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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

26
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

A normalidade de ter Coates


Pedro Azevedo

Antes do jogo, o senhor Pinto da Costa declarou que em condições normais o FC Porto será campeão. De normalidade percebe o senhor Pinto da Costa. Por exemplo, a distribuição normal dos eventos narrados no Apito Dourado tinha um desvio-padrão muito pequeno. Em consonância, a maioria das observações estava muito próxima da média do que era alegadamente comum acontecer na relação entre o FC Porto e diferentes agentes desportivos, o que convenhamos oferecia muita segurança a quem tinha de fazer "previsões". Tal fez-me lembrar um livro. Em "Repeated games with incomplete information", Aumann e Maschler abordam a teoria dos jogos. Quando as pessoas interagem, elas habitualmente já o fizeram no passado e esperam continuar a fazê-lo no futuro. É este elemento de continuidade que é estudado na teoria dos jogos repetidos, a qual prevê, por exemplo, cooperação, secretismo, castigo ou vingança. E depois há o aspecto da informação, que revela que sinais vitais podem ser implicitamente revelados pela acção de um jogador, sinais esses que o jogador pode pretender mascarar a fim de induzir o oponente ao engano. Foi o caso de Lord Rothschild, que, tendo tido antecipado conhecimento do resultado da Batalha de Waterloo, enviou um seu agente para a Bolsa de Londres com instruções para vender discretamente títulos accionistas. Simultaneamente, contratou diversos indivíduos que geralmente não trabalhavam para si com o objectivo de comprarem títulos o mais que pudessem. Como Rothschild havia antecipado, o seu habitual agente foi reconhecido. Vendo-o a vender, os restantes operadores associaram-se, julgando a sua acção traduzir que a batalha havia sido perdida pelos ingleses. Acabaram por facilitar a vida a Rothschild, que nesse dia conseguiu comprar acções no mercado a preços muito baixos que mais tarde, quando foi do conhecimento geral o sucesso de Wellington, se convertiriam em importantes mais-valias. Tudo isto para dizer que talvez não fizesse mal a Pinto da Costa esconder o jogo, ou, pelo menos, o seu entendimento da "normalidade" do mesmo.

 

Nos modelos de risco, os analistas estimam a máxima perda com níveis de significância que alternam entre 95% ou 99%, considerando-se os 5% ou 1% como eventos com grau de probabilidade muito reduzida e assim desprezíveis, o que leva a acontecimentos como o 11 de Setembro ou a crise de subprime tenderem a ser subestimados, acabando as previsões desses analistas por falhar. Ora, o futebol é um jogo. Como tal, tem uma componente de aleatoriedade. Os adeptos Sportinguistas que acompanharam o desenrolar do nosso jogo em Braga já rezavam por um empate, mas no fim o Sporting ganhou. Costuma dizer-se que é futebol. Num mundo ideal isso nunca seria considerado uma anormalidade, apenas um jogo. Anormal seria por exemplo a corrupção, promiscuidade, tráfico de influências ou falta de ética, ou até mesmo o condicionamento sobre as equipas de arbitragem (supunhamos umas invasões à Maia, ou assim...) eventualmente influenciarem as ocorrências de um jogo ou de um campeonato ou até marcarem golos, mas sobre isso o Nostradamus da Cedofeita não faz previsões, embora prevenido já tivesse ido até à baliza, perdão, Galiza.  

 

Começado o jogo, o Braga cedo descobriu a localização do cofre. Com Galeno, Gaitan e Sequeira permanentemente em superioridade numérica sobre Porro e Inácio, não surpreendeu que o central leonino se visse em apuros. Duas faltas, dois cartões, o Sporting via-se rapidamente a jogar só com 10. Mas uma coisa é ver o cofre, outra é descobrir a sua combinação. Até ao intervalo o Coates e o Adán certificaram-se que tal não aconteceria. Durante o descanso, o Rúben Amorim compreendeu que teria de pôr alguém mais naquele flanco. Com menos 1, convinha ser um jogador versátil, enérgico e também com chegada à área adversária. Vai daí, pensou no Matheus Nunes. Em boa hora o fez, pois numa jogada semelhante à que deu a nossa vitória na final da Taça da Liga, o brasileiro marcaria o golo da vitória. O restante segundo tempo foi uma história de sacrifício e de superação, um épico que certamente faria furor se representado no mundo da Sétima Arte. Como grande protagonista o Coates. O nosso Ministro da Defesa devolveu tudo, foi um muro intransponível. Coadjuvando-o, o Secretário de Estado Adán. Também ajudou ao sucesso o facto de em campo ter estado o Galeno, um artista com o traço impressionista de um Manet e a definição final de um maneta (no caso, perneta).  No fim, o Amorim disse que foi normal. E teve razão. Oscar Wilde teve um grande sucesso com a peça "A importância de se chamar Ernesto", também designada por "A importância de ser honesto", uma sátira sobre a moral vitoriana. Homem reconhecidamente culto, Pinto da Costa certamente conhecerá a obra de Wilde. E saberá também que a normalidade no Sporting está associada à importância de (o capitão) se chamar Coates. Sim, Coates, o que nunca alimentou dúvidas ou angústias pós-Alcochete aos adeptos e sempre alinhou os seus interesses pessoais com o Sporting, aquele que mais do que ninguém merece o título de campeão nacional.

 

Ganhámos um jogo que facilmente poderia ter caído para o outro lado. Mas é importante também compreender que houve jogos que empatámos e deveríamos ter ganho. É o futebol e os seus sortilégios, tudo normal. O que não vinha infelizmente sendo normal no Sporting era a solidariedade e resiliência dos jogadores em campo. E essa será a melhor contribuição de Rúben Amorim para o Sporting versão 2020/21. Podem contestar-se as substituições - ontem só gostei de Matheus e de Neto - , as alterações no modelo de jogo, a parca utilização de Jovane, dispensa de Pedro Marques, etc, mas a verdade é esta: em 47 anos que levo de ver futebol nunca vi uma equipa tão unida em campo. Se é normal, não sei. Mas espero que doravante seja o novo-normal. Força, Sporting!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates

coates e adan.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 26.04.2021

    Respondendo ao seu desafio e atendendo a que Gonçalo Inácio, Adán e TT não poderão jogar, o meu onze seria: Max; Neto, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, Matheus Nunes e Nuno Mendes (bom jogo em Braga); Pote e Nuno Santos: Jovane.


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