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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

10
Mar19

Tudo ao molho e fé em Deus - VARdade?


Pedro Azevedo

O Sporting apresentou-se no Bessa com 5 bebés lançados por Keizer. Ah, não? Desculpem, últimamente ando a ler muita ficção científica. O Record, conhecem? Também não se pode levar a mal o jornal, afinal só se enganaram no "careca". Tal como nós. É que se um treinador do Sporting tivesse lançado esses jovens anteriormente no Ajax, então chamar-se-ia Peter Bosz e provavelmente os leões hoje não teriam jogado (substitutos incluidos) sem um único jogador proveniente da sua Formação

 

No xadrez boavisteiro, o Sporting apresentou-se sem uma das suas Torres (Bas Dost). Uma Torre do Tombo, dado o seu desempenho em 2019, mas que de alguma forma encerra em si os pergaminhos de anteriores equipas do Sporting Clube de Portugal, algo que não se viu naquele peão contratado no Inverno que hoje foi a jogo, incapaz de segurar uma bola na zona de ataque, o que conjugado com a desinspiração de Wendel e a falta de apoio de Gudelj fez com que Bruno Fernandes tivesse ficado isolado no miolo, pelo que as nossas jogadas se desenvolveram exclusivamente pelas alas, não havendo penetrações centrais.

 

O jogo começou praticamente com o golo do Boavista. Aos 3 minutos, o Felipe das Consoantes foi até à área leonina mostrar o seu bom jogo de cabeça e daí resultou o golo axadrezado. Levantaram-se dúvidas sobre a posição de Neris - sozinho na pequena área, porque Ristovski deslocou-se para um espaço onde já estava Coates - , mas o VAR manteve a decisão da equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro. Durante algum tempo a equipa leonina pareceu de cabeça perdida, com Gudelj literalmente a mostrá-lo após choque com Gustavo Sauer, uma estreia nos do Bessa que deixou muito boas indicações. De seguida, Borja foi tentar compensar a sua defesa, mas acabou ultrapassado por Sauer em lance que terminou com uma defesa de Renan para canto. Um canto que se desdobrou em vários e que terminou com uma involuntária assistência de Coates que miraculosamente não apanhou um boavisteiro no caminho para a baliza. Eis então que Raphinha vai formoso pela direita, ganha a linha de fundo, centra e Edu Machado tenta interpor-se entre Acuña e a sua baliza, acabando por desviar a bola na direcção errada, com o argentino ainda a tocar ao de leve na bola antes de esta passar a linha de golo. O Sporting reequilibrava os pratos da balança, numa altura em que o nosso jogo era monocórdico e consistia em centros razoáveis de Borja para a molhada. Até que um livre marcado por Bruno Fernandes, e desviado por Raphinha, encontrou Luíz Phellype ao segundo poste, sozinho. Cabeceamento do brasileiro e gol...ahhhh...ao poste. Incrível! Phellype, a 2 ou 3 metros da baliza, não fez golo. Logo de seguida, Raphinha marcou de cabeça, mas o árbitro auxiliar, primeiro, e o VAR, depois, anularam o golo, em lance com algumas semelhanças com o golo validado ao Boavista. As notícias não eram boas, mas até ao intervalo a esperança renasceria, nomeadamente quando Gudelj viu um amarelo e ficou impedido de participar no próximo jogo. Soa a Divina Providência, não é? Tempo ainda para Coates fazer de ponta-de-lança (não há um nos Sub-23?) e cabecear a rasar o poste de Bracali, após livre marcado na direita por Acuña. 

 

O segundo tempo iniciou-se com um elaborado gesto "técnico" de Gudelj, uma "pentavela" - trivela com dedo (a mais) de sérvio - em que a bola foi aceleradamente "de vela" directamente pela linha lateral, deixando os adeptos com muitos nós na cabeça. Coates voltou a ir à frente mostrar como se faz, mas a bola teve o mesmo destino da primeira vez. Eis então que, num momento desconcertante, Ristovski tirou um centro de sonho que embalou Phellype para um sono profundo, perdendo-se outra grande oportunidade. Logo de seguida, bicicleta de Bruno e grande defesa de Bracali. Keizer mexeu, entrando Diaby e Doumbia e saindo Borja (recuou Acuña) e Wendel. O marfinense mostrou instantaneamente a sua categoria, saindo da zona de pressão com destreza assente em velocidade e poder de finta, embora jogando mais adiantado do que o costume, mas o maliano foi mais ou menos igual a si próprio, ou seja, uma nulidade. Até que, quando tudo indicava que teríamos a "reprise" do acontecido na Madeira, já em tempo de compensação João Pinheiro viu uma pseudo-agressão a Raphinha na área axadrezada. Penálti, conversão como habitual de Bruno e três pontos sacados no Bessa, uma compensação que promete vir a ser ruidosa para uma silenciosa disparidade de critério disciplinar nos jogos que envolvem o Sporting.

