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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O abre-latas


Pedro Azevedo

Sporting há só um, o de Portugal e mais nenhum, e hoje Salvador nem precisou de ir ao nosso museu para o constatar, bastou-lhe olhar para o relvado. Se o presidente bracarense assistiu da Tribuna, Abel observou tudo do banco. E deve ter-lhe custado muito, pois só assim se compreende que lhe tenham passado pelos olhos 25 anos em apenas 90 minutos, um pequeno remoque que não lhe ficou bem. A um treinador jovem e com qualidade recomenda-se outro poder de encaixe. A este propósito, imagine-se o que após uma derrota tão concludente como esta se diria na imprensa inglesa, caso Abel treinasse na "velha Albion". Logo eclodiriam os trocadilhos com "able" ou "a bell", do tipo he was not Abel to cope with the situation, ou did anyone ring Abel? A rever...

 

Com jogadores frescos, Keizer introduziu uma nuance táctica que consistiu na aproximação de Borja aos 2 centrais - desta vez trocados, com Ilori na direita - , formando-se uma linha de 3 defesas (sistema táctico de 3-5-2), aquando da posse de bola, ou de 5 defesas (um 5-3-2 com Ristovski e Acuña nas laterais), quando o adversário atacava. Adicionalmente, Diaby e Bruno Fernandes foram-se alternando numa posição mais central por detrás de Dost - quando Diaby procurava a ala, Bruno subia e quando Diaby rondava as costas de Dost, Bruno descia para junto dos outros médios - , algo que também ajudou a baralhar os bracarenses. Só a meio da segunda parte se produziu nos espectadores a sensação de que Abel percebeu o que se estava a passar, nomeadamente quando colocou um segundo homem a penetrar na banda esquerda do seu ataque e com isso criou a dúvida em Ristovski, visto Diaby parecer ter instruções para se manter no meio (o que obrigou Gudelj a desposicionar-se umas duas ou três vezes), uma situação entretanto colmatada pelo treinador holandês ao reposicionar o maliano e, mais tarde, ao fazer entrar Raphinha para a ala direita. Em resumo, pode dizer-se que Keizer deu um banho táctico a Abel, o que teve uma influência importante no desenrolar da partida.

 

O Sporting entrou bem no jogo, com Wendel muito activo desde o apito inicial, a arrastar a equipa para a frente com o seu futebol misto de samba e jazz de improvisação, e o maestro Bruno, de batuta na mão, a jogar e a fazer jogar à sua volta. Assim, não demoraria a primeira grande oportunidade (ao quarto-de-hora), quando Bruno encontrou Ristovski desmarcado nas costas da defesa bracarense e o macedónio serviu de imediato o isolado Dost que perderia o duelo individual com Tiago Sá. Depois de um passe de ruptura, logo de seguida Bruno rematou de fora da área com perigo. Tiago Sá voltou a defender, revelando atenção. Até que após uma das inúmeras faltas cometidas por Raul Silva, Jorge Sousa mandou marcar um livre directo a meia dúzia de metros da entrada da grande área do Braga e descaído para a direita. Acuña ajeitou a bola, mas Bruno ligou de novo o GPS e desta vez Tiago Sá nada podia fazer, com a bola a cair subitamente (folha seca) mal avistou a linha de golo. Até ao intervalo, destaque para uma remate fraco de Diaby que saiu ao lado, quando havia superioridade numérica sportinguista na área bracarense e diversas soluções de passe.

 

O segundo tempo praticamente iniciou-se com um novo golo leonino: Diaby pegou na bola sobre a meia direita e a uns bons 50 metros da baliza bracarense e daí traçou o azimute para a baliza de Tiago Sá, que o levou a galgar metros sobre metros e a ultrapassar 3 adversários numa diagonal até ser derrubado, já dentro da grande área, por Claudemir. Jorge Sousa mandou marcar penálti e, na sua conversão, Dost marcou como de costume (Tiago Sá para um lado, a bola para o outro). À hora de jogo, Bruno quase marcou um golo do outro mundo, com um remate fortíssimo de fora da área que errou o alvo por pouco (o guarda-redes estava batido), após um bom movimento de Wendel que criou o espaço para o nosso capitão aplicar o gesto técnico. Mas não tardaria muito o terceiro dos leões, após um momento de habilidade de Bruno Fernandes que lhe permitiu junto à linha de fundo arrranjar espaço para um centro rasteiro que Dost desviou para a baliza. O jogo praticamente terminaria aí e Keizer teve oportunidade então de poupar sucessivamente Dost, Diaby e Wendel, fazendo entrar Phellype, Raphinha e Doumbia, este último com tempo ainda para mostrar 2 pormenores de elevado requinte técnico e facilidade em progredir com a bola. 

 

O árbitro Jorge Sousa teve uma actuação correcta no capítulo técnico, mas disciplinarmente com critério desigual. Ilustrando isso, a dado momento os jogadores do Sporting chegaram a ter 5 cartões amarelos, enquanto os do Braga só tinham aquele mostrado aquando da grande penalidade. Nesse sentido, foi até particularmente risível a segunda admoestação a um bracarense, claramente provocada por um coro de assobios proveniente da bancada. De registar também a negligência com que deixou passar uma clara agressão de Raul Silva a Marcos Acuña, lance em que o VAR também não actuou.

 

No Sporting, destaques principais para Bruno Fernandes e Wendel. Diaby e Dost também estiveram muito bem, tal como de resto toda a equipa. Nesse sentido, devo dizer que Borja (posição no campo diferente), talvez beneficiando da cobertura dada por Acuña, hoje agradou-me sobremaneira.   

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes: Abel chamou-o de "abre-latas" (ele que até é mais um canivete suiço), mas o maiato foi pura poesia em campo. E, como dizia Bukowski, esta estremece a alma, abre os olhos e...cala a boca. Não é assim, Abel?

sportingbraga1.jpg

(Imagem: Record)

4 comentários

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    Pedro Azevedo 18.02.2019

    Caro Luís,

    considero que foi o jogo mais completo do Sporting este ano, destronando aquele disputado em Santa Maria da Feira, para a Taça de Portugal, em que ganhámos por 2-0 mas podiam ter sido 6 ou 7, ou a visita ao Qarabag.

    Creio só ter havido ali um momento de dúvida, quando o Braga começou a procurar a superioridade numérica sobre Ristovski, mas isso acabou também por ser resolvido a contento.

    Wendel foi extraordinário, mas Bruno esteve a um nível insuperável, a jogar e a fazer toda a equipa girar à sua volta. Até do ponto-de-vista da postura disciplinar esteve contido, como se a braçadeira de capitão lhe tivesse aumentado a responsabilidade e contido os ímpetos revolucionários.

    Também gostei da reinvenção de Keizer, que parece ter mais vidas (e nuances) do que aquilo que os analistas gostam de reconhecer. Ontem, Abel ficou perdido no banco...
  • Sem imagem de perfil

    Avraham ben Shemu'el Zakut 18.02.2019

    Caro Pedro,
    "Abel ficou perdido no banco..." Lost in Translation?
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    Pedro Azevedo 18.02.2019

    Mais do que Abel adormecida, foi mais do tipo Abel e o Monstro. Sim, porque ontem Keizer foi um monstro táctico e Abel não soube ler o flamengo (neerlandês). Como tal, de flamengo estamos bem. Vamos ver como estamos de flamenco na quinta-feira...
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