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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Crónica de uma derrota anunciada


Pedro Azevedo

Acabado de chegar do Estádio do Algarve, sinto que esta crónica deverá ser uma não crónica. Pelo menos, do tipo a que habituei os Leitores. Perguntar-me-ão o porquê. E eu respondo: no meu entendimento, o sentido de uma crítica deve ser ajudar a evitar algo de negativo que se antevê, de forma a que, mudando o que não está bem, os receios do seu emissor não se venham a concretizar de facto. Por isso, temendo o pior, nunca me coíbi de fundamentar aquilo que não me parecia bem, na esperança de poder despertar consciências em quem tem responsabilidades no clube. Depois de uma debacle como a sofrida esta noite, a crítica já não me parece ter um objectivo, na medida em que não poderá alterar nada e apenas servirá para expôr um determinado estado de alma, ou satisfazer uma vaidade individual. Ora, eu já disse aqui inúmeras vezes que preferirei sempre não ter razão e ela assistir ao meu clube, pelo que não será por isso que usarei este espaço usualmente satírico para achincalhar o clube da minha paixão.

 

Sejamos francos, o Sporting não perdeu esta noite devido ao sistema de 3 centrais que eu tinha antecipado aqui no "Castigo Máximo" poder ser a surpresa de Keizer. Pelo contrário, tal até baralhou o Benfica durante bastante tempo na primeira parte. O Sporting perdeu, porque o Benfica tem melhores jogadores, atletas com a qualidade-extra do meio campo para a frente que a nós nos falta (com a honrosa excepção de Bruno Fernandes). Por isso aqui tanto batalhei para que não se comprasse em quantidade e se apostasse na qualidade, nomeadamente procurando no mercado um ponta-de-lança com mobilidade, técnica para ligar o jogo da equipa e poder de concretização na área. É de jogadores com a capacidade de fazer a diferença que estamos necessitados, e por eles toda uma outra estratégia deveria ter sido implementada, apostando em jovens da nossa Academia como as tais segundas linhas para compôr o plantel em detrimento dos reforços(?) que fomos buscar ao mercado, de forma a conseguirmos manter os nossos melhores jogadores e poder acrescentar-lhes mais um elo vindo de fora que ajudasse a engrenagem a funcionar de forma mais oleada. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. 

 

Onde eu questiono Keizer é no valor relativo que vê em jogadores como Diaby em detrimento de um Matheus Pereira ou de um Jovane (esta noite indisponível por lesão), exemplo de um exponencial de situações em que a nossa Formação é deixada para trás em função da integração de elementos que ninguém percebe muito bem como despertaram o interesse do nosso Scouting. O caso do maliano é disso sintomático, na medida em que se torna insuportável para a vista observar alguém vestido de verde e branco e com o leão rampante ao peito a abusar assim tanto da canela, facto que nem para a Fábrica dos Pastéis de Belém o aconselharia. Também me interrogo como é possível não se vêr evolução em Raphinha, um promissor jogador que continua a definir muito mal as jogadas. Estas coisas não são trabalhadas? O brasileiro esteve umas vinte vezes em situação 1x1 contra defesas do Benfica e em todas decidiu com pouco critério. Ora, quando do outro lado temos um Rafa, ou um Pizzi, com uma taxa de aproveitamento desse tipo de lances muito boa, o nosso destino está lançado.

 

Uma última menção a algo que eu havia aqui dito no Sábado: a Direcção do Sporting deveria ter reagido publicamente na sequência das notícias que davam conta do pedido alegadamente formulado por Bruno Fernandes para sair. Se o tivesse feito, Bruno e o grupo teriam sido defendidos e o foco no jogo mantido. Mais, não me parece bem que na ante-véspera de um jogo de capital importância, um momento que deveria ser de total concentração, a Direcção do clube aceite encontrar-se com emissários do Tottenham, o empresário do jogador e o próprio Bruno Fernandes que é bom não esquecer ainda é o capitão da equipa. Esse assunto deveria ter sido adiado para data posterior à Supertaça, evitando-se assim um foco de tensão para o jogador, balneário, sócios e adeptos, os quais deveriam sim estar todos agregados à volta da necessidade de vencer o Benfica. 

