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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

Retratos de Rubens


Pedro Azevedo

A conclusão que se poderá tirar deste jogo é que provavelmente a nossa selecção teria ficado melhor no retrato se Fernando Santos houvesse optado por separar ("split") os Rubens. É que se o estilo barroco de Dias se traduziu extravagantemente no marcador, o estilo bacoco de Semedo na abordagem aos lances, misto de excesso de confiança e de um sem medo a roçar a displicência, poderia ter deitado tudo a perder. E é pena, até porque a qualidade (abundante) está lá. Mas, o tempo passa, as falhas de concentração exasperam e deixam qualquer um de rastos (rastas?).

 

Ao contrário do jogo com a França, desta vez a nossa equipa manteve as linhas bem próximas. Num campo cheio de sulcos e muito esperançoso para o cultivo de tubérculos, coube a Moutinho a batata quente de assegurar a ligação do jogo, tarefa que cumpriu com aproveitamento. Todavia, com Ronaldo (ansioso sempre que se aproxima de um novo recorde) e Jota abaixo dos seus níveis habituais de eficácia e Felix e Bruno muito fora do jogo, Portugal, disposto em 4-4-2, sujeitou-se a que os croatas, com a sua qualidade técnica, numa transição rápida fizessem a diferença no marcador. Desse modo, fomos para o intervalo em desvantagem após uma má abordagem defensiva da nossa equipa ter sujeitado Rui Patrício a um pelotão de fuzilamento. 

 

No reatamento, após uma falta nas imediações da área croata, Portugal rapidamente ficou em vantagem numérica no batatal de Split. Na conversão do livre, Ronaldo mandou uma daquelas bolas curvas e cheias de efeito tão comuns no basebol e Livakovic sacudiu como pôde. Os Rubens combinaram e tiraram-lhe o retrato. Bradaric exclamou e Juranovic ajuramentou a igualdade no marcador. Pouco tempo depois, mãozinha marota de Jota sem VAR e Felix a marcar aos trambolhões. Pensava-se que o jogo tinha terminado aí, mas mais uma abordagem macia de Ruben Semedo a um lance e uma deficiente leitura de jogo de Danilo, atraído pela bola e esquecendo-se de cobrir a entrada de área, combinaram para permitir aos croatas restabelecerem a igualdade. O esgar contínuo de pescoço de Fernando Santos era o retrato fiél do que se passava em campo.

 

Fernando lançou Cancelo e conjuntamente com Nelson Semedo passámos a ter duas motas nas alas. Bernardo também entrou e logo falhou um golo digno dos "bloopers": com o guarda-redes no chão, a bola saiu caprichosamente por cima da baliza. Trincão agitava o jogo e justificava a chamada em cabines telefónicas. O jogo aproximava-se do fim e a igualdade teimosamente persistia no marcador. Lovren, após a expulsão de Rog o único não "ic" em campo do lado croata, insistia em orientar a equipa no sentido de virar a página do seu insucesso recente. Nada como fazer entrar Brekalo para assegurar o mesmo propósito, pensou o seleccionador croata. Até que o guarda-redes largou uma bola perfeitamente ao seu alcance e Ruben Dias pintou de novo a manta. Apesar disso, a imagem que ficou não foi a melhor, como aliás Fernando Santos deu conta no final do jogo. Bons tempos estes em que se lamenta uma exibição menos conseguida após uma vitória no relvado(?) do vice-campeão do mundo!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ruben Dias

croácia portugal.jpg

5 comentários

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    Pedro Azevedo 18.11.2020

    O Brekalo era mais para virar... Mas pode ser à inglesa (“break”) que fica muito bem.

    Tenho muitas influências de culto para mim. Tem razão, Goscinny é uma delas, os Monty Python são outra. O ter vivido numa terra onde não se receia perder a compostura por mostrar sentido de humor também ajudou. É bom sorrir para a vida, mais a mais nestes tempos em que nos querem empurrar para os extremos.

    O livro do Asterix de que gosto mais é “A Zaragata”. Penso que aí, à volta da personagem de Tullius Venenus, o cara de arenque, o Goscinny tocou no Olimpo.

    Obrigado, meu caro.
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    Luis Antonio S Ferro 18.11.2020

    Tem razão quanto ao Brekalo. Estou a ver que, com um vocabulário tão rico, outra das suas influências terá sido o Camilo, cuja leitura exige permanentemente um dicionário ao lado.
    SL (L de Leoninas, claro, mas por que não também de Literárias?)
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    Pedro Azevedo 18.11.2020

    Já agora, o mais próximo que estive do Eça foi quando visitei a sua casa em Havana, agora um bar de mojitos. O que o Eça não se fartaria de rir hoje em dia com os personagens acacianos que andam por aí...

    SL
  • Sem imagem de perfil

    Luis Antonio S Ferro 18.11.2020

    Tem que ir a Tormes um dia. Eu também sou mais Eça que Camilo, mas o Camilo tem muito que se lhe diga. Eça vs Camilo não tem nada a ver com Sporting vs Benfica. E ainda bem.
    Saudações Leoninas (por extenso, para evitar ambiguidades)
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