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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

“The plot thickens!”


Pedro Azevedo

Caro Leitor, depois do Keizer, Leonel e Silas, ficámos convencidos que o Rúben era o careca bom. É certo que sem nível, dizia-nos um Zé Pereira folião e sempre disposto a tocar bombo em carnavais que envolvam o nosso Sporting, mas bom. Bom, na verdade, nós sabíamos de antemão que o Rúben não era propriamente careca, aquilo era mais um pente três ou, melhor dizendo, um pente 3 pontos. E de 3 pontos em 3 pontos, de vitória em vitória, a nação leonina ia regozijando. Mas agora o Rúben deixou crescer o cabelo e ao contrário de Sansão parece que perdeu a sua força. Para piorar o cenário, passou a ter nível. Ora, sobre o nível apropriado para treinar o Sporting os nossos adeptos até podiam ser dramaturgos. Tanto que cada um poderia substituir Ésquilo ou Sófocles e escrever uma tragédia grega sobre o tema. A coisa geralmente envolve peripécias com mestres da táctica, apostas enfáticas em pernas-de-pau (e tímidas na Formação) e rios de dinheiro fluindo qual êxodo ladeira abaixo. Foi o que me ocorreu ontem ao ver o Borja no relvado e o Gonçalo Inácio no banco. Acresce que pouco depois observei que o Vertonghen fez para aí uns 100 passes tensos e bem medidos a lançar o Nuno Tavares no corredor. Ora, o nosso Borja, que foi contratado para lateral e acabou a central por aí supostamente causar menos dano, no seu total inconseguimento não fez mais do que passar a bola para o lado e para trás durante 90 minutos. Além disso, no golo vilacondense que bem poderia ter sido nosso tais os seus protagonistas, não fez linha com a restante defesa, afundou-se no terreno, pôs em jogo todos os rioavistas e ainda ficou a olhar só para a bola saída dos pés do Geraldes e deixou o Mané entrar-lhe pelas costas. Em suma, se fosse possível elaborar um manual do que um defesa não deve fazer, o Borja poderia ilustrar a capa. Outra coisa que me intriga é o futebol do João Mário. Quer dizer, eu já fui um grande fã daquele futebol de corte e costura do João Mário de 15/16, mas a esta versão 20/21 falta muito corte a direito e em viés (com bola), ou mesmo cortar as vazas aos adversários. Tanto assim é que no golo do Rio Ave o João Mário adoptou o seu heterónimo Joãozinho Caminhante e foi acompanhando com os olhos a progressão do Xico Geraldes sem nunca lhe passar pela cabeça pôr o pézinho. Tudo somado, a razão pela qual permaneceu todo o jogo em campo é um daqueles mistérios tipo Roswell que ficará para sempre por desvendar. Mais fácil de compreender será o facto de um treinador levar um ponta de lança para o banco e não o utilizar quando precisa de ganhar o jogo. Neste caso, só pode mesmo ser castigo. Afinal, quem mandou o Pedro Marques marcar golos de contrafacção em Sacavém? O Jovane teve mais sorte e ainda conseguiu jogar 11 minutos. Suponho que está a ser guardado para o jogo do Benfica, caso os problemas musculares não o voltem a atormentar. Ainda assim, deu logo nota da sua principal qualidade ao apanhar uma bola perdida e caminhar frontalmente para a baliza. Depois de atrair 2 defesas, tocou para o Tiago Tomás. Foi a nossa melhor oportunidade do segundo tempo, mas, pronto, já se sabe que o Jovane é o patinho feio para uma grande parte da nossa massa associativa que só usa (cola) Cisne nos cromos que todos os anos se compram para a caderneta. Cromos tipo Plata: um craque, dizem alguns com olhos doces, um jogador de futebol de rua, dizem outros com olhos lassos como eu. E mesmo assim... É que na minha rua havia uns rapazes que tinham o mesmo entendimento do jogo colectivo do equatoriano. A diferença é que os melhores levavam a bola colada no pé, mesmo o piso sendo de paralelipípedo, e não a 1 metro de distância e aos repelões como o Plata a leva em perfeitos relvados enquanto, trapalhão, prepara o choque inevitável com o adversário e o ressalto subsequente. Um homem até ficaria deprimido, não houvesse Pote, Porro, Palhinha e TT (grande jogada individual a finalizar a primeira parte) para aquecer a alma. Diga-se porém que do antigo Rúben ainda resistiu uma jogada de laboratório. Só que desta vez a iniciativa não partiu da esquerda com o Nuno Mendes, mas começou na direita com o Porro. O passe, cruzado para a zona do lateral contrário, apanhou o Plata desmarcado. O cruzamento deste, deflectido ligeiramente, alcançou o Pedro Gonçalves. Até aqui tudo bem, o guarda-redes, expectante, aguardava um sinal proveniente do pé direito do ex-famalicense. Mas eis que o moço antecipa com o pé esquerdo e o polaco Kieszek nem se mexeu. Mais uma vez, o Sporting inaugurava o marcador com uma eficaz triangulação a toda a largura do terreno.

