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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

15
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O amor em tempos de cólera


Pedro Azevedo

Pode ser lido como uma brisa de ar fresco na ambiente poluído do futebol português, ou o amor como mote em tempos de cólera, a verdade é que em dia de São Valentim, e com vários casais de namorados nas bancadas, o Sporting recebeu o Villareal em Alvalade.

 

O resultado não foi bom e julgo que é reflexo de uma falta de convicção generalizada que se nota no clube a todos os níveis, especialmente no que concerne à política desportiva, envolvendo Direcção, treinador, jogadores e adeptos. Mas ser destrutivo, ainda mais em cima de uma derrota, não é algo que me esteja no sangue, pelo que vou antes falar daquilo que me perpassou a alma enquanto via o jogo. 

 

Vivemos tempos de cólera. Os sportinguistas não andam contentes, procuram compensações. Os acontecimentos da última Primavera/Verão, as mudanças sucessivas de liderança a nível directivo e técnico, a sistemática tergiversão na forma como se vê a Formação, a ilusão de umas noites de Outono que deu lugar ao Inverno do nosso descontentamento, a distância para os primeiros classificados no campeonato nacional, tudo isso vem deixando os sportinguistas à beira de um ataque de nervos. Adicionalmente, creio que se perdeu o "timing" de transformar uma crise numa oportunidade e de se reconstruir o edifício do futebol. Em vez disso, na janela de Inverno chegaram 10 jogadores, só um deles regressado de um empréstimo, a mostrar à saciedade que a mudança deixou tudo na mesma. Mas esta derrota em dia de São Valentim tem de se revestir de um carácter alegórico para todos nós. Porque o nosso amor pelo clube tem de vencer. Não é Varandas, Keizer, ou mesmo os capitães de equipa que nos fazem ser do Sporting e andamos há tempo de mais a confundir as coisas. Eu não misturo quem conjunturalmente nos representa com a perenidade que desejo para o clube. No passado recente como hoje. Por isso, e se for caso disso apesar de A, B ou C, eu estarei sempre com o clube e erguerei com orgulho o facho que partilho com os meus filhos e que um dia eles comungarão com os seus. E espero (e desejo) que todos os que mais directamente têm responsabilidades no clube o façam também. Que ponham sempre o clube em primeiro lugar, à frente das suas ambições pessoais e acima das vaidades de cada um. E lutarei até que o meu clube consiga impor uma Cultura corporativa que vinque os seus valores e não se torne um constante receptáculo de maus costumes, más práticas e péssima educação trazidos de fora para dentro. Para isso, é necessário que se saiba o que se quer e como fazê-lo. E, caso não se saiba, recorrer a quem possa ajudar. Adicionalmente, urge saber transmitir aos associados o que se pretende fazer, de que forma e, o mais importante, por que é que esse tem de ser o caminho, este último o elo emocional, "a causa" que liga as pessoas à instituição. Sem isto...

 

É preciso reflectir. E o tempo é agora. O clube continua herméticamente fechado durante os mandatos presidenciais. As portas entreabrem-se em época eleitoral, na caça ao voto, para logo se semicerrarem até se fecharem definitivamente. Não é bom conselheiro pensarmos que tudo sabemos. Há que ser humilde e saber ouvir. Para um adepto, de que adiantará antecipar um acidente se não o conseguir evitar? Isso só se traduzirá em frustração e desconsolo, e com isso mais gente irá abandonar o barco, mais tempo de cicatrização de feridas vai ser perdido. O tempo no Sporting está sempre contra quem lá está. É assim em clube que não ganha. Por isso é que digo que se perdeu uma oportunidade de testar algo diferente. De que vale gastarmos dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, se depois não testarmos um medicamento (e mais tarde o vendermos)? Pois é exactamente isso que está a acontecer à nossa Formação. Que vai definhando, desmotivando, quando todos sabemos que é a única forma de sermos sustentáveis económicamente, logo financeiramente também. Simplesmente, o populismo e a fuga para a frente são mais fortes e acabamos por preferir morrer sem glória do que ousar vencer de outra forma e, na pior das hipóteses, cair de pé. Por isso digo que falta convicção. Há anos! E também bom senso, como o atesta a polémica da exclusão do título europeu de Goalball do nosso palmarés. Provavelmente, um acto perpetrado por quem menorizou a modalidade, quando na verdade o resultado da sua acção (e posteriores explicações), dir-se-ia, potencialmente discriminatória enxovalha o clube. Tudo feito num jeito meio envergonhado, sem convicção e que, no caso, se acabou por traduzir numa falta de respeito pelo esforço dos atletas em causa, pelo desporto adaptado em geral e pelos portadores de deficiência. Em contra-ciclo com a sociedade e o seu movimento em favor da integração e equiparação. 

