da baliza. Um golão! 

 

O Jovane marcou assim o seu quinto golo pós-desconfinamento. Dos seus pés saiu ainda uma assistência para um golo em Guimarães e o toque subtil de calcanhar de onde resultou uma penalidade e golo contra o Tondela, num total de 7 acções preponderantes para os 11 golos marcados pelo Sporting (63,6% de participação nos golos) neste período. Isto para além de uma série de passes para golo ingloriamente desperdiçados pelos seus colegas (só entre Vietto e Sporar já se perderam meia-dúzia). Por isso, quando as bancadas do José Alvalade puderem voltar a estar repletas de público, é possível que o espírito de Liedson se possa reviver num cartaz que diga "Jovane resolve!" (repeated games). Essa seria a única informação (completa) em que poderíamos confiar.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral. Menções honrosas para Wendel, Quaresma, Nuno Mendes e Acuña. O argentino ajudou a ligar o jogo desde trás, experimentando mais uma posição no onze, mas acabaria uma vez mais por ser vítima da sua própria impetuosidade e vai ficar fora do jogo no Dragão (para um jogador do Sporting "à bica" do quinto amarelo o que parece sempre é, e essa é a informação vital que se pode retirar da acção de outros "jogadores").

jovane 5.jpg

6 comentários

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    Pedro Azevedo 11.07.2020

    Queria só acrescentar algo sobre o Sporar: quando chegou eu fiz um pequeno comentário em que referi que me parecia um jogador de transições e de procura de espaço nas costas da defesa. Reconheço-lhe também alguma capacidade de segurar a bola e de servir de pivô, mas hoje é claro que não é um rato de área, pois não é forte de cabeça nem tem aquele dom de adivinhar por onde a bola pode passar. Quando tem avenidas pela frente consegue posicionar-se de forma a encontrar espaços entre a defesa e ficar de frente para a baliza, sendo essa a sua principal qualidade. Como tal, a mim, que sempre me fez espécie a comparação precipitada com Slimani, faz-me lembrar o van Wolfswinkel, mas sem jogo de cabeça. Ambos sem grande velocidade de ponta, mas inteligentes na desmarcarão para o espaço livre e exploração dos espaços deixados por defesas subidas e fora da grande área.
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    Anónimo 11.07.2020

    Slimani, que saudades!..atitude irrepreensível que contagiava a equipa...consciente das suas limitações, mas a lutar por todas as bolas! Não sou muito a favor dos regressos para terminar a carreira no sporting mas para slimani abria claramente uma exceção!

    SL

    FV
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    Pedro Azevedo 11.07.2020

    É engraçado que fisionomicamente sendo muito diferentes Slimani e Liedson tinham essa característica comum de lutar por todas as bolas. Foi uma pena Derlei se ter lesionado, porque quando juntámos Derlei com Liedson aquilo eram duas feras esfomeadas à solta, um pesadelo para os defesas. O Slimani também é isso. Eu gostaria muito que se fosse buscar o Samatta. Mal empregado naquela equipa do Aston Villa. Se os Villains descerem, como aliás se perspectiva, estará ali uma bela oportunidade de negócio num jogador que é bom dentro e fora da área. Não tenho dúvidas de que o tanzaniano faria furor por cá, ele que até numa pequena equipa como o Genk fez 3 golos nesta edição da Champions. Não podendo ter este, o Slimani, apesar da idade, seria uma boa opção.
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    The Kind Nihilist 13.07.2020

    Era bom o Samatta, mas eles não andam a dormir na Premiere :)
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    Pedro Azevedo 13.07.2020

    Bom dia, meu caro.

    Se os Víllains descessem... Mal empregadimho o tanzaniano ali no meio dos Villains. A bola quase nunca lhe chega.

    Como acredito em comprar 2-3 jogadores de qualidade em vez de um contentor de pernas de pau (geladinhos ficamos nós da primeira vez que os vemos em campo), creio que seria dinheiro bem investido. Neste momento seria negócio para se fazer abaixo dos 10 milhões. Ora, como pensaria reduzir custos anuais em redundâncias em mais de 30 milhões (inclui FSEs), haveria dinheiro para este tipo de jogadores.

    Saudações Leoninas
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