 

Nada mais tenho a dizer numa ocasião em que a frustração é muito grande e o sentimento de impotência ainda maior. Resta-me a confiança inabalável na melhor massa associativa do mundo, a única em Portugal capaz de permanecer resiliente perante seja qual for a adversidade, e a certeza que o Sporting se irá reerguer como o enorme clube que é. Aliás, derrotas destas não me fazem ser menos sportinguista, bem pelo contrário. É nestes momentos que gosto de tirar a camisola verde e branca do armário e mostrá-la sem vergonha, com todo o orgulho numa história feita de glória. Sim, porque nunca fui pessoa de esconder a cabeça na areia como a avestruz. Em todos os momentos. Tal como o Sporting. O Sporting, não o A, o B ou o C, a razão disto tudo. Amanhã será outro dia.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Idrissa Doumbia e Thierry Correia, os únicos a merecerem nota positiva. Renan evitou números mais pesados, Wendel perdeu o gás todo contra o vento, Mathieu (grande jogador) cometeu um erro de amador, Acuña provou ainda não estar em condições físicas, Bruno esteve nervoso e decidiu anormalmente mal, dos outros é melhor nem falar.

 

P.S. Ah, e quanto à super aposta na Formação em que alguns acreditam, cumpre dizer o seguinte: no início eram 15. Depois, Iuri não foi para estágio. E lá foram caindo, um após outro, de modo que nos 18 escalados para a Supertaça estavam dois, apenas dois (Thierry e Max). Alguns desaparecidos em combate, como Abdu Conté, após ter sido encarregado da missão suicida de ter de enfrentar sistematicamente dois adversários perante a complacência do recém-recruta Vietto, outros como Matheus Pereira desterrados para zonas densamente minadas. Ou é impressão minha, ou este enredo da Formação está cada vez mais parecido com ‘Os doze indomáveis patifes’. 

3 comentários

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    Pedro Azevedo 05.08.2019

    Estive nesse jogo do 3-3 para a Taça (Miguel Garcia falhou e perdemos nos penáltis) e lembro-me muito bem desse golo do Paíto.

    O meu caro fala em aspectos colectivos, mas eu crei que ontem falhámos individualmente. Por erros próprios nalguns casos (Mathieu), mas também por a nossa qualidade média individual ficar aquém da do Benfica. Para além de Bruno, do meio campo para a frente onde estão os Pizzi e Rafa na nossa equipa? Eu não os vejo, o meu caro vê? A definição de alguns dos nossos "craques" é sistemáticamente má, raramente sai o último passe ou remate. Temos uma equipa hiperdependente de Bruno Fernandes. Veja a chegada à área. Quantos sabem rematar à baliza, quantos centram em condições e no timing certo. Vai buscar-se um jogador de 26 anos, um colombiano, que esta época ainda não fez um cruzamento que não tivesse ficado no primeiro defesa. Há várias coisas que me desagradam em Keizer, mas não creio que seja o culpado do défice de qualidade de muitos jogadores nossos. Se que agora está lesionado, não compreendo é a má vontade que Jovane tem em Alvalade: no 1x1, é o único que vai perpendicular à baliza, sem chicuelinas ou outras perdas de tempo que fazem o adversário reposicionar-se.
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    LMGM 05.08.2019

    Ontem nós também estivemos por cima do jogo, e nesse período o adversário também teve erros individuais a resolução dos erros individuais deles foi uma resposta colectiva que resultou no reequilíbrio do jogo. A nossa resposta aos erros individuais foi ainda maior individualismo, eram vários os jogadores a tentar jogadas à Paíto, sozinhos contra o mundo, que resultavam em mais uma perda de bola e mais um esforço de recuperação.

    Se a primeira coisa que me ocorre para resolver um problema é olhar o meu umbigo e lutar contra o universo é porque não sei reconhecer no que me envolve, no colectivo, qualidade para ser melhor do que qualquer coisa que eu faça isolado. Penso que basta manter na memória as palavras de Ristovsky no final do ano passado, é o reconhecimento de quem está no campo e nos treinos, "eles" sem "ele" não se safam.

    Fazem-se belas equipas com jogadores sem a qualidade de Bruno Fernandes, é muito difícil fazem algo se todos forem Diaby's, mas há neste plantel qualidade mais do que suficiente para fazer melhor como equipa do que aquilo que temos assistido. Os golos patéticos que temos sofrido criam sempre um mártir, Mathieu, Ilori, Renan, Thierry... se calhar o problema não é dos mártires...

    Quem são os nossos Pizzi e Rafa? Talvez Miguel Luis e Matheus Pereira, Wendell e Raphinha, Geraldes e Podence, Eduardo e Plata, sei lá há tantos...

    P.S.- Vejo o Rafa e tenho a consciência de que nunca poderíamos ter um jogador daqueles. Vamos imaginar que compramos amanhã um qualquer jogador ao Braga por 16M!!! e que nos próximos 2 anos ele não dava mais que um Diaby furado, era morto e crucificado, nunca teria possibilidade de se recuperar e vir a dar o seu talento à equipa, viria a cumprir um calvário de empréstimos pela Turquia/Grécia/Espanha/Bélgica e depois dispensado para poupar em salários.
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