 

Catorze jornadas decorridas, o Sporting é primeiro. Se me dessem tal como certo no início da temporada, eu teria assinado logo por baixo. Esse é o copo meio cheio. O copo meio vazio é o facto de o nosso futebol recentemente se ter perdido algures na Ilha da Madeira. Também o Amorim não parece o mesmo, com substituições à Jesus e tudo e o Coates a ponta de lança. Eu tenho uma teoria, tudo ainda é consequência da Filomena, a tempestade que deve ter revolucionado a cabeça do Rúben e está a deprimir todos os Sportinguistas que queriam mesmo era ganhar o campeonato com 6 pontos à maior (eu por mim já me bastava que o Rúben usasse as 5 substituições permitidas pelo regulamento). Mas acredito que brevemente as coisas irão mudar. A chave? O Rúben volta ao pente 3, não se deixa impressionar com passagens de nível fechadas para circulação de comboios de mercadorias no mês de Janeiro e manda o Ferro às entrevistas rápidas e conferências de imprensa. O nosso pobre coração agradece. Estava tudo a ser tão previsível, para quê estragá-lo com suspense no novo ano? Entretanto, Porto e Benfica empataram e o Braga perdeu. Dir-se-ia que todos os testes realizados pelos candidatos já em pleno confinamento deram resultados negativos. Resta saber se algum é um falso negativo. Ou, se antes houve falsos positivos. "The plot thickens"!

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2 comentários

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    Pedro Azevedo 18.01.2021

    Boa noite, caro Sol Carvalho.

    Sinceramente não entendo o seu comentário, o qual até vem fora de tempo pois o empate ficou lá atrás, amanhã temos jogo para ganhar contra o Porto e é nisso que deveremos estar focados. Mais incompreensível em si, daquilo que venho observando da interacção que tenho tido consigo, é o caro Sol Carvalho prestar-se em alinhar no coro de processos de intenção que por vezes lamentavelmente vejo por aí. Esperando que não enferme de espírito santo de orelha, creio que não lhe ficou bem entrar em considerandos de "paternalismo", "não sei o que lhe chamar", "subtil mensagem", "soluções de bandeja ao pobre do rapaz que é muito verde nisto" "palpites ao Klopp", entre outras "boutades" que sinceramente não acrescentam nada à discussão.

    Outra coisa bem diferente, e aliás totalmente legítima da sua parte, é a contraposição que faz com ideias. Isso, obviamente, é bem vindo porque enriquece a discussão que se pretendeu da minha parte serena e sem alaridos (o alarido veio agora o caro Sol Carvalho criar com o seu sermão). Ora, então vamos ao que interessa, às ideias: diz o meu caro que Ruben Amorim decidiu que Borja era mais seguro. Dessa forma, não entendo porque critica quem criticou a utilização do Borja quando é o próprio Sol Carvalho que afirma neste seu texto que para si o "Borja não tem qualidade para jogar no actual Sporting". De seguida, mostra-se contra a critica à exibição de João Mário. E viu-o amiúde na direita. Pois eu tenho visto pouco João Mário e sei que ele é capaz de fazer muito melhor. Para mim, está a prender demasiadamente a bola e a jogar muito para o lado e para trás e isso tem nexo de causalidade com o Sporting estar a criar menos danos nos adversários do que no início da época em acções de ataque rápido "à la Klopp". É uma opinião, tão válida quanto a sua, que aliás respeito. E tanto que respeito que procuro aqui explicar-lhe a razão dessa minha ideia. Acresce que no lance do golo do Rio Ave, o João Mário traça uma paralela ao Geraldes, que não é conhecido por ser um jogador rápido, que só se terá cruzado com o antigo jogador Sportinguista no infinito, tendo este efectuado o passe de ruptura decisivo para o empate verificado no marcador. Compreenda que não posso dizer que o João Mário tenha jogado bem. Quanto ao Palhinha e ao Porro, não creio que tenham jogado mal. O Palhinha vê-se muitas vezes em inferioridade numérica no meio campo e o Porro teve de fazer duas posições durante o jogo, uma delas meio desconhecida para si, para que Tabata entrasse para percorrer toda a ala. Depois o seu "ai Jesus": pobre eu que faço da dúvida o meu crescimento, o caro Sol Carvalho como espírito iluminado que não pode deixar de ser não tem dúvidas e é taxativo. Assim, para si, o Pedro Marques nem precisa de entrar em campo. Está decidido: o Pedro Marques é uma coisa, o Sporar é outra. Ora, eu até aprecio o jeito esforçado do esloveno, mas devo andar distraído porque não vi a fila de clubes estrangeiros interessados no seu concurso. Quanto ao Pedro, se tiver as mesmíssimas oportunidades do Sporar e for menos influente que ele nesse somatório de jogos cá estarei para lhe dizer que da observação resultou ser o caro Sol Carvalho o detentor da verdade. Mas como de esoterismo ou ocultismo nada entendo, permita-me que chegue a essa conclusão por via empírica. Finalmente, a sua questão de se era para tirar o TT... Ora bem, recupero aqui o jogo Sporting-Gil Vicente, em atraso da primeira jornada. O que é que Ruben Amorim fez? Mandou Sporar para dentro do campo e deslocou TT para a interior direita. Resultado: Sporar e TT marcaram os dois primeiros golos da reviravolta leonina. Logo, a sua interpelação de "jogávamos com 12?" a meu ver carece de sentido. O que talvez fizesse sentido, no meu entendimento, era o caro Sol Carvalho interrogar-se por que razão então foi o Pedro Marques para o banco.

    (continua)
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