 

A missão do Sporting assemelha-se cada vez mais ao Algoritmo do Caminho Crítico. Neste, há um tempo para cumprimento de um conjunto de tarefas. Para este ser cumprido, é necessário que as várias tarefas intermédias não se atrasem. Ora, esta equipa leonina continua a não evoluir por laborar num conjunto de erros que atrasa a sua progressão. Geraldes vai assistindo do banco, não podendo assim contribuir para a necessária rotatividade do plantel, Miguel Luís anda desterrado nos Sub-23, situação incompreensível e que até terá custado a titularidade do promissor Matheus Nunes nos últimos dois jogos do escalão, e Doumbia continua à espera de Godot, que é como quem diz desesperando, pois o nosso Keizer está a corporizar muito bem o espírito que norteou a obra de Samuel Beckett. Eu cá gosto mais do Elia Kazan e confesso que o amarelo que Gudelj viu hoje soube-me a "um eléctrico chamado desejo". Uma boa semana para todos!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Raphinha. Boas prestações também de Mathieu, Coates, Acuña e Bruno Fernandes.

raphinha boavista.gif

10 comentários

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    Pedro Azevedo 10.03.2019

    Poderíamos ter esses cinco, sim, mas não teria sido Keizer a lançá-los. Agora, também poderíamos ter Thierry Correia (e não Gaspar), Demiral (e não Ilori), Abdu Conté (e não Borja), Daniel Bragança, Mama Baldé, Max, para além de Miguel Luís, Jovane e Xico (lançados por outrém).

    As borboletas são tramadas. Quando não batem as asas, polenizam flores como as tulipas laranjas. E espalham o pólen, enquanto se alimentam do néctar. Só que há tulipas e tulipas, e a nossa não lhes dá néctar algum...

    Um abraço

    SL
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    Luís Barros 10.03.2019

    O que vale é que as borboletas têm um ciclo de vida reduzido. A natureza têm as suas regras e a evolução e a renovação das espécies é uma delas.
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    Pedro Azevedo 10.03.2019

    Lá renovar, renovamos. Agora evoluir? Tem sido mais regredir. Pelo menos desde Leonardo. De vez em quando temos o treinador certo (Allison, Leonardo), mas depois deixamo-lo escapar e as alternativas são sempre piores. O que dizer de um clube que sistematicamente trata mal os treinadores que lhe dão títulos de campeão? Mário Lino nem acabou a época em que se sagrou campeão (74), Fernando Mendes (campeão em 80), Allison (82) e Inácio (2000) foram despedidos durante a época seguinte (Allison ainda na pré-época). Só Boloni (2002) teve o luxo de acabar a temporada seguinte. Em compensação, JJ ficou 3 anos.
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    Luís Barros 10.03.2019

    Pedro e se me recordo, o Fernando Mendes já vinha da substituição do Rodrigo Dias. O que valia nessa época é que tínhamos sempre um bom "reserva" em casa.
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    Pedro Azevedo 10.03.2019

    É verdade! O Prof Rodrigues Dias compunha a dupla com o Fernando Mendes, tendo ligeiro ascendente, mas foi despedido a meio da temporada.

    Por falar em reserva e a título de curiosidade, quando o Mário Lino foi despedido antes da final da Taça de 74 foi o Osvaldo Silva que nos treinou no Jamor.
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    Luís Barros 10.03.2019

    Só mais uma lembrança e curiosidade. Pedro lembra-se de um jogador dos anos 70 chamado Nelson? Nós sub-23 temos um jogador que parece quase um clone, tanto a nível físico como a jogar: Bruno Paz.
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    Pedro Azevedo 10.03.2019

    Lembro-me de ouvir o Nelson, não me recordo de o ver jogar. Sei que foi campeão em 74, mas nesse tempo só ouvia relatos. Creio que o meu primeiro jogo, no estádio, data de 75.

    Mas tive o cromo do Nelson e pelo menos fisicamente o Bruno Paz tem parecenças. Eu gosto do Bruno, acho que tem qualidade. Mas para mim este miúdo que contratámos recentemente, o Matheus Nunes, é o jogador. Tem uma qualidade de passe, parte dentro, parte de fora de qualquer pé, excelente e progride a grande velocidade (desliza) com a bola nos pés. Infelizmente, alguém que certamente percebe muito de futebol decidiu que Miguel Luís e Geraldes baixassem aos sub23 e o Matheus deixou de jogar. Mais um equívoco!
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    Luís Barros 10.03.2019

    Ainda tenho memórias do Nelson, tal como do Marinho, Baltazar, Dinis, Dacosta, Vágner e claro o eterno Damas.
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    Pedro Azevedo 10.03.2019

    Lembro-me do Marinho, do Laranjeira, do Baltazar, do Fraguito, do Dinis, do Yazalde, do Chico, do Manaca e, claro, do Damas ( nas duas passagens por Alvalade).

    O Da Costa foi mais um dos infortunados jogadores do Sporting, uma estranha sina onde figuram com maior ou menor dramatismo o Nene, Caló, Artur, Cadorin, Cherbakov, Fraguito...
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