 

O meu desejo e maior sonho é que esta derrota traga resultados positivos no futuro. Que dela se tirem ilações, determinados procedimentos se corrijam e outra mobilização seja requerida. Há gente nesta Direcção com boas ideias e muita capacidade profissional. Para que consigam desenvolver as suas competências dentro do Mundo Sporting é fundamental que a política desportiva entre nos eixos. Igualmente, a Comunicação deve aproximar os sócios, não afastá-los por via do desconhecimento do que se passa. Há aqui demasiados equívocos e paradoxos na nossa actuação perante os sócios e adeptos do clube, que são também o alvo preferencial do consumo dos nossos produtos e serviços. 

 

Quanto ao jogo, vou ser curto: um futebol sem chama, onde não se viu ligação entre os jogadores nem o típico 1/2 toques do período inicial de Keizer. Creio que tal resultou da falta de condição física de vários jogadores e reflectiu-se tanto na menor disponibilidade nos movimentos de aproximação à bola como na pior qualidade do passe. Assim, em 90 minutos, tivemos apenas duas oportunidades de golo: um remate de Dost após boa jogada individual de Raphinha e um tiro de Coates ao poste na sequência de um canto marcado por Bruno Fernandes. Muito pouco. Admito, como atenuante, que a condição física seja uma condicionante ao futebol que Keizer quer implementar, mas também vejo o treinador um pouco à deriva. Houve uma tentativa de mexer nos conceitos de jogo que apresentou inicialmente, em função de uma suposta melhoria da transição defensiva, que penso não ter corrido bem. O nosso jogo é reflexo dessa encruzilhada em que Keizer se meteu. Ele próprio hoje é diferente do Keizer original, mostrando, também ele, a tal falta de convicção.

De igual modo, os jogadores parecem hoje menos convictos da qualidade dos princípios de jogo. Como se simultaneamente quisessem acelerar e travar. O jogo aventureiro transformou-se num jogo de medo e as recentes declarações de Bruno Fernandes, meio codificadas, de que a equipa se deixou de preocupar com ela própria para agir em função de outrém, deixou-me a pensar se os jogadores também não sentiram a mudança no paradigma de jogo. 

 

Vou terminar, pedindo desculpa a todos os Leitores por hoje a habitual ironia ou mordacidade não se ter revelado. É que sendo o futebol a coisa mais importante das coisas verdadeiramente não importantes, há momentos que nos tiram a vontade de brincar. (O humor e a sátira hão-de voltar, fica a promessa.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Seba Coates

sportingvillareal.jpg

4 comentários

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    Pedro Azevedo 15.02.2019

    Tem toda a razão, meu caro. Todos temos de ser melhores que isto. Tudo o que vivemos resulta de um défice de Cultura de clube. Não há filtros, o clube é o que as pessoas são. E esses comportamentos entram cá dentro que nem cão em vinha vindimada. Peroro sobre isso desde que escrevo em blogues. Às tantas uma pessoa cansa-se de não ser ouvida, de tentar contribuir para a solução e estar-se tudo nas tintas. E eu sei que é disso que precisamos. Da necessidade imperiosa de reforçarmos alicerces. Há que ser humilde e entender que para se perceber de futebol não basta perceber a organização do futebol . Há que perceber o que é um clube, a heterogeneidade das suas gentes, o que as aproxima, a forma como os nossos valores são expressos no dia-a-dia, etc. E, como muito bem disse, o amor ao clube. Mas o que é isto? Isto tudo é uma feira de vaidades em que cada um só está a olhar para o seu umbigo. Uns dizem que percebem de tudo, outros publicam livros, outros querem é zelar pelo movimento ultra, outros têm interesses que não declaram and so on and so forth. E depois estamos neste estado. Não me admira, a pobreza dos programas eleitorais era gritante e a exigência dos sócios perante isso alarmante. Tudo passa com uns soundbytes de umas agências de comunicação - fazem o seu papel - mas depois não há conteúdo. Enfim, mais do mesmo. Quem de direito tem de reflectir e abrir o clube em detrimento de se fechar como resposta à crítica. Isso será fatal. A desmotivação de alguns já é grande, há compromissos financeiros exigentes, não se pode deixar de dar esperança aos sócios e de os ouvir. A participação de um sócio devia ser estimulado é entendida como sinal de vitalidade do clube.
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    Metralha 15.02.2019

    Pedro,

    Já repeti isto vezes sem conta em vários espaços. Votei a destituição de BdC por deixar de me identificar com a postura autoritária e de desgoverno total . Não sou dos 71% como alguns me querem apelidar. Votei no futuro democrático do clube.
    Votei para ter um clube dos sócios e não de uma pessoa que se julgou ser o clube.

    Só errei em não renovar a gamebox, por não me identificar com a política de Sousa Cintra e de Peseiro, que dispensou 3 jogadores da nossa formação. Para mim foi a gota de água.
    Penalizei a direção por isso, penalizei o clube por não apoiar quando mais precisa.

    Que aqueles que restam no estádio, vão para apoiar a verde e branca.
    Que tenham o espírito do Coates, esse Leão que tenho dito cobras e lagartos deste verdadeiro capitão.

    Conseguiremos melhor.
    Os sportinguistas nunca falham. Não vamos falhar outra vez !!!
  • Imagem de perfil

    Pedro Azevedo 15.02.2019

    Eu tb votei na destituição e por motivos semelhantes, mas só o facto de termos que estar aqui a declará-lo é intolerável. Uma pessoa não tem de fazer declaração de interesses numa coisa dessas, era o que faltava. Declaração de interesses usam-se para situações de interesses económicos que podem ser conflitantes , não numa decisão de voto em consciência. Essa coisa dos ‘croquetes’, ‘sportingados’ e ‘brunistas’ é das maiores manchadas que podemos dar à nossa Cultura. Nós somos é sportinguistas, ponto. Tudo o resto só gera entropia na máquina e cria confusão, desunião , desagregação . Quem pensou que por alegadamente perceber muito de futebol tinha a chave da solução já deve ter reparado que se enganou profundamente. O clube tem de atacar urgentemente a sua falta de identidade, aquilo a que eu chamo Cultura. Sem uma identidade comum , o clube sujeita-se a estar sempre a ser infiltrado pelo pior da sociedade. E não falo só de claques, falo de quem não olha a meios para atingir fins, de interesses, etc. Mas em vez de sócios e Direcção abrirem os olhos sobre isto, muita gente continua a usar Bruno Carvalho em quaisquer frases, seja para o bem ou para o mal. Eu quero é seguir em frente, que o senhor seja muito feliz, obrigado pelo que fez de bom, o meu desagrado pelas asneiras, mas temos de andar para a frente e não condicionar o discurso tipo táctica de guerrilha urbana de movimentos extremistas. O futuro do Sporting não tem nada a ver com o passado. E quanto mais depressa deixarmos de o usar para justificar o que é o nosso presente, melhor.
    Essa questão da identidade, meu caro, é fundamental. Há que explicar aos sócios porque é que faz sentido seguirmos juntos, as nossas causas. Não o fulano A ou B. Vou juntar-lhe no comentário seguinte um ‘link’ de algo que escrevi num outro blogue onde cokaboro, para o caso de querer dar-se ao trabalho de tentar melhor compreender a profundidade daquilo que digo e as razões pelas quais o digo.
    Um abraço

    SL
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